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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

MANUEL MARCELINO O BOM DE VERAS PARTE II

 Por Antônio Morais

Caravana Cariri Cangaço em visita ao Alto do Leitão,  local da morte de Lua Branca, o úlitmo irmão dos Marcelino

Certo dia, a noticia da aproximação dos Marcelinos deixou o delegado em pânico. O negro Felizardo, sabedor da presença dos Marcelinos, achou por bem demonstar sua proclamada valentia. Foi vingar o patrão. Tocaiado na ladeira do Caririzinho, aguardou a passagem do grupo. Manuel Marcelino, que havia estacionado ali, talvez para descanso, foi atingido por Felizardo que, imediatamente, correu a rua anunciando haver morto o famosa bandoleiro. Chegaram a comemorar o grande feito. Foi cachaça a bessa. O velho Ioiô vibrou com a noticia, enquanto Felizardo proclamava alto e em bom tom sua valentia e a glória de havar morto o terrível bandoleiro da fazenda Olho D'agua.
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A amizade entre Antonio Taveira e Manuel Marcelino era grande e fraterna. Eram também compadres. Por isto, reuniu algumas pessoas e resolveu procurar, na mata, o amigo provavelmente baleado. Chegamos ao local e nada. Manchas de sangue, pelo chão, indicavam que a vítima havia penetrado numa vereda. Seguimos a pista. Aqui e acolá, folhas manchadas de sangue. Já a tarde fomos informados, por uma pessoa que regressava da feira de Jardim, que os Marcelinos haviam subido a serra e Bom de Veras estava com uma das mãos na tipóio. A bala do rifle de Felizardo apenas havia decepado o dedo polegar do famoso cangaceiro.

Na sua sede de vingança Bom de Veras voltou a Caririzinho. Como um tigre esfomeado, pegou Felizardo na garapa, quando este subia a ladeira tantas vezes aqui referida.

Bom dia, moleque.
É voce Manuel?
Está admirado?

- Sim, mas sei que você não vai matar-me. Sempre fomos bons amigos e mesmo meu padim Cico não deixa. Cala a boca, negro, não fale neste nome aqui. Deixa meu Padim no seu canto. O negocio é aqui entre nós dois. Mal encerrou a conversa, doze tiros de rifle papo-amarelo acoaram no silencio daquele pé-de-serra ermo, e o baque do corpo de felizardo anunciava o fim do famoso pistoleiro. Vencida a primeira etapa da vingança, Bom de Veras tomou a direção da serra e foi se incorporar-se ao grupo de Lampião. Dois longos anos se passaram sem nenhuma noticia dele.

Bom de Veras era um cabra disposto, inteligente e matreiro - disse Taveira. Era homem que se aconselhava ao Capitão Virgulino Ferreira na astucia e nos planos estrategicos de ação do grupo. Por isto estava se tornando uma ameaça a Lampião como chefe-supremo do famigerado e temivel agrupamento de cangaceiros. Por esta razão, se separaram. A decisão foi do proprio Virgulino, tomada em Poço Cercado. Corria o ano de 1926. Bom de Veras rumava tranquilo com destino a Caririzinho, com ele os manos João Vinte e Dois e Lua Branca e mais 4 ou 5 companheiros. era chegado o momento da vingança ao seu mais odiado inimigo: Ioiô Peixoto. na sua chegada ao distrito de Caririzinho matou Zé Pretinho, que levava carta de Nicanô Peixoto ao seu parente Ioiô, avisando da vinda de Bom de Veras. Mandou que o Zé Pretinho corresse e atirou pelas costas. Um irmão, um filho e o genro de ioiô foram, neste mesmo dia, vítimas da sanha criminosa do perigoso grupo.
Chegaram finalmente à rua, Ioiô não se encontrava em casa. Tinha ido ao bebedouro de gado, em cujo local foi travado o seguinte diálogo, após a resolução de Bom de Veras de que iria, como realmente fez, sozinho, o serviço. 

 Caririzinho, nos dias atuais

Levanta cabra velho safado. Não diz que é valente... que briga.. que tem autoridade? Não diz que os Marcelinos são uns cagões? Eu sei que você não é capaz de fazer isso, Manuel, Você não é capaz de matar-me... Toda vida fomos amigos...Conversa, velho safado e frouxo... tres tiros de rifle puseram termo ao diálogo fatal. Contorcendo-se e se esvaindo em sangue, com tres balaços na testa, Ioiô Peixoto tombou as raizes de frondosa barauna, em cujo tronco ainda hoje existe, solitária e esquia uma enorme cruz.

A pagina 165 do livro da escritora Aglae Lima de Oliveira: Lampião, Cangaço e Nordeste - terceira Edição, lê-se o seguinte a respeito de Manuel Marcelino - o Bom de Veras: Manuel Marcelino, epoca 26 a 30. Era um negro malvado, Alto, cantador, considerado para o bando, cangaceiro de alto preço. Fumava cachimbo. Atirador afamado, excessivamente perverso, a ponto de beber o sague de suas vitimas. Tinha o proposito de nunca revelar a historia de sua vida.Foi baleado e morto em Mulungo, Estado das Alagoas, por ocasião de cerrado tiroteio que envolveu todo o grupo. Bom de veras atirava e rastejava em direção da tropa, quando caiu morto, no fim do combate.

Dois reparos devem ser feitos na informação acima: Segundo ouvimos de parentes e amigos, inclusive Antonio Taveira, Bom de Veras era um tipo alto e alourado, nunca um negro como foi dito. As circunstancias em que foi baleado e morto Manuel Marcelino - o Bom de veras, coincidem em parte com as publicadas pela escritora Aglae, todavia, o local não foi Mulungu, nas Alagoas, Bom de Veras foi morto na Fazenda de João Coelho, seu primeiro e unico patrão, na localidadede Minadouro, municipio de Serrita, Estado de Pernambuco. Asinformações colhidas pelo reporter de Região dão conta, ainda, de que Bom de Veras foi alvejado e morto pelos proprios companhaeiros, no cerrado tiroteio da Fazenda Minadouro, após cercada a casa de onde se encontrava e haver tentado uma fuga. Foi aí que, involuntariamente, um dos companheiro que atiravam contra a policia alvejou Bom de Veras, pelas costas. Esta, a verdade versão da morte do famoso e temivel Manuel Marcelino - O Bom de Veras.

Antônio Morais

http://cariricangaco.blogspot.com/2011/05/bom-de-veras-parte-ii-porantonio-morais.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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