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terça-feira, 7 de junho de 2022

JESUÍNO BRILHANTE. Braço avançado da justiça.

Por Gonçalo Ferreira da Silva

A vida de Jesuíno
apresenta-se humana
depois que saiu perfeita
ao cabo de uma semana
do prodigioso bico
da pena gonçaliana.

Para dar fidelidade
ao cuidadoso relato
da produção deste texto
sou imensamente grato
à Aglae, Mestre Cascudo
e a Raimundo Nonato.

Ao longo da narrativa
por natureza empolgante
em razão do nosso estilo
envolvente e fascinante
veremos parte da vida
de Jasuíno Brilhante.

De posse de dados tais
o meu nervoso sistema
repousou como tocado
por inspiração suprema
e ao cair do crepúsculo
estava pronto o poema.

Ao longo da narrativa
minha região vivia
a saudade evanescente
dos tempos idos sentia
e a sensação de nordeste
me fazia companhia.

Eu tenho quase certeza
que o próprio Jesuíno
sentia o mesmo que sinto
quando fatal desatino
mudou-lhe as regras do jogo,
modificou seu destino.

No sítio Tuiuiú
de Patu bem afastado
então Vila Potiguá
foi nascido e batizado
o menino Jesuíno
Alves de Melo Calado.

Cresceu sempre demonstrando
ter apurado juízo,
empunhando a baladeira
tinha arremesso preciso
e no rosto iluminado
um permanente sorriso.

Evidenciava forte
sentido de liderança
espírito aglutinador
talvez ancestral herança
qualidades reveladas
desde os tempos de criança.

Tornou-se assim Jesuíno
por todos muito querido
e em todo o Rio Grande
do Norte reconhecido
e nos locais que chegava
festivamente aplaudido.

Famoso por proteger
famílias abandonadas,
pobres velhos indefesos,
viúvas desamparadas,
crianças desprotegidas
e donzelas ultrajadas.

Quando na rua da amargura
um sujeitinho galante
deixava uma pobre jovem
seu pai no seguinte instante
levava ao conhecimento
de Jesuíno Brilhante.

Pelo fundilho das calças
Jesuíno prontamente
levava o engraçadinho
e dizia sorridente:
_Chamem um padre e os casem
enquanto eu estou presente.

Assim Jesuíno tinha
de todos a simpatia,
pregava a fraternidade
distribuía alegria
trocava abraços fraternos
em toda parte que ia.

Foi Jesuíno Brilhante
acolhedor e distinto
respeitador dos princípios
pela nobreza do instinto
amava os dez mandamentos
e só transgrediu o quinto.

O cangaceiro romântico
foi-lhe nome apropriado
mesmo tendo sido apenas
mais um grande predicado
dos muitos que conquistou
o nosso biografado.

Tinha aversão a ladrão
por roubar a coisa alheia
e achava a ladruagem
uma atitude tão feia
que o lugar de ladrão
para ele era a cadeia.

Vamos porém aos motivos
que fez esse brasileiro
tão solidário com o mundo
tão fraterno e tão ordeiro
abraçar a perigosa
carreira de cangaceiro.

Raimundo Nonato informa
que houve uma diferença
dos Limões com Jesuíno
com muita troca de ofensa
que acabou finalmente
numa grande desavença.

A família dos Limões
não era de tolerar
insulto de rico ou pobre
muito menos de levar
desaforo ou ódio para
o aconchego do lar.

Conhecidos como negros
por todo o grande sertão
os Limões eram tratados
com tal discriminação
é tanto que o repentista
chamavam “Preto Limão”.

Já os Limões como aquele
autor de muitos martelos
subestimavam os Brilhantes
chamando-os de amarelos
desclassificação que
provocou muitos duelos.

O furto de uma cabra
que pertencia aos Brilhantes
alimentou mais o ódio
que já existia antes
e os confrontos mortais
também muito mais constantes.

Jesuíno e os irmãos
empreenderam a procura
ao caprino que sumiu
e o acharam em certa altura
na panela dos Limões
já na primeira fervura.

Depois de uma enxurrada
de palavrões nordestinos
deu Jasuíno uma surra
oportuna no meninos
e a recomendação
de não roubar seus caprinos.

Não houve perdas humanas,
não calou nenhuma voz,
nem Jesuíno Brilhante
se transformou num algoz
mas o ódio entre as famílias
ficou muito mais feroz.

E Jesuíno Brilhante
continuou seu destino
de protetor da pobreza
e em qualquer desatino
causado por valentões
davam parte a Jesuíno.

Depois que formou o grupo
por reiteradas vezes
disse para seus capangas:
_Vamos pedir aos fregueses
donos de propriedades
que nos arranjem umas reses.

Abatia um boi de corte
cuja carne dividia
com os moradores pobres
que na vizinhança havia,
o que sobrava salgava
nos matulões conduzia.

Jesuíno era de fato
um líder por excelência
e o grupo lhe rendia
a mais cega obediência
pelas provas demonstradas
de soberba competência.

