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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CHICO LOBO O FILHO DO CORONEL

por Epitácio Andrade
Chico Lobo com 92 anos

Francisco Lobo Maia, seu Chico Lobo, nasceu em 1923, estando com 92 anos, é filho do coronel da guarda nacional Valdivino Lobo, falecido em 1924. O coronel Valdivino, proprietário da famosa Fazenda Dois Riachos, 

Casa da Fazenda Dois Riachos

situada na zona rural dos municípios de Catolé do Rocha e Belém de Brejo do Cruz, ambos na Paraíba, é referenciado juntamente com o seu genitor o fazendeiro Zé Lobo, no raríssimo livro Solos de Avena. Publicado na primeira metade do século XX, pelo escritor paraibano Alício Barreto (1901-1965), como os principais aliados da família Limão, arqui-inimiga do famigerado cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante (1844-79).

Coronel Valdivino lobo
                               
Como o coronel Valdivino faleceu durante seu primeiro ano de vida a memória acerca do genitor e progenitor foi adquirida através de informações repassadas por sua mãe e outros ascendentes. No dia 05 de outubro de 2015, o cidadão nonagenário Chico Lobo concedeu entrevista ao médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio Andrade, no Restaurante Mangai, em Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, sob os olhares atentos do constitucionalista Paulo Lopo Saraiva.

Epitácio Andrade, Chico Lobo e Paulo Lopo
                               
Gozando de absoluta lucidez de consciência, seu Chico Lobo não teve dificuldades para relatar a inserção da Fazenda Dois Riachos e de seus atores sociais no cenário de importantes passagens históricas no fenômeno social do cangaço. Lembrou que era tema frequente nas rodas de conversa familiares, a visita do escritor catoleense Alicio Barreto à Fazenda Dois Riachos.

Capa de Solos de Avena
                               
Em detalhes, narrou a invasão da fazenda pelo bando do cangaceiro Ulisses Liberato de Alencar, tema que será abordado noutro artigo, especialmente dedicado a tal episódio. Afirmou que o velho bacamarte chegou a compor o arsenal bélico da fazenda. Quando inquerido sobre a aliança do coronel Valdivino Lobo com a família Limão foi lacônico: Soube que papai era amigo dos Pretos.

Bacamarte de Jesuíno Brilhante
                               
A esse propósito, Pretos foi a alcunha como ficaram conhecidos os membros da família Limão, que estiveram em conflito com Jesuíno Brilhante e seu bando, durante uma década. Seu Chico lobo disse saber que Jesuíno Brilhante havia sido morto em lugar situado nas proximidades da Fazenda Santa Tereza. 

Serrote da Tropa

Tal lugar foi apontado pelo senhor Mário Valdemar Saraiva Leão, com 98 anos, como sendo o Serrote da Tropa, situado na comunidade Santo Antônio, nas margens do Riacho dos Porcos, na zona rural de São José de Brejo do Cruz, na Paraíba.

Mário Saraiva com 98 anos
                               
E ficou imortalizado pelos versos da viola do menestrel Chico Mota (in memoriam) que, em cantoria-desafio, realizada no mercado público de São José de Brejo do Cruz com Antônio Silva, assim sentenciou: No serrote da Tropa, o cangaceiro do Rio Grande do Norte se encontrou com a morte. Seu Chico Lobo é um patrimônio histórico-cultural vivo do Nordeste brasileiro.

http://epitacioandradefilho.blogspot.com.br/2015/10/chico-lobo.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

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