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domingo, 18 de dezembro de 2011

JOÃO CAFÉ, O ADVOGADO CHEGOU A PRESIDENTE DO BRASIL

By Rostand Medeiros
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Nesta propaganda de junho de 1921, vemos o advogado João Café Filho apresentando seus serviços profissionais nas páginas do jornal “A Republica”.
Advogado dos sindicatos

Em entrevistas com pessoas mais idosas, descobri que em Natal ele era conhecido socialmente como “João Café”.
Foi o único presidente brasileiro oriundo do Rio Grande do Norte, teve durante a sua vida política uma aproximação muito forte com o operariado, como podemos ver na sua carteira de clientes, que ele fazia questão de anunciar.
Além do fato dele ter sido o primeiro potiguar a chegar ao cargo máximo do executivo federal, acho que no nosso estado a trajetória de vida de Café Filho é lembrada por basicamente dois fatos; por ele ter sido um péssimo goleiro do Alecrim Futebol Clube. E o segundo é o porquê dele não ter conseguido chegar ao cargo de governador do Rio Grande do Norte e de como as forças políticas conservadoras agiram para impedir que ele alcançasse  este cargo na década de 1930.
Interessante existir uma terra que lembra de um dos seus maiores expoentes políticos através de uma falta de categoria futebolística e de uma derrota política.
João Café Filho nasceu em Natal (RN) no dia 3 de fevereiro de 1899, filho de João Fernandes Campos Café e de Florência Amélia Campos Café. Mudou-se para Recife em 1917, passando a trabalhar como comerciário para custear os estudos na Academia de Ciências Jurídicas e Comerciais. Retornou a Natal sem concluir seus estudos superiores mas, mesmo assim, baseado na sua experiência prática junto aos tribunais, prestou concurso para advogado do Tribunal de Justiça, obtendo êxito.
Capa da revista norte-americana Time - Fonte -
http://terceiroband.blogspot.com/
A atividade regular de Café Filho no campo do jornalismo começou em 1921, quando fundou oJornal do Norte, impresso nas oficinas de A Opinião, órgão oposicionista. Disputou, sem êxito, uma cadeira de vereador em Natal no ano de 1923. Mudou-se para Recife em 1925, tornando-se diretor do jornal A Noite, onde passou a escrever reportagens e propaganda política. Viajou para a Bahia e, durante o ano de 1927, viveu nas cidades de Campo Formoso e ltabuna.
Mudou-se para o Rio de Janeiro no início de 1929, tornando-se redator do jornal A Manhã. Durante a Revolução de 1930 Café Filho transferiu-se para o Rio Grande do Norte, onde foi nomeado chefe de polícia. Fundou em abril de 1933 o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, organizado para concorrer às eleições de maio seguinte para a Assembléia Nacional Constituinte. Afastado da chefia de polícia, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como inspetor no Ministério do Trabalho até julho de 1934.
Com o fim dos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte e a fixação da data de 14 de outubro para a realização de eleições para a Câmara Federal e as assembléias constituintes estaduais, Café retornou ao Rio Grande do Norte e foi eleito deputado federal para a legislatura iniciada em 3 de maio de 1935.
Com o desgaste do Estado Novo, Getúlio Vargas adotou no início desse ano uma estratégia reformista que visava garantir para o próprio governo o controle da transição em curso na política nacional. Decidido a concorrer ao parlamento em dezembro, Café Filho viajou para o Rio Grande do Norte a fim de reagrupar seus antigos correligionários em uma nova agremiação. Suspeito de realizar manobras continuístas, Vargas foi deposto por um golpe militar em 29 de outubro de 1945. José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu temporariamente a chefia do governo e as eleições de 2 de dezembro foram mantidas, resultando na vitória de Dutra. O Partido Republicano Progressista (PRP) teve um desempenho muito fraco, elegendo apenas Café Filho e Romeu dos Santos Vergal para a Assembléia Nacional Constituinte, que se reuniria a partir de 5 de fevereiro de 1946.
Quando Vargas foi reeleito em outubro de 1950, Café Filho obteve a vice-presidência. Além disso, também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Em 22 de agosto de 1954 um grupo de oficiais da Aeronáutica liderados pelo brigadeiro Eduardo Gomes, lançou um manifesto, assinado também por oficiais do Exército, exigindo a renúncia do presidente que, mesmo assim, manteve sua posição de permanecer no cargo. No dia seguinte Café Filho discursou no Senado comunicando a negativa de Vargas em aceitar a renúncia conjunta, e seu pronunciamento foi considerado um rompimento público com o presidente.
A situação se agravou com a divulgação, no dia 23, de um manifesto assinado por 27 generais exigindo a renúncia de Vargas. Na madrugada seguinte, Café deixou clara sua disposição de assumir a presidência, ao mesmo tempo que Vargas comunicava a seu ministério a decisão de licenciar-se. Procurado por jornalistas e líderes políticos, Café mostrou-se disposto a organizar um governo de coalizão nacional caso o presidente se afastasse em caráter definitivo. Nas primeiras horas do dia 24, depois de receber um ultimato dos militares para que renunciasse, Vargas suicidou-se. A grande mobilização popular então ocorrida desarmou a ofensiva golpista e inviabilizou a intervenção militar direta no governo, garantindo a posse de Café Filho no mesmo dia.
Procurando diminuir o impacto produzido pela divulgação da Carta Testamento de Vargas, Café Filho emitiu logo sua primeira nota oficial, afirmando seu compromisso com a proteção dos humildes, “preocupação máxima do presidente Getúlio Vargas”.
No início de 1955 recebeu do ministro da Marinha um documento sigiloso assinado pelos ministros militares e por destacados oficiais das três armas, defendendo que a sucessão presidencial fosse tratada “em um nível de colaboração interpartidária” que resultasse em um candidato único, civil e apoiado pelas forças armadas. Tratava-se, indiretamente, de uma crítica à candidatura de Juscelino Kubitschek. O presidente apoiou o teor do documento e, diante dos comentários da imprensa sobre sua existência, obteve a aprovação dos signatários para divulgá-lo na íntegra pelo programa veiculado em cadeia radiofônica nacional A Voz do Brasil. Apesar dessa demonstração da oposição militar à sua candidatura, Kubitschek prosseguiu em campanha e seu nome foi homologado pela convenção nacional do Partido Social Democrático (PSD) em 10 de fevereiro.
Juscelino Kubitschek foi eleito e, com a divulgação dos resultados oficiais do pleito, a União Democrática Nacional (UDN) deflagrou uma campanha contra a posse dos candidatos eleitos, voltando a sustentar a tese da necessidade de maioria absoluta. Os setores mais extremados do partido, liderados por Carlos Lacerda, intensificaram sua pregação favorável à deflagração de um golpe militar. Entretanto, Café Filho e o general Lott reafirmaram seu compromisso com a legalidade.
Na manhã do dia 3 de novembro de 1955, Café Filho foi internado no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, acometido de um distúrbio cardiovascular que forçou seu afastamento das atividades políticas. No decorrer do dia 11 o Congresso Nacional, reunido em sessão extraordinária, aprovou o impedimento de Carlos Luz para assumir o cargo, empossando Nereu Ramos, vice-presidente do Senado em exercício, na presidência da República.
No dia 13, Nereu Ramos visitou Café Filho no hospital, afirmando que permaneceria no governo apenas até sua recuperação. Entretanto, Lott e outros generais decidiram vetar o retorno do presidente por considerá-lo suspeito de envolvimento na conspiração contra a posse dos candidatos eleitos. Mesmo assim, no dia 21 Café Filho enviou a Nereu Ramos e aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF) uma declaração de que pretendia reassumir imediatamente seu cargo, o que provocou nova movimentação de tropas fiéis a Lott em direção ao Palácio do Catete e a outros pontos da capital. Café Filho dirigiu-se então à sua residência, também cercada por forte aparato militar, que incluía grande número de veículos blindados.
Na madrugada de 22 de novembro, o Congresso aprovou o impedimento de Café, confirmando Nereu Ramos como presidente até a posse de Juscelino em janeiro seguinte. Em 14 de dezembro essa decisão foi confirmada pelo STF, que recusou o mandado de segurança impetrado por Prado Kelly em favor da posse de Café.
Afastado da presidência, trabalhou entre 1957 e 1959 em uma empresa imobiliária no Rio de Janeiro. Em 1961, foi nomeado pelo governador Carlos Lacerda ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara, onde permaneceu até aposentar-se em 1969.
Casou-se com Jandira Fernandes de Oliveira Café, com quem teve um filho. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de fevereiro de 1970.
Parte do material aqui utilizado teve como fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]

