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quinta-feira, 14 de março de 2013

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.

Por: Juliana Pereira Ischiara
Juliana Pereira Ischiara e Alcino Alves Costa

No seu livro “Admirável Mundo Novo”, lançado em 1932, o escritor inglês Aldous Huxley faz uma ferrenha crítica ao avanço desenfreado da ciência e da tecnologia, em oposição à religião e aos valores morais e sociais. Segundo ele a ciência acabaria por liquidar, entre outras coisas, a vocação humana pelo abstrato e divino.

Escritor inglês Aldous Huxley

Até entende-se que ele fosse assim tão descrente e pessimista em relação à metafísica. Vivia-se em um mundo onde a carta já entrava em desuso pela acessão do telefone, os barcos cediam lugar as aeronaves nas travessias oceânicas e os dirigíveis atracavam com toda pompa e circunstância em plena Nova York. Mas ele estava errado. E a história já tinha provado isso, muito antes dele nascer. 

Os gregos, nos legaram o teatro de Fídias, a engenharia de Arquimedes, a física de Ptolomeu e a oratória de Demostenes. Ao mesmo tempo em que o Liceu fervilhava de ideias e inovações, erguia-se um templo em homenagem a Deusa Atenas, no centro da Polis, consultava-se o Oráculo da ilha de Delfos antes de ser declarada guerra e acreditava-se em um panteão de deuses assentados na corte do Olimpo, que muitas vezes se divertiam com as vicissitudes e fragilidades humanas, quando não estavam em uma luta fraticida pelo poder das hostes celestiais. 

Os romanos nos deram o direito no arcabouço que o conhecemos; construíram pontes e estradas e tornaram o latim a primeira língua de abrangência ultra continental. Mas os seus imperadores recebiam como primeiro título o de Pontifex Maximus – Sumo Pontífice – líder supremo da religião, antes dos demais títulos militares ou políticos. Possuíam mais de mil divindades das quais o mais poderoso era Júpiter, considerado o guardião de Roma e de todos que nela habitavam. E ofertavam punhados de terra em honra de suas batalhas.

Com o Renascimento a Europa esboçou uma ruptura entre o homem em constante evolução e a religião. Os artistas, pensadores, cientistas iriam provar que a fé era uma amarra que legara mil anos de obscuridade ao continente. Era a alforria do pensar, subjugado até então pelos grilhões do crer.

E aí veio Dante Alighieri, descrevendo o paraíso celeste com todas as cores do sublime e o inferno com o peso de uma desgraça tão profunda que por falta de um adjetivo para descrevê-lo acabou recebendo o nome deu narrador: dantesco.
Veio Michelangelo para pintar a perfeição humana, no teto da Capela Sistina, onde oram em silêncio os papas.
Veio Descartes afirmar que o objetivo maior da ciência era encontrar a harmonia com Deus.

E tivemos o choque entre mundos impulsionado pelo vento á ufanar as velas das naus ibéricas. O vapor, a eletricidade, o telegrafo, o rádio, o cinema, o mundo em guerra, o vermelho bolchevique, as flamulas em estandarte, o mundo de novo em guerra, a bomba com brilho de mil sois. 
A divisão, o Muro, os quatro de Liverpool, a minissaia, a pílula, o medo do fim do mundo pelo apertar de um botão, o PC 286, 386, a internet, o 486, Pentium 1, 2 e 3, MIRC, Orkut, Facebook, o mundo em 140 caracteres, o Instagram , um "Habemus Papam" escrito com emoticons que simbolizam abraços e uma necessidade gritante deste admirável mundo novo de buscar o divino, como nunca na sua história.

A ciência nos ajuda a compreender como os aviões voam, mas nos benzemos antes de decolar. A medicina cura doenças, mas ao lado de muitos blocos cirúrgicos existe um altar de oração. A internet nos permite saber o que se passa no mundo e o mundo passou o dia ligado na rede para saber quem seria o novo papa.

Sempre estaremos diante de um admirável mundo novo, repleto de evoluções e acontecimentos espantosos. É da natureza humana buscar tal evolução, como também é da sua natureza, buscar o divino. 

Este admirável mundo novo não refrata Deus. Pelo contrário: clama incessantemente que Ele nos ajude a compreender por que vivemos cada vez mais afastados dos nossos semelhantes, quando estamos muitas vezes a distancia de um click. E roga que Ele nos permita sempre ter esta força que nos faz marejar os olhos e acreditar no imponderável, que alguns resolveram chamar de alma.

Bem vindo Francisco I, a este admirável mundo novo.

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Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço: Kydelmir Dantas

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O PAPA

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2013. Crônica Nº 982

O PAPA

Dois choques descarregaram no mundo velho de meu Deus, em relação a Bento XVI. O primeiro foi a sua indicação pátria, pois ainda estamos vivendo às lembranças das atrocidades nazistas. A Alemanha, mesmo sendo a primeira economia da Europa, era olhada como a sede do barbarismo da praga do mundo, Adolf Hitler. A indicação de um papa daquele território deixou o planeta de boca aberta, mas Bento XVI superou a marca da besta e foi um ótimo papa. A sua renúncia foi outro choque, pois os católicos não estavam acostumados com renúncia de pontífice romano. Agora, para completar o quadro das surpresas, um primo de Maradona é indicado chefe maior da Igreja. Brincadeira à parte foi uma grata notícia para o mundo cristão, principalmente para os latinos. As informações por quem entendem passadas pela televisão, tranquilizam os seguidores do Cristo pela humildade, firmeza e carisma de novo papa, Francisco I. A novela da Globo já avisava com antecedência: “Salve Jorge!”.

Francisco I

Foi muito bom que o novo Pontífice fosse argentino. Além de ser um enfrentante da mulher meio democrática, meio déspota, Cristina Kirchner, elevou a fé e a moral dos latinos. Caso tivesse sido eleito um cardeal do Brasil, pronto! Todo político safado também iria querer ser papa. E como a corrupção no país é generalizada, não duvidamos que pelo menos um deles conseguisse. Francisco I vai ter que suar as vestes para dá conta da imensa responsabilidade que lhes colocaram às costas. Casamento gay, desobediência, individualismo, celibato, mulheres na Igreja, racismo, pedofilia, guerras regionais e escândalos financeiros no Vaticano, são apenas algumas das inúmeras e difíceis questões que aguardam nas esquinas da Terra. Esperamos de fato que o novo papa tenha sido apontado pelo Divino Espírito Santo e as orações dos fiéis sejam eficientes para o novo chefe da Igreja. E que também seu carisma, firmeza e humildade façam surgir à sabedoria fornecida pelo mesmo Divino Espírito Santo. O mundo precisa de uma liderança nova e vigorosa e que poderá ser saciado com Francisco I, o papa.


(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)

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SOBRE DEUSES E SEMIDEUSES (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*

SOBRE DEUSES E SEMIDEUSES

Os tempos são outros. Presume-se que hoje o homem viva num mundo de liberdade, garantia de direitos e respeito ao próximo. Contudo, muitos insistem em idealizar – e até considerar – a vida como um Monte Olimpo, moradia mítica dos poderosos e de onde os deuses e semideuses comandavam a vida dos reles mortais.

Os deuses mitológicos, tendo Zeus (e não Deus) como seu representante maior, formavam como que uma elite do poder. Imortais, donos da vida e da morte. Os seus subalternos, ou semideuses, lhes deviam obediência e, ao mesmo tempo, sobrepunham-se em poder aos humanos.

Essa hierarquia mitológica, onde Zeus, o deus supremo, imperava sobre todos, e outros deuses possuíam poderes específicos de atuação, bem como os semideuses que estavam na esfera intermediária, não se diferencia muito da hierarquia da sociedade atual. O Olimpo está em qualquer lugar onde haja poder.


Hoje, ainda que de forma imposta ou eletiva, mas com caráter transitório, continuam existindo deuses e semideuses. Muitos outros se arvoram da condição de verdadeiros intocáveis. Assim se impõem, não abrem mão de sua glória olímpica, e reinam sobre os simples humanos como se mitologicamente vivessem.

Ora, quantos Zeus vivem nos pedestais, de cetros e escudos reluzentes, fazendo valer suas condições de soberanos de outros deuses, semideuses, intocáveis e homens comuns?  Como sempre indagam os teóricos dos antigos alienígenas, será que são frutos de raízes desconhecidas ou são pessoas de outro mundo entre os humanos?

Respondo que são pessoas iguais às outras que, diante do poder conquistado, do cargo ou função obtida, da investidura alcançada, se negam a ser iguais. Quer dizer, são as investiduras, os cargos, as funções e os ofícios que acabam transformando e corrompendo o ego. E de repente a pessoa já se acha no Olimpo, um deus, um senhor absoluto dos hierarquicamente inferiores e da sociedade em geral.

Pelas suas pretensões, e logicamente pelas formas como agem, se comportam, comandam e decidem, os senhores do Olimpo estão egocentricamente instalados em muitos lugares. Quanta mitologia renascida nos três poderes, quanto fausto espalhado nos altos escalões, quando soberba imperando pelos gabinetes da vida.

Parece uma fúria titânica, um choque de deuses, pois são supremacias demais disputando espaço de poder, forçando para ver quem manda mais, querendo a todo custo o mundo a seus pés. Até quem deixou seu posto de comando no pedestal, na grande cadeira, continua endeusado ou se achando o próprio Zeus.

Diante da guerra egocêntrica entre tantos deuses, torna-se até difícil reconhecê-los pelas qualidades, mas apenas pela imposição de poder, pelos autoritarismos exacerbados, pelos gestos ditatoriais, pelo desfazimento com que tratam os subalternos. E coitados daqueles que estão no patamar inferior, que são os cidadãos comuns.

As divindades reluzem, são facilmente reconhecíveis. Há os deuses de vestes talares, becas e togas de retinto cetim, de caneta à mão e sentenças baseadas “no livre convencimento”. Ministros, desembargadores, juízes, promotores e até auxiliares destes agem, vivem e se comportam como verdadeiros onipotentes.

Há os que são votados pelo povo para apenas governar ou legislar, mas que aproveitam a ocasião para se endeusarem também. Como os deuses são praticamente inacessíveis, vivendo em redomas e cercados por lustrosos labirintos, coitado daquele simples mortal que deseje avistá-los. Corre o risco de paralisar diante do olhar da Medusa.

São deuses contraditórios, contudo. Governante que abomina o governado, e precisamente aquele que lhe depositou confiança, não merece subir novamente o Olimpo. Mas talvez seja o estigma egoístico tão próprio dos ingratos que os torna criaturas voltadas contra o criador. Não sabem, porém, que o seu trono está levantado pelas mãos dos reles mortais. E basta uma ação e tudo desaba.


Os semideuses espalham-se pelas chefias, diretorias, presidências de órgãos, cargos os mais diversos possíveis. Ao serem investidos nas suas funções, a primeira coisa que fazem é procurar distanciar-se do povo. E agem assim porque se torna mais fácil não ter de dar explicações das atitudes que tomam em prejuízo da população. Por isso mesmo que dão a vida para continuar no poder.

Como se vê, é um mundo de egoísmos, vaidades, autoritarismos, arrogâncias, abusos, desrespeitos. Pessoas que enxergam os outros com indiferença, que tratam as pessoas com submissão e prepotência não merecem qualquer respeito pelo ofício exercido. Será preciso reaprender a ser humano, e humanamente agir, para cumprir a dádiva de ser o que é.

Ademais, é inadmissível que pessoas que de tanto saber se arvoram tenham desaprendido coisas simples demais, assim como humildade, respeito, simplicidade e, principalmente, dignidade nas relações.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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Eu faço a minha prece e você faz a sua para chover



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quarta-feira, 13 de março de 2013

Ângelo Osmiro em noite ímpar do Cariri Cangaço-GECC


A noite Cariri Cangaço-GECC nesta última terça-feira no Espaço Raquel de Queiroz da Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemi de Fortaleza, teve em Ângelo Osmiro uma Conferência primorosa sobre "Os Livros do Cangaço escritos na época do Cangaço".

Para uma plateia seleta e atenta, o presidente do GECC e Conselheiro Cariri Cangaço Osmiro, "deitou e rolou" nos apresentando todas as publicações, muitas delas raríssimas, desde "O Cabeleira" de Franklin Távora de 1876, passando por "Os Brilhantes" de Rodolpho Teófilo de 1895, Terra do Sol de Gustavo Barroso de 1912, sem esquecer os clássicos "Beatos de Cangaceiros" de Xavier de Oliveira dos idos de 1920 e "Almas de Lama e Aço" de Gustavo Barroso.

Ângelo Osmiro e Renato Casimiro

Wilton Dedê e Aderbal Nogueira

Jonas Luis da Silva de Icapuí, Manoel Severo e Renato Casimiro

Para todas as obras Ângelo nos brindava com detalhes curiosos sobre a mesma ou sobre seus autores, garantindo uma noite impagável e que ficou na memória de todos os confrades que participaram do encontro. Ao final ficou marcada a nova data para o Encontro Cariri Cangaço-GECC para o próximo dia 02 de Abril na Saraiva Mega Store, parceira das instituições.



Por ocasião do encontro, o Conselheiro Cariri Cangaço Renato Casimiro, promoveu o sorteio de dois exemplares de "Cangaço - Uma ampla Bibliografia comentada” edição de luxo, cortesia do autor, confrade Melquíades Pinto Paiva. Na noite ficou confirmada a presença do GECC e do Cariri Cangaço na próxima reunião da Confraria do Chapéu de Couro, através do confrade Wilton Dedê.

Outra novidade da noite foi o inicio da formação da caravana GECC que estará presente na grande Avant Premier do Cariri Cangaço em Lavras da Mangabeira, para Manoel Severo "estamos recebendo confirmações além dos companheiros do Ceará, confrades da Paraíba e Rio Grande do Norte, isso é muito bom, nos deixa entusiasmados, tanto a nós que fazemos o Cariri Cangaço como os grandes anfitriões: Dr. Tavinho e Cristina Couto, juntamente com toda família Lavrense".    

Cariri Cangaço-GECC

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Catálogo do Artesanato Caririense lançado nesta quinta...


A AFAC – Associação dos Filhos e Amigos do Crato convida você e amigos para o lançamento do livro CATÁLOGO DE ARTESANATO CARIRIENSE, organizado pela Design e professora CLEO DO VALE,
da Universidade Federal, Campos Cariri.

O Lançamento será nesta quinta feira, dia 14 de março de 2013, às 19:30 hs, na livraria Lua Nova, na Av. 13 de maio em frente ao shopping Benfica no sentido Av. Jovita Feitosa para a  Av. Pontes Vieira, em Fortaleza-CE.

Wilton Dedê

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JORGE MARIO BERGOGLIO – NOVO PAPA DA IGREJA CATÓLICA, BUENOS AIRES - ARGENTINA


Jorge Mario Bergoglio (Buenos Aires, nasceu em 17 dez de 1936) é o Papa número 266 da Igreja Católica e chefe de Estado da Cidade do Vaticano, de 13 de março de 2013, escolhendo o nome de Francisco I.

