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segunda-feira, 11 de março de 2019

A BRUTALIDADE CRUEL EQUIPARADA



Naquele tempo, época do cangaço, a força, a brutalidade empregada nas vítimas muito das vezes tinha outro significado além de só maltratar.

Sabedores do que ocorreu com outra pessoa na região em que moravam, as pessoas temiam e só havia duas saídas, ou iriam embora, aí era bastante difícil devido as condições financeiras, transportes e etc., restava então permanecerem e acatarem o que fosse determinado pelos cangaceiros ou volantes, as vezes espontaneamente e, na maioria, debaixo de cacete.

No início do cangaço lampiônico os governadores dos Estados da Região Nordeste por onde agiam tentaram, e muito, acabarem com aquela bandidagem rural. Eram muitos os grupos que agiam em diferentes regiões, municípios e estados. Havia em torno de 42 grupos, ou mais, além do comandado por Virgolino entre os anos de 1922 há 1927/28 nos sertões de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Ceará.

Soldados foram enviados das capitais dos Estados com a missão de combaterem os bandos criminosos. Para começar, um soldado formado dentro de um Quartel na Zona da Mata, Agreste ou mesmo nas Capitais, jamais saberiam como movimentarem-se dentro da Mata Branca em busca de bandoleiros. A própria caatinga tornava-se sua maior inimiga, pois, quem não a conhece, não a respeita, e não a respeitando era morte na certa por fome e sede.

Na continuação dos dias, meses e anos sem ocorrer o resultado esperado, os governos resolveram colocar homens da mesma estirpe, coragem e que foram forjados pelo mesmo clima, brutalidade e rigidez que eram os cangaceiros. Homens sertanejos que sabiam moverem-se tão bem quanto os cangaceiros, pois conheciam suas veredas, sua fauna e flora, a utilizando como sobrevivência. Outra coisa a mudar foi à vestimenta das tropas. Principalmente os calçados. Pés de soldados dentro de coturnos de couro sem ventilação causaram muitas baixas nas fileiras. Cangaceiros usavam alpercatas “Xô – Boi”, as quais foram também usadas pelos volantes a partir do momento em que foram contratados homens sertanejos.

Pois bem. Tanto nas fileiras do cangaço quanto nas fileiras das volantes que existiram homens malvados, cruéis, vingativos e sanguinários. Alguns que correram para o cangaço, fizeram em busca de sobreviverem, se vingarem ou mesmo atrás de aventuras, cobre, suor e sangue pela sua índole. Esses mesmos conceitos são vistos naqueles que participaram do fenômeno vestindo a farda da segurança de algum estado. Aí a coisa engrossava mais devido ter a “proteção”, serem acobertados por a mesma. Vaqueiros, camponeses, agricultores, moradores, tangerinos e outros foram todos suspeitos de serem colaboradores de cangaceiros. Assim sendo, a “macaca” desceu em seus lombos sem dó nem piedade. Às vezes, debaixo de muito cacete o cabra dizia o que sabia, às vezes, não havia como dizer, pois não eram colaboradores dos cangaceiros.

Abaixo veremos mais um espetacular trabalho em vídeo do pesquisador Aderbal Nogueira sobre a vida dos cangaceiros e volantes durante a longa guerrilha nos rincões sertanejos. Desta feita ele tem a participação da jornalista Vânia Galceran que faz a entrevista com o ex-tenente Pompeu Aristides de Moura. Ele é tido como aquele que matou o cangaceiro Moderno, Virgínio, cunhado de Lampião.

A história da adesão de Pompeu a Força Pública de Pernambuco é bastante interessante. Antes de entrar para a volante, Pompeu, vendo e estando presente em uma das tantas passagens dos cangaceiros onde morava, pediu para fazer parte do bando, ou seja, ser também um cangaceiro. Segundo o próprio, não foi aceito pela estatura e idade, coisa que para a Força não foi problema. Moura relata que naquele tempo não havia outra opção a não ser, ser cangaceiro ou volante como meio de sobrevivência.

Os Estados se acomodaram totalmente com suas obrigações sociais e a população interiorana vivia num verdadeiro caos.

Na entrevista veremos a jornalista fazer perguntas duras, diretas, porém, lógicas e sensatas. Também veremos respostas corretas, diretas e, algumas com saídas escorregadias, pois ninguém se alto incrimina.

https://www.youtube.com/watch?v=QanqF2Npv3A&feature=youtu.be&fbclid=I

TENENTE POMPEU ARISTIDES DE MOURA

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/permalink/1022205957988348/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Um comentário:

  1. Um interessante relato histórico sobre o Cangaço.
    Parabéns pela postagem!

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