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segunda-feira, 18 de março de 2013

Quem matou Delmiro Gouveia?

Por Gilmar Teixeira

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Por todo Cariri...

Por: Frederico Pernambucano de Mello

...Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro, Porteiras, Lavras da Mangabeira...

"Caro Severo,

Como estou dando fé,
vosmecê passeia vitorioso por todo o Cariri!
Parabéns e o abraço do admirador"
Frederico Pernambucano de Mello.

E que venha o Cariri Cangaço 2013 !!!

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domingo, 17 de março de 2013

A REPERCUSSÃO DOS ATAQUES DO CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA A PARAÍBA E A INFORMAÇÃO SE LAMPIÃO ESTEVE EM TERRAS POTIGUARES EM 1922

Por: Rostand Medeiros
Publicado em 15/03/2013

”NOTÍCIA RUIM CHEGA LIGEIRO!”

Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922

No dia 25 de dezembro de 1921, na pequena vila de Luís Gomes, o cabo Francisco Rodrigues Martins e o soldado Luis Antonio de Oliveira, foram assassinados por um grupo de cangaceiros quando realizavam uma diligência policial. Nesta época, o jornal natalense A Republica era extremamente econômico no seu noticiário quando o assunto era a ação de cangaceiros em terras potiguares e não publica uma só linha detalhando este episódio.

Vamos ter conhecimento deste fato já na edição de 20 de janeiro de 1922, onde está estampada a publicação do Decreto nº. 160, de 7 de janeiro de 1922, que informa terem as viúvas dos policiais mortos recebido “uma pensão correspondente à metade da etapa que os mesmo ganhavam, considerando que os militares foram assassinados por cangaceiros”.

De qual bando pertenciam estes bandidos? Quantos eram? Quem era o chefe? Infelizmente não sabemos, mas sabemos que o ataque aconteceu. Podemos deduzir que a não vinculação da notícia pelo principal jornal potiguar da época teria mais a ver com um desejo de evitar o pânico entre a população rural potiguar?

E este medo tinha fundamento?

Conforme descreve o então governador potiguar Antônio José de Mello e Souza, na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1921, parece que sim!
Devido a forte de seca dos anos de 1918 a 1920, aliado a uma acentuada baixa de produção do algodão e dos baixos valores alcançados por esta matéria-prima no mercado internacional, o Rio Grande do Norte se encontrava em uma precária situação financeira. Esta situação gerava reflexos principalmente nas ações de segurança e ordem pública, onde o governo mantinha a força pública com um efetivo bem abaixo de suas necessidades e material obsoleto para o combate ao banditismo.

A ERA DE 22 COMEÇA COM MUITA CHUVA E CANGACEIRO

Neste ínterim, a vida passou a sorrir de uma forma mais alegre para o sertanejo potiguar, pois tinha início uma promissora estação chuvosa, sendo noticiadas fortes chuvas em todo Estado (A Republica ed. 29/02/1922).

Por outro lado, o meio político estava agitado, pois a dia 1 de março ocorria em todo país a eleição para Presidência da República, onde Arthur Bernardes disputava com Nilo Peçanha, em um sufrágio muito pouco democrático, quem governaria o país pelos próximos quatro anos. É informado que o futuro presidente já assumiria a partir do dia 15 do mesmo mês de março (Mensagem, RN 1922, pág. 4).

Em meio a todo positivo noticiário sobre as chuvas e as eleições presidenciais, um dia é publicado uma pequena nota que mostrava que nem tudo corria as mil maravilhas no sertão paraibano, próximo a fronteira potiguar e a fonte da pequena nota era uma importante liderança política e empresarial potiguar.

