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sábado, 15 de setembro de 2012

MEU RETIRO NO MONTE SAH’Y (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

MEU RETIRO NO MONTE SAH’Y

Por toda minha vida vivi planejando um dia criar coragem, arrumar a velha mochila de partida e seguir adiante, curva a curva, uma após outra, até pegar o rumo certo do Monte Sah’y.

A primeira vez que ouvi falar desse monte sagrado foi através do sábio do entardecer. Na luz avermelhada da tarde indo embora, a cada novo por do sol ele me segredava uma palavra acerca desse misterioso e venerado lugar.

Mas certa feita, juntando palavra a palavra, e quando meus olhos se apertaram para avistar o fogo vermelho-amarelado da tela lá em cima, descortinei o lugar do monte e qual caminho que deveria percorrer para chegar até o seu cume.


Isso já faz mais de duzentos anos, e todo esse tempo passei me preparando para o grande dia da partida. Foi um processo muito longo e meticuloso porque ouvi o sábio da manhã, que me ensinava a caminhar sempre após o anoitecer; e o sábio do anoitecer, que me ensinava a caminhar sem temer os espinhos na estrada nem os labirintos ao redor.

Quando me decidi de vez que já havia chegado o momento da partida, eu já contava com mais de trezentos anos. Com toda essa idade bíblica, mas ainda assim me achando forte o suficiente para caminhar léguas a fio, levando pouca comida e pouca água, e ainda assim fazer valer a minha fé e alcançar o cume do monte sagrado.

Desde os tempos mais antigos, ainda nas vizinhanças da criação, os velhos pastores, errantes, andarilhos e pagadores de promessas, já falavam coisas extraordinárias sobre o Monte Sah’y. Uns diziam estar ali o verdadeiro altar do céu, outros afirmam ali voz silenciosa da sabedoria, e ainda outros afirmavam acerca da imensa igreja ali construída, mas que somente alguns podiam sentir estando dentro dela.

Quando comecei a planejar tão árdua e difícil viagem, todos aqueles que viviam ao meu redor gracejaram do que eu dizia e até começaram a espalhar suspeitas sobre a minha sanidade. Tive que sair de aldeia a aldeia, como verdadeiro fugitivo, por mais de uma centena de vezes. Somente os três sábios consideraram o meu desejo e me deram ouvidos, mas ainda assim um tanto incrédulos inicialmente.

Quando me perguntaram o que eu pretendia fazer no Monte Sah’y, sem saber realmente o que responder, disse apenas que queria conhecer um lugar tão misteriosamente diferente. E todos, sem jamais pronunciarem uma resposta completa, diziam poucas palavras e muitas vezes desconexas. Somente muitos anos depois consegui decifrar, juntando os dizeres de cada um, o que verdadeiramente diziam acerca do monte sagrado. Eis o que acabei decifrando:

“Sim. Ali o Monte. O Monte Sah’y. Uma montanha. Um templo. Um oráculo. Tudo e nada. A fé e a descrença. A palavra e o silêncio. A presença ou a solidão. Enxergar ou cegar. Ficar ou partir. Um deus ou a pedra. Deuses ou os galhos mortos. Deus ou nada. Um coração ou um vazio. A morte ou o renascimento. Apenas a vida ou sempre a eternidade. A escolha do homem”.

Juro que lutei por mais de vinte anos tentando entender além dessas palavras. Sim, as palavras diziam muito, mas também significavam quase nada. Mas numa noite, enquanto armava minha rede debaixo da lua, eis que de súbito a frase completa me veio à mente, ou ao menos aquilo que eu achava querer dizer o emaranhado de palavras. E enfim interpretei o seguinte:

“Existe sim o Monte Sah’y. E nele pode haver tudo aquilo que seu coração de fé pretender encontrar, a voz do que você quer ouvir, a presença do que você sentir. E também a presença de deuses ou de um Deus único, que se não acolhidos na sua alma serão como pedras ou matos, coisas insignificantes. Mas ao acreditar terá a divindade no coração para a eternidade”.

Após compreender ao meu modo as palavras dos sábios, me enchi de uma felicidade tão grande que passei dois meses cantando a cantiga do orvalho. A folha molhada só secou quando atravessei a porteira do meu casebre, já na curva me despedi da minha aldeia, e segui destemidamente em frente, tendo sempre à mente as lições recebidas.

Depois do longo canto chorei por dez meses seguidos. Confesso que rios de lágrimas porque sabia jamais retornar até ali. A minha viagem não era a passeio, para fazer visita, ficar por lá apenas alguns meses ou anos e depois retornar. Não. Meu objetivo maior era permanecer por lá, viver em cima do monte até a noite dos meus dias não mais acordar.


