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segunda-feira, 23 de março de 2026

DECADÊNCIA HISTÓRICA

 Clerisvaldo B. Chagas, 23 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3384

(FOTO CEDIDA PELO ESCRITOR  JOÃO NETO CHAGAS, O PRIMO VÉI).


A foto abaixo mostra uma rua no comércio de Santana do Ipanema, chamada José Américo. Rua de armazéns e outras casas comerciais de tradição. Ao mesmo tempo a foto mostra a decadência do algodão no Nordeste.  Em primeiro plano, o estado lastimável do prédio de esquina com seus vizinhos, parte da mesma empresa; uma das duas algodoeira que havia na cidade. Elas compravam o algodão vindo do campo e, com seu maquinário poderoso, separava o capulho do caroço. O algodão era prensado, enfardado e exportado para o Sul do Brasil, em caminhões. O caroço era vendido nas próprias algodoeiras, como ração para o gado leiteiro. Era o dinheiro quente de final de ano dos agricultores.   Acompanhei de perto a fase do algodão e, como professor de Geografia, levei alunos a visitar a indústria do prédio da foto.  

A foto é sem dúvida uma nostalgia, uma época se desmanchando viva na horrível aparência das edificações. Uma saudade oca que incomoda. Acompanhei o ciclo do algodão desde criança, iniciando no povoado Pedrão, na vila de Olho d’Águas das Flores:  cultivos, colheitas, transportes, os ensacamentos, as balanças, as vendas. Carros de boi lotados levando algodão para a algodoeira da vila. Era o Sertão da bolandeira (vapor, descaroçador) que fazia de Alagoas o estado mais rico do Nordeste. O Sertão alagoano com inúmera bolandeiras espalhadas que motivavam a atração do Rei do Cangaço pela riqueza produzida. Em Santana do Ipanema, as algodoeiras do senhor Domício Silva, (foto) no Comércio Central e a do industrial João Agostinho, no Bairro Camoxinga, movimentavam o Sertão Inteiro.

Com a chagada do inseto “Bicudo”, os algodoais nordestinos foram dizimados e com ele toda a cadeia do produto. Acabava assim uma das grandes riquezas do semiárido. Uns dizem que a praga fora natural, outros que teria sido introduzida por aquele pais que todos conhecem para acabar com a nossa competividade com ele. E se houve investigação, verdade, nunca soubemos. O certo mesmo foi inúmeras figuras pelo nordeste inteiro semelhantes à da tristeza múltipla da foto desta crônica.


https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2026/03/decadencia-historica-clerisvaldo-b.html

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein?

https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com


 

SEU TIBÚRCIO SOARES - UM ANTIGO COMERCIANTE DE MOSSORÓ

 Por José Mendes Pereira

Seu Tibúrcio Soares - foi um grande comerciante de Mossoró, e o conheci muito 

Tive a honra de conhecer e conviver com seu Tibúrcio Soares em anos remotos no bairro Paraíba. Eu ainda morava na Casa de Menores Mário Negócio, e esta casa era localizada à Rua José de Alencar, cuja, fazia fundos correspondentes com a Rua Tiradentes. E todas as tardinhas eu me deslocava para ficar sentado ali na esquina do seu comércio. E quando ele estava desocupado, vinha e diante de outros amigos, ele contava histórias que serviram como ensino para nossas vidas. 

VAMOS LER ESTA HISTÓRIA SOBRE O CARÁTER DE SEU TIBÚRCIO SOARES.

Tibúrcio Soares era um dos mais antigos comerciantes de Mossoró, com a sua loja estabelecida no bairro Paraíba, no cruzamento da Rua Felipe Camarão, com a Rua Tiradentes, onde nos dias de hoje, funciona o comércio Freitas. Era alto, não tão magro, de cor branca, prestativo, educadíssimo, e gostava de separar moedas para doar aos que lhe pediam uma ajuda.

No comércio, seu Tibúrcio Soares vendia de tudo, desde cereais, bebidas em grosso e em doses, cabos para todas as ferramentas, vassouras, esteiras fabricadas com palha da carnaubeira, alpargatas de couro cru, fumo, rapaduras, cangalhas, e mais algumas ferramentas como: enxadas, foices, machados, martelos, alicates, colheres para pedreiros, prumos, níveis, esquadros, linhas para tarrafas, cordas...

