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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LEVANTE POTIGUAR


DURANTE QUATRO DIAS, EM 1935, NATAL ESTEVE SOB O CONTROLE DOS COMUNISTAS. MESMO DERROTADA, A REVOLTA QUE REIVINDICAVA “PÃO, TERRA E LIBERDADE” MARCOU A HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Texto – Marco Aurélio Vannucchi L. de Mattos Fonte – http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/levante_potiguar.html

Natal amanheceu tranquila naquele sábado, 23 de novembro de 1935. A capital do Rio Grande do Norte tinha, então, uma população de 40 mil habitantes. Na cidade pouco industrializada, o movimento portuário era intenso. Navios seguiam para a Europa carregando sal e algodão – os principais produtos da economia potiguar. A calmaria daquele dia começou a ser perturbada com a chegada de uma carta do chefe da Região Militar para o comandante do 21º Batalhão de Caçadores (BC). Nela, o general Manuel Rabello autorizava a dispensa de praças suspeitos de participação em assaltos a bondes.

Cais da Tavares de Lira, a provinciana Natal das décadas de 1930 e 30
A notícia da expulsão de quase 30 soldados causou silenciosa revolta no quartel. À tarde, militar do 21º BC reuniram-se com dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) estadual para examinar a situação. Às 19h30, no mesmo quartel, o cabo Giocondo Alves Dias, o sargento Quintino Clementino de Barros e o soldado Raimundo Francisco de Lima, muito bem armados, renderam o oficial de dia: “O senhor está preso, em nome de Luiz Carlos Prestes”.
Dominado, o quartel foi aberto para os civis que apoiavam o movimento. Estivadores, liderados pelo presidente do sindicato da categoria, João Francisco Gregório, eram maioria. Os rebeldes organizaram tropas de civis e militares, que foram deslocadas para pontos estratégicos da cidade. No dia seguinte, domingo, Natal já estava integralmente sob o controle dos insurretos.

Membros da junta governativa, após o fim do levante - Fonte - http://fmauriciograbois.org.br
Depois da fuga ou prisão de autoridades estaduais, os rebeldes constituíram uma junta governativa, que batizaram de Comitê Popular Revolucionário. O sapateiro José Praxedes foi nomeado secretário do Abastecimento; o diretor do presídio de Natal, Lauro Lago, secretário do Interior e Justiça; o funcionário do Liceu Ateneu, João Galvão, secretário da Viação; o sargento Quintino de Barros, secretário da Defesa; e o tesoureiro dos correios, José Macedo, secretário das Finanças.
Em praça pública, o governo revolucionário dirigiu-se à população da cidade, anunciando seus primeiros atos: a destituição do governador e da assembleia estadual. De acordo com o relato feito por José Praxedes, décadas mais tarde, o povo que assistiu à proclamação respondeu com gritos de “Viva a Revolução”, “Viva o Governo Revolucionário”, “Viva Prestes”.

O "Cavaleiro da Esperança", Luís Carlos Prestes Fonte - http://www.dhnet.org.br/
Os revolucionários trataram, em seguida, de providenciar os meios materiais para assegurar seu poder. Fizeram requisições de carros, alimentos e armas a proprietários e comerciantes. Confiscaram os cofres do Banco do Brasil, do Banco do Rio Grande do Norte e da Recebedoria de Rendas. Aproveitando-se da situação, a população de Natal lançou-se a saques ao comércio local – ignorando os apelos da junta de governo.
A conquista do interior do estado passou para a ordem do dia, com a formação de três colunas de combatentes. Segundo Homero Costa, em seu livro A insurreição comunista de 1935, a primeira deveria seguir em direção a Mossoró; a segunda, até a divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba; e a última, para a cidade de Goianinha.

Onde tudo teve início em 23 de novembro de 1935, a sede do 21º Batalhão de Caçadores
Os revolucionários ocuparam 17 dos 41 municípios potiguares e, quando possível, entregaram o poder a personalidades locais ligadas à Aliança Nacional Libertadora (ANL).
No dia 26 de novembro, o Comitê Popular decidiu publicar um jornal, A Liberdade, para informar a população sobre as ações e os planos do novo governo. Incumbiu Raimundo Reginaldo da Rocha de dirigir os trabalhos. Rocha era professor primário e dirigente do PCB local.