Após a morte do Papa João Paulo II em 02 de abril de 2005, foi considerado um dos candidatos para assumir o lugar do Sumo Pontífice , dois cargo para o qual foi eleito Joseph Ratzinger, que assumiu o nome papal de Bento XVI ).

Bergoglio foi presidente da Conferência Episcopal da Argentina por dois períodos. Impedido por lei a adotar um novo mandato para o 102. Montagem º plenária de que o corpo foi eleito arcebispo da Arquidiocese de Santa Fe de la Vera Cruz, José María Arancedo, para sucedê-lo. 

Biografia

Jorge Bergoglio nasceu na cidade de Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936 , filho de um casamento italiano formado por Mario Bergoglio (trabalhador ferroviário) e Regina (dona de casa). Ele se formou em alta Escola Industrial ENET N º 27 (agora ETN # 27) Hipólito Yrigoyen, com o título de técnico químico.Aos 21 anos (em 1957) decidiu tornar-se padre. Entrou para o seminário no bairro Villa Devoto , como noviço na Companhia de Jesus .

Sacerdócio

Ele foi ordenado sacerdote em 13 de dezembro de 1969 . De seguida, fez uma longa carreira dentro da ordem de que se tornou "provincial" de 1973 até 1979 , e durante a ditadura civil-militar Argentina . (Veja Desempenho Bergoglio Argentina durante a ditadura).

Bispo e Cardeal

Depois de um muito ativo como professor padre e teologia, foi consagrado bispo titular Auca em 20 de maio de 1992, para atuar como um dos quatro bispos auxiliares Buenos Aires.

Quando a saúde de seu antecessor na Arquidiocese de Buenos Aires, Dom Antonio Quarracino começou a vacilar, Bergoglio foi nomeado bispo coadjutor da mesma em 03 de junho de 1997 . Ele assumiu o cargo de arcebispo de Buenos Aires em 28 de fevereiro de 1998.

Durante o consistório de 21 de fevereiro de 2001 , o Papa João Paulo II o criou cardeal título de São Roberto Belarmino . Também tornou-se o primaz da Argentina, tornando-o superior da Igreja Católica no país.

Presidente Cristina Fernandez de Kirchner recebe Dom Bergoglio. Fotografia de 19 de dezembro de 2007.

Parte da CAL (Comissão para a América Latina), a Congregação para o Clero , o Conselho Pontifício para a Família, a Congregação para o Culto Divino ea Disciplina dos Sacramentos, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo bispos, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

Sob sua posição episcopal, é também um membro da Conferência Episcopal da Argentina , da qual ele foi presidente duas vezes, até 2011 - e do CELAM(Conselho Episcopal Latino-americano).

Depois de dois mandatos consecutivos como presidente da Conferência Episcopal da Argentina, em 08 de novembro de 2011 os bispos nomeados eleitores do que o corpo para substituir o arcebispo de Santa Fé, José María Arancedo , primo do falecido presidente argentino Raúl Alfonsín e segundo vice-até então Conferência Episcopal.

Vaticano

Ao morrer João Paulo II , os cardeais estavam 117 crianças menores de 80 anos aptos a votar para eleger um novo papa, entre os quais estava o cardeal Bergoglio, que se diz ser capaz de obter 40 votos dos 77 que eram necessários para ser escolhido (ou seja, o segundo lugar, atrás de sua eleição e se tornar Bento XVI , o cardeal Joseph Ratzinger . 2 No entanto, uma vez que há obrigação de sigilo para os participantes do conclave ( Constituição Apostólica Universi Dominici Gregisde 22 de fevereiro de 1996 , cap. II, n. # 48), sob pena de excomunhão reservada ao Sumo Pontífice (Código de Direito Canônico , cânon 1399), este valor deve ser tomado como mera especulação.

Em março de 2013, o cardeal Jorge Bergoglio ser um dos dois envolvendo o conclave cardeais argentino para eleger um sucessor do Papa Bento XVI.

Foi eleito papa em 13 de março de 2013, depois de cinco votos no conclave após a renúncia de Bento XVII. Sob o nome "Francisco I".

A Santa Sé é membro da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos , da Congregação para o Clero, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica , o Conselho Pontifício para a Família e da Pontifícia Comissão para a América Latina

Revisão da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo
Uma das questões em que o Governo enfrentou o cardeal foi Bill Casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 9 de Julho 2010, dias antes de sua aprovação, emitiu uma nota Bergoglio seis qualificando como uma "guerra de Deus", o projecto, que previa que os homossexuais podem se casar e adotar crianças. 7 Na nota Cardeal Primaz, dirigida às freiras de Buenos Aires, descreveu o progresso legislativo do projeto como um "movimento do diabo" e encorajados a acompanhar que "esta guerra de Deus" contra a possibilidade de que os homossexuais poderiam se casar. O ex-presidente Nestor Kirchnercriticou as "pressões" da Igreja sobre esta matéria.

