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sexta-feira, 1 de abril de 2022

LIVRO DA ESCRITORA E PESQUISADORA DO CANGAÇO VERLUCE FERRAZ

  

Descendente de Nazaré do Pico - em Floresta do Navio. Homenagem a Azaias Ferraz Nogueira, - Volante de Pernambuco.

https://www.facebook.com/groups/1995309800758536

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LAMPIÃO E CORISCO NA MESMA FOTO.

 Por Kydelmir Dantas


LAMPIÃO e CORISCO em fotos do bando comandado pelo Capitão. 1 - Em Sergipe (acervo de Ivanildo Silveira); 2 - Em Ribeira do Pombal-BA (1928), 

fonte: https://www.google.com.br/... Coincidentemente, Corisco está em último lugar à direita nas duas fotos.

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/

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EX-CANGACEIRO BARREIRA

Ex-cangaceiro Barreira

Gazeta de Alagoas, 7 de maio de 1982

Fonte – Paulo Moreira

https://www.facebook.com/04lampiaoeocangaco/photos/a.104857677524261/707441627265860/

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PAULO AFONSO E A FESTA DE ABERTURA DO CARIRI CANGAÇO 2022

Por Manoel Severo

 

Noite de Abertura do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

Aconteceu na noite da ultima quinta-feira, dia 24 de Março de 2022, a solenidade de abertura do Cariri Cangaço Paulo Afonso. O Auditório da Escola João Bosco Ribeiro ficou pequeno para acolher pesquisadores, escritores e amantes da temática, de vários estados do Brasil, presentes ao evento. "Temos hoje no Cariri Cangaço Paulo Afonso quase 300 convidados para a intensa agenda do Cariri Cangaço, depois dessa fase mais aguda da pandemia, agora é dá o nosso melhor no desenvolvimento da agenda do evento" ressalta Luma Holanda, da Comissão Organizadora. 

Mesa de Abertura do Cariri Cangaço Paulo Afonso 2022

A solenidade teve como mestre de Cerimonia, o pesquisador e escritor Edson Barreto que formou a Mesa das Autoridades contando com o senhor Luiz de Deus - Prefeito Municipal; João de Sousa Lima - Presidente do IGH e da Comissão Organizadora, Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço, do Deputado Inácio Loiola, o representante da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia e Presidente da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, do Presidente da ABLAC, Archimedes Marques, de Dernival Oliveira - Secretário de Cultura do município, de Elza Brito - Secretária de Educação, do Vice presidente do IGH, engenheiro Flávio Motta, do Comte da 1ª Cia. de Infantaria, coronel Clodoaldo Furtado, da presidente da ALPA, Gorete Moreira e ainda de representantes da Câmara Municipal e da Coordenadoria da CHESF.

Formada a Mesa houve a execução do Hino Nacional e apresentações de musicas sertanejas pela Banda da 1ª Cia. de Infantaria do Exército Brasileiro para em seguida ter a entrada oficial do Estandarte do Cariri Cangaço, ritual que tem marcado o inicio de cada edição, com Quirino Silva e Célia Maria.

Quirino Silva e a bandeira de Paulo Afonso

Célia Maria entra com o Estandarte do Cariri Cangaço

As palavras de boas vindas foram por parte do presidente da Comissão, Conselheiro João de Sousa Lima, do curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, do deputado Inácio Loiola, representando a todos os convidados e pelo prefeito Luiz de Deus. 

"Não poderia deixar de lembrar no retorno de nossas atividades, a memória de amigos queridos que construíram conosco esta história: Alcino Alves Costa, Napoleão Tavares Neves, Antônio Amaury, Paulo Gastão, Sabino Bassetti, Romero Cardoso, Voldi Ribeiro, Manoel Serafim, Mabel Nogueira, José Alves Sobrinho...!" 
Fala de Manoel Severo nos cumprimentos aos presentes.