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Devido a confiança que empregava às pessoas, seu Tibúrcio fora diversas vezes roubado por  alguns dos seus fornecedores. Mas mesmo sendo ludibriado, deixava isso pra lá, apenas ficava de orelhas em pés, para que isso não se repetisse. Muitos desses que lhe forneciam mercadorias, não lhe entregavam os pedidos com a quantidade comprada.

Gregório das Esteiras, como era conhecido neste ramo de negócio, por só vender esteiras; sabendo que alguns dos fornecedores do seu Tibúrcio andavam faltando com a sua responsabilidade, resolveu também entrar nessa, de não entregar a sua mercadoria de acordo com o que lhe vendera. “-Se os outros andam enganando seu Tibúrcio, eu também vou lhe enganar”.

E aconteceu que na primeira tentativa de enrolar seu Tibúrcio, o Gregório foi logo pego, porque, chegou em uma oficina de um dos seus amigos, para consertar uma câmara da sua carroça, e como batia muito com a língua nos dentes, contou para ele que havia vendido ao seu Tibúrcio dez rolos de esteiras, cada um com 10 esteiras, mas só havia colocado no monte oito rolos. Já que ele não havia notado, iria às pressas voltar até lá, para lhe vender novamente os outros dois.

Mas, o Gregório não sabia que bem próximo a ele tinha um amigo do seu Tibúrcio, que ao ouvir a conversa, montou-se em sua velha e desmoronada bicicleta, e foi contar ao comerciante.

Chegando ao comércio do seu Tibúrcio, o sujeito repassou-lhe o que havia ouvido do seu fornecedor, e tomando conhecimento disto, ele o agradeceu e ficou aguardando o Gregório, que até antes, o comerciante o tinha como um homem de confiança.

Seu Tibúrcio chamou o seu ajudante, e mandou que ele contasse os rolos de esteiras que havia comprado ao Gregório, e segundo o ajudante, só tinham oito rolos de esteiras.

Uma hora depois, o Gregório espirrou na porta do comerciante. E ao descer da carroça, entrou e foi logo dizendo:

- Seu Tibúrcio, eu tenho dois rolos de esteiras...

- Eu sabia! - Atalhou seu Tibúrcio - Eu sabia!

O Gregório quis se espantar um pouco, perguntando-lhe:

- Seu Tibúrcio, sabia o quê?

- Eu sabia que o senhor esquecera-se de colocar os outros dois rolos de esteiras ali. Isso é que eu chamo homem de confiança. Vi que só tinha oito rolos, mas eu tinha real certeza, que o senhor voltaria para me entregar os outros dois rolos de esteiras que se esqueceu.

O Gregório não tinha conhecimento que seu Tibúrcio sabia da sua desonestidade. E olhando para ele, disse:

- Seu Tibúrcio, nesta minha munheca, homem nenhum há de pegar nela um dia. O que é meu é meu. Mas o que é dos outros, é dos outros. E eu não sou e nem serei capaz disto.

- Eu sei disso, seu Gregório! – Falava seu Tibúrcio. Eu sei que tem muitos dos meus fornecedores honestos. E o senhor é um deles. Mas assim do seu tipo, é muito difícil. Voltar até aqui, para me entregar dois rolos de esteiras que se esqueceu de colocar no monte, é coisa para homem honesto mesmo. Dizia seu Tibúrcio incentivando-o a ser honesto.

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein?

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Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

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ASA BRANCA: DE CANGACEIRO A CURANDEIRO.

 Por Natividade Praxedes(*)


A história do cangaço ainda guarda muitos desconhecidos mistérios, é evidente que o tão enigmático mundo do cangaço a não vai se desvendar de uma hora para outra, por isso que não devemos ignorar o quanto esse assunto é delicado, misterioso e importante. O cuidado com as palavras é fundamental. Resgatar uma história como a do ex-cangaceiro Antonio Luiz Tavares (Asa Branca) é se envolver mnum tremendo mistério de verdades e mentiras...