Informe de Simplício Cascudo sobre ataque de cangaceiros na Paraíba e publicado em Natal

O coronel Francisco Cascudo, pai do folclorista Câmara Cascudo, apresentou a redação de A República um telegrama remetido no dia 3 de março, emitido pelo seu parente Simplício Cascudo, então residente na cidade paraibana de Sousa, dando conta que um grande grupo de cangaceiros estava percorrendo as zonas rurais das cidades de Pombal, Brejo do Cruz, Catolé do Rocha e São Bento, na Paraíba e propriedades na área próxima a Vila de Alexandria, já no Rio Grande do Norte (mas sem trazer maiores detalhes). Informava Simplício Cascudo que as propriedades São Braz, Santa Umbellina e Brejo das Freiras foram “visitadas” pelos cangaceiros, sendo assaltados as pessoas de “José Olympio, filho de Antonio Fernandes, Adolpho Maia, Valdevino Lobo, proprietário da estância Dois Riachos, e Mestre Ignácio”. Informa o missivista que a cidade de São Bento estava “arrasada” com os acontecimentos, tendo os saques nas propriedades próximas sidos superiores a 200 contos de réis. Comentava que no dia 2 os cangaceiros se encontravam no lugar “Catolé”, próximo a Cajazeiras, estando a cidade receosa de ser atacada. Simplício Cascudo finalizava a nota informando que até o momento as garantias solicitadas ao governador da Paraíba, Sólon de Lucena, ainda não estavam presentes (A Republica ed. 07/03/1922).

Ora, diante de notícia fornecida por pessoa tão grada da sociedade potiguar, os grandes produtores rurais do Rio Grande do Norte, principalmente aqueles que tinham seus bens mais próximos à fronteira paraibana, ficam extremamente apreensivos com o que poderia ocorrer.
Logo seus piores pesadelos pareciam se concretizar…

Nota sobre o ataque a Jericó, Paraíba

Telegramas vindos da vila paraibana de Jericó, retransmitidos por postos telegráficos potiguares, fazem chegar a Natal a informação que em 5 de março de 1922, o celebre chefe cangaceiro Sinhô Pereira, com a ajuda do cangaceiro Liberato Alencar, acompanhados de um bando com um número estimado (pelos jornais da época) de 35 a 60 cangaceiros, ataca com sucesso toda aquela região. Desde a zona oeste do Rio Grande do Norte, até o Seridó, a notícia correu célere. Uma das notas de um dos jornais potiguares que noticiaram o fato assim apresentou a questão informando que “Notícia ruim chega ligeiro!”. Na antiga Jericó eles cometeram atrocidades e causaram inúmeros prejuízos aos moradores da localidade. Os cangaceiros foram finalmente rechaçados por um grupo de corajosos habitantes do lugar, destacando-se o nome de Antônio Felipe, João Bento, soldado João Ferreira e João Belarmino.

PÂNICO ENTRE A ELITE RURAL POTIGUAR

Os acontecimentos são publicados em grandes manchetes na edição de 8 de março de A República. A partir de então o pânico se generaliza de uma forma contundente entre os políticos e os fazendeiros que tinham interesses na fronteira do rio Grande do Norte com a Paraíba.

Um típico cangaceiro nordestino na década de 1920

Em Natal começam a chover na mesa do governador Mello e Souza telegramas solicitando urgentemente o envio de efetivos da força pública potiguar para a defesa das cidades e vilas localizadas em praticamente toda a fronteira com a Paraíba. Os aflitos telegramas vinham desde a cidade de Luís Gomes, quase na divisa com o Ceará, à Nova Cruz, próximo ao litoral, todos informando existirem boatos de ataques eminentes e simultâneos de cangaceiros.

Nas amareladas folhas do velho jornal A Republica, existente na hemeroteca do Instituto Histórico do Estado do Rio Grande do Norte e no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte, é tal a quantidade de telegramas enviados ao governo, que aqueles que não possuem um maior conhecimento da história do cangaço nesta época, ao ler as alarmantes missivas reproduzidas, parece que a ação dos cangaceiros havia crescido numa proporção assustadora e o número de bandos havia aumentado por dez.

No geral as mensagens seguem quase um mesmo padrão. Comentam sobre a existência de “informações”, ou “boatos”, transmitidos por pessoas “vindas da Paraíba” da “existência de grupos de cangaceiros nas proximidades” e a possível “eminência de um ataque”.

OS JORNAIS REPERCUTEM A SITUAÇÃO

A imprensa dos dois Estados tratava a situação de modo alarmante e exagerado.