Gustavo Barroso informa
em matéria colossal
ataque de Jesuíno
à cadeia de Pombal
na Paraíba causando
inquietação geral.

No ano mil oitocentos
e setenta e quatro, presos
alguns capangas ficaram
completamente indefesos
mas se evadiram dois anos
depois totalmente ilesos.

Numa operação brilhante
de Jesuíno Brilhante
libertou quem estava preso
naquela ação fulminante
que exigiu o concurso
duma cabeça pensante.

O primeiro assassinato
que praticou Jesuíno
e que mudaria o curso
natural do seu destino
foi vingando o seu irmão
não por instinto assassino.

O grupo de Jesuíno
sou muito franco em dizer
era pequeno mas certo
do que devia fazer
daqueles que matam ou morrem
pois nada tem a perder.

Eram oito os componentes
do seu primeiro escalão
Manuel Tal, o Cachimbo,
Canabrava, homem de ação
Monteiro, Manoel Lucas,
João Alves o seu irmão.

Manoel Lucas de Melo
por Pintadinho tratado,
o duro Raimundo Ângelo
por Latada apelidado
era por tais elementos
que o grupo era formado.

Este grupo impregnado
de furor descomunal,
tendo o senso de justiça
como fator principal
arrebentou as paredes
da cadeia de Pombal.

Raimundo Nonato afirma
e chega a jurar até
que Jesuíno Brilhante
nosso cangaceiro é
de mil oitocentos e
quarenta e quatro e dá fé.

Já mil oitocentos e
quarenta e três em a vida
de Jesuíno Brilhante
por Nonato é desmentida
por ser data discordante
daquela aqui referida.

Testemunhada por rica
e silenciosa estante
que nos mostrou solidária
cada conturbado instante
da vida e das aventuras
de Jesuíno Brilhante.

O pai, João Alves de Melo
estimado no local
rico latifundiário
tinha domínio total
como líder militante
do partido liberal.

A mãe Dona Alexandrina
era uma mulher prendada
às responsabilidades
da casa compenetrada
e aos cuidados dos filhos
verdadeira devotada.

Teve o casal cinco filhos
constituídos assim:
quatro homens e uma moça
e Lucas nasceu no fim
os demais, além de Lúcia
João, Jesuíno e Joaquim.

Cresceram juntos, alegres
e extremamente felizes
nas escolas patuenses
sem desvios, sem deslizes
juntos com outras centenas
de pequenos aprendizes.

Sem qualquer falso elogio
mas verdade cristalina
Jesuíno era brilhante
e ainda teve a boa sina
de, adulto, se casar
com Maria Carolina.

Até mil e oitocentos
e setenta a figura
de Jesuíno Brilhante
era de boa criatura
sem qualquer necessidade
de exibir sua bravura.

Do seu feliz casamento
com Maria Carolina
a primeira Filomena
extremamente ladina
depois Francisca, João
e porfim Alexandrina.

Era Jesuíno, o homem
de grande amabilidade
cativante e envolvente
com muita facilidade
criava em torno de si
grande círculo de amizade.

No entanto o episódio
de fato surpreendente
ocorreu quando Brilhante
foi propositadamente
soltar em Pombal um preso
que ele achava inocente.

Depois de viajar muito
em terrível lamaçal
pois o tempo era chuvoso
do sertão à capital
chegou Jesuíno à noite
à cidade de Pombal.

Num silêncio conferido
ao ardiloso felino
Brilhante entrou na cadeia
e de modo repentino
chocou-se com um sujeito
supostamente assassino.

numa luta suicida
mas sem emissão de voz
os dois homens se agarraram
numa decisão feroz
os dois sem arma nenhuma
escravizada no cós.

Brilhante em dado momento
pensou: _Decretei meu fim
este homem ao que parece
é superior a mim
nem eu que sou ambidestro
não sou tão perfeito assim.

Continuando na mesma
linha de raciocínio:
_Golpes certeiros assim
só davam finado Ermínio,
o meu querido irmão Lucas
e o falecido Virgínio.

Em plena luta ele teve
a brilhante inspiração
de gritar: _Caro irmão Lucas
e na mesma ocasião
viu que o lutador feroz
era Lucas seu irmão.

Os dois emocionados
depois de um longo abraço
Jesuíno disse a Lucas
faça do jeito que eu faço
lute da forma que eu luto
mas não entre no cangaço.

Outro episódio que ainda
nos causa admiração
ocorreu com Jesuíno
da noite na escuridão:
uma cobra cascavel
se aninhou no seu calção.

Ele ficou nove horas
sem ter como se mexer
Jesuíno dessa vez
só escapou de morrer
porque a mortal serpente
não se lembrou de morder.

Dormiu no pé da barriga
como quem está num tronco
ou como quem sente o clima
do início do outono
ao cabo de nove horas
foi que despertou do sono.

