Seguidores

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Seu Nôza... José Moura de Oliveira

Por Rubens Antonio

Faleceu, neste 3 de julho de 2014, em Salvador, José Moura de Oliveira.

Nascido em 23 de fevereiro de 1925, em Queimadas, Bahia, naquele município, era mais conhecido pelo apelido que lhe deu sua irmã mais velha, quando era ainda um bebê. "Nôza". 

Com a idade, ganhou um "Seu" ao antigo apelido, tornando-se "Seu Nôza".

Nôza

Desconhecido da imensa maioria das pessoas, é uma verdadeira referência por dois pontos.

Em primeiro lugar, era a criança que estava dentro quartel, em Queimadas, quando foi invadido pelos cangaceiros, em dezembro de 1929. Ao seu lado, Lampeão parou e deu ordem de prisão aos policiais.

Apesar da tenra idade, a impressão que lhe causou o evento deixou em sua memória viva impressão e perfeita recordação. Isto, especialmente, por haver testemunhado o início do massacre, nomeadamente a morte dos dois primeiros policiais.

Em segundo lugar, considerando a quantidade de equívocos, inverdades e mistificações diversas que àquele evento começaram aderir, iniciou uma coleta de informações, registrando-as meticulosamente.

A quem o visitava, recebia com imensa simpatia e atenção, apresentando o seu relato já impresso. Dizia:

"- Junta-se aí o que eu vivi, o que eu vi, com o que ouvi dos demais..."

Este documento era lido, por ele, para o interessado, na íntegra e, na medida do possível, enriquecido, conforme o interlocutor apresentava novas perguntas.


Seu Nôza lendo seu relato dos eventos de 22 de dezembro de 1929, em Queimadas.

Seu depoimento aparece em:

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2012/01/depoimento-de-jose-moura-de-oliveira-o.html

Uma versão mais recente e completa, a derradeira, ainda está por ser publicada neste blog.



Desenhando a situação real das antigas sepulturas dos soldados, no cemitério de Queimadas.

Com Valdeci Figueiredo dos Santos e Jubiratan Silva Santos, filhos do sargento Evaristo, sobrevivente do massacre de Queimadas.

Tendo vivido a maior parte dos seus últimos anos em Salvador, próximo aos filhos e netos, veio a nesta cidade falecer, em função de um câncer.


Seu corpo foi levado a Queimadas e, neste 4 de julho de 2014, estará sendo ali sepultado.

Um abraço, amigo... E muito obrigado pelo seus senso de História e compromisso com esta.

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2014/07/seu-noza-jose-moura-de-oliveira.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Falecimento!

Por Rubens Antonio

Faleceu, ontem, em Salvador, José Moura de Oliveira, o "Seu Nôza".

Testemunha referencial, era a criança que se encontrava conversando com os policiais, no quartel, em Queimadas, quando Lampeão entrou e deu ordem de prisão a esses.

Também, da janela da sua casa, testemunhou a morte dos dois primeiros policiais.

Adqüiriu importância ainda maior quando, ao topar com tantos equívocos e mistificações que começaram a surgir, preocupou-se em levantar, registrar e divulgar os dados e as informações corretas.

Vítima de câncer, será enterrado hoje, à tarde, em Queimadas.

Facebook.

Rubens Antonio é professor, pesquisador do cangaço e administrador do blog: http://cangaconabahia.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.

A SBEC Convoca !


O Presidente da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, professor Benedito Vasconcelos Mendes, no uso de suas atribuições legais, convoca aos Sócios e Amigos da SBEC para participar de Reunião Extraordinária da Sociedade, a realizar-se no próximo dia 25 de Julho de 2014 a partir das 10 horas da manhã no Auditório Miguel Arcanjo, na cidade de Piranhas em Alagoas, dentro da Programação do Cariri Cangaço Piranhas 2014. 

Benedito Vasconcelos Mendes 
Presidente

http://cariricangaco.blogspot.com 

O Caipora

Por Alcino Alves Costa

O Caipora, aquele ente fantástico da mitologia tupi tem a sua lenda gravada na memória de todas as culturas sertanejas, desde aquelas dos tempos primitivos até as dos dias atuais. O “rei da flora” sempre foi o terror dos que viviam da caça. Entretanto, uns poucos caçadores tinham o privilégio de manter uma relação de amizade com o senhor das selvas, conseqüentemente gozar de sua proteção.

