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sábado, 21 de julho de 2012

Herculano Borges... A Vingança de Corisco

Por: Rubens Antonio

A raiz mais antiga da história aponta para uma ascendência mais antiga pernambucana, que migrou para a Bahia no final do século XVIII, aparecendo a família em 1812, em Monte Santo, na Bahia, com Rafael dos Anjos.
Este era proprietário de uma posse de terra na fazenda Abóbora, onde, mais tarde, se desenvolveu o cenário de um embate em que morreu o cangaceiro Mergulhão.
A partir daí, a família se espalhou rumo  Uauá e Vila Nova da Rainha, com Joaquim Cardoso da Silva Matos, filho de Rafael dos Anjos, sendo avô de Francisco Borges.
Entre seus descendentes destacaram-se os Borges de Sá, de Uauá, dentre os quais emergiram sete prefeitos dessa cidade.
Entretanto, o filho de Francisco cujo nome assumiu maior significado na História do Cangaço foi Herculano Borges, nascido em Uauá, cerca de 1881.
Herculano Borges, que se casou com Marta Moraes Salles, mais conhecida como a dona Ossanta.
Foi este Herculano Borges que, em 1931, aos cinquenta anos de idade, foi trucidado por Corisco...

2 de outubro de 1931, no “Diario de Noticias”
.Um negociante cortado em postas!
Corisco e seu grupo torturaram uma ex–autoridade policial
GUERRA IMPLACAVEL AOS BANDOLEIROS ATÉ QUE O SERTÃO SE LIBERTE DA PRAGA SINISTRA

Santa Rosa é um districto de paz do ex–municipio de Jaguarary, ultimamente annexado a Bomfim, de onde dista cerca de 12 léguas. Não é um lugar prospero: caracteriza–o o abandono em que jazem as localidades do Nordeste, onde apenas as feiras conseguem offerecerum pouco de vida, de movimento, de intensidade commercial, um dia em cada semana.
Em Santa Rosa residia o sr. Herculano Borges, sobrinho do coronel João Borges de Sá, de Uauá. Negociava com relativo exito, vivendo vida corrente e tranquilla com sua mulher e filhas. Era estimado e possuia amigos. Nada mais que isso desejava, para se considerar feliz.

NO “INDEX” DO BANDIDO
Um dia, indicaram–no para as funcções de subdelegado local. Relutou elle em aceitar, porque não era politico: disseram–lhe que esse seria um relevante serviço que ia prestar ao Governo e á população local, cooperando na campanha empenhada contra Lampeão.
Herculano Borges pensou melhor e aceitou o cargo; no exercicio do mesmo, fez–se uma autoridade util áquella campanha, trazendo o sicario apertado e, por isso mesmo, caiu–lhe no ról das pessôas condemnadas.
Além disto, o seu tio coronel João Borges de Sá é velho inimigo de Virgolino, tendo–o mettido, certa feita, na cadeia, em Uauá, quando elle era, apenas, tropeiro de Delmiro Gouveia.

PRIMEIRO, OS BENS INCENDIADOS
Lampeão, chefe dos bandidos, e como tal tido e obedecido por elles, conseguiu, ha tempos burlando a vigilancia da autoridade de Santa Rosa, penetrar, de surpresa, nessa localidade.
Herculano mal teve tempo de fugir com a familia, numa inevitavel viagem desabalada, vindo a fixar residencia, com suas cinco filhas menores, na cidade de Bomfim. Mas perdeu quanto possuia. O grupo sicario quebrou, espatifou, os moveis do seu perseguidor policial; na loja que elle possuia, praticou um saque de vandalos e depois, ateou fogo á casa com todo o “stock” nella existente.
Era o inicio da vingança.
Herculano experimentou, assim, o castigo de haver sido um homem de bem, que não compactuou com o crime, na sua vida de cidadão. Ficou residindo em Bomfim, não sem ir, de vez em quando, a Santa Rosa, menos para enfrentar o risco ou matar saudades, que por irrecusavel necessidade de alli commerciar, na feira local, ás sextas feiras, como negociante ambulante.

A ESMAGADORA SURPRESA!
No dia 19, penultimo sabbado de setembro, Herculano Borges, feita a feira na vespera, regressava, pela estrada quente, interminavel, a serpentear entre capoeiras sombrias, descampados nús de vegetação, a subir encostas fatigantes e a descer serrotes. Vinha montado e trazia suas mercadorias no lombo da burrama docil á voz do “pagem”...
Fazia calor e Herculano, cansado da viagem, fez uma parada, Apeou. Perto havia uma “cacimba”. Para ella encaminhou–se e, descuidado, pensando certamente na familia, que ia revêr satisfeito, abaixou–se mitigando, no fio claro dagua corrente, a sêde que lhe seccava a garganta.
Surpreendeu–o nessa posição o tropel de cavalleiros inesperados. Elle voltou–se, na convicção de que talvez se tratasse de algum caixeiro viajante. Mas, não; a divida durou o tempo de um relampago, porque alguem, do grupo, despertava–o para a negra realidade:
– Cel. Herculano, levnte–se para morrer, que vocês está com “Corisco” pela frente”

VERDADEIRO SUPPLICIO
Era, realmente, aquelle grupo composto do emulo de Lampeão, e de mais 9 cáibras, que detinham o infeliz sertanejo.
O crime deste era não ser “coiteiro”, era o de haver servido á sociedade contra salteadores e assassinos; era o de haver cumprido com o dever que assiste a todos os sertanejos, nessa luta contra os bandidos de Lampeão.
Não descreveremos o supplicio pelo qual padeceu, como um martyr christão, o sr. Herculano Borges.
Amarraram–no.
Cortaram–lhe os braços.
Cortaram–lhe os pes.
Degollaram–no.
E, esquartejado, feito em postas, os pés sangrentos dentro das botinas, foram seus restos mortaes enfiados em estacas, como demonstrações do quanto é perverso o odio da horda de Lampeão...