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Extraído do blog:
Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros

SOBRE O LIVRO LAMPIÃO O MATA SETE.

Por: Ângelo Osmiro

Até o momento não havia feito qualquer comentário público sobre o livro Lampião O Mata Sete do escritor Pedro de Morais. Entretanto, apesar de não ter ainda terminado de ler todo o conteúdo do referido trabalho, (parei na página 169). Devidos às aberrações que esse trabalho contém não pude esperar terminar a leitura.

Como a maioria dos colegas que estudam o cangaço sabe, procuro adquirir tudo que sai sobre o cangaço, livros, revistas, jornais, qualquer coisa que o assunto esteja relacionado ao cangaço, com esse livro em questão não poderia ser diferente, apesar de ter ocorrido até uma campanha para que não se adquirisse o livro, como colecionador, não poderia aderir a essa campanha.
Tenho em minha biblioteca, relativo ao cangaço, exatos 588 livros, assim distribuídos, 388 livros que classifico como História do cangaço propriamente dita, 170 (livros com um ou mais capítulos relacionado ao cangaço) e 30 romances que tem o cangaço como cenário. Fora dessa relação temos ainda 106 livros sobre o
padre Cícero que também trata de cangaço, mas por haver classificado separadamente, não incluo nessa relação. Dentre todos esses livros não encontrei aberrações maiores do que nos traz o livro Lampião, O Mata Sete.
Fala-se muito que o autor diz que Lampião e


Luiz Pedro eram homossexuais, mas ele também diz a mesma coisa de Antônio Rosa, (segundo ele, parceiro de Virgulino na mocidade), Afora o “corrompido e afeminado fascínio por


Zé Saturnino” por parte de Virgulino e mais tantas outras que ficaria enfadonho citar aqui.

