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domingo, 11 de dezembro de 2022

DA FAZENDA SANTA LUZIA À CIDADE DE MOSSORÓ

Acervo do Jornal De Fato


No começo eram apenas criadores de gado e proprietários de fazendas, hoje, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.

O povoado teve sua origem com a pecuária, como muitas cidades interioranas, pois o lugarejo surgiu a partir de uma fazenda de gado, nas margens do rio Apodi-Mossoró, que recebeu o nome de "Fazenda de Santa Luzia", do proprietário português de Braga, Sargento-mor Antônio de Sousa Machado, onde foi edificada uma Capela com pedra e cal em 5 de agosto de 1772, à Santa Luzia, conforme uma promessa feita por sua esposa, Dona Rosa Fernandes.

Com a construção da Capela, aos poucos foram surgindo as casinhas nos arredores do templo religioso, no meio de denso matagal. E o pequeno povoado foi se formando, passando o lugar a se chamar, depois de Algum tempo, de povoado de Santa Luzia; mas, não se sabe quem foi o autor dessa razão social.

Com o tempo, os habitantes foram limpando os matagais circunvizinhos e formando pequenas "ruas" pelo arraial, e logo foram surgindo os nomes das ruas: Rua do desterro, Rua do Cotovelo, Rua do Triunfo, Rua Domingos da Costa, dentre outras.

No começo, essa região de Mossoró contava apenas com criadores de gado, proprietários de fazendas, sendo eles todos de outros Estados e cidades que ficavam próximas ou distantes; isto bem antes de 1739, quando a fazenda tinha como proprietário o capitão Teodorico da Costa. No ano de 1754, a fazenda passou a pertencer a José de Oliveira Leite. Nesta época existiam apenas 50 habitantes, não mais do que isso. 

Desde a criação do povoado que essa gente era ligada politicamente ao município e cidade de Apodi, na região do Médio Oeste potiguar. Mas, no dia 27 de outubro de 1842, pela resolução Nº 87, a freguesia de Santa Luzia de Mossoró foi desmembrada de Apodi, pelo Governo da Província. A Capela de Santa Luzia foi elevada à categoria de Matriz, tornando-se independente e, seu primeiro vigário, foi o Padre Antônio Joaquim Rodrigues, um homem que seria mais tarde um batalhador para que Mossoró se transformasse em cidade. 
Padre Antônio Joaquim Rodrigues

A pessoa que mais lutou por isso foi Antônio Francisco Fraga Júnior que encaminhou os papéis para o bispo Dom João da Purificação Marques Perdigão, que estava visitando o Estado do Ceará, naqueles idos, pois tudo que as pessoas queriam era o desligamento da Paróquia de Apodi e, naquele ano, 1838, não foi possível essa realização, nada ficou concretizado.

No dia 6 de outubro de 1840, ele voltou novamente a insistir pedindo para que a ideia fosse revista e, finalmente, depois de tanto tempo, esse sonho foi realizado por meio da Resolução nº. 87, de 27 de outubro de 1842, desmembrando,, assim, a nossa igreja da Freguesia de Apodi, e elevando à categoria da Matriz e incorporando-a ao termo da comarca de Assú.

Com o desligamento do município de Apodi, o povoado de Santa Luzia passou a pertencer politicamente à cidade de Assú-RN, situação que durou cerca de dez anos.

Na sessão do dia 13 de janeiro de 1852, chegava à Câmara Municipal um abaixo-assinado dos moradores da Freguesia de Santa Luzia, pedindo a elevação do povoado à categoria de Vila de Santa Luzia, sendo o abaixo-assinado lido pelo Secretário da Assembleia, Jerônimo Cabral Raposo da Câmara, e foi justamente pelo decreto Providencial, por meio da Lei Nº. 246, de 15 de março de 1852, que o povoado de Santa Luzia (Mossoró) foi elevado à categoria de vila, com o nome Vila de Mossoró, sendo sancionado pelo Dr. José Joaquim da Cunha, nascendo assim o décimo nono município da Província do Estado do Rio Grande do Norte. 

Padre Antônio Freire de Carvalho

No dia 24 de janeiro de 1853, fora instalada, nesta cidade, a primeira Câmara Municipal sob a presidência do padre Antônio Freire de Carvalho, e só foi elevada à categoria de cidade no dia 9 de novembro de 1870, pela Lei Nº. 620, por meio do Vigário Antônio Joaquim Rodrigues. Nesta época, ele era Deputado Provincial, quando apresentou o projeto à Assembleia Legislativa, no dia 25 de outubro de 1870, e com muito orgulho disse: "Fiz disto aqui uma cidade".

As três primeiras famílias a residiram neste município de Mossoró foram: Cambôa, Guilherme e Ausentes, sendo que a mais numerosa era a família de Cambôa, que no começo habitava somente na Ilha de Dentro; logo depois, estava habitando em toda a ribeira. A família Guilherme habitava o lugar chamado de "Camurupim" e a família Ausentes habitava o lugar mesmo nome.

No dia 12 de janeiro de 1871, a Câmara Municipal de Mossoró resolveu denominar  as ruas e numerar as casas, sendo escolhido para realização desse serviço o capitão Antônio Filgueira Secundes e Jeremias da Rocha Nogueira, mas não se sabe se eles fizeram mesmo.

No dia 17 de agosto de 1873, o vigário pediu autorização para construir um cemitário aos restos mortais das pessoas que moravam nesta cidade, sendo hoje o Cemitério São Sebastião. 

Cemitério São Sebastião de Mossoró

Mossoró é a segunda maior cidade do RN, com mais de 300 mil habitantes, e serve de polo para as regiões do Médio e Alto Oeste, Costa Branca, Vale do Assú e até Região Central. Indústria, comércio e serviços são carros-chefes de uma economia pujante. As indústrias de sal e do petróleo são destaques.

Mossoró tem na sua história e na cultura o perfil de cidade da resistência. Quatro importantes episódios são celebrados: Abolição da Escravatura, Motim das Mulheres, Primeiro Voto Feminino e a Resistência ao bando de Lampião.

Fonte: Livro Catedral de Santa Luzia - Um pouco de sua história. 

Segunda fonte: Revista de Santa Luzia.
Jornal De Fato.
Mossoró - Dezembro de 2022.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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