PELO SANGUE DERRAMADO, GUERRA AOS SICARIOS!
O doloroso fim desse sertanejo deve inspirar ás populações do Nordéste um compromisso sagrado – o de lutar, ao lado da Força Publica, contra os sicarios.
Pelo sangue que elles teem derramado das victimas que surpreendem, o de prestigiar os perseguidores da gente de Lampeão, dennunciando–lhes os seus “coiteiros”.
É proposito do Governo do Estado não dar tréguas a Lampeão, lançando em pratica um traçado modo de campanha que não póde ser divulgado, mas que deve ser facilitado.
O Capitão Facó espera, conforme ainda hoje declarou ao DIARIO DE NOTICIAS, que os sertanejos favoreçam as tropas volantes com um ambiente de facilidações, contando para isso com o auxilio da imprensa. É o que fazemos – apontando esse novo barbaro crime á execração geral!
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Aparece em Felippe de Castro (1975), a narrativa do início do problema:
Corisco foi para a cidade de Bonfim, corrido, afastando-se para sempre da região de Glória e Pedra de Delmiro. Na nova cidade que passou a residir iniciou vida nova, negociando com bugingangas na feira - era camelô - aos dezessete anos.
Certo dia, Herculano Borges, delegado de polícia daquela cidade, homem, segundo conceito popular, de máus bófes, recebe de um dos fiscais da feira uma queixa contra o camelô, acusando-o de sonegação de imposto, naquela época, cinqüenta réis de ocupação do solo. Apresentado ao delegado, este indaga-lhe o motivo da protestada recusa, tendo o acusado se justificado, alegando já ter pago a outro fiscal, por isso que a acusação era injusta. Não se conformando, todavia, o delegado, mandou recolhê-lo ao xadrez debaixo d eimpropérios ofensivos, culminando por agredi-lo com um pontapé nas nádegas. Sabe-se que no percurso da feira ao quartel, onde ficava o xadrez, os soldados da escolta espancaram o rapaz que, raivoso com o ato injusto e violento, prometeu vingar-se declarando, em presença do próprio delegado, chorando de ódio: “Quando eu saí daqui o sinhô me paga seu Herculano”. Só depois de vinte e quatro horas soltaram-no.
Desesperado com os maus tratos que lhe deram, injustamente, resolveu vender o que tinha e com o produto desse negócio comprou um rifle e internou-se nas caatingas.”
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Depoimento de Raimundo Gonçalves, nascido em 1926, em Jaguarari:


"Eu tinha catorze anos, quando o Arthur Gonçalves me contou tudo como foi, e ainda sei dos detalhes... Tudo, no início, ia bem aqui, em Jaguarari... O Corisco e o Arvoredo viviam aqui na maior tranquilidade... Lidavam com comércio. Eram só dois bons rapazes que eram amigos... Não tinham nada demais e não mexiam com ninguém... Moravam ali numa ponta de rua... Eram tempos muito diferentes de agora... Qualquer coisa diferente e vinha lá o “vou te matar”... A polícia era um horror... Agora, é uma tranquilidade... Os policiais são treinados e educados, mas, naquele tempo, eram os delegados muitos recrutas novos... e que se faziam autoridade sem recursos... O Herculano Borges, não sei porque bem, pegou o Corisco e prendeu e bateu mesmo nele... Sei que foi muito ruim... E o Corisco passou as coisas dele e caiu no mato... Virou cangaceiro... Muitos anos depois, ia lá Herculano, que começou a fazer mascate, a comerciar, pelos caminhos, lá pelas bandas de Santa Rosa de Lima... Saindo pouco depois do Pilar, tomando a estrada... Acontece que aqueles que são jovens mudam muito... Nós, os mais velhos, mudamos pouco... E ele deu lá o azar dele, e acabou topando justamente com o Corisco no caminho, na altura da Fazenda Bom Despacho.
Corisco perguntou se ele não era o Herculano Borges... e ele confirmou... De Jaguarari? E ele confirmou também... E Corisco prendeu Herculano... Passou a noite já amarrado crucificado, assim, com os braços abertos... No outro dia, pela manhã, Corisco tirou as unhas uma a uma... Depois foi tirando parte por parte dos dedos... A pele todinha... Herculano Borges sofreu uma morte horrorosa... No final, estava dividido em um monte de pedaços...
Depois foram lá e cataram tudo... Colocaram num saco... Ele chegou aqui foi todo fatiado, espedaçado, dentro de um saco...
Enterraram os pedaços aqui, no cemitério de Jaguarari...
Coisa mais triste..."
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Depoimento de Bertolino Evangelista da Silva, em 1995, aos 89 anos, que aparece em Oleone Fontes (1996):
"Corisco e Arvoredo, cansados do cangaço, decidiram abandonar o bando de Lampião. Em Santa Rosa de Lima tornaram–se protegidos de fazendeiro com quem trabalharam.
Herculano, sub–delegado no povoado, ao saber que antigos bandoleiros ali viviam, resolveu enquadrá–los denunciando-os ao delegado de Polícia de Jaguarari. Presos, tempos depois ambos fogem e recaem no grupo de Lampião.
O sub–delegado é jurado de morte.
Ao deixar o cargo, Herculano volta a realizar negócios em fazendas, povoados, arraiais, cidades, tangerino de tropa de burros. Mercadeja tecidos. Cauteloso, procura cercar–se de segurança antes de adentrar esta ou aquela estrada.
Há indicios de o encontro entre o comerciante e os bandidos ter sido casual, segundo podera o depoente.
Assim Corisco deu a entender. O grupo estava estacionado nas proximidades de cacimba e procedia da fazenda Cachoeira. Herculano e o arrieiro vinham do povoado Abóbora, na direção de Santa Rosa de Lima. Também procuravam água na mesma cacimba. e dão com o bando.
Herculano, reconhecida, fica sob as ordens do Diabo Louro.
Os cabras amrram–no. Dormem no mato. Na manhã seguinte o almocreve é levado e amarrado de cordas até o terreiro da casa em que vivia a família de Bertolino e seus pais, Quintino Alves da Silva e Ana Evangelista da Silva. O comerciante era velho amigo e frequentador daquela casa acolhedora.
Próximo ao batente do casarão, Corisco apontou para o sub–delegado manietado e indagou de Bertolino se o conhecia. Em seguida o Diabo Louro roumpeu emlamúrias. Fora obrigado a ingressar naquela vida por culpa do tropeiro que o escarreirara de Santa Rosa de Lima, correria que terminou em senhor do Bonfim. Naquele dia, por acaso, quiseram os fados que ambos se reencontrassem.
Friamente, Corisco saca do revólver e detona duas balas, uma no olho, outra no pescoço do comerciante. Dois cabras são intimados a esquartejar o cadáver, ainda quente, vários pedaços distribuídos pelas estacas da cerca.
Ainda segundo seo Bertolino, Herculano não suplicou uma só vez que lhe poupassem a vida. Se o fez deve ter sido durante o período em que esteve nas mãos dos bandidos, na noite anterior.
Os restos mortais, em pedaços, foram enterrados no quintal, após a retirada dos cangaceiros. Ainda hoje se pode observar o que sobrou da tosca cruz, cujas hastes, carcomidas, foram colocadas na posição original, para as fotos.
A viúva, D. Ossunta, passado algum tempo, foi à fazenda Bom Despacho, recolheu os despojos do marido, levou–o conigo para lhe dar sepultura digna."
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Depoimento de João Alves Guimarães, nascido a 04 de agosto de 1917, em Abóbora, então pertencente ao Município de Jaguarary, atualmente pertencente a Juazeiro:
"O Herculano Borges foi aprisionado na roça do meu pai, na Fazenda Bom Despacho... O Corisco foi muito cruel... Meu pai viu tudo e me contou... Ele pegou e amarrou o Herculano de jeito passando as cordas pelos pulsos, não em volta, mas por dentro... Furou a carne para passar a corda entre os ossos... Ele pegou o meu pai e colocou ali junto. Amarrou o Herculano num pé de pau pra ele ficar ai a noite inteira... Corisco obrigou o meu pai a ficar olhando para ele, vigiando... Se o meu pai não ficasse cuidando, ele depois desgraçava era com tudo do meu pai... No outro dia, botou o Herculano pendurado com os pés pra cima, sem a roupa... Começou a ir tirando a pele, bem devagarzinho... tirando e tirando... Foi tirando as coisas... Quando ele morreu, primeiro abriram que nem bode... Esquertejaram o Herculano Borges... E Corisco colocou os pedaços assim, espalhados, pelos pé de pau e cerca... Foram dez pedaços... O meu pai que depois juntou e enterrou... Depois levaram pra Jaguarari... Dez pedaços..."
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Dona Ossanta, viúva de Herculano Borges, só viria a falecer em Serrinha, em 1994. (Borges, 1996)

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: Rubens Antonio
http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2012/07/herculano-borges-vinganca-de-corisco.html


Se você gosta de música, faça uma visitinha ao blog: Cantinho da Música", http://mendespereira.blogspot.com.br/,
é filho do blog do Mendes e Mendes. Mas se não gostar, fique no tradicional, que tem muito mais informações para você, e nunca mais vá lá ao "Cantinho da Música.

A ILHA DO COQUEIRO SOLITÁRIO PEDE SOCORRO EM MEIO AO LIXO, SUJEIRA E PICHAÇÃO

Por: Rostand Medeiros

Em 1999 conheci grande parte do litoral sul de Pernambuco, em uma viagem que começou em Natal e só finalizou na foz do Rio São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe.

A Ilha do Coqueiro Solitário

Na época segui em um valente Chevette 1.6, movido exclusivamente a álcool, sem ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos e outras modernidades. E foi uma viagem maravilhosa.

O caminho segue em meio a canaviais e…

Maravilhosa pelas descobertas de locais fantásticos, que ainda se encontravam intocados antes da invasão estrangeira, especulativa e imobiliária das nossas belas praias.
Pessoalmente não sabia da existência da praia do Porto, que neste local existia uma “ilha” e que a mesma possuía um solitário coqueiro. Na época a descoberta foi incrível.

…e algumas áreas de mata.