Histórias do Caipora despertavam inusitado interesse no povo do Rio Pequeno. Quem foi e de onde veio este ente misterioso? Seu Calixto tinha orgulho e prazer em gastar todo o seu repertório sobre a fabulosa lenda nascida de uma velha tradição. Os contos que discorria sobre os mirabolantes feitos daquele ser mitológico eram reservados para as noites da Semana Santa, ali no pé do cruzeiro, aboletado de gente. No entanto, o contador de fábulas era quase sempre intimado a narrar às origens do caipora. Como nasceu e viveu no meio dos animais e finalmente se tornando no senhor absoluto daquele mundo selvagem; o mundo da onça e do veado, do gato do mato e do caititu, da ema e da seriema; enfim de todos os bichos silvestres. Como se fosse um mestre o caboclo narrava o nascimento e a vida do Caipora.

O conhecimento do bondoso caipira sobre a lenda deste ente fantástico vinha desde a sua meninice. Porém, só veio a se interessar por ela quando já homem feito, vivendo em São Paulo, começou a ouvir uma moda de viola da autoria do magistral poeta e compositor Sulino, que contava a origem do misterioso ser das caatingas, e que fora batizada com o título de “O Caipora”. Assim narrava o contador de causos do Rio Pequeno.


Diz uma velha tradição que depois do dilúvio, aquela inundação universal que durou quarenta dias e noites e que acabou com os viventes da terra – escapando apenas Noé e seus familiares, além de alguns animais – o Senhor ordenou que o cataclismo parasse e a arca, empurrada por uma força misteriosa, fosse levada pelas águas até o Monte Ararat, na Armênia. 

Deus, então, ordenou a Sem, Cam e Jafé, os filhos de Noé que saíssem da sagrada embarcação e fossem povoar a terra.

Os três irmãos se dividiram em tribos e com o passar das eras surgiram vários grupos tribais, cada um tomando rumos diferentes e seguindo o seu próprio destino. Foi numa daquelas tribos errantes que uma mulher teve um filho no meio da mataria. O bebê nasceu forte e sadio. Porém a pobre mãe, não resistindo a uma forte hemorragia, faleceu horas depois. Seguindo um impiedoso costume daquela gente primitiva, a criança foi abandonada no meio da caatinga.

Aderbal Nogueira ao lado do inesquecível Alcino Costa

Ali bem perto uma macaca sofria a dor da perda de seu filhote. Já noite alta escutou o choro do bebezinho nos ermos da selva bruta. Aquilo era estranho para ela. Curiosa, seguiu na direção de onde vinha o choro e encontrou o recém-nascido. Se por instinto maternal ou por lembrar do filhinho, se acercou da criança e com muito amor e carinho começou a amamentá-la com o leite de seu peito. E assim o menininho teve proteção e guarida pelos cuidados da macaca. Criado na selva bruta o menino cresceu valente e veloz. Suas unhas ficaram enormes, afiadas, pareciam anzóis. A fera que ele atacava não conseguia escapar de suas poderosas garras. Costumava amarrar os bichos ferozes com cipós, surrá-los, e depois soltá-los, rindo de sua perversa brincadeira.

Daquele tempo pra cá, conforme diz a história, aquele homem selvagem, se tornou o dono dos animais e o todo-poderoso das selvas. Montado num porco espinho percorria todos os sertões, era um duende que tinha o poder de surgir aqui e acolá, nos mais distantes recantos sertanejos ao mesmo tempo e na mesma hora. Com espantoso poder dominava todos os bichos que dentro da selva moravam. O seu nome se tornou num mito que ultrapassa todas as gerações. Quem já não ouviu falar no duende que se convencionou em chamá-lo de “Rei da Flora”?

Alcino Alves Costa
Caipira de Poço Redondo
Fonte: Histórias e Lendas do Sertão

http://cariricangaco.blogspot.com.br/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Conheça a história de Lampião, o "Rei do Cangaço"

Por Marden Barbosa 
Virgulino Ferreira da Silva, nasceu em Serra Talhada

Afinal, quem foi Lampião, o maior ícone do movimento do cangaço, adorado e odiado, herói e vilão, pra uns um o Robin Hood do sertão, pra outros um bandido assassino, cruel e sanguinolento.

Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, nasceu em 7 de julho de 1897 na pequena fazenda dos seus pais em Vila Bela, atual município de Serra Talhada, no estado de Pernambuco. Era o terceiro filho de uma família de oito irmãos.

CONTEXTO HISTÓRICO:

Sertão nordestino, seca, fome, desigualdades, transição do Séc. XIX para o XX, primeiras décadas da República, nesse cenário surge o Cangaço, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, sequestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns.

Cangaceiros não tinham moradia fixa, eram muitas vezes contratados como mercenários, fazendo os serviços sujos para os coronéis. Perambulavam pelo sertão, praticando crimes, fugindo e se escondendo.
A palavra deriva de canga, peça de madeira simples ou dupla que se coloca na parte posterior do pescoço de bois nos carros de boi. Devido aos utensílios que os homens carregavam no corpo, o nome foi incorporado.

Como conheciam muito bem a mata, rotas de fuga, ervas medicinais, e tinham ajuda de coiteiros (pessoas que auxiliavam na fuga, ou davam abrigo, simpatizantes), não era uma missão fácil para o Estado captura-los.

O Estado, se atualmente é omisso, quanto a questão da pobreza no nordeste, no início do Séc. XX, o povo estava abandonado a própria sorte, a seca e a miséria predominavam, onde os coronéis(fazendeiros) eram a lei.

Voltemos a Lampião, em 1915, ele acusa um empregado do vizinho José Saturnino de roubar bodes de sua propriedade. Começa, então, uma rivalidade entre as duas famílias. Quatro anos depois, Virgulino e dois irmãos se tornaram bandidos.


José Saturnino, o primeiro desafeto de Lampião

Matavam o gado do vizinho e assaltavam. Os irmãos Ferreira passaram a ser perseguidos pela polícia e fugiram da fazenda. A mãe de Virgulino morreu durante a fuga e, em seguida, num tiroteio, os policiais mataram seu pai. O jovem Virgulino jurou vingança.

Lampião formou o seu bando a princípio com dois irmãos, primos e amigos, cujos integrantes variavam entre 30 e 100 membros, e passou a atacar fazendas e pequenas cidades em cinco estados do Brasil, quase sempre a pé e às vezes montados a cavalos.


Foram criadas volantes, policiais mais soldados temporários, milícias armadas para tentar combater e capturar os cangaceiros, que os apelidaram de “macacos” pelo jeito que batiam em retirada, pulando.
Lampião ficou famoso pela sua disciplina, vestes impecáveis, cheias de adornamentos, coisa que todo o bando copiava, a vaidade dos cangaceiros era uma de suas marcas registradas.


Lampião roubava comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres. No entanto, seus atos de crueldade lhe valeram a alcunha de "Rei do Cangaço".

Quando bem recebidos, promoviam bailes, festas, entretanto com os que o enfrentava ou lhe afrontava, mostrava todo seu lado maligno e sanguinolento.


Seu bando sequestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente.

Antes de fuzilar um de seus próprios homens, obrigou-o a comer um quilo de sal. Assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade.

Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço (pra sangrar o cabra).

Punhal de Lampião

Em 1926, a fim de combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados, liderados por Luiz Carlos Prestes, o governo se aliou ao cangaceiro, fornecendo fardas e fuzis automáticos.


Por indicação do Padre Cícero, o qual disse que somente Lampião poderia conter a Coluna Prestes, foi formalizado um pacto, no qual resultou o encontro do padre com Lampião (Virgulino era devoto do Padre Cícero), isso em Juazeiro.

Padre Cícero Romão Batista

Blogdomendesemendes - Segundo alguns pesquisadores do cangaço quem obrigou o seu comandado comer sal, não foi Lampião, foi o cangaceiro Antonio Silvino. 

http://www.portali9.com.br/blogs-colunistas/cabo-marden/conheca-a-historia-de-lampiao-o-rei-do-cangaco

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O cangaço do capitão Lampião

O Bando de Lampião: o mais famoso grupo de cangaceiros da História do Brasil.

A prática do cangaço marcou um interessante momento da História do Brasil. Grupos de homens armados vagueavam pelos sertões, principalmente do Nordeste, buscando meios de sobrevivência, e o enfrentamento dos poderosos com o uso de suas armas e de sua coragem. Porém, seria somente dessa maneira que poderíamos compreender a prática do cangaço?

O próprio termo “cangaceiro”, em suas origens, faz referência ao termo “canga”, peça de madeira usualmente colocada nos muares e animas de transporte. Assim, a palavra cangaceiro, originalmente, faz uma alusão aos utensílios que os cangaceiros carregavam em seu corpo. Além disso, essa idéia heróica sobre os cangaceiros é equivocada. Os primeiros cangaceiros de que se tem relato eram, de fato, “prestadores de serviço” aos chefes políticos locais. Perseguiam e matavam os inimigos políticos dos coronéis de uma região.

Somente nos primeiros anos da República Oligárquica é que os primeiros grupos independentes de cangaceiros surgiram. Através de práticas criminosas esses grupos constituíram um grupo social à margem das estruturas de poder e das relações sociais vigentes durante o tempo das oligarquias. De acordo com seus interesses, os cangaceiros estabeleciam alianças com aqueles que oferecessem vantagens econômicas ou proteção às suas atividades.

Dessa maneira, não poderíamos dizer que o cangaço foi um movimento essencialmente comprometido com uma determinada classe social. Um dos primeiros cangaceiros que se tem registro é Antônio Silvino. Buscando vingar a morte do pai, ele formou um bando que lutava contra a polícia, promovia assaltos e armava “tocaias” contra autoridades governamentais. Anos mais tarde, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, formou um dos maiores e mais duradouros grupos de cangaço existentes na região Nordeste.

Sua família, de origem pernambucana, já se envolvia com a prática do cangaço. Fazendo parte, inicialmente, do bando de Sinhô Pereira, Lampião aprimorou sua habilidade em matar inimigos e realizar assaltos. Seu apelido foi criado devido a sua rapidez no gatilho e a luz que saia do cano de sua arma. Em 1922, ele passou a liderar o grupo de Sinhô Pereira.

Vários documentos demonstram as formas de ação do grupo de Lampião. Em algumas cartas de próprio punho, Lampião exigia o pagamento de quantias em dinheiro em troca da não-invasão às cidades. Estendendo sua ação e número de integrantes, o bando de Lampião chegou a atuar contra a Coluna Prestes, em 1926. Só no ano de 1938 que Lampião foi subjugado pelas forças militares do Estado. Os principais líderes de seu bando foram decapitados e tiveram as cabeças expostas em diferentes cidades nordestinas.

A decadência do cangaço tem grande ligação com o estabelecimento do Estado Novo. A criação de órgãos repressores mais atuantes e a desarticulação da influência exercida pelos grupos oligárquicos remanescentes podem ser apontadas como as possíveis razões para o fim desse movimento. Por fim devemos ver no cangaço, a crise provocada pelas relações excludentes que figuraram a construção histórica do próprio Brasil.

http://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/cangaco.htm

http://blogdomendesemendes.blogspot.com


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Cangaço

Por Rubens Antonio

Zé Bahiano e, provavelmente (salvo melhores informações), Fortaleza... Foto completa, da série da Fazenda Jaramataia, que não se encontra facilmente na net. 

Divulgando, aqui, junto ao protesto contra os que mantêm acervos encafifados, prejudicando, sem o mínimo pudor, os verdadeiros estudos do Cangaço.

Robério Santos apoiou o pesquisador Rubens Antonio dizendo: 


Caramba!  Eu não conhecia ela completa. Também sou contra quem guarda acervos e não divide, mas um monte de gente adora pegar, mas doas que é bom... Parabéns pela divulgação da foto.

Fonte: facebook
Página:  Rubens Antonio


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

GAVRILO PRINCIP – HERÓI OU TERRORISTA?

Publicado em 02/07/2014 por Rostand Medeiros
Este é Gavrilo Princip, que em 28 de junho de 1914 disparou os tiros que mataram o arquiduque Franz Ferdinand da Áustria e sua esposa Sophie, durante uma visita à capital bósnia de Sarajevo 

HÁ 100 ANOS ELE DISPAROU OS TIROS FATAIS QUE PROVOCARAM A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Baseado no texto de Aida Cerzek, da Associated Press / Fotos  - AP Photo/Historical Archives Sarajevo.

