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sábado, 24 de janeiro de 2015

EM BUSCA DE LAMPIÃO

Por Antonio Corrêa Sobrinho

Demorar um pouco mais na sertaneja e progressista cidade sergipana de Nossa Senhora da Glória, antiga Borda da Mata, onde estou nestes dias, a trabalho, foi a disponibilidade de tempo que eu precisava para ir a lugares que Lampião e os asseclas Luiz Pedro, Volta Seca, Quinta Feira, Ezequiel (Ponto Fino), Virgínio (Moderno), Corisco, Arvoredo, Ângelo Roque (Labareda), Mariano, Delicado e Zé Fortaleza (Fortaleza II), no dia 20 de abril de 1929, estiveram nesta cidade em razia.


Fui ao local da feira, onde Lampião e os seus amigos cangaceiros fizeram-se presentes, até assistiram à morte de bode, ali mesmo, na feira; feira onde ele, quieto, tranquilo e bem humorado, deu esmolas, agradou a crianças, conversou com pessoas. Tirei foto onde era o salão de Zé Besouro, onde Lampião fez a barba. Também da Intendência, hoje a Prefeitura, cujo gestor João Francisco de Souza (Joãozinho), também comerciante de tecidos, tratou Lampião muito bem e atendeu a todas as reivindicações do cangaceiro: bom dinheiro, lauto almoço e animais de montaria. E a Cadeia, xadrez sujo e fedido, onde ficaram presos enquanto Lampião agia, sem antes entregarem as armas, o sargento Alfredo e os soldados Osório, João e Zé Rodrigues. 


Nada, porém, foi mais interessante do que o encontro que eu tive com a senhora Nair Aragão Feitosa, de 93 anos, viúva do ex-escrivão Pedro Alves Feitosa, ofício que ela também exerceu; dona Nair que foi uma das centenas de pessoas que naquele dia, estiveram a mercê do mais temível bandoleiro das terras sertanejas.


Dona Nair, embora convalescendo de uma cirurgia ortopédica, mas lúcida como poucos na sua idade, me disse coisas a respeito desta presença cangaceira, confirmando o que disseram os pesquisadores. Informações que, considerando a sua pouquíssima idade em 1929, ela, em boa parte, deve ter obtido de terceiros, no correr dos seus anos. 

Porém, o que eu mais queria dela, era saber se ela viu Lampião.

Quando eu lhe fiz a pergunta, ela respondeu imediatamente, sem pestanejar, que sim. 


Ela disse que naquela manhã, ela estava em casa, uma edificação situada na praça da feira, e ouviu quando seu pai disse: “Lampião entrou!” Portas foram fechadas, e de uma fresta na janela, a uns 20 metros de distância, dava pra ver claramente quatro cangaceiros juntos, em pé, parados, segurando o fuzil fora de posição, na vertical com a coronha no chão; tinham chapéus grandes na cabeça, que brilhavam muito, reluziam.


Num momento, seu pai lhe disse: “Lampião é aquele mais alto, o de óculos”.

Ela voltou a dizer, também com gestos de mãos, sem eu perguntar: Os chapéus deles brilhavam muito... 

Perguntei se seu pai teve medo. Ela disse que não.



Nossa conversa durou pouco, não quis cansá-la, em razão de sua idade e de seu estado de saúde, mas o suficiente para, atento às suas palavras, ao tom de sua voz e, principalmente, o seu olhar que parecia vivenciar aquele inesquecível instante, aquele misto de medo, apreensão, curiosidade e expectativa, eu sair transbordante de satisfação. Agora eu posso dizer que estive com alguém que, muito provavelmente, viu Lampião, o rei do cangaço, que fez dona Nair recordar e contar essa história durante toda a sua vida.


Nossa Senhora da Glória/SE, 22/01/2015.

Fotos: 1, 2 e 3 - Antiga praça da feira; 4. Local da barbearia de Zé Besouro; 5. Cadeia; 6. Intendência; 7. Local da casa de dona Nair em 1929.
Fonte: facebook

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A PRAIA DE AREIA BRANCA - 18 DE JANEIRO DE 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Concluindo a série sobre as praias do Oeste potiguar, trataremos hoje da praia de Areia Branca, destino de muitos turistas atraídos pelas belas e paradisíacas praias de areias brancas, dunas e falésias, além de uma porção territorial dominada pelo sertão. 


O litoral do município já era conhecido dos navegantes desde os primórdios do descobrimento do continente americano. Há indícios de que já tinha havido desembarque e consequente exploração do rio Apodi em fins de 1499. Gabriel Soares, no seu \"Tratado Descritivo do Brasil em 1587\", descreve as costas de Areia Branca.
               
O historiador Luís da Câmara Cascudo encontrou, em seus estudos, evidências a respeito das salinas de Areia Branca, datadas de 1650. Segundo ele, os navios negreiros ao retornarem para Portugal, entravam no Rio Mossoró para abastecer essas embarcações de sal que era produzido nas gamboas naturalmente.
               