Agora, neste primeiro semestre de 2012, decidi retornar e encontrar a mesma ilha que foi tão surpreendente.
Saí de Natal no meu Renault Logan, equipado com tudo que tem direito, esperando encontrar um acesso coberto de asfalto. Mas para minha surpresa, ao chegar próximo ao município pernambucano de Barreiras, descobri que a estrada para a praia do Porto continua de barro e que a praia continuava a “-Não ter nada de futuro”, segundo a informação de um transeunte local.

Enfim o mar se aproxima.

Lembrei-me que em 1999 tive de largar o Chevettinho, literalmente, no meio do mato e caminhar uns dois quilômetros, pulando porteiras e na eminencia de levar algum balaço de um proprietário mais radical. Agora descobri que na praia do Porto havia um bar. Bom, pelo menos havia um ponto de apoio e, teoricamente, as porteiras estariam abertas.
O acesso é muito difícil para um Logan, que sofreu muito, mas foi em frente. Chegar à esta praia é uma verdadeira aventura e um desafio. A sinalização é quase nula, a erosão no leito de barro do caminho é forte, exigindo seguir devagar, pois precisava voltar e não sou nenhum nababo para ter num segundo veículo.

Último ponto para meu carro.

Porém o visual do caminho, em meio a extensos canaviais, entrecortados com caminhos no meio da mata é maravilhoso, uma benção.
Quando o hidrômetro do carro marcava quase 10 quilômetros de barro, buracos e muita lama, chegamos a um maravilhoso coqueiral a beira mar, sem um pé de gente e com a bela Ilha do Coqueiro Solitário ao fundo.

A Ilha… No dia da minha visita encontrei dois pescadores da Comunidade da Várzea do Una, que pescavam de tarrafa.

Realmente vale a pena chegar nesse paraíso e deleitar-se com a paisagem da praia desértica
A ilhota é formada por pedras enormes, cuja disposição se estendem até o mar, formando piscinas naturais protegidas do vento e das ondas. A única vegetação é o famoso coqueiro que dá nome à ilha. Consta que esta venturosa árvore cresceu sozinho entre as pedras.

Uma vista em direção ao norte da ilha.

O local está próximo a beira mar, mas para galgar as pedras só é possível com a maré baixa, quando surge um acesso formado pela areia. A ilha passa a maior parte do tempo deserta, sendo visitada por pescadores e turistas e não há qualquer tipo de comércio. Descobrimos que o tal bar só abre na alta estação.

Muito silêncio e tranquilidade.

Para alguns esta praia do Porto foi um dos possíveis pontos de desembarque dos holandeses na época da invasão batava ao Nordeste do Brasil. A razão dos holandeses buscarem este local como ponto de apoio de suas naus, a mais de 100 quilômetros ao sul de Recife, estava na existência de ricos engenhos de cana-de-açúcar. Estes se localizavam nas atuais áreas rurais que atualmente compõem os municípios pernambucanos de Barreiros, Tamandaré, São José da Coroa Grande e produziam muita riqueza naquela época.

A ilha vista do alto e durante a maré cheia. Fonte – http://fatoecuriosidademundial.blogspot.com.br/2011/08/ilha-do-coqueiro-solitario-em.html

Inclusive me informaram que territorialmente a Ilha do Coqueiro Solitário pertence ao município de Barreiros e que na região existe um projeto de construção de um resort cinco estrela, de capital europeu.
Realmente não existem casas no lugar, o silencio impera, ouve-se apenas o barulho do mar quebrando na areia e o vento nas palhas dos coqueiros.

O coqueiro em meio aos restos da civilização e da pichação.

Mas, apesar de tudo, algo não estava correto!
Em um primeiro momento, depois de encarar a dura estrada em um carro que não foi especificamente criado para aquilo, seguindo devagar, com calma, ao chegar à beira mar não me dei conta em um primeiro momento de algo muito negativo.

O descarte de lixo de piqueniques ocupa uma grande área na praia.

Aparentemente a praia do Porto é muito visitada por hordas de pessoas que realizam piqueniques e deixam uma grande quantidade de lixo e muita sujeira. Não faltam marcas de fogueiras, estacas usadas para colocar lonas, restos de cordas usadas para armar redes de dormir, muita garrafa pet, plástico e todo tipo de porcaria.

Sem comentários…

Para completar o quadro triste não faltam pichações nas pedras da Ilha do Coqueiro Solitário. São principalmente marcações de nomes de pessoas que, na sua mediocridade, imaginam que perpetuam sua miserável existência, gravando seus nomes naquelas rochas que conheci limpas.

Um tipo de arte bem atrasada.

É uma pena que em um local tão belo ocorra este tipo de situação.

No dia da nossa visita.

Todos os direitos reservados


É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor. 

Extraído do blog: "Tok de História", do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand Medeiros

Hoje na História de Mossoró - 21 de Julho de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 21 de julho de 1936 aconteceu um tiroteio entre comunistas e tropas da Policia, no sitio Cigano, distante 15 quilômetros da cidade, de que resultou a morte do extremista José, conhecido por Alemão.
               
O referido grupo comunista premeditava exterminar várias pessoas de Mossoró, implantando o terror entre agricultores e salineiros.
               
Era chefiado por Miguel Moreira e Marcelino, também fazendo porte o extremista Manuel Torquato, mais tarde assassinado por um seu colega do bando.

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É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.


Autor: 

Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:


ALUNO DO MUNDO (Crônica)


Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Não costumo faltar às aulas da vida. Quando tenho de ausentar-me é para inevitavelmente cometer algum erro também na vida.

Sempre me esforcei para ser bom aluno. Ouço atentamente cada lição, guardo tudo comigo e depois vou repassando tudo no dia-a-dia. Nem sempre tiro boas notas diante da imperfeição que em mim reconheço.