Possível combate próximo a cidade de potiguar de Santa Cruz. Jamais foi confirmado

Na edição de 12 de março do jornal paraibano “A União”, existe a informação que havia ocorrido um violento combate nas proximidades da cidade potiguar de Santa Cruz, no qual teriam morrido 6 cangaceiros. Já o natalense A República chega a comentar na sua edição de 21 de março que, “se abstivera de divulgar as movimentações da tropa, por um princípio das táticas militares; Não fornecer indicações ao inimigo”. Como fosse o caso dos cangaceiros terem condição de ler jornais continuamente no meio da caatinga!


Esta mesma edição de A República informa que em Caicó houve pânico com a notícia da aproximação de cangaceiros na fronteira desta cidade com a Paraíba, ficando a situação mais calma por haver deslocamento de forte contingente policial em direção à localidade de Jardim de Piranhas. Outro jornal natalense denominado A Notícia, informa que até mesmo ocorreu “fuzilamento de oficiais de nossa Força Pública e rapto de crianças”.

Até as repartições dos Correios e Telégrafos entraram na ideia de pânico generalizado. Houve o caso de um telegrafista enviar pedidos de ajuda ao Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro.

Os cangaceiros atrapalharam a coleta de materiais da cidade Martins para a exposição do centenário

Até jornais do Rio de Janeiro noticiaram aqueles acontecimentos aparentemente através de notícias recebidas de informes telegráficos e um destes informes mostra uma interessante situação; no primeiro semestre de 1922 estava acontecendo em todo o Brasil os preparativos para as grandes festas do centenário da nossa independência e no Rio Grande do Norte estes preparativos estavam a toda. Cabia a cada estado brasileiro organizar e enviar para a Capital Federal, na época o Rio de Janeiro, uma coleção de produtos naturais típicos. No Rio Grande do Norte o responsável por tal trabalho era o Dr. João Vicente, que a época destes alarmes estava no município serrano de Martins. Na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, foi noticiado que o Dr. João “não podia trabalhar devido a ação dos cangaceiros e que o pessoal da serra estava pronto a reagir”.

MAS HOUVE ATAQUE?

Mesmo com todo exagero, o governador Antônio José de Mello e Souza, juntamente com o então chefe de polícia Sebastião Fernandes não perdem tempo na reação e tratam o assunto como uma verdadeira “situação de guerra”.

O chefe de polícia potiguar a época da crise

Convocam por decreto emergencial 100 praças para a força pública, promovem 2 sargentos a oficiais, despacham um grupo de policiais para seguir de navio até a cidade de Areia Branca, para depois seguirem a cavalo para fronteira. Com a ajuda do então IFOCS – Instituto Federal de Obras Contra as Secas (futuro DNOCS) mais de 100 militares serão enviados de caminhão ao interior. São feitas solicitações aos serviços de correios e telégrafos para a isenção de taxas para que os oficiais pudessem emitir telegramas da “frente de batalha”.

Na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, o governador Mello e Souza informa que recebeu que durante esta “crise”, mais de 100 despachos telegráficos vindos do interior. O próprio governador, tido como homem calmo e comedido, chegou ao ponto de reclamar que “até a cortesia sertaneja havia sido deixada de lado” naquelas solicitações de ajuda.

Apesar do estado limitado desta fotografia, ela mostra oficiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, se preparando para seguir para o sertão e combater os cangaceiros que desejavam invadir o estado em 1922

Foram enviados policiais em tal quantidade que em Natal o efetivo policial foi classificado como “mínimo”, apenas para o essencial para a proteção do quartel da força pública e do presídio (Mensagem, RN, 1922, páginas 31 a 35).

Seja por conta das ações policiais praticadas pelos governos da Paraíba e da ação preventiva da polícia potiguar, ou por terem conseguido o que desejavam, o bando de Sinhô Pereira toma novamente o rumo do Ceará. Com a saída dos cangaceiros, pouco a pouco a situação volta a se normalizar. No dia 29 de março chega a Natal o Chefe de Polícia da Paraíba, Demócrito de Almeida, que vinha agradecer a ação da polícia potiguar e, juntamente com Mello e Souza e Sebastião Fernandes, acertarem as bases para ações de patrulhamento da fronteira (A Republica, pág. 1, Ed. 01/04/1922).

