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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Manias de Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia

Por: José Mendes Pereira
Dix-neuf Rosado e sua esposa Odete Rosado

Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia (19º filho) era natural de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte. Filho de Jerônimo Rosado Maia, nascido em Pombal, no Estado da Paraíba, e de dona Isaura Rosado,  sendo esta irmã de dona Maria Amélia Henrique Maia, a primeira esposa de Jerônimo Rosado. Dix-neuf Rosado tinha 20 irmãos, conhecidos como a família numerada de Mossoró. 

Mulher - Morre mãe de Fafá Rosado, prefeita de Mossoró
Dona Odete Rosado

Dix-neuf Rosado era casado com dona Odete Rosado, e pai da ex-prefeita Fafá Rosado. Dona Odete faleceu  no dia  15 de outubro de 2012, em Mossoró.

http://telescope.zip.net

Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia morava neste palacete, construído pelo banqueiro Sebastião Fernandes Gurgel, proprietário da Casa Bancária S. Gurgel. Em 1928, foi vendido para o comerciante e industrial local, Miguel Faustino do Monte, ex-funcionário do coronel Delmiro Gouveia. 

Coronel Delmiro Gouveia

Em 13 de setembro de 1933,  o palacete entrou para a História Oficial, foi o Catete Mossoroense. Nesta data, instalaram-se o Presidente Getúlio Vargas e sua comitiva presidencial. Após  a solenidade do hasteamento da Bandeira Nacional, foi dado como instalado o Governo Provisório da República do Brasil. Em 1945, novamente o Palacete foi vendido ao Sr. Dix-neuf Rosado, industrial e político local, permanecendo em poder da família até a presente data.

Como todo ser humano tem suas manias Jerônimo Dix-neuf Rosado não era diferente, exigia cumprimento aos tratos, dado a palavra, não voltava atrás. 

Se ele dissesse que chegaria em determinado local tal hora, tal hora ele estaria ali, nem mais nem menos minutos. 

Se ele dissesse que  honraria um compromisso às três horas da tarde, não adiantava o sujeito chegar antes ou depois da hora marcada. Tinha que ser às três horas mesmo.

Quando ele e dona Odete viajavam para um lugar mais distante do Estado, Petrolina, por exemplo, onde mantinha uma empresa..., um iria de avião, o outro seguiria no ônibus, pois se acontecesse um acidente, só morreria um. 

Quando mandava um dos seus empregados fazer depósitos bancários, dividia o dinheiro em duas partes iguais, uma porção seria colocada em um dos bolsos do empregado, a outra parte seria colocada em outro bolso, pois se fosse roubada ou perdida, saldaria a metade do valor a ser depositada.  

Certa vez, aproveitando a ausência de dona Odete em sua casa, e não gostando de um pé de coco com dois metros de altura, o qual frondava viçosamente no seu jardim, ordenou a um dos seus jardineiros que o arrancasse pelo tronco. 

Sabendo do zelo que dona Odete tinha pelo coqueiro, o empregado disse-lhe que não iria fazer isto, pois quando ela retornasse da viagem, com certeza iria se zangar com ele, por ter arrancado o que ela mais gostava do seu jardim.

Dix-neuf Rosado esbravejou dizendo-lhe que quem mandava em sua casa era ele, e não o empregado, e exigiu que cumprisse a sua ordem, do contrário seria  demitido imediatamente. Mas tivesse cuidado para não maltratar o coqueiro, pois depois que fosse arrancado pelo tronco, iria precisar dele.

Depois de dada a ordem Dix-neuf saiu pelos fundos da casa em direção a sua retífica, que fica (continua no mesmo lugar com outro nome de fantasia, Montec),  na Avenida Alberto Maranhão.

O empregado não tinha outra solução, o jeito para permanecer ganhando o seu salário era meter a chibanca e arrancar o pé de coco. 

Com uma sofrida tarefa de três horas finalmente o pé de coco estava sobre o solo, e de imediato o empregado foi comunicar ao patrão que o coqueiro já estava livre do jardim.

Ao chegar, Dix-neuf viu a miserável palmeira encostada ao muro, e virando-se  para o empregado disse-lhe: 

- Quando eu ordenar uma atividade para você, faça-a. Se eu te pago, não há como me recusar.