Antonio Luiz Tavares ou Asa Branca como era mais conhecido, segundo seu registro de casamento, nasceu no dia 13 de agosto de 1913, na cidade de Portalegre-RN, e faleceu no dia 02 de novembro de 1981 às 09 horas e 30 minutos na cidade de Mossoró em consequência de problemas respiratórios ou melhor morte, natural, e foi sepultado no cemitério público São Sebastião bem coladinho com o túmulo de José Leite de Santana, o cangaceiro Jararaca.

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"A data acima não bate com a data desta foto que aparece no seu túmulo no  cemitério em Mossoró. Segundo dona Francisca da Silva Tavares, que é a sua 2ª esposa, me disse que Asa Branca é natural da Paraíba, e não querendo ir até a sua cidade de origem para solicitar registro para efeito de matrimônio com ela, registrou-se na cidade de Portalegre, no Rio Grande do Norte". 

Continuando:

Conviveu com duas mulheres: a primeira foi dona Sebastiana Venâncio da Silva com a qual teve três filhos, dois já falecidos e o outro que mora na capital cearense (Fortaleza),; a segunda esposa dona Francisca da Silva Tavares (já tinha um filho do seu primeiro casamento) e ao unir-se com Antonio Luiz Tavares, teve mais cinco que são: Antônio Esmeraldo, já falecidfo em Mossoró, Francisco Tavares faleceu em 1983 em Mossoró, aos 24 anos (foi assassinado), era solteiro e não deixou filhos, Maria Gorete, casada e reside em Mossoró, Maria da Conceição, casada e reside em Mossoró, e Máximo Batista que reside em São Paulo.

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"Segundo dona Francisca da Silva Tavares em sua casa em Mossoró, contou a minha filha Adryanna Karlla Paiva Pereira e eu, que, com o cangaceiro Asa Branca ela teve 9 filhos, mas 4 faleceram ainda pequeninos; e que fez o mesmo papelão que fez a rainha do cangaço, Maria Bonita, quando abandonou o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném para acompanhar o afamado Lampião.

A única diferença entre as duas é que Maria Bonita tornou-se cangaceira, e dona Francisca abandonou o esposo, inclusive o seu filho de menos de um ano, para viver com o cangaceiro Asa Branca, mas jamais participou de cangaço".

Continuando:

Asa Branca pertenceu ao grupo de Lampião e ficou muito conhecido por afirmar que Virgolino Ferreira da Silva (Lampião), não tinha morrido na grota de Angico, na madrugada de 28 de julho de 1938...

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"Eu sou muito amigo da família do ex-cangaceiro Asa Branca, mas para falar a verdade, o que ele disse foi através do "disse-me-disse", porque quando Lampião foi assassinado, Asa Branca ainda estava recolhido à cadeia pública de Mossoró. Portanto as suas palavras não têm nenhum sentido real". 

Continuando:

O ex-cangaceiro afirmava que Lampião veio repetidas vezes à Mossoró, e numa delas, em 1955, teria se encontrado com ele nas proximidades do Cemitério público desta cidade. Afirmou também, em entrevista dada ao jornal "O Poti" no ano de 1975, que o capitão Virgolino tinha carros que carregava sal da cidade de Mossoró, mas negava detalhes. 

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"Quando se tem certeza do que se diz ou do que se pensa em dizer, não se nega nada quando perguntado. O certo é que estava apenas registrado na mente do ex-cangaceiro".

Continuando:

Também detalhava em suas entrevistas que Virgolino Ferreira da Silva, o afamado e sanguinário capitão Lampião visitou o túmulo de José Leite de Santana, o cangaceiro Jararaca por várias vezes.

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"Incrível esta visita ao túmulo do cangaceiro Jararaca, porque o capitão Lampião não tinha tanta amizade com o cangaceiro, vez que ele foi seu comandado apenas por menos de 2 anos. Se fosse o Mariano, o Corisco, um desses que tivesse sido assassinado em Mossoró, daria pra se acreditar um pouquinho, porque Lampião viveu mais tempo com estes facínoras, e com certeza, as amizades eram mais chegadas, presentes". 