Ato contínuo a solenidade foi conduzida pelo curador Manoel Severo que procedeu a posse de oito novos membros do Conselho Alcino Alves Costa, do Cariri Cangaço. Tomaram posse como os mais novos Conselheiros:

8 Novos Conselheiros Cariri Cangaço empossados em Paulo Afonso
Luma Holanda, Edson Barreto e Jair Tavares, tomam posse como 
Conselheiros do Cariri Cangaço

1.Lúcia Maria de Souza Holanda “LUMA HOLANDA”

Entrega de Diploma por PROFESSOR PEREIRA

2. EDSON BARRETO

Entrega de Diploma por VALDIR NOGUEIRA

3.JAIR TAVARES

Entrega de Diploma por NARCISO DIAS

Bismarck Oliveira toma posse como Conselheiros do Cariri Cangaço

4.FLÁVIO MOTTA

Entrega de Diploma por EMMANUEL ARRUDA

5.Tenente Coronel RAIMUNDO MARINS

Entrega de Diploma por GERALDO FERRAZ

6.MARCUS VINICIUS RIBEIRO DE MORAES

Entrega de Diploma por JORGE FIGUEIREDO

7.BISMARCK OLIVEIRA

Entrega de Diploma por IVANILDO SILVEIRA

8. CARLOS ALBERTO DA SILVA

Entrega de Diploma por MANOEL BELARMINO

Flávio Motta, Raimundo Marins, Marcus Vinícius e Carlos Alberto da Silva , tomam posse como Conselheiros do Cariri Cangaço
Elane e Archimedes Marques em homenagem a João de Sousa Lima

Dentro da solenidade de abertura ainda tivemos homenagem ao Conselheiro Joao de Sousa Lima pela escritora Elane Marques e a entrega de documento e abaixo assinado por parte do Cariri Cangaço e da ABLAC, ao prefeito municipal, solicitando a recuperação da casa da cangaceira Lídia. O documento foi entregue por Manoel Severo, Ivanildo Silveira e João de Sousa Lima. "Nesse documento fazemos questão de ressaltar a importância da restauração da casa da cangaceira Lídia para a memoria da história do cangaço e de Paulo Afonso" lembra o Conselheiro Cariri Cangaço, Ivanildo Silveira. É o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo que emenda: "Tomamos essa iniciativa na direção de sensibilizar a municipalidade, à exemplo do que foi feito na casa de Maria Bonita, transformando sem dúvidas num lugar de memória importante para o estudo do tema."

Ivanildo Silveira, ao lado de Manoel Severo na leitura do Manifesto pela recuperação da Casa da cangaceira Lídia.
Prefeito Luiz de Deus recebe e assume o compromisso de restaurar a 
Casa da cangaceira Lídia

Ainda na noite de abertura o Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço prestou homenagens póstumas a personalidades do universo da pesquisa, da literatura e da cultura, foram destaques para receber a Comenda de Mérito Cultural IMemoriam, Janio Ferreira Soares, Jose Sabino Bassetti e Voldi Moura Ribeiro.

JANIO FERREIRA SOARES In Memoriam

Entrega de Comenda por JOÃO DE SOUSA LIMA

JOSE SABINO BASSETTI In Memoriam

Entrega de Comenda por ÂNGELO OSMIRO BARRETO

VOLDI MOURA RIBEIRO In Memoriam

Entrega de Comenda por LUIZ RUBEN BONFIM

E por fim foram entregues Diplomas de reconhecimento e Mérito Cultural a várias Instituições e personalidades de destaque público e privado que apoiam iniciativas culturais e literárias em Paulo Afonso 2022  forma destaques para receber os diplomas; Prefeitura Municipal de Paulo Afonso,  o Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso, a Gerência Regional da CHESF, a ALPA - Academia de Letras de Paulo Afonso, a Casa da Cultura, a Secretaria de Educação e também a Secretaria de Cultura, o Comando da 1ª Cia. de Infantaria, a Folha Sertaneja e o o pesquisador Ivan Caitano Silva.

Instituições recebem Diploma do Mérito cultural do Cariri Cangaço

Ao final o tradicional grupo folclórico "Os Cangaceiros de Paulo Afonso" realizaram apresentação aos convidados do Cariri Cangaço. “No dia 02 de fevereiro de 1956, o Grupo Os Cangaceiros de Paulo Afonso, fundado pelo escafandrista da CHESF, Guilherme Luiz dos Santos que passou a ser o Lampião; teve seus amigos ganhando os respectivos apelidos oriundos dos seguidores reais de Lampião: Zé Vieira passou a ser o “Corisco”, Francisco Joaquim era o “Salamanta”, Nelson Ferreira o “Zabelé” (sanfoneiro), Antonio era o “Cascavel” (Zabumbeiro), Tinino era o “Meia-Noite” (trianguista), Luiz era o “Cobra Verde”, Jaime o “Jararaca” Paulo da Ema o “Moita Braba”, José Duque o “Topa Tudo”,  Bedé era o “Canário”, Mário Praxedes  “Ângelo Roque”,  Zé de Abílio o “Zé Baiano”, João Pescador o “Relâmpago”, Marcelino o “Luiz Pedro”, Damião o “Volta Seca”, Expedito o “Rouxinol”, Zé Vicente o “Gavião”, Joãozinho o “Pega no Grito”, Luizão era o Azulão”, Mané Criança o “Arvoredo”, além de Antônio de Graça e  Zé Ribeiro, e assim perpetuam a historia do cangaço a partir da arte" ressalta João de Sousa Lima.

