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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O MEMORIAL DA RESISTÊNCIA DE MOSSORÓ


Por Geraldo Maia

Como pesquisador do tema “cangaço” tenho viajado, juntamente com outros companheiros da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, por quase todos os recantos do Nordeste que de alguma maneira tiveram participação nesse movimento. Nessas viagens conhecemos vários museus dedicados a esse tema, alguns bem interessantes, mas em nenhum deles encontrei uma seção sequer que mostrasse a luta das volantes (tropas móvel da polícia, constituídas para combater os cangaceiros). Em todos eles a figura principal é a de Virgulino Ferreira da Silva - Lampião, o mais famoso dos cangaceiros. 


Fachada do Memorial da Resistência em Mossoró


Mossoró teve o seu envolvimento com o cangaço em 1927, quando a 13 de junho a cidade era invadida por numeroso grupo de cangaceiros chefiados pelo próprio Lampião. Não contavam, os cangaceiros, com a fibra do povo de Mossoró. A cidade se preparou e expulsou a bala os facínoras. Esse evento constituiu-se num marco da história do cangaço. A audácia de Lampião em atacar uma cidade do tamanho de Mossoró, com mais de vinte mil habitantes, com várias fábricas de beneficiamento de algodão, agência do Banco do Brasil, estrada de ferro, etc., fez com que os governantes de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e até do Ceará se mobilizassem para perseguir esse grupo, de modo que com as volantes em seus encalços, Lampião foi obrigado a atravessar o rio São Francisco, o velho Chico, passando para a Bahia com o grupo bastante reduzido, esfarrapados e famintos. E aí começa outro capítulo da história do cangaço, ficando essa parte do Nordeste livre desse mal. 

Assaltar uma cidade do tamanho de Mossoró era algo que Lampião ou qualquer outro chefe de cangaço não imaginava. Toda a ação desses grupos era sobre pequenas cidades e povoados, muitos de uma rua só. Mas um fato ocorrido na região veio a alimentar a esperança de sucesso, por parte de Lampião. Isso ocorreu quando em 10 de maio daquele mesmo ano, a cidade de Apodi, distante apenas 76 Km de Mossoró, era atacada por um grupo de cangaceiros chefiados por Macilon, por encomenda do Cel. Isaias Arruda, do Ceará, que era coiteiro de Masilon e também de Lampião. 

Apodi não era tão pequena naquela época. E Massilon, com apenas cinco comparsas, arrasou a cidade. E foi ele e o Cel. Isaias Arruda que convenceram Lampião a atacar Mossoró. Alegavam que, se com um pequeno grupo Massilon tinha dominado Apodi, juntando o grupo dele com o de Lampião teriam êxito em Mossoró. 



Mas uma empreitada dessa monta precisava de muitos preparativos, como aquisição de munição, traçar rotas, etc., e Lampião não conhecia o Rio Grande do Norte. Não tinha nenhum coiteiro aqui que pudesse dar apoio aos seus planos. Tinha que contar com as informações passadas por Massilon, esse sim, conhecia bem a região, pois havia sido tropeiro em Mossoró. Mas enquanto preparavam o ataque, as notícias iam chegando a Mossoró. E o Cel. Rodolfo Fernandes (foto ao lado), então Prefeito da cidade, acreditou na possibilidade dessa invasão e preparou a cidade para a defesa. Providenciou armas, munição, traçou o plano de defesa, juntamente com os oficiais da polícia local, solicitou as pessoas indefesas que deixassem a cidade, para evitar mortes desnecessárias, de modo que naquela tarde de 13 de junho de 1927, quando os cangaceiros chegaram, tiveram que enfrentar uma verdadeira “chuva de balas”, resultando com a morte do cangaceiro Cochete e com ferimento de diversos outros cangaceiros, inclusive de Jararaca, que ferido no tórax e na parte superior da perna, foi preso no dia seguinte e justiçado uma semana depois. 