Jornal A Liberdade Fonte - http://www.dhnet.org.br
A Liberdade explicava o programa revolucionário: amplas liberdades democráticas, reforma agrária, incentivo à industrialização, trabalho para todos, aumento dos salários dos trabalhadores rurais e urbanos, democratização do ensino e da cultura, nacionalização de bancos e empresas estrangeiras, expulsão dos “imperialistas e seus lacaios” do país e não pagamento da dívida externa.
Um manifesto lançado pela junta de governo, dois dias antes, dizia: “PÃO, TERRA e LIBERDADE é o nosso lema. É a vitória do Socialismo sobre a decantada Liberal- Democracia dos políticos profissionais; é a vitória da Aliança Nacional Libertadora; é a vitória de Carlos Prestes; é a vitória do direito do mais fraco, que nunca teve direito! Direito ao que é seu, usurpado pelo mais forte; direito ao PÃO com suficiência; direito às TERRAS; direito à LIBERDADE”.

Dinarte Mariz vários anos após 1935 Fonte - http://onordeste.com
Na mesma noite em que foram rodados mais de mil exemplares de A Liberdade, porém, chegaram notícias de que forças legalistas compostas pelo Exército e pelas polícias de estados vizinhos preparavam-se para retomar Natal. Logo a junta de governo seria informada da derrota de uma de suas colunas na serra do Doutor (entre Santa Cruz e Currais Novos). Os vitoriosos, comandados por Dinarte Mariz, fazendeiro e chefe político de Caicó, também rumavam para a capital.
Os integrantes do governo revolucionário concluíram pela impossibilidade da resistência. Na madrugada do dia seguinte, abandonaram a cidade, mas acabaram presos pouco depois. A única exceção foi José Praxedes, que conseguiu escapar da repressão legalista e ocultou sua identidade por 50 anos (esta história é contada por Moacyr de Oliveira Filho em Praxedes, um operário no poder).

José Praxedes narrando sua participação em 1935 Fonte - http://www.dhnet.org.br
Assim, no dia 27 de novembro, a insurreição estava derrotada. O governador Rafael Fernandes retomou o seu posto e restaurou a antiga ordem no Rio Grande do Norte.
Cerca de mil pessoas foram indiciadas nos processos que trataram do levante potiguar de 1935. Com base nesses autos, é possível desvendar a composição social da insurreição. De acordo com Marly Vianna, autora de Revolucionários de 35, em Natal, 45% dos indiciados eram militares, especialmente soldados, cabos e sargentos, mas nenhum oficial do Exército; 27%, operários, sobretudo estivadores; 11%, profissionais liberais; 11%, trabalhadores urbanos de condição modesta, como alfaiates, padeiros, barbeiros, sapateiros e comerciários.
No interior, 24% dos indiciados eram trabalhadores rurais; outros 24% eram profissionais liberais; 16% eram trabalhadores urbanos; e 15%, operários.
RAZÕES DO LEVANTE
Há que perguntar quais as condições que transformaram a insatisfação dos militares do 21o BC com as dispensas num movimento revolucionário. A resposta encontra-se tanto na conjuntura política estadual quanto na estratégia adotada pela direção nacional do PCB.

A reação do governo
A partir de 1934, agravaram-se as disputas no interior da elite potiguar. De um lado, estava o grupo de Mário Câmara, nomeado interventor federal por Getúlio Vargas, em 1933. De outro, o Partido Popular (PP), liderado pelo ex-governador José Augusto Bezerra de Medeiros e que reunia a oligarquia apeada do poder pela Revolução de 1930.
Os desentendimentos entre as duas correntes frequentemente degeneravam em choques armados. No fim de outubro de 1935, o PP voltou ao poder, com a vitória de Rafael Fernandes nas eleições estaduais. Assim que tomou posse, Fernandes iniciou uma perseguição aos adversários.

Prestes preso em 1935

A Guarda Civil, criada no governo anterior, foi dissolvida. Seus 400 homens foram despedidos, porém não desarmados. Além disso, cabos e sargentos do 21º BC perderam seus cargos comissionados, acusados de ser camaristas.
O clima de tensão política também era alimentado pela atuação do movimento operário e pelo
PCB. Ao longo de 1935, eclodiram várias greves no estado, como a dos ferroviários da Great Western. Os comunistas eram influentes nos sindicatos, assim como entre os militares subalternos. Ainda naquele ano, o PCB organizou uma guerrilha na região de Mossoró, que sobreviveu até 1936.
Os acontecimentos locais tiveram um peso decisivo na deflagração da revolta, mas ela só pode ser integralmente compreendida dentro de um quadro político mais amplo.
No início de 1935, o PCB participou da organização da ANL no país. Naquele momento, o movimento comunista mundial empenhava-se na formação de frentes populares – como as que venceram as eleições na França e na Espanha – com vistas a barrar a ascensão do fascismo. Para tanto, os comunistas deveriam se unir aos socialistas, liberais e todas as forças democráticas.