Deslizou suavemente
ganhando o mato fechado
e deixando o coração
do bandido aliviado
e o corpo entorpecido
de tanto tempo parado.

O fim da vida do grande
bandoleiro Jesuíno
o cangaceiro romântico
se deu pelo assassino
Preto Limão, um sujeito
cruel, audaz e ferino.

O ano mil setecentos
e setenta e nove ia
nos últimos dias de dezembro
e Jesuíno saía
da casa de pedra onde
por tempos permanecia.

Entre Caraúbas e
Campo Grande no lugar
chamado de Santo Antonio
foi Jesuíno enfrentar
peito a peito o inimigo
para morrer ou matar.

Encomendara uma sela
a conhecido seleiro
este no dia de entrega
fingindo-se cavalheiro
inventou um artifício
vil e muito traiçoeiro.

Numa demora estudada
pormenorizadamente
não trouxe a sela esperando
o tempo suficiente
a que os Limões chegassem
de modo surpreendente.

O ataque aconteceu
de modo tão fulminante
cem tempo que permitisse
a Jesuíno Brilhante
esboçar qualquer defesa
morrendo no mesmo instante.

Jesuíno foi cumprir
espiritual destino
porém até nossos dias
todo o sertão nordestino
tem grata recordação
do seu herói Jesuíno.

 http://www.ablc.com.br/jesuino-brilhante-braco-avancado-da-justica/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JESUÍNO BRILHANTE

Em dezembro do ano de 1879, no Riacho dos Porcos, município do Brejo do Cruz, no lugar chamado Santo Antonio, no Estado da Paraíba,  foi assassinado o cangaceiro Jesuíno Brilhante, num tiroteio com a polícia. Foi baleado, mas não conseguiu reagir. - 

Fonte: diariodonordeste.verdesmares.com - José Romero de Araújo Cardoso. - (livro: Jesuíno Brilhante o cangaceiro romântico. Autor: Raimundo Nonato.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2014/04/vida-e-morte-dos-cangaceiros.html


PIONEIROS ADOLFO MEIA-NOITE

por Yoni Sampaio

Em 1877, quando Antonio Silvino tinha apenas 2 anos de idade, Adolfo Meia-Noite já dominava a região como cangaceiro. Ele com seus dois irmãos Manoel e Nobelino, por uma questão de honra, tiveram que se armar contra o desafeto conhecido como padre Quaresma (apelidado de padre, não se sabe por quê) - um comissário de polícia, subdelegado naquela época. A razão dessa animosidade: uma paixão amorosa.

Adolfo era o galã da vila, disputado pelas garotas da localidade e, por inveja, o subdelegado traiçoeiramente o prendeu na localidade Varas, enviando-o à Ingazeira.

Como não havia segurança nas cadeias daquela época, é colocado em um tronco. Quinze dias se passaram sem que seus familiares soubessem, porque o mesmo se achava incomunicável.

Através de um conhecido foram informados que Adolfo tinha sido fichado como ladrão de cavalo e que, se não o libertassem, ele iria morrer. A essa altura Adolfo não sabia qual a razão de estar preso, até que o tenente responsável por sua prisão lhe disse:
- Você conhece Padre Quaresma?

- Sim, disse o preso.

- Pois ele mandou um presente.

Ele respondeu:

- Nada tenho a receber de um homem que me botou aqui sem eu merecer.

Então o tenente lhe deu vinte lapadas com uma vara de espichar couro. A partir daquele momento ele ficou sabendo por quem e por que estava preso. E veio o desejo de vingança que tanto prejuízo causou a si e à família.

A partir daí a vingança prevaleceu, sendo o comissário a primeira vítima e, em conseqüência, sua família se viu obrigada a se mudar.

Por mais de cinco anos Adolfo e seus cangaceiros dominaram o Pajeú. Não só por esse trio era formado o grupo; Oiticica - cangaceiro de destaque - que também era seu parente, tombou em combate contra os “Quicés” que moravam no sítio Tamanduá e foram testemunhas contra Adolfo, quando foi preso. Nesse combate os ‘Quicés’ perderam dois membros da família. Eram eles parentes de Praxedes José Romeu, muito valente. Sob o comando de Praxedes cercaram a fazenda Volta e, por não encontrarem Adolfo, assassinaram o seu irmão Pacífico, que além de criança era retardado. Daí por diante o “granadeiro” falou.

Adolfo chegou a comandar dez cangaceiros. Não se registrou nenhuma Vila ou Cidade que ele não tivesse assaltado. Mas, ainda se vê no distrito de Jabitacá suas tradicionais trincheiras construídas de pedras soltas. As que mereceram mais atenção foram as da serra do Brejinho.

Sobre aos nomes dos seus cangaceiros pouco se sabe, a não ser o de “Manoel do gado”, antigo marchante; e Almeida, filho natural da serra da Colônia, assassino frio que matou um primo do sítio Extrema por uma simples rapadura.