Passado um século ainda existe muita controvérsia sobre a figura Gavrilo Princip, um nacionalista sérvio de 19 anos, que matou a tiros o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do império Austro-húngaro, e sua esposa Sophie, Duquesa de Hohenber, e com isso iniciou a Primeira Guerra Mundial.

Uma imagem de arquivo do dia 28 de junho de 1914 onde mostra o arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono do Império Austro-húngaro, e sua esposa, deixando a prefeitura pouco antes de seu assassinato em Sarajevo. A cidade estava ensolarada e em clima de festa pela visita do arquiduque austríaco.

Logo após o ato de Gavrilo, o Império Austro-húngaro acusou o governo Sérvio de estar por trás do assassinato. Apoiado pela Alemanha, a Áustria-hungria atacou a Sérvia, mas seus aliados, o Império Russo e a França, entraram em sua defesa. Logo a Grã-Bretanha e o seu ainda grande e unido império se juntaram à luta. Em 1917 os Estados Unidos também entram no conflito.

Pouco antes da saída do carro levando os nobres austro-húngaros

Quando a matança em massa, conhecida na época como a Grande Guerra, terminou em 1918, havia ceifado cerca de 14 milhões de vidas – sendo 5 milhões de civis e 9 milhões de soldados, marinheiros e aviadores – e deixou mais de 7 milhões de inválidos.

Um suspeito, segundo a direita, é capturado pela polícia em Sarajevo logo após os disparos que assassinaram os nobres

Após o assassinato do príncipe e de sua esposa, Gavrilo Princip foi imediatamente preso e morreu na prisão meses antes do fim da guerra.

Os nobres austro-húngaros em seus respectivos caixões

O fato aconteceu no dia 28 de junho, em Sarajevo, nos Balcãs, aonde o triste legado de Gavrilo vem sendo utilizado para atender determinadas agendas políticas, em uma região onde existem fumegantes rivalidades étnicas e religiosas.

A primeira pistola na foto, de cima para baixo, é um modelo F.N. 1910, calibre 9 mm Curto (9X17), mais conhecido como 380 ACP. Essa arma possui o número de série 19074 e foi a que chegou às mãos de Gavrilo Princip, o autor dos disparos. Considerada perdida durante décadas, foi recuperada em 2004 e está exposta no Militärhistorisches  Museum, em Viena, na Áustria. As outras duas armas eram utilizadas pelos seus cúmplices. Pelo envolvimento das pistolas F. N. neste crime, eles ficaram popularmente conhecidas como “Mata Duque”.

Com o centenário do assassinato as velhas posições entrincheiradas estão ressurgindo e o jovem atirador vai continuar a ser um herói para alguns, ou um sórdido terrorista para outros.


Como os assassinatos em Sarajevo repercutiram no jornal “A República”, o principal do Rio Grande do Norte em 1914. Percebam que a notícia sequer foi publicada na 1ª página, mas este fato ocorreu em praticamente toda imprensa brasileira, que só compreenderam a verdadeira dimensão e significado dos fatos em Sarajevo dias após o ocorrido


Naquela complicada parte do mundo o que existe em relação ao assassinato do nobre casal é mais uma questão de sentimentos em relação ao que ele fez, onde pouco entra os argumentos históricos sérios e isentos. Tanto que nos livros de história sérvios o assassinato perpetrado por Princip e seus companheiros é descrito em mais de 20 páginas, com o título de “O grande ato de libertação”.

Também no Militärhistorisches Museum de Viena se encontra preservado o veículo no qual os nobre foram assassinados.

Para os sérvios cristãos ortodoxos, Princip deve ser celebrado como alguém que viu a atual República da Bósnia e Herzegovina como sendo parte do território nacional sérvio. Quando a Iugoslávia se desfez em 1992, a mesma ideia inspirou os sérvios a entrarem em luta contra a decisão dos bósnios muçulmanos e croatas católicos de se declararem independentes. O resultado foi uma sangrenta guerra civil, com fortes contornos étnicos, em pleno limiar do século XX.

Cidadãos atravessam a rua em frente ao marco histórico onde herdeiro Austro-Húngaro ao trono, o arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa Sophie foram assassinados em 28 de junho de 1914.

Um moderno e barulhento grupo de rock bósnio já escreveu uma canção sobre a manhã de sol em 1914, quando, de acordo com suas letras, Princip tornou-se um “herói para alguns, um criminoso para outros, enquanto, provavelmente, a sua alma ainda está vagando, em algum lugar no meio”.


Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.com.br/2014/07/02/gavrilo-princip-heroi-ou-terrorista/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Enedina, a Bela Enedina

Por Alcino Alves Costa
Pesquisador e escritor Alcino Alves Costa

Vejam meus companheiros o quanto Enedina era bela. Uma menina-moça que carregava em seu corpo e em seu espírito uma lindeza incomparável. E saber que uma jovem e linda mulher, como Enedina, no fulgor de sua mocidade, perdeu a vida, com a sua cabeça esbagaçada por uma infeliz bala, na subida de uma das serras de Angico, é um acontecimento que ainda hoje, após tantos anos, nos deixa tristes e desconsolados.

Grota de Angico onde morreram 11 cangaceiros e um volante policial


Olhem devagar e com muito carinho esta foto. O que é que vocês acharam? Que tal! Aí está a prova do quanto a mulher sertaneja era e é bela, linda, maravilhosa.

Enedina, esposa do cangaceiro Zé de Julião

A beleza da mulher cangaceira era realmente invulgar. Além de Lídia, considerada a mais bela de todas, não podemos desconhecer a beleza de Maria Bonita, de Maria de Pancada, de Dulce, a segunda companheira de Criança; de Sila de Zé Sereno, o jeito trigueiro e belo de Dadá de Corisco e Inacinha de Gato e tantas outras que com sua beleza e seu fascínio alucinavam os jovens cangaceiros que tinham naquelas lindas flores campestres, flores em forma de gente, a essência do amor e do desejo se derramando aos dengos em seus másculos braços, alucinadas de desejos, dominadas por uma volúpia incontrolável, dando e recebendo quase que divinais momentos de felicidade e prazer, mesmo que em um ambiente quase que perene de sofrimento e gravíssimos perigos da própria vida.

 história tem sido injusta com a mulher cangaceira. Elas mudaram o viver do cangaço. Foram verdadeiras heroínas que amenizavam a brutalidade dos cangaceiros. Foram elas as sertanejas que ali estavam, naquele tão perigoso meio, unicamente para estarem ao lado do homem amado, dando e recebendo carinho, arriscando a vida em troca do prazer e da felicidade em acompanhar e estar ao lado do homem de sua vida.

Elas eram lindas. Enedina era uma prova do que estou afirmando. Admirem esta foto que é uma relíquia da história de Poço Redondo e da história do cangaço.

Alcino Alves Costa

O Caipira de Poço Redondo

"Ói o homem aí! ói a cara dele
É como se eu estivesse presente vendo a satisfação do confrade em mais um importante achado.
Parabéns e Obrigado mestre!".

Leia o texto completo clicando neste link:

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/search/label/Enedina

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO: ESTRATÉGIA E PERMANÊNCIA HISTÓRICA

Por Rangel Alves da Costa*

A verdade é que a história não escolhe cenários, paisagens ou contextos para produzir os seus feitos. Do mesmo modo, ela não escolhe os homens, os personagens e aqueles que mais tarde estarão nos seus anais e reconhecidos como vultos. Os percursos e as ações vão ditando os acontecimentos e o reconhecimento dependerá da forma como o indivíduo se situou perante as situações. Contudo, homens existem que parecem nascidos para influenciar no seu tempo e entrar para a história.

E assim ocorreu com Lampião, numa junção de diversos fatores. A importância histórica de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, não se perfaz apenas no homem, no líder, mítico e estrategista, mas principalmente no contexto social, humano e geográfico, onde assentou sua fama e reconhecimento. Desse modo, a importância histórica conquistada pelo maior dos cangaceiros deve ser reconhecida como fruto de um contexto - terra e luta - e não apenas pelas suas ações de comandante do famoso bando.

Há de se reconhecer - ainda que tal concepção divirja do pensamento de muitos estudiosos do cangaço - que o sertão enquanto espaço social e geográfico foi o maior responsável pela fama conquistada por Lampião. E não apenas o contexto social e a terra sertaneja, mas o que nela estava germinada e proliferou: o mando, a pobreza, a injustiça, os arranjos políticos e a submissão de um povo. Um fosso terrível entre o poder político e coronelista e o pobre e subjugado homem da terra.

