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terça-feira, 7 de abril de 2026

ELE DISSE A LUIZ GONZAGA: “Você não pode pagar por esta sanfona de 45 mil” — e então! Luiz fez isso.

Um homem de óculos e roupas simples entrou numa loja de instrumentos musicais no centro de São Paulo numa tarde de 1972, sem chapéu, sem gibão bordado, sem nenhuma daquelas marcas que qualquer brasileiro reconheceria de longe. E o vendedor que estava atrás do balcão mal levantou os olhos quando a porta se abriu.

 O que aconteceu na hora seguinte dentro daquela loja? Ninguém que esteve lá se esqueceu. Luís Gonzaga tinha 52 anos naquele dia. Era o rei do baião, o homem que tinha colocado o nordeste no mapa da música brasileira. Mas nada disto estava escrito na roupa que vestia. Uma camisa de algodão abotoada até ao pescoço,  umas calças escuras e um par de sapatos simples que nada diziam sobre  quem os utilizava.

 Ele tinha saído do hotel sem o figurino porque não ia a lugar nenhum especial.  só queria caminhar pela cidade e entrar nas lojas de música que sempre o atraíam como um íman, independentemente de onde estivesse. A loja chamava-se Casa Melodia e era conhecida em São Paulo por atender músicos profissionais, maestros,  professores de conservatório e colecionadores que tinham dinheiro para gastarem instrumentos importados.

 As paredes estavam cobertas de  acordeões, violinos, trompetes e acordeões europeus com etiquetas de preço que afastavam a maioria dos pessoas antes mesmo de perguntar qualquer coisa. O vendedor chamava-se Roberto. Tinha uns 40 anos, fato cinzento e uma forma de avaliar cada cliente que entrava pela porta com uma rapidez que ele próprio chamava de experiência, mas que na prática era puro julgamento.

 Ele tinha aprendido a separar os clientes em dois grupos nos 10 anos que trabalhava ali, os que podiam comprar e os que só queriam olhar. fazia isso nos primeiros 30 segundos, pela roupa, pelo corte de cabelo, pela forma de segurar a porta ao entrar. Nesse dia, o Roberto estava convicto de que sabia exatamente com quem estava a lidar.

 Assim que o homem de óculos atravessou a entrada. O Luís entrou lentamente, parou no meio da loja e começou a olhar paraas sanfonas expostas nas paredes, com aquela atenção de quem conhece cada detalhe  de um instrumento, passando os olhos pelos foles, pelas teclas, pelas caixas de madeira envernizada.

 Roberto observou do balcão durante alguns segundos e depois se aproximou-se com o sorriso que usava quando precisava de deixar [a música] clara, sem dizer diretamente que determinados instrumentos não eram para todos. Apontou para uma concertina italiana exposta num suporte de vidro no centro da loja e disse com uma cordialidade que tinha  arestas.

 Esse é o o nosso modelo mais procurado. 45.000 cruzeiros a pronto ou com carta de crédito para clientes registados. Fez uma pausa curta. e completou olhando para roupa de Luiz.  É um instrumento para perfil muito específico de cliente. Não pode pagar por esta sanfona. Luiz ouviu, olhou paraa Sanfona por um momento e não respondeu nada.

 Só virou lentamente e começou a caminhar em direção ao fundo da loja. Sem pressas, Luís foi caminhando em direção ao fundo da loja, onde estavam os instrumentos usados ​​e os que a loja recebia à consignação. Peças mais antigas que ninguém pedia e que acumulavam pó em prateleiras. mal iluminadas.

 O Roberto ficou parado observando com uma expressão que  misturava a desconfiança com indiferença, o tipo de olhar que diz que aquela parte da loja não vai levar  a nada. O Luís foi passando lentamente pelos instrumentos encostados nas paredes, um bandolim com o braço partido, uma guitarra sem cravelha, uma caixa de percussão com a pele rasgada e depois parou.