Nas edições do jornal “A Republica” e na própria Mensagem ao Legislativo de 1922, podem-se ler as respostas às críticas feitas a ação do governador Mello e Souza na proteção das fronteiras. Estas críticas comentavam principalmente sobre os gastos excessivos realizados pelo executivo estadual no deslocamento de tropas, em meio a grave crise financeira vivida pelo Tesouro do Estado.

Existem insinuações que a mobilização serviu para uma grande intimidação da classe política que se encontrava na oposição, devido a proximidade da eleição federal, além de mostrar quem estava no poder e quem mandava na Força Pública.

Mas enfim, os cangaceiros de Sinhô Pereira estiveram, ou não estiveram no Rio Grande do Norte em 1922?

Consta na sua Mensagem ao Poder Legislativo de 1922, que o governador Mello e Souza informou que estes cangaceiros ao seguirem em direção ao vizinho Ceará, teriam então realizado a única e verdadeiramente comprovada penetração em território potiguar. Foi quando realizaram um pequeno saque em Luís Gomes e passando nas imediações da Vila de Alexandria, sem, contudo esta localidade ser efetivamente atacada (Mensagem, RN, 1922, pág. 34).
Jornal carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922

Conforme podemos ver na reprodução da nota publicada na edição do periódico carioca A Noite, pág. 4, de 6 de março de 1922, parece que estes cangaceiros estiveram no Rio Grande do Norte, mas não existem registros de saques em Patu, Alexandria e que a nossa polícia perseguiu a horda de meliantes até o Ceará.

UMA QUASE CONCLUSÃO…

Ao observamos estes episódios, é de se perguntar de onde vinha tamanho receio, ou medo, que as classes produtoras rurais potiguares tinham em relação aos cangaceiros? Até mesmo porque a marcante invasão do bando de Lampião ao Rio Grande do Norte só iria ocorrer cinco anos depois de todo a aquele pânico de 1922.

Sinhô Pereira (sentado) e seu primo Luiz Padre, dois grandes cangaceiros

É certo que os produtores rurais estavam saindo de uma seca pesada e uma ação de cangaceiros em nada ajudaria a nossa já combalida economia rural. Mas não havia registro de grandes ações destes bandidos no Rio Grande do Norte desde a prisão do celebre Antônio Silvino em 1914.

No meu entendimento toda aquela movimentação foi na verdade uma combinação de receio das elites rurais com a chegada dos cangaceiros, acompanhado de exagerados equívocos de informações, tudo isso transmitido para a capital potiguar através de uma bem organizada linha de comunicação telegráfica, que encheu a mesa do governador de pedidos de ajuda contra bandidos que simplesmente não apareceram.

Tudo isso associado a uma tradicional posição destas mesmas elites rurais potiguares; a de não terem uma associação muito estreita com cangaceiros, fossem eles potiguares, ou principalmente de outros estados.

Os donos do poder do sertão potiguar, como até hoje acontece, jamais deixaram de ter uma parceria estreita com hordas de sanguinários pistoleiros, de gente execrável que mata exclusivamente por dinheiro. Que a soldo dos poderosos resolviam (e ainda resolvem) certos tipos de problemas. Mas a figura do cangaceiro, talvez pelo seu aspecto único de possuir determinado nível de autonomia em meio a estas elites, jamais teve dos coronéis do sertão potiguar muita guarida.

E ONDE ENTRA LAMPIÃO NESTA HISTÓRIA?

Ao realizar esta simples pesquisa, me veio o seguinte questionamento; e então o grande cangaceiro Lampião esteve no Rio Grande do Norte antes do ataque de Mossoró? Teria o Rei do Cangaço pisado solo potiguar antes de 1927? Teria ele atacado uma fazenda nos limites do nosso estado com a Paraíba e passado perto da Vila de Alexandria?

Sei que Lampião entrou no bando de Sinhô Pereira em 1921, mas daí a afirmar que ele e seus irmãos Antônio e Levino participaram destas ações, é complicado. Tem gente por aí que conhece muito mais desta história do que eu e pode responder.

