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terça-feira, 2 de julho de 2013

Paixão à Primeira Página

Por: Sara Saraiva
 Sarinha na casa de Chico Pereira em Nazarezinho

Participar da experiência do Cariri Cangaço Parayba tornou-se mais que especial devido ao livro 'Vingança, não', do Padre Pereira Nóbrega. Tive a oportunidade de lê-lo dias antes do evento!


Sou apenas uma iniciante no assunto, não tenho embasamento teórico. Li o livro com olhos leigos, sem críticas, apenas sentimento. E foi paixão à primeira página. Fiquei cativada de tal modo que cheguei a me emocionar em certos capítulos e criei uma enorme empatia pela família Pereira, por sua luta , e principalmente, pela mensagem que eles passam. Assim, pisar no solo onde essa história aconteceu tornou-se algo mágico.

Visualizar os detalhes, embora ruídos pelo tempo, da casa de Chico Pereira e imaginar a ansiedade de Maria Egilda, a angústia de Francisco Pereira, a chegada dos cangaceiros, os cercos da polícia... Transportar a imagem que criamos a partir da leitura e ver que tudo foi tão real... É fascinante. Não há outra palavra para descrever a sensação além dessa.

 
Sarinha e Manoel Severo, Casa de Chico Pereira

Vivo em meio a textos rápidos na internet e uma juventude que desconhece a própria história. Participar desse evento, para mim, foi como um despertar. Observar a seriedade e o compromisso com que os fatos passados são discutidos e analisados trouxe-me uma grande curiosidade acerca do Cangaço e da história do nordeste em geral. Resgatá-la, estudá-la e entender o contexto em que se desenrolaram os acontecimentos é uma forma de reconhecer erros, refletir, compreender realidades e mais, evoluir.

A obra de Padre Pereira, por exemplo, foi-me uma grande oportunidade de reflexão. Embora narre uma história de violência, há uma moral esplêndida divulgada logo no título do livro. Uma vez que a própria sociedade induzia a vingança, e que os interesses políticos e econômicos influem mais que o âmbito humano, ver a determinação de Jarda em conduzir seus filhos, com sucesso, a um caminho de perdão, apesar de toda injustiça acometida a família, é um exemplo de persistência e humanidade. Ressalto, deste modo, um trecho do livro que descreve bem esse valor:

  "Vingar-se é menos do que humano, porque é próprio das feras. Perdoar é mais do que humano, porque é próprio de Deus.''


Sara Saraiva
Fortaleza

http://cariricangaco.blogspot.com
http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

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