Redação Cariri Cangaço - Noite de Abertura

Cariri Cangaço Paulo Afonso, 24 de Março de 2022

https://cariricangaco.blogspot.com/2022/04/paulo-afonso-e-festa-de-abertura-do.html

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A PAIXÃO PELO CIRCO

 Conta Luiz Gonzaga

"Eu trabalhei mais de quinze anos nos circos de São Paulo, no Nordeste, em Minas. Eu fazia meu show no final da apresentação do Circo, era a segunda parte. O cachê não era grande coisa. Mas quantas vezes também eu perdoei a divisão dos benefícios... porque não dava, quando acabava o show, o dinheiro era tão pouco que eu ficava com pena e deixava tudo pro circo. E ainda dava pano de circo pra eles"

(Do livro A vida do viajante, de Dominique Dreyfuss)

http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/2012/gonzaga/causos.shtml

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LOCAL DO FUZILAMENTO DOS MARCELINOS.

 Por Cangaço em Foco.

https://www.youtube.com/watch?v=eEJHA2vB-FY

Local do fuzilamento dos "Marcelino" cangaceiros do cariri cearense. CANAL CANGAÇO EM FOCO🤠🌵 Pesquisador: Getúlio Moura. Fundo musical : Portal do Cangaço (Dr Raiz)

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CANGACEIRA ANA DO CANGACEIRO JUREMA


 


https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/posts/4704059976371816?notif_id=1648824384923503&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

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ASA BRANCA É MÚSICA PARA CEGO

 Conta Luiz Gonzaga

"Quando gravei a música (Asa branca), houve até uma brincadeira de mau gosto. Canhoto, violonista do conjunto de Benedito Lacerda e que me acompanhava desde a época do Mangue, pegou um chapéu e passou para colegas botarem dinheiro, me imitando. Humberto, que estava na gravação, lhe disse:

- Por que é que você está fazendo isso?

- É porque isso é música de cego.

Humberto então falou:

- Tome nota, isso aí vai ser um clássico"

(Do livro Gonzagão & Gonzaguinha, de Regina Echeverria).

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quinta-feira, 31 de março de 2022

ESTAMOS COM DIFICULDADE PARA POSTAGENS MAIORES

 


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PONTE, PASSARELA, VIADUTOS

 Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.683

Novamente viemos bater na tecla de pontes em Santana. Na década de 60, o prefeito Adeildo Nepomuceno Marques conseguiu uma ponte para o rio Ipanema, através do, então, governador João Batista Tubino. Após estudos do melhor local, optaram pela região do Comércio onde foi construída em 1969; contrariando a vontade do povo que preferia a ponte sobre o rio, na região antigamente chamada Minuíno ou região das olarias, antiga estrada para Olho d’Água das Flores, pelo Bairro São Pedro. Com a ponte, a margem direita do Ipanema, antes desabitada, hoje é dona dos bairros: Domingos Acácio, Paulo Ferreira, Santa Quitéria, Santo Antônio e Isnaldo Bulhões. O que não faz uma ponte!

RIO IPANEMA NA REGIÃO DAS OLARIAS (FOTO: JEANE CHAGAS)

Passados os mais de 30 anos, uma nova ponte no Minuíno é necessária. É necessária para desenvolver diretamente os bairros São Pedro, Santa Quitéria, Isnaldo Bulhões e Santo Antônio e no geral, auxiliar a mobilidade urbana e Santana do Ipanema. Ver o exemplo acima. Além disso, o rio que atravessa toda à cidade Oeste-Leste, necessita também uma outra ponte ligando diretamente a Avenida Castelo Branco – Bairro São José – às imediações do Hospital da Cajarana. No mínimo, uma passarela que evitaria cerca de 6 km de rodeio e aliviaria o trânsito pela ponte do Comércio. Viadutos curtos e longos são necessários em regiões de sufoco desta cidade ladeirosa. Temos que formar estruturas urbanas para hoje e para o futuro. Não podemos ficar só no feijão com arroz. Muito já foi feito, muito se tem a fazer.