O meu retiro no Monte Sah’y seria eterno enquanto vida eu tivesse. E assim que avistei a montanha não mais duvidei que seria assim mesmo. Ao longe, bem ao longe, já no fim do dia, precisamente ao entardecer, senti a presença da voz do silêncio. E segui adiante. Dois dias após não encontrei mais nada que pudesse subir. Estava bem no cume do monte.

O lugar era deserto, rodeado apenas por plantas espinhentas, pedras, árvores antigas e um constante som da ventania que ali soprava de forma diferente. Logo joguei o saco de viagem no chão, me ajoelhei para a prece de agradecimento pela chegada. E depois abri os olhos para encontrar uma imensa igreja adiante. E lá dentro havia um Deus que logo trouxe para dentro do meu coração.

E até hoje continuo em retiro no Monte Sah’y. E de lá de cima olho abaixo e ao redor e vejo apenas o mundo. Mas como o mundo é diferente da vida com Deus no coração!

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com



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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Volantes, Cangaço

João Gomes de Lira, tenente que participou ativamente do combate ao cangaço

O agravamento do problema do cangaço levou as polícias estaduais a criar forças especiais para combatê-lo, as chamadas "volantes", comandadas por policiais de carreira, mas formadas por "soldados" temporários e cujos métodos de atuação - em especial em relação à população pobre - não era muito diferente daqueles dos próprios cangaceiros. Quanto ao governo federal, seu descaso pelo cangaço foi sempre o mesmo manifestado pelo semi-árido de um modo geral.

Maria Bonita e Lampião

De qualquer modo, em 1938, o governo de Alagoas se empenhou na captura de Lampião. Uma volante comandada por João Bezerra conseguiu cercá-lo na fazenda de Angicos, um refúgio no Estado de Sergipe. 


Depois de vinte minutos de tiroteio, cerca de 40 cangaceiros conseguiram escapar, mas onze foram mortos, entre eles o líder do bando e sua mulher, conhecida como Maria Bonita.

Para se ter uma idéia do caráter violento da sociedade em que isso aconteceu, vale mencionar que os onze mortos foram decapitados e suas cabeças, levadas para Salvador (BA), ficaram expostas no museu Nina Rodrigues até 1968 - quando foram finalmente sepultadas.
Fonte: Uol Educação



http://onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Volantes,+Canga%C3%A7o&ltr=v&id_perso=2964

Nos tempos das volantes

Por: Audaci Junior

Milícias que 'caçavam' cangaceiros, as volantes, fazem parte de um passado histórico marcado pela violência

Geralmente a História é escrita pelo lado vitorioso. Essa máxima pode ter suas exceções quando se fala do cangaço nordestino, movimento que surgiu no final do Império.

Com a grande seca no Sertão de 1877-1879, a miséria e a violência eram lancinantes, o que viabilizou o surgimento dos primeiros bandos armados independentes do controle dos coronéis. O seu auge começava durante a República, com o surgimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e as volantes dos Estados que caçavam cangaceiros.

“As volantes criaram mais cangaceiros do que mataram”, analisa o pesquisador Antônio Amaury Corrêa de Araújo, sumidade sobre o tema que realizou cerca de sete mil entrevistas ao longo de 60 anos, colhendo depoimentos de ex-cangaceiros, membros das forças policiais, pessoas da sociedade da época e familiares remanescentes. Publicou dezenas de livros como Assim Morreu Lampião.


De acordo com Amaury, as autoridades contratavam quem tinha coragem e conhecimento da região. Mas as milícias “maltratavam, judiavam e matavam” atrás dos cangaceiros. “Eu comandei verdadeiras feras”, lembra o pesquisador paulista das palavras do Major Optato Gueiros nas suas Memórias de Um Oficial Ex-Comandante de Forças de Volante (1953). “Conversando com pessoas daquele tempo, ficaria surpreso pelo conceito que as volantes deixavam”, conta.

Amaury Corrêa de Araújo desconhece uma biografia específica sobre as volantes, mas atenta pelos vários livros escritos pelo outro lado, como o “bem escrito” Como Dei Cabo de Lampião (1940), do tenente João Bezerra da Silva.


VOLANTES DA PARAÍBA

Entre as participações das volantes paraibanas nos tempos do cangaço, Amaury destaca um dos importantes combates entre as forças policiais e os salteadores do Sertão. Apesar de acontecer na Fazenda de Serrote Preto, Alagoas, o embate foi entre os cangaceiros e três volantes, sendo uma de Pernambuco e duas da Paraíba. “Foi em época como esta, de Carnaval, só que em 1925”, puxa pela memória.

Foram 78 soldados contra cerca de 40 cangaceiros. Antônio Amaury revela que o grande prejuízo foi para a volante da Paraíba.

Entre as baixas que eram vítimas até do 'fogo amigo', morreram dois oficiais paraibanos, os tenentes Adauto e Francisco Oliveira, e um número não definido de feridos.