Tem-se, pois, que o rei do cangaço agiu dentro de um cenário completamente tomado por injustiças, por descontentamentos e profundas e problemáticas divisões sociais, pavio embebido para revoltas e vinditas sangrentas. Quer dizer, com Lampião ou sem Lampião o cenário já estava devidamente montado para o surgimento de insurgências e estopins, de contestações e confrontos. E qualquer sertanejo destemido podia chamar para si a responsabilidade da luta, como já havia acontecido com outros líderes de bandos primitivos.


O que o Capitão Virgulino fez - e aí talvez esteja seu maior reconhecimento - foi utilizar com maestria aquele cenário de descontentamento para levar adiante uma guerra que nasceu de cunho pessoal, familiar, a partir de rixas sangrentas de vizinhança na sua terra natal. Mas ele, já tendo feito parte do bando de Sinhô Pereira, não podia mais arregimentar homens com motivos de vinganças pessoais, eis que seu inimigo agora era outro: era o poder corruptor, opressor, injusto.

Desse modo, além das armas próprias, tomou como artilharia a seu favor o próprio sertão. Sua fama de comandante, de líder, de estrategista, está aí. Inegável o seu poder de convencimento, a sua mítica atraindo jovens descontentes para suas hostes, a sua força para justificar uma luta aparentemente impossível de ser vencida. E de repente a maior parte da população sertaneja, mesmo que o temendo, se sentindo também reconhecida naquela luta.

Não são todos os homens, mesmo conhecendo caatingas, veredas, esconderijos e sendo protegido pelos do lugar, que conseguem reinar imbatíveis durante tantos anos. E foram cerca de vinte anos nas brenhas, atacando, fugindo, saindo vitorioso diante das maiores armadilhas do inimigo. Mas nada disso foi conseguindo ao acaso, por golpes de sorte ou pela ajuda de informantes sertanejos.

A sabedoria de Lampião estava em todas as vertentes, desde o trato com o humilde homem da terra ao coronel dono do mundo. Chamou para o seu lado uma leva de coiteiros que não apenas indicavam os lugares mais seguros para o repouso do bando, como serviam de mensageiros e traziam até os coitos tudo aquilo que os cangaceiros precisassem. Era também amigo dos fazendeiros e lideranças de cada região, tendo as portas abertas assim que despontasse nos arredores.

Contudo, nada incomparável à sua inteligente teia de relacionamentos com pessoas politicamente influentes e coronéis poderosos. Foi das mãos do Padre Cícero que recebeu a patente de Capitão, ordenada pelo próprio Estado, numa inútil tentativa que combatesse a Coluna Prestes. Mantinha correspondência com a nata coronelista e por ela era recebido quando bem desejasse. O poderio bélico do bando não seria possível sem a ajuda desses senhores do latifúndio e do mando.

Neste aspecto, até que se poderia ter como incoerência uma luta contra as injustiças praticadas pelo poder e ao mesmo tempo deste receber benefícios. Ora, também uma estratégia de Lampião, a sobrevivência e a permanência da luta, ainda que com as armas do inimigo a ser combatido. Até no episódio de sua morte o líder cangaceiro deixou vestígios de sua descomunal tática de deixar rastros imprecisos por onde passasse.

Por mais que historicamente se tenha o 28 de julho de 38 como o dia em que foi emboscado e morto junto com Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na chamada chacina de Angico, até hoje as controvérsias afloram acerca desse fato. Alguns até afirmam que ele não estava mais lá quando a volante cercou o bando, outros dizem que suas sete vidas permitiram que fugisse ileso. E a partir daí, e por muitos anos, vivesse gracejando de sua própria morte.

Fato é que é o homem ainda continua vivíssimo na História. E deixando uma leva de historiadores e pesquisadores atabalhoados em seus rastros.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com 

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Lampião assustou Cristiano Cartaxo

Por: Francisco Frassales Cartaxo
 Poeta Cristiano Cartaxo

Cresci ouvindo meu pai narrar o susto que passou ao ver-se frente a frente com Lampião. Cristiano Cartaxo contava sempre a mesma versão, usando quase as mesmas palavras, indicativo forte da veracidade do episódio por ele vivido. Foi assim. Certa ocasião, noite alta, ele se dirigiu à farmácia fundada em 1875 pelo seu pai, o major Higino Gonçalves Sobreira Rolim, para aviar uma receita, a pedido de pessoa amiga. Nessa época, década de 20 do século passado, a farmácia ficava na Rua Sete de Setembro, hoje Avenida Presidente João Pessoa, em Cajazeiras. Doutor Cartaxo entrou na botica, deixando a porta entreaberta, e foi preparar o remédio. Com pouco tempo, apareceu um desconhecido em trajes estranhos, arma de fogo e punhal. Meu pai apressou-se em procurar atendê-lo àquela hora da noite:

- O senhor deseja alguma coisa? Precisa de algum remédio?

