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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

FALECIMENTO DO TENENTE JOÃO GOMES DE LIRA

Por Ivanildo Alves da Silveira


Em 10 de outubro de 2010, foi realizada uma visita da SBEC - Sociedade Brasieira de Estudos do Cangaço, ao tenente Jão Gomes de Lira, no distrito de Nazaré-PE.

Naquela oportunidade, participaram do evento:


Paulo Medeiros Gastão (fez a entrevista),


 Dr. Ângelo Osmiro


Aderbal Nogueira, Afrânio, 


 Tomaz Cisne e outros e foi entregue ao bravo Nazareno uma plaquete de sua biografia...

Vejam, logo abaixo,  na lente do renomado documentarista "Aderbal Nogueira", mas um sensacional documentário.
  
http://www.youtube.com/watch?v=KkCWoXV5IRc

Um abraço a todos, e renovamos nesta oportunidade nossas condolências à familia do bravo nazareno Ten. JOÃO GOMES DE LIRA...Uma figura inesquecível, e que, com certeza, ficará para a história..

IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN


VEJAM, LOGO ABAIXO, IMAGENS INÉDITAS DO FUNERAL DO BRAVO NAZARENO " JOÃO GOMES DE LIRA ".

AGRADEÇO A GENTILEZA DO AMIGO "ANDRÉ GATIANO", QUE NOS ENVIOU AS FOTOS, PARA QUE TODOS TOMÁSSEM CONHECIMENTO DO FATO...




FOTO em frente à casa de JOÃO GOMES DE LIRA, no distrito de Nazaré,
por ocasião do velório.


VER-SE, NA FOTO, FAMILIARES E AMIGOS NA RESIDÊNCIA DO BRAVO NAZARENO, ANTES DO SEPULTAMENTO DO CORPO
.

As netas de " JOÃO GOMES DE LIRA " carregando coroa de flores á frente do caixão, indo em direção á igreja Nossa Senhora da Saúde / NAZARÉ-PE, onde o corpo passou 20 minutos, antes do sepultamento.  



Quando o caixão ia saindo da residência, coberto com a bandeira do Brasil, e mais abaixo, a de Carnaiba-PE, onde o mesmo foi vereador na decada de 1970 . Vê-se, ainda, o caixão sendo carregado pelos filhos do " de cujus".


IGREJA DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE, SITUADA NO DISTRITO DE NAZARÉ-PE, ONDE O CORPO PERMANECEU, POR CERCA DE 20 minutos, ANTES DO ENTERRO.


FOTO, mostrando a frente do cemitério novo de Nazaré-PE, onde o ten João Gomes de Lira foi seputado.

AOS FAMILIARES Ten. JOÃO GOMES DE LIRA nossas condolências pessoais, e dos membros desta comunidade.

DESCANSE EM PAZ GRANDE NAZARENO...SEU NOME JÁ FAZ PARTE DA HISTÓRIA... .


IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

Novidades em HQ

Outro CARCARÁ? Assim, não dá?!
Por UHQ
 

As violentas disputas entre famílias poderosas e a falta de perspectivas de ascensão social numa região de grande miséria levaram ao surgimento de bandos armados, gerando o fenômeno do cangaço.
Carcará (21 x 28 cm, 96 páginas, R$ 33,00) conta a trajetória de dois fazendeiros, inimigos um do outro, que carregam histórias de sangue e ódio em seus passados.

Na disputa por terras e pela água escassa, naquela região agreste, muitos já tombaram. De um lado, o coronel Emerenciano, como símbolo de um poder oligárquico, dos antigos "coronéis", emanando seu poder por meio da violência, e, do outro, a resistência dos fazendeiros na figura de Ananias, disposto a perder tudo para manter sua honra e a sua família. No meio dessa trama estão vários personagens, entre eles, o famigerado cangaceiro Carcará.

O álbum tem arte e roteiro de Aloísio de Castro e foi selecionado pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, por meio do seu programa de incentivo à cultura ProAC.
O paulista José Aloísio Nemésio Brandão Vilela de Castro é publicitário e ilustrador, e já publicou HQs na antiga revista de terror Calafrio e na Front, além de ter sido corroteirista da animação Cassiopéia.