-E agora seu Dix-neuf, o que eu faço com o pé de coco?

- Agora o plante no mesmo lugar. Faça sempre o que eu determinar.

- Mas seu Dix-neuf, o trabalho que ele me deu para ser arrancado, agora vou ter que plantá-lo?

- Se você tivesse me obedecido logo, não estaria com este trabalho de plantá-lo, depois regá-lo,...

Minhas simples histórias

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Lançamento em dose dupla: Lampião em Alagoas e Negros em Santana


Dois belos trabalhos de pesquisa serão lançados ao público no próximo dia 19 de janeiro, em Santana do Ipanema, no Tênis Clube Santanense. O evento acontece às 19h30.

(Design: Diêgo Malta)

As duas obras são frutos do trabalho de três santanenses. Lampião em Alagoas foi escrito pelo já consagrado escritor, romancista, pesquisador e historiador 

O escritor Clerisvaldo B. Chagas

Clerisvaldo Braga das Chagas, que adotou o nome Clerisvaldo B Chagas, em parceria com o professor e pesquisador Marcello Fausto.

Professor e pesquisador Marcelo Fausto - http://www.maltanet.com.br

Negros em Santana conta, além dos dois citados, com a participação do comerciante Pedro Pacífico V. Neto, popularmente conhecido por Pedro da Loto.

Tive a grata satisfação de receber das mãos de um dos protagonistas desses trabalhos, o professor Marcello Fausto, as duas obras, logo que saíram do “forno”. Posso abalizar os dois trabalhos como sendo um riquíssimo teor literário e histórico para Santana do Ipanema e Alagoas.

Lampião em Alagoas

O assunto Cangaço de há muito vem sendo discutido em todo o Brasil e até no exterior. Quase sempre dividido entre a paixão e a revolta, muitos foram os escritores que falaram dos cangaceiros nordestinos. Mas poucos foram os que buscaram se aprofundar no assunto a fim de passarem, de uma forma imparcial, para os sequiosos pelo tema a verdadeira história de um dos piores momentos vividos por esta região, que muitas vezes pareceu ter sido fadada ao sofrimento eterno.

Foto do livro

Lampião em Alagoas é o primeiro livro que fala exclusivamente da história da passagem de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando, por terras alagoanas.

Como citam os autores, “os veteranos escritores do cangaço, ávidos por novidade, não irão entrá-las em nosso trabalho, cujo mérito está apenas na organização sequenciada do que já foi dito por vários pesquisadores do estado e fora dele”.

Esta obra é interessante pela forma como está sendo apresenta, cronológica e didática, facilitando assim a leitura, sobre a passagem do maior líder do cangaço de todos os tempos no sertão de Alagoas na década de 30.

O livro tem 467 páginas e sua editoração eletrônica e impressão foi produzida na Grafmarques.

Negros em Santana

Foto do livro

Chamado pelos próprios autores como “pequeno grande livro”, por possuir apenas 51 páginas, Negros em Santana é fruto de uma adaptação do Trabalho de conclusão de curso (TCC), concluído pelos autores no Cesmac, em Maceió.

Como bem diz o título, a obra traz uma pesquisa sobre os primeiros negros no município de Santana do Ipanema, por volta de 1771.

Estudantes, curiosos e historiadores não podem deixar de prestigiarem este evento, que marca um novo rumo na história de Santana, do Sertão e de Alagoas.

Por Sérgio Campos

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sábado, 5 de janeiro de 2013

PATATIVA DO ASSARÉ


Ontem, em meio a uma conversa informal me pediram que eu falasse um pouco sobre Patativa do Assaré. Me surpreendeu o súbito silencio que tomou conta de mim. Na realidade me quedei pensando se falava de Antônio Gonçalves da Silva ou de Patativa do Assaré.

Coincidentemente, nesses últimos dias tenho me debruçado em leituras. Ando atento e relendo algumas pérolas do grande Patativa do Assaré. Me encanta em especial o fato da não existência REAL, do Patativa do Assaré. Me encanta saber que o “PATATIVA” era na realidade um personagem criado pelo agricultor e cantador Antônio Gonçalves da Silva.

Adianto que são poucos os que sabem dessa diferença. Mas ela existe. E eu só pude perceber quando convivi mais tempo com o grande poeta. Houve um tempo em que os contatos pessoais se intensificaram e eu passei a frequentar a sua casa em alguns sábados, unicamente pra conversar.

Numa dessas visitas, descobri o arsenal de livros, já surrados pelo tempo, que foram lidos por ele. Acervos de poesias de Olavo Bilac, Juvenal Galeno, Catulo da Paixão Cearense, estavam guardados em meio a livros de Machado de Assis, e tratados politicos diversos. Só aí pude conhecer as duas faces; a do cidadão, bravo lutador e guerreiro Antônio Gonçalves, e a do personagem por ele criado e nominado pelo Jornalista José Carvalho como Patativa do Assaré.

A grandeza da poética de Antonio Gonçalves da Silva está na verdade escondida na sua capacidade de mimesis e de diégesis quando mistura o homem do campo com o personagem da sua própria poesia. Assim, advogo que emana do homem do campo Antônio Gonçalves da Silva, o personagem Patativa do Assaré e que este é o canal através do qual o poeta dá voz ao seu instinto poético/político/ativista.

Senão vejamos quando o próprio Antônio Gonçalves denuncia em suas rimas a sua onipresença nos versos creditados a Patativa quando canta evocando a sua origem sertaneja, a sua ligação com o campo:

Poeta, canto da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Na estrofe acima, vê-se Mimetizado e falando ao povo pela voz de Patativa do Assaré, em palavras recheadas de uma clara e invejável oralidade - não menos importante das erudições lusitanas - destacando as denuncias feitas por ele quando reclama da forma desigual com que é tratado o homem do campo. Fato este que caminha para as desastrosas consequências geradas pela desigualdade social como: miséria, fome, insalubridade, etc. Ou seja, através do personagem Patativa, ele fala das agruras sofridas pelo homem do campo. Classe na qual se insere Antônio Gonçalves da Silva.

Ou em outro trabalho quando deixa aparecer a sua visão social e politica, denunciando as causas do sofrimento dos sertanejos:

Não é Deus que nos castiga
nem é a seca que obriga
sofrermos dura sentença
não somos nordestinados
nós somos injustiçados
tratados com indiferença.
Sofremos em nossa vida
uma batalha renhida
do irmão contra irmão
nós somos injustiçados
nordestinos explorados
nordestinados, não.

De toda forma, Antônio Gonçalves da Silva foi um ser humano ímpar, singular. Patativa do Assaré permanece entre nós. Em livros, poesias, denuncias, etc.“Consciente do seu papel social e com a clareza de pensamento que lhe distinguiu como poeta e como homem, Patativa do Assaré depõe a favor de sua própria arte diante de si mesmo, ao explicar seus versos no poema acima, eu Digo e não peço segredo, dizendo para Tadeu Feitosa: (Mª Socorro O. Brandão)

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LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


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Ademilde Fonseca, As Potiguaras, Carlos Zens, Coral da Petrobras Mossoró, Khrystal, Marina Elali, Meirinhos, Mirabô Dantas, Nenem do Baião, Orquestra Sinfônica da UFRN, Orquestra Sanfônica de Mossoró, Paulo Tito, Roberto do Acordeon, Terezinha de Jesus, Trio Irakitan, Trio Mossoró, VINA e Zé Lima.

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Lá pras bandas do sertão de Canudos...

Por: Laura Ferreira
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Seu Zuca revela encontro com Lampião (Foto Silvana Costa)

De passagem por Canudos, nossa correspondente Laura Ferreira narra uma história de Seu Zuca, um homem de 99 anos que diz ter se encontrado com o cangaceiro Lampião. A narrativa segue de forma original, sem apuro no texto.

Cabelos brancos e espalhados pelo vento que entrava pela porta de duas bandas, muito comum em casas do sertão nordestino. A voz pausada, mas com a firmeza de quem muito vivera, ele logo avisa aos que vão em busca de seus relatos: “minha prosa é positiva, eu não gosto de contar o que me contaram, eu gosto de falar do que eu vi e do que tenho certeza”. Foi assim que seu Zuca, ainda muito lúcido, aos noventa e nove anos, me recebeu em sua casa, lá pras bandas da cidade de Canudos.

Seu Zuca, figura tranquila e quase secular da cidade, relata de maneira compassada algumas histórias de Canudos, parece uma fonte inesgotável, ou por certo minha sede de saber mais estava aliada à sua de relatar.