Meus amigos; não quero me alongar nesse comentário, somente deixar registrada minha indignação pelas informações distorcidas que trazem o livro em questão. Não se trata de qualquer tipo de preconceito, trata-se de valorizar a história, valorizar o trabalho que vários pesquisadores tiveram e ainda tem, nesses longos anos em busca de se aproximar da verdade, percorrendo milhares de quilômetros por amor a história e de uma hora para outra ver todo esse trabalho comprometido por causas de informações infundas, sem o mínimo de alicerce histórico. O pior de tudo é que sabemos que uma boa parte da imprensa valoriza esse tipo de coisa, levando que algumas pessoas, pouco ou mal informadas acabem por querer ridicularizar o trabalho de quem realmente estuda com seriedade o tema, já tão discriminado.
Relutei em postar esse comentário, estaria dando mais “corda” a esse trabalho? Mas resolvi postar em respeito e admiração aos pesquisadores que levam seus estudos a sério.

Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, Dr. Archimedes Marques.

José Lourenço


O beato José Lourenço foi um dos mais importantes dos seguidores de padre Cícero. Em uma terra doada pelo padre Cícero quando ainda vivo, o beato José Lourenço, movido por suas crenças religiosas, fundou a Comunidade do Caldeirão. Organizada em moldes socialistas, a comunidade logo atraiu contra si o ódio de todas as forças conservadoras do Nordeste. Era considerada perigosa pelos grandes proprietàrios de terra e pelo clero do Cariri. Deixava os fazendeiros sem a mão-de-obra barata e podia significar, na grotesca visão dos poderosos, um embrião do comunismo no senão. Na época do Caldeirão, o Brasil já vivia o Estado Novo.


Getúlio Vargas era o ditador. A comunidade do Caldeirão não poderia continuar. Uma ação militar é planejada. Mas quando os soldados chegam ao Caldeirão não encontram resistência dos camponeses.

Ao contrário do que se dizia, os camponeses seguidores do beato José Lourenço não estavam armados. No entanto, Caldeirão é destruída e os lavradores expulsos.

Tempos mais tarde, o beato José Lourenço, que havia conseguido fugir de Caldeirão, funda outra comunidade na serra do Araripe. Embora fosse pacífica, alguns dos seus seguidores, como o beato Severino Tavares, pregam a luta armada de resistência. Um grupo termina enfrentando um pelotão da policia. O capitão José Bezerra, odiado pelos camponeses por ter comandado a invasão e as violências no Caldeirão, é morto com mais 18 soldados, numa emboscada. A reação é imediata. Aviões do Ministério da Guerra metralham e bombardeiam a nova aldeia do beato Lourenço. O saldo do ataque: a vila incendiada e mais de mil camponeses mortos.

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Coronelismo e Messianismo

Brasil República 
Em 1934 morria em Juazeiro do Norte um "messias", também perseguido pela Igreja Católica, porém, ao contrário de
Antonio Conselheiro, o Padre Cícero Romão Batista era um aliado dos coronéis do Vale do Cariri, que a partir de 1912 lutaram contra a política de intervenções do governo federal e derrubaram o governador Franco Rabelo.
O MESSIANISMO

Considera-se como movimento messiânico, aquele que é comandado por um líder espiritual, um "messias", que a partir de suas pregações religiosas passa a arregimentar um grande número de fiéis, numa nova forma de organização popular, que foge as regras tradicionais e por isso é vista como uma ameaça a ordem constituída.
Esses movimentos tiveram importância em diversas regiões do país; no interir da Bahia, liderado pelo Conselheiro, em Juazeiro do Ceará, liderado pelo Padre Cícero, no interior de Santa Catarina e Paraná, liderado pelo beato João Maria e novamente no Ceará, sob comando do beato José Lourenço; somente foi possível devido a algumas condições objetivas como a concentração fundiária, a miséria dos camponeses e a prática do coronelismo, e por condições subjetivas como a forte religiosidade popular e a ignorância. Os grandes grupos sociais que acreditaram nos messias e os seguiram, procuravam satisfazer suas necessidades espirituais e ao mesmo tempo materiais.
O CONFLITO NO CEARÁ

A Guerra que tomou conta do Ceará entre dezembro de 1913 e março do ano seguinte refletiu a situação da política interna do país, caracterizada pela disputa das oligarquias pelo poder. A vida política brasileira era marcada pelo predomínio de poucas famílias no comando dos estados; as oligarquias utilizavam-se da prática do coronelismo para manter o poder político e econômico.