Continuando:

Asa Branca participou de várias apresentações de programas de televisão em Fortaleza, Natal e Recife, de suas excursões trazia prêmios e donativos. Foi entrevistado por vários jornais do Sul do país, e também foi presença no "Fantástico" da Rede Globo.

Foi admirado por muitos, principalmente por ter trocado a vida da caatinga (fora-da-lei) pela a paz de uma família, chamou atenção da mídia e do ex-cangaceiro Augusto Toledo que pertenceu ao bando de Lampião nos idos de 1929, (esse cangaceiro não participou do ataque à Mossoró no ano de 1927, portanto não conheceu Asa Branca, mas ofereceu ajuda ao companheiro de aventuras).

Como o senhor Augusto Toledo era bem afortunado e pertencia a uma aristocracia família ofereceu amparo em sua propriedade no interior fluminense para Asa Branca e sua família o que não se concretizou.

Asa Branca solicitou dez passagens de avião para transportar toda família, o silêncio foi a resposta dada à correspondência. 

Asa Branca afirmava que não tinha saudade dos tempos de cangaceiro; afirmava também ter participado de vários ataques, inclusive os de Apodi e Mossoró; ao ataque à cidade de Mossoró, a 13 de junho de 1927, sempre afirmava não ter vindo à rua, ficando com outros cangaceiros guardando os prisioneiros e os animais do bando, a uma distância de três quilômetros da cidade. Após este ataque, Asa Branca foi preso pela polícia do Ceará e recambiado para o Rio Grande do Norte. Aqui foi julgado e cumpriu uma pena de 10 anos e 11 meses e quinze dias. No tempo em que passou na prisão, foi torturado e enterrado vivo, permanecendo por alguns minutos soterrado, por ordem de Juventino Cabral, para descobrir "coisas que não tinha feito".

Na cidade de Mossoró contou com a proteção de várias pessoas, inclusive do casal Aristides Fernandes e Maria Maia a quem serviu com presteza e dedicação por vários anos. Mas foi por decisão do reitor João Batista Cascudo Rodrigues que Asa Branca tornou-se Antonio Luiz Tavares. Primeiro foi preciso dos documentos para se tornar um cidadão de verdade; depois de um emprego para poder manter sua família dignamente. E foi por decisão do reitor João Batista que Asa Branca passou a trabalhar como vigia do campus Osvaldo Amorim, em Assu, depois de ter trabalhado como vigia da Escola Normal de Mossoró, segundo a diretoria da época teria saído da repartição de ensino por não querer participar de uma festa em homenagem ao professor Abel Freire Coelho, o "Homem" (promotor) que o acusou e fez com que ele fosse condenado a 30 anos de cadeia. 

Asa Branca também participou de conflitos na cadeia com seu companheiro e ex-cangaceiro Rouxinol, que por motivos frívolos os dois presidiários entenderam de ajustar as contas, no dia 01 de fevereiro de 1932, conforme nota do jornal "O Mossoroense", foi preciso a intervenção de detentos e de soldados para evitar maiores gravidades.

São muitos os mistérios que rondavam o ex-cangaceiro Asa Branca, do cangaceirismo ao curandeirismo ele passou e deixou marcas. Apesar de ter tido uma vida agitada como cangaceiro, era um homem simples, que apesar de não frequentar a igreja aos domingos acreditava muito em Deus e era devoto do Coração de Jesus, muito solicitado para esclarecer detalhes da marcha de Lampião pelo Nordeste ou para dar informações sobre cangaceiros foi também um excelente marido e pai, segundo afirma a família, que hoje vive bem estruturada.

(*) Professora de História e Cultura Religiosa.

https://blogdoinhare.blogspot.com/2016/10/asa-branca-de-cangaceiro-curandeiro-por.html

As minhas informações foram  adquiridas  pela viúva do ex-cangaceiro Asa Branca em sua residência em Mossoró. Outras, no Jornal da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.

Fonte: "Jornal da SBEC.
Ano: XV.
Número: 05
Cidade: Mossoró-RN
Data: 13 de junho de 2008
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Nascimento (Chagas Nascimento). 

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein?

