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domingo, 22 de setembro de 2019

JOÃO SÁ E VIRGULINO ENCONTRO DO CORONEL E DO CANGACEIRO

Por Rostand Medeiros

Lampião e seu bando, depois de vários anos atuando nos sertões dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, passaram a sofrer uma grande perseguição dos aparatos policiais destes estados.

Jornal recifense “A Província”, 
edição de sexta feira, 28 de agosto de 1928, 1ª página.

Ciente da perseguição que as volantes infligiam a seu debilitado grupo, Lampião precisava de repouso para repor as energias, recrutar novos homens e procurar novas áreas de atuação. Nesse sentido, em agosto de 1928, ele resolveu atravessar o grande Rio São Francisco e se internar nos sertões baianos.

Em um primeiro momento, buscando refúgio nas fazendas de novos amigos, Virgulino Ferreira da Silva, o nome real do “Rei do Cangaço”, encontrou nestas paragens a almejada paz para recompor suas forças.

Primeiramente a polícia da Bahia fez vista grossa em relação ao ilustre visitante. Lampião aproveitou para firmar contatos, compor alianças, ampliar sua rede de coiteiros que lhe dariam apoio e proteção.
Propalou que estava “em paz” no território baiano, utilizava a velha cantilena que “havia entrado no cangaço pelos sofrimentos sofridos pela sua família” e que se “houvesse condições”, ele largaria aquela vida em armas e buscaria ficar em paz.

Mesmo divulgando estas novas intenções, não deixou de coagir os fazendeiros baianos, pedindo para estes lhe “ajudar” no sustento do seu bando.

E assim, ao seu modo, durante quase três meses, Lampião e seus cangaceiros viveram tranquilos junto ao povo do sertão da “Boa Terra”.

Foto famosa

Sua primeira aparição pública ocorreu na antiga vila do Cumbe, atual município de Euclides da Cunha, em um sábado, dia 15 de dezembro de 1928.

Ali não houve alterações. Mas o chefe não deixou de fazer uma arrecadação pecuniária com os abonados do lugar e chegou até mesmo a almoçar e beber cerveja com o delegado. A tranquilidade era tanta que deu até para alguns alfaiates do lugar confeccionar novos uniformes para seus homens.

Depois do Cumbe os cangaceiros seguiram para a cidade de Tucano, onde novamente nada de anormal ocorreu. Ali os bandoleiros das caatingas chamaram a atenção de todos, tratavam todos bem e foram bem acolhidos pelos moradores.

Mercado Público de Ribeira do Pombal na década de 1950.

Para Oleone Coelho Fontes, autor de “Lampião na Bahia” (4ª Edição), após a estada em Tucano, o chefe cangaceiro e seus homens, seguiram em direção nordeste, por cerca de 40 quilômetros, até a vila, atualmente município, de Ribeira de Pombal, já próximo a fronteira sergipana. Para este deslocamento consta que Lampião obrigou o padre de Tucano a ceder o seu carro e um motorista.
Segundo o pesquisador baiano, o chefe e mais sete cangaceiros chegaram ao lugarejo às seis da manhã do domingo, 16 de dezembro. Os moradores locais sabiam através da passagem de viajantes, que Lampião encontrava-se em Tucano e que certamente logo chegaria a Pombal.

O intendente local era Paulo Cardoso de Oliveira Brito, mais conhecido como Seu Cardoso, e foi ele quem recebeu Virgulino e seus homens.

Foi ofertado café a todos os bandoleiros e Lampião avisou que não queria brigar com os poucos policiais que estavam de serviço no lugarejo, comandados pelo cabo Esmeraldo. Com a boa hospitalidade oferecida, Lampião se sentiu a vontade e logo procurou saber se havia um fotógrafo no lugar.


A famosa foto de Lampião e seu bando, batida por Alcides Fraga em Ribeira do Pombal e divulgada na edição de quarta feira, 30 de janeiro de 1929, no jornal carioca “A Noite”. Coloquei a notícia na íntegra para que seja visto e analisado o cangaceiros ali nomeados.

Foi chamado Alcides Fraga, alfaiate e maestro da Filarmônica XV de outubro, que prontamente bateu uma chapa. Esta é uma das mais célebres fotografias do ciclo do cangaço, que inclusive circulou com destaque em jornais do Rio de Janeiro, em janeiro de 1929.

Por volta de oito horas da manhã o bando saiu da vila, acompanhados do cabo Esmeraldo, partindo em direção destino ao município de Bom Conselho, atual Cícero Dantas, 30 quilômetros em direção nordeste.

Bom Conselho, atual Cícero Dantas, na década de 1950.

A chegada dos cangaceiros ocorreu em um dia de feira, com o cabo baiano já rouco de tanto gritar: – Viva Lampião! – Viva o Capitão Virgulino!