O sol ardente no centro do céu de Canudos concordava com os ponteiros do relógio de parede de seu Zuca, como um carrasco, já pontuavam quase meio dia, mas os seus relatos continuavam impressionando, e a sua paciência chega a incomodar os mais “atentos”, pois cheia de cuidados adentra a sala a sua genra alertando-lhe a hora do almoço. Sugeri então, que ele almoçasse e mais tarde continuássemos a prosa, mas ele disse não estar com fome e que preferia concluir.

E então prosseguimos, em busca dessa conclusão que parecia não querer acontecer, atentava-me às lembranças do ancião, pois esse impressiona mesmo quando contou um encontro que teve com o capitão Virgulino Ferreira, o destemido Lampião. 

Lampião

Nessa viagem relatada, me aproximo dos fatos, sinto cheiro, sabor e lembranças do que não vivi. Segundo seu Zuca, e como era de se esperar, essa foi a maior aventura de toda a sua vida.

Percebendo o teor de importância daquele relato, como principiante, tomei coragem e pedi a seu Zuca que me deixasse gravar aquela nossa conversa, preciosa demais pra ficar apenas à mercê de minha memória, e então ele autorizou sem nenhum constrangimento, aguardando enquanto eu ligava o equipamento.

Autorizado, iniciou a nova história repetindo um gesto já bem próprio, levou as mãos à cabeça branca, e essa sem dúvida denuncia a experiência de quem esteve aos cuidados do capitão Virgulino: 

“Eu nunca gostei de bandido, sempre andei certo, mas um dia eu fui obrigado a estar com o bando de Lampião”, ressalva seu Zuca.

Contou que já se passava do ano de 1928, quando o cangaço, movimento surgido no início do século XX, a partir das péssimas condições sociais do sertão nordestino, na liderança de Lampião, passou pela comunidade de Canudos. Á época, o grupo acampou nas margens do Vaza Barris, rio que corta todo o sertão de canudense.

Procurado por Lampião, o irmão mais velho de seu Zuca foi ordenado para levar um bilhete até o seu amo, (patrão) que residia em sua outra fazenda na região do Cumbe (Euclides da Cunha) o bilhete rezava que o fazendeiro deveria enviar pelo portador a quantia de cem mil réis, porém, como esse seria ainda o resultado da venda de muitas cabeças de gado, o irmão de seu Zuca retornou com outro bilhete, esse pedia a Lampião que aguardasse uns três dias até que o fazendeiro recebesse o capital.

Assim, passado mais de três dias do retorno do bilhete, Lampião ordenou a um dos seus cabras, o Arvoredo, que fosse até à fazenda em busca da encomenda. 

O cangaceiro Alvoredo

Arvoredo foi recebido por seu Zuca que informou ao cangaceiro que o amo de seu irmão, ainda não se encontrava com a quantia em mãos.

Antes que seu Zuca concluísse o recado, a volante (polícia) cercou a fazenda, seu Zuca não tendo outra opção, pois seria acusado de coiteiro (pessoas que davam hospedagem a cangaceiros), escondeu o cangaceiro em um dos aposentos da casa. Dois soldados que vinham seguindo os rastros da cabroeira sertão adentro, entraram gritando que sentiam cheiro de cangaceiro por perto. Seu Zuca negou, reprovando depois a cunhada, que nervosa e bastante desapontada, ofereceu um cafezinho aos macacos, aumentando assim, o pavor de seu Zuca.

Nesse momento deu uma pequena pausa, e novamente levando as mãos à cabeça fez um comentário: 

“Nunca vi em toda a minha vida elemento tão frio como cangaceiro, eu passada aguniado as vistas pela greta do aposento, e tava ele lá rindo de arma em punho”, conta.

Temendo confronto com Lampião...

Continuando nossa conversa, seu Zuca diz que a volante se conformou e seguiu na busca sertão afora, perdendo assim o rastro, ora tão próximo, dos cangaceiros. O melhor de toda essa experiência de seu Zuca ainda estava por vir.

No dia em que o dinheiro foi liberado pelo fazendeiro, seu irmão, receoso de um confronto com Virgulino, pediu a seu Zuca que levasse o dinheiro a outro empregado, para que esse fosse ao encontro do bando na “baixada”, local de acampamento do grupo de Lampião, combinado por este como também o local da entrega de tal importância.