A propriedade mais antiga de que se tem notícia nessas terras é a do Cel. Gonçalo da Costa Falero, que \"a 5 de julho de 1708, é senhor de três léguas de comprimento e uma de largura, a começar no morro do Tibau, pela costa do mar para o lado do sul, até onde acabasse\".
               
Outros autores nos dão conta que por volta de 1860 encontravam-se no local Areias Brancas, na ilha da Maritacaca, alguns ranchos de pescadores e nada mais. A concentração mais ativa era no povoado Barra do Mossoró, à margem esquerda do rio. Durante a Guerra do Paraguai (1865-1870), o local serviu de refúgio para os fugitivos do recrutamento militar, enviados para lá por Chiquinho Gomes da Barra (Francisco Gomes da Silva), residente na Barra do Mossoró. E com isso outros barracos foram surgindo.
               
Nas tentativas para navegação a vapor no Rio Mossoró, foi construído um armazém na margem esquerda do rio. Em janeiro de 1866 o navio Mamanguape tentou chegar a esse ponto do rio, mas não conseguiu. Por esse motivo o presidente da Província, dr. Luís Barbosa da Silva, mandou transferir o armazém para a margem direita do rio, no sítio das Areias Brancas, aonde em abril de 1867 chegava a barca inglesa Calderbank, consignada a casa J. UlrichGraff de Mossoró e o Pirapama, navio a vapor da Companhia Pernambucana de Navegação Costeira, estabelecendo, a partir daí rota normal.
               
A primeira residência de tijolos foi construída em 1867 por Gorgônio Ferreira de Carvalho, encarregado do armazém e fiscalização das mercadorias em trânsito.Dois anos depois João Gomes da Silva (João Menino) e João Francisco de Borja (Joca Soares) construíram outras, fixando-se no local em 1870. Em 1878, Joca Soares, juntamente com Joaquim Nogueira da Costa (seu cunhado) exploraram a primeira salina no local denominado Serra Vermelha.
               
Em 1872 a região denominada Areia Branca, do município de Mossoró, passou a Distrito de Paz, compreendendo Grossos, Matos Altos, Morro do Tibau, Upanema, Redonda e Meio, e tinha como primeira autoridade o Juiz de Paz João Francisco de Borja. Em 16 de fevereiro de 1892, através do decreto estadual nº 10 é elevado à categoria de vila, com a denominação de Areia Branca. Instalado em 31 de março do mesmo mês e ano.
               
Em 22 de outubro de 1927 é elevado à condição de cidade e sede municipal, com a denominação Areia Branca, pela lei estadual nº 656. Pelo decreto estadual nº 603, de 31 de outubro de 1938, foram criados os distritos de Grossos e Tibau e anexados ao município de Areia Branca. A lei estadual nº 1025, de 11 de dezembro de 1953, desmembra do município de Areia Branca os distritos de Grossos e Tibau, para formar o novo município de Grossos. Atualmente Grossos e Tibau são municípios.
               
O município faz parte do Polo Costa Branca, Associação dos Municípios da Costa Branca (Amucosta), formada pelos municípios de Caiçara do Norte, São Bento do Norte, Galinhos, São Rafael, Carnaubais, Assu, Tibau, Grossos, Itajá, Areia Branca, Mossoró, Porto do Mangue, Serra do Mel, Macau, Guamaré e Pendências. O Polo Costa Branca é uma forma de desenvolvimento do turismo na região.
               
Dessa forma chegamos ao fim da série sobre as praias do Oeste potiguar, onde abordamos os municípios de Tibau, Grossos e Areia Branca, principais destinos turísticos dos mossoroenses em período de veraneio. 

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É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes: 
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O CORDEL DAS TEMERANÇAS DE LAMPIÃO

Por Rangel Alves da Costa*
 

Alguns escritos dão conta que Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião, era homem possuidor de feições pouco conhecidas. Alastrou-se espantosamente muito mais o seu lado tenaz, bravio, guerreiro e até cruel e sanguinário. Fala-se muito no bandoleiro de sangue no olho que nada temia no seu mundo catingueiro, no intrépido dos carrascais espinhentos que devolvia em dobro o estampido de fogo, no algoz de todo aquele que estivesse em seu encalço.

Muito se escreveu acerca das rixas entre vizinhos e as perdas familiares que serviram como motivações ao enfrentamento dos poderosos. A vindita particular do rapaz Virgulino se transformaria numa guerra pública do sertanejo Lampião. Os seus desafetos se transformaram em apenas alguns para serem avistados em todos aqueles que representassem o poder opressor, a submissão do homem da terra, a perseguição ao fraco e a manutenção da impiedosa balança condutora de todas as injustiças sociais. Os inimigos então passaram a responder pelo nome de Estado, governo, política e poder. Sobre tudo isso muito se escreveu.