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domingo, 22 de março de 2026

FIM DO BANDO DE LAMPIÃO - O REI DO CANGAÇO.

Por BNCC

Em 28 de julho de 1938, o bando de Lampião foi cercado na Fazenda Angico, no sertão de Sergipe. Uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra e munida com quatro metralhadoras Hotkiss, metralhou os 34 cangaceiros presentes. 

Onze morreram ali mesmo, entre eles Lampião e sua companheira, Maria Bonita. Alguns cangaceiros conseguiram escapar. Todos os mortos tiveram suas cabeças cortadas. Maria foi degolada viva. 

O fim dramático do bando de Lampião repercutiu negativamente entre outros cangaceiros e, a partir de então, muitos bandos se desfizeram e alguns se entregaram. 

O cangaço: um fenômeno social 

O cangaço foi uma forma de banditismo peculiar no nordeste brasileiro, vivida por sertanejos pobres que encontravam nessa prática proteção contra a exploração e a fome, ainda que sendo um modo de vida marginal e criminoso. Muitos homens e mulheres ingressaram no cangaço, vagando pelo sertão em busca de dinheiro, comida, armas e munição num espírito de vingança contra o domínio dos latifundiários e o governo. 

Os cangaceiros tinham, muitas vezes, apoio da população mais pobre que lhes fornecia abrigo e informações que os ajudavam a escapar das forças policiais, conhecidas como “volantes”. 

O cangaço ganhou força em resultado das secas mortais de 1877-1878 e atingiu o seu clímax na década de 1920. O primeiro bando de cangaceiros que se tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, apelidado “Jesuíno Brilhante” que, entre 1871 e 1879, agiu na região entre os estados do Rio Grande do Norte e a Paraíba, até ser morto em uma emboscada. 

Mapa de atuação do cangaço no interior do Nordeste. 

Lampião, o Rei do Cangaço 

O pernambucano Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (1898-1938) foi o mais bem-sucedido líder cangaceiro da história o que lhe valeu o título de Rei do Cangaço.  Até os 20 anos de idade trabalhou como artesão de couro. Era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Uma das versões a respeito de seu apelido é que sua capacidade de atirar seguidamente, iluminando a noite com seus tiros, fez com que recebesse o apelido de lampião. 

Lampião entrou para o cangaço junto com mais dois irmãos para vingar a morte do pai em confronto com a polícia. Em 1922, tornou-se líder de bando e, desde então, praticamente todos os estados do nordeste. Atacou fazendas e cidades além de praticar roubo de gado, saques, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações e estupros. Sua passagem causava terror e indignação nos moradores. 

Apesar disso, Lampião e seu bando eram frequentemente protegidos por coiteiros:  fazendeiros, pequenos sitiantes ou mesmo autoridades locais que ofereciam abrigo e alimentos aos bandos por um curto espaço de tempo nos limites de suas terras, facilitando o deslocamento dos cangaceiros pelo Nordeste e sua fuga das forças volantes do Estado. 

Cartaz oferecendo prêmio em dinheiro para quem capturasse Lampião, Bahia, c.1930. 

Em 1926, por ocasião do avanço da Coluna Prestes (1925-1927) na cidade de Juazeiro do Norte, Lampião foi cooptado pelo governo do Ceará para enfrentar e derrotar os homens da coluna. Foi-lhe, então, prometido a patente de capitão da Guarda Nacional, título que Lampião acabou incorporando. 

Em 1929, conheceu, no sertão da Bahia, a jovem Maria Gomes de Oliveira, de 18 anos de idade, chamada desde a infância de Maria de Déa, com quem se casou. Posteriormente, após sua morte, ela viria a ser conhecida como Maria Bonita. Foi a primeira mulher a ingressar no cangaço. 

Em 1936, Lampião e seu cotidiano na caatinga foi fotografado e filmado pelo fotógrafo libanês-brasileiro Benjamin Abrahão Botto. 

O fotógrafo Benjamin Abrahão cumprimenta Lampião, em foto tirada pelo cangaceiro Juriti. Da esquerda para a direita: Vila Nova, não identificado, Luís Pedro, Benjamin Abrahão (à frente), Amoroso, Lampião, Cacheado (ao fundo), Maria Bonita, não identificado, Quinta-Feira. 