Chegando à fazenda ao receber a ordem do fazendeiro e do irmão de seu Zuca, o empregado mostrou-se obediente, mas segundo seu Zuca, ele o chamou até o interior da casa dizendo que precisava de sua ajuda para levantar uma “reis” que se encontrava caída. Desconfiado, seu Zuca o acompanhou, mas chegando lá, ele disse ter constatado que o tal rapaz estava era com medo: -“A feição dele tava sem sangue e já se borrava nas caça, então eu disse:

- Cabra froxo! Tomei o dinheiro e fui ter com o bandido Lampião”, se orgulha ainda seu Zuca.

Chegando ao local combinado, Lampião recebe, conta o dinheiro, e dá-se por satisfeito, seu Zuca ainda nos relata o cenário construído pela cambada de Lampião:

“Era na beira do rio, no terreno da fazenda mermo do amo do meu irmão, o qui si via era muita panela de barro pero chão, mei mundo de tenda armada, o terrero alimpado cheio de pedra que servia de assento num é? Ou as veiz de trempe pra eles cunzinhar no meio das barraca, eles fazia a boca da noite um pagode, dançava xaxado e tirava verso,” rememora seu Zuca.

Nesse dia seu Zuca disse ter conquistado a afeição de Lampião, proseou com ele, demonstrando segurança nas respostas quando questionado, e entre um gole e outro de cachaça, servido pelo próprio Lampião e que seu Zuca, como um bom apreciador da especialidade, não se fazia de arrogado, disse ter até dançado xaxado com os cabras.

“E era home cum home, não tinha essa mardade das brincadeira de hoje, naquele tempo não tinha muler ainda no bando, só adespois quando Corisco arrumou Dádá, Lampião pegou a tale Maria Bonita, e mais muié foi chegando, isso adespois de passar por Canudos”, explica.
  
Observei que nessa fala de seu Zuca é conferido um certo cruzamento de informações, pois, segundo alguns autores, nesse período mesmo de 1928,


Lampião apanha Maria Bonita, ali não tão longe de Canudos, em Santa Brígida, já na divisa com Paulo Afonso.

 Seu Zuca, ainda confirma o agrado de Lampião por ele, dizendo que esse o convidou para fazer parte do bando, e que dando a certeza do retorno ao mesmo, prosseguiu pra sua casa dizendo ir ter com os seus para avisá-los e pegar sua trouxa.

Nesse momento após uma boa “gaitada”, ele diz: 

“Nunca mais ele viu o fio do meu cabelo, adespois disso fui pro Sú, eu tinha era recei que ele me encontrasse e viesse me tirar arguma satisfa”, finaliza a história.

Por Laura Ferreira - Correspondente em Juazeiro e região

http://www.interiordabahia.com.br

Agradecimento pela torcida por nossa aprovação no Vestibular 2013 da UFRN


Por: Rostand Medeiros

Aos amigos e amigas,

Gostaria de agradecer pela força e torcida para entrar na UFRN.
Informo que fui aprovado no curso de jornalismo, conforme mostra o link em anexo.


Forte abraço a todos e muito obrigado.

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 1 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
FELIPE JAILTON DA SILVA 116780
RODRIGO MATHEUS DE MOURA ZUZA 95129

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 2 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que não se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
GUILHERME MENDE ALVES 116333

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 3 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta superior a 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
MARIA CAROLINA FREITAS DE AZEVEDO 112132
MARINA DE LIMA CARDOSO 104915