Notícia do Diário de Pernambuco, edição de 17 de março de 1922, mostrando a presença de Sinhô Pereira e seus cangaceiros na Fazenda Feijão, Belmonte, Pernambuco. Logo ele deixaria o cangaço

Mas sei que nos primeiros dias de junho de 1922, no sítio Feijão, zona rural do município pernambucano de Belmonte, próximo a fronteira do Ceará, Sinhô Pereira informou aos membros do seu bando, que em breve iria entregar o comando a Lampião, então o seu melhor cangaceiro. Apesar de ter menos de 27 anos de idade, Sinhô alegou problemas de saúde para a sua decisão e que seguia um apelo do mítico Padre Cícero Romão Batista, da cidade de Juazeiro, Ceará, que havia lhe pedido para deixar esta vida bandida e ir embora para fora do Nordeste. A incursão de Sinhô Pereira e outros cangaceiros pelo interior da Paraíba teria tão somente o ensejo de arrecadar numerário para este chefe bandoleiro sair do sertão e só voltar em 1971, já idoso.

Lampião e seu irmão Antônio em Juazeiro, Ceará

Vinte e dois dias depois de receber a notícia que a passagem de comando está próxima, Lampião efetivamente já é chefe de grupo. Neste momento começa a imprimir sua horrenda marca pelo Nordeste e vai se tornar o maior cangaceiro do Brasil.

Mas esta é outra história….

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Cangaço | Marcado A União, Antônio Felipe, Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Norte, Cangaço, Cangaceiros, CEARÁ,Instituto Histórico do Estado do Rio Grande do Norte, Jericó-PB, João Belarmino, João Bento, Jornal A República, LAMPIÃO, NATAL, NOVA CRUZ, Padre Cícero, Paraíba, Polícia, RIO GRANDE DO NORTE, Santa Cruz-RN, Sinhô Pereira, soldado João Ferreira, Sousa-PB, Ulisses Liberato de Alencar, Virgulino Ferreira da Silva

Extraído blog do historiógrafo Rostand Medeiros

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LAMPIÃO EM ALAGOAS

Por: Clerilvado B. Chagas e Marcello Fausto

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Meditando a Palavra de Deus: Eu também não te condeno


Hoje vemos Jesus escrever no chão, com o dedo (Jo 8,6), como se estivesse ao mesmo tempo ocupado e divertido com algo mais do que escutar aos que acusam a mulher que lhe apresentam porque foi apanhada em adultério (Jo 8,3).

É de chamar à atenção a serenidade e inclusive o bom humor que vemos em Jesus Cristo, mesmo em momentos que, para outros, são de grande tensão. É um ensinamento prático para cada um de nós, nestes nossos dias de vertiginosa velocidade em que nos inquietam os nervos em um bom número de ocasiões.

A fuga sigilosa e divertida dos acusadores nos recorda de que quem julga é apenas Deus e que todos nós somos pecadores. Em nossa vida diária, por ocasião do trabalho, nas relações familiares ou de amizade, fazemos juízos de valor. Mas algumas vezes nossos juízos são errôneos e obscurecem a boa reputação dos demais. Trata-se de uma verdadeira injustiça que nos obriga a reparar, tarefa nem sempre fácil. Ao contemplar Jesus em meio a essa “matilha” de acusadores, entendemos muito bem o que assinalou Santo Tomás de Aquino: A justiça e a misericórdia estão tão unidas que uma sustenta a outra. A justiça sem misericórdia é crueldade; e a misericórdia sem justiça é ruína, destruição.

Temos de nos encher de alegria ao saber, com certeza, que Deus perdoa-nos tudo, absolutamente tudo, no sacramento da confissão. Nestes dias de Quaresma, temos a oportunidade magnífica de acorrer a quem é rico em misericórdia no sacramento da reconciliação.

Além disso, um propósito concreto para o dia de hoje: ao ver os demais, direi, no interior de meu coração, as mesmas palavras de Jesus: Eu também não te condeno (Jo 8,11).