Carcará é uma publicação da editora Qualidade em Quadrinhos, por meio do selo, BooHQ e está à venda na Comix Book Shop 

O ESTUPRADO

Por: Archimedes Marques


"O ESTUPRADO"

Da periferia das cidades nasce quase sempre, além dos fatos criminosos diversos e das intrigas habituais constantes, as histórias pitorescas e hilárias mais estranhas possíveis e assim as Delegacias dessas localidades vivem incessante problema com grande monta de Inquéritos Policiais, Termos de Ocorrências Circunstanciados, além de um número imenso de audiências realizadas nas tentativas de compor as intermináveis contendas a fim de evitar que os casos sigam para a Justiça já tão abarrotada de Processos.

Em boa parte dessa população, o cidadão considerado pobre, além de pobre financeiramente é pobre também de espírito e não releva nada do seu semelhante ou tampouco procura saber da verdade ou razão dos fatos geradores das intrigas para resolução em conversa com a parte adversa, como pessoas civilizadas. De tudo procura a Delegacia, sempre pensa estar com a razão e quer solução imediata, por vezes relacionada a problemas esdrúxulos e sem sentido algum, como é o presente caso em que um cidadão chegou aflito querendo providencia da Polícia em uma das unidades que trabalhei:

- Doutor, eu amanheci vestido com essa calcinha e com a regueira da bunda toda “melada” de gala e quero as providencias da Polícia porque fui estuprado ontem à noite por três fuleiros que eram meus amigos... Quero que aqueles fios do cabrunco e do estopô balaio da peste sejam presos...

Observando de relance (sem encostar perto) a calcinha que o cidadão mostrava e até cheirava dizendo ter cheiro de gala e que trazia consigo como prova material do pretenso crime, aparentemente estava com resquícios de uma substancia meio grudenta, gosmenta, parecendo realmente ser esperma. Entretanto, pela compleição física da suposta vítima não dava margem de quaisquer suspeitas para a prática do crime de estupro, vez que o cidadão apesar de ter 55 anos de idade demonstrava ter uns 67, além de ser maltrapilho, imundo, fedorento, desdentado, zarolho, esquelético, mas de barriga inchada cheia de vermes, zambeta, bunda seca, barbudo e cabeludo parecendo ter vastas criações de piolhos de toda espécie e qualidade possíveis, um estrupício chupando limão, uma verdadeira bagaceira em final de feira, um arremedo de defunto em decomposição que tinha se esquecido de se enterrar. Então confabulei para não rir da excêntrica situação:

- Quer dizer que o senhor amanheceu vestido com essa bonita calcinha de rendas vermelha e supostamente com a bunda cheia de uma substancia parecida com esperma, por isso acha que foi estuprado pelos seus amigos?... Conte-me esse fato direito para ver se eu entendo como é que foi esse crime.

- Eu e mais três amigos invadimos um terreno lá no Goré, na beira do rio  e construímos um cercado no mangue seco onde guardamos o que de melhor achamos pelas ruas e nas lixeiras, como latinhas de cervejas, metais, garrafas de plástico, papelão e tudo mais que se aproveita na reciclagem, e quando já tem uma boa quantidade a gente vende, divide o dinheiro e compra os mantimentos para o nosso viver...

- Então vocês fizeram uma espécie de cooperativa, não é verdade?... Mas vamos ao que interessa... Ao estupro.

- Cada um de nós tem um barraco separado e moramos vizinhos ali mesmo na invasão onde juntamos o material. Dois deles tem mulher e uma ruma de filhos, eu e o outro não...  Quando a gente vende o estoque sempre há comemoração e ontem foi esse dia... A gente comprou duas garrafas de cachaça pra se divertir, daí não sei mais o que aconteceu porque fiquei bêbado e dormi. Quando me acordei estava nessa situação... De calcinha e todo melado de gala... Fiz a maior arruaça lá, mas aí eles ficaram mangando da minha cara dizendo que tinham arrancado meu cabaço... Como não quero matar ninguém estou aqui pedindo ajuda da policia... Ainda nem me lavei e estou com a bunda toda grudada e melada de gala... Se o senhor quiser pode mandar fazer exame...

- Vamos fazer o seguinte cidadão: Primeiro eu quero ouvir também esses seus amigos antes de tomar qualquer posição... Eles estão lá agora ou estão pelas ruas catando lixo?...

- Com toda certeza que eles estão lá, doutor, porque todas as vezes que a gente ganha algum dinheiro passa dois dias sem trabalhar, só bebendo...