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
NOME INSCRIÇÃO
ADRIANA DE PAIVA MACÊDO 116194
ALAN VICTOR SILVA DE LIMA 79363
ANA CLARA CALIXTO LINS DE ARAÚJO 97517
ANDERSON SAMPAIO MACIEL 88699
ANDREI CHRISTIAN TORRES BRITO DE OLIVEIRA 93296
BRENA THAÍSA QUEIROZ DE MELO 83993
CAIO DOS SANTOS ANDRADE 101956
CAMILA LAMARTINE MARIZ BARBOSA 96461
CARLOS ROSTAND FRANÇA DE MEDEIROS 118738
ÉRIKA OLIVEIRA DA SILVA 97976
GUSTAVO HENRIQUE RODRIGUES GUEDES DE LIMA 101865
ISABEL JALES COSTA SOUZA 89270
ISA DE OLIVEIRA TEIXEIRA 81034
JÉSSICA MAFRA DE OLIVEIRA 88329
LAÍS FERNANDES GALDINO DA SILVA 107219
LÁYRON RAMON SILVA DE SALES 81433
LIZETE BARBOSA DA NÓBREGA 86221
LUANA ANGÉLICA DE MELO BITTENCOURT 112518
LUCAS OLIVEIRA DE MEDEIROS 108172
LUCAS RODRIGUES FÉLIX 92479
MANOEL ADALBERTO DA COSTA JUNIOR 100699
MARIANA NOBRE DE OLIVEIRA 106880
MARINA FERNANDEZ GUEDES 110477
NATÁLIA SOUZA NORO 92961
NATHALLYA RAYANNE MACEDO XAVIER DA SILVA 93354
PAULO ARTUR MEDEIROS DE OLIVEIRA 104983
RAFAELA SOUSA GURGEL DE LIMA 89740
RAISSA SALES DE MACÊDO 81123
RENATO VILAR DE LIMA 87517
RODRIGO MEDEIROS GURGEL DE FARIA 90003
TAÍS VIVIANE GABRIEL NASCIMENTO 104702
TARLISSON DE OLIVEIRA MIRANDA 96123
THYAGO GABRIEL COSTA 108663
VITÓRIA DE SANTI ESTÁCIO 116505
YASMIN DA SILVA FARIAS 116447


Rostand Medeiros

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Eis a questão: Quantos foram os "Azulões"?

Por: Kiko Monteiro

É notório para alguns e confuso para outros, mas no cangaço havia uma prática de um membro recém chegado escolher ou ser batizado com o vulgo de uma cabra morto ou desertor. "Azulão" foi um destes vulgo que se multiplicou. A pesquisa de Alcides Niceas citada pela pesquisadora Lúcia Gaspar em seu artigo Cangaceiros: alcunhas e nomes próprios nos informa que o primeiro Azulão era integrante do bando de

Antonio Silvino

Antônio Silvino, o segundo era do bando de 

Sinhô Pereira

Sinhô Pereira, o terceiro e o quarto pertenceram ao bando de Lampião. Desses dois primeiros só conseguimos dados sobre o comandado por Silvino:

Lampião

Que se chamava Felix José da Costa, um negro alto, forte e valente, nascido na Fazenda Dominga, localizada nas proximidades da Caverna da Caridade, distrito de Caicó, RN. Após famoso combate ocorrido entre o grupo de cangaceiros de Antônio Silvino e polícia paraibana, na Fazenda Pedreira, do coronel Janúncio Salustiano, no dia 15 de fevereiro de 1901 o cangaceiro Azulão consegui fugir, conhecia a localização da Caverna da Caridade e sabia que no local havia água. A ideia do foragido era “dar um tempo” e procurar os amigos que tinha naquele setor e assim escapar daquela situação. Na caverna, junto com Azulão,  estava o cangaceiro conhecido como Moreninho.
Consta que após o tiroteio na Pedreira, os dois cangaceiros vararam o sertão em direção Norte/Nordeste, passando pela região onde hoje se encontra o Açude Itans, mantendo a cidade de Caicó a esquerda deles. Seguiram então pelas proximidades das Serra da Bernarda e da Formiga, até a região da Serra da Cruz, em um estirão comprido, mas que o desespero ajudava a amenizar a distância.
Antes dos fugitivos chegarem a caverna, passaram na casa de conhecidos, se abasteceram e seguiram para Serra da Cruz, onde passaram cerca de dez dias e noites na cavidade, logo no salão frontal do local.
No dia 25 de fevereiro eles saíram do abrigo rochoso e foram em busca da Fazenda Dominga, do tenente-coronel Gorgônio Ambrósio da Nóbrega, algum apoio. Mas o que encontraram foi bala. A polícia, avisada pelo pessoal da propriedade, deram cabo dos dois homens.

Notícia da morte de Azulão na Fazenda Dominga.