Apesar deste detalhe, a única outra alteração praticada pelos cangaceiros, foi terem se apoderado dos fuzis dos quatro soldados da polícia baiana destacados no lugar.
Após saírem de Bom Conselho, ainda motorizados, o bando seguiu em direção mais ao norte, cerca de 40 quilômetros, para um pequeno aglomerado de casas denominado Sítio do Quinto.

A hora exata que os facínoras chegaram de caminhão a esta localidade não sabemos, mas lá onde procuraram a casa de José Hermenegildo.

Por volta da meia noite de 16 para 17 de dezembro de 1928, um pequeno automóvel modelo Ford, que transportava três homens, também chegou ao mesmo lugar.

Ao encontro do perigo

Enquanto Lampião e seus homens passavam por Pombal, Bom Conselho e chegavam a Sítio do Quinto, da cidade baiana de Jeremoabo, cerca de 50 quilômetros ao norte, partia um automóvel conduzindo três homens, entre estes estava um dos mais importantes coronéis do interior baiano.


Este era João Gonçalves de Sá, referência regional, prestigiado líder político e rico proprietário de muitas fazendas com grande extensão territorial, que englobava muitos dos municípios da região Nordeste da Bahia. Naquele dezembro de 1928 o coronel João Sá exercia os cargos de presidência da Intendência de Jeremoabo e, pela segunda vez, o mandato de deputado estadual pelo legislativo baiano.

Junto ao coronel João Sá seguia seu pai Jesuíno Martins de Sá e um dos secretários da Intendência de Jeremoabo, o jovem José da Costa Dórea. O destino de todos era Salvador, onde o trajeto naquele tempo exigia seguirem pelo território sergipano e depois todos continuariam o trajeto por via ferroviária, utilizando os trens da ferrovia conhecida como Leste Brasileira.

Segundo nos conta Oleone Coelho Fontes, no capítulo 5 do seu livro “Lampião na Bahia”, através de extenso relato descritivo feito por Dórea (e até hoje, aparentemente, inédito na sua íntegra), devido a um problema mecânico no automóvel, a viagem foi realizada a noite, tendo a saída ocorrido às seis horas.
Mesmo sabendo que o grupo de Lampião circulava pela região, o coronel Sá confiou que guiando durante grande parte da noite, seguindo pelas antigas estradas poeirentas da região, eles poderiam passar despercebidos pelo bando.

Ao realizarem uma parada para tomar café na fazenda Abobreira, o medo de um encontro com Lampião e seus cangaceiros se tornou mais real, pois o proprietário do lugar, José Saturnino de Carvalho Nilo, confirmou que eles estavam nas redondezas. Mesmo assim seguiram adiante, em direção ao lugarejo Sítio do Quinto.

Já na edição do dia 30 de dezembro de 1928 do jornal carioca “A Crítica” (cujo proprietário era o pernambucano Mário Rodrigues, pai do dramaturgo Nelson Rodrigues), na sua página 5, encontramos um relato inédito sobre o encontro do coronel João Sá com Lampião e seus homens.



Nas duas descrições desta aventura, consta que os viajantes de Jeremoabo, ao entrarem no pequeno arruado, viram diante de uma casa um veículo parado, com alguns homens ao seu redor.
A reportagem do jornal carioca informa que um deles estava com um candeeiro. O coronel João Sá imaginou que a casa onde o veículo e os homens estavam deveria oferecer algum tipo de apoio aos viajantes.

Após brecarem, os passageiros do Ford foram cercados por homens armados e intimados a informarem quem eram. Após isso o coronel João Sá descobriu que estava diante do cangaceiro Lampião. E como para confirmar, o homem armado aproximou o candeeiro de seu rosto, mostrando a característico defeito em seu olho.

Momentos entre o Coronel e o Cangaceiro

Em um primeiro momento o medo e o pavor com o que iria acontecer tomou conta dos viajantes, mas o chefe cangaceiro, prontamente lhes garantiu que nada de ruim lhe aconteceria.
Conduzidos por Lampião e seus homens, todos entraram na casa de José Hermenegildo e foram se acomodando em cima de sacos de algodão e de peles de animais, que na época era um produto mais fácil de encontrar no sertão e tinha mercado nas capitais.

O informante Dórea afirma que em certo momento Lampião chamou o coronel João Sá para uma conversa particular na parte de fora da casa, fato que o deixou assustado, imaginando que o chefe político de Jeremoabo seria fuzilado. Mas nada aconteceu.

Enquanto isso Dórea e Jesuíno Martins de Sá, então com 76 anos, entabulavam conversa com alguns cangaceiros, entre estes o irmão do chefe, Ezequiel, conhecido pela alcunha de Ponto Fino. Dórea afirmou que o coronel João Sá não transportava dinheiro vivo, apenas ordens bancárias, assim este lhe chamou fora da casa e lhe solicitou 200$000 réis para dar a Lampião. Este por sua vez deixou que os viajantes do Ford escrevessem cartas as suas famílias, que um portador levaria as missivas para Jeremoabo.


