Seguidores

domingo, 30 de agosto de 2020

OS LOPES: A AFINIDADE DE LAMPIÃO COM O TIO



Um dado curioso em Virgulino Ferreira da Silva, é que também recorria ao sobrenome Lopes, ramificação familiar da sua genitora. No seu lado arte de pedreiro, conforme se vê no reboco feito de barro, na casa de sua tia Chica Jacoza, em Poço do Negro, proximidade de Nazaré, se lê no lado da parede, feito pelo próprio punho, o seguinte”:

“Mestre Virgulino Lopes da Silva, ano 1917”.

Nesta assinatura Virgulino troca seu sobrenome Ferreira por Lopes. Outro historiador, Frederico Pernambucano de Melo, também confirma que Virgulino usou esse sobrenome Lopes, numa lista de eleitores numa votação em em Vila-Bela. Mas por que?

Por pedigree, status genealógico; a família Lopes tinha tradição de luta. podemos deduzir.. Esse sobrenome Lopes tem origens na genealogia da mãe, Maria Sulema da Purificação, ou Maria Vieira, ou Maria Lopes, como era conhecida a genitora de Lampião e que costumava dizer que “não tivera filhos para adoração dentro de casa”.


A tradição violenta da família Lopes- No final do século IXX, o prefeito de Flores, município sede à qual pertencia Vila-Bela (hoje Serra Talhada), se negou a cumprir ordens judiciais de entregar documentos do patrimônio de Vila Bela. Como consequência, os líderes de Vila-Bela organizaram tropa armada e marcharam sobre Flores para um “diálogo”, liderados por um tal Damião, e sob seu comando, estava um certo Paulo Lopes, que já havia se destacado em combate ao Quilombo da Pedra do Reino, em 1838, do beato João Antônio, em São José do Belmonte. 

Em Flores, Lopes e seus homens assistiram tudo impaciente e, simplesmente, abriram fogo contra os defensores de Flores, também em armas, cujo prefeito entregou rapidinho os documentos exigidos.

Quem era e de onde veio esse Paulo Lopes?

Da região dos Inhamuns, Ceará, que faz fronteira com o Pajeú, nas cercanias de São José de Belmonte. Paulo Lopes residia em Vila Jardim (Ceará), e lá contam que aplicou uma surra num oficial de polícia do estado. “E por galhofa, havia raspado a barba do oficial apenas de um lado do rosto”, revela o historiador João Gomes de Lira.

Em revide à surra, segundo narra João Gomes, o padre de Jardim mandou 8 capangas darem uma surra no Paulo Lopes. Isso foi feito. Reestabelecido, Lopes, saiu em busca de vingança, matando seis dos seus algozes no Ceará. O sétimo foi morto em Canhotinho(PE), e o último, 3 anos depois, no estado do Piauí.

Após matar todos, retornou Paulo Lopes a Jardim para o ajuste de contas com o tal padre. Levava uma nota das suas despesas feitas para tratar os ferimentos decorrentes da surra que levara, ordenada pelo reverendo.

- “ Vigário, vá agora celebrar missa no inferno para os seus companheiro, que há dias estão lhe esperando”, foram as palavras finais de Paulo Lopes ditas ao vigário.

Depois desse fato, Mudou-se Paulo Lopes para o lado pernambucano, se estabelecendo em Vila-Bela, na famosa Serra Vermelha, onde participou de combates ao Quilombo da Pedra do Reino, para debelar os fanáticos do lugar. Serra Vermelha, que no futuro seria cenário de combates icônicos de seus descendentes.

Depois, um certo Manuel Lopes, irmão de Maria Sulema da Purificação, ou Maria de Jacoza, mãe de Lampião, chegou a ser Inspetor de Quarteirão, responsável por aplicar a lei, nas cercanias onde vivia. Era assessorado pelos sobrinhos Antônio, Levino e, principalmente, Virgulino, que vivia mais na casa do tio. Tanta afinidade, fez Virgulino adotar o nome do tio, de quem recebeu rifles e pistolas e fora criado por ele.

Os admiradores do cangaço conhecem a tragédia do casal José e Maria Ferreira, mas poucos pesquisadores se interessam por suas origens, como se conheceram, e o que estava por trás da guerra que os irmãos Ferreira travavam contra Zé Saturnino e a família Nogueira. O pai, José Ferreira, era um homem pacífico. O estilo “pavio curto” de Antônio e irmãos, alguns apontam, foi herdado do temperamento dos Lopes. O que realmente se sabe sobre os Lopes, especialmente sobre o temperamento de Maria Lopes?

Mas aí já outro tema. Até o próximo.
João 

Fonte: “Lampião, Antônio Ferreira e Levino – A parceria e o Cangaço”, de José Alves Sobrinho
Imagens: Sítio Passagem das Pedras. Serra Talhada


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário