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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

VIRGÍNIO FORTUNATO, O MODERNO: A MORTE DO GIGANTE DO CANGAÇO.

Por Tesouros Reais.

Virgínio Fortunato da Silva, conhecido no cangaço pelo apelido de “Moderno” ou “Gigante Branco”, foi um dos integrantes do bando de Lampião e cunhado do líder cangaceiro. Casado com Angélica Ferreira, irmã de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, Virgínio ingressou no cangaço em 1927, após abandonar a vida de viajante em razão das constantes perseguições policiais.

Homem de estatura impressionante — beirando os dois metros de altura — Virgínio destacou-se rapidamente no bando, tanto pela força física quanto pela lealdade ao cunhado. Em 1936, entrou no estado de Pernambuco com a missão de dar cobertura aos deslocamentos de Lampião. Atuava de forma estratégica, seguindo algumas léguas atrás do grupo principal e margeando a região em coordenação com outro importante chefe cangaceiro: Corisco.

Durante essa movimentação, Virgínio passou a ser seguido à distância por uma volante comandada pelo cabo Pedro Alves, composta por cinco soldados. No início da noite, por volta das 19 horas, o grupo de cangaceiros fez uma parada a cerca de 300 metros da Fazenda Rejeitado. Ao subir em uma ruma de pedras com aproximadamente um metro e meio de altura para observar a área, Virgínio acabou se expondo.

Os adornos metálicos de seu chapéu de couro refletiram a pouca luz do ambiente, tornando-o um alvo fácil. A volante abriu fogo, atingindo Virgínio no peito e na região das virilhas. Com o impacto dos disparos, o cangaceiro caiu sobre as pedras. O tiroteio provocou pânico no grupo, que reagiu atirando de forma desordenada antes de se dispersar em debandada.

No dia seguinte, o tenente Manoel Neto e seus homens localizaram o corpo de Virgínio. Segundo relatos, o cadáver foi brutalmente mutilado com coronhadas de fuzil, e o maxilar quase foi arrancado para a retirada dos dentes de ouro que o cangaceiro usava.

Ao tomar conhecimento da morte, Corisco encontrou Lampião e comunicou o ocorrido dizendo:

— Compadre, mataram Moderno!

Abalado, Lampião perguntou onde e por quem o cunhado havia sido morto, recebendo como resposta que não se sabia ao certo. Determinado a dar um sepultamento digno ao familiar, Lampião ordenou que Corisco distraísse a polícia. Enquanto isso, ele e outros cangaceiros seguiram até o local onde estava o corpo.

Apesar do avançado estado de decomposição, conseguiram identificar os restos mortais de Virgínio. Uma cova foi aberta ali mesmo, e o que restava do corpo do “Gigante Branco” foi enterrado. Após o sepultamento, Lampião pediu que todos se afastassem, retirou o chapéu de couro e rezou em silêncio ao lado da sepultura do cunhado e companheiro de luta.

Antes de partir, Lampião ainda fez um último gesto simbólico: com uma faca, entalhou uma cruz no tronco de uma craibeira, marcando o local onde repousava Virgínio Fortunato, o “Moderno”, uma das figuras mais emblemáticas do cangaço nordestino.

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