Também muito se escreveu acerca do vaga-lume que se transmudou em perigosa tocha de fogo. E assim para mostrar o quanto Virgulino soube aproveitar os inconformismos do sertanejo de então para transformar tantas iras em respostas organizadas aos desmandos continuamente praticados. Outros grupos cangaceiros já preexistiam à sua chegada, e até fez parte do bando de Sinhô Pereira, mas nenhum orientado estrategicamente por um líder nato, nenhum que conseguisse despertar para suas fileiras tantas pessoas que se sentiam perseguidas ou necessitavam fazer ecoar suas revoltas. E Lampião foi mestre maior na condução desse levante até então apenas gestado.


Com os aparos e os recortes, o Capitão até que se ajusta nessa moldura, mas nele havia outras vertentes conhecidas de muitos, porém pouco disseminadas. A verdade é que pouco se escreveu acerca do homem Lampião, o sujeito em si, aquele de sobrenome Virgulino Ferreira da Silva. A maior parte do que foi dito e escrito - e em grande parte inventado - diz respeito ao cangaceiro, ao líder de bando, àquele retratado no meio da mata de chapéu estrelado, paramentos encourados e geralmente de arma em punho. Mas o outro Lampião, aquele que estava no homem, no seu íntimo, onde estava e como era?


Digo logo o nome do cabra que melhor assuntou sobre isso: Pelôco de Biribeira, apelido de um hoje desconhecido cordelista e repentista. Nascido na região do Mundaréu e tendo vivido até uns vinte anos após a morte de Lampião em 38, ficou conhecido de feira e feira como o mais fiel cantador dos feitos do Capitão. Não só dedilhava a história na viola como transcrevia para o cordel toda a sua saga. Contudo, o folheto que mais fez sucesso na voz e no papel foi um onde retratava o homem Lampião, ou o Virgulino em si mesmo.

“As temeranças de Lampião” foi o título consignado ao cordel que depois de pendurado no barbante em dia de feira se transformou em sucesso absoluto. O folheto artesanal, rudemente impresso e com capa de tosca xilogravura, parecia apenas mais um dos tantos escritos por aquele menestrel das proezas debaixo do sol. Onde houvesse uma feirinha em arruado e lá estava Pelôco da Biribeira levantando sua tenda de esteira e ripa e fincando seus varais de barbante. Aí pendurava seus cordéis e depois sentava num tamborete de viola em punho para cantarolar pelejas e feitos.

Mas por que o tal do “As temeranças de Lampião” fez tanto sucesso pelo mundão interiorano? Ora, simplesmente porque abordava o lado mítico do Capitão, envolvendo aspectos de sua religiosidade, suas virtudes cristãs, seus receios pelas coisas do céu, suas crenças terrenas, os seus temores enfim. Daí o termo “temeranças” no título, indicando que o livreto tratava exatamente dos medos do maior dos cangaceiros. Deixando também claro que o homem tão temido guardava consigo temores de coisas difíceis de acreditar. Aspectos, pois, bem conhecidos do sertanejo perante o seu mundo misto de fé, fanatismo e crendice.

Pelôco da Biribeira, mesmo sem o intuito da pesquisa, foi buscar na oralidade nordestina essa vertente curiosa do Capitão. Sertões adentro, de boca em boca, proseados se alongavam dando conta do imenso fervor religioso de Lampião, do seu respeito incontido às coisas sagradas, do seu devotamento. E também sobre o homem supersticioso de não acabar mais. Diz o cordelista que não havia quem fizesse o Capitão pegar em arma na sexta-feira santa, que logo arribava do coito se ouvisse uma ave agourenta piando a noite inteira.

Atualmente muito já se conhece acerca da feição religiosa de Lampião. Mesmo a luta sanguinária travada no dia a dia jamais diminuiu seu fervor místico, sua devoção às coisas sagradas e seu temor a Deus. Rezava todos os dias e levava consigo algumas orações, principalmente para manter o corpo fechado. Tinha devoção especial por Padre Cícero, a quem tinha como verdadeiro santo nordestino. Não admitia que cangaceiro de seu bando brincasse com as coisas sagradas e maldissesse qualquer aspecto da fé católica.

É famosa a passagem onde Lampião e parte de seu bando assistem missa celebrada pelo Padre Arthur Passos na igrejinha de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo. O vigário aceitou celebrar o ofício perante os cangaceiros, mas com a obrigação de deixarem as armas pesadas do lado de fora. E assim foi feito, com a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas sobre os versos de Biribeira, alguns deles serão citados depois.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

DOCUMENTÁRIO - A MULHER NO CANGAÇO DO CEARENSE HERMANO PENNA

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas

Documentário A mulher no cangaço, do cearense Hermano Penna. 

O documentário revela como viviam e sobreviviam mulheres como Maria Bonita, Dadá e tantas outras que deixaram família e comunidade em que moravam para se integrar aos bandos de cangaceiros.

A mostra Nordeste, Cangaço e Cinema aconteceu na Casa Amarela Eusélio Oliveira - Cine Benjamin Abrahão, na cidade de Fortaleza-CE.

Abaixo, ficha técnica do filme disponibilizada no site do Cine Ceará.

A Mulher no Cangaço

Documentário. 1976. Rio de Janeiro. 16 mm. COR e PB. 35 min
Hermano Penna
Data: 18/04/2008

Documentário (com cenas reconstituídas) sobre algumas das mais de 50 mulheres que estiveram no cangaço. Destaque para Dadá (mulher de Corisco), Cila (mulher de Zé Sereno) e Adília (mulher de Canário). 

Dadá relembra o dia em que foi raptada por Corisco. Cila conta que teve que doar o filho, cujo parto foi feito por Maria Bonita. Adília relata que encontrou na companhia do marido, Canário, a liberdade que o pai lhe negava.

Fonte: facebook
Página: Raul Meneleu Mascarenhas

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EM PRODUÇÃO... LAMPIÃO - O FILME

Por Geraldo Júnior

A saga de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) será recontada nas telas do cinema, e será uma trilogia baseada na vida do mais famoso cangaceiro.

O trabalho que está sendo dirigido pelo diretor Bruno Azevedo, promete ser uma das maiores obras até então realizadas sobre a vida do mais controverso bandoleiro das caatingas.

Um super elenco de atores já está escalado para participar da produção da trilogia, conforme informações.

A saga do mais polêmico personagem nordestino será dividida em três longas metragens: 

“Lampião – O Filme”, “Corisco – O fim do Cangaço” e “De Virgolino a Lampião”, 

e terão locações em Pernambuco e na Bahia. Os locais escolhidos são: Serra Talhada (PE), Jacobina (BA), Vale do Catimbau (PE), Jeremoabo (BA) e Paulo Afonso (BA).

Informações obtidas no Blog Xaxado Cabras DE Lampião do amigo Anildomá Willans (Serra Talhada-PE).

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook

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FILME "LAMPIÃO E MARIA BONITA"

Por Geziel Moura

Não é novidade que as produções fílmicas baseadas em livros e/ou fatos reais, geralmente são diferentes daquilo que estávamos esperando, isto ocorre devido aos meios de fabricações (livro e filmes) terem objetivos diversos, logo o seriado adaptado em filme "Lampião e Maria Bonita" da TV Globo seguiu o que usualmente ocorre.

Angélica Bulhões

Conversava sobre isso com a Angélica Bulhões e disse que era mais fácil destacar as concordâncias (poucas) do que as dissonâncias (diversas) em tal produção, em relação, não a verdade verdadeira, mas ao que a literatura cangaceirista aponta. Destaco algumas para pensarmos.

Atriz Regina Dourado

Falando nisso. Quem era Joana Bezerra personagem da atriz baiana Regina Dourado, que falecera em 2012, será o álter ego de João Bezerra? Além do nome, a aproximação com Lampião, e a denunciante de Angico. 

Filme de Lampião e Maria Bonita - Fonte: Youtube

Vejam que todos estão lá... são como num jogo de caça palavras, não há tantas ingenuidades aí, eles sabiam o que estavam fazendo sim.

Fonte: facebook
Página: Geziel Moura

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OS SERTÕES: AS PRÉDICAS DE ANTÔNIO CONSELHEIRO E A POESIA DE CANUDOS - PARTE FINAL

Por Aleilton Fonseca

A poesia de Canudos vista por outro ângulo

A abordagem da poesia de Canudos para além dos pontos de vista de Euclides da Cunha abre para a análise outros horizontes de interpretação. Lidos em sua inteireza e na seqüência verdadeira das quadras, os versos coletados e anotados naCaderneta de Campo expressam idéias que são perfeitamente inteligíveis. Os textos das quadras expressam o ponto de vista dos sertanejos com relação aos acontecimentos da Guerra, aos adversários e aos valores em confronto.

No primeiro abecê, encontra-se, de saída, uma avaliação negativa acerca da derrubada da Monarquia e a implantação do regime republicano. Seguindo o ensinamento do Conselheiro, os sertanejos acreditavam na investidura divina do poder monárquico. Assim, a República é vista como uma "desordem" que deverá ser corrigida pelo poder divino. Decorre disso a oposição recorrente no texto: a Monarquia representava a lei de Deus, enquanto a República representava a lei do ‘cão’ (designação corrente de diabo, personificação do mal, na linguagem sertaneja). Registram-se nos versos a consciência de que os republicanos eram influenciados por idéias estrangeiras, a crítica ao cunho militarista do novo regime, a censura aos padres e doutores que o apoiavam. Há, na seqüência, uma recusa veemente à implantação do casamento civil. Uma maldição é lançada aos republicanos:

Queimados seja aquele
Que a Deus não der lovor
do Ceo não espera nada
no Inferno acabarão.