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sábado, 16 de março de 2013

VIDA DE PROFETA NO SERTÃO SEMIÁRIDO DO NORDESTE BRASILEIRO

Por: José Roberto de Sá

No momento, meteorologicamente falando, tudo está turvo, disse o profeta! Contudo, o mesmo profeta diz: nada impede de em segundos ocorrer as necessárias mudanças de tempo. As condições presentes, em breve, podem ser transformadas... Folhas secas, vistas caídas ao solo, na presença da água da chuva, podem se decompor e devolver ao solo os nutrientes essenciais às plantas e promover toda condição de estresse ao total desenvolvimento delas.

O profeta sempre acredita que a tristeza pode ser convertida em alegria. O profeta se distancia do meio do povo e firma o seu olhar ao céu, inclinando o pescoço, sente o prazer de observar as formações das nuvens e o tocar do vento em suas pernas, ascendendo todo seu corpo, em todos os orifícios da epiderme. O profeta observa o sol, a lua, as estrelas, a aflição dos animais, levando todas essas observações para o seu cérebro e, daí, meditando e tirando suas conclusões meteorológicas.


O profeta do sertão sempre amanhece com aquela necessidade de renovar suas esperanças e seus estudos meteorológicos. O profeta acredita na construção da casa da joana de barro, acredita no castigo e no milagre também. Segundo o profeta, o castigo não é nada de rancor de Deus com o homem, mas apenas um corretivo. O profeta é, antes de tudo, um analista do sistema solo-planta-atmosfera e todo tipo de vida em sua volta. O profeta analisa e se encanta com os estudiosos científicos da meteorologia e até classificou as explicações de um estudioso no rádio sobre a média da temperatura dos oceanos, como a dança da manivela dos oceanos, dizendo que o pacífico está quente e o atlântico está “frio”, abaixo da média, implicando na estiagem recente. O profeta fica tão entusiasmado, contente e encantado com o homem do rádio ao cantar o refrão da música: "A Triste Partida", sublime composição poética de Patativa do Assaré, interpretada pelo nosso profeta maior LUIZ GONZAGA.

Hoje um profeta local correu em trajeto leste-oeste, sentindo a força do vento e a formação de calor no seu próprio corpo e chegando no leito do assoreado Rio morto  trapiá, abriu as pernas e os braços no sentido norte-sul, sem roupa, com apenas um saco de estopa sobre sua cintura pélvica, com seus membros inferiores e superiores se distanciando da parte central do seu corpo. O profeta, psicologicamente retirou o seu pescoço do corpo e desligou seu cérebro da cabeça e do mundo e se ligou aos raios solares e às nuvens que se encontravam parcialmente no céu nublado. Em total desligamento de si e do mundo, o profeta falou e, profeticamente, explicou com poucas palavras: o homem! Eh, homem! Oh, homem, deixa de ser perverso por apenas um instante... Oh, homem, o sertão do semiárido do Nordeste brasileiro depende das tuas ações...

Em total dormência e inconsciência  no leito do rio, o profeta emitiu sobre o saco de estopa usado como suas vestes as seguintes interrogações: cadê a vegetação? Cadê todos os abraços químicos das águas descendo o rio abaixo com seus belos barulhos debaixo das árvores, conduzindo frutos, flores e restos de vegetais, onde todos mergulhavam no remanso ou vórtex? Todas essas interrogações o profeta faz um elo com as ações do homem (ação antrópica). Essas observações encantam a vida do profeta, pois tais observações para o profeta geram vida e alegria nos corações de cada sertanejo. Daí o profeta respirou e voltou os abraços e pernas e o pescoço e o cérebro à normalidade da constituição do seu corpo e disse: apesar da esperança que não morre em mim, Eh! Eh! Eh! Homem tudo pode mudar, porém, tudo só depende de Deus.

Seguindo outras profecias, o profeta, o poeta perguntou: cadê o chocalho? Cadê o berro? Cadê os bichos de caça? Cadê os cânticos dos pássaros? Ao sentar as nádegas sobre uma rocha de granito super aquecida em uma curva do morto Rio trapiá, com apenas  um saco de estopa sobre sua cintura pélvica, o mesmo de antes, e, ao observar o movimento das borboletas de diversos tamanhos e cores o profeta disse: os homens não merecem, mas por outras razões, as conversões meteorológicas vão acontecer e vai chover no sertão. 