Adolfo não estava presente e censurou essa atitude. Era Almeida de inteira confiança do chefe. Num certo dia pediu para visitar a família e quando retornou vinha “peitado” para matar Adolfo. Mas, foi mal sucedido, ganhando a morte pela infidelidade. Adolfo foi considerado a ovelha negra da família.

Outra versão sobre Adolfo Meia-Noite - “Era considerado um homem manso e romântico. Seu grande pecado foi a paixão que tinha pela prima, filha de um rico e poderoso fazendeiro daquelas ribeiras que, não achando ser o negro merecedor da donzela, mandou prendê-lo e açoitá-lo ao tronco colonial.

Quando foi liberado do castigo, seu pai, sabendo do ocorrido, recusou-lhe a bênção porque ele não havia lavado sua honra com o sangue do tio. Na mesma noite, Adolfo esgueirou-se para dentro da casa do tio e o matou, fugindo em seguida para o vale do Rio Pinheiro. Como havia matado pessoa influente na região, virou foragido da justiça tendo que passar o resto de sua vida a fugir da polícia, levando consigo os irmãos Manuel e ‘Sinobileiro’.

Apesar de ter se tornado cangaceiro, Meia-Noite era tido como homem justo e pacífico. Isto ficou evidenciado num episódio em que ele e seu bando prenderam o negro Periquito, que levara consigo alguns bens do seu patrão.

O bando pressionava Periquito, querendo o dinheiro que este levava, quando Adolfo colocou-se contra aquela situação, dizendo aos companheiros:

- Vocês não vêem que se ele leva dinheiro, este não lhe pertence?

E dirigindo-se ao escravo pergunta:

- Levas dinheiro contigo?

- Sim, senhor - respondeu periquito.

- Levo 500 mil réis do Sr. Paulo Barbosa.

Ao ouvir esta resposta o bando se excita, mas o cangaceiro os repele:

- Vá embora. Se precisar de alguma quantia, irei tomá-la do seu senhor, e não de você, que não é dono, pois se eu o fizer, certamente seu amo não irá acreditar na sua estória, e irá castigá-lo."

Adolfo morreu na Paraíba, em confronto com a polícia.

[O cangaceiro era neto do inglês Richard Breitt, traduzido logo pela gente da terra como Ricardo Brito, (embarcadiço, que chegando ao Recife, com 11 anos, no início do século XIX, internou-se pelo interior, no lugar Volta e não mais regressou. Ligou o seu destino ao de uma sertaneja, da família Siqueira Cavalcanti, conforme informações, e, segundo outras, a uma descendente do mameluco Amorim, que provinha dos índios da serra de Jabitacá. Richard Breitt depois de muitos anos foi convidado a regressar a sua terra, Londres, para receber grande fortuna, de herança que lhe pertencia. Por amor à família tudo renunciou. Chegou a ir até o porto da capital, mas lembrando os filhos, foi tirando os troços de volta já na hora da partida). Chegou à decadência devido a um dos seus netos - o temido Adolfo Rosa Meia-Noite (filho de sua filha Riqueta com Leandro) ter se tornado cangaceiro.]

Fonte: "Jabitacá" - Dois documentos para a sua história (Yoni Sampaio);

Pescado no açude: Afogados da Ingazeira

O nosso blog repescou no açude do Kiko Monteiro.

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LIVRO - MEMÓRIAS SANGRADAS VIDA E MORTE NOS TEMPOS DO CANGAÇO - AUTOR RICARDO BELIEL

Com texto e fotos do autor, o livro entrelaça as histórias de 43 personagens que vivenciaram o cangaço ao imaginário do movimento que dominou o interior do nordeste brasileiro entre os anos 1920 e 40, aspectos da vida sertaneja e a própria experiência em busca dessas histórias por mais de uma década. Também estão presentes algumas fotos históricas, apresentando cenas relatadas e reverenciando o trabalho dos fotógrafos que registraram o cangaço. O livro foi selecionado e contou com apoio do programa Rumos Itaú Cultural.

Foram nove longas viagens à região, entre 2007 e 2019, em uma investigação incessante para montar o quebra-cabeças dessa história. Com sua vasta experiência em grandes reportagens, Ricardo Beliel buscava os resquícios das memórias do cangaço. Enquanto era tempo – em uma história que está para completar um século –, queria ouvi-los direto da fonte de quem conviveu com o movimento. No texto, os depoimentos diversos e a experiência pessoal do autor em busca de seus personagens são apresentados através de uma narrativa em que se misturam elementos das linguagens da reportagem, da crônica histórica e, em parte, como um diário de viagem.

Em cada personagem, testemunha-se um fluxo da memória e do esquecimento, e se revela uma potente e épica narrativa das memórias pessoais que envolvem tradições e lugares. Os entrevistados, em sua grande maioria pessoas quase centenários, são descendentes da época do cangaço, personagens de um ciclo da história do Brasil, com suas falas resgatadas no livro para que não fiquem no esquecimento, como pedras silenciosas no meio do caminho.