As duas versões apontam que em dado momento a tensão se desvaneceu e o clima ficou mais tranquilo. Segundo o coronel João Sá observou, e assim ficou registrado no jornal carioca, os cabelos do chefe cangaceiro chegavam aos seus ombros, seu uniforme de mescla azul se mostrava já bastante gasto e Lampião trazia um semblante abatido.

Na sequência Lampião pediu a José Hermenegildo que colocasse três redes para acomodar a ele, ao coronel e a seu pai no mesmo quarto. Neste momento o líder político do Nordeste da Bahia pediu ao maior cangaceiro do Brasil que narrasse a epopeia de sua vida. Lampião descreveu as perseguições que sofreu ao longo da vida como bandoleiro das caatingas, mas que estava “a fim de descansar” no sertão baiano.

O coronel João Sá descreveu nas páginas de “A Crítica” que depois das narrativas feitas por Lampião, este foi dormir. Mesmo com a vida atribulada que levava, em meio a tantos combates e com tantas mortes nas costas, o coronel descreveu que o chefe cangaceiro dormiu um “sono profundo”. Mesmo estando em companhia de estranhos “adormeceu como um justo”. Logo todos os homens, “cavaleiros e salteadores”, como descreveu a reportagem, dormiram “confiantes e tranquilos”.

No “tranco”

No capítulo 5 do livro de Oleone, o texto em que José da Costa Dórea conta este episódio sobre Lampião, este afirma que foi ele quem fez a solicitação para que o chefe cangaceiro narrasse a sua vida e que anotou tudo em um bloco escolar.

O livro de Oleone Coelho Fontes, “Lampião na Bahia”. 
Para mim esta é uma das obras mais inspiradoras e interessantes sobre o tema cangaço.

Segundo a opinião do autor de “Lampião na Bahia”, esta entrevista é seguramente a mais longa que o “Rei do Cangaço” fez em toda a sua vida e que seria parte integrante de um livro de Dórea intitulado “Vida e morte do cangaceiro Lampião”. Vale ressaltar que Oleone Coelho Fontes informou em seu livro possuir os originais deste material, mas que, salvo engano, até o momento continua inédito.

Nas páginas de “A Crítica”, nos primeiros albores da manhã, após o despertar, o coronel João Sá comenta a Lampião que na condição de deputado estadual teria de informar as autoridades sobre aquele encontro. Consta que Lampião não se alterou com as palavras do político baiano.
Quando o coronel deu na partida do seu automóvel, provavelmente devido ao frio noturno do sertão, a máquina não pegou. Na mesma hora, vários comandados de Lampião deram uma mãozinha ao coronel João Sá, empurrando o carro que pegou no “tranco” e estes seguiram viagem.

Simpatia ou necessidade?

Dali Lampião continuaria seu caminho pela Bahia e logo a sua lua de mel com os habitantes daquele estado estaria encerrada. O fato se deu com o combate ocorrido no lugar Curralinho, no dia 28 de dezembro de 1928, onde foram mortos o sargento José Joaquim de Miranda, apelidado “Bigode de Ouro” e os soldados Juvenal Olavo da Silva, e Francellino Gonçalves Filho. Depois destas primeiras mortes na Bahia, Lampião e seus homens, ainda no primeiro semestre de 1929, cobrariam um alto preço a polícia baiana. Logo veio o combate do Arraial de Abóbora, em Jaguarary, hoje povoado de Juazeiro, ocorrido no dia 7 de janeiro e que ocasionou a morte de dois soldados. Depois veio Novo Amparo, no dia 26 de fevereiro de 1929, com a morte de mais outros dois soldados. Ainda no primeiro semestre de 1929 temos o sangrento combate do Brejão da Caatinga, município de Campo Formoso, no dia 4 de junho, com a morte de um cabo e quatro soldados.

Quanto ao coronel Sá e sua família, segundo Oleone Coelho Fontes afirma em seu livro (Pág. 39), enquanto Lampião na Bahia jamais ocorreu nada com suas terras e seus protegidos. O pesquisador afirma que, fosse por simpatia, ou por necessidade de preservar seus bens, ou por ter vislumbrando vantagens outras nesta aliança com o grande cangaceiro, o coronel Sá se tornou um dos mais importantes protetores de Lampião na Bahia.

E tudo aparentemente começou naquele encontro divulgado até em jornais cariocas.

Pesquei no: Tok de História

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E eu repesquei no Lampiaoaceso do pesquisador Kiko Monteiro

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NINGUÉM ARREDA! - RESISTÊNCIA DO POVO DE ALEXANDRIA AO BANDO DE LAMPIÃO


Por José Romero Araújo Cardoso

Em dois momentos, quando da entrada do bando de Lampião no Estado do Rio Grande do Norte, o chefe quadrilheiro fez valer sua experiência como chefe de cangaço, evitando deliberadamente confrontar-se com a resistência que foi organizada.