Segundo Seu Nelson Soares de Medeiros, em depoimento ao pesquisador 

Rostand Medeiros

Rostand Medeiros ele sabe bastante desta história, pois um dos homens que participaram da ação foi seu pai. Ele comenta que sabe até mesmo onde os homens estão enterrados a sombra da Serra da Cruz.

Viveiro de Lampião

Mais centrado nas personagens dos domínios lampinicos realizei uma varredura na web e consultei um livro dedicado a nomeclatura da turma, recém lançado. E localizamos (que pretensão, qualquer um poderia) mais um, além dos dois citados por Niceas.  
No artigo de Lúcia Gaspar há uma relação em ordem alfabética, mas não cita nenhum dos cabras com o vulgo. Este terceiro Azulão - devidamente identificado - ficou ao nosso critério, podendo ser o pernambucano morto em 1927 no Rio Grande do Norte, ou o Sergipano que conseguiu escapar do cerco a Angico em 1938.
Mas o que me intrigou e levou-me a compartilhar este tema com os amigos, foi me deparar com uma curiosa matéria de um jornal carioca disponibilizada pelo site DocVirt.com. De repente nossa pesquisa constatou mais um, ou seja um 4º Azulão no cangaço de Lampião, ou de repente o que fez o terceiro Azulão após sua saída da prisão. Fato ou farsa que lhes apresentarei mais adiante. Vamos tratar por ordem de atuação: 
Próximo à povoação de Vitória, atual município de Marcelino Vieira, atacaram as primeiras casas do sítio conhecido como “Caiçara, ou “Caiçara dos Tomaz”. Travou-se um combate com a volante comandada pelo tenente Napoleão de Carvalho Agra, morreu um soldado o cangaceiro "Azulão" que foi enterrado em cova rasa. Ainda não conseguimos foto que o identificasse. 
O Prof. Lamartine Lima que foi assistente de Estácio de Lima relatou ao  pesquisador e também médico Leandro Cardoso Fernandes aspectos médico-legais da cabeça deste e dos outros. Trechos de entrevistas que colheu, como por exemplo: O soldado que o matou Azulão, conta que após acertá-lo na coluna deixando-o tetraplégico, degolou-o vivo.  
No dia 16 de Outubro de 1933 o Diário da Tarde, "de Aracaju" transcrevia a seguinte notícia.

O Azulão I  

Pernambucano de Serra do Monte, Patrício de Souza era irmão do também cangaceiro "Serra D´umã". Tanto Sérgio Augusto de Souza Dantas, quanto Raul Fernandes e Raimundo Nonato, os principais autores que trataram do ataque de Lampião a Mossoró, nos relatam que no dia 10 de junho de 1927, após o bando do Rei do Cangaço haver cruzado a fronteira potiguar, seguiu em direção norte, visando a cidade de Mossoró.

O Azulão II  

"Mariano" é a única informação que temos sobre seu nome próprio. Baiano de Várzea da Ema, (localidade no centro do Raso da Catarina e não em Sergipe como sugerido por alguns autores), primo do célebre cangaceiro "Balão" foi  um dos "doze mais de Lampião". Dotado de eximiria pontaria, mas que no dia 14 de Outubro de 1933 junto com sua companheira Maria, tombaram na Lagoa do Lino, local na divisa entre os municípios de Várzea do Poço e Serrolândia no estado da Bahia, pelas volantes dos sargentos José Fernandes Vieira e Zé Rufino.



Arquivo pessoal

Sgtº José Fernandes Vieira, comandante de Volante baiana, que participou de 5 combates com grupos de cangaceiros, inclusive, no que dizimou o grupo de "Azulão". - Cortesia de Ivanildo Silveira

Cabeças de Maria e Azulão - Cortesia de Rubens Antonio 

Túmulo de Azulão e companheiros no cemitério Quinta dos Lázaros em Salvador.- Cortesia de Sergio Dantas -

O Azulão III

De acordo com a pequisa de Bismarck Martins em seu livro Cangaceiros de Lampião – de A a Z. O sergipano Luis José da Silva ou Luis de Maurício natural do distrito de Serra da Guia no Poço Redondo de Alcino, ingressou no cangaço em 1934 e atuou no grupo de Zé Sereno. Estava em Angico em  28 de julho de 1938. Escapou do fogo, entregou-se a policia na cidade de Jeremoabo em Outubro de 1938. Condenado a 30 anos de prisão cumpriu 19, foi indultado em 6 de novembro de 1957 aos 68 anos. Até aqui temos a segurança de afirmar que foram 5 e não quatro os Azulões do cangaço.