Mandei duas viaturas ao local. Os policiais trouxeram além dos três acusados, as duas mulheres que fizeram questão de acompanhá-los como testemunhas e no meu gabinete um deles explicou o pretenso estupro do cidadão:

- Foi só uma brincadeira, doutor... Como ele não aguentou a cachaça e apagou de vez, então tiramos a roupa dele, colocamos a clara de três ovos na regueira da bunda dele e vestimos essa calcinha vermelha nele que foi da minha mulher... Era tudo pra ele pensar que realmente a gente tinha comido o rabo dele... O senhor nos desculpe doutor...

E então desabafou a suposta vítima:

- Eu não gosto desse tipo de brincadeira, por isso vou embora e quero a minha parte do barraco e das coisas que vão ficar com eles...
Daí uma das mulheres interferiu:

- Deixa de besteira rapaz!... A idéia da brincadeira foi minha... A gente gosta de você... Além do mais você não tem pra onde ir... Você é que nem um urubu no mundo, sem casa, sem ninguém, sem nada, só tem a gente... Prefere morar debaixo de uma ponte só por causa de uma besteira dessa?... Vamos voltar pra lá e “rebater a bucha”... Botei o arroz e o feijão no fogo e até tira-gosto já aprontei... Vamos deixar o doutor trabalhar em paz que ele tem mais o que fazer.


Autor:

Archimedes Marques (Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br 

O CONTO DO PERU

Por: Archimedes Marques

 

Relembrando e buscando apoio nas velhas estórias contadas e anotações deixadas pelo meu querido e inesquecível avô Antonio Campos Melo, pessoa simples, funcionário do antigo Departamento dos Correios e Telégrafos, de excelente índole, inteligente, honesto e, que gostava muito de escrever, encontrei nos seus alfarrábios manuscritos um fato policial que diz ele ter sido verídico ocorrido nos idos dos anos 30 do século passado, aqui na nossa simpática Aracaju, que por ser interessante passo então a contar, mudando os dados das figuras principais do enredo para não haver identificação, pois não sei dos seus herdeiros para pedir permissão para tal.


Consta que o Senhor João Limeira, comerciante próspero da antiga Aracaju, possuía uma sapataria situada na Rua João Pessoa, então via principal do centro da cidade.
João Limeira, além de ser um verdadeiro unha-de-fome, tinha a fama de esperto, de nunca ter sido enganado por alguém, de nunca ter perdido um centavo sequer para qualquer pessoa, razão pela qual, gabava-se de ter prosperado na vida, não só pela sua luta, pela sua capacidade, mas também por conta de tais atributos.
A vida de João Limeira resumia-se em quatro coisas, tão simplórias quanto acomodadas e estranhas pareciam ser: casa, trabalho, feira semanal e enterro de alguém a partir do seu respectivo velório... Não tinha nenhum vício nem tampouco se divertia ou levava sua mulher e seus filhos ao parque, praia ou cinema, não ia a lugar algum ou fazia algo diferente além dessas quatro atividades para não ver o dinheiro sair do seu bolso desnecessariamente.
Em casa muito economizava, regrava de todo jeito e reclamava gastos extras com a sua esposa, no comércio negociava sapatos mais baratos com menor lucro justamente para vender mais, na feira pechinchava de tudo e estava sempre na xepa, no resto de feira, enquanto que, para sua estranha diversão estava o velório e enterro de pessoas amigas, conhecidas ou não. Para o diferente e mão-de-figa cidadão o importante era morrer alguém para ele estar presente em condolências.


Ninguém entendia se era mania psicótica, quem sabe medo, trauma, superstição, ou mesmo grande virtude, qualidade, humanismo, mas o certo é que João Limeira era solidário com os familiares dos mortos, fosse quem fosse. Não perdia nenhum velório e acompanhava todos os enterros, de rico ou pobre que dele tivesse conhecimento dentro de Aracaju, fazendo até questão de pegar na alça dos caixões, ou seja, ajudar a carregar os defuntos nos trajetos até os cemitérios que por muitas das vezes eram feitos a pé.


Além de participar de todos os funerais o senhor João Limeira usava nesses eventos o indumentário que de melhor possuía. Vestia de maneira garbosa o seu lindo a alinhado terno preto italiano, além da sua camisa


branca de seda chinesa e uma gravata azul-marinho portuguesa, sem esquecer-se dos seus sapatos pretos também importados que de melhor tivesse em sua loja e, do seu valioso relógio de bolso suíço cravejado de diamantes com grossa corrente de ouro 18 quilate que sempre estava no bolso do paletó e só era usado somente nessas ocasiões.


Para se manter impecável nessa sua mania o senhor João Limeira não tinha medido esforços, era o esse o único meio que tinha saído dinheiro do seu bolso sem reclamação. Com esse rico vestuário de gala ele orgulhosamente e garbosamente desfilava na sua homenagem aos mortos.