Quando será construído um anel viário no Maracanã? Aqui não existem críticas à gestão municipal, porém, sugestões arrojadas para a realidade de Santana século XXI. Uma faculdade de Medicina continua a ser o sonho da cereja do bolo, mas é tão difícil assim? As aspirações santanenses por uma ponte no Minuíno – hoje com o nome de Passagem Molhada – é uma aspiração legítima em que a verba federal faria isso num piscar de olhos. Ali funcionavam as três olarias que ajudaram no crescimento urbano: de Zé Cirilo, de Eduardo Rita e de Seu Piduca. Aliás aquela parte da cidade bem que deveria ser chamada de Bairro Olarias, como no Rio de Janeiro, justa homenagem à tradição e seus heróis.

Construir pontes é erguer ideais.


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COMO SEU LUIZ INCORPOROU A EXPRESSÃO "MEU ZAMOR":

Conta Luiz Gonzaga

"Quando eu vinha do Rio, nem passava pelo Exu, ia direto pro Araripe. Uma vez, estou chegando, um sol quente danado, e aí eu vi uma velhinha caminhando na estrada, e buzinei de leve. Ela abriu a estrada pra mim, ficou em pé, parada no lado. Eu vi que era a sogra do meu pai (nesta época, Santana já havia morrido e Januário estava casado com Maria Raimunda). Aí parei o carro e gritei:

- Quer carona, meu bem?

- Quero não senhor, que eu to indo aqui pertinho.

Ela não tinha me reconhecido, tinha vista curta...

- Mas a senhora deve estar cansada, com esse calor, em um minuto a senhora chega.

- Não, não estou cansada não, que eu moro aqui pertinho.

- Tá mentindo, Sá Raimunda, daqui pro Araripe dá uns cinco quilômetros ainda!

Foi quando ela me reconheceu e falou:

- Ô 'meu zamor', me leve que eu tô morrendo de cansada!"

(Do livro A vida do viajante, de Dominique Dreyfuss)

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AS TIETES DE GONZAGÃO

Conta Luiz Gonzaga

"Numa de sua viagens pelo Brasil, Gonzaguinha encontrou uma senhora nordestina, baixinha, que o abordou:

- Você não é o filho do Gonzagão?

E Gonzaguinha:

- Sou, sim, senhora!

- É filho do Gonzagão? - Reforçou ela.

- Sou eu mesmo.

- Dei muito pro teu pai!"

(Do livro Gonzagão & Gonzaguinha, de Regina Echeverria)

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quarta-feira, 30 de março de 2022

LIVROS

  Por José Mendes Pereira

  

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40 ANOS DE ANISTIA AS MEMÓRIAS DA DITADURA NO RN ESQUECIDAS COM O TEMPO

Por Kennet Anderson e Isadora Morena

Brasil de Fato | Natal (RN) |

Movimentos foram às ruas pedindo Anistia ampla - Arquivo Diap

Perseguições políticas e torturas por agentes do Estado em 64 só sobrevivem na mente de quem sofreu ou cometeu os crimes

No dia 28 de agosto se comemora o aniversário de 40 anos da Lei de Anistia, promulgada em plena ditadura militar após muita mobilização social. Mas pouca gente sabe do que essa lei trata e como ela afetou o Rio Grande do Norte.

Desde o primeiro dia do golpe militar brasileiro, em 1 de abril de 1964, o estado do RN passou por importantes mudanças. O governo estadual de Aluísio Alves, no primeiro momento, foi aliado do regime militar, fazendo uma política de repressão alinhada com os ditames federais.

Segundo Juan de Assis Almeida, advogado e membro da Comissão da Verdade da UFRN, “ocorreram diversas intervenções em sindicatos, diretórios estudantis e repartições públicas. Muito porque o RN era bem engajado com educação popular e educação com direitos humanos, com as experiências de Paulo Freire, em Angicos (1961); e com o ‘De Pé no Chão Também se Aprende a Ler’, idealizado pelo prefeito de Natal na época, Djalma Maranhão, e pelo secretário de educação, Moacir Gomes”.