Mas o maior entrave do cangaço aconteceu em Serra Grande, Pernambuco, na divisa de Triunfo e Serra Talhada, no mês de novembro de 1926: foram exatos 298 integrantes de volantes, munidos de duas metralhadoras, contra um número incerto entre 60 e 120 cangaceiros. O saldo ficou em 45, entre mortos, feridos e desertores, e quase nulo do lado dos 'bandidos'.

Isaías Vieira - o cangaceiro Zabelê

Amaury entrevistou o cangaceiro pernambucano Isaias Vieira, mais conhecido como o Zabelê, presente no confronto. Ele relatou que "combate como aquele queria que fosse todo o dia", já que o bando se encontrava em local privilegiado geograficamente.

O paraibano que Lampião tinha respeito e que o próprio evitava era o tenente-coronel Manuel Benício, natural de Santa Luzia do Sabugi.


Com o 'Rei do Cangaço' teve 18 combates, chegando a brigar duas vezes no mesmo dia, na cidade de Princesa Isabel, onde Virgulino perdeu dois cabras, Coruja e Jararaca, sendo o último o primeiro integrante do bando.

As milícias não se resumiam em coragem. De acordo com Antônio Amaury, a volante dos Oliveiras, na qual Lampião matou quatro integrantes, "eram mais destemidos do que inteligentes", já que combatiam o bando de "peito aberto" no meio da caatinga.

http://www.jornaldaparaiba.com.br/noticia/77201_nos-tempos-das-volantes

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Conexões Nordestinas

Autor: Antonio Júnior
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Frase do cangaceiro Sinhô Pereira



"Eu fiquei muito admirado quando soube que Lampião havia consentido que mulheres ingressassem no cangaço. Eu nunca permiti, nem permitiria."


(Frase de Sinhô Pereira, já aposentado, manifestando sua surpresa)

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Corisco, o compadre de Lampião



Aí estão Corisco e o tenente José Rufino. 

Após a morte de Lampião, em 28 de julho 1938, Corisco matou uma família inteira que supostamente relatou o esconderijo do amigo, e durante mais dois anos ainda espalhou terror pela Bahia. 


Porém não tinha mais o apoio de tantos coiteiros e o próprio bando estava se dizimando, com muitos se entregando à polícia.

Em 25 de maio de 1940, escondido numa casa em Barra do Mendes, na Bahia, foi descoberto pelo tenente José Rufino, que deu-lhe a chance de se entregar. 


Preferiu, contudo, a troca de tiros, que tirou-lhe a vida e quase decepou um dos pés de Dada. 


Esta, porém, teve a vida poupada e foi capturada. Com a morte de Corisco o cangaço terminou completamente no nordeste.

Por Cristino Gomes da
Silva Cleto batizado,
por Alemão conhecido,
por Diabo Louro chamado,
por Louro de Fogo tido,
por Corisco apelidado.

Tão somente doze anos
mais novo que o capitão
pois em mil e novecentos
e dez, em pleno sertão
nasceu Corisco o temível
sucessor de Lampião.

Fraternalmente porém
o capitão Virgulino
sentado em torno das trempes
dava ao cruel assassino
café, enquanto o chamava
de meu compadre Cristino.

Trecho do livro “Lampião, a Força de um Líder”
de Gonçalo Ferreira da Silva

http://www.jvicttor.com.br/liquidificordel/?p=45 

Maria Bonita

Por: José Nêumanne Pinto
Rainha do cangaço, a companheira de Lampião ganhou um estudo da neta, Vera Ferreira


Trecho: “Tentamos ressaltar um olhar sobre Maria que nos conduz ao significado de uma mulher em um determinado contexto e período na história do Brasil”
Legenda: Aventura 

Ela tinha 19 anos quando saiu de casa para percorrer o sertão. Nascida e criada na Malhada da Caiçara, no sertão baiano, Maria de Déa foi destinada ao casamento, celebrado em plena adolescência, e a uma vida pacata. Aos 16 anos, casaram-na com o sapateiro Zé de Nenê, mas o lar do casal, que foi morar no povoado de Santa Brígida, ali perto, logo desmoronou, segundo as más línguas porque o varão era pacato demais para a inquietação fabril da mulher. Além do mais, o marido era estéril e a diferença de temperamento gerou conflitos que levavam o par a se separar e se reconciliar até o dia em que, no final de 1929, cruzou a soleira dos pais dela, Zé Filipe e Dona Déa, o temível Rei do Cangaço no sertão, Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, aos 32 anos.