No início de 1912, a "Política de Salvações" do presidente Hermes da Fonseca atingiu o Ceará. A prática intervencionista acompanhada de um discurso moralizador serviu para derrubar a governador Nogueira Acciolly, representante das oligarquias tradicionais do estado, em especial da região do Cariri, no poder a quase 25 anos.
Em abril do mesmo ano, foi eleito o coronel Franco Rabelo como novo governador do Ceará, representando os grupos intervencionistas e os interesses dos comerciantes. Rabelo procurou diminuir a interferência do governo federal no estado e demitiu o prefeito de Juazeiro do Norte, o Padre Cícero.
O conflito envolveu, de um lado, o novo governador eleito, Franco Rabelo e as tropas legalistas, e de outro as tropas de jagunços comandadas por Floro Bartolomeu, apoiadas pelo padre Cícero e pelos coronéis da região do Cariri, contando ainda com o apoio do senador Pinheiro Machado (RS), desde a capital.
Floro Bartolomeu e Padre Cícero
O movimento armado iniciou-se em 9 de dezembro de 1913, quando os jagunços invadiram o quartel da força pública e tomaram as armas. Nos dias que se seguiram à população da cidade organizou-se e armou-se, construindo uma grande vala ao redor da cidade, como forma de evitar uma possível invasão.
A reação do governo federal demorou alguns dias, com o deslocamento de tropas da capital, que se somariam aos soldados legalistas no Crato. Apesar de estarem em maior número e melhor armados, não conheciam a região e nem as posições dos jagunços e por isso a primeira investida em direção a Juazeiro foi um grande fracasso, responsável por abater os ânimos dos soldados.
Os reforços demoraram a chega e as condições do tempo dificultaram as ações para um segundo ataque, realizado somente em 22 de janeiro e que não teve melhor sorte do que o anterior. Com novo fracasso, parte das tropas se retirou da região, possibilitando que os jagunços e remeiros invadissem e saqueassem as cidades da região, a começar pelo Crato, completamente desguarnecida. Os saques tinham por objetivo obter armas e alimentos e foram caracterizados por grande violência.
A última investida legalista ocorreu em fevereiro sob o comando de José da Penha, que acabou morto em combate.
Tropas de jagunços comandadas por Floro Bartolomeu
A partir de então, Floro Bartolomeu começa a organizar uma grande tropa de jagunços com o objetivo de ocupar a capital Fortaleza. Durante os primeiros dias de março, os jagunços ocuparam diversas cidades e as estradas do interior e se aproximavam da capital, forçando Franco Rabelo à renúncia no dia 14 de março.
Desse maneira terminava a Política das Salvações e a família Acciolly retomava o poder. Floro Bartolomeu foi eleito deputado estadual e posteriormente deputado federal. A influência política do Padre Cícero manteve-se forte até o final da República Velha.

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Celina Guimarães Viana - 09 de Abril de 2009

Por: Geraldo Maia do Nascimento



Em 25 de novembro de 1927, era concedido, pela primeira vez na América do Sul, o direito de voto a uma mulher. A Lei de nº 660, de 25 de outubro de 1927, sancionada pelo Governador
José Augusto Bezerra de Medeiros regulamentando o Serviço Eleitoral no Estado do Rio Grande do Norte, estabelecia não mais haver “distinção de sexo” para o exercício do sufrágio eleitoral e condições de elegibilidade. O projeto que alterava a lei ordinária foi de autoria do deputado mossoroense Adauto Câmara, que o apresentou na Assembléia Legislativa com aprovação unânime. E foi com base nessa Lei que a 25 de novembro do mesmo ano, a professora


Celina Guimarães Viana requereu sua inclusão no alistamento eleitoral. Seu requerimento preencheu todas as exigências da Lei e nesse mesmo dia, verificados os documentos que o acompanhavam, exarou o Juiz Israel Ferreira Nunes, então Juiz Eleitoral de Mossoró, em substituição ao Dr. Eufrásio de Oliveira, seu jurídico despacho, mandando incluir o nome da requerente na lista geral de eleitores deste município. Coube, portanto, a D. Celina Guimarães Viana a condição de primeira eleitora não só deste Estado como do país e de toda América Latina. 

Celina de Amorim Guimarães nasceu em Natal/RN, a 15 de novembro de 1890. Era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães. 

Estudou na Escola Normal de Natal, onde concluiu o curso de formação de professores. E foi nessa mesma Escola que conheceu aquele que seria o seu companheiro por toda vida: Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante vindo de Pirpirituba/PB, com quem se casou em dezembro de 1911. 

Em janeiro de 1912 foi designada para ensinar a cadeira de Ensino Misto Infantil do Grupo Escolar Tomás Araújo, Em Acari, juntamente com o seu marido, onde permaneceram até 1913. 

E foi assim que a 13 de janeiro de 1914, atendendo convite do Dr. Manuel Dantas, então diretor de Instrução Pública do Estado, foi transferida para Mossoró, onde assumiu a cadeira infantil do Grupo Escolar 30 de setembro. 

Dona Celina era uma mulher muito dinâmica, inteligente e assídua no trabalho. Essas qualidades fizeram com que ela fosse merecedora de elogio individual registrado no relatório elaborado em setembro de 1914 pelo Inspetor de Ensino, professor Anfilóquio Câmara, e inscrito no Livro de Registro Profissional. 

Quanto à questão do primeiro voto feminino, vale salientar que não foi D. Celina a primeira mulher a requerer a sua inclusão no alistamento eleitoral. Quem o fez foi a professora Júlia Alves Barbosa, que era catedrática da Escola Normal de Natal, em 24 de novembro de 1927. “Teve todavia, deferimento retardado pelo Juiz Manuel Xavier da Cunha Montenegro, da 1ª vara da capital, dada a condição de solteira da requerente, somente despachado e publicado pelo Diário Oficial do Estado em data de 1º de dezembro”. Dessa forma, coube a D. Celina o pioneirismo. 