Em seguida, registra-se a esperança na vitória da "lei de Deus", com a chegada de D. Sebastião com seus regimentos, para promover o restabelecimento da ordem. Há ainda um lamento e um pedido de perdão dignos de nota: (23)
Tanta gente que siassigna

nesta lei da falcidade
Xamemos por Jesus
que tenha de nós piedade
[...]
A meus Amo Brasileiro ?
perdão quero pedir
Isto tem de acontecer
não tem p.a onde fugir?

O segundo texto, intitulado ABC das incredulidades (24), narra, do ponto de vista dos sertanejos, eventos e detalhes da Guerra, dando ênfase aos reveses sofridos pela expedição comandada por Moreira César e reafirmando a disposição de luta dos canudenses, como se observa na seguinte estrofe:

Treis mil e 50 prassas
q. vinheram batalha
toudos vieram a Bello Monte
i muitos poco ha de conta
porq. só quem pode he Deus
q. então perder não há

Definitivamente, não eram apenas "pobres papéis" sem valor. Tratava-se, na verdade, de fontes para uma visão histórica da Guerra, segundo a ótica dos vencidos. Os textos, produzidos no calor das batalhas, reafirmam, na forma e no conteúdo, os traços culturais sertanejos, constituindo-se como um discurso de resistência. Com efeito, os versos dos canudenses assumem uma posição frontalmente contrária aos valores republicanos que Euclides da Cunha defendia em nome da civilização, do progresso e da cultura "superior". Embasados não em pressupostos considerados válidos, mas sim na crença religiosa rústica, afiguravam-se ao ensaísta como tendo valor apenas por serem prova do atraso e da incultura dos sertanejos. Assim, no seu julgamento "valiam tudo" para a demonstração de suas teses, porque "nada valiam" em termos culturais. Conclui-se, desse modo, que a visão de Euclides ficou muito condicionada em decorrência de sua postura de análise e de sua crença nos ideais republicanos como expressão do progresso e da civilização, como um valor intrinsecamente positivo. Sua visão, embora crítica e fraturada pela tomada de consciência diante do crime perpetrado contra os sertanejos, está comprometida e determinada pelos valores da cultura oficial do século XIX. E isso é compreensível, uma vez que o ensaísta fazia parte dessa cultura e no seu contexto assumia lugar como intelectual e pensador.

O ponto de vista de Euclides da Cunha: algumas considerações

Quando Euclides da Cunha toma Canudos para tema de seus escritos, colocando-se no debate aberto em função da intervenção militar na vida do arraial sertanejo, o faz na condição de intelectual de formação militar e partidário do regime republicano recém-implantado. Como intelectual, era representante da cultura oficial, do espaço litorâneo, com uma formação embasada nos paradigmas da cultura européia de que o pensamento brasileiro era tributário. Como republicano, defendia o novo regime que considerava uma marca positiva de progresso e civilização. Como militar, tinha-se afastado da ativa por reforma, devido a algumas posições dissidentes em relação aos rumos e métodos militaristas da facção republicana florianista ou jacobina que assumira o governo do país.

Como se sabe, os primeiros escritos de peso sobre a questão de Canudos foram os dois artigos publicados no jornal O Estado de São Paulo (14 mar. e 17 jul. 1897), intitulados "A nossa Vendéia". Nos artigos, escritos sobre o impacto dos reveses das primeiras expedições militares, Euclides toma o partido do Exército, critica o presumido objetivo de restaurar a Monarquia atribuído aos canudenses e manifesta a convicção de que "serão desbaratadas as hostes fanáticas do Conselheiro" pelos soldados da República, "admiráveis de bravura e abnegação" (25).

Em um dos artigos, "Canudos (Diário de uma expedição)", escrito a bordo do navio Espírito Santo, em 7 de agosto de 1897, e publicado em O Estado de São Paulo (22 ago.), Euclides realça, com uma notável disposição militarista, a mesma convicção dos artigos anteriores, afirmando: "Que a nossa Vendéia se embuce num largo manto tenebroso de nuvens ... Rompê-lo-á, breve, a fulguração da metralha, de envolta num cintilar vivíssimo de espadas". E conclui o artigo com uma frase de efeito que é bastante expressiva do seu estado de espírito: "A República é imortal" (26).