Ele afirma que logo no início do golpe houve uma ação muito intensa de perseguição política contra diversos setores do estado, principalmente os progressistas e da Igreja Católica. Isso porque as atividades desenvolvidas por esses setores tinha “um viés político de emancipação e educação que despertava a consciência de classes, também mobilizavam muita classe estudantil local da época, como secundaristas e universitários”.

Em 1964, as perseguições no RN se concentravam mais na capital. O 16° Batalhão de Infantaria (16 RI) era o principal local de prisões políticas, apesar de que outros estabelecimentos também serviram, como o quartel geral da Polícia Militar, Base Naval de Natal e a Base Aérea de Parnamirim, onde se registram as principais violações de direitos humanos. Já no final da década de 60 para início de 70 prisões foram registradas no interior, como o caso do estudante de engenharia Queginaldo, que participava do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), preso em Alexandria (Oeste Potiguar).

Juan explica que na Comissão da Verdade da UFRN “a gente cataloga, em 64, diversas violações, como tortura, privação de sono, prisões extrajudiciais”. Com essas atitudes violentas e o grande número de prisões o governo conseguiu desmantelar as organizações sociais e estudantis do estado. Até que entre 1967 e 68 começou um engajamento bem intenso de pessoas em ações de resistência ao regime.

Segundo o advogado,“O PCB local, como em todo Brasil, se desintegra em outros partidos, como o Partido Comunista Revolucionário (PCR) e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). E lideranças estudantis, principalmente dos cursos de humanas (Direito, Sociologia e Serviço Social), tiveram uma participação mais intensa, como Emanuel Bezerra dos Santos (oficialmente assassinado pelo Regime)”. Esse maior engajamento leva esses militantes a partir para a luta armada.

Anistia

A partir da segunda metade da década de 70, nacionalmente se iniciou um processo de luta pela Anistia. Após o Movimento Feminino pela Anistia e o Comitê Brasileiro da Anistia, foram criados os comitês regionais e locais.

“O Comitê estadual foi criado em abril de 1979, quando já existia 15 anos de ditadura, de ausência de estado de direito”, explica a socióloga Maria Rizolete Fernades, que era secretária do órgão. Ela coordenava o Comitê junto ao deputado estadual Roberto Furtado e Sérgio Dieb, que se tornou vereador depois da abertura política.

O modo de operação desse Comitê era a realização de atos, audiências que mobilizassem a opinião pública e, também, visitas aos presos políticos nos locais de detenção. Segundo Juan, “o Comitê realizava, recorrentemente, audiências públicas, onde se debatiam a luta por uma Lei da Anistia em que mobilizasse a soltura de presos políticos, a reintegração de servidores públicos demitidos por circunstâncias políticas e ideológicas e a responsabilização de agentes públicos”.

Juan explica que “nessa segunda onda de repressão o Rio Grande do Norte não foi palco de prisões políticas. Maurício Anísio de Araújo foi um dos poucos presos políticos aqui, que ficou na penitenciária da Zona Norte. Mas a maioria dos potiguares eram presos em Pernambuco, unidade central do aparato da justiça militar”.

Rizolete nos conta que o Comitê organizava viagens à Ilha de Itamaracá (PE) para visitar os presos políticos potiguares. Ônibus eram alugados e uma comitiva viajava com comidas para partilhar com os detentos. Essa era uma forma de fiscalizar o estado da prisão e os proteger de retaliações. O dinheiro para essas viagens era recolhido de pedágios feitos no RN.

O Comitê exigia a Anistia, que, de maneira geral, pode ser compreendida como o “perdão de crimes políticos”. Ela é irrevogável, coletiva e concedida pelo Estado. O ato de anistia tem caráter radical pelo fato dela não apenas cessar a pena, mas o fato considerado criminoso. No Brasil, lutava-se para que ela fosse geral, ampla e irrestrita. Mas não foi o que aconteceu: a lei sancionada pelo Ditador João Batista Figueiredo não incluiu aqueles considerados terroristas e incluiu os militares torturadores.

De toda forma, muitas pessoas foram abarcadas pela Lei de Anistia de 79, principalmente servidores públicos que tinham saído de seus cargos por perseguição. Segundo Juan “diversos professores universitários e servidores estaduais voltaram aos seus antigos postos de trabalho, foi um movimento de readmissão e reintegração do serviço público no Rio Grande do Norte, uma volta do status quo de muito perseguidos políticos.”