Na foto que ilustra este artigo que foi gentilmente cedida por Maria Lúcia Escóssia, diretora do Museu Histórico “Lauro da Escóssia”, vemos o exato momento em que D. Celina depositava o seu voto na urna eleitoral, numa mesa formada pelos senhores José Ribeiro Dantas, Augusto da Escóssia, Bonifácio Queiroz, assistida pelo Deputado Federal Rafael Fernandes Gurjão e Dr. João Marcelino de Oliveira, delegados de partido. Vemos ainda na foto as senhoras Beatriz Leite Morais e D. Elisa da Rocha Gurgel, que obtiveram também o direito de votar na mesma eleição de 5 de abril de 1928, onde o Dr. José Augusto Bezerra de Medeiros concorria a vaga deixada no Senado por Juvenal Lamartine, que havia sido eleito para o Governo do Estado do Rio Grande do Norte. 

Quando falamos da professora Celina Guimarães, lembramos apenas que ela foi a primeira mulher da América Latina a conquistar o direito de voto. Esquecemos, muitas vezes, de lembrar a grande profissional que ela foi no campo da educação de jovens, qualidade essa que fez com que o seu nome fosse inscrito no Livro de Honra da Instrução Pública, o que significava, na época, o reconhecimento pelos bons serviços prestados ao Estado do Rio Grande do Norte.
          
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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

Únicos Sobreviventes da Batalha da Fazenda Maranduba em Pedro Alexandre Bahia de Propiedade do Coronel João Maria de Carvalho. Situada Entre Cipó de Leite e Serra negra em 1932.

Por: Guilherme Machado
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Os dois sobreviventes da Batalha da Fazenda Maranduba em Pedro Alexandre Bahia, fazenda de Propriedade do Coronel João Maria de Carvalho. Grande amigo e coiteiro de Lampião e outros Cangaceiros.


Cel. João Maria tinha um exército de Jagunços em suas fazendas, na Bahia e Sergipe. Nesta batalha vitoriosa de Lampião e seus cabras, só restaram os dois macacos acima, São Eles: Aureliano de Souza Nogueira e seu irmão Hercílio de Souza Nogueira, no combate também morreu um terceiro irmão dos Nogueiras com apenas 16 anos de idade. Pedro Alexandre -  Bahia,  1932.

Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha - BA,
do amigo Guilherme Machado.

