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domingo, 15 de janeiro de 2012

LAMPIÃO: O COMBATE DA CANOA

Por: Clerisvaldo B. Chagas
Clerisvaldo B. Chagas

 (Para o professor Marcelo Fausto)

Desde o início das suas ações em Alagoas, Lampião agia no extremo oeste do estado, precisamente na região serrana de Matinha de Água Branca (hoje Água Branca) e Paulo Afonso (atual Mata Grande), principalmente. 

Mesmo em suas ações esporádicas, no decorrer da sua vida cangaceira, essa região tinha a preferência por ser rica em serras, ficar perto da fronteira e ser conhecida dele e de Corisco (filho do lugar). 


Além disso, a fertilidade das terras, a produção agrícola e o clima, favoreciam as suas investidas. Já perto do fim, acossado pelas forças de Sergipe, Bahia, Pernambuco e Alagoas, Lampião achava-se espremido em trechos do rio São Francisco, dançando com muito cuidado entre as margens sergipana e alagoana e a região de Mata Grande e Água Branca.

Tenente João Bezerra, o matador de Lampião

No fim de 1931, o futuro matador de Virgolino, era delegado em Piranhas (Al) “cidade presépio” na margem do rio São Francisco. Havia um intenso comércio nesse lugar ribeirinho servido por linha férrea. Houve desentendimento entre o delegado e o prefeito. Este, baseado no prestígio do poder econômico, mandava e desmandava na cidade. Bezerra impediu que os empregados do prefeito andassem armados na cidade e os considerava no mínimo, cangaceiros mansos favoráveis a Lampião. 


Denunciado como arbitrário, João Bezerra foi mandado recolher-se ao Regimento. Ao juntar seus poucos objetos para partir, ainda estava numa canoa que desceria para Pão de Açúcar (Al), quando acontece uma ironia. Um dos empregados do prefeito vem pedir socorro, pois Lampião estava queimando o quartel de polícia de Canindé, do outro lado do rio, onde o prefeito possuía uma fábrica de curtume.

05.01.1932. Jerimum (Se). Data aproximada. Bezerra, para não ser chamado de covarde, foi socorrer o seu desafeto. Mandou retirar couros que estavam em uma canoa e desceu o rio disfarçado de “coringa”, chapéu de palha à cabeça, acompanhado de oito soldados. O ferrador do bando 


José Baiano havia ferrado várias pessoas em Canindé. No lugar denominado Jerimum, travou-se o combate entre a pequena força que atirava amparada na canoa, e os bandidos por trás de pedras, em terra firme. Eram oito soldados contra quarenta e oito cangaceiros. O auxiliar da tropa, José Bagaço foi atingido gravemente. Após dez minutos de tiroteio, com os soldados atirando de ponto, água na cintura, por trás da canoa, Lampião retirou-se deixando rastros de sangue como pista.

O telégrafo nacional e a “Great-Westem” comunicaram-se com o estado todo. O capitão Liberato de Carvalho estava em Pedra (Al) e chegou de Caminhão. O capitão Manoel Neto estava em Jatobá (Pe) e desceu a Piranhas em “wagon” atrelado à locomotiva. Por último chegou o capitão Ramalho, do exército em Mata Grande. Bezerra deixou os capitães Neto e Liberato no campo da luta. Esses, com 75 homens, saíram nos rastros dos bandidos, encontrando o bando na fazenda Maranduba em Sergipe, onde ocorreu um dos dois maiores combates da vida de Lampião e que ficou conhecido como “O Combate da Maranduba”. Pois é, esse famoso duelo aconteceu cerca de uns três dias após o COMBATE DA CANOA.

Fonte:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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