Falavam que além da sua importante casa comercial, da sua boa residência situada na Colina de Santo Antonio e do seu invejável e sempre brilhante Ford preto 1930, o que o senhor João Limeira tinha de mais importante e valioso era esse indumentário usado nos enterros.
Buscando economizar combustível no sentido de não ter que voltar em casa para se aprontar quando houvesse um eventual falecimento ao seu conhecimento, todos os dias o João Limeira trazia para o trabalho e levava de volta para sua casa o seu estimado vestuário-mortuário.
Certo dia ele se esqueceu dessa obrigação, ficando por isso muito preocupado, tendo comentado com o seu funcionário de confiança:
- Estou rezando para que não morra ninguém hoje, pois caso contrário terei que voltar em casa ou pagar alguém para ir até lá buscar a minha roupa que me esqueci de trazer...
Ocorre que alguém, um vigarista quem sabe, estava ali próximo olhando os sapatos e ouvindo a conversa logo arquitetou um plano:


Adquiriu um peru para impressionar e se fazer de confiança, indo em seguida até a residência do comerciante que todo mundo sabia onde ficava. Lá chegando se apresentou para dona Josefina como sendo porta-voz do seu marido que pediu para que o mesmo entregasse o peru que ganhara de presente e pegasse a sua roupa, vez que tinha ocorrido o falecimento de alguém. De pronto a mulher sem desconfiar de nada entregou tudo ao trapaceiro.
Só restou, além da raiva e da bronca do senhor João Limeira ao chegar em casa e constatar o golpe, o trabalho de ir até a Chefatura de Polícia para registrar a ocorrência e se contentar com o arremedo do prejuízo, comentando tristemente:
- Pelo menos ele nos deixou um peru para a ceia do próximo Natal!...
Passados de 30 a 40 dias, já próximo ao Natal, quando tudo se acalmou, o suposto vigarista completou o seu golpe combinando com o seu parceiro que foi até a residência do senhor João Limeira e lá chegando falou para dona Josefina:

- A Policia prendeu o ladrão que roubou a roupa do seu marido!... Está o maior reboliço lá na Chefatura e o seu João Limeira me mandou buscar o peru que o Delegado quer para o acerto de contas com o larapio...
- Graças a Deus. Eu já não aguentava mais de tanta repugnância e reclamação!... E mandando os seus filhos pegar no quintal o peru já bem gordo e bonito, entregou-o toda contente ao comparsa do trapaceiro.
O golpe ficou conhecido na época como o CONTO DO PERU e todos riam e gozavam do mão-de-figa engabelado, alguns até mais ousados grugrulejavam feito um peru quando viam o João Limeira, que por duas vezes perdeu para o mesmo criativo e inteligente vigarista.

Archimedes Marques
(Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS)
meus+artigos/o+conto+do+peru
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/

Tu vai tá em Recife? Então espie


 1º SEMINÁRIO do CANGAÇO
do RECIFE| História e Memória
25 e 26 de outubro de 2011 - na Livraria Cultura

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/10
15:00 h MESAHistória e Memória do CangaçoA Presença da Mulher no Cangaço
PALESTRANTES
Vera Ferreira: Jornalista e Pesquisadora do Cangaço. (Neta de Lampião e Maria Bonita)
Wanessa Campos: Jornalista e Escritora.
Expedita Ferreira: Filha de Lampião e Maria Bonita .

16:00 h MESA :
Verdades e Mentiras (causos).O Cangaço e a Literatura.
PALESTRANTES:
Anildomá Williams: Escritor e Pesquisador do Cangaço.
Adriano Marcena: Historiador, Escritor e Dramaturgo .
MEDIADOR:
Mário Ribeiro: Historiador e Doutorando em História.

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Dia 26/10
14:30 h MESA:
O Cangaço e a MídiaA Estética do Cangaço
PALESTRANTES
Rosa Bezerra: Escritora e Pesquisadora do Cangaço.
Germana Araújo: Profª da UFSE, Escritora Doutorando em Cultura e Sociedade .

16:00 h Apresentação do Grupo "Cabras de Lampião"
MEDIADOR:
Clébio Marques: Prof. de Metodologia da Pesquisa Científica.
 