O governo Vargas ordena o fim de Lampião e seu bando 

Segundo o historiador Frederico Pernambucano de Mello, “Lampião vivia fora da lei, mas mantinha excelente relacionamento com os poderosos. Era protegido por coronéis e políticos. O governador de Sergipe, Eronildes Ferreira de Carvalho, tinha amizade com Lampião e lhe fornecia armamento e munição”. 

A instalação do Estado Novo, em 1937, pôs fim a essa promiscuidade entre poder público e banditismo. Uma das bandeiras da ditadura era a modernização do país. Nesse novo Brasil, que deixaria de ser agrário para se tornar urbano e industrial, o cangaço era uma mancha a ser apagada. 

Ricardo Westin aponta que o documentário mudo de Benjamin Abrahão Botto foi o pretexto final para por fim ao cangaço. O documentário mostrava ao país a rotina do bando de Lampião na caatinga: cangaceiros alegres, bem vestidos e com joias. Nem pareciam fugitivos. Sentindo-se afrontado, Vargas ordenou aos governadores do Nordeste que parassem de fazer vista grossa e aniquilassem o rei do cangaço. Assim se fez. 

Jornal A Noite noticia a degola de Lampião, 28 de Julho de 1938. 

A morte e a degola de Lampião e seu bando 

No dia 27 de julho de 1938, Lampião e seus homens acamparam na fazenda Angicos, no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Os policiais comandados pelo tenente João Bezerra e sargento Aniceto Rodrigues da Silva chegaram silenciosamente e sequer foram percebidos pelos cães. 

O ataque ocorreu ao amanhecer do dia seguinte. O bando foi pego totalmente desprevenido sem chance de se defender dos tiros das metralhadoras disparados durante cerca de vinte minutos.  Dos 34 cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita. 

Os policiais degolaram os mortos e apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as joias. As cabeças foram salgadas e colocadas em latas de querosene contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensanguentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus.

Na cidade de Piranhas, Alagoas, as cabeças foram arrumadas na escadaria da Prefeitura, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Seguiram depois para diversas cidades do Nordeste onde foram expostas atraindo muita gente.

As cabeças foram levadas para Salvador, Bahia, permanecendo primeiro na Faculdade de Odontologia da UFBA, e depois Museu Antropológico localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador. As cabeças de Lampião, Maria Bonita e demais integrantes do bando só foram sepultadas em fevereiro de 1969. 

As cabeças dos cangaceiros incluindo Lampião (no primeiro degrau) e Maria Bonita (ao centro, no segundo degrau), fotografadas em Piranhas, Alagoas, 1938. 

O espetáculo mórbido teve efeito: bandidos de outros grupos correram para se entregar, de olho na anistia prometida a quem delatasse companheiros. O último cangaceiro conhecido, Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto), foi derrubado em 25 de maio 1940, em Barra do Mendes, na Bahia. 

Fonte 

PAIVA, Melquíades Pinto. Ecologia do cangaço. Rio de Janeiro: Interciência, 2004 

OLIVIERI, Antonio Carlos. O Cangaço. São Paulo: Ática, 1995. 

DÓRIA, Carlos Alberto. O Cangaço. São Paulo: Brasiliense, 1982. 

ARAÚJO, B. Goytacazes. A Instabilidade Política na Primeira República Brasileira. Juiz de Fora: Ibérica. 2009. 

CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião: O Rei dos Cangaceiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003. 

JASMIN, Élise. Cangaceiros. São Paulo: Terceiro Nome, 2006. 

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. História do Cangaço. Rio de Janeiro: Global, 1986. 

WESTIN, Ricardo. Combate a Lampião quase entrou na Constituição de 34. Agência Senado, 02.jul. 2018. 

MELLO, Frederico Pernambucano de. Quem foi Lampião. Recife: Stahli, 1993.

Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/fim-do-bando-de-lampiao-o-rei-do-cangaco/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues.

https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/fim-do-bando-de-lampiao-o-rei-do-cangaco/

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As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein?

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