 No canto mais fundo da prateleira, quase escondida atrás de um estojo de couro aberto, havia uma concertina pequena, ligeiramente empoeirada, com uma etiqueta manuscrita atada na pega que dizia 300 cruzeiros. Roberto observava de longe com os braços cruzados, sem compreender o que aquele homem procurava num canto que nem ele próprio visitava com frequência.

O Luiz pegou  na concertina com as duas mãos e examinou-a com uma atenção que era completamente diferente da que tinha dado aos instrumentos novos lá na frente. Virou o instrumento lentamente, passou os dedos pela grade metálica da grelha, inclinou-se para ver o interior do Fle contra a luz fraca do fundo da loja e ficou em silêncio durante algum tempo, que Roberto, observando de longe, encontrou demasiado longo para quem estava a olhar para algo que valia 300 cruzeiros.

 Havia algo na forma como aquele homem de óculos e roupas simples seguravam aquele instrumento esquecido, que era diferente da forma que qualquer cliente comum segurava qualquer coisa dentro da loja. Era o toque de quem sabe exatamente o que procura e que acabou de encontrar. Os dedos a moverem-se com uma familiaridade e um  respeito que não se aprende em nenhum curso e não se finge com nenhuma roupa cara.

 Roberto deu alguns passos em direção ao fundo da loja, sem se aperceber que estava a fazer isso, atraído por algo que ainda  não conseguia nomear. Luís virou a concertina de lado e apontou com o dedo para uma pequena marcação  gravado na madeira da caixa, quase invisível de tanto que o tempo tinha desgastado o acabamento envolvente.

 Era um símbolo, uma espécie de monograma com duas letras entrelaçadas e um número abaixo. E o Luís ficou a olhar para aquilo por um longo momento, sem falar nada. Roberto tinha-se aproximado devagar, curioso apesar de si próprio, e ficou do lado a observar sem entender o que o cliente estava a ver naquela marcação que nunca tinha notado nos meses em que a concertina estava encostada ali.

 Luí falou então baixo, quase para -se, passando o polegar com cuidado sobre o símbolo gravado. Escandalire, série inicial. Isto  aqui foi feito nos primeiros anos da fábrica. Roberto franziu o sobrolho e perguntou sem conseguir esconder a dúvida. O que é que significa? Luiz virou-lhe o rosto e respondeu com uma calma absoluta. Significa que tem um protótipo raro encostado a uma prateleira com etiqueta de 300 cruzeiros.

 Roberto ficou a olhar para Sanfona e depois para Luí, sem saber ao certo o  que fazer com aquela informação. A Escandali era uma das marcas italianas mais conceituadas no mundo dos instrumentos de sopro e folle. Qualquer músico profissional sabia disso, mas o Roberto era vendedor, não músico.

 E o que ele sabia da marca era o preço dos modelos novos que vendia no catálogo. Não a história dos instrumentos que a fábrica tinha produzido há décadas. Luís continuou examinando a concertina com aquela paciência de quem tem todo o tempo do mundo. Abriu o fo devagar, pressionou algumas teclas com os dedos para sentir a resistência dos palhetes interiores e fechou de volta com suavidade.

  Depois disse: “Nos primeiros anos, a Escandali fez alguns protótipos experimentando configurações que nunca foram para a produção em série. A maioria perdeu-se. Os que sobraram valem muito mais do que qualquer instrumento novo que tem aqui à frente.” O Roberto olhou para a etiqueta de 300 cruzeiros, como se ela tivesse acabado de se transformar noutra coisa.

 Luís colocou a concertina com cuidado em cima do balcão e perguntou se o Roberto tinha como entrar em contacto com os representantes da Escandar no Brasil. O Roberto disse que sim,  que a loja tinha um importador em São Paulo que trabalhava diretamente com a fábrica italiana. Luís depois olhou para ele com uma tranquilidade que não era arrogância, era apenas a segurança de quem sabe do que está a falar e disse: “Então entra em contacto e descreve o número de série e o monograma que está gravado na caixa.