Zé Sereno, Azulão e Mané Moreno - Foto de Benjamin Abrahão 1936 

Cangaceiros que se entregaram em Jeremoabo recém chegados capital baiana em Novembro de 1938 . Azulão II está entre eles.  - Cortesia de Rubens Antonio -

Até aqui temos a segurança de afirmar que foram cinco e não quatro os Azulões do cangaço...

E este quarto Azulão?

Já em 19 de Março de 1962 passados pouco mais de 20 anos do fim do cangaço o jornal Ultima Hora do Rio de Janeiro noticiava a morte de outro pássaro inquieto. A matéria é um tanto intrigante, evidente que as informações foram fornecidas por familiares, talvez pelo ex cangaceiro em matéria anterior. Acontece que a reportagem afirma que João Balbino Pereira ou se preferir João Ferreira Filho, 55 anos, teria entrado para o bando de Lampião em "1930"permaneceu por "cinco anos" tendo sobrevivido ao massacre de Angico... como ??? Será que a redação queria se referir à década de 30 ao invés do ano de 30? 

Eis a matéria, clique para ampliar.






Já tinham lido sobre este cabra.? Como conceber dois Azulões atuando na mesma época, e correndo da morte em Angico? Quando um recebeu indulto aos 68 anos e o outro morreu aos 55. É notório o excesso de conjecturas e lapsos cometidos pelos próprios cangaceiros em seus depoimentos. Parece exagero, mas julgando uma possibilidade de mascarar a idade, além de preservar a verdadeira identidade o que era comum, e da eterna confusão cronológica da imprensa seria possível concluir que:
- O Azulão III e IV são a mesma pessoa?
- Existiu de fato um 4º individuo, porem de atuação apagada?
- Ou este Azulão foi simplesmente um farsante?
É possível uma comparação das fotos?

Azulão 3 e Azulão 4. -  Há ou não semelhanças?

Outros detalhes e ações de "Azulões", que eu localizei, mas não consegui associar: 
- Qual destes dois últimos Azulões era primo do ex cangaceiro "Vinte e Cinco" citado por ele em Entrevista para João de Sousa Lima ?
- Qual destes fez parte do Grupo de Corisco, citado pelo cangaceiro "Moreno" em A Saga de Moreno e Durvinha
- Qual destes seria o citado por Frederico Pernambucano de Mello em sua pesquisa intitulada"A castração real no Cangaço: Nota prévia - Estudo de Caso" * Pág. 8, Disponível em:Periódicos da Fundação Aponta que em 19 de Maio de 1936 um "Azulão" acompanhava o "sub grupo de Virgínio", tomando a retaguarda no ataque a arruado Morro Redondo, distrito de Catimbau, do município de Buíque, Pernambuco???

Avia macho, ajude aí comentando!


Fontes:

Lúcia Gaspar. - Cangaceiros: alcunhas e nomes próprios -Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em  Disponível em Fundação Joaquim Nabuco
Rostand Medeiros Caverna da caridade, Caicó, sertão do Rio Grande do Norte – Antigo esconderijo de cangaceiros. Em: Tok de História
Rostand Medeiros - O Grande Fogo da Caiçara e a desconhecida "Missa do soldado" Disponível em: Lampião Aceso
OLIVEIRA, Bismarck Martins de. Cangaceiros de Lampião – de A a Z” Edição do autor, João Pessoa 2012. Págs 48, 49 e 50.
Rubens Antonio "Lagoa do Lino" em seu blog Cangaço na Bahia

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br

O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue"

Cantor João Mossoró

O cantor João Mossoró estará se apresentando amanhã (sábado - dia 5 de Janeiro), no Mercadão Cadegue, no restaurante "CANTINHO DAS CONCERTINAS"no Rio de Janeiro.

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http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Filmes do cangaço

Filmes dos reis do cangaço - Lampião e Maria Bonita

Lampião e Maria bonita


Filme completo - o rei do cangaço - 1964


Imagens do cangaço - 1936 - Lampião e Maria Bonita


Lampião e Maria Bonita - Mine-série


Imagens do cangaço - 1936

Fonte: YouTube