Logo depois, Euclides chega ao local do conflito, como correspondente de Guerra do jornal paulista, e manifestará de forma crescente em seus textos uma mudança de ponto de vista. Walnice Nogueira Galvão rastreia essa transformação na seqüência dos textos enviados ao jornal, mostrando que a perplexidade de Euclides, no choque com a realidade, foi responsável pela mudança de sua ótica:
Destarte, tornam-se perceptíveis para o leitor os sucessivos choques que para Euclides implicou a tomada de contacto com a feia realidade da guerra, agravada pelo fato de ser uma guerra entre concidadãos. (27)

Assim, como afirma a ensaísta:

A sexta correspondência, datada de 16 de agosto, assinala um momento de crise de consciência. Duvida do rápido término da campanha e começa a se interrogar sobre a razão que preside à resistência, inquebrantável ao mesmo tempo que suicida, dos jagunços. ... Nas dúvidas e nas interrogações, entremostra-se o perfil de um homem honesto, que quer descobrir a verdade, mesmo que ela lhe doa e lhe custe a confiança que tem no mundo que o cerca. (28)

Cinco anos após o final do conflito, Os sertões foi publicado registrando os eventos de Canudos, em que, ao lado da análise do fenômeno à luz das teorias cientificistas, o autor denuncia a intervenção militar como "um crime da nacionalidade". Assim, o seu discurso se constrói num jogo retórico de antíteses, em que as imagens positivas e negativas se justapõem e se entrechocam, como marcas dos seus impasses ideológicos e metodológicos, diante das imposições do rigor científico da abordagem e, ao mesmo tempo, diante da necessidade de formular uma denúncia eficaz.

Com efeito, a análise dos eventos de Canudos, dentro dos pressupostos filosóficos e científicos em voga, faz com que Euclides veja os canudenses como uma comunidade em atraso cultural, num estádio retrógrado de civilização, em estado de ignorância. Dentro dessa ótica, a civilização brasileira desenvolvida tinha o seu lugar na faixa do litoral, enquanto o sertão conservara-se à margem do processo civilizatório, ficando "fora da cultura". Contudo, do ponto de vista etnográfico, Euclides considera o sertanejo como uma sub-raça resultante do tipo de miscigenação mais adequada à formação da raça brasileira. Isto porque o homem do sertão seria o resultado da miscigenação do índio, considerado raça autóctone da América, com o europeu português, considerado a raça evoluída em grau superior de cultura e civilização. O sertanejo é visto como um elemento que estaria fora da cultura e que deveria ser integrado à nacionalidade, é visto como uma raça inferior, degenerada pela miscigenação, mas também como sub-raça viável para a definição etnológica da identidade nacional. Assim, ao mesmo tempo em que define uma identificação etnológica com relação ao mestiço sertanejo, demarca, em seu discurso analítico, o seu distanciamento etnocêntrico como integrante do grupo cultural litorâneo, ao julgar negativamente as manifestações culturais dos canudenses. Entretanto, ao presenciar a ação dos republicanos que cometem um genocídio contra os sertanejos, suas convicções se abalam e tornam problemática a sua identificação com o lugar cultural litorâneo. O homem e intelectual Euclides encontra-se, dessa forma, ao mesmo tempo, condicionado pelo aparato conceitual que norteia o seu pensamento e tocado pela aguda consciência adquirida ao presenciar a Guerra e conhecer a realidade sertaneja de perto. Dessa forma, a visão de Euclides acerca de Canudos torna-se complexa e problemática. A compreensão desse problema é sistematizada por Roberto Ventura, ao analisar a situação de Euclides diante do seu objeto de estudo. Segundo o ensaísta, a radicalidade do autor de Os sertões reside na preservação de um etnocentrismo elementar na abordagem da sociedade sertaneja e na concomitante ruptura com seus parâmetros iniciais, impedindo o retorno à cultura original, de extração liberal-republicana. Essa experiência de choque transforma em problema a constituição de identidade nacional, por meio da oscilação entre identificação etnológica e distanciamento etnocêntrico e pela dificuldade em estabelecer, através de positividades e negações, as margens de seu próprio campo semântico e cultural. (29)

Como já se afirmou, o discurso de Euclides da Cunha é ambíguo, marcado por um torneio retórico de antíteses, em que Antônio Conselheiro, seus seguidores e Canudos emergem da análise num jogo de contradições, ora positivados e admirados, ora negativados e execrados. Isso mostra o impasse de Euclides diante da realidade observada, diante da dimensão humana do conflito e diante das limitações do seu método de análise. Todavia, pode-se considerar que o seu distanciamento cultural se mantém em todo o percurso do ensaio. Em toda a extensão de seu discurso, verifica-se que ele fala do lugar litorâneo, ainda que de uma perspectiva problemática, condicionado pelas teorias que limitam o alcance de sua visão.