A passagem dos cangaceiros em Alexandria foi desviada propositalmente, a fim de evitar conseqüências funestas, como em Belém do Rio do Peixe, no mês de maio de 1927, o que atrasou a marcha em mais de um mês. A resistência em Alexandria, organizada pela briosa e destemida família Oliveira, assim como a efetivada em Mossoró, também perfaz referência brilhante à bravura potiguar, embora não tenha havido confronto em razão de Lampião ter ponderado sobre o que o espera em Alexandria.

O segundo desvio proposital dos cangaceiros foi em Caraúbas. O “rei do cangaço” conhecia a fama de quem havia estruturado a resistência. Tratava-se tão somente do “Coronel” Quincas Saldanha, o “gato vermelho” da expressão sisuda e respeitosa proferida pelo próprio Virgulino Lampião.

Atordoados com a fama perversa de Virgulino Ferreira da Silva e seus cabras, os jagunços do “Coronel” Quincas Saldanha iniciaram forte tiroteio, a esmo, cujo erro foi notado imediatamente pelo experiente sertanejo, observando que os disparos estavam sendo feitos apenas de um lado. Quincas Saldanha ordenou cessar fogo e notou que estava certo. Lampião tinha desviado a rota para Pedra da Abelha, onde aprisionaria o “Coronel” Antônio Gurgel. A esperteza do chefe dos cangaceiros era uma das razões para o “sucesso” que obteve em vinte e dois anos de lutas no cangaço.

Em Alexandria lembraram-se de eternizar a valentia daqueles que pegaram em armas para obstacular as ações ensandecidas dos cangaceiros. Uma fotografia rara e inédita, de propriedade do senhor José do Patrocínio de Oliveira Maia, natural de Catolé do Rocha (PB), residente no presente da cidade de Mossoró (RN), é a prova iconográfica do empenho valoroso que a família Oliveira efetivou, organizando frente de combate, a qual, conforme se pode verificar no importante registro iconográfico, estava decidida e irresoluta.

A necessidade de fomentar obstáculo a Lampião se dava em virtude da forma tresloucada como o bando vinha se comportando desde quando cruzou a fronteira com a Paraíba. Em Cantinho do Feijão (PB) (hoje município de Santa Helena), o bando cometeu verdadeiros atos de vandalismo.

O senhor José do Patrocínio, conhecido por todos por Sinô Maia, guardou a relíquia com todo zelo, principalmente em virtude de que na fotografia aparece o avô do dono da iconografia rara e inédita. O combatente chamava-se José Garcia, estando assinalado na fotografia, como forma do neto demonstrar carinho ao valente sertanejo. Sinô Maia residiu muito tempo na fazenda cachoeira, em Brejo do Cruz (PB), servindo ao Dr. Fábio Mariz, na profissão de vaqueiro, durante décadas.

Sinô Maia não soube informar os nomes dos outros combatentes, nem a autoria da fotografia. Apenas guarda de recordação há muitos anos. Na fotografia, conforme pode se notar na mesma, identifica-se a bandeira do Brasil como pano de fundo, envolvendo simbolicamente o grupo da resistência de Alexandria na legalidade.

No âmbito histórico-iconográfico considero que o registro fotográfico da resistência organizada em Alexandria tem a mesma importância que as fotografias perpetuadas por Raul Fernandes em seu clássico opúsculo por título “A marcha de Lampião – assalto a Mossoró”.

Nenhum documento sobre a arrogante invasão do bando de Lampião ao território potiguar pode ser desprezada. O valor de uma fotografia rara e inédita sobre o tema, é incomensurável, visto que temos de relatar de todas as formas possíveis às gerações presentes e futuras a grandeza da bravura do povo potiguar, sobretudo Mossoroense, que resistiu galhardamente a um dos mais absurdos atos de agressão a seres humanos, a maioria indefesa, à lei e à ordem no Rio Grande do Norte.

Qualquer documentação inédita que tenha ligação com o cangaço deve ser valorizada, principalmente em razão de que a importância do fenômeno social ocorrido nas caatingas nordestinas traduz a essência da busca pela compreensão da dimensão regional de uma forma holística.

Fonte: Alma do beco


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sábado, 21 de setembro de 2019

A REVOLUÇÃO PRAIEIRA E OS PEREIRAS DO PAJEÚ


Do acervo do pesquisador José João Souza

As disputas e lutas políticas, em todos os níveis e em boa parte das províncias, continuavam acirradas, no final dos anos quarenta do século XIX, entre os partidos liberal e conservador. Em Flores PE, velhos ódios acumulados entre liberais e conservadores agitavam a Vila e o Sertão do Pajeú. Ali, de um lado, estava o tenente-coronel Francisco Barbosa Nogueira Paz, liberal intransigente e convicto, dirigindo o destino da comarca. Do outro lado, o Coronel Manuel Pereira da Silva, chefe da numerosa e valente família Pereira do Pajeú. A demissão, pelo governo provincial, do delegado de polícia, com a nomeação do Coronel Manuel Pereira da Silva, chefe do partido conservador em Serra Talhada, para a delegacia de Flores, causou consternação entre os liberais daquela localidade. Pelas ordens governamentais que recebera, Manuel Pereira deveria assumir, além da delegacia, a câmara e a Comarca.