17:30 h Coquetel de Encerramento. Entrega dos Certificados.
Realização
Prefeitura do Recife
Fundação de Cultura Cidade do Recife
Gerência de Formação Cultural .
Informações e inscrições
(81) 3355 - 8018 / 3355 - 808 / 3355 - 8046
 


Abriram-se as Porteiras para o Cariri Cangaço

Por: Manoel Severo

Dra. Socorrinha, Prefeito Manoel Novaes, Manoel Severo e Danielle Esmeraldo

Um dos momentos mais marcantes de todo o Cariri Cangaço 2011 foi sem dúvidas a magnífica recepção do município de Porteiras aos participantes do evento. Na manhã do último dia 24 de setembro; sábado, chegamos ao município e fomos recebidos pelo senhor prefeito Manoel Novaes e sua esposa, dra Socorrinha, juntamente com toda a equipe administrativa do município e toda a Câmara Municipal.

A bela Porteiras acolhe o Cariri Cangaço 2011
Prefeito Manoel Novaes, Napoleão Tavares Neves, Heldemar Garcia e Manoel Severo
Laser Video
Manoel Severo, Napoleão Tavares Neves, Antônio Amaury e Múcio Procópio

A beleza da cidade, traduzida pela arquitetura de suas linhas, as ruas bem cuidadas e espetacularmente limpas, as praças belíssimas e os prédios públicos totalmente restaurados;  refletiam a harmonia da família porteirense, que se confirmou na inesquecível recepção do começo da tarde no Ginásio Poliesportivo, recepção que nos "assustou" a todos. Mais de 600 pessoas lotavam todas as dependências do ginásio, quadra totalmente cheia de cadeiras e as arquibancadas tomadas pelo público, ávido para conhecer o Cariri Cangaço.

Alcino Costa, Wescley Rodrigues e Isabel Barroso
Confrades da Família Cariri Cangaço em Porteiras
O Batuque invadiu o cangaço...
Sabino Bassetti e Ivanildo Silveira
Manoel Severo, José Peixoto Junior e Ângelo Osmiro

Uma cidade que cuida e zela pelo bem de sua memória e cultura, é uma cidade que sem dúvidas trata do que possui de melhor; a matéria prima mais precisosa; seu povo. Porteiras mostrou tudo isso em uma só tarde. A fantástica orquestra de violões, entoando Luiz Gonzaga e o Coral sob o comando do maestro Soares Neto, nos trouxeram um dos mais singelos momentos do evento. Parabens Manoel Novaes por compreender a importancia de construir cidadania com responsabilidade, trabalho, dedicação, seriedade, arte e coração.

A conferência do mestre Napoleão Tavares Neves proporcionou ao público presente um recorte em sua própria história. Chico Chicote e sua Guaribas, com todo o seu conteúdo épico, pouco conhecido pelos próprios moradores do lugar, nos foi presenteado com firmeza e leveza, próprio daqueles que possuem o dom da palavra e do encantamento quando falam, assim é Napoleão e assim foi o dia maravilhoso em Porteiras.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço


Escritores Reunidos no III Cariri Cangaço

Por: João de Sousa Lima


Uma das partes mais gratificantes do Cariri Cangaço, sem sombras de dúvidas é o encontro dos pesquisadores dos diversos seguimentos da historiografia nordestina e brasileira, essa confraternização serve para se conhecer novos trabalhos literários, discutir sobre dúvidas e descobertas, além de expor pesquisas em andamento.
Na fotografia um raro momento onde quase todos os pesquisadores e escritores se uniram para uma fotografia:

ÂNGELO OSMIRO, WESCLEY, ANTONIO VILELA, GERALDO FERRAZ, JOÃO DE SOUSA LIMA, KIKO MONTEIRO, ALCIVANDES, ALCINO ALVES COSTA, JADILSON FERRAZ, IVANILDO SILVEIRA, SABINO BASSETI, PAULO GASTÃO, LUIZ RUBEN, ANTONIO AMAURY E BARROS ALVES.



O escritor Antonio Galdino lança mais uma obra literária

Por: João de Sousa Lima


Dia 11 de Outubro  (amanhã) o professor Antonio Galdino lança mais um livro.


O lançamento acontecerá no auditório do colégio
Sete de Setembro, às 19 horas.


Antonio Galdino



O livro é mais um capítulo sobre a história de Paulo Afonso.


Uma dose grande de cultura!

