Por Francisco Alvarenga Rodrigues.
O sol castigava a caatinga quando
o portador da carta, suado e trêmulo, estancou diante dos fuzis do bando.
Virgulino não se levantou. Com o olhar de quem lê a alma pelo rastro, recebeu o
papel.
— É do Padim, Capitão — disse o
homem, arfando sob o peso da responsabilidade.
Lampião dobrou o papel com dedos
calejados e disparou a desconfiança que era sua sombra:
— E quem me garante que isso não
é laço de governo, cabra? O Padre é santo, mas quem carrega a carta pode ser
Judas.
— É palavra de Cícero, Virgulino.
Juazeiro lhe espera com as portas abertas. Lampião silenciou. Entre o cheiro da
emboscada e o brilho da redenção, a vaidade falou mais alto. A chegada ao
Juazeiro foi um braço de ferro de egos. O delegado, de dedo no gatilho, bufava
ao ver os chapéus de couro surgindo no horizonte poeirento. Só não houve
carnificina porque a voz do Padre Cícero ecoou mais alto que a lei dos homens:
"Esses homens estão sob minha proteção. Deixem as armas descansarem".
A contragosto, a autoridade civil se apequenou diante do clero. Dentro do
casarão, o diálogo era um jogo de xadrez político. O Padre falava em
"combater o mal da Coluna Prestes", apelando para a honra e o
destino. Lampião, astuto, queria o carimbo da oficialidade para o seu bando.
Foi quando Pedro de Albuquerque Uchôa, que havia sido convocado para assinar o
documento, aproximou-se com a caneta, mas lançou o aviso seco que a história
não esqueceu:
— Eu vou assinar a patente de
Capitão, mas saiba que não tenho autoridade para tal. Sou apenas um funcionário
federal, um Engenheiro Agrônomo somente. Lampião nem piscou, sustentando o
olhar por trás das lentes redondas:
— O papel assinado e o rifle na
mão fazem a autoridade que eu preciso, doutor. Assine. Seguiram-se os flashes
das câmeras, a entrevista histórica e a entrega do armamento moderno do
Batalhão Patriótico. Por alguns dias, Virgulino desfilou como autoridade
legítima, acreditando que o papel em seu bolso o blindava contra o passado. Mas
a farsa durou apenas o tempo da notícia correr as trilhas do sertão. Antes
mesmo de planejar o primeiro ataque, os emissários das volantes trouxeram a
resposta fria dos comandantes de carreira. O recado foi um tiro de misericórdia
na ilusão: "Não reconhecemos patente dada por civil em Juazeiro. Para a
polícia, Virgulino continua sendo bandido, e capitão de papel não para bala de
fuzil." A farsa desmoronava sem alarde. Lampião caiu em si. O título de
capitão era apenas fumaça; o que sobrava, mais uma vez, era o destino do bando
e a poeira da estrada. Era matar até morrer.
Referência bibliográfica:
MOTA, Leonardo. No Tempo de
Lampião. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará.
Texto em forma de crônica
histórica baseado na narrativa do episódio da patente concedida a Virgulino
Ferreira da Silva na cidade de Juazeiro do Norte, conforme descrito na obra
citada.
Imagem ilustrativa produzida por Inteligência Artificial pelo Grupo Sociedade do Cangaço, utilizada apenas como representação visual e meramente ilustrativa do contexto histórico.
Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito.
Muito chato para você me ver sempre chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem.
Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima.
As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado!
Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão.
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.
Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.
Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada.
Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.
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