Presidente Cristina Fernandez de Kirchner acusou Bergoglio em termos duros para a campanha contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo , que foi debatido no Congresso, que ele comparou a "época medieval e da Inquisição."
http://es.wikipedia.org/wiki/Jorge_Mario_Bergoglio
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A Expedição contra Lampião, de Humberto Campos- Parte II


Por: Por:Manoel Neto

Longa seria a lista e certamente assunto para muitas laudas a história da repressão ao banditismo nos sertões do Nordeste, notoriamente no período em que o cangaço experimentou modificações expressivas no seumodus operandi, atingindo um nível de sofisticação profissional adredemente estruturada pela astúcia militar e estratégica de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Para combatê-lo e aos seus subgrupos, sob diferentes comandos, fizeram-se necessárias articulações políticas entre os estados atingidos[1]. Considerável dispêndio de recursos públicos, reciclagem das forças policiais regulares e das suas formas de combate, como também,  a incorporação de contratados eventuais, geralmente moradores das caatingas, afeitos ao terreno e conhecedores dos socavões por onde transitavam os bandoleiros, em verdade, guias sem os quais soldados e oficiais encontrariam enormes dificuldades de locomoção e orientação. Muitos deles tornaram-se rastejadores, isto é, indivíduos que divisavam em meio ao ambiente hostil e ilegível aos olhos leigos, as marcas deixadas pelos bandos marginais.

Ao comentar os preparatórios do capitão Chevalier, Humberto de Campos evidencia está mais familiarizado com as táticas e estratégias de luta dos adornados combatentes das caatingas. De chofre, sem maiores rodeios, chama a atenção do público leitor para o inédito conjunto de homens, armas e apetrechos a ser empregado na Campanha, afirmando que para justificar tão onerosa e complexa operação, os seus planejadores, à frente o oficial irredento de 1930, ancoravam-se na perspectiva de bater-se com uma quadrilha composta por 150 homens. Então Campos pondera explicitando conhecimento de causa:

E há nisso, evidente exagero. O cangaço profissional, para ser exercido com eficiência, prescinde de grandes grupos, que lhe comprometeriam a finalidade. A sua tática reside na mobilização rápida, na facilidade da dispersão no momento do perigo, e esta não é possível se os cangaceiros dispusessem de contingentes consideráveis. Antônio Silvino[2] jamais admitiu mais de uma dúzia de cabras, e Lampião nunca reuniu mais de 40, e isso mesmo para entrar em Juazeiro, temendo uma surpresa de Padre Cícero[3]. É sabido, mesmo, que o seu processo consiste em reduzir os seus contingentes à medida que é perseguido, de modo a desorientar os perseguidores, eclipsando-se na caatinga(CAMPOS, pp. 31, 32).

A citação conscientemente longa se impôs em decorrência da relevância de algumas observações nela contidas, que ratificam nossa percepção de que o articulista àquela altura já conhecia maiores detalhes sobre o modo de guerrear de Lampião e seus seguidores, observações estas que grifamos no trecho citado.

Interessante é que Campos já se refere ao “cangaço profissional”, num tempo em que a vida bandoleira no Nordeste ainda era analisada sob outros prismas. 

Vale ressaltar igualmente que em Mossoró, para citar das mais infelizes sortidas de Lampião contra uma localidade, os sitiantes somavam mais de 150 homens, muito embora fosse um somatório de bandos que atuavam dispersos e independentes, inclusive nos seus comandos. Portanto, época houve, antes de ingressar na Bahia em 1928, que os agrupamentos eram mais numerosos, ao revés do mencionado no texto.


Independente das ponderações expressas fica, entretanto, o reconhecimento de que “o jovem oficial revolucionário vai prestar, todavia, um relevantíssimo serviço a sua terra, com essa expedição” (CAMPOS, p. 32). Mas, cauteloso e reflexivo adverte o capitão Chevalier: “Para combater cangaceiros, faz-se mister mais a habilidade individual do que a bravura, e mais perfídia vulpina do que, propriamente, arte militar”.(ibid. p. 32). Ou seja, o expedicionário teria que usar de “perfídia vulpina”, ou melhor, usar a sagacidade, a esperteza, a mobilidade da raposa, animal que integra a fauna catingueira, prevendo adiante

“[...] que vamos assistir a um duelo entre a artimanha de um bandoleiro e a intrepidez de um verdadeiro soldado, ou, mais caracteristicamente, um encontro entre um cavaleiro que maneja um florete e um bárbaro que avança contra ele sustentando com a s duas mãos a sua formidável tangapema (grifo nosso) de maçaranduba” (CAMPOS, passim).

O contraponto entre civilização e barbárie que neste extrato fica delineada no confronto entre “o cavaleiro que maneja o florete” e o bárbaro munido de tangapema – mesmo que tacape, borduna, armas de guerra indígenas – representado pelos homens do cangaço, foi usado reiteradamente por Euclides da Cunha designando os camponeses sublevados em Canudos, tratamento reincidente em outros autores quando historiaram as insurreições do Contestado[4] e Pau-de-Colher[5], levantes rurais, nos quais milhares de seres humanos foram sacrificados com requintes de crueldade pelas armas “civilizatórias” do Exército e das forças policiais dos estados beligerantes.


