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domingo, 10 de junho de 2012

Lampião - Um homem destemido


Lampião entrou para o cangaço para vingar a perseguição do latifúndio contra sua família. Fazendo-se justiceiro, ao seu modo, organizou um bando e com ele passou a fazer frente ao que considerava injusto, atraindo para si a ira dos poderosos coronéis do sertão que, influentes na política, punham o Estado em seu encalço.

Nascido na essência dessa contradição, onde a violência do explorador exigia como resposta a violência do explorado, Lampião exerceu-a de forma inteligente e sagaz. Aos que de forma unilateral acusavam-no, ou ainda o acusam de sanguinolento, é válido lembrar a advertência de Bertolt Brecht quanto à obrigação que temos de observar, primeiro, as margens que oprimem o rio antes de reclamar de sua violência.

É bem provável que se Lampião tivesse nascido alguns anos antes, seguisse Antonio Conselheiro pelos caminhos do sertão até Canudos, ou, se tivesse nascido escravo na velha Roma ao tempo de Spartacus, talvez parceiro desse libertador. Nascido na segunda metade do século passado, provavelmente, seria encontrado liderando uma tomada de terra ou dirigindo um dos movimentos de camponeses sem terra.

Tantos condicionantes servem para entendermos que a guerra dos escravos, as guerras camponesas e o cangaço têm a mesma base: a opressão e a exploração da maioria do povo por um punhado de parasitas.

Lampião era um revoltado e não um revolucionário. Como tal, não tinha uma visão mais ampla da sociedade, circunscrevendo-se o seu mundo ao sertão nordestino, por ele mesmo demarcado quando mandou carta ao governador de Pernambuco propondo que o mesmo tivesse sua circunscrição limitada do litoral a Rio Branco, deixando daí para frente por conta de Lampião e, para isto, não faltavam planos, como tão bem foram expostos por Zabelê, o poeta e sanfoneiro do bando, no famoso poema Para haver paz no sertão.

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