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terça-feira, 23 de junho de 2020

ENTROU NO CANGAÇO POR TER SIDO RAPTADA OU POR ESPONTÂNEA VONTADE?

Por José Mendes Pereira
O DESTINO DE ADELAIDE - Mulheres do Cangaço
As irmãs cangaceiras Rosinha e Adelaide de Lé Soares

Cada um de nós que estuda o cangaço de modo geral tem a sua opinião sobre as histórias que foram contadas pelos remanescentes de Lampião, mas o meu parecer,  que vivo nessa corrida para conhecer bem o "Cangaço", não desfaz e nem desrespeita os nobres pesquisadores, escritores e historiadores, apenas tento dizer o que eu penso sobre os depoentes. 

Os caçadores de histórias sobre cangaço que são os pesquisadores, escritores e historiadores foram e são os verdadeiros heróis que trouxeram e trazem todas as informações para nós, não criaram e nem criam nada desnecessária, e sim, registraram e continuam registrando os acontecimentos ditados pelos depoentes como: coiteiros, coiteiras, cangaceiros, cangaceiras, policiais, fazendeiros, sertanejos e até mesmos pessoas que presenciaram crimes, ou maldades feitas pelos facínoras que usavam as suas leis próprias, contra aqueles que eles achavam merecedores de serem castigados com surras ou com a morte.

Um dos acontecimentos cangaceiros que a minha mente não consegue registrar como verdade é o que disseram aos entrevistadores algumas bandidas que sobraram da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", que foram raptadas ou levadas para o mundo cangaceiro à força pelos seus futuros companheiros. 

A maior parte destas moças que seguiram os cangaceiros por terem sido raptadas como afirmaram elas, era adolescente, e adolescente, principalmente do sexo feminino, a paixão a domina no primeiro rapaz que ela colocar em cima dele os seus olhos brilhantes condutores fiéis do seu destino (assim escreveu o poeta Zé Ramalho) e passa a desejá-lo, não o esquecerá tão cedo, e a partir daí, ela está para enfrentar qualquer obstáculo. Esse comportamento faz parte da vida humana quando se refere a amor. 

Nos tempos do cangaço as moças sertanejas viviam ali, apesar  dos olhares rancorosos dos pais, mas eram apenas cuidadosos, e que não as deixavam sair a lugar nenhum, e quando elas saíam era para um baile nas suas comunidades, mas nunca a sós, geralmente acompanhadas pelos seus genitores. 

Algumas delas já não mais suportavam aquele ciúme doentio dos pais e a solução era sair dali da companhia deles o quanto antes possível, em busca de liberdade, de querer voar alto, conhecer coisas novas, viver livre, sem pressão, viver sobre os olhares de um só, no caso o companheiro conquistado, já que em casa, além de ser vigiada pelo pai, ainda tinha os olhares da mãe e dos irmãos, porque muitas eram privadas até de chegar ao alpendre, quando no meio daquela gente presente, tinham jovens metidos a galãs. 

As que se queixavam que foram forçadas para seguiram os cangaceiros mesmo sendo estudante do cangaço, eu não acredito. Elas se apaixonavam pelos bandoleiros e findavam os acompanhando por pura vontade, acho eu, não sei se estou certo ou errado. Os cangaceiros não chegavam e as carregavam, porque eles tinham um chefe de grupo para obedecê-lo, ou  então os reclamando que não era bem assim, levar uma donzela para a caastinga por pura maldade. Primeiro, imagino eu, que eles as visitavam e depois das conquistas e algumas conversas amorosas eram que elas os seguiam. 

Não sei se estou conversando besteiras, mas se sabiam que poderiam ser sequestradas, por que ficavam expostas aos olhares dos bandidos e não se escondiam em outras residências de pessoas amigas que os marginais não passavam por lá? O certo é que desejavam mesmo acompanhar os jovens escolhidos por elas. Cada uma dela  entrou no cangaço por gosto próprio, por vontade própria, e por sua própria decisão.

Sérgia Ribeiro da Silva mais conhecida como Dadá  que nasceu em  Belém do São Francisco, no Estado de Pernambuco, no dia 25 de abril de 1915, e faleceu em  Salvador, no Estado da Bahia, em fevereiro de 1994, disse aos repórteres, escritores e pesquisadores que fez parte do cangaço, não por sua própria vontade, mas porque foi raptada por Cristino Gomes da Silva Cleto o cangaceiro Corisco, nascido em Água Branca no Estado de Alagoas, no dia 10 de agosto de 1907 e faleceu na Barra do Mendes no dia 25 de maio de 1940. Também era conhecido como Diabo Louro. 

Em um livro que eu li e não quero aqui citar o nome e o autor porque eu não estou com ele em casa para provar indicando o número da página (porque o emprestei a um amigo), e já que eu não sei a página e o título, evito citá-lo, e lá está escrito que a cangaceira Dadá não foi raptada pelo o Corisco, e sim, ela seguiu o seu futuro companheiro para o cangaço por espontânea vontade. 

A Sila mulher de Zé Sereno diz que foi à força para o cangaço, mas ela foi por sua própria vontade. No dia que os cangaceiros fizeram coito próximo à casa da sua família ela foi encarregada de ir deixar o almoço a eles no acampamento, e ao anoitecer, teve um forró, cujo, ela passou a noite toda dançando, e parece que estava mais com desejo em Luiz Pedro do que em Zé Sereno, assim fala ela de ter dançado muito com ele. Lógico que não confirma que teve interesse pelo o cangaceiro, mas qualquer um que leu o que ela disse, diria que a futura cangaceira estava o desejando, porque dançou muito aos seus aconchegos. Se ela não tivesse intenções de seguir o bando, já que sabia que os cangaceiros estavam ali e poderiam raptá-la para a caatinga, e por que  não fugiu antes para outro lugar que os facínoras não passavam por lá? Ela alega que imaginou muito que se ocultasse da presença deles poderiam fazer algo contra à sua família. 

A decisão de ter entrado para fazer parte do mundo do crime no nordeste brasileiro eu imagino que surgiu da própria Sila, e não do seu futuro companheiro Zé Sereno. Muito embora, durante um ano e oito meses mais ou menos que ela passou no cangaço foi uma cangaceira que nunca fez mal a ninguém. 

As filhas do vaqueiro Lé Soares a Rosinha de Mariano Laurindo Granja, a Adelaide do cangaceiro Criança, a Áurea prima das duas acima e companheira do cangaceiro Mané Moreno, este  era primo dos cangaceiros Zé Sereno e do Zé Baiano, as três entraram para o cangaço porque quiseram. Na minha humilde opinião, nenhuma foi raptada, todas fizeram parte do cangaço pela própria vontade e desejo de sair dos olhares rancorosos dos seus pais. 

Espero que os amigos não usem este material na Literatura Lampiônica, porque não tem nenhum valor para ela. São apenas as minhas inquietações, assim dizia o escritor Alcino Alves Costa, e jamais prejudicará os escritores, historiadores e pesquisadores. O que eu escrevo não os atinge, sempre me refiro aos depoentes.

http://blogdomendesaemendes.blogspot.com

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