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segunda-feira, 24 de março de 2025

CANGAÇO: AS DORES DO PARTO E DO DESPARTO

Por Manoel Belarmino

A dor do parto, para as mulheres cangaceiras, era a pior de todas as dores. Imaginem mulheres jovens, grávidas e sem tantas experiências assim, nas andanças permanentes nas caatingas inóspitas, terem de dar a luz em qualquer lugar, muitas vezes nas moitas de árvores ou na sombra de um umbuzeiro dos coitos. Essas dores aumentavam quando, logo em seguida, teriam que dar a criança recém-nascida para uma pessoa desconhecida. Era a dor mais forte. As cangaceiras não tinham como cuidar dos filhos e filhas no bando.
A cangaceira Rosinha, por exemplo, depois que escapou do combate que resultou na morte do seu companheiro, o cangaceiro Mariano, estava grávida e em pouco tempo deu a luz a uma menina que foi doada ao vigário de Pão de Açúcar, o padre José Soares Pinto.
A cangaceira Adelaide do cangaceiro Criança morreu de parto nas proximidades do povoado Curituba. O menino não conseguiu nascer; morreu no ventre da cangaceira.
Ainda ali nas proximidades de Curituba, em um rápido tiroteio entre Lampião e as volantes de Zé Rufino, logo depois desse evento, os soldados encontraram uma “criança de colo” chorando na sombra de uma quixabeira. Certamente, alguma cangaceira, fugindo do tiroteio, deixou ali a sua filha; não conseguiu levá-la. Os soldados das volantes levaram a criança para Piranhas. E ali foi entregue a um comerciante na Pedra de Delmiro. A menina encontrada passou a se chamar Zuleide.
Maria de Lampião, quando deu à luz a Expedita, sob os cuidados da coiteira e parteira de cangaceiras, a Dona Rosinha de Canindé, no coito do Riacho dos Craibeiros, em Poço Redondo, teve que mandar entregar a menina a um vaqueiro da Fazenda Exu, em Porto da Folha.
Assim eram as dores do parto no Cangaço. A dor de perder um filho ou uma filha logo depois do parto, sem dúvida, é a pior dor do mundo para uma mãe. A dor de um parto improvisado, de qualquer jeito, no tempo do cangaço, é inimaginável. Como inimaginável é a dor do desaparto de uma mãe ao dar o seu filho recém-nascido a um desconhecido.
Na foto abaixo, avista-se a Cruz de Adelaide, no local onde a cangaceira morreu, nas proximidades de Curituba.

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