Não nos esqueçamos das volantes e suas arbitrariedades e violências, quando soldados representando os Governos, estadual e federal, comportavam-se de forma truculenta. Lamentável por tudo a referência aos índios brasileiros, vítimas de agressões e dizimados durante séculos pelos colonizadores, latifundiários e autoridades dos mais diversos calibres e procedências. Afrancesada e recolhida ao conforto das cidades, especialmente as litorâneas, a intelectualidade brasileira ou a maior parte dela costumava “chamar de feio tudo que não era espelho”, parafraseando Caetano Veloso, e Humberto de Campos não era exceção, carregando sobre o seus ombros o pesado fardo do “espírito da época”. Volta-se posteriormente para aquilo que considera ultrajante para o país e sem rebuços, direto e incisivo opina:

“”A impunidade de Lampião constitui, sem dúvida, uma vergonha para a nação brasileira, e reclamava, de há muito, a intervenção do Exército, isto é, de forças da União, para acabar com o escândalo da sua sobrevivência. Mas não reclamava, talvez, a honra de uma expedição tão vultosa, como essa que lhe está destinada”. (grifo nosso). (CAMPOS, ob. cit. p. 33).

Retoma a tese de uma intervenção federal como resolução adequada pata enfrentar a  resistência obstinada e ardilosa dos cangaceiros, sem perder de vista, contudo, o juízo sobre o exagero das forças e equipamentos mobilizados para a tarefa, considerando que talvez “o Diabo não seja tão feio com se pinta”.


Logo mais vai descer ao terreno das especulações ao tomar como exemplo episódio ocorrido com o rei de Túnis, que tendo sua cidade arrasada pelas tropas de Luiz XIV, Rei de França, teria afirmado aquele monarca que pela metade dos gastos dispendidos pelo Rei Sol para por abaixo “o velho porto africano”, ele próprio executaria a tarefa pela metade do valor gasto, o que pouparia vidas e recursos. Logo volta a realidade dos fatos e escreve:

“Amando a agitação e o perigo, o Capitão Chevalier não aceitaria, sem dúvida, uma proposta de Lampião, no sentido de lhe darem a metade das despesas da Expedição mediante o seu desaparecimento do cenário nordestino. [...] O que o seduz é aventura e não o resultado feliz”. (Idem).

Desavisado pressupõe ser o Capitão sediado no litoral a recusar proposta do seu “colega” de patente, o comandante das tropas catingueiras, que tinha para si planos mais ambiciosos, sonhava ser o “Governador do Sertão”, conforme já propusera em um dos seus famosos bilhetes, este encaminhado ao Sr. Júlio de Melo, mandatário de Pernambuco, no mês dezembro de 1926, no qual redigiu a debochada proposta de uma divisão territorial e de poder. Seria ele Lampião, responsável pela região sertaneja do território pernambucano, cabendo a Júlio Melo, governar o litoral. Provocativo garatujou textualmente:

“Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor pra evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas... Se o senhor estiver de acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do sertão, fico governando esta zona de cá, por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda os seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço.
Aguardo resposta e confio sempre[6]”

Como se vê avaliava mal o acadêmico. Àquela altura, em meados dos anos vinte não houvera Lampião cruzado o Rio São Francisco rumo a Bahia. Não intentara contra a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, fato ocorrido somente no dia 13 de junho de 1927, mas já se convertera em figura carimbada nos sertões, caminhando rapidamente para se tornar história e mito, memória e imaginário.

A seriedade do assunto tratado não toldava, contudo, o fino humor de Humberto de Campos. Finaliza sua crônica de forma imaginativa e jocosa: “Eu tenho receio, entretanto, que o excesso de pares comprometa o sucesso da contradança, e que ouçamos, daqui do litoral, marcação do celerado sertanejo:- “Dames à droite!.... Chevalier à gauche!...” E que, como consequência, a quadrilha continue...” (CAMPOS, ibid. pp. 34,35).

Evocando as quadrilhas tão animadas e comuns nas festas sertanejas de junho, Campos fez-se profeta e acertou no alvo: muita água ainda rolaria debaixo da ponte. Mas isso fica para o próximo capítulo!

Manoel Neto
PESQUISADOR/HISTORIADOR
MEMBRO DO INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA – IGHB
COORDENADOR DO CENTRO DE ESTUDOS EUCLYDES DA CUNHA – CEEC/UNEB