Eduardo Hoonaert assevera que "todo discurso humano é relativo a um determinado lugar, não existe discurso senão situado", pois "o lugar entra na própria constituição do discurso proferido pelo homem" (30). Assim, ao debruçar-se sobre o episódio de Canudos, Euclides o faz, e não poderia ser diferente, a partir da perspectiva do lugar litorâneo, seu espaço de inserção ideológico-cultural. O seu instrumental analítico era inerente à cultura oficial e diante da insuficiência desses pressupostos e sob o impacto da experiência pessoal, ele soçobra num profundo impasse. O resultado disso exprime-se na dicção angustiada do seu texto, quando o seu impasse torna-se expressão, estilo e retórica. Ao avaliar os fatos e suas motivações, ele confronta a realidade do espaço litorâneo, desnudando os equívocos e limitações da cultura oficial, com o espaço sertanejo, analisando as razões dos "atrasados" e o impacto de sua resistência. Assim, como num jogo de espelhos, todos os juízos desfavoráveis a Canudos do ponto de vista da abordagem cientificista tornam-se favoráveis do ponto de vista ideológico, como parâmetros que levam a considerar a intervenção militar como um crime perpetrado pelo grupo litorâneo contra os sertanejos.

Euclides poderia ter relativizado ainda mais suas posições sobre Canudos? É uma questão difícil de responder, embora se conheçam posições mais favoráveis de outros intelectuais da época como Machado de Assis, Rui Barbosa e Afonso Arinos. O fato é que as teses da loucura progressiva, do atavismo exacerbado, da psicose coletiva, dos estádios diferenciados de civilização das raças pesaram muito sobre sua análise, condicionando-a a julgamentos apriorísticos que diminuíram a possibilidade de uma avaliação mais equilibrada de Canudos. Por uma questão de coerência analítica, ditada pelos pressupostos teórico-metodológicos, ele deixa de ver outros aspectos do arraial de forma mais ampla: a sua vida comercial e seu cotidiano, por exemplo. Os aspectos selecionados e o vezo de demonstrar as formulações científicas levam-no quase sempre a fazer avaliações negativas e o comentários desqualificantes, embora não pudesse deixar de registrar sua perplexidade diante do desenlace da Guerra. Assim, os impasses despontam no texto como sinal positivo da evolução de seu pensamento. Euclides da Cunha mostra-se sempre um intelectual preocupado em "pensar" o Brasil de forma problematizadora, em face daquele momento histórico e do complicado processo de formação de uma sociedade que fosse capaz de integrar os diversos grupos humanos (litoral e sertão) na definição da identidade nacional. Enfim, independentemente da perda de sua vitalidade conceitual, a permanência e a atualidade de Os sertões se devem à veemência de sua denúncia, à sua pertinência histórica e à sua excelência literária, o que o sustenta como um marco fundamental da cultura brasileira.
Notas

. 1. CUNHA, E. Os sertões. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura/Brasiliense, 1985.
. 2. Idem, p. 206-7.
. 3. Neste particular, Alfredo Bosi destaca a diferença da visão de Euclides da Cunha em relação à de Nina Rodrigues na abordagem dos aspectos considerados negativos ou degenerescentes peculiares à mestiçagem: "Em Nina Rodrigues, médico, a atenção a esse aspecto patológico e delinqüente dá o tom do enfoque, que em Euclides, seu discípulo, é compensado por uma franca admissão do valor pessoal, da energia física e expressiva dos sertanejos observados de perto em Canudos." Cf.: BOSI, A. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.332.
. 4. CUNHA, op. cit., p. 217.
. 5. Idem, p.221.
. 6. Idem, ibid.
. 7. Idem, p. 227.
. 8. NOGUEIRA, A. Antônio Conselheiro e Canudos.: revisão histórica/A obra manuscrita de Antônio Conselheiro e que pertenceu a Euclides da Cunha. São Paulo: Nacional, 1978. p. 23.
. 9. Id., loc. cit.
. 10. NOGUEIRA, op. cit., p. 170-4.
. 11. Idem, p. 175-82.
. 12. Idem, p.176.
. 13. Como se sabe, a deposição do monarca, a adoção do voto, a instituição de impostos nos municípios e a criminalização da celebração do casamento religioso antes do civil constituíam os pontos básicos da divergência de Antônio Conselheiro que, assim, via na República um regime de incrédulos que queriam acabar com a religião.
. 14. NOGUEIRA, A., op. cit., p. 181-2.
. 15. CUNHA, op. cit., p. 249.
. 16. Idem, ibid.
. 17. Idem, p. 250.
. 18. CUNHA, E. Caderneta de campo. São Paulo: Cultrix, 1975.
. 19. CUNHA. E., 1985, op. cit., p.250.
. 20. Idem, p. 780.
. 21. Idem, p. 251.
. 22. Título dos artigos publicados em 14. mar. e 17 jul. 1897, em O Estado de São Paulo, em que os sertanejos são comparados aos camponeses da Vendéia, França, que se bateram contra a Revolução Francesa. Cf.: GALVÃO, W. N. (Org.). Euclides da Cunha. São Paulo: Ática, 1984. p. 76-84.
. 23. CUNHA. E., 1975, op. cit., p.58-9.
. 24. Idem, p.59-61.
. 25. CUNHA, E. A nossa Vendéia. In: GALVÃO, W., op. cit., p. 84.
. 26. Idem, p. 86.
. 27. GALVÃO, W. N. De sertões e jagunços. In: ___. Saco de gatos: ensaios críticos. São Paulo: Duas cidades, 1976, p. 70.
. 28. Idem, p. 71.
. 29. VENTURA, R. "A nossa Vendéia": Canudos, o mito da Revolução Francesa e a formação de identidade cultural no Brasil (1897-1902). Revista do Instituto de Estudos Brasileiros,( São Paulo), n. 31, p. 129-45, 1990. p. 144.
. 30. HOONAERT, E. Discurso evangélico e discurso colonialista. In: ___ et al. História da igreja no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1983. v.II/1.
Aleilton Fonseca é professor do Departamento de Estudos Lingüísticos e Literários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Cursa Doutorado na Universidade de São Paulo.