Prestes sendo nomeado presidente da ANL
A fundação da ANL, que tinha Luiz Carlos Prestes como seu presidente de honra, seguia essa orientação. Ao mesmo tempo, a direção do PCB preparava-se para o assalto ao poder.
Em julho de 1935, Prestes lançou um manifesto que terminava assim: “Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas! Por um governo popular nacional revolucionário! Todo o poder à ANL!”.
O plano insurrecional contava com o apoio da Internacional Comunista (IC), que enviou alguns de seus assessores – Olga Benário entre eles – para o Brasil. A ação começaria com levantes militares, a serem acompanhados pela mobilização de trabalhadores em greves em todo o território nacional.

A notícia do levante no sul do país
Em princípio, no dia 23 de novembro, o PCB de Natal procurou convencer os militares subalternos do 21o BC a não se rebelar. Argumentou que ainda não era o momento. Ante a inevitabilidade do levante, os comunistas dele participaram e se tornaram os seus dirigentes. No dia 24, militares sublevaram-se em Recife, sendo vencidos um dia depois.
Pegos de surpresa pelo levante na capital do Rio Grande do Norte, a direção nacional do partido e os agentes da IC decidiram colocar em marcha movimentos no Distrito Federal e em alguns estados. Só conseguiram levar o plano adiante no Rio de Janeiro, sendo vencidos no fim da manhã do dia 27.
Getúlio Vargas

O governo Vargas aproveitou para lançar uma dura e extensa repressão contra seus opositores – não apenas comunistas. As medidas tomadas então, de certo modo, anteciparam o golpe do Estado Novo.
Marco Aurélio Vannucchi L. de Mattos é historiador, Mestre e Doutorando em História Social pela USP. Autor, entre outros títulos, de contra os inimigos da ordem ( Editora DPA, 2003).

http://tokdehistoria.wordpress.com/2011/11/10/levante-potiguar/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Filme "Os Últimos Cangaceiros ganha" Menção Honrosa" no Festival de Cinema do Amazonas

Por: João de Sousa Lima
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Na noite da quarta-feira, o público amazonense compareceu em peso para a festa de premiação da 8ª. edição do Amazonas Film Festival. Enquanto garotas gritavam pela presença do astro pop


Alfonso "Poncho" Herrera, ex-Rebelde, que participou do júri da mostra competitiva de longas-metragens e recebeu uma homenagem no encerramento do evento, os amantes do cinema aplaudiram o longa-metragem "A Separação", do cineasta iraniano


Asghar Farhadi, que arrebatou os dois principais prêmios do festival: Melhor Filme e Melhor Roteiro. Quem também foi lembrado no festival foi o cineasta cearense


Wolney Oliveira, diretor do documentário "Os Últimos Cangaceiros", exibido este ano no Cine Ceará e que compôs a mostra competitiva do Amazonas Film Festival. Pela produção, o júri concedeu uma menção honrosa.


O diretor, muito emocionado, agradeceu a oportunidade de exibir a história de Moreno e Durvinha, que relembram as conquistas e o heroísmo duvidoso de Lampião.


"Estamos competindo também no Festival de Havana, depois de Manaus, na categoria de documentário. Tivemos boa repercussão em outros eventos nacionais e continuaremos levando essa história a todos os lugares que querem conhecer um pouco mais sobre o cangaço", disse o cineasta, que lançará seu filme em circuito comercial entre Agosto e Setembro de 2012.


Momento de gravação do filme


O cineasta Wolney Oliveira


O Casal Moreno e Durvinha

 

Aristeia foi a cangaceira convidada especial para o lançamento do filme durante o 21º.  Cine Ceará.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço
João de Sousa Lima

FAÇA UMA VISITINHA

Por: José Mendes Pereira

Amigo leitor:

Dê uma passadinha nestes blogs:

"Blog PESQUISANDO A HISTÓRIA"


Do historiógrafo:
Urano Andrade

"Blog das Ilhas da Madeira"

Madeira minha vida, Madeira meu país!

Do amigo Eduardo Freitas



No Oceano Atlântico, próximo a Portugal

Link: http://madeiraminhavida.blogspot.com/

"Blog: Só os apaixonados por Jesus"

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De Kátia Regina Corrêa Santos
Bragança - Estado do Pará
Link: http://soapaixonadosporjesus.blogspot.com/

"Blog de Honório de Medeiros"

[Honório+lindo+026.jpg]

Do professor e advogado Honório de Medeiros

Link: http://honoriodemedeiros.blogspot.com


Todos estes blogs têm excelentes histórias".