Disse mas não obteve resposta. O estranho esboçou apenas um leve sorriso, deu alguns passos, lentamente. Parou para espiar melhor as prateleiras. Voltou a caminhar pelo pequeno corredor até os fundos da farmácia. Sem uma palavra sequer, por mais que meu pai insistisse em oferecer-lhe seus serviços profissionais de farmacêutico. O visitante saiu pela porta, não sem antes fazer leve reverência de cabeça. Meu pai, sem pestanejar fechou a porta com ferrolho e voltou à sua tarefa. Claro que teve medo, sobretudo, porque o fato se deu justo na noite do dia do ataque do cangaceiro Sabino Gomes que, segundo meu pai, tinha entre seus objetivos ao invadir Cajazeiras “agarrar o enxu do major Higino”, numa referência ao cofre da farmácia do meu avô.


Sabino Gomes conhecia bem Cajazeiras. Fora guarda-costas de Marcolino Diniz, um cidadão que residiu em Cajazeiras, pouco depois de assassinar o bacharel Ulisses Wanderley, juiz de direito da cidade de Triunfo (PE), em 30 de dezembro de 1923. Preso em flagrante, foi solto pelos cabras de Sabino, a mando de Lampião, que era amigo e protegido do rico fazendeiro em Pernambuco, coronel Marçal Florentino Diniz, pai de Marcolino. Em Cajazeiras, Marcolino fundou e manteve, junto com o advogado Praxedes da Silva Pitanga, o jornal O Rebate, que circulou entre 1925 e 1928. Marcolino era irmão unilateral de Sabino Gomes, pois este foi fruto de relação amorosa mantida pelo coronel Marçal com sua cozinheira que prestava serviço na fazenda Abóboras, município de Serra Talhada (PE).

Abóboras fica perto de Princesa Isabel, terra do famoso coronel José Pereira, que é sogro de Marcolino Diniz. Sabino chegou a trabalhar nas obras de construção do açude de Boqueirão de Piranhas (Engenheiro Ávidos) e desfilava armado pelas ruas de Cajazeiras, na qualidade de homem de confiança de Marcolino Diniz. Por isso, era temido, mesmo antes de entrar, definitivameente, para o cangaço, após integrar o grupo que invadiu a cidade de Sousa, em 27 de julho de 1924, sob o comando de dois irmãos de Lampião, Antonio e Levino Ferreira, e de Chico Pereira.


Como o poeta Cristiano soube que aquele visitante misterioso era Lampião? Meu pai o identificou numa foto que correu mundo, batida pelo fotógrafo profissional, Francisco Ribeiro, em Limoeiro do Norte, quando o bando ali estacionou, ao regressar da frustrada invasão a Mossoró em 1927. Em Limoeiro, os cangaceiros foram recebidos sem hostilidade. Ao contrário, tiveram direito a banquete, fizeram compras no comércio e até rezaram na igreja em companhia do pároco.

Revejo, agora, a foto histórica, inserida no livro de Frederico Pernambucano de Mello: “Guerreiros do sol - Violência e banditismo no Nordeste do Brasil”, talvez o melhor estudo acerca do fenômeno social do cangaço nordestino. Revejo com saudade do meu pai Cristiano Cartaxo Rolim, que, em 2013, completou cem anos de formado na antiga Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro.

Francisco Frassales Cartaxo
* Escritor, filiado à União Brasileira de Escritores/PE,  Articulista semanal do jornal Gazeta do Alto Piranhas,  de Cajazeiras/PB. 
Gentileza do envio: Nadja Claudino

http://cariricangaco.blogspot.com.br/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Livro "Lampião a Raposa das Caatingas"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

http://blogdomendesemendes.blogspot.com