Messianismo e Cangaço: UNIASSELVI entre Cruz e a Espada

Por: João de Sousa Lima

UNIASSELVI ENTRE A CRUZ E A ESPADA.
Os alunos do curso de história da UNIASSELVI de Paulo Afonso, ciceroneados  pelo professor Alcivandes Santana (autor da biografia de Pedro Batista), visitaram o Museu de Pedro Batista , em Santa Brígida, Bahia, passando antes no Museu Casa de Maria Bonita, no povoado Malhada da Caiçara, Paulo Afonso, Bahia.
O messianismo com seus beatos, romeiros e penitentes deixou um longo capítulo histórico nas páginas da historiografia nordestina. Sobre o tema existem centenas de estudos, teses, textos e reportagens. O professor Gilfrancisco escreveu sobre o messianismo:
“O cristianismo primitivo, ideológico, contraditório no que se refere ao conteúdo social da doutrina, surgiu após a morte de Cristo. Era em sua origem, a expressão dos oprimidos, o escravo, o pobre, os homens privados dos direitos os quais se encontravam subjugados pelo Império Romano. Tal como é o socialismo que prega o término da escravidão e miséria, que em toda sua existência conquistou posição tal, que seu triunfo se encontra assegurado de modo absoluto. Três séculos depois de seu nascimento, Roma reconheceu o cristianismo como religião do Estado e do Império do mundo.
Os movimentos messiânicos existem entre nós desde os primórdios da colonização portuguesa, quando foram registradas as primeiras ocorrências de tais ajuntamentos ou agrupamentos de pessoas, identificadas como fanáticas visionárias e supersticiosas. Tais movimentos nasceram em decorrência da falta a princípio dos jesuítas e mais tarde dos padres, fato que sempre preocupou as autoridades eclesiásticas, e o completo isolamento em que vivia o povo da colônia diante da metrópole. Portanto, surgiram em face do choque cultural existente entre os sertões e o litoral, que se desconhece e se separam, mas esta paisagem continua a mesma, nada foi alterado”.
    No nordeste, entre as histórias de violência e de religião, o sertanejo viveu entre a cruz e a espada. Como toda criação de sociedade, fundamentada pelos conflitos violentos e amenizadas pela ação ideológica do catequizador, vários lideres fizeram história, tendo o  exemplo mais marcante no nordeste o de Antonio Conselheiro, nas margens do rio Vaza Barris, em Canudos, alto sertão baiano, que lutou contra milhares de homens do exército brasileiro, em quatro expedições e acabou sendo dizimado com seus seguidores.
A resistência ficou gravada também na pessoa do padre Cícero Romão Batista, excomungado pela igreja e perseguido pela coluna Prestes, hoje um homem venerado pelas romarias que seguem até Juazeiro do Norte.
O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto surgiu no Crato, interior do Ceará sob a liderança do beato José Lourenço.
Consistia numa comunidade igualitária onde todos os habitantes tinham direitos e deveres iguais. Tal ideal não agradava o governo estadual e os fazendeiros da região.
O Caldeirão era protegido pelo Padre Cicero, que inclusive ajudou o beato José Lourenço a arrendar o terreno. Após a morte do sacerdote, governo e fazendeiros se aproveitaram para destruir a comunidade.
Por volta de 1940, Santa Brígida era apenas um pequeno Povoado do município de Jeremoabo, composto por algumas casas de barro cobertas de palha. A agricultura, mal dava para a subsistência e a pecuária limitava-se mais a criação de bodes e cabras.
Santa Brígida era uma região famosa pela passagem de Lampião.
Em 1942 peregrinava pelos Estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco um penitente de barba e cabelos grisalhos, pregando e curando, que se chamava Pedro Batista da Silva. Serviu o exército aos dezessete anos, sendo deslocado posteriormente para Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, no Paraná. Após desligar-se do exército trabalhou como marinheiro e estivador nos portos do Rio de Janeiro, Santos e Paranaguá, onde se fixou e viveu como pescador. Uma "visão" fez regressar ao Nordeste, onde peregrinou até fixar-se em Santa Brígida com a permissão do Coronel João Sá que acompanhou a chegada dos romeiros até certificar-se de que o movimento não ameaçava se tornar uma nova Canudos. Em suas andanças Pedro Batista ficou famoso pela sua sabedoria em dar conselhos, efetuar curas e libertar pessoas de maus-espíritos.
Esta postura cativou os romeiros que via nele um representante de Deus. Pedro Batista não comentava com os romeiros sobre a sua vida, de onde veio quem era seus pais ou se tinha irmãos, pouco interessava aos seus adeptos. Era como se ele não tivesse tido princípios de dias. Sua chegada a Santa Brígida ocorreu em 14 de junho de1945, tinha como objetivo formar a romaria e desenvolver a agricultura como meio de subsistência para as famílias que ali residiam. Correndo pelo sertão a notícia que o Beato Pedro Batista estava instalado em Santa Brígida, a gente que o conhecia de Alagoas, Sergipe e Pernambuco, veio visitá-lo em romarias. Uns com o fito de se instalar ao pé do "Padrinho", outros traziam dinheiro para comprar terras ou alugá-las, pretendendo ali, viver atraídos pela crença, fé e pela ordem que faziam reinar em torno de si. A exemplo da saudosa Madrinha Dodô, que veio do povoado Moreira, no município de Água Branca, onde conheceu o Beato e resolveu acompanhá-lo por afinidade dos trabalhos comunitários de atendimento ao povo pobre e sofrido da região, tornando-se assim, a pessoa mais próxima do padrinho Pedro Batista. Madrinha Dodô, como era conhecida, foi a grande confidente e herdeira espiritual do Beato, passando a ser respeitada e enaltecida pelos romeiros, que viam nela a sabedoria e a caridade, comparando-a com a saudosa Irmã Dulce da Bahia.
Foi a esse mundo de Santa Brígida, onde o Museu de Pedro Batista guarda seus pertences e suas lembranças que estivemos visitando e conhecendo capítulos dessa história, assim como no Museu da Rainha do cangaço, em Paulo Afonso, uma aula “In Loco” da Mulher Cangaceira e de uma das passagens do messianismo em nossa região, traços marcantes de uma época preservados pela memória coletiva de um povo marcado pelo estigma da violência e da crença incondicional.
Na foto acima um passagem no Museu Casa de Maria Bonita.
Aqui na capela de Dona Generosa, no povoado Riacho. Ela foi grande coiteira dos cangaceiros.
Estátua de Pedro Batista, em Santa Brígida, Bahia.


Igreja em Santa Brígida


Museu Pedro Batista

Penitentes em Santa Brígida
Pedro Batista ladeado por seus fiéis seguidores da fé.
Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:

Fotos antigas de Mossoró

Praça Vigário Antonio Joaquim, 1945
Praça Vigário Antonio Joaquim, 1940

Se a Torre Eiffel tem sido um dos ícones parisienses mais fotografados daquela cidade, em Mossoró, a Praça Vigário Antonio Joaquim foi um dos espaços preferidos pelas lentes dos fotógrafos locais, em especial, o Sr. Manuelito Pereira (1910-1980). Esta foto, assim como esta anteriormente postada, foi feita do mesmo ângulo, com a diferença, que nesta, o fotógrafo priorizou a vista áerea, à direita, da praça.
Destacam-se as seguintes edificações na foto: 1) primeiro plano, do início da R. 30 de Setembro, o casarão do meio de dois pavimentos, onde funcionava o Studio Fotográfico de Manuelito Pereira, e a Sociedade Beneficiente União dos Artistas, fundada em 14/09/1919. Ao lado direito, após a estreita passsagem, tipo um beco, uma casa comercial intitulada Casa das Tintas. Na parte posterior, vê-se a torre da empresa de energia elétrica, Comensa, e por fim, na extrema direita, ao fundo, são vistos, parcialmente, um pequeno trecho do rio Mossoró e sobre ele, a Ponte Jerônimo Rosado, inaugurada em 1944. Na rua paralela à praça, pelo lado direito, no sentido oeste/leste, a chamada Rua do Triunfo, destacam-se parte do palacete de Delfino Freire e a Casa Episcopal, que depois passou a ser a sede da Rádio Rural, inaugurada em 1963, cujo imóvel foi doado à Diocese pelo Cel. Miguel Faustino do Monte.
Esta fotografia começa a apresentar uma cidade com novas características estéticas, a arborização, cuja explicação fui encontrar neste excelente artigo de Tomislav R. Femenick, sobre a administração municipal do Padre Mota, o JK Potiguar, que a seguir transcrevo pequeno trecho do artigo:
"Entre 1936 e 1940 Padre Mota mandou plantar 1.000 árvores; de 1941 a 1945, mais 500. Todas as mudas que não cresciam por qualquer motivo, eram substituídas por novas. Sempre havia 1.500 pés de “Fícus Benjamim” em Mossoró. Sua grande copa de folha verde escuro amenizava o calor irradiado do sol, que a cidade recebe constantemente. As ruas, já pavimentadas, com uma ou várias camadas de argila e pedra, já não permitiam que o vento nordeste levantasse a poeira do chão e desse uma cor de cinza às fachadas das residências e casas comerciais. A cidade ficou mais acolhedora e humana. Mesmo nos períodos de secas, o verde da fronde dos fícus permanecia e se destacava do imenso pardavasco em que a região se transformava. Segundo Cascudo, o “Padre Mestre venceu a poeira empedrando as vias [públicas]. Só não venceu o calor, mas plantou pés de fícus para cobrir de sombra doce a face candente das ruas”.
Apenas não compreendo um detalhe: para um administrador que tanto fêz pela cidade, porque somente existe uma pequena rua que leva o seu nome? Talvez, a resposta seja simples, nós, brasileiros, parece que gostamos de "honrar" aqueles que não merecem: os corruptos.
 Citarmos as fontes é dar credibilidade ao que escrevemos, Télescope. Fontes de referência: BRITO, Raimundo Soares de. Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário), Vols I e II, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, setembro de 2003;  CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; COSTA, Josafá Inácio da. Memorial do Seminário de Mossoró-RN, Edição DSLM, 2004; Fotografias de Manuelito Pereira (1910-1980);  Fonte dos arquivos fotográficos P&B.
Categoria: Urbanismo e ArquiteturaEscrito por Copyright@Télescope às 19h44
Extraído do Site: "Memória Fotográfica"

"Abrace seu filho antes que o crack o faça"


"Abrace seu filho antes que o crack o faça"
campanha está sendo desenvolvida em Nova Petrópolis. Reprodução Banner está sendo divulgado em diversos meios de comunicação.

O município de Nova Petrópolis lançou campanha contra o Crack. Serão publicados os "Sete princípios contra a dependência de drogas", dirigido a pais e educadores. É um material elaborado por pesquisadores alemães, que enfoca a prevenção desde a mais tenra infância.

1º. Princípio: As crianças precisam de segurança emocional

Esta é a premissa mais importante para o desenvolvimento psíquico sadio de seu filho, e para a proteção contra os vícios no futuro. As crianças precisam de segurança emocional. Concretamente isto significa que necessitam estar certas do amor e da dedicação de seus pais e de outros adultos que fazem parte do seu mundo.
Neste contexto é muito importante lembrar o seguinte: não basta apenas amar seu filho. É necessário demonstrar esse amor de forma clara, de modo que ele o perceba. O que está em jogo aqui são os sentimentos, e as crianças têm uma forma particular de lidar com eles.
De acordo com a faixa etária, as necessidades emocionais das crianças se manifestam de formas diferentes. Desde o ventre materno a criança ouve a voz de seus pais e provavelmente pode sentir seu amor e dedicação. No caso de bebês e crianças pequenas, o contato da pele é muito importante. Mesmo as crianças maiores querem ser afagadas e abraçadas. Os pais devem tirar o tempo necessário para satisfazer esta necessidade de contato físico com os filhos. Com o tempo, a própria criança dará o parâmetro de quanto tempo de contato físico necessita.
Normalmente as crianças expressam suas emoções de forma mais direta e intensa que os adultos, o que muitas vezes leva a desentendimentos. Os pais não deveriam deixar-se influenciar por isso. Muitos têm, durante muitos dias e também muitas noites, a impressão de estarem sendo super-exigidos por seus filhos. Nem sempre conseguem ter a paciência e a tolerância necessárias para enfrentar essas situações.
Não existem nem jamais existirão pais perfeitos. Enquanto os desentendimentos e as brigas entre pais e filhos não são constantes e não se caracterizam por gritarias e espancamentos, o problema não é tão grave assim. Todavia, existe uma situação na qual você sempre deverá ter a mesma atitude: quando seu filho desejar se afagado e abraçado, seus braços deverão estar sempre abertos.
As crianças necessitam de alguém que as pegue no colo. Principalmente depois de uma briga. Você deverá estar disposto a perdoar e a ceder, mesmo se no momento você esteja convicto de estar com a razão! É muito doloros para uma criança se os seus pais lhe privam o afeto durante horas, ou se os mandam para cama sem um gesto de perdão.
Segurança emocional significa poder dizer: "Mesmo que eu esteja estressado, ou que não tenha tempo para você, ou que estejamos nos desentendendo, apesar de tudo, pode ter certeza de que o amo, assim como você é."
As crianças precisam dessa confiança básica de outras pessoas para que possam criar confiança em si mesmas. Aquelas que têm autoconfiança e que sabem procurar ajuda com outras pessoas, mais tarde não precisarão fugir para as drogas.