Manuel Pereira teria mandado avisar a Nogueira Paz de sua nomeação e das ordens recebidas do governo. Nogueira, num assomo, teria respondido que somente à força das armas entregaria a Câmara e que, só mediante uma luta armada dever-se-ia transferir o domínio local. É de crer que "o Coronel Manuel Pereira da Silva não esperou por um segundo recado e tomou o caminho de Flores, acompanhado dos irmãos e de homens de sua confiança". Por outro lado, Nogueira Paz, prevenido e preparado como estava, pretenderia jogar uma cartada sobre o comando político local, mesmo que ela lhe custasse a vida, o que, de fato veio a ocorrer posteriormente.

Os dias 16 e 17 de novembro de 1848, se reservados às conversações, melhor serviram às tomadas de posição para luta iminente. Flores regurgitava de bacamarte e da fina flor do cangaceirismo do Pajeú e do Navio.

No dia 18, Flores era um paiol de pólvora prestes a explodir. Os integrantes das duas facções, enrolados em suas cartucheiras, exibiam espingardas e bacamartes carregados. Faltava apenas a fagulha. Esta veio, quando às 2 horas da tarde, o jovem Lúcio de Siqueira Campos disparou sua arma, no pátio da matriz, contra a fachada da igreja, por simples provocação. Começava o tiroteio, que duraria até às 7 horas da noite, mas sem que a fortuna pendesse para nenhum dos lados. Pela manhã do dia 19, José Antônio de Souza Paz, correligionário de Barbosa, que guarnecia a cadeia pública com sua tropa, reinicia o combate, detonando sua famosa granadeira, contra um grupo chefiado por José Francisco Cavalcanti, que chegava em auxílio dos conservadores, derribando, se não o cavaleiro, o primeiro cavalo daquela tropa. Às 4 horas da tarde, a vitória parecia pender para Barbosa. A essa altura, o valoroso chefe, fortemente influenciado pelos acontecimentos da Rebelião Praieira, deveria estar pensando, um tanto envaidecido, na repercussão que sua rebelião iria forçosamente tomar. Mas os víveres e as munições, dos dois lados, estavam se esgotando. As duas facções se mantinham em seus postos, como que empatadas.

O Coronel Manuel Pereira tinha a vantagem de maior predomínio de campo e controlava as vias de comunicação com o exterior. Nogueira Paz, permanecia no interior de sua casa, com a mulher, os filhos e rodeado de amigos.

No dia 20, que assinalaria o final da luta, pelas 11 horas, José Rodrigues de Morais , leal partidário de Nogueira Paz, dispara sua arma, da janela da residência deste, contra a casa onde se abrigava o Cel. Pereira, abatendo, com certeira pontaria o "cabra" Tonico Leite. A luta prosseguia e os beligerantes queimava os últimos cartuchos. Pelas 4 horas da tarde, porém, entra pela Vila, de inopino o Capitão Simplício Pereira da Silva, irmão do Cel. Manuel Pereira, acompanhado de uma tropa de 200 homens bem armados e municiados. Vinha desfechar o "golpe de misericórdia" contra Nogueira Paz, que se rende às 6 horas da tarde. Vencidos e presos em Flores, o Ten. Cel. Nogueira Paz, juntamente com quinze correligionários foram levados, por ordem do Cel. Manuel Pereira, para povoação de Serra Talhada, onde foram colocados em lugar seguro.

O cartório da cidade foi queimado e o incêndio alastrou-se por toda rua, favorecido pelo fato de serem as edificações quase todas pegadas umas nas outras (parede-meia). O Juiz de Direito e outras autoridades, por absoluta falta de segurança, tiveram que fugir e só regressaram depois de cessados os combates, com a rendição dos liberais.

No dia 06 de maio de 1851, o Presidente da província de Pernambuco, assinou a lei n° 280, que transferia a sede do município de Flores, bem como a da comarca, para povoação da Serra Talhada, que ficava elevada à categoria de Vila, com a denominação de Villa Bella.

Do livro: Flores do Pajeú
De: Belarmino de Souza Neto
Foto do Coronel Manuel Pereira da Silva.

AFRANI PEIXOTO

Por Verluce Ferras
Foto 1 - O médico na foto com outros acadêmcicos, inlcuisve com Machaddo de Assis.

Afranio Peixoto, médico, legalista, escritor, autor do livro Maria Bonita - publicado no ano de 1914 que virou também película de filme. Após isso, alguns jornalistas deram a alcunha (Maria Bonita) à cangaceira Maria de Déia, amásia do cangaceiro Lampião (muito tempo depois). Nem a Maria e nem Lampião jamais souberiam que ela recebera tal apelido - morreram sem tomar conhecimento do tal nome. A Maria era conhecida em seu meio como Maria do Capitão - e Lampião a chamava "Santinha".