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A Cangaceira Sila e o seu aflhado macaco

Por: Alfredo Bonessi
Quando vi Sila pela primeira fez,
fiquei um bom tempo olhando para ela. Ela me mostrou uma foto quando ainda era jovem, no tempo do Cangaço. Olhei atentamente a fotografia e disse a ela: a senhora era muito bonita, se eu estivesse por lá roubava a senhora do Zé Sereno. Ela se virou de lado e respondeu: óooooooooooóh.
Depois mostrei a ela algumas fotos do bando de Lampião: ela  não soube me dizer quem eram os cangaceiros da fotografia. A impressão que me causou era que escondia algo. Notei um certo nervosismo em  seu comportamento. Aparentando calma e muito desconfiada, falava pouco  e não respondia a quem se dirigia a ela.  Em um jantar em uma churrascaria de Fortaleza, quando o GECC a recepcionou, estava  na mesa mais de 25 pessoas e mais de duzentos ouvintes ao redor de nós, ela ficou todo tempo perto de mim e da minha esposa e após a janta,  quando roncou o folede  umasanfona,  falei:
-Vamos dançar madrinha! 
Ela me respondeu na bucha e secamente:                                 
- Vá dançar com a tua mulher!                                                
Foi o que eu fiz.                                                                
Outros encontros se sucederam na mesma semana.
Quando eu chegava e pedia a benção a ela:                                    
- Abênção, madrinha!                                                                   
Ela respondia:                                                                            
- Jamais pensei que fosse ter um afilhado macaco.