José Roberto de Sá. Natural de São José da Lagoa Tapada (PB). Engenheiro Agrônomo (UFPB). Doutor em Nutrição de Solos (ESAL). Poeta e Escritor. Autor do livro “A Química do Pensar”, publicado pela Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense.

Enviado pelo professor José Romero Araújo Cardoso

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COM KI-SUCO E BOLO (MEU ANIVERSÁRIO) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)

COM KI-SUCO E BOLO (MEU ANIVERSÁRIO)

Façam as contas. Nascido a 16 de março de 1963 em Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo, numa quinta-feira. Hoje, sábado, 16 de março de 2013. Não dá outra. Cinquent’anos.

E hoje vou comemorar com ki-suco e bolo. Ki-suco de groselha e bolo de ovos. Aliás, tais coisas jamais deveriam ser suprimidas da mesa de qualquer aniversário. O ki-suco e o bolo fazem parte da cultura natalícia. Tentar negar isso é esconder as próprias origens.

Certamente que hoje nem criança dá mais importância a isso. Desconhece, assim, o prazer de se derramar cinco ou seis saquinhos de pó do refresco artificial numa vasilha grande, acrescentar açúcar e pedras de gelo, e depois mexer cuidadosamente. Uma delícia.

Juntamente com o bolo, bastava isso e a comemoração estava garantida. E como presente de aniversário geralmente um sabonete ou uma alfazema barata. Mas não precisava. Ninguém se importava muito com o valor do recebido não. O valor maior estava na presença e no reconhecimento da amizade.

Já os mais adultos comemoravam do jeito que dava, sem qualquer requinte ou ostentação. Casca de pau da boa, tubaína, destilados de qualquer bodega, uma cervejinha apenas para tirar o queimor, e no mais a velha e saborosa buchada, a caça jogada na brasa, o que existisse para ser servido. Muitas vezes era assim que se comemorava qualquer coisa nos rincões sertanejos.

Certa feita, em plena comemoração, eis que recebo o presente mais significativo de toda a minha vida. Alguém chegou com uma melancia e me presenteou. Disse que não havia encontrado outra coisa. E pediu-me para aceitar, pois era de coração. E era mesmo. E ficou no meu coração. Nunca tive coragem de cortá-la ao meio. Definhou pelo tempo. Jamais esqueço passagem tão simples, mas de uma imensa importância na minha memória.


Mas hoje, infelizmente - e como dói -, não estarei no meu sertão para receber os bons e queridos amigos. Como não haverá festa de estoque e repetição, de freezers cheios e imensidão de panelas, também não pude convidar todo o Poço Redondo. Contudo, muitos amigos já memorizaram a data e certamente estarão por aqui. E como ficarei contente e agradecido em recebê-los. Se você puder também apareça.
Assim, quem quiser aparecer por aqui já se sinta convidado. E acaso ache cafona ou coisa pobre o ki-suco com bolo, garanto que não sairá sem experimentar quitutes e guloseimas. Refrigerante, cerveja, uísque, cachaça, para beber mordiscando assados gordurosos. Mas duvido que se compare ao ki-suco com bolo.

Mas voltando à data e à idade, 16 de março e cinquenta anos, creio que, ao menos com relação à idade, é o que menos interessa. Assim enfrento meus idos de calendário. Daí que hoje não completo cinquenta anos não. Tenho dez, tenho cem anos. Pode me chamar de criança ou de velho. Tudo será perfeitamente cabível.

Creio que a idade do ser humano está na idade que ele vive o seu tempo. Quem tem vinte anos, por exemplo, não tem que, necessariamente, viver segundo a mentalidade dessa idade. A idade é um portal entre o passado e o futuro, e por isso cada um de repente tem de rejuvenescer ou de envelhecer. Somente assim compreenderá o contexto da vida.