 Eles vão dizer-te o que tu tem aqui.” Roberto ficou um momento em silêncio. Olhou para a Sanfona, olhou para o homem de óculos e roupas simples na sua frente e, pela primeira vez, desde que aquele cliente tinha entrado pela porta, não conseguiu encaixá-lo em nenhum dos dois grupos que tinham passado 10 anos construindo na cabeça.

 Pegou num papel, anotou as informações que o Luiz indicou e disse que ia verificar. Foi então que perguntou quase sem querer: “O Sr. sabe muito de Acordeão?” Luís respondeu: “Só conheço.” O Roberto entrou em contacto com o importador no dia seguinte, que remeteu as informações diretamente para a fábrica em Itália. A resposta demorou alguns dias e quando chegou, o Roberto ficou parado a ler o documento durante muito tempo, sem conseguir movimentar-se.

 A Escandali confirmava que o número de série correspondia a um dos 17 protótipos produzidos entre 198 e 1915 durante a fase experimental da fábrica e que daqueles 17 apenas quatro tinham localização conhecida no mundo, todos em museus ou coleções privadas na Europa. Um instrumento que estava encostado a uma prateleira empoeirada no fundo da Casa Melodia em São Paulo era o Quinto.

 Um especialista em instrumentos  históricos contratado pela importadora, veio pessoalmente examinar a peça e confirmou a autenticidade sem qualquer dúvida. A avaliação inicial era de 70.000 1 cruzeiros, podendo atingir os mais em leilão. Roberto ficou sentado na cadeira do escritório dos fundos da loja durante um bom tempo, depois de o especialista foi-se embora, olhando para acordeão, que estava agora embrulhada em feltro em cima da mesa, pensando no homem de óculos, que tinha ido direito para o fundo da loja, ignorando tudo o que

brilhava na frente. Foi só então que O Roberto foi descobrir quem tinha estado na sua loja. Um colega que trabalhava numa editora discográfica próxima, quando Roberto descreveu o homem e contou a história, ficou a olhar para ele por um segundo e perguntou: “Homem de óculos, não é? Nordestino, 50 e poucos anos.

 Conhecia Acordeão como ninguém?” O Roberto disse que sim. O colega soltou uma curta gargalhada e disse: “Roberto, estavas a falar com Luiz Gonzaga.” Roberto ficou em silêncio por um momento, depois fechou os olhos devagar e quando abriu estava com uma expressão que não era de vergonha apenas, era de algo maior.

 O tipo de entendimento que chega tarde demais para mudar o que aconteceu, mas cedo o suficiente para mudar o que vem depois. Luís Gonzaga tinha entrado na sua loja sem chapéu, sem gibão, sem qualquer marca de fama e Roberto tinha apontado para ele um instrumento de 45.000 Cruzeiros, dizendo que era para perfil específico de cliente, enquanto o rei do baião ia tranquilamente para o fundo da loja e encontrava em 3 minutos o que o Roberto nunca o tinha visto em anos.

 A concertina foi a leilão alguns meses depois e foi arrematada por 72.000 Cruzeiros por um colecionador de São Paulo, o valor mais alto que qualquer instrumento tinha alcançado nesse leilão nesse ano. O Roberto acompanhou tudo de longe, não como dono, porque a concertina tinha chegado à loja por consignação e o valor foi passado ao antigo proprietário, um senhor idoso que tinha deixado o instrumento na loja sem fazer ideia do que tinha  nas mãos.

 Mas o Roberto estava lá no dia do leilão, sentado numa cadeira do fundo da sala, observando aquela acordeão empoeirado que tinha ficado meses no canto mais escuro da sua loja, ser disputada por colecionadores que reconheciam de imediato o que ela representava. Quando o martelo bateu e o número 72000 foi confirmado, Roberto não aplaudiu juntamente com os outros.

 ficou quieto, olhando para o instrumento, sendo embalado com  cuidado por luvas brancas, pensando no homem de óculos, que tinha ido directamente para o fundo da loja, ignorando  tudo o que brilhava na frente. Saiu do leilão antes de todo o mundo, entrou no carro e ficou sentado  em silêncio durante muito tempo antes de ligar o motor.