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‎VERLUCE FERRAZ‎ PARA MITOS NO CANGAÇO



Afrânio Peixoto, Médico - Escreveu o livro Maria Bonita (ano de 1914) - e alguns jornalistas aproveitaram o nome para dar a cangaceira Maria de Déia, amásia de Lampião - Ambos os cangaceiros sequer souberam que ela havia recebido tal alcunha...



Júlio Afrânio Peixoto foi um médico, político, professor, crítico literário, ensaísta, romancista e historiador brasileiro. Ocupou a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 7 de maio de 1910, e a cadeira 2 da Academia Brasileira de Filologia, da qual foi fundador. 



WikipédiaDescrição
Nascimento: 17 de dezembro de 1876, Lençóis, Bahia
Nome nativo: Júlio Afrânio Peixoto


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A FESTA DOS CANGACEIROS ( na casa de Joãozinho de Donana Rego)

Por Sálvio Siqueira

O capitão Aníbal Vicente Ferreira, comandante das Forças de Operação na Bahia, comando esse regionalizado no nordeste do Estado envia uma carta ao cangaceiro Zé Sereno, conscientizando o mesmo, de que o Governo Federal perdoaria os atos de todos os cangaceiros restantes. Isso logo depois do dia 28 de julho de 1938 data em que foram mortos, Lampião, Maria de Déa, Enedina e mais oito cangaceiro e um volante, o soldado Adrião, na grota do riacho Angico, a margem direita do “Velho Chico”, em terras sergipanas.

Etelvino Mendonça, fazendeiro de posses natural de Itabaiana, SE, amigo de Sereno, é solicitado pelo mesmo que desse um jeito numa dor de dente que maltratava muito sua companheira Cila. A propriedade do amigo ricaço ficava próxima a Pinhão. Outro amigo do cangaceiro, Napoleão Emídio, da fazenda Lagoa Comprida, ordena que um de seus vaqueiros, o cabra Gringo, leve a cangaceira, disfarçada, na garupa da montaria e, na cidade, procurasse um dentista para a mesma.


O amigo Etelvino, hospeda a companheira de seus amigo cangaceiro, em sua casa, em Itabaiana. A vizinhança começa logo com um mi mi mi sobre a hóspede e, essa, é retirada daquela casa e ‘colocada’ na casa do delegado Fonseca, que também era amigo de Zé Sereno.

Enquanto a companheira fazia aquela viagem, Sereno recebe mais três missivas do comandante Aníbal, o capitão baiano.

Havia um cidadão em Pinhão chamado Joãozinho de Donana Rego, que sendo muito amigo do cangaceiro Corisco, permite que ele, Labareda e Zé Sereno façam uma reunião em sua casa. Essa reunião seria para discutir como seria a entrega deles, segundo a proposta do capitão, e de seus comandados.

Chegam a conclusão que realmente chegou a hora de todos entregarem-se. Essa decisão mexeu com todos os homens que faziam parte daqueles subgrupos, tanto que resolveram comemorar fazendo um forró.

Não só aqueles que participaram do lado dos cangaceiros, festejaram a notícia. Alguns volantes, também sofridos da terrível e duradoura campanha, que no local estavam, alegraram-se e fizeram questão de participarem da festança. Eles eram do destacamento da cidade de Bebedouro, e seu comandante, na ocasião, era o cabo Raimundo. Tinha dentre os policiais, apenas um que destacava em Pilão, era o soldado José Paes da Costa. Esse soldado tinha uma admiração muito forte pelo “Diabo Louro”, e não escondia de ninguém.

Lá pras tantas, com todos já suados de tanto dançarem e terem bebido bastante, tem uma surpresa.

O cangaceiro Balão, adentra feito louco e, junto dos chefes, relata que ele e mais três companheiro foram entregarem-se ao sargento Zé Luis, na cidade de Cariri. Lá chegando, em vez de qualquer outra coisa, levaram foi muito bala. Diz Balão que não sabe como escapou com vida, mas, que seus companheiros, Cruzeiro, Amoroso e Bom Deveras, tinham tombado na senda da guerra.


Como é de se imaginar, a festa teve fim naquele momento.

O amigo de Corisco, o dono da casa em que estavam, chama-o e lhe diz:

“-Cumpade, parece qui vai tê confusão. O cabo João Grande, chefe do distacamento daqui, ta cercando mia casa. Mandou chamá o sordado Zé Paes, qui ta me perguntando se vai ou se fica.

Corisco estranhou:

-Mais cumpade Joãozim, o cabo João Grande nun nos trata tão bem?
Quano nós chegou, ele apertou a mão de todo mundo... Ele devia tê vindo pra fsta tamém, cumo fez o cabo Raimundo...