Com a riqueza semântica da tradição oral que os caracteriza, os relatos reunidos no livro ajudam a recuperar para a historiografia de nosso país um caminho para redesenhar a memória e mística da gente sertaneja, suas histórias entrelaçadas à época do cangaço, seus espaços sociais, religiosos e costume.

Ricardo Beliel

ISBN: 9786588280225

Número de páginas: 320

Formato: 18x25cm

Ano: 2021

Capa: capa dura

Peso: 1,1 kg

https://editoraolhares.com.br/produto/memorias-sangradas-ricardo-beliel/

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segunda-feira, 6 de junho de 2022

UFMG - LEITURA COMENTADA: A REVOLTA DA CABANAGEM | LIVRO "HISTÓRIA, SOCIEDADE & CIDADANIA" | ALFREDO B. JR.

 Por SaBer em FoCo - SBFC

https://www.youtube.com/watch?v=4JZtvH-X5xY&ab_channel=SaBeremFoCo-SBFC

FONTE: HISTÓRIA, SOCIEDADE & CIDADANIA, 8º ANO, ALFREDO BOULOS JUNIOR, P.217
A Cabanagem foi uma revolta popular que aconteceu entre os anos de 1835 e 1840 na província do Grão-Pará (região norte do Brasil, atual estado do Pará e Amazonas). Recebeu este nome, pois grande parte dos revoltosos era formada por pessoas pobres que moravam em cabanas nas beiras dos rios da região. Estas pessoas eram chamadas de cabanos. Vamos ver um pouco mais sobre mais essa revolta do período regencial.
EMAIL: cristiano.barroso@educacao.mg.gov.br
http://profilocri.blogspot.com.br/ Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6359723688396030 Site: http://quimeras.webnode.com.br/ Canal: https://www.youtube.com/user/cpbbh/vi...

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TUDO LEVA A CRER...

Por Geraldo Júnior

... que a verdadeira naturalidade do cangaceiro Virgínio Fortunato da Silva, viúvo de Angélica Ferreira irmã de Lampião, foi finalmente desvendada.

A localização de um antigo documento poderá colocar um fim sobre o mistério da origem de Virgínio Fortunato da Silva o vulgo cangaceiro "Moderno" o capador.

O documento atesta, se comprovado, que o cangaceiro em questão teria como nome verdadeiro VIRGÍNIO FORTUNATO DA SILVA NETO e não Virgínio Fortunato da Silva e seria natural da antiga Vila de Flores (Atual Florânia/RN) e não do município de Alexandria no Estado do Rio Grande do Norte, como acreditávamos até o presente momento.

A localização do documento só foi possível graças a uma pesquisa coletiva que começou a ser realizada por Thiago de Góes, que em busca da árvore genealógica de sua família se deparou com um de seus antepassados cujo o nome era Virgínio Fortunato da Silva Neto, nome semelhante ao do cangaceiro Moderno (Virgínio Fortunato da Silva), viúvo de Angélica Ferreira irmã de Lampião, que até o presente momento tem sua naturalidade desconhecida.

Com a informação em mãos deu-se início às pesquisas que levaram à cidade de Florânia no estado do Rio Grande do Norte, onde no cartório local um Professor chamado Júnior Galdino de Azevedo localizou, com o auxílio de José Eduardo (Dono do cartório), um documento com informações sobre um homem chamado Virgínio Fortunato da Silva Neto, filho de José Venâncio da Silva, nascido no dia 16 de janeiro de 1902 na antiga Vila de Flores, atual cidade de Florânia/RN, que embora necessite de maiores provas e evidências, leva a crer que se trate do cangaceiro Moderno.

Nos próximos dias estarei publicando maiores detalhes a respeito desse assunto e creio que a biografia do cangaceiro em questão terá que ser novamente revista e corrigida, caso o fato venha a se concretizar. Contra provas não há argumentos. .

Além dos estudiosos supracitados tiveram envolvimentos diretos nas pesquisas que foram realizadas José Vanderli Silva, Erotildes Medeiros e Josimar de Medeiros.

Parabéns a toda a equipe pelo empenho nas pesquisas e meu agradecimento ao meu camarada Kleydson Eduardo (Florânia/RN), que gentilmente me enviou esse material em primeira mão.

Logo estarei trazendo maiores detalhes a respeito do assunto.

Aguardem.

Geraldo Antônio De Souza Júnior

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CABANAGEM - HISTÓRIA EM MINUTOS

 Por Adriano da Silva - História em minutos

https://www.youtube.com/watch?v=eYdPnucPmsw&ab_channel=ADRIANODASILVA-HIST%C3%93RIAEMMINUTOS

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BIOGRAFIAS DOS CABRAS A HISTÓRIA DE "CRAVO ROXO" OU "SOMBRA"

Ex-cangaceiro de Iguatu, Ceará - Parte I (O que o fez adentrar no cangaço).