Em uma viagem cultural a cidade de Maranguape-Ceará, quando ela foi recepcionada pela população em um ginásio de esportes, onde havia mais de trezentos espectadores,  ela queria falar e não podia, a platéia  não fazia silêncio,  ela perdeu a calma e falou diretamente a população comprimida   e inquieta que olhava para ela:
- Que povo mal educado, eu nunca vi um povo tão mal educado que nesse esse!
As palavras dela  soaram como um raio -  foi como se dessem uma chicotada na multidão. Um estrondo e um vozerio  tomou conta da platéia. Tomei o microfone da mão da Sila e gritei para ela:
- Madrinha !  cuidado!  -  eles matam a gente aqui!!!!
Pegando da palavra, agradeci a presença de todos, elogiei a população do Ceará e principalmente a de   Maranguape, dei uma ensaboada e passei a palavra para  a Sila. A Secretaria de Educação do Município  se levantou da platéia e veio em minha direção, pouco menos de 3 metros de distância,  e cochichou para mim:
- O senhor falou em boa hora, se não as coisas iam  se complicar aqui, ia ser uma  brigaiada na certa.
Todas as vezes que eu estive com a Sila  foi o mesmo silêncio por parte dela com relação ao cangaço e eu sabendo do sofrimento que ela tinha passado  não perguntei mais nada, mas guardei bem as queixas que ela sempre fazia do marido
Zé Sereno, dando a impressão que ela  nunca gostou dele. Também pudera, a menina fora levada de casa com 14 anos de idade, na marra, segundo ela, mas as vezes a gente tinha a impressão que ela foi a convite dele mesmo,  porque no cangaço se encontravam três irmãos.  Ela alega que se não fosse, o  Zé Sereno podia matá-la, ou tomar uma represália contra a sua família, coisa que eu não acredito. Sila entrou no cangaço porque quis, embarcou na vida cangaceira para uma aventura que nem as outras mocinhas sertanejas de sua época, movidas pela curiosidade em ver aquela  gente armada, com dinheiro no bolso, alegres, festeiro  e prepotentes.
Grupo de cangaceiros de Sila e Zé Sereno
Após ser levada por Zé Sereno, já no dia seguinte, foi estuprada por ele em cima de uma pedreira -  começava aí o seu sofrimento.  A mulher foi feita para ser amada, acariciada,  e não para ser  violentada, possuída como um objeto  de prazer – essa foi a vida de Sila ao lado de Zé Sereno, até a morte desse. Daí as suas mágoas e queixas pelo comportamento  bruto e violento da parte dele.
Em dois anos de cangaço Sila  presenciou umas quatro brigadas com a polícia, e nesse período por quatro vezes  esteve na presença de
Lampião e de Maria – é muito pouco de quem se exige muito para contar. Nem mesmo Zé Sereno revelou a ela os segredos do cangaço, os coitos, os coiteros, os fazendeiros amigos,   os vaqueiros em que se podia confiar,  mesmo os paradeiros de outros cangaceiros, mesmo porque  Zé Sereno sabia somente aquilo que era para saber, mas o grande segredo de tudo estava com Lampião e os cangaceiros mais velhos como
Juriti e
Luiz Pedro.
Nos encontros com o bando de Lampião Sila ficava na  tolda dela a espera pelo marido, algumas vezes Maria do Capitão a chamava para comer na mesma barraca do chefe e saiam às vezes ali por perto para fumar um cigarro. Maria já era veterana no cangaço,  fazia mais de seis anos que acompanhava o capitão, era agarrada com ele, obedecia a ele e  dependia dele para sobreviver no cangaço,  bem diferente de
Dada, a outra cangaceira,  que contrariava as ordens de Corisco, alterava os planos feitos pelo marido,  mudava o rumo do deslocamento do grupo, e tomava a frente na luta quando era  necessário. 
Sila era uma criança quieta, educada,  tristonha, não sabia nada e o que mais gostava era quando os grupos de cangaceiros  se reuniam ao redor das fogueiras para comerem   carne assada, tomarem  café e baterem uma prosa alegre e divertida.
Em Angico Sila ficava em sua barraca como tantas vezes ficara em outros lugares. Conversava com alguma mulher de vez em quando e na maioria das vezes esperava pelo marido. Não tomava parte nos planos dos cangaceiros,  não falava nada a esse respeito, não sabia nada, e assim não podia opinar sobre esse ou aquele assunto ligado ao bando. Via algum cangaceiro  não muito perto, de alguns sabia o nome, de outros  apenas via sem saber quem era e o que fazia, nem para onde ia.
Volante policial do tenente João Bezerra
Iniciado o tiroteio na manhã de 28 de julho de 1938, sonolenta se levantou e custou a entender o que estava ocorrendo. Daí saiu correndo em uma direção. Outros vieram atrás dela. Alguns caíram pelo caminho. Ela por fim saiu do cerco e se encontrou com alguns cangaceiros fugitivos. Não sentia as dores dos lanhos  que a caatinga impiedosa rascou em suas pernas e  braços. Estava apavorada, horrorizada e por fim chorou muito as mortes acontecidas daquele dia, como um desabafo de quem passara por  momentos de muita angustia e aflição.
Veio as entregas para as autoridades,  seguiu   destino incerto com o companheiro, e  por fim  rumou  para a cidade  grande,  onde começaria nova vida – nova vida de sofrimento – de dor – de noites mal dormidas, trabalho com  cansaço, a criação dos filhos,  as  brutalidades por parte  do marido - quase um selvagem, a labuta diária  em uma  capital enorme,  o custo de vida caro e cada vez mais exigente movido pela ganância do ser humano  em ganhar dinheiro custe o que custar, doa em que doer, em cima de quem for. Sila acabara de vir  de um meio  hostil, onde a sede e a fome assolava a natureza de uma maneira geral. No cangaço o maior perigo era cair nas garras das volantes-  ela mesma sabia se defender  das balas da polícia  que derrubavam  paus a sua frente, mas vivendo  na cidade grande pouca coisa podia fazer. As noites aflitivas e mal dormidas  eram as mesmas,  a doença dos filhos,  o compromisso de chegar no horário no emprego,  bandidos de toda sorte, sem identificação, desconhecidos, sem uniformes, estavam por todos os lados,   perigos no trânsito,  nos deslocamentos para o trabalho. Mesmo assim, essa vida louca das grandes cidades era bem melhor que a vida  do cangaço, pelo menos se podia recorrer a algum médico para tratamento,  podia se viver  com higiene e banhos diários, podia se comer sossegado,  podia se receber o calor e o carinho da família,  tinha-se um lugar para  viver e para morrer e  havia um cemitério para descanso do corpo morto, coisa que na caatinga, quando muito,  poucos felizardos  tinham o direito  de  receber  uma  tosca cruz como indicativo de sua sepultura. 
A maioria das respostas dadas por Sila era o silêncio  ou então não sei. Bem diferente  de não conheço, não vi, não vou dizer.
Depois de sessenta anos passados,  não se pode exigir que uma senhora idosa e em avançada idade, se lembre daquilo que nunca viu, que fale o que não saiba,  pois  na época de meninice não entendia como se passavam aquelas  coisas, como funcionava  a sistemática do bando, que rumo tomar e como sobreviver naquela vida desgraçada.