- Pois é...- considerou Joãozinho. – João Grande é puxa saco do Tenente Ananiais.

O soldado José Paes perguntou:


_ Você deve cumpri as orde do seu superior – respondeu corisco.”(livro “Lampião – a Raposa das Caatinga”, IRMÃO, José Bezerra Lima. Pg 650. JM Gráfica e Editora Ltda, 2ª edição, Salvador. 20140)

Corre pra lá, corre pra cá, e naquele corre corre, o soldado Paes vai, mas volta e declara que ficará para lutar ao lado dos cangaceiros. Interessante é que o cabo Raimundo prontifica-se de, junto com seus soldados, lutarem ao lado do “Diabo Louro’.

O mundo fechou com tamanho tiroteio. A fumaça, junto com o cheiro da pólvora queimada incensa o lugar. Cangaceiros e soldados, usando outras casa,pulam nas matas e dão no pé sem que ninguém se ferisse.

Todos estão quase sem fôlego, e, param um instante, para recuperarem o mesmo.


Zé Sereno, sem explicar por que, mata o soldado que tanto admirava Corisco, em seguida vai em direção ao cabo Raimundo, com a nítida intenção de tirar-lhe a vida, no que é impedido por Corisco.

“- Você tá doido Sereno? Eles tavam nos ajudando, home! Eu vou até pagá as balas qui eles gastaro pra nos defendê!...” (Ob. Ct.)


Fonte Ob Ct.
Foto livro citado
Benjamin Abrahão Botto


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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

JUAZEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de setembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.184

MUSEU DO HORTO
Em Juazeiro do Norte, existe um monumento construído em homenagem ao padre Cícero Romão Batista. A estátua está locali zada na Colina do Horto onde há uma pequena igreja e um museu. Foi esculpida por Armando Lacerda em 1969. O engenheiro responsável pelos cálculos de engenharia da base da estátua foi Rômulo Ayres Montenegro. Antes, projetada com sete metros, foi redimensionada para 27 metros de altura. Padre Cícero nasceu no dia 24 de março de 1844 (no Crato), e faleceu em 20 de julho de 1934, com 90 anos de idade. Foi escolhido o “Cearense do Século”, em março de 2001. Em julho de 2012 foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos. Juazeiro ganha milhões de visitantes durante o ano todo com o movimento da religiosidade.
A paisagem vista do Horto para os arredores, não deixa de ser bonita, embora os pontos procurados fiquem muito distantes. Muita gente, apesar de ser dia comum, comércio ambulante de pequi e do seu óleo, chamava atenção. Dificilmente o romeiro não trás óleo de pequi do Juazeiro. Comprovadamente bom contra pancada e torcicolo. O movimento é continuado entre a estátua, à igreja e o museu. Várias pessoas circulando de joelhos o sopé da imagem, pagando promessas difíceis alcançadas. Ao deixarmos o Horto, chuva forte começa e arrasta uma das pontes da região.
Na cidade, uma das ruas estreitas do comércio parece um formigueiro de tanta gente. Defronte a Igreja de Nossa Senhora das Dores, amontoado de roupa vendido a preço ínfimo e inacreditável. Vários ourives no pátio vendendo ouro à moda antiga. Missa de hora em hora e padres galegos empurrando livretos de cordéis na venta dos presentes. Comércio de santo quase de graça, sem sentimento religioso nenhum. Cada quintal uma pequena indústria e o território inteiro cheio de histórias e misticismo.
Chega uma chuva forte de repente e a praça central se esvazia.  Ninguém sabe onde entraram os ourives. A chuva prolonga-se pela noite adentro. Notícia de morte em enxurrada. Juntam-se os panos, micro-ônibus lotado de mercadorias deixando o Juazeiro.
A chuva vem terminar em Poço das Trincheiras, Alagoas.


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PÁGINA COMPLETA DO JORNAL DO BRASIL, EDIÇÃO DE 2DE NOVEMBRO DE 1992. — COM VOLTASECA VOLTA.



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ZÉ SATURNINO – PRIMEIRO INIMIGO DE LAMPIÃO.



Trecho do documentário O PISTOLEIRO DE SERRA TALHADA exibido pela Rede Globo de Televisão no ano de 1977. O documentário mostra uma das poucas filmagens em que aparece o célebre Zé Saturnino que foi o primeiro inimigo de Lampião. No vídeo Zé Saturnino fala sobre a sua questão envolvendo Lampião e seus irmãos. 

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Esse documentário foi publicado inicialmente e na íntegra por Matheus Santos.

OBS: CLICAR NO LINK, ABAIXO E ASSISTIR O VÍDEO..



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PESQUISADORES NORDESTINOS CRIAM EM RECIFE O GRUPO DE ESTUDOS DO CANGAÇO DE PERNAMBUCO



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LIVRO RECOMENDADO


Não diz com quem adquirir.