 

Vale a pena conferir a série de reportagens especiais que o jornal "Diário do Paraná" elaborou e publicou acerca do ex cangaceiro Camilo Soares de Oliveira, o "Cravo Roxo" ou "Sombra", do grupo de Lampião, como ele mesmo informou quando da estada em Ponta Grossa, PR, aos 74 anos, em dezembro de 1973.*

Camilo informou, dentre várias outras curiosidades, que passou três anos, dez meses e quatro dias sob as ordens de Lampião e que quando esteve com o Pe. Cícero, recebeu daquele, além de conselhos, algumas lembranças que guardava consigo ainda naquela época, como um rosário do qual rezava sempre e não se separava nunca, o que foi mostrado á redação do jornal.

Em reportagem feita por Osvaldo Nallim Duarte com fotos de José Eugênio, Camilo detalhou sua vida, apontando episódios dos quais participou com riqueza de detalhes. Sem constrangimento, diz que seu primeiro crime ocorreu num sábado em 1919, na Sussuarana (lugarejo próximo a Iguatu, Ceará) quando atirou num homem "porque ele estava maltratando uma mulher".

Para fugir deste crime, Camilo afirma ter roubado um cavalo nas proximidades e foi parar em Senador Pompeu. onde largou o animal e conseguiu lugar num caminhão "pau de arara" que lhe deixou em Canindé. Foi preso quando se encontrava num bar, bebendo, pelo capitão José Santos Carneiro, da delegacia local, na tarde de domingo. Diz que mesmo jovem, já era conhecido e foi "dedado" por um habitante de Canindé.

A polícia transportou-o, posteriormente, de volta a Iguatu, onde, em certa ocasião, travou o primeiro contato efetivo com um coronel poderoso, José Mendonça, que lhe visitou na prisão e lhe prometeu "fazer o possível" para tirá-lo de lá.


Uma promessa mais concreta, no entanto, foi-lhe feita pelo coronel Otaviano Benevides (inimigo de Mendonça), que jurou soltá-lo sob uma condição: em liberdade, teria que matar Paulo Brasil, outra pessoa de influência no interior cearense. Naquele momento, Camilo afirmou que iria pensar.

Esse assédio dos coronéis não o livrou da cadeia. Mais ou menos cinco meses depois de cometer o crime, Camilo foi julgado perante enorme multidão que se aglomerava no tribunal e foi condenado a dois anos e nove meses de cadeia.

Depois de preso, cumprindo a pena, passou a trabalhar como guarda noturno, sob liberdade condicional, onde nove meses depois conheceu Maria Cecília Barros, por quem se apaixonou.

O namoro que se iniciou, precipitou os acontecimentos que culminaram com um segundo crime, mesmo antes de ter completado a pena: o amor entre ambos sofria forte oposição de Antônio de Barros, pai da moça.

Poucos dias depois de iniciado o namoro, chegou a Iguatu um rapaz procedente do Amazonas, rico, que após poucos dias depois de chegar pediu a mão de Cecília a seu pai, obtendo imediato consentimento.

Diante disso, a população do lugar, que por costume tinha conhecimento de tudo quanto se passava na cidade, fez fervilhar os comentários: um encontro entre Camilo e o novo pretendente não iria demorar.

No dia 26 de julho de 1921, véspera de uma festa típica - a de "Nossa Senhora de Santana" - Camilo estava costumeiramente bebendo num bar quando recebeu a visita do seu irmão Militão, que lhe disse: -- Camilo, pelo amor de Deus, pare com essas besteiras que mamãe ainda vai morrer de desgosto. Amanhã eles vão se casar.

Nessa tarde, quando retornava para sua casa, Camilo fora avisado que o sargento Antônio Emílio, da polícia local, estava promovendo um forró para atraí-lo e matá-lo.
- Se eu não casar com Maria, ninguém casa, respondeu.
Um preto, Júlio Mundino, foi procurá-lo ainda nesse dia e lhe sugeriu que fosse à dona Matilde, porque "ela acabava com todo casamento que o cliente quisesse". As 18:30 mais ou menos, ele estava na casa da vidente, que colocando a mão na sua cabeça, afirmou, depois de ter acendido duas velas e colocado um copo d'água numa mesa:
- Meu filho, ela não vai casar nem com você, nem com ele, vai casar com um terceiro e seu primeiro filho vai ser paralítico. O marido dela vai fugir com uma moça e ela vai morrer na miséria.

No dia seguinte, Camilo sabendo que Maria teria que passar na frente da sua casa para ir à Igreja, casar, ficou aguardando. Mas quando ela passou, estava acompanhada pelo pai e mais quatro "cabras". Assustado, não fez nada.

Minutos depois, a igreja ficou tumultuada. A moça recusou-se a dizer "sim". Camilo já estava inteirado da situação quando encontrou-se com um mecânico seu amigo, que lhe entregou um revólver e uma caixa de balas, recomendando-lhe cuidado, porque a coisa estava "preta" para o seu lado.