O chefe de bando era vingativo, cruel e destemido, mas também tinha lá seus laivos de herói romântico. Dos saques das fazendas dos ricaços do sertão furtava perfumes franceses de boa cepa e o melhor uísque escocês. Ao relento nos acampamentos no zigue-zague das fugas para escapar da perseguição policial, puxava um fole de oito baixos e a ele foi atribuída a autoria de um dos maiores sucessos do cancioneiro sertanejo e nacional, Muié rendeira, de cuja autoria se apropriaria, no Rio, o malandro Zé do Norte. Não era de estranhar que fizesse corte à morena e começou por lhe encomendar que bordasse suas iniciais CL (Capitão Lampião) em 15 lenços de seda, o que permitiu a abordagem e, depois, serviu de pretexto a novo encontro, que terminou com a retirada da morena separada do marido da casa dos pais. Foi, então, que a beleza da escolhida do Rei lhe deu a alcunha com que morreu na Grota do Angico, Sergipe, ao lado do amante, e que se fixou na memória do povo: Maria Bonita.

Expedita, filha do casal real da caatinga, criada no Estado em que os pais morreram, Sergipe, sobreviveu à carnificina e gerou, entre outros filhos, Vera Ferreira, que, professora universitária em Aracaju, tem mantido viva a memória dos avós e empreendeu obra de vulto para comemorar o centenário da avó. Bonita Maria do Capitão, livro trazido a lume pela Editora da Universidade do Estado da Bahia, lançado em São Paulo na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915), por R$ 100, é obra de fôlego O volume de 328 páginas, organizado pela neta, jornalista e escritora, com a cumplicidade da desenhista paraibana Germana Gonçalves de Araújo, reproduz o legado da personagem lembrada pelos caprichos e vontades, mas também pelo bom humor e descontração quase infantil, com esmero e bom gosto.

A aventura da menina que saiu de casa aos 19 anos para percorrer o sertão nordestino a pé num bando de cangaceiros até tombar, aos 27, humilhada a ponto de ter a cabeça, decepada quando ainda vivia, exposta à curiosidade popular, tem sido narrada em prosa, verso, imagem e som.
O casal, evidentemente, foi tema de muitos romances de cordel. Num deles, Sabóia, chamado de Marechal de Cordel do Cangaço, registrou: “Cupido fez passatempo / com Maria e Lampião/ ela Rainha ele Rei / governou nosso sertão / cangaço e amor viveu / não foi uma ilustração”. Rouxinol do Rinaré e Antônio Klévisson Viana versejaram: “Maria Gomes de Oliveira / amou muito a Lampião / decidiu ser a primeira / cangaceira do sertão / ignorando o destino / acompanhou Virgolino / pela força da paixão”. O livro reproduziu a capa de um cordel de Sávio Pinheiro sob título O arranca-rabo de Yoko Ono com Maria Bonita ou A desaventura de John Lennon e Lampião, editado em 2008.

Seu apelido famoso também foi muito cantado. “Acorda, Maria Bonita, / levanta pra fazer café, / que o dia já vem raiando / e a polícia já está de pé” - esta é uma estrofe de Muié Rendeira, que ou foi acrescentada depois ou se tornou, como mofou Bráulio Tavares em seu texto registrado no livro, o caso de premonição mais espetacular da história da música popular, de vez que o casal foi morto, de fato, ao amanhecer.

Seu nome também foi muitas vezes lembrado em funções de repentistas pelo sertão afora. Certa vez, Otacílio Batista glosou: “Virgolino Ferreira, o Lampião, / bandoleiro das selvas nordestinas / sem temer a perigo nem ruínas / foi o rei do cangaço no sertão, / mas um dia sentiu no coração / o feitiço atrativo do amor / a mulata da terra do condor / dominava uma fera perigosa. / Mulher nova, bonita e carinhosa / faz o homem gemer sem sentir dor”. Zé Ramalho pôs música nos versos e a canção virou tema da minissérie Lampião e Maria Bonita, na Rede Globo.

A beleza de Maria, mostrada em foto e cinema por Benjamin Abrahão, fascinou artistas plásticos como Mino e virou tema obrigatório de xilogravadores como J. Borges, Mestre Noza, J. Miguel e Marcelo Soares. Suas peças de vestuário e as joias que usava foram reproduzidas no livro, que também se refere à peça de Rachel de Queiroz sobre ela e a filmes do gênero dito nordestern que a adotaram como personagem. Como resumiu Maria Lúcia Dal Farra em poema: “Maria de Déa, Maria Bonita, minha Santinha! / Mulher de tantos nomes / tão poucos para contê-la”.

Jornalista, escritor e editorialista do Jornal da Tarde
Recriações
Artes plásticas

A permanência de Maria Bonita como personagem emblemática se fez presente nas diversas recriações feitas por artistas, reproduzidas no livro, como a retratada na xilografia de Humberto Araújo.
Cinema
A cantora Vanja Orico de Maria Clódia caracterizada como Maria Bonita no filme Lampião, o Rei do Cangaço , de 1964, dirigido por Carlos Coimbra, uma das muitas adaptações de sua história para a tela grande.
Teatro
Croqui do “vestido de caatinga”, feito pelo artista plástico Aldemir Martins em 2006 para a montagem da peça Lampião , escrita nos anos 50 por Rachel de Queiroz, encenada no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo.