Por: Isabel Zastine 
Izabel Zastine

Severo e Danielle,


começo pedindo desculpas por não ter despedido-me como queria, mas como saí durante a madrugada jamais iria acorda-los. Quero dizer que não tenho palavras para agradecer a atenção que foi dispensada, dizer ainda que nunca havia experimentado uma dose tão grande de cultura e conhecimento. O Cariri do Cangaço é um seminário diferente, pois todos ali, não estão fazendo o seminário por trabalho ou interesses, o único interesse é o de amor a dedicação ao conhecimento e a cultura. Mas uma vez agradeço, peço desculpas por alguma coisa, e afirmo que minha casa está de portas abertas para toda sua família.

Um grande abraço a todos até o próximo. 

Profª.Isabel Cristina B. Zastani
Joinville - Santa Catarina
http://cariricangaco.blogspot.com/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/

Sebo Kariri no Cariri Cangaço 2011

Samara Inácio e Sandra Leite, do Sebo Kariri
 
Olá Severo,estou escrevendo para agradecer a acolhida dada pelo Cariri Cangaço à Livraria e Sebo Kariri. Apesar de não termos quase nada sobre o cangaço, nosso acervo foi bem aceito pelos participantes e quase conseguimos chegar à nossa meta. Agradeço imensamente a atenção, carinho e respeito com que fomos tratadas por todos que fazem o Cariri Cangaço. Esperamos que em 2012 possamos novamente estar com vocês.

Cordialmente, Samara Inácio e Sandra Leite
Livraria e Sebo Kariri.

domingo, 9 de outubro de 2011

DEUS ME LIVRE DE PRESENCIAR MAIS OUTRA VIOLÊNCIA DAQUELA CONTRA SERES HUMANOS

Por: José Mendes Pereira

Na década de sessenta, costumeiramente, alguns grupos de ciganos passavam onde os meus pais moravam, percorrendo os lugarejos das redondezas de Mossoró. Normalmente, os moradores se assustavam com a presença de grupos de ciganos, que muitos deles levavam a vida fazendo pequenos furtos.
Cigano não era uma nação violenta, mas toda população ficava alerta sobre a presença daquela gente.  Alguns até admiravam o seu modo de vida,  e como tradição, liam a sorte, principalmente das moças que estavam prestes a se casarem. Usavam um sotaque diferente até lembrando pessoas de outros Estados brasileiros. Eu nunca tinha visto uma violência feita por um ser humano, que até hoje está gravada na minha mente.

No início dos anos sessenta, o meu pai ainda era morador de Manoel Duarte, o homem que matou o cangaceiro Colchete e baleou Jararaca.

Manoel Duarte - o matador de Colchete

Minha mãe, não por desprezo, mas por precaução,  foi uma mulher que não se afinava com  cigano, não lhe dava chance.  

Antonia Mendes Pereira
Minha mãe, Antonia Mendes Pereira - Faleceu aos 86 anos, no dia 28 de março de 2011

Já o meu pai era diferente, apoiava, mas não de permanecer por muito tempo, apenas de passagem.


 Meu pai Pedro Nél Pereira - faleceu no dia 10 de maio de 2011 aos 89 anos e 25 dias.

Certo dia, estávamos sob uma cajarana que cobria  uma boa parte do terreiro da frente da antiga casa em que nós morávamos, pois nos dias de hoje, não existe mais, apenas tapera, e algumas forquilhas tentam resistir aos cupins.

Eu ainda era menino de doze anos. Nessa manhã, um enorme grupo de ciganos foi chegando e ocupando toda área ensombrada pela árvore. Era o grupo do então afamado Zé Garcia, que ainda não havia passado por lar, mas já era um velho conhecido do meu pai, quando fazia acampamentos nas terras de Manoel Duarte, conhecido por Manél de Anália, já falecido, sendo este primo de Manoel Duarte, o assassino de Colchete, e por sinal, era casado com Rosália Fernandes, sendo esta minha cunhada.

Ali, descansaram da fadiga da viagem por um bom tempo, e em seguida, Zé Garcia pediu que o meu pai fosse encaminhá-lo até a entrada que segue para Mossoró. Como o meu pai tinha os seus afazeres a cumprir, disse-lhe que iria mandar um dos filhos, cujo, eu, para acompanhá-lo até a entrada. 

E logo segui na frente, e um cordão de animais, todos ocupados com os seus cavaleiros. Era um pouco longe a entrada, e lá   formava um "L". Ao chegar ao local, subi nos paus da porteira, eu ficando pelo lado de dentro, na intenção de ver aquele monte de animais caminhando.

O Zé Garcia me gorjeteou com uma nota de mil cruzeiros  (para o tempo, já era desvalorizada), mas assim que ele se retirou, passou um esperto cigano e arrebatou a cédula da minha mão.