Mas o que aprendo, aprendo. Se esqueço ou me omito em praticar o que sei, o que aprendi, é por culpa própria. Não sou nem nunca serei daqueles que jamais reconhecem suas limitações nem admitem errar.

Os outros que aprendam ou não suas lições. De vez em quando até posso ajudar na recordação de algum ensinamento, mas cabe a cada um ter o seu próprio mérito. Ademais, não adianta ensinar a quem nunca aprende ou simplesmente não quer aprender.

Aprendi que muita gente se julga doutora em tudo, sabida demais, invencível. Passa diante da sabedoria e não dá nem bom dia; se vê diante da ciência e ignora, cruza com o conhecimento e menospreza a sua presença.


Do meu lado, caminho sempre procurando fazer valer a lição aristotélica: só sei que nada sei. E por ser assim julgo de grande utilidade tudo que possa vir a mim como forma de sabedoria, de lição, de conhecimento.

Não há caminho melhor de se seguir do que aquele na linha divisória entre a ciência e a sabedoria popular. Daquela as doutrinas, as fórmulas, as teorias; desta um verdadeiro arcabouço de praticidade e útil sabedoria.

Com o matuto aprendo, por exemplo, sobre a medicina caseira, sobre a plantação e a colheita, sobre a importância da fé e da religiosidade. E também não encontro nos livros o fazer das manifestações populares, o folclore autêntico de um povo, sua produção cultural e artesanal.

Não obstante tais lições colhidas no percurso, jamais me abstenho de levar comigo aquelas outras já nascidas no seio familiar. De fundamento espiritual e religioso, me permitem reconhecer se estou agindo, ou não, segundo os mandamentos divinos, praticando as boas virtudes, estando no mundo sem deixar de conviver com o meu Deus.

Esse estar com o meu Deus me levou a muitas reflexões sobre sua real possibilidade. Perante a maioria das pessoas Deus é uno, é o mesmo entre todos e para todos, na sua onipresença, onisciência e onipotência. Um dia decidi que não queria um Deus assim, me aproximando até de um egoísmo religioso.

Mas não era nada disso, pois descobri que é possível ter um Deus próprio, e este mesmo sendo a divindade de todos. Explico. Ora, se o coração é um templo, talvez o nosso maior, e posso transformá-lo na minha igreja, local onde cultivo e guardo toda minha fé, então existe um Deus próprio dentro desse templo/coração.

Desse templo tão dentro de mim é que louvo a tudo que mereça ser louvado, cultuo aquilo que mereça ser cultuado, me regozijo na alma e me penitencio perante os deslizes na estrada. E é nesse templo que vivo ajoelhado pedindo proteção ao meu Deus para cada passo que dou, para tudo que faço.

De resto, só me resta ir construindo fortalezas com cada grão que encontro. Se o grão me chega aos olhos querendo feri-lo, ainda maior será a vontade de cimentar a vitória, erguendo a partir dele a certeza de que o ser humano não se curva diante de um vento ruim que logo passará.


E se for bom esse grão, se à minha presença chegar igual semente, então guardarei no meu alforje de caminhada e o semearei quando o momento mais propício chegar. E qual o melhor momento para semear o bom grão, alguém perguntaria.

Responderia que depende de cada um. Quanto a mim, sempre escolho o primeiro instante de cada manhã, nos campos que se estendem além da janela. Lá fora a vida, e eis o campo fértil para minha semente.


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Laser Vídeo - Entrevista com Dona Francisca Silva Tavares

Aderbal Nogueira

No dia 10 de julho deste, em companhia do poeta, escritor e pesquisador do cangaço, Kydelmir Dantas, e José Mendes Pereira, o cineasta e pesquisador do cangaço, Aderbal Nogueira, cearense, fez um documentário em Mossoró, com Dona Francisca Silva Tavares, viúva do ex-cangaceiro Antonio Luiz Tavares - o Asa Branca. 

As fotos abaixo foram feitas pelo próprio cineasta, na residência da entrevistada. O documentário (vídeo) está guardado em seu acervo, que servirá para seus futuros trabalhos. 

Francisca Silva Tavares
Foto de Francisco Tavares da Silva, assassinado aos 24 anos, e seu pai Asa Branca.
Kydelmir Dantas, Dona Francisca Silva Tavares e José Mendes Pereira
Kydelmir Dantas, Dona Francisca Silva Tavares e José Mendes Pereira
O cineasta Aderbal Nogueira, Dona Francisca Silva Tavares e José Mendes Pereira
Aderbal Nogueira, Dona Francisca  Silva Tavares e Kydelmir Dantas
Viviane, neta de Dona Francisca Silva Tavares e do ex-cangaceiro Asa Branca
Antonio Esmeraldo Tavares - Cride, filho de Dona Francisca Silva Tavares e do ex-cangaceiro Asa Branca
Dona Francisca Silva Tavares e a filha Maria Gorete Tavares Barbosa
Dona Francisca e Gorete
Dona Francisca Silva Tavares
Dona Francisca Silva Tavares
Dona Francisca Silva Tavares


Nota bastante importante:


Por que Dona Francisca Silva Tavares, com 75 anos de idade, foi esposa do cangaceiro Asa Branca, que se hoje ele estivesse vivo, estaria com 111 anos?
Resposta: Dona Francisca era a segunda esposa do cangaceiro Asa Branca. Quando ela foi viver com o cangaceiro, estava com 17 anos, e o Asa Branca já passava dos cinquenta anos.