Enviado pelo escritor, professor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso
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O TENENTE ZÉ RUFINO

Por Geraldo Júnior

Essa dispensa apresentações... foi o responsável pela morte de inúmeros cangaceiros, sendo o de maior destaque o cangaceiro Corisco. Uma imagem pouco conhecida do tenente Zé Rufino um dos maiores matadores de cangaceiros de todos os tempos.


Possuo um documentaria onde um entrevistador discorda de uma data dada por ele sobre a morte de Corisco. Corisco não reagiu, não tinha condições porque estava com os braços feridos. Seguiu em um carro de boi muito ferido. Acompanhado por Dadá, sua companheira.

Fonte: facebook

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SERÁ OU NÃO UM EQUÍVOCO?

Primeira foto - Da esquerda para direita: Nenê, Virgínio, Durvalina, Pancada...

No livro “Lampião: as mulheres e o Cangaço.” São Paulo (São Paulo), publicado em 1985, de autoria de Antonio Amaury Correa de Araújo aparece:

O cangaceiro identificado como Luiz Pedro, na verdade é Virgínio Fortunato da Silva, o "Moderno".

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Segunda foto
Terceira Foto

Não tenho autonomia e nem estou querendo ser conhecedor do cangaço, apenas estou dando a minha opinião, que para isso, não quer dizer que o sujeito está querendo ser o que não é, mas me parece que o pesquisador Valandro Fagundes Ferreira‎ está correto. 

A primeira fotografia parece ser mesmo o cangaceiro Virgínio Fortunato da Silva, o Moderno (ex-cunhado de Lampião e na caatinga era companheiro da cangaceira Durvalina), e não o cangaceiro Luiz Pedro do Retiro. Observem bem as três fotos acima para tirarem as suas dúvidas. 

Fonte: facebook

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OS CANGACEIROS INACINHA E GATO


Os dois cangaceiros acima são Inacinha e Gato que faziam parte do bando de Lampião. Inacinha foi capturada pelo batalhão de João Bezerra da Silva, em Piranhas, no Estado de Alagoas. 

Na tentativa de resgatá-la, seu companheiro Gato se juntou com o cangaceiro Corisco para tentar recuperá-la, mas foi alvejado pelo batalhão e posteriormente chegou a falecer. Corisco conseguiu fugir.

DATA DA FOTO: c.1936
FOTÓGRAFO: Benjamin Abrahão
LOCAL: Alagoas, AL, Brasil.

Fonte: http://fotonahistoria.blogspot.com.br

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CASA DO PADRE BULHÕES


Quando falamos em descaso com a história do Cangaço amigo Sálvio, está aí, outro exemplo nítido... 



Esta casa pertenceu ao 16º pároco de Santana do Ipanema, e foi o tutor do filho de Corisco e Dadá, o padre José de Melo Bulhões, que era Natura de Entre Montes - AL, ordenou-se sacerdote no dia 08 de dezembro de 1912, na catedral de Maceió. 

Padre Bulhões criou o filho dos cangaceiros Corisco e Dadá

Tomou posse como vigário da paróquia de Senhora Santana no dia 26 de janeiro de 1919. O padre Bulhões foi uma inestimável figura de evangelizador, respeitado até pelo bandoleiro Virgulino Lampião. 



Filho do casal Francisco Fernandes Bulhões e Sofia de Melo Bulhões, sempre ajudou a família, ao lado dos irmãos: Manoel, Francisco, Eugênio, Maria, Pedro, Aluísio, Maria Angélica e Antônio, fixou residência no casarão que pertencia à família Brandão. 



O padre José de Melo Bulhões nasceu no dia 03 de Julho de 1886, e faleceu no dia 17 de Outubro de 1952, na cidade de Santana do Ipanema, no Estado de Alagoas.


As fotos abaixo, mostram a casa ainda em pé e, às demais o terreno vazio ou parcialmente limpo, onde a casa foi demolida e apagada para sempre da memória do cangaço e do povo da cidade !

Fotos: Adriana Rodrigues !
Segunda fonte: facebook
Página: Adalto Silva

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