Só para efeito de ilustração

Pouco tempo, um (outro) cigano que vinha atrás, e que havia o visto tomando  a cédula da minha mão, aconselhou-me que corresse e fosse dizer a Zé Garcia. Com esse conselho, fiz carreira para alcançar o chefe que já ia muito longe. 

Ao tomar a sua frente ele me perguntou o que estava acontecendo. Eu o repassei o ocorrido, e ali mesmo fez parada, esperando o dito esperto para que eu o apontasse.  

No local onde nós estávamos esperando o esperto, havia um grande limpo que fora feito pelos moradores na grande seca de 1958, quando acabaram com uma porção de xiquexiques para alimentarem os seus animais, e nunca mais nasceu nem xiquexiques e nem tão pouco árvore nenhuma. 

O cigano que havia me dito que corresse e contasse a Zé Garcia, ao chegar ao local, dedurou logo o dito cujo. 

A partir daí, para mim, foi só tristeza, em presenciar aquela terrível cena. Zé Garcia desceu do seu animal e enraivecido, deu início a uma surra de chicote no jovem cigano sem escolher o local de bater. Sem condições de se defender, o castigado jovem desceu do seu animal, aí foi que apanhou. Foi uma cena terrível que os meus olhos  presenciaram. O jovem não sabia se chorava ou se implorava ao seu chefe para não continuar aquele maldito castigo.

Uma cigana que eu tenho impressão que estava grávida, ao ver tanta brutalidade praticada pelo Zé Garcia, desceu do animal e dirigiu-se ao apanhado, agarrando-o, na intenção de protegê-lo das lapadas. Mas não levou sorte. O Zé Garcia já havia levantado o chicote, e ao descê-lo, ela foi atingida com toda força do seu braço. A cigana saiu em desespero, chorando, se maldizendo das dores.

Os choros das ciganas, crianças e as  alaridas dos homens eram chocantes dizendo: Para! Para! Para pelo amor de Deus!... 

Um cigano já de idade, e pela sua enorme barba branca, dou-lhe uns setenta anos, no mínimo, pediu-lhe por todos os santos que não mais judiasse com o castigado.  Mas não foi atendido. Foi inútil.

A situação só parou quando uma bonita ciganinha, talvez aos treze anos, se formando moça (não sei se a ciganinha era sua filha), foi de encontro ao chefe, agarrou a ponta do chicote perguntando-lhe: “Vai matar Dande?”

Pelo menos foi o que eu entendi. Não sei se o Dande era o nome do castigado, já que ela o interrogou: "Vai matar Dande?". Mas como ela disse verbalmente,  não deu para eu saber quem seria o Dande. Se fosse apelido carinhoso do chefe,  com certeza ela  disse: "Vai matar, Dande!?" Do contrário, seria  um código qualquer de cigano.

A partir daí, eu não vi mais nada, porque eu fiz carreira entre os velames, mandacarus, pereiros e marmeleiros, até que cheguei em casa, cansaço e a mente totalmente arrasada, de ter visto aquela cena tão triste entre os homens de Deus. 

Minhas simples histórias 

Lançamento do Clip Cariri Cangaço 2011, marca reunião na Saraiva

Por: Heldemar Garcia
Video Clip Cariri Cangaço 2011, lançado na Saraiva

Foi em clima de festa que ocorreu a mais recente reunião do GECC-Cariri Cangaço, no espaço Rachel de Queiroz da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Fortaleza. Na noite da última terça-feira, dia 04 de outubro, sócios do GECC e integrantes da família Cariri Cangaço, participaram do lançamento do Clip Cariri Cangaço 2011, de Manoel Severo, e do Cariricaturas de Aderbal Nogueira.

O encontro foi aberto pelo curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, que destacou a realização da terceira edição do evento, entre os dias 20 e 25 de setembro, últimos, na região do Cariri e lembrou que o numero de pesquisadores, escritores e personalidades do universo nordestino, chegou a surpreender, com exatos 138 participantes de 17 estados do Brasil e um público recorde de 1.975 pessoas nos seis dias de evento. Severo trouxe para lançamento um Vídeo Clip com imagens de todo o evento, mas frisou: "Essa é apenas uma brincadeira que acabei criando, mas o vídeo oficial, como não poderia deixar de ser, virá em breve com a marca da Laser Vídeo, de nosso amigo Aderbal Nogueira"; já Aderbal Nogueira, também em rítimo de festa, apresentou seu "cariricato olhar" sobre o Cariri Cangaço 2011, em vídeo caricatura das imagens mais hilárias do evento.

