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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Silvestre (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Silvestre

Talvez o pomar seja longe
depois da relva rasteira
depois do rio tristonho
e bem perto do mato
cheio de urtiga e cansação
cheia de medo e de cobra
com espinho e graveto
e tudo porque lá
se descobre o sabor
de cada fruto escondido
da cor mais saborosa
que não existe mais
nada mais tem por aqui
falo da doce pitomba
digo do araçá amarelo
penso no morango silvestre
na graviola macia
e logo imagino mais
penso no amor, na paixão
no desejo, no querer
penso no beijo, no abraço
no respeito, na sinceridade
penso no homem, na mulher
nos seres e nas coisas
que só se encontram
nos pomares mais difíceis
depois da mata, depois da luta
até saborear a certeza
que nem tudo está perdido.
Rangel Alves da Costa


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