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quarta-feira, 22 de abril de 2020

HERÓI DA CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA, NÃO ESTEVE NA INAUGURAÇÃO A 21 DE ABRIL DE 1960


Por Luiz Serra

O Engenheiro carioca Bernardo Sayão já estava na região centro-oeste, em Anápolis, quando iniciou projeto de colonização desde Getúlio Vargas. Juscelino decidiu pela implantação de nova capital, contatou Sayão que chegou ao planalto deserto e fez limpar área de campo para aterrissar um avião. Dias após, desce neste descampado um bimotor da FAB, C-47, com a comitiva. JK ficou dentro do avião olhando pela porta aberta da aeronave a imensidão do cerrado. Um assessor alertou ao presidente: “Aí tem onça!!

Mas, se ouviu uma voz forte vinda do lado de fora. “Pode descer, presidente, eu garanto”.

Era Bernardo Sayão, que estava próximo de um pequeno Jeep Land Rover.

[Episódio me narrado, em 2002, por uma ilustre vizinha que tive na capital: Sra. Lea Sayão, filha e biógrafa do Dr. Sayão.

Capital iluminada .- drone CNN

Acabou que o engenheiro Sayão iniciou a planificação da futura cidade, limpeza e preparo para edificação de rodoviária, nova cidade de apoio (Núcleo Bandeirante), aeroporto, etc. Mas Brasília ficaria isolada do Norte do país, havia necessidade de ligação com os estados do Norte e Nordeste. Sayão foi incumbido de rasgar a floresta amazônica para abrir a Belém-Brasília. Quando a frente de dois mil trabalhadores estava próximo a Açailândia, Maranhão, despenca um enorme tronco de jatobá. Sayão ainda consegue empurrar seu topógrafo, mas foi atingido fatalmente.

Arquitetos Niemeyer e Lúcio Costa. - Memória JK

“Abrir uma estrada que cortasse o país inteiro de norte a sul era um sonho juvenil de Bernardo Sayão, ele era muito grato a JK pelo comando desse projeto”.

JK e Sayão, cafezinho com operários, na Cidade Livre -  Memoria JK

Ronaldo Costa Couto, jornalista e historiador

Bernardo Sayão não era empreiteiro particular à época da construção de Brasília, como informou uma revista semanal. Era vice-governador de Goiás e fazia obras de pontes e viadutos em lugares esquecidos pelos “civilizados” do Sudeste. Sacrificou a própria vida ao organizar e realizar a maior estrada em floresta densa do mundo, ligando Anápolis a Belém. 

No canteiro de obras, Sayão com pilotos da FAB - Memória JK

Para tal evento não se cogitava licitação, visto que até companhias americanas consideravam uma aventura perigosa para um objetivo quase impossível — os militares, idem. JK confiou e Sayão conseguiu o impraticável ao concretizar um sonho partilhado. Caso o centro do país continuasse sem a ligação com os estados do Norte, Brasília seria inviável aos olhos de todos. O dr. Sayão, avesso a escritórios políticos e salamaleques, embrenhou-se na mata durante dois anos (de 1957 a 1959), com 2 mil peões e alguns indígenas, e saiu de lá morto, vitimado pela queda de um enorme jatobá que tombara antes da hora. A rodovia foi concluída alguns dias depois.

SERRA.LA., Correio Braziliense, 13 de janeiro de 2006
Arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal


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