[1] Foram celebrados vários convênios de cooperação entre os Estados molestados pelo cangaço, dentre os quais destacamos aquele acordado em 1927, entre os dias 28 e 30 de dezembro, cujo principal intuito era coibir com mais veemência a ação dos coiteiros.
[2] Antônio Silvino. Nascido Manoel Baptista de Morais, em Ingazeira, Estado de Pernambuco, faleceu na Paraíba em 1944., Precedeu Lampião e foi o mais afamado e temido bandido do seu tempo, ganhando o apelido de “Rifle de Ouro”.
[3] Lampião visitou Juazeiro do Norte em março de 1926. Lá recebeu a patente de Capitão, armas, munição e fardamento pra organizar um Batalhão Patriótico, com o fito de combater a Coluna Prestes. Sobre quem o convidou há controvérsias, que ainda suscitam debates e dissenções entre os pesquisadores e estudiosos.
[4]  A revolta do Contestado eclodiu em 1912, na região sul do Brasil, em área confluente dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Apesar da forte conotação religiosa do movimento, outros interesses sócio-econômicos foram decisivos para a sublevação.
[5]
[6] Consulta realizada ao site  http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/. Acesso em 20/02/2013.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2013/03/a-expedicao-contra-lampiao-de-humberto_13.html

terça-feira, 12 de março de 2013

Filho de Corisco presente no Cariri Cangaço 2013 !

Por: Professor Pereira

Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá

"Nunca vi tanta alegria estampada no rosto de uma pessoa, como vi no rosto de Sílvio Bulhões, filho de Dadá e Corisco, em Santana do Ipanema, no lançamento do livro "Lampião em Alagoas", dos companheiros Clerisvaldo B. Chagas e Marcello Fausto; pela homenagem que recebeu do Cariri Cangaço. Ele fala para todas as pessoas com muito orgulho e prazer.
Fez questão de lhe transmitir Severo, através de mim um forte abraço e o desejo de participar do Cariri Cangaço 2013. Quer vir !"

Professor Pereira
Cajazeiras-PB

http://cariricangaco.blogspot.com

segunda-feira, 11 de março de 2013

O retorno de um Bravo !


Severo, minha cirurgia para extração de um nódulo renal foi um sucesso! Já estou em  Juazeiro. Confio em Deus para que em Setembro possa estar juntos com todos os meus amigos cangaceirólogos, no Cariri Cangaço 2013, grande evento idealizado por você e que já é uma marca cultural no Nordeste.

Daniel Walker

http://cariricangaco.blogspot.com

Nesta terça, dia 12, Noite Cariri Cangaço - GECC


O GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e o Cariri Cangaço convidam a todos os confrades e amigos para participar, nesta terça-feira, dia 12 de Março, às 19 horas, de mais uma noite Cariri Cangaço-GECC

Espaço Raquel de Queiroz
Livraria Saraiva
Shopping Iguatemi
Fortaleza - Ceará

Ângelo Osmiro - Manoel Severo

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Documentário - "O poder político de Fideralina Augusto Lima e seus Descendentes"


Produzido pela TV Assembleia do Ceará conta a história de uma cearense guerreira, diferente das outras mulheres do seu tempo. Este documentário foi apresentado pela primeira vez no Plenário 13 de Maio da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará para convidados.

Na ocasião, o presidente da Casa, deputado Roberto Cláudio (PSB), registrou sua gratidão a todos os envolvidos na construção do documentário, em especial à equipe do núcleo de documentários da emissora, coordenada por Ângela Gurgel, lembrando que a ideia para a produção surgiu de uma provocação de Melquíades Pinto Paiva, trineto de Fideralina.

"Fideralina nasceu no município de Lavras da Mangabeira e foi tida como um verdadeiro coronel do sertão", explicou Melquíades.


Início



Parte 2


Parte Final


Pescado no canal do YouTube da TV Assembleia Ceará

A saga de Dona Fideralina será um dos destaques do...

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LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE

Autor: Kydelmir Dantas

À venda nos seguintes locais
Mossoró - RN:
Praça da Convivência - Corredor cultural - Centro
CAFÉ E ARTESANATO
Natal - RN:
LIVRARIA NOBEL - Avenida Senador Salgado Filho, 1782. fone: (0xx) - 84 - 3613-2007
Campina Grande - PB:
Vila do Artesão
FURLÃO ARTE EM COURO - Biagio Grisi


R$ 35,00

OBS: Para encomendas externas, há o acréscimo da taxa dos correios.

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O Lado B do Rei do Baião - Rev. Continente


O CD Luas do Gonzaga é mais um dos bons serviços prestados à música brasileira pelo pesquisador, compositor, cantor e violonista baiano Gereba Barreto. Fã e amigo do Rei do Baião, Gereba - que tem cinco discos lançados com seu grupo Bendegó e várias de suas composições gravadas por grandes intérpretes da MPB, além de ter produzido arranjos para mais de quarenta álbuns – dedicou-se a realizar um sonho de seu ídolo. Em Luas do Gonzaga, o músico e, agora, produtor resolveu deixar adormecido o legado do Mestre Lua enquanto forrozeiro e despertou outra faceta do filho de Exu. Choros, serenatas, valsas e maracatus compostos e gravados por Gonzagão, entre as décadas de 1940 e 1950, chegaram ao conhecimento do público no final de 2012, ano em que foi comemorado o centenário do Rei do Baião. As canções foram descobertas por Gereba em 1985, durante a festa dos 73 anos de Gonzaga, na sua fazenda, em Exu. Incomodado com o rótulo de ser apenas forrozeiro - sentimento compartilhado com Gereba -, Gonzaga, certamente, estaria feliz de ver suas obras inéditas em outros ritmos, feitas com qualidade e sentimento, ao alcance popular.

