Seguidores

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

CANGACEIRO ALECRIM.

 Por Tesouros Reais.

José Rosa, mais conhecido pela alcunha de Alecrim, foi um dos cangaceiros que integraram o bando de Lampião, figura central do cangaço e apelidado de “Rei do Cangaço”. Embora não tenha ocupado posição de comando como outros chefes de subgrupo, Alecrim fazia parte do núcleo de confiança do líder nos anos 1930, atuando como um soldado leal em meio à intensa rotina de deslocamentos, confrontos e perseguições que marcavam a vida no sertão nordestino.

As informações sobre sua vida antes do ingresso no cangaço são escassas, algo comum entre muitos integrantes do bando. Sabe-se que era natural da região da Serra da Guia, no município de Poço Redondo, em Sergipe. O apelido “Alecrim” seguia a tradição do cangaço de adotar nomes inspirados em plantas, animais ou características marcantes. De acordo com o livro Cangaceiros de Lampião de A a Z, de Bismarck Martins, os cangaceiros conhecidos como “Alecrim 2” e “Moeda” eram os irmãos José Rosa e João Rosa, ambos naturais da mesma região.

Durante sua permanência no grupo, Alecrim participou das incursões típicas do bando de Lampião, enfrentando as chamadas volantes, forças policiais móveis organizadas para combater o cangaço. A vida era marcada por constantes fugas, emboscadas, negociações com coiteiros e pela sobrevivência na caatinga, ambiente que moldou tanto a estratégia quanto a resistência física dos cangaceiros.

O episódio mais documentado de sua trajetória ocorreu em 28 de julho de 1938, quando o bando estava acampado na Grota do Angico, também em Poço Redondo. Naquela madrugada, o grupo foi surpreendido por uma volante comandada pelo tenente João Bezerra. O ataque foi rápido e decisivo. Alecrim foi um dos 11 cangaceiros mortos no confronto inicial, antes que houvesse possibilidade de reação organizada. Assim como Maria Bonita e o próprio Lampião, teve a cabeça decepada após a morte.

As cabeças dos cangaceiros foram expostas publicamente em cidades como Piranhas e Santana do Ipanema, como forma de demonstrar o fim do grupo, e posteriormente encaminhadas ao Museu Nina Rodrigues, em Salvador, onde permaneceram por décadas antes de receberem sepultamento definitivo. A morte de Alecrim está diretamente associada ao episódio que simboliza o declínio definitivo do cangaço no Brasil. Seu nome permanece ligado à queda do bando de Lampião e ao encerramento de um dos períodos mais emblemáticos da história do sertão nordestino.

https://www.facebook.com/jose.mendes.pereira.52603

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário