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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

BRIGA DE CACHORRO GRANDE


Por Geziel Moura

É notório na literatura do cangaço, a presença de cachorros entre os cangaceiros, e muito já se falou deles, temos portanto, pelo menos, quatro desses animais, registrados pelas lente de Benjamim Abrahão Botto, a saber: Ligeiro e Guarani de Lampião e "Seu Colega" e Jardineira de Corisco.

Não vou entrar no mérito da questão, das funções destes canídeos, diante dos cangaceiros, se eram adestrados ou não para detectarem a presença das volantes, pois não tenho propriedade suficiente, pela literatura, para afirmar tal entendimento, mesmo com a declaração feita pelo ex - cangaceiro José Alves de Matos, o Vinte e Cinco, na entrevista que ele concedeu à Gazeta de Alagoas: "Os cachorros de nome “Seu Colega” e “Guarani” exerciam papel importante, haja vista que, além de serem adestrados para despertar a atenção do grupo quando algum estranho se aproximasse, muitas vezes comiam antes uma parte das comidas que seriam servidas aos cangaceiros para terem a certeza de que não estavam envenenadas".

Diante disso, quero pensar com os amigos, outra situação, vividas pelos cães dos cangaços, e que me chamaram atenção, isto é, as pelejas (brigas) entre eles. Os escritores Hilário Lucetti e Margébio de Lucena, em seu livro "Lampião e o Estado Maior do Cangaço" nos conta do entrevero entre Luiz Pedro e Lampião, por causa de seus cães, o causo é mais ou menos assim:

O bando de Lampião encontrava-se no Estado da Bahia, na região de Curituba e Brejo do Burgo, próximo ao Raso da Catarina, e com eles estavam dois cachorros, o de D. Maria cujo nome era "Zé Rufino" e o de Neném de Luiz Pedro denominado "Mané Henrique", homenagens, nada elegantes, aos seus inimigos e comandantes das volantes baianas.

O que os autores relatam, é que depois de certa refeição, os dois cachorros passaram a disputar um osso, o que levou a briga renhida, sem no entanto, as duas mulheres conseguirem separar os dois animais. Além disso, o episódio tomou proporções de campeonato, entre os cabras que assistiam a tudo e gritavam como num campo de futebol, cada um animando seu atleta preferido.

Após algum tempo, o cachorro "Zé Rufino" de D. Maria leva a pior e começa a ser liquidado por "Mané Henrique" de Nenêm de Luiz Pedro, o que leva a companheira de Virgolino reclamar a ele, que tudo via e nada fazia, ato continuo, Lampião saca a pistola e quando aponta para o cachorro adversário, não teve tempo de executá-lo, pois Luiz Pedro aponta para ele seu mosquetão e anuncia: "Compadre, se atirar no cachorro morre, só lhe considerei até hoje. Já perdi meu pai, minha mãe, não tenho mulher nem filho, sou como um urubu! Mas é como estou dizendo: Se atirá no cachorro morre."

Assim, Lampião vendo que a promessa, do fiel amigo, era séria responde: 'O que é isto meu compadre, você acha pouco os nossos a policia já ter matado e ainda vamos nos acabar por via de uma besteira dessa, para dar mais gosto a eles? Quem está certo é nosso compadre Anjo Roque quando diz que depois que entrou para o bando cachorro e mulher, nada mais deu certo, só dá nisso mesmo" e Lampião desistiu da intenção de matar o cão de Neném de Luiz Pedro.

Se a narrativa acima, produzido por Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena não passa de mais um causo do cangaço, não sei dizer, entretanto, as brigas de cachorros no bando encontram eco, na fala do último coiteiro de Lampião e Corisco que tive a honra de entrevistar, o Sr. Cadim Machado, juntamente com o escritor Sérgio Dantas, no povoado Caboclo (AL) sertão de Alagoas e que nos contou episódio, vivenciado por ele, com o famoso cachorro "Seu Colega" de Corisco, que passo a compartilhar, a partir de sua própria narrativa, que gravei naquele noite barulhenta de 2014.

P.S: Relevem os ruídos/sons externos, produzidos durante a gravação.
Imagens: Benjamin Abrahão Botto
Texto: Geziel Moura

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A MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA - AS CRUZES DO CANGAÇO NOS ROTEIROS DE PAULO AFONSO -


Por João De Sousa Lima / pesquisador e escritor

Os dois historiadores estiveram traçando um dos mais famosos Roteiros do Cangaço em Paulo Afonso e demarcamos um dos mais famosos pontos da história em nossa região.

Na Lagoa do Mel colocamos uma cruz marcando o local da morte de Ezequiel e onde também morreram 16 soldados.

PARA ENTENDER UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA SOBRE O LOCAL ONDE ESTIVEMOS E ONDE MORREU EZEQUIEL, IRMÃO DE LAMPIÃO...

Um dos mais ferrenhos combates de Lampião na Bahia aconteceu em Paulo Afonso, no povoado Baixa do Boi. Nesse confronto morreu, a principio, 16 soldados e posteriormente, em fuga e perdidos, morreram mais 3 policiais.


O cangaço era movido por tiroteios, mortes e ferimentos. Lampião foi grande estrategista e astucioso, com uma grande capacidade de pressentir o perigo que constantemente o rondava. O famoso cangaceiro vivia dividido entre os inúmeros combates e mesmo tendo desenvolvido uma quase perfeita estratégia de segurança, contando com o apoio dos numerosos coiteiros, tinha sempre a morte rondando seus dias e sofreu consideráveis baixas em seu contingente. Entre seus maiores dissabores ele sofreu trágicas perdas e ver alguns irmãos sucumbirem em combates sobre sua proteção, foi doloroso. No campo de luta ele viu três irmãos morrerem. O primeiro morto em combate foi o Livino ferreira da Silva, no abno de 1925, em um tiroteio acontecido na fazenda baixa do Juá, próximo a cidade de Flores, Pernambuco, com volantes paraibanas comandadas pelos sargentos José Guedes e Cícero de Oliveira. Livino faleceu oito dias após esse tiroteio, com 29 anos de idade.

O segundo irmão a deixar o mundo dos vivos foi Antonio Ferreira, nascido em 1896 e morto em janeiro de 1927, na fazenda poço do ferro, Tacaratu, Pernambuco, propriedade do coronel Ângelo da Jia, em decorrência de um acidente ocasionado por Luiz Pedro, que disparou sua arma acidentalmente atingindo o próprio amigo.

O terceiro morto em combate foi Ezequiel Ferreira da Silva, o mais jovem irmão, nascido em 1908. Ezequiel passou a acompanhar Lampião em 1927, junto com o cunhado Virgínio. Ele tinha o apelido de Ponto Fino, alcunha adquirida pela justeza do seu tiro.

Sua morte aconteceu em Paulo Afonso, Bahia, no povoado Baixa do Boi, terras pertencentes na época a santo Antonio da Glória do curral dos Bois.

O tenente Arsênio Alves de Souza chegou ás imediações do povoado Riacho com uma volante composta por aproximadamente 20 soldados e tendo como guia os dois irmãos Aurélio e Joví, que eram fugitivos da cadeia de Glória, preso pelo inspetor de quarteirão, o senhor Pedro Gomes de Sá, pai da cangaceira Durvinha. A volante chegou ao povoado riacho no dia 23 de abril de 1931, trazendo entre seu aparato bélico uma metralhadora Hotchkiss. O primeiro contato do tenente no lugar foi com Zé Pretinho e o jovem foi forçado a seguir com os policiais. Cruzaram o terreiro de dona generosa Gomes de Sá, coiteira de Lampião e foram armar acampamento na Lagoa do Mel, um tanque construído por Antonio Chiquinho.

Enquanto a policia se preparava para passar a noite na lagoa do Mel, outras fontes confiáveis de informações de Lampião se dirigiam para o povoado Arrasta-pé para avisar ao Rei do Cangaço sobre a presença dos militares nas proximidades. Lampião mandou avisar Corisco e Ângelo roque, que estavam arranchados bem próximos e junto com eles combinaram um ataque aos soldados.

Ainda com o escuro da noite, próximo ao amanhecer, Lampião recolheu alguns chocalhos com Pedro Gomes e seguiu as veredas que davam a cesso a lagoa do mel.

No coito da policia, prestes a amanhecer, o Zé Pretinho saiu com o intuito de pegar um bode para fazer parte do desjejum de todos ali.

Com a escuridão se transformando em luz, os soldados ouviram o tilintar de chocalhos e imaginaram que seriam os bodes se aproximando para beber água (um dos sobreviventes desse combate, o soldado José Sabino, ordenança do tenente, relatou, anos depois, que realmente confundiram os chocalhos, achando que eram alguns caprinos se aproximando para beber água na lagoa). Na verdade eram os cangaceiros cercando o coito.

Despreocupados, os policiais sofreram um forte e inesperado ataque, uma verdadeira chuva de balas caiu sobre eles. Vários corpos caíram atingidos por balas mortais e certeiras. A dificuldade encontrada pelos soldados foi que eles cometeram um grande vacilo. A lagoa do Mel era rodeada por uma cerca de varas e eles haviam dormido dentro do cercado. Quando eles tentavam transpor as madeiras se transformavam em alvo fácil e caiam mortalmente feridos. Um exemplo dessas mortes trágicas foi a do sargento Leomelino Rocha que morreu e ficou de pé pendurado nas madeiras. Em um dos bolsos desse sargento lampião encontrou um bilhete do coronel Petro indicando alguns locais onde ele se escondia.

O tenente Arsênio diante o desespero do momento, conseguiu efetuar uma rajada de metralhadora e acabou acertando a barriga de Ezequiel Ferreira. A arma depois emperrou e o tenente conseguiu retirar o percussor (ferrolho) da arma e fugiu levando a peça que deixaria a arma inutilizável.

Nesse dia Lampião chorou amargamente a morte do irmão caçula e teve que enterrá-lo, com a ajuda de Antonio Chiquinho, próximo a Lagoa do Mel.

Era a vida dos que viviam pelo poder das armas, que tombavam no dia a dia, pelo aço lacerante do pipocar das artilharias dos diversos grupos que traçaram as páginas do cangaço no nordeste brasileiro.

João de Sousa Lima
Paulo Afonso 12 de julho de 2018
Membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso – cadeira 06

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HÁ 92 16/09/1926 LAMPIÃO ESTAVA NUM FORRÓ NA FAZENDA FORTALEZA

https://www.youtube.com/watch?v=Uq6T8kv5tBQ


Publicado em 16 de set de 2018

O Odisseia Cangaço foi até o Floresta, no Pernambuco, percorrer trilhas de caatinga para contar sobre o Fogo na Fazenda Tigre, o qual Lampião saiu gravemente baleado. Vamos contar essa aventura em um cenário lindo de caatinga e o Rio São Francisco. Se inscreva no Canal Odisseia Cangaço.

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VEM AÍ MAIS UM SUCESSO ABSOLUTO DO CARIRI CANGAÇO


 Por Léo Cangaceiro

Junte-se a nós, e vamos mergulhar de corpo e alma na nossa historia.

Cariri Cangaço São José de Belmonte-PE.

 De 11 a 14 de outubro 2018

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"LAMPEÃO" É BALEADO NA FAZENDA TIGRE



É sabido por todos que estudam o tema cangaço, fase lampiônica, que o mesmo sempre procurava andar a pé e próximo a alguma elevação natural para, se preciso fosse, subir e ficar em posição que lhe desse vantagem sobre seus inimigos, assim como ser mais fácil apagar os vestígios de sua passada, pois os mesmos andavam em fila indiana.

Porém, em certos planos idealizados por ele, quando tinha, por algum motivo, se locomover com maior rapidez, usava animais como montaria. Temos que lembrar de como era o sertão nordestino naqueles tempos, sem quase estradas de rodagem, e quando havia, era ligando uma cidade a outra, nunca um sítio ou uma fazenda a outra, e, em muito lugares, só havia mesmo uma vereda, trilha por onde muitos da região passavam para fazerem a viagem mais rápida.

Lampião, na segunda metade do ano de 1926, com mais de uma centena de homens, todos montados em cavalos, burros e jumentos, entram na região do Pajeú das Flores com uma meta planejada. Antes da execução das suas missões, após vários estudos sobre como ocorreram, notamos que ele assim procedia, o chefe mor dos cangaceiros, além de seu principal ‘alvo’, conhecedor como era do terreno, sempre tentou fazer uma espécie de ‘arrastão’, para melhor se sair financeiramente, já que tinha que esconder-se e deixar a poeira baixar antes de praticar nova incursão.

Sempre de olho, mesmo tendo um só, via mais que os dois dos outros, ele calculava tudo que pudesse dar errado. Estudava as vias de escape assim como as vias por onde poderiam surgir inimigos. Sempre mantinha alguns mais informados do que os restantes, e esses, escolhidos a dedos, tinham que o defender até mesmo se alguém dentre eles quisesse eliminá-lo, o que poderia acontecer.

Como sempre, Virgolino usa seus colaboradores para suas ações. Dessa vez ele chega com seu bando completo na fazenda Monte Sombrio. Propriedade do seu amigo Xandinho, Alexandre Gomes de Sá. Tem uma pequena prosa com ele e parte em direção ao destino escolhido. Antes, porém, chama um dos cangaceiros de confiança, dessa feita foi o cangaceiro Moita Braba, passa algumas ordem e deixa com ele, alguns cabras da cabroeira, afim de, se ocorresse algum imprevisto, o mesmo deveria levar os homens e atacar o inimigo pela retaguarda.

Lampião seguia em direção a fazenda Tigre, sendo alto sustentável, de propriedade da viúva Santina Gomes de Sá, conhecida em toda a região por “Santina do Tigre”. Mulher forte, que ao perde o marido, não esmoreceu e tomou as rédeas da administração da grande fazenda.

Mesmo tomando todas as precações possíveis, Lampião e sua horda não passam despercebidos. Um dos moradores da fazenda, estava cuidando da lida em algum recanto da propriedade e avista aquele ‘exército’ de cangaceiros rumando na direção da sede da fazenda. Sabendo onde se encontrava, ele encurta o caminho, pega um atalho e chega muito antes, e dá à notícia a patroa. Essa fica preocupada, está apenas com um de seus filhos em casa, e, é mesmo pensando nele, que a preocupação aumenta. Ela então ordena que Miguel, seu filho, vá para a casa, fazenda, dos vizinhos e deixa-se que ela toparia o “Rei dos Cangaceiros”. Pois bem, em vez de seguir as ordens da mãe, ele faz que vai, da uma volta e escolhe um local alto e com mato, esconde-se e fica a observar o que aconteceria.

O tempo passa, mas para aquela senhora, parece estar parado. Muitos pensamentos vinham e iam, iam e vinham, tornando angustiante aquela situação. Por fim, já quando o sol inclemente não deixa que plantas e objetos façam sombra, surge no terreiro da sua casa um bando de terríveis cangaceiros. A nata dos mais falados cangaceiros estavam diante dela, tais como Esperança, Sabino Gomes, Corisco, Sabiá, Jararaca, Luiz Pedro, chá Preto, Pai Véio e mais uma ruma deles, além, é claro, do mais temido, Virgolino Ferreira, o Lampião.

Um cavaleiro cutuca as esporas na barriga da montaria, se adianta dos outros e se apresenta. Era Lampião. Após se apresentar, o cangaceiro diz:

“ “- Dona Santina, quero uma coisa da senhora.”

“- Diga, pois não, o que é que o senhor quer?” (respondeu perguntando a viúva)

“- Eu quero um arrancho aqui, quero descansar meu pessoal, botar abaixo aqui, demorar, fazer almoço e passar o resto do dia.” (esclarece o chefe cangaceiro)

“- Tudo bem, não tem problema nenhum. A casa tá às ordens, passe o tempo que você quiser. O cercado taí, bote os cavalos na roça, tem legumes nos vasos pra fazer almoço, tudo bem, mas eu quero garantia pra minha casa e pra meu povo.” (diz corajosamente a dona da fazenda)

“- Num se preocupe, Dona Santina, que aqui num se bole com ninguém. Tá garantido, aqui ninguém mexe com a senhora, pode ficar despreocupada.” " (termina por dizer o “Rei Vesgo”) (MC e CF, 2016)

A situação nos faz dizer e fazer determinadas coisas, que nós mesmos, depois que passa o momento, não acreditamos. Creio que foi o que passou pela mente daquela senhora. Em seguida ela passa a dar ordens para as mulheres da ‘casa’ cuidarem em aprontar comida para todo o bando. Satisfeito com aquela receptividade, Lampião e seu ‘Estado Maior’, na ocasião, Antônio seu irmão, Sabino Gomes, Luiz Pedro e outros, ficam arranchados na própria sede, os demais vão se acomodando aonde achavam melhor.

Por coincidência, ou ironia do destino, uma volante sob o comando do cabo Domingos Cururu, Domingos de Souza, estava dando uma batida próximo àquela região por ordens do Capitão Antônio Muniz de Farias, e a mesma encontrava-se nas terras da fazenda Laje, propriedade de um dos filhos de Dona Santina, conhecido por Yoyô do Tigre, Sérgio Corrêa, não distando mais que 1/5 de quilômetro da sede onde se encontravam os cangaceiros. Como a fazenda Tigre era muito extensa, definiu-se, acreditamos que pela Matriarca, que uma faixa de terra passava a ‘pertencer’ ao filho. A volante era formada pelo comandante, dois Aspeçadas e trinta soldados. A tropa estando acampada no riacho que leva o mesmo nome da fazenda de Yoyô, e estando tão próxima a sede da fazenda Tigre, dois homens da volante são incumbidos de irem até a casa e se abastecerem com água e, ao mesmo tempo, tentar saber de alguma informação sobre cangaceiros. Era de praxe, todo volante andar com cuidado aos sinais deixados no solo árido da caatinga. Assim, os dois homens seguem, mas em silencio e em busca de algum vestígio quando de repente notam a movimentação dos bandidos pra lá e pra cá no terreiro da casa sede. Abaixam-se, e retornam para junto do restante da tropa, relatando em seguida o que notaram ao comandante, o qual traça um plano e ordena que avancem cautelosamente formando um semicírculo em direção a casa grande.

Lampião parece se sentir em casa. Tranquilo, abre um dos bornais, retira alguns papéis, senta-se numa cadeira da mesa e começa a rabiscar alguma coisa nos ditos papéis. Tudo isso é meticulosamente observado pela dona da fazenda. Com certeza o que escrevia o chefe cangaceiro seria cartas, ou bilhetes, de extorsões endereçadas (os) aos homens que tinham dinheiro na região. De repente, ele estanca com o que está fazendo, levanta-se e vai em direção a porta da sala. Retorna e, de repente, solta a goela no mundo dando o alarma aos seus homens que estavam cercados pelos ‘macacos’.

A partir desse momento, tendo perdido o fator surpresa, pois não estavam totalmente posicionados, os soldados procuram responder os tiros que vinham de várias direções onde se encontravam os cabras de Lampião. Lampião, dentro da casa, escolhe uma janela e começa a manda bala dali. O interessante é que não dando tempo de cercar totalmente a casa sede, a coluna do cabo Domingos Cururu, fica exclusivamente diante da frente, com isso, a parte de trás, fica totalmente sem ter ataque, no entanto, alguns cangaceiros que lá estavam, danam bala para o alto com a nítida intenção de afugentarem a tropa.

O tempo se fecha e o tiroteio se acirra a cada minuto. Dona Santinha e as outras mulheres procuram a todo custo um local para se protegerem. Notando a agonia delas, Lampião grita vendo que elas adentravam em um dos quartos da casa:

“- Dona Santina, fique ai e num se preocupe que aqui ninguém bole cum a senhora.” (MC e CF, 2016)

Escutando o barulho dos disparos, Moita Braba grita para seus homens e, junto ao dono da fazenda, Xandinho, seguem para tentarem pegar a volante pela retaguarda como previra seu chefe.

Um dos soldados no meio ao tiroteio, nota que um dos cangaceiros não muda de posição. Atira e depois se abaixa. Tornando a atirar e repetindo aquele movimento. Espera um instante e faz fogo. Nota quando o cabra tomba e desaparece.

Lampião não muda de lugar e, atirando feito um alucinado, dá, de quando em vez ordens aos seus cabras incentivando-os a briga. Só saindo da linha de tiro na janela, quando se faz necessário recarregar seu fuzil. De repente, ao recarregar sua arma, ergue-se e sente uma dor horrível na altura do peito, do lado direto do tórax. A força do projétil é imensa e o atira no chão da casa.

A bala vinda do fuzil do soldado acerta o ‘batente’ da janela, perde um pouco sua velocidade, desvia e atingi o “Rei dos Cangaceiros”.

Lampião está estendido no chão da casa sede da fazenda Tigre e seu irmão corre para tentar socorre-lo. O ferimento parece ser grave e Virgolino começa a perder bastante sangue. Nesse momento, aqueles que estavam dentro da casa se apavoram um pouco pensando seu chefe estar morrendo. O “Rei Vesgo”, devido a grande perda de sangue, começa a ficar pálido e perde os sentidos deixando mais apavorados ainda seu Estado Maior.

“(...) Se por acaso Lampião morresse ali, Antônio sabia que tudo acabaria. Sem o comando, a astúcia e a genialidade de Virgulino, além do seu conhecimento com os poderosos Chefes Políticos e Coronéis do Sertão, seria o começo do fim (...).” (MC e CF, 2016)

Os homens apressam-se a pegarem bastante panos e envolveram o corpo do chefe para que, além de aquecê-lo, não permitisse que o sangue caísse no piso da casa deixando a prova que alguém teria sido alvejado dentro dela.

Moita Braba chega já atirando e o amigo de Lampião, Xandinho, mostra-se um combate arrojado, conseguindo chegar a casa e entrar nela. Vai direto para onde encontra-se seu amigo desmaiado e se agacha junto dele. Lampião vai recobrando os sentidos e, já com seu cérebro em pleno funcionamento, pede ao amigo para retira-lo daquela arapuca, principalmente por ele conhecer bem a região. Em seguida, diz a seu irmão para tomar as rédeas do grupo, saltar para fora da casa e apertasse o tiroteio até colocar a tropa em fuga. Para que ele pudesse ser levado dali.

Desse momento em diante a cangaceirama parece ter ingerido alguma droga, pois ficaram como que alucinados e o fogo aumentou consideravelmente. Xandinho salta para fora de casa e se mostra um dos mais valentes homens que esse sertão já pisou. Parecia que ele iria topar sozinho toda tropa atacante. Por fim, sentido o desesperado ataque dos homens de Lampião, os militares resolvem recuar. Lascam os pés no meio da mata e somem na caatinga.

Lampião chama a dona da fazenda e lhe faz um pedido. Que ela não comentasse com ninguém o ferimento que sofrera, pois se assim procedesse, ele voltaria e mataria todos que pudesse. Xandinho chega perto do amigo e pergunta para onde ele que ser levado. Lampião diz querer ir para a fazenda Caraíbas, onde pretendia restabelecer-se. 

Formando duas filas com os animais, os homens de Lampião o colocam-no no meio. Assim ele estaria protegido se algum ataque ocorresse e ninguém o veria naquelas condições. Xandinho leva o chefe mor do cangaço, o cangaceiro Lampião por entre os tabuleiros, serras e baixios do Pajeú das Flores... Até chegarem aos limites da fazenda pretendida.
Fonte “AS CRUZES DO CANGAÇO – Os fatos e personagens de Floresta – PE” – SÁ, Marcos Antônio de (Marcos De Marcos De Carmelita Carmelita) e FERRAZ, Cristiano Luiz Feitosa (Cristiano Ferraz). 1ª Edição. Floresta, 2016

Foto Ob. Ct.
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domingo, 16 de setembro de 2018

MISTÉRIOS DE ANGICO. 80 ANOS DA MORTE LAMPIÃO.



Aconteceu hoje, no CAFÉ PATRIOTA, em Fortaleza. Os debates foram bastantes proveitosos e, reunião dezenas de estudiosos e pesquisadores.

Abs para Manoel Severo Barbosa, Ángelo Osmiro Barreto, Aderbal Nogueira, Cristina Couto e, mais amigos.

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A INDÚSTRIA DO CANGAÇO




A INDÚSTRIA DO CANGAÇO ( Edição- JB - Edição 15/04/2001 e 15.09.2001) -

Uma análise do fenômeno à luz dos estudos da Professora da UFRJ - LUITIGARDE BARROS DE OLIVEIRA.

Matéria compartilhada: Cangaceiro Zecangaço

OBS: Para uma melhor visualização / ampliação do texto, CLIC no mesmo, aumentando o zoom.

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CORONEL JOSÉ ALENCAR DE CARVALHO PIRES (CHEFE DE POLÍCIA VOLANTE NA PERSIGA AOS CANGACEIROS).

Por Valdir José Nogueira

Conhecido por Sinhozinho Alencar, personalidade marcante e grande vulto da historia sertaneja, era filho do Alferes José Leonel de Alencar (sobrinho de dona Bárbara de Alencar e tio do romancista José de Alencar) e de Antônia da Assunção Pires. Nascido em 13/03/1892 na fazenda Várzea, no município de Belmonte, tendo falecido em 19/03/1960, no Recife. Foi casado em primeiras núpcias com Albertina Ferraz filha de João Lopes Gomes Ferraz. Em segundas núpcias, casou-se Sinhozinho Alencar com dona Maria Côrte natural de Triunfo - PE. Sinhozinho Alencar impediu chacinas, ataques à vilas, fazendas e cidades localizadas no Vale do Pajeú.

Dono de extrema coragem na defesa dos seus conterrâneos, aliada a uma boa presença, fina educação e amor as artes. Assim é lembrado o coronel José Alencar de Carvalho Pires.

Este belmontense, que também foi prefeito de Serra Talhada, deixou uma larga folha de bons serviços prestados à polícia pernambucana, comandando por muitos anos o 3º Batalhão.

Na fotografia, em pé ao seu lado a sua irmã Ana da Assunção Pires (Iaiá).

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A FESTA DE LAMPIÃO NO SÁBADO DE CARNAVAL



Em possantes cavalos aparecem os cangaceiros, Lampião montado em um cavalo branco bem arriado, era sábado de carnaval do ano de 1927, descendo a Serra da Colônia, Afogados da Ingazeira, seguindo para localidade de Macacos (hoje cidade de Iguaracy) em Pernambuco, onde solicita ao senhor José Luiz Irmão que o mesmo adquira bebidas e músicos para fazerem uma festa com o grupo em sua casa.



Quando estava tudo pronto, que os músicos começaram a executar as primeiras canções, a vizinhança escutando os instrumentos, começou a chegar se escorando por ali, bebericando um trago e outro, quando perceberam estava a varanda da casa do anfitrião lotada de rapazes e moças, na maior animação, dançando com os cangaceiros. Mandaram comprar todo estoque de bebidas que havia no minúsculo comércio da localidade e entraram na noite festejando o carnaval.

No dia seguinte os cangaceiros chegam à vila Tigre, em São José do Egito, quando são surpreendidos pela Volante do tenente José Alencar e no tiroteio com a polícia entricheirada e Lampião em campo aberto, morre com um tiro no rosto, o cangaceiro Congo. 

O cangaceiro Beija Flor - Arthur José Gomes da Silva - é preso e conduzido à Casa de Detenção, no Recife. Sob tortura, revela ao próprio Dr. Eurico de Souza Leão, Chefe de Polícia do Estado, que quem vende arma e munição para Lampião é o Major Teófanes Torres. Essa declaração causa grande rebuliço no meio político e militar, havendo várias cartas e telegramas da parte de seus amigos do sertão ao governador, se solidarizando com o oficial, desmentindo a afirmação do prisioneiro.

Do livro: LAMPIÃO E O SERTÃO DO PAJEÚ
De: Anildomá Willans de Souza

Na página do pesquisador do cangaço José João Souza

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UM TRISTE ASSASSINATO

Por José Mendes Pereira
Esta arma vai matar

Preservar os verdadeiros nomes dos personagens que figuram neste artigo é preciso.

Foi lá pelos anos 70, não tenho lembrança em que ano isso aconteceu, não em Mossoró, mas em suas terras.

De todos os empregados da “Firma & Cia” João Capistrano era um dos mais responsáveis, e até apostava no crescimento galopante da firma, cumprindo tudo que era necessário pelo crescimento da empresa, e como desejava o seu bom andamento produtivo, nada lhe era difícil, até chegava ao trabalho 1:00 hora antes do início das atividades para todos.

João Capistrano tinha uma boa conduta, motorista de primeira categoria, amigo do patrão, do pessoal administrativo, dos colegas de trabalho, enfim, João não era qualquer um, e apesar de não ter participação nos lucros da empresa, João era considerado um dos seus dirigentes.

Mas o João há meses ou talvez anos que vinha traindo os seus superiores. Não prestava contas de acordo com o que recebia dos fregueses, alegava que o restante seria pago na próxima entrega. E assim continuava enganando os seus superiores.

Já não tendo mais condições de fornecer mercadorias aos comerciantes, os sócios entraram em acordo que, na próxima viagem para entregar mercadorias, um deles iria acompanhar o João, só assim, este, conversaria com a freguesia, explicando o motivo da suspensão de mercadorias, vez que a empresa não tinha mais condições para fornecer aos mesmos, pois estava faltando recursos para a compra de matéria prima para a sua fábrica.

Ao tomar conhecimento da reunião que aconteceu entre os dirigentes da empresa, o João não gostou, alegando que eles deixaram de acreditar na sua palavra. E como o grupo de dirigentes da empresa tinha o João como um operário exemplar, talvez padrão, disse-lhe que nada era pessoal, apenas que a empresa não tinha mais condições de continuar fornecendo mercadorias aos clientes, por falta de recursos para compra de matéria prima.

O dia seguinte, o João viajaria para Baraúna, (cidade que já pertenceu à Mossoró), em companhia de um dos dirigentes da empresa, o Carlos Couto, sócio minoritário da empresa, e agora o João teria que se virar, pois o seu feito de desonestidade, estava preste a ser descoberto. Na noite anterior, o João não dormiu, só pensando como iria se livrar da situação que ganhara, por sua culpa, por sua máxima culpa.

Ao amanhecer do dia, o João dirigiu-se até à fábrica, e lá já encontrou o Carlos Couto, que seguiria com ele até à cidade de Baraúna, um dos lugares que a empresa abastecia mercadorias aos comerciantes, e lá, era onde estavam os seus maiores devedores.

O carro já estava carregado, mas com poucos produtos. O Carlos Couto ocupou a cabine do carro. O João entra no automóvel e liga o carro, e toma direção ao lugar de destino. No percurso, nenhuma palavra saiu da boca do João, salvo quando o Carlos Couto lhe perguntava algo. E geralmente as respostas eram em tom de abuso.

Finalmente chegaram ao município de Baraúna. O João estava nervoso. Logo no primeiro comerciante, Carlos Couto já começou a notar a desonestidade do João Capistrano. Apresentada a nota de dívida, o comerciante disse-lhe que não estava devendo nada ao João. E tudo que ele comprava, era o dinheiro. Mais outros, todos confirmaram que não eram devedores à empresa.

O João estava inquieto, não tinha mais como se defender. Ninguém lhe devia. O Carlos Couto já não entendeu mais nada. O homem que sempre foi de confiança, agora era um verdadeiro ladrão, caloteiro, safado...

O João aceitou todas as palavras grosseiras que o Carlos Couto disse contra si. Não tinha como reverter esta situação desonesta. O Carlos Couto resolveu voltar logo para Mossoró, porque seria inútil acusar os seus fregueses de devedores. Comprovada a desonestidade do João, o empresário pediu que seguisse a estrada de Mossoró.

João Capistrano tomou a estrada, e durante o percurso, nenhuma palavra saiu da sua boca, apenas remoía a decepção da sua desonestidade dentro de si. Já rodado alguns quilômetros, o Carlos Couto pediu para o João parar o carro, pois estava com a bexiga cheia. Precisava esvaziá-la. João obedeceu e logo parou o carro no acostamento. O sócio da empresa desceu e afastou-se um pouco da estrada. Dá início a sua necessidade fisiológica.


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João desceu e dirigiu-se ao patrão. E sem mais imaginar, atirou nas suas costas.

O Carlos Couto dá um enorme grito, e vendo o João com uma arma na mão, coisa que ele jamais esperava isso dele, disse-lhe:

- Você enlouqueceu João? Você me matou, João!

João quer terminar o serviço, apontando a arma para o homem que já estava morrendo.

O homem ainda lhe implorou:

- Não atire mais, João! Eu...

E com o ódio na sua mente, apertou o gatilho outra vez, disparando o segundo tiro fatal. Ao vê-lo morto no chão, João arrependeu-se. Matou um homem que muito lhe ajudou.

Agora não era mais as contas que os seus fregueses lhe deviam, aliás, nenhum lhe devia. Tinha que organizar a sua defesa. João arrastou um canivete do bolso e cortou a sua própria testa, para fingir que fora assaltado. Em seguida, deu um tiro em sua coxa. Mesmo sangrando, seguiu a estrada de Mossoró, dirigindo com dificuldade. O sangue que saía da coxa o incomodava muito. As dores eram cruéis. A testa estava toda banhada de sangue.

Lentamente vem ele tangendo o carro para Mossoró, devagar, com cuidado. Sentiu um mal-estar, e ao longe, avistou um veículo que vinha em sua direção. João resolveu parar o carro para ser socorrido pelo motorista que guiava o automóvel. Tinha que sair da sua cabine antes do carro que se aproximava. Do contrário, ele não pararia.

Já bem próximo, o condutor do carro observou que a sua cara estava banhada de sangue. Mesmo temendo, resolveu parar para saber o que estava acontecendo.

João disse que fora assaltado, e que vinha fugindo. Os assaltantes mataram o seu amigo, no caso, o Carlos Couto. Como ele ainda estava dentro do carro, os assaltantes não conseguiram matá-lo.

O homem resolveu colocá-lo dentro do seu automóvel e voltou para Mossoró, deixando-o internado em um dos hospitais da cidade.

 
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A polícia tomou conhecimento do suposto assalto. E foi de encontro ao corpo do Carlos Couto que estava à beira da estrada. As emissoras de rádio e jornais chegaram lá. A perícia também estava lá. Depois de feitos os ajustes no cadáver, removeram-no para o ITEP de Mossoró.

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João continuava hospitalizado, mas não iria demorar. O ferimento que sofreu na testa não foi grave, apenas o tiro sofrido na coxa, precisava de uma pequena cirurgia.

No leito hospitalar João preparava a sua defesa. E ao sair do hospital, foi prestar o seu depoimento à polícia. João caiu em contradições várias vezes. Após tudo, João confirmou que matou o seu patrão, com vergonha, ao saber que ele tomou conhecimento do dinheiro que vinha desviando da empresa.

João vai a júri, Infelizmente João foi condenado a passar 30 anos na cadeia, na Colônia Penal de Natal.

João era um preso exemplar, e após alguns anos, ganhou o direito de ficar o dia fora da cadeia, mas à noite, era obrigado a dormir lá.

Mas o João ainda tinha que enfrentar outras circunstâncias na vida. Alguém, irmão do assassinado, o Carlos Couto, estava de olho no João. Era uma irmã que não se conformava com a sua liberdade. E de imediato, contratou um pistoleiro para executar o João.

João estava ali bem próximo da Colônia Penal. O pistoleiro acompanhado de outro comparsa, aproximaram-se do João, e no meio da conversa, almoçaram, beberam, jogaram sinucas..., e com este aparato todo, o pistoleiro e seu comparsa conseguiram embriagá-lo.

Já embriagado, prometeram dar uma voltinha pelas ruas de Natal. Mas a finalidade era tirar o João dali, e fazer o que para eles era o mais importante. Matar o João.

Ao saírem da capital, pegaram a estrada que segue para Mossoró, e em meio estradão, entraram em um matagal. João estava incomodado, e ainda não sabia de nada, mas já desconfiava, e não sabia para onde estavam caminhando.

O pistoleiro parou o carro. Os três desceram do automóvel. João pergunta:

- Por que estamos nestas matas?

Um dos pistoleiros pergunta:

- Você está lembrado que matou o Carlos Couto da Firma & Cia?

Com esta, João já descobriu que iria morrer, e se defendeu dizendo-lhe:

- Lembro-me, mas já faz muitos anos.

O pistoleiro arrastou o revólver e apontou para o João, dizendo-lhe:

- Você já estava sabendo que vai morrer agora mesmo, cabra safado?

João se acovarda, pedindo por todos os Santos que não o mate.

O pistoleiro apertou o gatilho, e o João Capistrano caiu morto como um passarinho. Em seguida, tirou uma faca da cintura, cortou-lhe as duas orelhas, entraram no carro, e tomaram a estrada para Mossoró. As duas orelhas eram a comprovação do assassinato do João Capistrano, as quais, tinham que ser entregues a irmã do Carlos Couto.

Finalmente João estava morto no meio daquelas árvores verdejantes. De viventes que viram a execução do João, com exceção dos dois pistoleiros, apenas as árvores e alguns pássaros que sobrevoavam a pouca vegetação, presenciaram aquela triste morte de outro ser humano.

  Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro. Não é fictícia.

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sábado, 15 de setembro de 2018

BENEDITO EM BRASÍLIA (BENEDITO EM BRASÍLIA)


AGRADECIMENTO Comovido, agradeço a Esplendorosa Recepção, Que OS conterrâneos de Sobral, Membros da AQQB Sobral / DF e da Casa do Ceará de Brasília, fizeram A Minha pessoa, AO desembarcar Ontem (13-09-2018) sem Aeroporto Internacional de Brasília. Desejo destacar como Presenças sem Aeroporto, faça Presidente da AQQB Sobral / DF e fazer Presidente de Honra da Associação CITADA, Senhores Agapito Cavalcante de Vasconcelos e Antônio Carlos Aguiar, respectively. 

Hoje à Noite, como 19:30 horas Farei palestra Sobre Cultura Nordestina e lançarei meu Livro “Lembranças Campestres“, na sede da Casa do Ceará (910 Norte). Aproveito uma Oportunidade Pará convidar Os Amigos e conterrâneos that moram em Brasília, para prestigiarem o Lançamento do Meu Mais novo Livro. 

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LIVRO DE BENEDITO EM BRASÍLIA (LIVRO DE BENEDITO EM BRASÍLIA)







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CASA DO CEARÁ EM BRASÍLIA E AQQB Sobral/ DF REALIZARAM UM DOS MAIORES EVENTOS CULTURAIS DE SUAS HISTÓRIAS

Por Benedito Vasconcelos Mendes
             
Um significativo número de escritores cearenses radicados em Brasília se fizeram presentes na palestra e no lançamento do livro do Prof. Benedito Vasconcelos Mendes. O evento cultural organizado pela Casa do Ceará e pela AQQB Sobral/DF contou com as presenças das seguintes autoridades culturais: Agapito Cavalcante de  Vasconcelos (Presidente da AQQB), Osmar Alves de Melo (Representante da Academia de Letras de Brasília e Presidente da Casa do Ceará), escritor Adirson Vasconcelos, escritor Inocêncio Viegas (Presidente da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal), Comendador Albery Mariano (Academia Latino Americana de Ciências Humanas), escritores e empresários Antônio Carlos Aguiar e Ladir Aguiar (Presidentes de Honra da AQQB), Intelectual  e líder classista João Vicente Feijão Neto, escritor João Bosco Serra e Gurgel, José Sampaio de Lacerda (Diretor da Casa do Ceará), Antônia Lúcia Guimarães (Superintendente da Casa do Ceará), Manuel Andrade (Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal), jornalista Luís Roberto Vieira Costa e muitos outros intelectuais.                  

Após a palestra sobre Cultura Cearense, proferida pelo Professor Benedito, houve a solenidade de lançamento do livro “Lembranças Campestres “, de autoria do Prof. Benedito Vasconcelos Mendes. A professora e escritora mossoroense Susana Goretti Lima Leite, esposa de Benedito, organizou o lançamento do livro. A apresentação do Prof. Benedito e de seu livro foi  feita pelos Presidentes da Casa do Ceará e da AQQB, respectivamente, Agapito Vasconcelos e Osmar Alves de Melo. No final da solenidade foram  servidos salgadinhos, refrigerantes e outras bebidas, que prolongou até altas horas, este momento de cultura, lazer e congraçamento.

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HAVIA AMOR NO CANGAÇO?


Eis a resposta.

“Não havia, porém, muita disponibilidade para o amor: A relação homem x mulher era como a minha e de Zé Sereno, Luiz Pedro e Nenê, Criança e Dulce, Lampião e Maria Bonita. Era tudo igual. Não tinha essa coisa de abraços. Beijos. Meu bem ou minha querida. Não era como agora. Esse carinho que muitas vezes é “tapiação”. O homem beija e abraça a mulher em casa ou nos encontros sociais e depois sai para “tapiar” (Namorar)”.

Ilda Ribeiro de Souza “Sila” antiga integrante do bando de Lampião.

Mesmo diante de tantos fatos e depoimentos de remanescentes da época, há quem insista em enxergar romantismos e paixões nas relações entre os casais cangaceiros.

Geraldo Antônio De Souza Júnior

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