Aproximadamente às 16:30h, Camilo passou pela praça, indo em direção à sua casa, acompanhado pelo irmão mais novo, Militão. na frente da igreja estava um "povo medonho". Entretanto, antes de chegar em casa, avistou Maria Cecília, o noivo e o sargento Antônio Emílio juntos, vindo em sua direção. No momento, preparou-se para o pior. Maria Cecília foi a primeira a falar quando eles se encontraram:
- Camilo, não fujo como você porque sei que meu pai vai atrás de nós e me toma de novo.
Em seguida, os dois rivais passaram a discutir em altos brados, sob a presença ameaçadora do sargento. Militão, de nove anos, também ficou por perto.

Segundo Camilo, o noivo lhe bateu com um guarda-chuvas, o que lhe fez disparar duas vezes contra ele. Com isto, o sargento lhe agrediu por trás, mas o irmão lhe ajudou e ele pôde atirar também nele.

Depois que se embrenhou pelo mato, fugindo, Camilo ainda encontrou-se, algumas horas mais tarde, com Zé Quindim, que lhe informou o resultado da briga: o noivo tinha morrido e o sargento estava no hospital entre a vida e a morte.

Após esses dois acontecimentos, começou a seguir um caminho que o conduziria ao cangaço.

Continua...

*Transcrição do pesquisador e escritor João Tavares Calixto Júnior

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Cravo%20Roxo

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MEMÓRIAS SANGRADAS NO MIS MUSEU DA IMAGEM E DO SOM EM FORTALEZA

 

Ricardo Beliel e o lançamento de Memórias Sangradas

O MIS - Museu da Imagem e do Som; em Fortaleza, capital cearense; recebeu na noite do último domingo dia 29 de maio de 2022 a apresentação e lançamento, sob Aula Magna, da Obra do renomado fotojornalista e escritor carioca Ricardo Beliel, "Memórias Sangradas: Vida e Morte nos Tempos do Cangaço" em noite memorável que reuniu uma plateia de aficionados pelas temáticas da fotografia, cinema, jornalismo e... Cangaço.

Imagens por José Leomar

"Memórias Sangradas" é o resultado de mais de 10 anos de pesquisas pelos sertões nordestinos, solos pisados por Lampião e seus cangaceiros. A obra reúne histórias de 43 personagens; ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-coiteiros; remanescentes da época do cangaço que se entrelaçam a partir da sensibilidade aguçada do autor em textos absolutamente sensacionais e fotos autorais extraordinárias.

"O maior presente no desenvolvimento desse trabalho foi poder me aproximar e compartilhar tantas histórias, tantas vivências e tantas emoções com pessoas tão especiais, para elas foi feito esse livro" revela Ricardo Beliel falando da emoção vivida durante a construção do trabalho e dos personagens protagonistas da obra" 

Angelo Osmiro, Manoel Severo e Ricardo Beliel
Luciana Nabuco, Manoel Severo, Ricardo Beliel e Helio Santos

Memórias Sangradas nos transporta para as áridas terras de nosso sertão das décadas de 10, 20 e 30 do século passado, território e berço de Virgulino Ferreira, rei dos cangaceiros e de outros personagens que protagonizaram essa saga dolorosa nordestina; com o "faro" de jornalista, Ricardo Beliel nos traz não só o relato das várias histórias e experiências vividas pelos muitos remanescentes que compõem a obra, mas consegue refletir a essência e as mais profundas impressões, desses homens e mulheres, que fizeram parte desse enredo de violência, dor, mas também de amor e sonhos.


Durante a apresentação da noite ainda tivemos a participação da poeta, escritora e ilustradora, Luciana Nabuco; esposa de Beliel; responsavel pelo prefácio do livro, feito "com poesia, amor e afeto" como fala a própria autora. Luciana esteve ao lado do marido em toda concepção, todas as viagens, entrevistas, pesquisas, na construção e finalização da obra. 

Luciana Nabuco
Manoel Severo, Glícia Gadelha e Igor Cavalcante
Luciana Nabuco, José Leomar e Ricardo Beliel
Ângelo Osmiro

"Depois de acompanhar os amigos Ricardo e Luciana como também o jornalista Heldemar Garcia, pelos sertões de Conselheiro; Quixeramobim e Quixadá; a convite do Festival QXAS, com Beto Skeff e Glícia Gadelha, temos a honra de acompanhar esse momento maravilhoso aqui no MIS com o lançamento de Memórias Sangradas, um livro simplesmente extraordinário. Ricardo Beliel esse mais que festejado jornalista, fotografo, escritor, com larga experiência nacional e internacional, nos concede um grande presente através de seu livro, que inclusive estaremos lançando no Cariri Cangaço Piranhas 2022" confirma Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço.