JOSÉ NÊUMANNE PINTO 

http://blocoson.blogspot.com.br/2012/04/maria-bonita.html

JUQUINHA: UM AMIGO QUE SE FOI, UM EXEMPLO QUE FICA

Por: João Paulo História

Ainda criança conheci um dos mais importantes personagens da história de Nossa Senhora das Dores. Naqueles idos da década de 1990, ouvia atentamente meu avô - o senhor Orestes Souza de Carvalho - falar de um homem que, na opinião dele e da maioria dos de sua geração, havia sido o maior administrador público que a cidade, criada em 1920, conheceu.

O argumento usado por meu avô para convencer-me de sua versão era o fato de que ninguém, até então, tinha calçado tantas ruas, construído tantas escolas e, o mais importante para ele, demonstrado tanto zelo pela coisa pública. Afinal, afirmava (e continua afirmando ainda hoje) que o então prefeito Antônio Cardoso de Oliveira se fazia presente no canteiro de obras a fiscalizar e orientar os operários para que os recursos fossem aplicados sem desperdício e com a mais alta qualidade na matéria-prima implementada. Além do mais, chamava sua atenção o fato de que o prefeito fiscalizava, pessoalmente, inclusive aplicando multas que irritavam alguns, a limpeza e a organização das ruas da cidade e do município.

Após conhecer S. Juquinha por meio da memória de meu avô, tive a oportunidade de pessoalmente ser apresentado a ele. O jovem daquela época, então, passou a chamá-lo de “general”, pois, na mente daquela criança de menos de 10 anos de idade, aquela figura de fala e fisionomia firmes só podia ser um “general”. E o “general” logo nomeou-me “capitão”.

Essa imagem, do exemplo de homem público que havia conhecido a partir do meu avô e depois nas idas e vindas pelo calçadão da Getúlio Vargas, ficou durante muito tempo em minha mente.

Ao tornar-me um catador de histórias passei a mergulhar ainda mais na trajetória desse personagem cuja história confunde-se com a da própria cidade. E essas pesquisas solidificaram ainda mais em minha mente a imagem construída na infância, a de um homem sério, honesto e zeloso pela coisa pública, querido, admirado e respeitado pelos familiares, amigos e adversários políticos.

Ele nasceu no dia 15 de novembro de 1922, na fazenda Poço dos Paus, município de Capela. Filho de Francisco Cardoso de Oliveira e dona Maria Clarice de Oliveira, aos quatro anos de idade mudou-se com a família para N. Sra.das Dores, onde seu pai havia adquirido, dois anos antes, a fazenda Riacho da Areia. Passaram, então, a residir no povoado Volta onde o menino Juquinha conheceu suas primeiras letras pelas mãos da professora Maria da Glória Santos, a mesma que se tornou patrona da escola do povoado Gentil—construída pelo prefeito Antônio Cardoso.

Ingressou na vida política em 1951, quando foi eleito vereador pelo PSD para o quadriênio 1951-1955, tendo recebido mais de 400 votos (algo expressivo tendo em vista o pequeno eleitorado da época). Em 1967, assumiu o cargo de Prefeito de N. Sra. das Dores pela ARENA-2. Exerceu o cargo durante os anos 1967 e 1971, tendo tido o apoio do Governo do Estado, na pessoa de Lourival Baptista (1967-1970), com quem a Prefeitura fez diversas parcerias com vistas à realização de benfeitorias na cidade.

Dentre as principais obras de sua administração vale destacar: construção de um Matadouro Modelo, o mais moderno do Estado na época, no bairro “Cruzeiro Velho”; reforma da Pç. da Matriz; calçamento na Av. Lourival Batista, Pç. Joel Nascimento, Rua Edézio Vieira de Melo, Pç. José Barreto de Souza, Av. Augusto Franco, dentre outras; construção do Centro de Supervisão Escolar, hoje DRE´05; reforma do Estádio “Lourival Baptista”, atual “Ariston Azevedo”; construção de escolas nos povoados Sapé, Ascenso, Gentio, Bravo Urubu e outros; e a mais importante delas, a construção do prédio do Ginásio “Tertuliano Pereira de Azevedo”, hoje Colégio Cenecista Regional “Francisco Porto”, que proporcionou a muitas gerações de dorenses o acesso ao ensino secundário, antes somente possível aos ricos que podiam pagar para seus filhos estudarem em Aracaju. Juquinha, eu sou um dos frutos dessa sua ação, pois, sou ex-aluno desta escola que você não deixou ser extinta.

Devido a essa destacada atuação como prefeito de N. Sra. das Dores foi homenageado, em 1969, no Iate Clube de Aracaju, como o melhor administrador público do Estado de Sergipe naquele ano. Sua simplicidade não o envaideceu por causa deste reconhecimento, que ele dizia ser “coisa de Lourival”. Não Juquinha, não foi “coisa de Lourival”, você mereceu esta justa homenagem.

Ele nasceu Antônio Cardoso de Oliveira, mas ficará imortalizado em nossa memória como Juquinha, simplesmente Juquinha, pois, simplicidade era uma de suas marcas, exemplo de amigo e de homem público, exemplo de honestidade. Afinal, como ele mesmo dizia: “Eu cumpri com o meu dever. E quem cumpre com seu dever merece ter valor.” E é com esta certeza de dever cumprido que até hoje Juquinha é reverenciado por todos os dorenses, independente de idade e filiação político-partidária, pois, mesmo aqueles que não vivenciaram sua administração, como eu, podem acompanhá-la por meio da memória dos mais velhos que o apontam como um dos maiores homens públicos que Dores já viu surgir, um homem leal, honesto e zeloso com a coisa publica, um homem com muitos predicados. Predicados reconhecidos até mesmo por seus adversários, os quais sempre foram tratados com urbanidade, com respeito.

Juquinha, você não morreu, os heróis não morrem, ficam para sempre vivos na memória dos homens de bem!

Obrigado pelo seu exemplo e pela sua amizade!

Descanse em Paz meu “general”, sei que neste momento você está nos braços do Pai, ao lado daqueles que você tanto amou!

Esta é uma pequena homenagem do seu amigo, o “capitão”!

N. Sra. das Dores (SE), 12 de setembro de 2012.


João Paulo Araújo de Carvalho

Enviado por:  Paulo Paulo História

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

LIVRO - A OUTRA FACE DO CANGAÇO - VIDA E MORTE DE UM PRAÇA


Autor: Antonio Vilela de Souza



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A presente obra custa R$ 20,00 (Vinte reais) + frete a consultar. Tem 102 páginas, fotos inéditas e está sendo comercializado exclusivamente pelo autor

Via e-mail:

incrivelmundo@hotmail.com
ou telefones: (87) 3763 - 5947 / 8811 - 1499/ 9944 - 8888 (Tim)

Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

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LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE


Autor: Archimedes Marques


Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0

Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail

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Relançado um clássico da HQ


Aventuras no cangaço n.1 traz de volta antigo personagem de Gedeone Malagola

A cooperativa de Quadrinhos Júpiter II tem como uma de suas propostas resgatar estilos e personagens das Histórias-em-Quadrinhos do passado, alegrando os velhos fãs e apresentando o personagem a jovens e novos leitores, tornando-o mais conhecido – ou menos desconhecido – do público brasileiro. 

 

Por isso este lançamento que relembra uma temática muito corriqueira no passado: na literatura, no cinema, nas HQs, as histórias tendo o cangaço como pano de fundo, histórias por vezes realistas, por vezes aventurescas – não que ainda não seja um tema apreciado por muitos artistas e historiadores, mas muito menos do que era nas décadas passadas.


Aventuras No Cangaço n.1 (no formato 21 cm x 15 cm, capa couchê colorida – autoria de Edu Manzano – com 24 páginas preto & branco) começa mostrando em seu primeiro número um personagem criado por Gedeone Malagola na década de 50 do século passado: Milton Ribeiro, baseado no ator, mais precisamente num personagem interpretado por este ator no filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto.

Mais informações sobre este personagem: AQUI

São reapresentadas nesta edição duas HQs lançadas originalmente na revista Vida Juvenil, editada por Mário Hora Júnior no ano de 1957. E aguardem mais surpresas nos próximos números! Personagens memoráveis a caminho! Pedidos para smeditora@yahoo.com.br (JS)

João Mossoró: o cantor que vai de Luiz Gonzaga à música portuguesa


No próximo dia 22 de Setembro de 2012, o cantor João Mossoró fará o lançamento  do seu novo CD, Conexão Nordeste e casa de show Estudantina, na Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro.
Local:  Estudantina - RJ - Centro

Horário:

A partir das 21;00 horas

Diversos artistas participarão do lançamento do CD do cantor João Mossoró.

Aguardem!

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As trincheiras de Rodolfo, em 1927: VIII - A trincheira do Telégrafo

Imagem 01 - A trincheira do Télegrafo, 1927

Rua do Triunfo, 99, paralela à Praça Vigário Antonio Joaquim, zona central, Mossoró-RN. Neste número, em 13/06/1927, estava situado o sobrado do Telégrafo Nacional, que tornou-se em mais uma trincheira de defesa ao assalto de Lampião, (1900-1938), à cidade de Mossoró. Esta edificação, naquela data, foi o Quartel General da Polícia. Mirabeau Melo, chefe da Estação Telegráfica e o Tenente Laurentino de Morais, segundo informa Raul Fernandes, não pregaram olhos durante a noite anterior ao assalto, comunicando-se com Natal e organizando defesas.