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QUELÉ DO PAJEÚ 1969 COMPLETO


SINOPSE:O filme mostra o dia-a-dia de um grupo de policiais no sertão e a vida de um capitão do cangaço. Clemente Celidônio, mais conhecido como Quelemente, toca a boiada rumo à sua casa, em Pajeú das Flores, Pernambuco. Ao chegar, encontra a tragédia na família: Marizolina, sua irmã, fora violentada por um desconhecido. Sedento de vingança, Quelemente sai em busca do homem de quem Marizolina guardara dois detalhes: uma cicatriz no rosto e a falta de um dedo. Para esta busca, uma longa jornada, durante a qual viverá Quelemente muitas aventuras e conhecerá Maria do Carmo, que por ele se apaixona. Quando do Carmo já esperava criança sua, aparece Cesídio, o homem com as características do malfeitor. Na luta para deter Cesídio, Quelemente mata um soldado, o que o torna um perseguido pela justiça. Em dramática caminhada, Quelemente leva Cesídio e o Padre para sua casa, onde obrigará o sedutor a casar-se com Marizolina e ele próprio com do Carmo, iniciando logo após com o primeiro, uma luta de morte, interrompida pela chegada da polícia, que vem ao seu encalço. Quando as esperanças de sobrevivência são poucas frente ao cerco da volante, chega o Bando de Lampião, que dispara os policiais. Quelemente ingressa no Bando, batizado por Lampião como Quelé do Pajeú, um bravo. Do Carmo morre de vítima das balas da volante e Quelé, movido pela fúria de vingança, se integra definitivamente no cangaço.

Categoria


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LINHA DE TREM MOSSORÓ/RN – SOUZA/PB

Por Edvaldo Morais

Por muitos anos o trajeto Mossoró/Souza (ida e volta), na via férrea, transportava passageiros e cargas, tendo em seu itinerário cidades como Governador Dix-Sept, Caraúbas, Patu, Almino Afonso, Alexandria, dentre outras, entrando pela Paraíba até o destino final, a cidade de Souza, distante cerca de duzentos e quarenta quilômetros da terra de Santa Luzia. 

(Foto: Arquivo CBTU)

e Souza podia-se fazer conexão em outro trem até Recife/PE. A saída da composição em Mossoró era por volta das duas da tarde e a viagem chegava ao final pelas nove da noite. 

Na época eu morava na Rua Coronel Fausto, próximo a linha férrea e gostava, junto com os coleguinhas, de ir ver o trem passar. A locomotiva, seu estridente apito, os maquinistas acenando, passageiros acomodados que iam ficando nas cidades do trajeto, enquanto outros embarcavam. 

Uma longa viagem controlada pelo serviço de radio transmissor da REFESA/Mossoró. Um dos operadores era o saudoso Manoel Vicente de Morais, do Alto da Conceição. Velhos tempos, belos dias. 


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25 DE DEZEMBRO DE 1929, NO “DIARIO OFICIAL DO ESTADO DA BAHIA”

Do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio.

SECRETARIA DA POLICIA

Portaria

O Secretario da Policia e Segurança Publica, no uso de suas attribuições, tendo em vista o art. 11 da Lei n. 1897, de 2 de agosto de 1926, resolve designar o bacharel em direito João Mendes da Costa Filho, delegado de policia do termo séde da comarca de Maragogipe, para em commissão proceder o inquerito de referencia aos crimes commetidos na Villa de Queimadas, da comarca do Bomfim, por Virgolino Ferreira da Silva, vulgo “Lampeão” e outros, para onde deverá se transportar, afim de apurar as responsabilidades dos seus auctores e bem assim, de quantos prestaram auxilios para a practica desses crimes.

Secretaria da Policia e Segurança Publica, em 24 de Dezembro de 1929
Bernardino Madureira de Pinho.


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14 DE MAIO DE 1928 - ANTONIO SOUZA


Do acervo do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

14 de maio de 1928, no “A Tarde”:

O BANDO
de Antonio Souza

Uma força volante do Ceará destroçou–o em Araripe.

De conformidade com as bases do convenio policial, os Estados limitrophes ao da Bahia não dão treguas ao bando do destemido cangaceiro Antonio Souza, que ha dias vem revolucionando o sertão bahiano.

Hontem, o dr. Madureira de Pinho, secretario da Policia, recebeu do seu collega do Ceará o seguinte telegramma:

“Acaba de ser destroçado na serra do Araripe o grupo do bandido Antonio Souza, pela volante do ten. Aristides Rosa, que continua perseguindo os bandoleiros. Morreu na luta o bandido José Pereira, sendo capturado o criminoso Firmino e apprehendidos tres animaes.

Telegraphei nosso prezado collega de Recife, pedindo concurso companhia volante tenente Arindo, empenhada como se acha esta chefia em auxiliar o exterminio do banditismo. Saudações cordiaes. – (a) Paulo Pessoa, chefe de policia.”


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