Escreveu três livros revolvendo o seu passado agitado e tenebroso – cada um diferente do outro.  Sila era uma linda flor do nosso sertão, que mal amada  e incompreendida,  como tantas outras mulheres sertanejas na época,  veio fazer parte dessa vida atribulada do cangaço, mas  sem perder a beleza  e a sensualidade, coisa que para cangaceiro isso pouca importância tinha -   morreu  de velha, na cama, quando muitas de suas amigas cangaceiras  foram  mortas a tiros, apunhaladas, mortas a pauladas,  executadas na maioria das vezes pelos próprios cangaceiros.
Quando se lembrarem da Sila, por favor se lembre dela  com muito amor, com muito carinho, com muitas alegrias -  pois ela em vida passou bem longe da felicidade.

A Bênção Eterna  Minha Querida Madrinha. Do seu  afilhado macaco - Alfredo Bonessi - Capitão do Exército Reformado  SBEC - GECC
 Artigo enviado para ser publicado neste blog pelo autor:
Capitão Alfredo Bonessi

Cangaceira Durvinha, Uma Saudade eterna II ( Na Poesia De Doroteu Ferreira)

Por: João de Sousa Lima

SIMPLESMENTE FALAMOS DA HISTÓRIA DE DURVINHA E DO COMPAHEIRO JOÃO DE SOUSA LIMA, BRAVOS CANGACEIROS DO NORDESTE BRASILEIRO.

SAUDADE BATEU NO PEITO
MAIS ESCREVÍ COM CORAGEM
QUANDO ANDEI NAS VOLANTES
SEM POSSUIR CARRUAGEM
MEDITEI A VIDA INTEIRA
PRA FALAR DA CANGACEIRA
E DE SUA PERSONAGEM

UMA MULHER DE CORAGEM
DE GRANDE DISPOSIÇÃO
FOI UM TERROR AS POLICIAS
ARMADA DE MUSQUETÃO
AGACHADA NUM ABRIGO
TOPAVA QUALQUER PERIGO
COM SUA ARMA NA MÃO

JUNTO DO ESCRITOR JOÃO LIMA
ERA UMA DUPLA TEMIDA
QUANDO ENTRAVA NUMA LUTA
NÃO POUPAVA SUA VIDA
MIRAVA NA PONTARIA
QUEM TEIMAVA MORRERIA
DANDO ADEUS POR DESPEDIDA

DURVINHA FOI AGUERRIDA
NAS CAATINGAS DO SERTÃO
FOI AMIGA DE CORISCO
CHEGADA DE LAMPIÃO
MESMO ASSIM ERA DEVOTA
PARTICIPOU DA REVOLTA
DO PADRE CÍCERO ROMÃO

VESTIA BEM O GIBÃO
E BOTAS DE COURO CRU
BEBEU AGUA DE CAÇIMBA
E BATATA DE UMBÚ
COMEU CARNE DE JIBÓIA
SÓ DORMIA DE TIPOIA
NO SITIO MANDACARÚ

NO RIACHO DE ARIÚ
GOSTAVA DA EMBOSCADA
AINDA NENINA MOÇA
JÁ ERA BELA E AMADA
JUNTO A MARIA BONITA
ELA ERA A MAIS BENDITA
CANGACEIRA CONSAGRADA

TINHA A FACE DE UMA FADA
UMA MULHER IDEAL
VESTIA ROUPA DE MESCLA
TINHA CORPO ESCULTURAL
UM CINTURÃO DE FIVELA
MORENA COR DE CANELA
E NA CINTURA UM PUNHAL

ESCAPOU DE UM VENDAVAL
NO SERTÃO ALAGOANO
CERCADA PELAS VOLANTES
NÃO SEI PRECISAR O ANO
DEPOIS DO ATO FATAL
E DO MOMENTO FINAL
EM ANGICO SERGIPANO

SAUDADE ESTÁ MATANDO
TODA SUA PARENTELA
TUDO ESTÁ ARQUIVADO
COMO UM FILME NA TELA
DAQUELE TEMPO PASSADO
QUE O CANGAÇO ERA REINADO
DELES FICOU A CHANCELA

DOROTEU FERREIRA, 10 DE NOV DE 2011





Enviado para ser publicado neste blog pelo escritor e pesquisador do cangaço: João de Sousa Lima

Sila...uma vida mais sofrida que no cangaço

Por: Maristela Mafuz

Não estudo o cangaço e nem posso discutir verdades ou mentiras sobre o assunto. Mas conheci Sila de perto, nas várias vezes em que a hospedei em minha casa. Sei que ela era uma mulher forte, dura, porém muito sofrida e dolorida por dentro. Após o fim do cangaço sua vida foi muito dura, me parecia muitas vezes que foi mais sofrida do que no bando, sendo discriminada e vendo seus filhos também serem, por ‘culpa’ dela.