Os funcionários que permaneceram no trabalho - Moacir da Cunha Melo, Mário Vilar de Melo e Alcides Magalhães. Estavam armados - Mirabeau Melo, com um rifle e quinze balas, o dentista José Furtado de Castro, o advogado Gilberto Stuart Gurgel, os oficiais Laurentino de Morais, Abdon Nundes de Carvalho, João Antunes e o Soldado João Arcanjo de Oliveira.

Estavam desarmados - os Padres Luiz Mota, (1897-1966),  Ulisses Maranhão e o Cônego Amâncio Ramalho. Outros civis que fizeram parte desta trincheira, na categoria de desarmados, foram: Cornélio Mendes, José Gomes, Antônio Araújo, Júlio Ramalho, técnico da Usina Força e Luz, o comerciante João Fernandes de Queiroz, o chofer contratado da Polícia, Homero Couto, Manoel Leandro Bezerra, guarda do telégrafo, Francisco P. de Souza, mensageiro, e, Cícero Leandro.

A imagem 01, esta foto foi realizada, no dia seguinte, ao após o ataque, pelo fotógrafo José Octávio Pereira Lima, proprietário do Foto Octávio, da cidade de Mossoró-RN. Embora a imagem não esteja nítida, mas é possível detectar, no centro da mesma, as figuras dos clérigos Padre Mota e o Cônego Amâncio Ramalho.
Telégrapho Nacional - Mossoró - 1927
(este prédio fica ao lado da Mesa de Rendas, hoje Secretaria de Tributação Estadual)

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.Fontes: FERNANDES, Raul. ( 09-09-1908-1998). A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró. 7a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1550,  Fundação Vingt-un Rosado, outubro de 2009; Provável autor da fotografia 01: Foto José Octávio, Mossoró-RN;  Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica.


Próxima Trincheira a ser postada: IX
Escrito por Copyright@Télescope 

João de Sousa Lima Realizará Palestras Sobre o Cangaço.

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As palestras acontecerão nas cidades de Juazeiro do Norte, Ceará, Serra Talhada, Pernambuco, Água Branca, Alagoas, Paulo Afonso, Bahia, Porto da Folha, Sergipe e Aracaju, Sergipe. 

A realização das palestras é da Cintilante Produções. Participem, divulguem, apoiem a cultura nordestina.








O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: PRIMEIRA TEORIA ACERCA DA INVASÃO, SEGUNDA PARTE

Por: Honório de Medeiros
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OS MISTÉRIOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: PRIMEIRA TEORIA ACERCA DA INVASÃO (Segunda Parte):

Leiam, anteriores a este texto, em

1) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: UM MISTÉRIO QUASE CENTENÁRIO; 2) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: COMO ERA A CIDADE NA ÉPOCA DA INVASÃO; 3) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: PRIMEIRA TEORIA ACERCA DA INVASÃO (Primeira Parte).

TEORIA: O ataque a Mossoró resultou da ganância do Coronel Isaías Arruda e Lampião, no que foram secundados por Massilon 

Que o Coronel Isaías Arruda foi o maior responsável por induzir Lampião a atacar Mossoró, quanto a isso não há dúvidas. Sem esse assédio, não teria havido o ataque. Com a mentalidade rapace da qual era possuidor Isaías Arruda, quando lhe propuseram essa idéia, percebeu de imediato que sua concretização lhe permitiria ganhar algo de qualquer forma: planejar a empreitada, convencer Lampião, fornecer armas e munição, nada tinha ele a perder se pusesse mãos à obra e o atraísse para esse projeto.

Se tudo desse certo, raciocinou o Coronel, ganharia sua parte - uma verdadeira fortuna[1], levando-se em consideração o valor do exigido, dias após, por Lampião ao Coronel Rodolpho Fernandes, para que houvesse a invasão da cidade -, como acontecera antes, quando Massilon voltara com o dinheiro arrancado de Apodi.

Se nada desse certo obteria um lucro especial vendendo, ao cangaceiro, como de fato vendeu, as armas necessárias ao ataque; além do mais, se por obra e graça das circunstâncias, Lampião morresse no Rio Grande do Norte, ele, o Coronel, ver-se-ia livre das pressões que estava sofrendo, oriundas de Fortaleza, do Governo do Estado, e, até mesmo, do Governo Federal, por suas ligações com o líder cangaceiro, e que o levaram, segundo alguns historiadores, a trai-lo, tentando envenená-lo e queima-lo vivo, ou, segundo outros, a encenar essas duas tentativas de comum acordo com o Rei do Cangaço.

Entretanto a idéia de atacar Mossoró não nasceu no Coronel Isaías Arruda.

Isso por vários motivos, dois deles bastantes simples: em primeiro lugar, ele não chamou Lampião ao Cariri, como já sabemos, e sem Lampião, não haveria condições para realizar o ataque a Mossoró; em segundo lugar por que se a questão fosse meramente financeira, outras cidades, mais próximas e bem menos perigosas, no Ceará, na Paraíba, ou mesmo no Rio Grande do Norte, poderiam ser invadidas e render um grande lucro, sem a possibilidade de fracasso que uma cidade do porte e da distância[2] de Mossoró representava.