Uma produção da Laser Vídeo -  do cineasta e pesquisador do cangaço: Aderbal Nogueira

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PENHA

Por: Clerisvaldo B. Chagas -  Crônica Nº 823
Clerisvaldo B. Dantas

Já sim. Já escrevi uma vez sobre a Igreja de Nossa Senhora da Penha, do Rio de Janeiro. Mas agora me bateu uma coisa, um negócio, uma vontade enorme de me referir a Igreja da Penha. Uma defesa de Nossa Senhora levou-me de imediato o pensamento às escadarias daquele penhasco fabuloso. Um dos escolhidos lugares do mundo que desejaria conhecer, estive perto e não pude. Gostaria muito, muito de imitar Gonzaga quando bate a tristeza:

Fonte: Blog da Igreja de Nossa Senhora da Penha.

Demonstrando a minha fé
Vou subir a Penha a pé
Pra fazer minha oração” (...)

“Penha, Penha...
Eu vim aqui me ajoelhar
Venha, venha
Trazer paz para o meu lar”

Localizada na Vila Cruzeiro, no Bairro da Penha no Rio de Janeiro o  santuário católico Igreja de Nossa Senhora de França é popularmente conhecido como Igreja da Penha. Um dos cenários mais bonitos do mundo está ali naquele penhasco com seus 382 degraus, onde muitos fiéis fazem e pagam promessas subindo os batentes a pé ou de joelhos.

“Nossa senhora da Penha 
Minha voz talvez não tenha 
O poder de te exaltar 
Mas dê benção padroeira 
Pra essa gente brasileira 
Que quer paz pra trabalhar”

Na época em que eu quis fazer essa visita, ninguém de fora podia chegar à entrada dos morros. O santuário estava à mercê dos bandidos e os turistas mantinham distância das zonas perigosas. Vou ficando, então, com essa página musical de Luiz Gonzaga, tão bonita quanto “Asa Branca”, o “Baião da Penha”.

“Penha, Penha...
Eu vim aqui me ajoelhar
Venha, venha
Trazer paz para o meu lar...”

Extraído do blog do romancista e cronista:
Clerisvaldo B. Chagas

OS SENHORES DO AÇOITE (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

OS SENHORES DO AÇOITE (Crônica)

A palavra açoite talvez tivesse surgido para agradar o poeta, para animar o vento, para ser exatamente o contrário daquilo que se transformou por muito tempo. Ora, seria muito melhor que servisse apenas para rimar com noite ou para mostrar como a ventania chega voraz.

Na outra vertente que deram a palavra, o açoite tomou medonho sentido. E tão medonho que logo faz lembrar os negros escravos sendo açoitados, daquelas tristes figuras humanas amarradas ao tronco levando chibatada, sendo lanhadas pelos couros cortantes dos seus algozes.

Longe do sentido humano da palavra, logo faz lembrar seus usos e suas nefastas consequências. O arreio num canto, a corda na cintura, a corrente ao alcance, a tira desumana e cortante na proximidade, uma sombra ainda suja de sangue de outras costas pendurada na parede.

Açoite. A noite da face, do corpo, da boca aberta, do gemido do grito. Açoite. A noite na claridade, no meio do tempo, dentro da senzala, no festim dos insanos, nas mãos dos covardes, no curral dos desvalidos, em qualquer lugar. Açoite, rimando com noite, mas somente na cor da dor.


O que é o açoite? Homem branco não conhecia resposta, apenas sabia usar. O negro nem imaginava responder sem sentir passo fúnebre em sua direção. O capataz, o algoz, o senhor-do-mato, o rastreador, o que vai no encalço fugitivo, todo ele sabia muito bem do que se tratava. E tanto era amigo que fazia valer a plenitude mais desumana do seu significado.

Açoite.  Azorrague, chicote, látego, vergasta, chibata, couro, cordame, calabrote, chiqueirá, junco, vara afiada, canaflecha, tudo a mesma coisa: a arma ou instrumento utilizado para açoitar, reprimir e castigar não só os negros rebeldes, fugitivos, indisciplinados, mas também todo trabalhador submetido às ordens de um sanguinário e desumano senhor.

Açoite. Pancada com a chibata, golpe com o chicote, investida na pele desnuda com o azorrague. Instrumento utilizado para diminuir a capacidade do ser humano, para denegrir sua imagem, para submetê-lo, para fazê-lo sentir na pele e no espírito a dor de ser rebelde e desobediente. O açoite como limite da ação humana e como fronteira de sua liberdade.

Tempos tristes aqueles, e tristes tempos também estes ainda sombreados pelo açoite. Na época da escravidão oficial não havia remédio melhor para combater negro safado, astuto, fugitivo, como diziam dentro e ao redor do engenho. Açoitava o rebelde onde fosse encontrado e mais ainda quando já estivesse amarrado ao tronco, no cenário ideal para o festim da desonra humana.

O negro já chegava todo alquebrado dos castigos impingidos desde o instante da captura. Depois de amarrado recebia os primeiros açoites, as primeiras feridas para não esquecer os motivos de estar sendo castigado. Em seguida era levado em cortejo, puxado feito animal bravio e jogado no terreiro das aflições.


Ali no pelourinho do engenho, local ideal para fincar o imenso tronco da correção, o coronel de terno de linho branco era chamado para ordenar os limites do castigo. Para não sujar sua roupa de respingos de sangue, logo apontava o dedo em direção ao carrasco, que geralmente era o feitor, e segredava-lhe ao ouvido.