(Colaboração do Pastor Paulo Einsfeld, pela Equipe Ecumênica de Nova Petrópolis/RS)
Autor:   A campanha está sendo desenvolvida em Nova Petrópolis - (Colaboração do Pastor Paulo Einsfeld, pela Equipe Ecumênica de Nova Petrópolis/RS)

Extraído do Blog: "Folha do delegado, do Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe.
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OUTONO NA PLANTA DE PLÁSTICO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

OUTONO NA PLANTA DE PLÁSTICO
Não gosto que duvidem daquilo que digo que é verdade. Passa uma ideia de invencionista, de loroteiro ou coisa mais feia de se dizer. Ademais, não é nem nunca foi do meio feitio falar sobre coisas que não existem. Às vezes exagero um pouco, mas apenas no sentido de proporcionar maior veracidade aos fatos.
Por essa e outras que já decidi cortar relações verbais com muita gente, e exatamente porque ouviam sem querer acreditar. Disse a um que já tinha visto nego d’água e fogo-corredor e ele não acreditou; a outro confirmei ter ouvido o canto de uma sereia; e ainda outro asseverei que os bichos tinham a mania de falar comigo. Todos duvidaram e tive que tomar providências, ficando logicamente de mal.
Problema maior surgiu quando eu disse, confirmei, jurei por tudo na vida, que umas plantas de plástico que enfeitam minha casa sofrem as mesmas conseqüências que as plantas normais, aquelas que estão fincadas na natureza, quando chegam ao outono. O amigo me olhou desconfiado, pigarreou, ficou meio sem saber o que dizer, mas depois procurou ser gentil e se informar melhor sobre essa história.
E deu um trabalho danado pra explicar e convencer o homem. Comecei dizendo que bastava olhar para a paisagem outonal e para o semblante das minhas plantas para se certificar da coincidência, das mesmas feições entristecidas, emagrecimento e total desbotamento. Quem olhar pra um pé de roseira da minha sala vai encontrar a mesma coisa no roseiral do jardim.
Verdade é que no outono a natureza fica triste, acinzentada, num desfalecimento que faz cortar coração. Nessa estação tudo parece morrer para ir renascendo aos poucos, na estação seguinte. E dizem que isto ocorre porque nessa época os dias ficam mais curtos, os raios solares diminuem e as plantas quase não produzem mais clorofila.
Com a falta dessa substância as folhas começam a perder sua cor verdejante, tornando-se ocres, amareladas, cinzas, marrons. E com a diminuição de nutrientes, hormônios se instalam na região fragilizada e fazem com que as folhas se rompam e caiam. E muitas vezes nem precisam se desprender, pois basta o vento mais forte do entardecer para encher o chão de folhas mortas.
Nas plantas e folhas da minha casa acontece o mesmo fenômeno, parecendo mesmo que estou em meio à natureza, numa praça, num lugar onde antes era tudo alegre e vicejante. Já no mês de março, com o fim do verão e o início da nova estação, já sinto as dependências mais calorentas, mais abafadas.
Verdade é que chega a assustar quando vejo os caqueiros esturricados, os vasos de barro criando fendas; o plástico verde que forma os troncos ressecando, rachando, perdendo a cor; os amarelados, vermelhos e lilases das flores perdendo a viscosidade, o brilho, a intensidade, e se tornando todas numa cor pálida e terrosa.
As flores caem antes que as muitas folhas deixem os galhos totalmente despidos. E se esqueço as janelas abertas e a ventania invade a casa então encontro o chão, o tapete e tudo que for lugar tomado de resto da natureza sintética. Se descuido e saiu andando por cima desses restos caídos ouço o gemido do plástico esvaído sendo esmagado pelos meus sapatos, num gemido de dor numa vida que não custou mais de que alguns trocados, mas era encantadora natureza ao olhar.
Desse modo, disse ao meu amigo, que não sabia se acontecia o mesmo com as plantas e flores da casa dele, mas que na minha causava uma angústia muito grande todas as vezes que chegava o outono. Até que ele parecia convencido com minhas explicações. E o inesperado aconteceu, pois em seguida me perguntou se com a primavera aquela mesma natureza de plástico ganhava nova vida, rejuvenescia.
Tive que responder que sim, que tudo voltava ao normal e até parecendo que um novo jardim havia surgido em minha casa, principalmente porque comprava tudo de novo, tudo numa loja especializada em enfeites de plástico. E sempre colocando uma avenca ou uma orquídea nova, uma flor diferente na minha cesta de primavera.

Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com