Quando viu uma possibilidade daquela fase que viveu ser interessante a alguém, usou essa oportunidade, como muitos outros também. Acredito até, que tentando apagar a imagem negativa que tinha dentro dela de tudo de ruim que viu e viveu. Surpreendi-me ao saber de tantas mentiras que falam que ela disse, pois nas vezes em que esteve aqui, vi muitos a procurarem e se interessarem por seus relatos.
Acho que vou participar da Reunião da GECC só para ouvir as opiniões sobre ela.

Maristela Mafuz
Laser Vídeo
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MENSAGEM DO SAUDOSO GOVERNADOR MÁRIO COVAS À CAMPANHA DROGA MATA



“Mauro Borges, em primeiro lugar você e meu velho conhecido e faz campanhas de natureza cívica, de utilidade pública, desde o tempo em que eu estava na Prefeitura, não sei quanto tempo antes, mas no tempo que eu estava na prefeitura você já fazia, e eu fui para a prefeitura em 1983, portanto há muitos anos que você faz um trabalho muito significativo e a gente fica muito satisfeito com isso. E esse trabalho, ultimamente, ficou voltado com especialidade na área de combate as Drogas, o que sem dúvida nenhuma é um dos mais significativos que se possa fazer hoje em dia, quando a droga ganhou um impulso muito grande, e particularmente a droga dos mais pobres, você sabe que é mais importante brigar contra o crack do que contra a heroína, porque o crack é que vicia a criança, o crack que vicia o pobre, que depois se torna um dependente. A heroína é dos ricos, de alguma forma ela vai sempre existir, em menor ou maior quantidade. Agora, nos precisamos é acabar com o crack, que é o mecanismo pelo qual os pobres e as crianças adquirem o vício. E você está fazendo uma campanha aí muito meritória, e eu quero te parabenizar mais uma vez. “Não é a primeira e nem a última vez que eu vou parabenizar você por campanhas excelentes que você promove e por essa sua obstinação de lutar por um preceito como você tem lutado.”

Mensagem gravada pelo saudoso governador Mário Covas, em 05/10/1999, após sua autorização para que Mauro Borges promovesse o seu Mutirão Droga Mata no tristemente famoso presídio do Carandiru, em 15/11/1999, que foi realizado com grande sucesso, para mais de 6 mil presos e cerca de 3 mil familiares dos presos. ( Mario Covas nasceu em 21/04/1930 e faleceu em 6/03/2001 aos 70 anos ), sendo considerado um dos melhores governadores que São Paulo já teve e um grande Estadista.
Fonte: Jornal Mais Brasil

PAI CHORA AO LER CARTA DO FILHO

Com medo de ser rotulado de CARETA, filho acaba encontrando a morte nas drogas
Esta é uma carta de ADEUS de um jovem de 19 anos. O caso é verídico, aconteceu em um hospital de São Paulo.

PAI, como eu gostaria de voltar atrás e seguir os teus conselhos e orientações! A minha rebeldia só me causou dor e sofrimento. Hoje, neste frio leito hospitalar e esperando a morte chegar, quero te revelar o nome de quem está me levando para o cemitério. Não sei como você vai receber este relato, mas preciso reunir todas as forças enquanto é tempo. Sinto muito, papai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito mesmo... Sabe pai, já passou da hora do senhor saber a verdade que nunca desconfiou.
Vou ser breve e claro... e bastante objetivo. O tóxico é o grande responsável pelo meu sofrimento e pela minha morte. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Foi através daqueles que eu considerava meus melhores amigos da escola e do bairro onde morávamos. Eu tentei recusar. Tentei mesmo, mas eles mexeram o com meu brio, dizendo que eu era CARETA... que eu não era homem... e etc. Não é preciso dizer mais nada, não é, pai? Como não queria ser tachado de CARETA, acabei entrando para o terrível mundo das drogas. No começo, foi o devaneio... depois veio a tortura... a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar... medo... as alucinações.
E, logo após a euforia do pico, novamente, eu me sentia mais gente que as outras pessoas. Então o tóxico, meu amigo inseparável, sorria de minha desgraça. Sabe, meu pai, quando a gente começa a usar drogas, acha que o mundo é ridículo e engraçado. Cheguei até a zombar de DEUS e a duvidar de Sua existência. Mas hoje, no leito de um hospital, reconheço que DEUS é mais importante que tudo no mundo e que, sem a Sua ajuda, não estaria, agora, escrevendo esta carta. Pai, eu só estou com 19 anos; sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim! Mas ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre esta carta a todos os jovens que o senhor vier a conhecer. Diga-lhes que, em cada porta de escola... em cada cursinho de faculdade... em qualquer lugar, há sempre um grupo de falsos amigos e até namoradas(os), que irão lhes oferecer algum tipo de droga que poderá destruir também a saúde e a vida deles, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles. Perdoe me, pai... já sofri demais. Perdoe-me, também, por fazê-lo sofrer com minhas loucuras e irresponsabilidade. ADEUS MEU PAI ! Algum tempo após escrever esta carta o jovem morreu.
Fonte - Jornal mais Brasil