Aldo Anisio, Ney Alencar, Haroldo Felinto, Wilton Dede e Ângelo Osmiro
Ricardo Albuquerque e Casal Ney Alencar
Edilson Cláudio e Cicinato Neto
Cap Alfredo Bonessi e Adail Colares

O presidente do GECC, ressaltou em sua fala a posse dentro do Cariri Cangaço da primeira diretoria do GECC e desencadeou a grande campanha de cadastramento dos muitos sócios que já fizeram sua pré-inscrição. No Cariri Cangaço, 49 confrades fizeram a pré-inscrição como sócio do GECC e mais 39 se inscreveram como "Amigo do GECC". Para Ângelo Osmiro a figura do "Amigo do GECC" é também de vital importancia, e ressalta: "A figura do Amigo do GECC, foi criada por nosso Diretor Severo e contempla todos aqueles pesquisadores que não moram no estado do Ceará; assim possibilita o intercâmbio, a integração, a irmandade entre todos".

Confrades do GECC - Cariri Cangaço, presentes na Saraiva do Iguatemi
Afrânio e Antônio Tomaz
Cel Gutemberg Liberato
Lívio Ferraz
Presidente do GECC e Conselheiro Cariri Cangaço, Ângelo Osmiro

Estiveram presentes ao encontro do GECC - Cariri Cangaço; Ângelo Osmiro, Ricardo Albuquerque, Haroldo Felinto, Aldo Anísio, Manoel Severo, Antonio Tomaz, Aderbal Nogueira, Ney Alencar e esposa, Coronel Gutemberg Liberato, Noveli Carabajal, Adail Colares, Wilton Dedê, Lívio Ferraz, Juliana Ischiara, Capitão Alfredo Bonessi, Cicinato Ferreira Neto, Comendador Mariano, Dr. Pedro Luiz e Edilson Cláudio, além desse jornalista, Heldemar Garcia.

Até mais ver,
Heldemar Garcia
Assessor de Imprensa e Marketing
 

Cenário de grandes descobertas e debates grandiosos

Por: Julio Cesar Ischiara
Juliana e Júlio Cesar Ischiara

Uma grande jornada foi realizada entre os dias 20 e 25 de Setembro de 2011, onde uma caravana com mais de 130 pesquisadores e estudiosos do cangaço e da cultura nordestina descortinou cenários, para muitos deles, ainda não vistos. Aurora, Barro, Porteiras, Missão Velha, Barbalha, Juazeiro do Norte e Crato foram o cenário de grandes descobertas e debates grandiosos. Nessa edição do Cariri Cangaço o que me chamou a atenção foram dois fatos:

O primeiro, que saltou aos olhos no primeiro momento, foi a grande receptividade dos gestores, particularmente dos mais novos integrantes dessa verdadeira saga, como Barro e Porteiras, sem deixar de enfatizar os já tradicionais municípios de Aurora, Missão Velha, Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte.

A importância que todos esses municípios depositaram em nosso Seminário mostra que toda essa grande equipe está no caminho certo, em direção à valorização da cultura nordestina, de seus personagens e cenários históricos. O segundo fato que considero, também, muito importante, foi o direcionamento dos debates para grandes protagonistas que, até então, estavam relegados a um segundo plano na história do cangaço, como Isaías Arruda, o soldado Adrião, Major Zé Inácio, os novos debates sobre Sinho Pereira, etc., e, assim, ampliando o conhecimento sobre grandes personagens ligados a Lampião, Corisco e as volantes.

Essa nova perspectiva traz novos rumos aos debates, onde pode-se estudar motivações, intenções e, acima de tudo, entender a realidade sócio-antropológica-filosófica e psicológica do fenômeno cangaço. Isso significa que mais pesquisadores irão contribuir para os estudos da cultura nordestina, como tivemos a honra de contar com os conhecimentos do querido amigo Sousa Neto e Gilmar Teixeira, falando de Isaías Arruda e Sinhô Pereira respectivamente. Além disso, tivemos a oportunidade de saborearmos os conhecimentos sobre a musicalidade nordestina de Múcio, além dos já tradicionais Kiko Monteiro e Wilson Seraine.

Entretanto, amigo Severo e Conselheiros, senti que o tempo dos debates foram limitados e reduzidos, diminuindo a participação do público leigo e dos acadêmicos. Acredito que você e equipe deverão avaliar esse meu questionamento.

Abraços,
Júlio César Ischiara
Sócio do GECC