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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

QUANDO OS VIRIATOS ATACARAM A RESIDÊNCIA DO DELEGADO E FAZENDEIRO JOAQUIM INÁCIO NA MISSÃO NOVA*

 Por José Cícero da Silva


Em plena seca de 1877 o interior do Ceará era assolado também pelo flagelo do banditismo e, diga-se de passagem, muito antes do surgimento do famoso Lampião, tido até hoje como o rei do cangaço. Os pouquíssimos jornais da época não somente do CE davam conta dos muitos saques, mortes, destruição e toda sorte de crueldade praticada por várias hordas de bandidos e malfeitores espalhados pelos sertões nordestinos, especialmente no Cariri cearense. Não respeitando sequer os pobres desvalidos, nem mulheres, nem tampouco os potentados, nem ainda os representantes da lei. De tal modo que as notícias de roubos, mortes e pilhagens logo se espalharam e o medo tomou conta do sertão.

Cada um se protegia como podia. A onda de crime desconhecia fronteiras e classe social de maneira que acontecia tanto na zona rural quanto nas vilas e povoados mais distantes. A exemplo do triste episódio ocorrido no dia 7 de novembro de 1877 na vila de Missão Nova; hoje distrito de Missão Velha-CE. Quando o temível bando dos Viriatos oriundo da região de Boa Esperança (atual distrito de Iara município de Barro) tomou de assalto a residência do mais rico e conhecido fazendeiro da região naquela época, o sr. Joaquim Inácio da Costa que, inclusive, ocupava a função de delegado de M. Velha. Sendo o mesmo barbaramente assassinado dentro da sua própria residência juntamente com mais três empregados que o ajudaram na defesa. Outros quatros ficaram gravemente feridos durante o assalto à propriedade.

Conforme a notícia divulgada pelo antigo jornal 'O Cearense' de Fortaleza, a esposa do fazendeiro assassinado escapou face a providencial ajuda de um agregado que a retirou do local durante os primeiros tiros fugindo pela vasta mata que existia nos fundos da casa.

Além de muitas joias e armas os Viriatos roubaram ainda uma boa quantidade em dinheiro.

Levaram-se vários dias para que as autoridades da capital tomassem

conhecimento real de tão lamentável fato. O presidente da então província do Ceará, Caetano Estelita logo nomeou o tenente Alfredo da Costa Weyne para capturar tais facínoras o quanto antes. A divulgação feita pelo jornal fez com que a população e o parlamento

provincial criticassem tal situação ao tempo que também exigiam do governo ações efetivas e imediatas contra a criminidade interiorana. Dias depois num cerco ao sítio Queimadas nas imediações de Boa Esperança onde os bandoleiros residiam resultou na prisão de apenas dois dos integrantes do grupo. O restante, curiosamente estava numa nova empreitada criminosa, desta feita na zona rural da Paraíba.

Após investigações, soube-se que o bando que saqueou e matou na vila de Missão Nova era formado pelos seguintes desordeiros: Luiz de Góis, Zé Ataíde e os irmãos Viriatos num total de oitos bandidos dos mais temíveis e perversos. O próprio jornal assim como a imprensa da época já chamavam a atenção para o perigo que se abatera sobre o Cariri, bem como para o rápido surgimento de muitos bandos de cangaceiros e da quase absoluta ausência da lei nestes grotões.

■ Prof. José Cícero.

* Informes:

Biblioteca Nacional.

O cearense.

Cangaceiros e viriatos- W. Leal.

*Foto: Residência que pertenceu ao sr. Joaquim Inácio no distrito de M. Nova onde tudo aconteceu.

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