 Nos meses seguintes, Roberto mudou a forma como trabalhava. começou a estudar história dos  instrumentos, a pesquisar marcas, a prestar atenção aos objetos que chegavam por consignação com o mesmo cuidados que sempre tinha dado, apenas aos modelos novos e caros. Parou de avaliar os clientes pela roupa que vestiam.

Deixou de apontar preços antes de compreender o que a pessoa sabia. Parou de dividir o mundo em dois grupos nos primeiros 30 segundos. Colegas da loja repararam na mudança e perguntaram o que tinha acontecido. O Roberto contava a história sem nada omitir, incluindo a parte em que tinha dito a Luís Gonzaga que o instrumento de 45.

000 era para perfil específico de cliente. Contava sem se poupar, porque tinha compreendido que a história só ensinava alguma coisa se fosse contada por inteiro. Com o tempo, a A Casa Melodia passou a ser conhecida entre músicos como uma loja que tratava todo o cliente com o mesmo respeito, independentemente de como chegasse pela porta.

 E o Roberto sabia exatamente de onde tinha vindo essa reputação.  Quando Luiz Gonzaga morreu em Agosto de 1989, Roberto estava a abrir a loja numa manhã comum quando ouviu a notícia na rádio que estava ligado no balcão. Ficou parado com a chave  na mão por um longo momento, o som do locutor descrevendo a morte do rei do baião, enchendo aquele espaço entre [a música] os instrumentos pendurados nas paredes.

Nesse dia, o Roberto fechou a Casa  Melodia, colocou uma placa simples na porta que dizia fechado por homenagem e assim ficou durante uma semana  inteira, sete dias com as portas cerradas, enquanto o Brasil velava um dos maiores músicos que tinha produzido. Clientes ligavam sem compreender o motivo, os fornecedores estranhavam, mas O Roberto não abriu.

 Era a única forma que ele tinha de dizer  obrigado a um homem que nunca soube o que tinha ensinado nessa tarde, em que entrou numa loja de óculos e roupa simples e foi diretamente para o fundo, onde ninguém olhava. Quando reabriu na semana seguinte, o Roberto colocou na parede do fundo da loja, exatamente no local onde a concertina tinha ficado meses encostada, uma fotografia de Luís Gonzaga e ela ficou lá enquanto  a Casa Melodia existiu.

 Esta história nos ensina que o valor real raramente está onde todos estão olhando. Está no fundo da prateleira, empoeirado, sem etiqueta bonita, esperando que alguém com olhos treinados e humildade suficiente se dê ao trabalho de chegar até lá. Roberto passou 10 anos aprendendo a ver o que brilhava e perdeu em 3 minutos o que um homem simples de óculos viu sem esforço  nenhum.

 Luiz Gonzaga não precisava de chapéu nem de gibão para saber o que sabia, porque o conhecimento verdadeiro não depende da aparência para existir. E isto vale para muito além das lojas de instrumentos. Quantas vezes você já julgou alguém pela roupa, pelo sotaque, pelo carro, pelo bairro e deixou passar algo que não tinha preço? Quantas vezes o que parecia simples demais para merecer atenção era exatamente o que tinha mais valor.

 A lição que Luiz deixou nessa tarde não estava em nenhuma música, não estava em nenhum disco, estava no modo silencioso e seguro com que ignorou o julgamento, virou as costas ao que brilhava e foi direto ao que era verdadeiro. Se esta história o tocou de alguma forma, deixa aqui o teu like por baixo e subscreva o canal para não perder os próximos vídeos.

 São histórias como esta que a gente faz questão de trazer-lhe com cuidado e respeito por quem viveu  cada uma delas. Conta-me aqui nos comentários de onde está a assistir a esse vídeo. A gente lê todos os comentários e adora saber de onde vêm as pessoas que acompanham o canal.

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ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é matá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. 

Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

Muito chato para você me ver sempre 

chamando a sua atenção. Mas é para o seu bem. 

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