AMOROSO CORAÇÃO PARTIDO - CRÔNICA

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Parei, pensei, refleti. O que significa amar, ao outro ser se entregar, e toda esperança de contentamento do outro coração partilhar, ser desvão na vida, desejo submerso no mar?
Amor, singelo, de todo afeto o mais belo, semeado em qualquer chão, quando deveria ser no coração o terreno fértil de cada grão, raiz de todo querer, broto que frutifica paixão.
E eu que humildemente removi terreno, fazendo imensidão em tudo tão pequeno, pensando em grandeza nesse ter ameno, pensei longe demais e do mais colhi o menos.
Mas não me entrego com qualquer derrota, esqueço toda dor, esqueço a revolta, caminho sempre em frente em busca de outra porta, em mim só há certeza que tudo se suporta.
E nessa estrada que caminho agora, sem relógio, sem olhar pra hora, nada me fará voltar, pois tenho de ir embora, reescrever a vida, reescrever a história, apagar a perda e construir vitória.
E tudo por amor, meu amor. Se tudo querer acreditou se fazer desamor, afasto isso de mim, não preciso carregar essa dor, ainda que da solidão tenha pavor e a distância dos teus olhos me cause temor.
Porém não escondo, não preciso esconder o que me move andar, vou dizer ao mundo, ao mundo vou gritar, que o meu passo segue em busca de você, que o meu caminho busca o teu ser.
E tantas pedras enxergo adiante, dor insuportável aos pés de humilde amante, que vencerá na força essa aflição constante, superando tudo tão mortificante, e com a paixão dizendo siga, não pare, sempre avante.
Valerá a pena tanto sofrimento, lanho pelo corpo, no peito o tormento, com sol queimando a pele e tudo tão sedento, tudo tão distante e nenhum alento?
Valerá a pena pé caminhar assim, sem saber se alguém espera por mim, e tanto mais andar e nunca chega um fim?
Respondo no silêncio que vou continuar, ainda que o labirinto queira me assustar, o desconhecido queira me tomar, uma noite tão escura queira me devorar, pois não sigo sozinho, vou acompanhado, levo a persistência sempre ao meu lado.
Persistir na vida é a melhor sina, sair correndo atrás do que se determina, pois o destino é cego mas na mente atina, que não se busca em vão, se busca a menina.
E menina que é você tão mulher, tanto desejo e tudo que se quer, flor dessa manhã e tanto malmequer, pois não tenho tudo, mas o que puder, o que me couber na sina que vier.
Aceito de bom grado esse padecer, a tristeza triste, sofrido sofrer, chorar baixinho hoje e amanhã me erguer, enxugar as lágrimas e me prometer que para sempre em diante tudo reescrever.
Esquecer que ontem me dizia não, esquecer que ontem não tive seu perdão, esquecer que ontem me prostrei ao chão, esquecer que ontem a vida foi desvão, esquecer que ontem todo sim era não, e aprender que o ontem foi pura ilusão, e viver agora na reconstrução, erguendo o amor com nova lição.
Mas se ainda assim, por mais que eu suba no rochedo e grite sem medo, que para te amar não há nenhum segredo, bastando que a luta se faça mais cedo, não queira me dar a mão e cortar caminho nesse chão, direi que não tem nada não: amanhã talvez, amanhã então!
E antes que chegue amanhã, antes que a esperança enfim apareça, farei tudo para que reconheça que esse amor que talvez eu mereça já adormecia no seu peito moreno, como flor que acorda no suave sereno e passar a viver o querer tão terreno.
E quando eu correr em sua direção, juntando os pedaços espalhados ao chão, ainda assim inteiro será coração partido, que um dia se firmará ungido na certeza do amor que nunca é vencido.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com