Daí que afirmo a minha meninice traquina e os meus tantos anos, num envelhecimento profético. Cinquenta anos dizem respeito apenas ao tempo vivido até o momento, mas não representam nada daquilo que me vem refletido no espelho do que já fui e do que ainda serei. Recordo o ontem e imagino o amanhã. E vou vivendo como já estivesse mais adiante, com mais tantos outros anos. Por isso sou tão menino e tão velho.

Mas o agora também é de reflexão. Já são mais de três anos que minha mãe, D. Peta, não está mais por aqui para esbanjar alegria nessa data. E meu pai, Alcino, também partiu antes desses meus cinquenta anos. Ela certamente tomaria do ki-suco e comeria do bolo, ele beliscaria tudo que houvesse à mesa.

Mas saibam que o seu filho segue adiante, lutando sempre, sem temer nada que venha de humano, e agora ainda mais tendo a consciência que a árvore solitária cresce cada vez mais para, lá do alto, avistar o quanto o mundo é imenso e belo.

E servir de pouso, e servir de ninho, pois a solidão da árvore encontra alento nas coisas mais simples e singelas da vida. Assim sou. Assim sou eu.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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MEXENDO O PIRÃO

Autor: Adriano Marcena

Título: Mexendo o Pirão: 


importância sociocultural da farinha de mandioca no Brasil holandês (1637-1646)
Tema: História da alimentação
Páginas: 160
Preço do livro: R$ 20,00

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Contribuição inestimável !

Por: Renato Casimiro

Eu dedico uma atenção especial à contribuição histórica de muitos autores que se debruçam sobre documentos e fatos que compõem a memória histórica de seus municípios de origem ou de adoção. Assim, tenho uma vasta prateleira sobre quase todos os municípios do Ceará. 


Uns mais alentados outros mais modestos. Interessante que isto nasceu, até este zelo mais típico de bibliófilo, verificando que as questões de maior interesse em Juazeiro do Norte, frequentemente estão lá, por personagens, fatos, imagens, e acontecimentos de destaque. São particularidades que nos ajudam a compreender esta relação que tanto contribuiu para a realidade desta hegemonia que a terra do Pe. Cicero goza. Destaco nesta lembrança recente Venda grande d´Aurora, de João Tavares Calixto Júnior (Expressão Gráfica e Editora, Fortaleza: 2012, 300p, ilus.). O autor a produziu estilizando-a à maneira de uma cronologia, bem sistematizada, à moda de efemérides contadas desde os primórdios do atual município de Aurora, ainda no alvorecer do século XVIII. 

Um primor de trabalho, uma contribuição inestimável que fica para gerações futuras trabalhar em aprofundamentos e complementações com novas fontes. São tão poucas as referências em livro para uma melhor história de Aurora que o autor, ao meu sentimento, abriu enormes espaços para a continuidade destas pesquisas, envolvendo o seu crescimento social, a presença da religião católica, uma vereda para imprensa, etc. No caso de Juazeiro do Norte, a interface se dá, especialmente com a chegada de Floro Bartholomeu da Costa e do conde Adolphe Aquille van den Brule ao município, interessados em prospecção de cobre na região da fazenda Coxá, a sua demarcação e exploração do minério que ali ocorre. Junte-se a isto a participação de líderes políticos do município nos entendimentos para a emancipação e inauguração da vila de Juazeiro. Excelente trabalho que louvo e divulgo. 

Outra contribuição importante também foi dada por Elisandro Pereira de Carvalho ao publicar este Araripe: “lugar onde nasce o dia” – 100 anos de gênese documentada, tomo I (1859-1959) (Bureau de Serviços Gráficos: Juazeiro do Norte, 2011, 156p, ilus.). Neste caso, Araripe começa ter a sua história relatada em livros. Tudo o que importa ao conhecimento da história deste município parece ainda jazer em arquivo e velhos documentos do século XIX, em arquivos públicos. Enalteço o incentivo proporcionado pelo prefeito Humberto Germano Correia que compreendeu o alcance da empreitada de Elisandro Carvalho.     

Renato Casimiro
colunaderenato.blogspot.com.br

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Observação:

Este endereço tem a palavra "Cangaço", mas não tem nada a ver com o tema, foi um erro no momento de sua criação. Ainda não conseguimos fazer outro link de acordo com o material postado.