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domingo, 25 de janeiro de 2026

O AVANÇO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COLOCA EM RISCO O TRABALHO CANGACEIRO.

Por Francisco Neilton Medeiros

Tenho receio de que o avanço da Inteligência Artificial coloque em risco o trabalho dos pesquisadores do cangaço e, de modo mais amplo, da historiografia em geral. Vivemos um momento de transição singular: de um lado, décadas de pesquisas fundamentadas em arquivos, fontes orais, trabalho de campo e interpretação crítica; de outro, sistemas de IA capazes de organizar, resumir e reproduzir informações com grande rapidez.

O problema não reside na existência da Inteligência Artificial em si, mas na tendência crescente de se atribuir às máquinas um estatuto de autoridade superior ao do pesquisador humano. Há o risco de que as gerações futuras passem a recorrer exclusivamente a respostas automatizadas, afastando-se dos livros, dos artigos científicos e dos estudos produzidos por quem esteve em contato direto com as fontes e com os territórios históricos do cangaço.

Nesse cenário, temo que a história do cangaço venha a ser progressivamente “reescrita” por sistemas algorítmicos, descolada das nuances, dos conflitos interpretativos e das experiências humanas que apenas a pesquisa histórica rigorosa é capaz de captar. Se isso ocorrer, o trabalho dos pesquisadores — especialmente daqueles que se dedicaram ao campo, à memória oral e às fontes regionais — corre o risco de ser esquecido, empobrecendo não apenas o conhecimento histórico, mas também a compreensão crítica do passado.

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