Capela de São Vicente, Mossoró, final dos anos 20, começo dos anos 30, por Francisco Soares de Lima

É em Sérgio Dantas, no “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE[3]”, que encontramos subsídio para essa conclusão:

O cangaceiro “Mormaço”, em diferentes interrogatórios prestados à Polícia (Martins, Pau dos Ferros, Mossoró e Crato), deixou claro que Lampião desejava chegar ao Ceará para refugiar-se e municiar o bando. Também acrescentou, em diversas oportunidades, que Arruda intermediava, invariavelmente, tais compras de munição.

Por outro lado, Mossoró não teria entrado no campo das elucubrações criminosas do Coronel Isaías Arruda, se não tivesse acontecido o seguinte fato, esse muito significativo, também relatado por Sérgio Dantas[4]:

Em dias de abril daquele ano[5], o sinistro caudilho[6] recebera importante solicitação. Décio Holanda[7] – destacado fazendeiro do município de Pereiro, no Ceará – pediu-lhe que colocasse a “cabroeira” particular a seu serviço, posto que planejava tomar de assalto a cidade de Apodi, no Estado vizinho.

(...)

Viajou[8] até Serra do Diamante, em Aurora, e foi ter com Arruda. Descreveu-lhe o imbróglio. Através do confrade – mestre na intriga política – empresariou o bandoleiro Antônio Leite, o Massilon.

O plano sinistro, em um primeiro momento, previa a conquista de Apodi. Sugeria, em seguida, o aprisionamento de Francisco Pinto e principais agregados políticos do intendente. Por fim, prescrevia extorsões, roubos, incêndios, homicídios.

Ainda:

Aurora, Ceará. Há dois dias Massilon já retornara ao esconderijo. Ao mentor Isaías Arruda, prestou contas do assalto. O apurado foi dividido meio a meio, como anteriormente combinado entre cangaceiro e Coronel (O CEARÁ, 1928).

Antônio Leite estava eufórico. Descrevia detalhada e reiteradamente a sucessão de assaltos. Gabava-se do feito heróico:

- Disseram que eu não sabia brigar, e eu volto com quarenta contos de réis!


Casa do Coronel Isaías Arruda em Aurora, Ceará. Nela há um subterrâneo onde o Coronel estocava armas.

Ou seja, em assim sendo, Mossoró foi conseqüência de Apodi e de uma circunstância inesperada: a chegada de Lampião em Aurora, no Ceará, terras do Coronel Isaías Arruda. Apodi, por sua vez, foi conseqüência das brigas entre coronéis norte-rio-grandenses e paraibanos disputando o poder[9].

E a idéia do ataque a Mossoró, da qual resultou o planejamento de Isaías Arruda e a execução de Lampião, com certeza não foi de nenhum dos dois, mas, sim, proposta de Massilon, à qual aderiu de pronto, pelas razões elencadas acima, o Coronel, e, com extrema relutância, o maior dos cangaceiros.

Portanto tudo leva a crer que Massilon, ou alguém ou alguns que ele representava, idealizou, Isaías planejou, e Lampião executou.

A pergunta que se faz agora, é se a idéia de Massilon atacar Mossoró foi algo estritamente seu ou de alguém ou alguns mais, do qual ou dos quais ele seria mero marionete.

CONTINUA QUARTA-FEIRA DA PRÓXIMA SEMANA COM A SEGUNDA TEORIA ACERCA DA INVASÃO DE MOSSORÓ POR LAMPIÃO.

[1] Cinqüenta por cento do butim.

[2] Perto de quinhentos quilômetros, de Aurora a Mossoró, área praticamente descampada, sem a proteção natural como serrotes, mata fechada ou pedreiras, ante um cerco militar, sem as quais o cangaceiro não passava.

[3] Cartgraf Gráfica Editora; 2005; 1ª edição; Natal, RN.

[4] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Cartgraf Gráfica Editora; 2005; 1ª edição; Natal, RN.

[5] 1927.

[6] Isaías Arruda.

[7] Décio Sebastião de Albuquerque Holanda era seu nome completo. “Genro de Tilon Gurgel do Amaral, casado que foi com sua filha Francisca Brito Gurgel (Chicuta). Décio morou vários anos no RN, transferindo-se depois para o Ceará” (“NAS GARRAS DE LAMPIÃO”; GURGEL, Antônio; BRITO, Raimundo Soares de; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.513; 2ª edição; Mossoró).

[8] Décio Holanda.

[9] Mais adiante será esmiuçada essa afirmação.

Extraído do blog do escritor, professor, advogado e pesquisador do cangaço: 
Dr. Honório de Medeiros