Falta de memória local

O advogado Juan conta que durante a investigação da Comissão da Verdade da UFRN, “a gente enfrentou diversas dificuldades, sobretudo de pesquisa documental, pois o estado do Rio Grande do Norte não preserva bem os seus acervos de direitos humanos. A gente procurou num arquivo público do estado, em arquivos públicos em condições muito precárias da própria universidade. Constatamos sumiços de diversos acervos importantes, como no caso da Assessoria de Segurança e Informações, um órgão de repressão que funcionava dentro da universidade”.

Ele afirma que “a gente tem uma lacuna, de arquivos parcialmente destruídos e sem uma localização precisa. A memória sobre esse período ainda precisa ser muito bem elaborada, muito bem construída.” Esse processo de apagamento, segundo ele, serviu muito para as elites locais, porque a ditadura teve apoio delas.

Após todo relatório da Comissão, foi feito dez recomendações à universidade e aos poderes do estado, de medidas que visassem aprofundar ações de memória e verdade. Uma delas foi a criação de memoriais, em que a cidade pudesse ter consciência que houve ditadura e violações de direitos humanos aqui. Juan afirma que “nós temos diversas repartições militares que foram centros clandestinos de tortura, então isso passa muito despercebido aos ouvidos da população”.

Entretanto, os órgãos públicos ainda não acataram as recomendações da Comissão, o que é visto pelo advogado como “um projeto de esquecimento do que aconteceu naquele período e que ainda está muito presente.” Para ele, esse “apagamento” é ainda mais reafirmado com os posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a favor de ex-torturadores e da própria Ditadura.

“A pauta do direito a memória, da reparação e da verdade, é algo que se foi definido como um projeto constituinte de país. Lá em 1987-1988, os deputados constituintes entenderam que o Estado brasileiro praticou crimes contra seus cidadãos. Esse projeto que Bolsonaro está encampando é contradizer o que a própria Constituição consagrou como projeto de país: que reconhece o que aconteceu no passado, repara seus cidadãos e tenta construir um novo presente”.

Edição: Marcos Barbosa

 https://www.brasildefato.com.br/2019/08/28/as-memorias-da-ditadura-no-rn-esquecidas-com-tempo

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ESCRITOR CAPOEIRENSE JUNIOR ALMEIDA LANÇOU SEU NOVO LIVRO EM PAULO AFONSO - BA

 

O escritor capoeirense Junior Almeida, na noite da sexta-feira, 25/03/2022, lançou seu novo livro, ‘Lampião em Serrinha do Catimbau’. O lançamento ocorreu durante o evento Cariri Cangaço realizado na cidade de Paulo Afonso, Bahia.

Lampião em Serrinha do Catimbau, narra a investida de Lampião e seu bando a Serrinha do Catimbau, na época um distrito pertencente a Garanhuns e, hoje município de Paranatama. O livro traz fatos novos sobre o episódio no qual Maria Bonita foi alvejada com um tiro na região glútea, obrigando Lampião e seu bando saírem em retirada.

- Apresento ao público uma dedicada e extensa pesquisa, onde trago à tona a rota de fuga do bando, após o fogo de Serrinha, o local em que Maria do Capitão ficou em tratamento, bem como seu algoz e seu anjo da guarda, o homem que tratou de Maria Bonita durante quarenta dias, então, nada melhor que um livro que fala tanto sobre a célebre pauloafonsina, ter o seu primeiro lançamento justamente em sua terra." - Disse o pesquisador Junior Almeida.


Este é o quarto livro publicado pelo autor; a capa da obra é criação do professor Ademar Cordeiro.

Brevemente a obra será lançada na cidade de Paranatama e possivelmente em outros municípios da nossa região.

Junior Almeida e escritor, autor dos livros: "A Volta do Rei do Cangaço"; “Lampião, o Cangaço e outros fatos no Agreste Pernambucano” e “Capoeiras, Pessoas, Histórias e Causos’. Ele reside na cidade de Capoeiras - PE, onde é comerciante.




https://blogcapoeiras.blogspot.com/2022/03/escritor-capoeirense-junior-almeida.html?fbclid=IwAR0oY6NV0qs5cB4FfyXVwYxTU25VYpgAKQXwQ6QD1hphg1T9Dyc2Yb-3aWo

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