Memórias Sangradas; de Ricardo Beliel no MIS, Fortaleza 29 de Maio de 2022

Fotos: José Leomar e Beto Skeff


Ricardo Beliel por José Leomar 

Ricardo Beliel é graduado em Jornalismo (FACHA) e pós-graduado em Fotografia nas Ciências Sociais (UCAM), em Comunicação e Políticas Públicas (UFRJ) e em Teoria e Prática da Educação de Nível Superior (ESPM). Foi professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), na Universidade Estácio de Sá e no Ateliê da Imagem. Também foi jurado do Prêmio PETROBRAS de Jornalismo, em 2018. 

Ricardo Beliel iniciou seu interesse pelas artes quando foi aluno do curso de Gravura, ministrado por Fayga Ostrower, Ana Letycia e Ruddy Pozzati, no MAM do Rio de Janeiro e no Centro de Estudos de Arte Ivan Serpa. Em 1973 começa a fotografar, trabalhando com músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Egberto Gismonti e O Terço. Em 1976, entra para o jornalismo como fotógrafo contratado do jornal O Globo, passando depois pela Manchete, Placar, Fatos e Fotos, Veja, Isto É, agência F-4, Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Greenpeace e O Estado de São Paulo. Foi editor de Fotografia da revista Manchete e subeditor no jornal Lance, do qual participou da equipe fundadora. Durante seis anos, fez parte da agência GLMR & Saga Associés em Paris, produzindo reportagens fotográficas na América Latina e na África. Como jornalista e fotógrafo independente tem trabalhos publicados em Grands Reportages, Figaro Magazine, Time, National Geographic, Victory, San Francisco Chronicle, Houston Chronicle, Colors, Geo, La Vanguardia, Los Tiempos, Ícaro, Terra, Próxima Viagem, Marie Claire, Época, Vice, Nova Escola, Placar, Angola Hoje, entre outras revistas e jornais. 

Recebeu da Organização Internacional de Jornalistas o prêmio InterPressPhoto e da Confederação de Jornalistas da União Soviética o prêmio Alexander Rodchenko, ambos em 1991. Foi finalista cinco vezes do Prêmio Abril de Jornalismo, sendo vencedor em três anos consecutivos. Em 1997, foi finalista no Prêmio Esso de Jornalismo, com uma reportagem sobre a expedição da Funai para estabelecer o primeiro contato pacífico com os índios Korubo, na floresta amazônica. Participou de 99 exposições em locais como Kunsthaus, em Zurique; Museo Carillo Gill, na cidade do México; Museo de Bellas Artes, em Caracas; Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural Telemar, Museu de Arte do Rio/ MAR e Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro; e Museu de Arte de São Paulo. Beliel tem obras nos acervos do Museu de Arte do Rio/MAR, do Museu Afro Brasil / SP e da Biblioteca Nacional. 

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RIACHINHOS

 Clerisvaldo B. Chagas, 6 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:2.711

Nessas ocasiões de cheias também os riachinhos são valorizados. Aquele riacho minúsculo que passa na fazenda, tão seco que quase não define o leito em tempos de estiagem, ressurge vivo e atuante com produção de água, pasto na várzea, impedindo passantes, engordando o gado.  É a fazenda que tem uma "vazante (várzea, baixada, baixio, ipueira) avaliada em tempo seco por compradores de terra. Estar aí a Defesa Civil monitorando rios, riachos e riachinhos que podem causar tragédia em lugares habitados. Os riachos conhecidos e anônimos de Santana do Ipanema surgem nessa época como protagonistas do tempo chuvoso, notadamente aqueles que passam perto de habitações rurais e citadinas.

Ah! Como tinha razão o nosso querido mestre da Geografia Alberto Agra: “Para nós mais vale um riachinho em nossas terras do que o rio Amazonas nas terras alheias”. Assim o riacho do Bode, tão pequeno, tão acanhado, forma o grande açude da cidade. O pequeno riacho Salobinho forma barragem particular em sua foz. O riacho Tigre alimenta o córrego Camoxinga E o débil riacho Salgadinho invade casarios da Floresta represado pelo rio Ipanema. Vão umedecendo os terrenos, a campineira onde pastam o carneiro, o bode... O novilho, o boi de carro.  O Nordeste pode não ser a terra onde corre leite e mel, mas com certeza onde nascem os riachinhos como lágrimas divinais.

E vendo a chuva mansa cair sem parar na minha rua, vem à memória a minha dificílima descida acompanhando o riacho Ipaneminha na serra do Ororubá, no município de Pesqueira, PE. Início de nascentes, tão pequeno, tão límpido, murmurando por entre árvores frondosas; e eu, deixando aquele fio d’água bebê passar tão fininho sob minhas pernas numa felicidade sem fim. Mão em concha bebendo aquele líquido maravilhoso formador primário do meu querido rio Ipanema, tão amado em nossa distante Alagoas. Um momento solene em que eu e o meu fiel companheiro João Soares (Quen-Quen) desejamos a presença de todos os santanenses naquele encantado da mata.

Riachinhos, riachinhos! Vocês têm a inocência dos humanos, crianças embaladas pelas mãos de DEUS.

Riacho (Foto: Bianca Chagas).



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