As músicas que compõem o álbum - um total de 15 - faziam parte do acervo de gravações instrumentais de Gonzaga, em discos de 78 rotações. Durante cinco anos, Gereba pesquisou os compositores adequados para dar letras às melodias, além de ter enfrentado dificuldades com os direitos autorais. “Decidi que estas valsas e os choros tinham que sair do anonimato e resolvi passá-los para os nossos queridos poetas Fernando Brant, Zeca Baleiro, Abel Silva, Carlos Pitta, J. Velloso, Maciel Melo, Lirinha, Bené Fonteles, Xico Bezerra e Tuzé de Abreu”, escreveu no texto que abre o encarte do disco.

Reprodução/Capa

Na vinheta de 22 segundos que principia o álbum, a voz de Luiz Gonzaga relata parte de sua trajetória quando era soldado do exército em 1939 e “se arrumou” para ir  a São Paulo em busca de uma sanfona que comprara à prestação. A audição pertence ao acervo de Gereba Barreto gravado em Exu, em 1985. Na mesma faixa, a atriz Ingra Liberato narra o que seria a abertura de um programa de rádio intitulado Treze de Dezembro, data em que Luiz Gonzaga nasceu, anunciando Luas de Gonzaga como um capítulo da vida do Rei do Baião que será apresentado aos ouvintes dali por diante.

O choro que vem em seguida, Treze de Dezembro, na voz de Gilberto Gil, é uma evocação ao nascimento da maior voz do sertão e foi composto na ocasião dos 73 anos de Gonzaga, no sertão de Pernambuco. “Era já noitinha quando Gil chegou com seu violão e um pedaço de papel de pão na mão escrito com a letra do belo choro que “seu” Luiz fez em 1952. Gil cantou com aquele swing maravilhoso que só ele faz em seu violão”, recorda Gereba no texto de apresentação do álbum.

Nada é mais inusitado do que o maracatu intitulado Rei Bantu, com fragmentos de cantigas tradicionais de Recife, recolhidas por Lenine, que gravou a faixa junto com Margareth Menezes. Em Galope além do mar e Sete Luas do Gonzaga, Gereba assina as melodias, que ganharam letras de Capinan e Ronaldo Bastos, respectivamente, além da interpretação de Jussara Silveira nesta última.

Nota-se um fio condutor feminino sobre parte das canções, a começar por Lygia, gravada por Jorge Vercillo. Depois vem Mara, com letra e voz de Zeca Baleiro, Marieta,por Jair Rodrigues, Verônica, no canto teatralizado de Lirinha e, por último, Wanda, na voz de Flávio Venturini. Todas batizadas com nomes de mulheres que, provavelmente, passaram pela vida de Gonzaga e serviram de fonte de inspiração para o mestre.

Divulgação/Gereba Barreto não descansou enquanto não trouxe à tona a versatilidae do Mestre LuaOutra faixa que merece atenção é a valsa Passeando em Paris, interpretada com primor por Elba Ramalho e agraciada com os assobios de Gereba. Pisa de mansinho vem para amaciar ainda mais o conjunto da obra. “Pise de um jeito / que mais tarde a saudade / me traga de volta / o chamego desse teu pisar”. Além da composição de Xico Bezerra, que casou perfeitamente com as vozes de Adelmario Coelho e Santanna, a melodia é um daqueles chorinhos que grudam na cabeça, conquistando o ouvinte de imediato. Ná Ozzeti, Fagner, Dominguinhos e Maciel Melo também cantam no disco.

Luas do Gonzaga é dotado de atributos que o fazem, facilmente, entrar para a lista de registros raros da música brasileira. Fundamentado nas memórias de quem conviveu com o Mestre Lua e testemunhou episódios importantes de sua vida artística, o disco ainda ressalta a musicalidade de Gonzaga antes mesmo deste ser coroado como o Rei do Baião. “Primeiro fui fã, depois para minha completa realização, tornei-me amigo e, melhor, tenho orgulho de ter possibilitado grandes realizações em sua vida como, por exemplo, tocar pela primeira vez, em 1974, para uma plateia nobre de mais de cinco mil pessoas na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. É bom lembrar que antes disso ele só se apresentava pela perifeira de Salvador”, diz o baiano de Monte Santo.

Gereba Barreto ainda acertou em cheio na seleção de letristas e intérpretes, que, por sua vez, se apropriaram de forma bastante rica e autêntica, cada um ao seu modo, das canções compostas pelo Mestre Lua. “Percebo que essa intuição era uma espécie de destino, para dar visibilidade a uma obra do 'seu' Luiz muito pouco conhecida. Tenho ciência de que, ao abraçar este projeto e possibilitar essas parcerias de tão ilustres autores da música brasileira com o nosso Gonzagão, estou cumprindo mais uma sagrada tarefa para a cultura popular brasileira”, conclui Gereba.


Bethânia Lima
Assistente de Eventos
84. 3212-5553/3211.5304

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Salif Keita, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei...
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei...

Chico César

Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço: Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com