O Memorial da Resistência vem resgatar toda essa história, com ênfase para os “Heróis da Resistência”, aquele cidadão comum que, em não podendo contar com apoio de forças oficiais, se viu obrigado a pegar em armas e com risco da própria vida defender a cidade. Esse é o grande diferencial do que podemos chamar de museu do cangaço de Mossoró. Claro que para se falar da defesa, tinha que se falar do atacante. Por isso que o Memorial é constituído de vários prédios: Um dos prédios mostra o que foi o movimento cangaço e os principais cangaceiros. Em outro prédio conta a história da defesa da cidade com bastantes detalhes. Existe ainda um prédio que mostra como era Mossoró em 1927, para que o cidadão possa compreender os motivos que levaram Lampião a atacar a cidade. Todos o s painéis que compõem o acervo são auto-explicativos e sequenciais, de modo que não precisa de guia para se entender a história. Basta ter tempo disponível para circular entre os prédios e conhecer um dos capítulos mais emocionantes da história de Mossoró.
  
Geraldo Maia 
Mossoró RN 
Fonte: blogdogemaia.blogspot.com

http://cariricangaco.blogspot.com/2009/12/o-memorial-da-resistencia-de-mossoro.html 

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FIQUE POR DENTRO - FÁTIMA BEZERRA TOMA POSSE COMO GOVERNADORA DO RN NESTA TERÇA-FEIRA

Por Rafael Duarte

A governadora eleita Fátima Bezerra e o vice Antenor Roberto serão empossados nesta terça-feira (1º), no Centro Administrativo de Natal. A cerimônia ocorrerá em dois momentos – na Escola de Governo e na Governadoria – e está prevista para começar às 15h.

Na primeira etapa, presidida pelo presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza, a solenidade será fechada para convidados, autoridades e imprensa.

Até o momento, dos nomes de fora do Estado, está confirmada a presença do deputado federal Vicentinho (PT/SP). A senadora Vanessa Graziottini (PCdoB/AM) também disse pessoalmente à governadora eleita que viria, mas ainda não confirmou oficialmente.

Segundo a equipe do futuro governo responsável pelo cerimonial da posse, em razão do evento organizado pelo PT no acampamento Lula Livre, em Curitiba, há uma demora na confirmação de mais nomes de autoridades e políticos da legenda de outros estados, o que deve acontecer nas próximas horas.

É a primeira vez na história que o Rio Grande do Norte será governado pelo Partido dos Trabalhadores. Fátima Bezerra foi a única mulher eleita em 2018 para governar um estado do país a partir do próximo ano.

Como o Centro Administrativo está em obras, o único estacionamento disponível será o da secretaria de Justiça e Cidadania, localizado ao lado da governadoria. Caso o número de veículos ultrapasse o limite de vagas o acesso será a pé. Os três portões do Centro Administrativo estarão liberados para os pedestres.

A militância do PT está organizando um cortejo para acompanhar o trajeto de Fátima e Antenor, a partir da Escola de Governo, até a governadoria, um trecho de aproximadamente 800 metros.

Ritual

Na Escola de Governo, Fátima Bezerra e Antenor Roberto prestarão juramento à Constituição e assinarão o termo de posse, além de receberem a bandeira do Estado do Rio Grande do Norte. Em seguida, a governadora – já empossada – fará seu primeiro pronunciamento como chefe do Executivo.

A segunda etapa da cerimônia acontece na governadoria, onde o atual chefe do Executivo Robinson Faria fará oficialmente a transmissão do cargo. Fátima Bezerra e Antenor Roberto subirão a rampa já como governadora e vice legalmente empossados e assinarão o livro de ata de transmissão de cargo, simbolizando o fim  da atual gestão e o início do próximo governo.

Em seguida, ao lado do já ex-governador Robinson Faria, a governadora Fátima Bezerra e o vice Antenor Roberto entrarão no prédio para conhecer oficialmente as instalações do gabinete que ocupará pelos próximos quatro anos.

Após a rápida visita, Fátima e Antenor descerão a rampa da Governadoria juntos para fazer o segundo discurso, o primeiro para a população do Rio Grande do Norte, num palco armado no gramado do Centro Administrativo.

Poderes

Apenas a governadora e o vice eleitos tomarão posse em janeiro. Os novos deputados estaduais e federais, bem como os futuros senadores, começam os mandatos apenas em 1º de fevereiro. A nova mesa diretora da Assembleia Legislativa, incluindo a presidência da Casa, também será escolhida na abertura do ano legislativo, quando a governadora Fátima Bezerra fará a leitura da mensagem anual.

O Tribunal de Justiça também terá novo presidente. O desembargador João Rebouças assume o TJRN pelo biênio 2019/2020 dia 7 de janeiro. O vice será o desembargador Virgílio Macêdo Júnior.

Já no Tribunal de Contas do Estado, o novo presidente Poty Cavalcanti Jr. assumiu o cargo em 19 de dezembro e também ficará à frente do TCE pelos próximos dois anos.

https://www.saibamais.jor.br/fatima-bezerra-toma-posse-como-governadora-do-rn-nesta-terca-feira/

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

LIVRO SOBRE CANGAÇO ADQUIRA LOGO O SEU


O cientista cearense de Lavras da Mangabeira Melquiades Pinto Paiva, publicou entre 2001 e 2008 uma coleção de 5 exemplares com o titulo "Bibliografia Comentada do Cangaço. 

Em 2011 resolveu reunir os 5 volumes, com mais outros apontamentos, num único Volume, com o titulo" CANGAÇO: uma ampla bibliografia comentada", com 390 páginas, capa dura, papel especial, edição de luxo, Editora IMEPH. 

Este trabalho contém o comentário sério e fundamentado de 200 livros, 55 Revistas, 200 artigos de jornais, 140 cordéis e 12 filmes e documentários. 

Livro da mais alta importância para quem deseja fazer um estudo sistemático do fenômeno do Cangaço e formar uma boa biblioteca sobre este tema. Quem desejar adquirir este e outros livros: 

franpelima@bol.com.br - 
Whatsapp: 83 9 9911 8286, 
além de mensagem no face.

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ERONIDES DE CARVALHO DESCONHECIA SOBRE A MORTE DE LAMPIÃO


Por Joel Reis

O Jornal (RJ) ouviu Eronides de Carvalho, interventor Federal do Estado de Sergipe que estava hospedado no quarto 105, do Palace Hotel. Eronides desconhecia sobre a morte de Lampião.


Disse:

- É estranho o fato! A Fazenda Angico está localizada às margens do Rio São Francisco, poucos quilômetros da fronteira alagoana. O governo tem uma estação de rádio na localidade de Monte Alegre, nas proximidades do local onde teria tombado Lampião. Daí minha natural estranheza por não saber sobre o fato.

TELEGRAMA URGENTE PEDINDO NOTÍCIAS

Diante do caso, já amplamente divulgado por todas as estações transmissoras do País, o Sr. Eronides de Carvalho passou o seguinte rádio pela Estação da Polícia Civil do Distrito Federal (Rio de Janeiro):

- Interventor interino Federal de Sergipe.
- Mande notícias urgentes e detalhadas sobre a morte de Lampião em nosso território.
- Abraços. Eronides de Carvalho.

Referindo-se aos últimos dias de Lampião, o Interventor disse:

- Ultimamente Lampião havia dividido o seu bando em seis grupos, que operavam sob suas ordens.
- Há dois meses fizeram excursão ao interior alagoano atacando varias localidades.

FOTOGRAFOU O REI DO CANGAÇO

Antes de terminar a entrevista, depois de olhar o clichê de Lampião publicado num jornal vespertino, fez uma revelação:

- Esta fotografia foi feita por mim, Achava-me em 1929, numa fazenda sergipana, em tratamento de saúde, quando Lampião chegou a casa grande. Estava cansado, apresentava roupas bastante sujas e vinha sendo perseguido pela polícia pernambucana. À tarde, pedi para Lampião posar para a minha Kodak, o pedido foi atendido sem objeção de espécie.

https://viacognitiva.blogspot.com/2018/11/eronides-de-carvalho-desconhecia-sobre.html?fbclid=IwAR3TVn87rha7WIWU1S_Dk0H5IgWLwNf3J6ZWkSDVDSIBYTx_QzDS-T68wxo

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CANGACEIRO DESCONHECIDO


Por Beto Rueda

Cangaceiro desconhecido - com Winchester, alpercatas, cartucheiras, bornais, mantas, lenços encarnados ao pescoço, chapéu de couro, pistola, punhal, cabaças d’água - sem as quais o cangaceiro não penetraria a caatinga ressequida e deserta.


Fotografia apanhada no alto sertão pelo tenente Carlos Lopes da Força Pública de Pernambuco. (Vida Policial - 18 jul. 1925).

P.S.: A indumentária parecida com a de Antônio Ferreira, vulgo Esperança, em 1922, na foto em que ele aparece com Lampião, Livino e Antonio Rosa.
https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?multi_permalinks=979176592291285%2C979655305576747%2C979755735566704&notif_id=1546215668764093&notif_t=group_activity

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O POVOADO CAJUEIRO E A CASA DE ADAUTO FÉLIX



Neste último domingo de 2018, eu estive na comunidade ribeirinha do Cajueiro, ali nas margens do Rio São Francisco, em Poço Redondo. Não fui ali saborear só as delícias do peixe na mesa e do banho na praia d'água doce, mas olhar um pouco a história do lugar e do seu povo.


Além da Capela de Santa Ana, pintada de azul, misturando-se com a luz do Sol da tarde, ali na Rua da Frente, pertinho das águas do Velho Chico, encontrei ali mais para o centro do Povoado Cajueiro a casa onde o coiteiro de Lampião Adauto Felix morou. 


A casa de Adauto Félix está ali resistindo no tempo como uma velha testemunha da história do Cangaço e do povo ribeirinho do Sertão do São Francisco.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2160317740656867&set=pcb.2160317850656856&type=3&theater&ifg=1

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A HORA DIFERENCIADA DO SERTANEJO

*Rangel Alves da Costa

O relógio do sertanejo é ele mesmo que faz, sem precisar de máquina ou ponteiro algum. Conhece o tempo pela sua cor, pela réstia do sol, pela fresta da janela, pelo silvar da ventania.
Não precisa dizer que horas são, ou que faltam tantos minutos para isso ou aquilo. Está no olhar o relógio do sertanejo. Mais que biológico, é um relógio nascido na precisão e na pressa de fazer.
Mas também é uma hora diferenciada. Horário de comer é quando a fome bater, horário de voltar da roça somente quando o cansaço chegar, horário de abrir ou fechar a porta somente quando há necessidade de se fazer assim.
No meio da noite, em plena escuridão, e um canto de grilo lhe informa a hora exata. Bem assim com o zunir da ventania, com o rebuliço no quintal, com qualquer som ouvido lá fora. Não olha para o relógio. Não precisa. Apenas sabe a hora da hora.
“Num acustumo douto jeito não sinhô...”. Diz Zezé Nhôzinho, sertanejo de valia sem igual. E prossegue: “Penso inté que o galo se espanta quano abro a porta da cozinha em direção ao quintá. Tudo santo dia faço ansim...”.
E diz mais: “Que teja de chuvarada ou tempo aberto, nem bem a madrugada se vai e já arrasto meu pé em busca do que fazê. E o que num farta é o de fazê. Faço benzenção perto do santo, entonce só daí me vejo preparado pro dia...


E vai: “Joaninha finge que aina drome, mai sei que num drome não. Logo já tá ajoeiada juntim do oratoro. Reza pelos fio, pela famia, pela terra, pelo bicho, pru tudo. Joaninha nada faz sem Padim Ciço na boca, nada ressorve sem Frei Damião Capuchim.
Prosseguindo: “O canto do quarto inté parece um céu. Mai acho bonito que Joaninha seja ansim. Quem vive sem fé, num é mermo? Eu mermo sô devoto de São José, pai de Jesus e do sertanejo, ansim cuma eu. Bem ansim começa o dia, aina no breu do madrugá...
E vai dizendo: “Mai num tem outo jeito não. O seuviço num dá fuga a gente não. O pão da mesa tá na terra, tá no mato, tá no lombo do bicho, tá toca e na vereda. O sertanejo tem de ir atrás do seu pão, pur isso que bem a luz do dia aparece eu já tô trabaiano...”
“Aceno o fogo de lenha, torro um naquinho de toucim, frevo um café, misturo tudo no bucho e pronto. Quano o sol ser alevanta eu já me fiz de fazê. E pa vortá mai cedo e incrontá na mesa aquilo que Deus quiser. O que é riqueza na mesa do sertanejo, meu sinhô?”
“O pão. O pão que é o feijão, o pão que é a tripa, o pão que é o ovo, o pão que é o naco de carne, o que tiver. E adespois agardecê a Deus. Só Deus que num vai deixa fartá o de comer de amanhã. E tomem Padim Ciço, Frei Damião Capuchim e o meu São José. E José tomem sou. Sertanejo tomem sou. Garças a Deus”.
Então abre a porta e vai para a vida dura. Mas tão cheio de contentamento que mais parece um agraciado de tudo.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

LENHA NA FOGUEIRA! ADEMAR OU BENJAMIM?

Por: Renato Casimiro
Severo me pediu uma opinião sobre o excelente Depoimento de Nirez, com respeito à participação de Ademar Bezerra Albuquerque na realização do filme com Lampião. A rigor, não ouvi ali nada do que não seja o restabelecimento da verdade. Nirez tem a seu favor um zelo muito grande por tudo que lhe cerca, seja na fotografia, na música e em todas as suas manifestações de grande memorialista.

Não há dúvida que o seu depoimento procura esclarecer a verdade sobre aquilo que, historicamente, se aceitou como sendo uma ação de Benjamim Abrahão.

É perfeitamente factível que as atenções de Ademar Bezerra Albuquerque para não perder a oportunidade de realizar o trabalho, através de Benjamim, sejam verdadeiras e incontestáveis. E nisto o Nirez juntou detalhes fornecidos pelo Chico Albuquerque com grande propriedade para firmar a veracidade das afirmativas.

Procurando imagens do Juazeiro antigo, não encontrei em muitos anos uma só que pudesse ser referida ao “fotógrafo” Benjamim. E olhe que ele tinha tudo para fazê-lo, pois no período em que foi secretário do Pe. Cícero, Juazeiro se viu descoberto por uma quantidade enorme de visitantes ilustrados e o dia-a-dia da casa do padre era muito favorável a isto.
Ademar Bezerra Albuquerque 
Pescada em Fortaleza Nobre

Efetivamente, este período de Juazeiro e do Pe. Cícero (época em que Benjamim servia à casa do padre) é muito rico em imagens fotográficas e filmes. A propósito destes filmes, reproduzo o texto que apresentei em nosso então jornal eletrônico Juazeiro on line, na sua edição de 18.01.2009, numa coluna denominada Juazeiro, por aí, que ainda pode ser encontrado disponível em 
http://www.juaonline.info/.

FILMOGRAFIA(I)...

Numa consulta à Cinemateca Brasileira (Secretaria do Audiovisual/Minc), São Paulo, localizei dados sobre os filmes realizados pelo sr. Lauro Reis Vidal, durante sua visita a Juazeiro, em 1925. Foram três películas: um filme original, de 1925, e dois outros montados nos anos 1939 e 1955.

FILMOGRAFIA(II)...

O JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO

(Infelizmente, a Cinemateca Brasileira não possui este filme), é um documentário inscrito na categoria de curta-metragem/silencioso/não-ficção. O material original foi em 35mm, BP, 16q. Produção de 1925, em Fortaleza, onde foi lançado em 08.12.1925, no Cine Moderno. A produtora foi a Aba Film, de Adhemar Albuquerque, que fez a direção. Sinopses: "Surpreendente filme natural apresentando magníficos aspectos da região do Cariri em que se vêem: Joazeiro, Crato, Barbalha e outros lugares, assim como Missão Velha, Lavras, Quixadá, Ingazeiras, Fortaleza, etc.

Impressionante vista do grande açude do Cedro". (Jornal do Comércio, 28.11.1926). "Trata-se de uma bela reportagem cinematográfica do Cariri, zona em que o padre Cícero exerce a sua infatigável atividade e o seu grande prestígio. O Joazeiro, a cidade do padre Cícero, é apresentada em seus diversos aspectos, mostrando o seu progresso, o seu povo, enfim tudo o que ali existe de importante. Além do Joazeiro, o público aprecia outros bonitos pontos do sertão cearense, destacando-se o Crato, Barbalha, Missão Velha e o colossal açude do Cedro, obra grandiosa da engenharia brasileira. De Fortaleza há algumas, como sejam o porto, o passeio Público e o Parque da Liberdade. 

Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. É um filme digno de ser apreciado. Não fatiga o espectador. Ao contrário, torna-se atraente pela variedade de cenas, que desenrola. Além disto satisfaz uma curiosidade: mostra o maior domador de homens dos sertões, o padre Cícero Romão Baptista, que se apresenta em diferentes cenas, entre o povo que o aclama, em sua residência trabalhando, abençoando afilhados e romeiros, discursando, enfim de diversas maneiras é ele visto na tela". 
(Jornal do Comércio, 02.12.1926)

FILMOGRAFIA(III)...

O JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO, o segundo documentário, foi realizado em 1939, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir de um material original anterior, em 35mm, BP, com duração de 8min, 220m, 24q. A produção foi de Lauro Reis Vidal, no Rio de Janeiro.

FILMOGRAFIA(IV)...

PADRE CÍCERO, O PATRIARCA DO JUAZEIRO, o terceiro documentário, foi realizado em 1955, na categoria de curta-metragem/sonoro/não-ficção, a partir do material original em 35mm, BP, com duração de 11min, 300m, 24q. A produtora foi a Filmes Artísticos Nacionais, do Rio de Janeiro, e a co-produção foi de Lauro Reis Vidal, tendo como direção Alexandre Wulfes. Por exigência da época, o documentário passou pela censura em 19.01.1955, com o certificado 31942, válido até 19 de janeiro de 1960.

FILMOGRAFIA(V)...

Comentários: Observe que fotos de Lampião são referidas em período anterior à sua visita a Juazeiro, em 1926. Algumas das cenas destes documentários podem ser vistas em outras produções recentes, tanto para cinema como para TV. Na ilustração da coluna de hoje, o arquivo do Juaonline apresenta algumas delas, em fotos que foram obtidas por Raymundo Gomes de Figueiredo (anos 50), a partir de fotogramas destas películas. Especialmente sobre esta primeira película, encontro um registro cartorial firmado pelo Pe. Cícero nos seguintes termos:
1931, 13 de Novembro 
-  DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA, AO SR. LAURO DOS REIS VIDAL, PARA EXIBIÇÃO DO FILME" JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "ÍNTEGRA: 
" Amigo e Sr. Laudo Reis Vidal. Saudações. Consoante os seus desejos, pela presente, dou a V.S. a exclusividade absoluta para exibição e representação cinematográfica em "qualquer parte do país e fora dele" de filme que diz respeito a aspectos deste município ou fora dele, nos quais figure a minha pessoa. Assim autorizado poderá V.S. fazer a exibição de qualquer película authentica que tenha obtido, ou que possa obter, conforme melhormente consulte as suas conveniencias e as aspirações gerais do povo, a exemplo da que já é de sua propriedade. 
Joazeiro, 13, de outubro de 1931.  
Ass. Padre Cícero Romão Baptista. (Lo. B-l, N° de Ordem 10, p. 18)