De repente e os escravos eram trazidos da senzala para rodear o impiedoso tronco da tortura e ali assistir seu irmão de sangue e de sofrimento ser castigado. Aquele que baixasse a cabeça ou fechasse os olhos também era açoitado. Não era difícil que algum negro forte fosse chamado para levantar a chibata e descer no lombo do seu irmão.

A chibata abria ferida no lombo, nas costas e por todo lugar, o sangue espanava em todas as direções e o negro sob ameaça de outro açoite para continuar mortificando aquele que sofria calado, que não gemia, não chorava, não gritava, recolhendo-se apenas no seu silêncio de quase morte.

Depois jogavam por cima água com sal grosso e deixava o negro ali mesmo no meio do tempo. Talvez salgando a carne humana para os urubus. E desse açoite ainda sentimos na pele vestígios e sombras de sua dor.

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com



1ª Chamada - Fazenda Angico - Poço Redondo - SE - Brasil


Intimou-lhes: Vera Ferreira

lampiaoaceso.blogspot.com

DE ONDE VEM O MITO DE LAMPIÃO

Por: Manoel Severo

Não obstante o fenômeno do cangaço tenha abrangido sete dos nove estados do nordeste, foi o interior pernambucano que deu origem aos mais destacados personagens desta epopéia brasileira; Sebastião Pereira e Virgulino Ferreira. Na verdade ambos nasceram na chamada microrregião do Vale do Pajeú, mas precisamente na cidade de Vila Bela, que a partir de 1942, passou a se chamar Serra Talhada por proposta do interventor de Pernambuco na época, Agamenon Magalhães, filho ilustre do lugar. O Vale do Pajeú é composto por dezessete municípios, tem clima semi-árido na grande maioria de seu território, com exceção da região do chamado “brejo de altitute” onde se localiza a bela Triunfo. Seria ali no Vale do Pajeú, com seus municípios e vilarejos, entre os quais: Afogados da Ingazeiras, São José do Egito, Solidão, Santa Cruz da Baixa Verde, Flores, onde se desenrolariam os primeiros atos da sinfonia cangaceira de Lampião.

Lampião por telaetinta.com. br

Não obstante o fenômeno do cangaço tenha abrangido sete dos nove estados do nordeste, foi o interior pernambucano que deu origem aos mais destacados personagens desta epopéia brasileira; Sebastião Pereira e Virgulino Ferreira. Na verdade ambos nasceram na chamada microrregião do Vale do Pajeú, mas precisamente na cidade de Vila Bela, que a partir de 1942, passou a se chamar Serra Talhada por proposta do interventor de Pernambuco na época, Agamenon Magalhães, filho ilustre do lugar. O Vale do Pajeú é composto por dezessete municípios, tem clima semi-árido na grande maioria de seu território, com exceção da região do chamado “brejo de altitute” onde se localiza a bela Triunfo. Seria ali no Vale do Pajeú, com seus municípios e vilarejos, entre os quais: Afogados da Ingazeiras, São José do Egito, Solidão, Santa Cruz da Baixa Verde, Flores, onde se desenrolariam os primeiros atos da sinfonia cangaceira de Lampião.

Os maiores destaques do Vale do Pajeú, sem dúvidas eram os municípios de Triunfo e Vila Bela. Triunfo, uma bela cidade serrana onde se localiza o ponto mais alto do estado de Pernambuco (1.004 metros), região brejeira, possuia uma economia baseada na agromanufatura de rapadura e no minifúndio, dessa forma possuia uma vida um tanto mais urbanizada e de comércio mais organizado e desenvolvido que Vila Bela, sua elite política e intelectual composta de comerciantes, médicos e juristas se distinguiam da de Vila Bela formada basicamente pelos coronéis do gado; a aristocracia rural; que com o desenvolvimento da pecuária bovina e caprina juntamente com a agricultura eram a base da economia vilabelense. Ali estariam o berço dos irmãos Ferreira, Antônio, Livino e Virgulino, ligados ao clã dos Pereira, que ao lado dos Carvalho, disputavam o poder político local.

Caravana Cariri Cangaço em Serra Telhada: 
Severo, Jack de Witt, Anildomá, Bosco André e Zé Cícero

Muito se tem estudado sobre o real caráter do cangaço: suas origens, implicações, correlações, enfim. Historiadores, sociólogos, antropólogos, médicos, acadêmicos como um todo; escritores, curiosos, enfim têm se dedicado ao longo dos últimos anos ao estimulante e desafiador estudo sobre o que realmente representou tão emblemático fenômeno nordestino. É natural que as causas principais de tão comentado fenômeno estejam ligadas às condições sociais a que os sertanejos nordestinos do início de século estavam submetidos. As desigualdades sociais inerentes a uma política desastrosa de ocupação da terra; nascida com certeza, desde a colonização e as famosas sesmarias; que privilegia os grandes latifúndios; as constantes épocas de estiagem e pobreza, a ausência de um poder central forte e atuante diante das mais elementares demandas da pobre gente do sertão, concentrando de forma exacerbada o poder dos famosos coronéis de barranco, sujeitos à expropriação e à exploração, às injustiças, à violência, enfim; entretanto, esse seria apenas o pano de fundo de um fenômeno que não se encerra nos pontos acima citados.
Seriam os cangaceiros vingadores dos oprimidos? Seriam os cangaceiros elementos que estavam a serviço da justiça social e de uma melhor distribuição de terra? Seria o cangaço um movimento armado que nasceu para combater o poder dos coronéis, ou seriam apenas indivíduos de natureza condenável que diante de circunstancias desfavoráveis passaram a fazer parte do mundo do crime?

Bando de Lampião enquanto fotografado pela epopéia de Abrahão Benjamim

Podemos nos deter sobre vários correntes de estudo. Uma delas tem como referência o trabalho do renomado historiador britânico; nascido no Egito; Eric Hobsbawm, em seus livros Primitive Rebels, de 1959, e Bandits de 1969. Principalmente neste último, com a tese do Banditismo Social, que é enfocado como uma forma de resistência camponesa, sendo um fenômeno universal, uma vez que segundoHobsbawm, os camponeses teriam todos eles um modo de vida muito parecido, pela forma como se davam suas relações de trabalho e sociais, deste modo se traçariam as similaridades com os sertanejos do nordeste brasileiro; notamente de formação populacional eminentemente rural. Ainda recorrendo a Hobsbawm definiríamos a delinqüência rural em três tipos de bandidos: o nobre, tipo Robin Hood; os guerrilheiros primitivos; e o vingador. Temos ainda o antropólogo e estudioso holandês Anton Blokque em um artigo de 1972 critica em alguns pontos o modelo do banditismo social deHobsbawm, quando enfatiza que as populações rurais na verdade foram muitas vezes vítimas dos bandidos, que atendiam na verdade aos interesses das elites dominantes, em detrimento dos mais humildes, elites essas sem as quais não se sustentariam.

Em tese o cangaço poderia até ser compreendido como um movimento criado para combater a dominação dos coronéis; o que vamos observar, no entanto, é que acabaria sendo estabelecida uma relação simbiótica entre as partes; teoricamente de interesses contrários; cangaceiros e coronéis tornaram-se parte de um mesmo corpo, corpo doente e nocivo, um dependendo do outro, e que muito mal acabou causando principalmente aos mais humildes deste lado do Brasil. É interessante pontuar que os cangaceiros não defendiam apenas e unicamente os interesses da elite dominadora, eles próprios tinham seus interesses e motivos; nobres ou não; e lutavam por eles. Já os coronéis absortos em sua sede permanente de poder, precisavam estar sempre atentos ás suas próprias disputas contra famílias e clãs concorrentes, aqui abrimos um parêntese para ilustrar o caso mais emblemático que era a disputa dos clãs Pereira e Carvalho, no Vale do Pajeú. Devido à fraqueza do Estado na época e à dificuldade que este tinha em chegar a regiões mais remotas do país, como o sertão nordestino, os conflitos, nessa região, eram resolvidos de acordo com a lei do mais forte, daí a aliança com os grupos cangaceiros ser vital para a manutenção de poder.

Dentro de meu humilde esforço de curioso sobre o tema; para contextualizar social e antropologicamente o fenômeno do cangaço, acho interessante observar algumas considerações desenvolvidas por outros estudiosos e pesquisadores com relação ao fenômeno, mas me permito deter-me para encerrar esse pequeno artigo, a Carlos Alberto Dória, quando provoca: “o cangaço perpetuou-se na cultura nacional como elemento de nossa mitologia heróica. E Lampião, símbolo de primeira grandeza neste quadro, continua a ser uma individualidade polêmica...”

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

Extraído do blog do professor e pesquisador do cangaço:
Honório de Medeiros





quinta-feira, 19 de julho de 2012

NAS ASAS DA AÉROPOSTALE

Por: Rostand Medeiros
Photo

A empresa de aviação Aéropostale. ou Compagnie Générale Aéropostale foi uma das pioneiras da aviação no mundo e principalmente no Brasil.

Quadro de horários e outras informações da empresa Aéropostale, partindo do Rio de Janeiro. Publicado em um jornal carioca de 1931.

Em 25 de dezembro de 1918, a empresa começou a servir a sua primeira rota entre Toulouse e Barcelona, na Espanha. Em fevereiro de 1919, a linha foi estendida para Casablanca, no Marrocos. Em 1925 estendeu-se a Dakar, a capital e a maior cidade do Senegal, onde as malas postais eram enviadas por navio para a América do Sul. Em Novembro de 1927 iniciou voos regulares entre o Rio de Janeiro e Natal. Suas rotas foram se expandindo até o Paraguai e depois, em Julho de 1929, foi criada uma uma rota regular, a té Santiago, Chile, passando sobre a Cordilheira dos Andes.

Da esquerda para direita vemos os franceses Gimié, Mermoz e Dabry, no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, seguindo para o sul do continente. Heróis da aviação comercial.

Um dos pontos altos da empresa ocorreu em 1930, com a viagem através do Atlântico Sul do hidroavião Latécoère 28, que sem escalas e pilotado pelo francês Jean Mermoz, voou 3.058 quilômetros de Dakar a Natal, em 19 horas e 35 minutos, com seu avião trazendo mais de 100 quilos de malas postais.

Depois de um escândalo envolvendo pagamentos postais do governo francês para Aéropostale, a empresa foi dissolvida em 1932, e fundiu-se com outras companhias de aviação para criar a Air France.

Cartaz mostrando a travessia de Mermoz e mais dois companheiros, que ficou conhecida como a primeira travessia comercial do Atlântico Sul.

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Extraído do blog: 
"Tok de História", do historiógrafo e pesquisador do cangaço:
 Rostand Medeiros