No dia seguinte, o Pe. Cícero faz constar no mesmo livro do primeiro tabelionato uma outra comunicação, reafirmando a concessão do dia anterior e ampliando suas prerrogativas:
1931, 14 de Novembro 
DOCUMENTO DO PADRE CÍCERO CONCEDENDO AUTORIZAÇÃO EXCLUSIVA AO SR. LAURO REIS VIDAL, PARA IXIBIÇÃO DO FILME "JOAZEIRO DO PADRE CÍCERO E ASPECTOS DO CEARÁ. "Integra:
"Amigo e Sr. Lauro Reis Vidal. Local. Reportando-me a minha carta passada onde lhe concedo a exclusividade de minha exibição cinematográfica ficando V.S. com plena autorização por ser o único habilitado a propagar o município de Joazeiro e minha pessoa, através da mesma exclusividade, em todos os tempos, como proprietário do filme "Joazeiro, do Padre Cícero e Aspectos do Ceará" ou outro qualquer filme que possa obter; sirvo-me da presente para juntar as fotografias e documentos que solicitou, em relação separada e por mim assignada, como elementos precisos para a via de propaganda acima citada. Encerrando, cumpre-me, de já, agradecer a sua manifesta boa vontade para comigo, os meus amigos e as coisas do Joazeiro. 
Saudações. 
Joazeiro, 14 de novembro de 1931. 
Ass. Padre Cícero Romão Baptista.( Lo.B-l, N° de Ordem 12, p. 19/20).

O ano de 1925 foi pródigo para filmagens em Juazeiro. Conhecemos a película realizada em 11 de janeiro, quando da inauguração da estátua ao Pe. Cícero, na Praça Alm. Alexandrino de Alencar; conhecemos a película realizada em setembro, quando da visita da comitiva do presidente Moreira da Rocha; conhecemos a que foi realizada por Ademar Albuquerque/Reis Vidal; mas não conhecemos uma que teria sido realizada por iniciativa do então deputado estadual Godofredo de Castro, neste mesmo ano.

É muito mais provável que Ademar esteja como realizador em todas estas películas e este relacionamento teria servido para oferecer um treinamento mínimo para o que viria anos depois com o filme de Lampião, pois é neste ponto que o testemunho de Chico Albuquerque a Nirez é importante.

Não tenho dúvida em aceitar que Ademar e Benjamim tornaram-se parceiros, sendo este cliente daquele e a quem poderia realizar pelo motivo apresentado por Chico Albuquerque e Nirez, o da confiança de alguém que não o punha, e a seu grupo, em apuros com a repressão policial.

Embora tenha feito isto, publicamente, em depoimento durante uma edição do Cine Ceará, anos atrás, aproveito a oportunidade para relatar brevemente o que me foi ensejado conhecer desta atividade cinematográfica de Benjamim. No início dos anos 80, eu e Daniel Walker adquirimos uma coleção de fotografias antigas de Juazeiro e alguns pequenos pedaços destas películas que o seu proprietário, Raymundo Gomes de Figueiredo, cidadão juazeirense, mantinha como acervo e no qual se incluíam livros e jornais, e a que deu o nome de Arquivo Benjamim Abraão.

 Benjamim

Quando adquirimos e isto foi divulgado pelo Diário do Nordeste, o fato foi relevado como se tivéssemos adquirido o Arquivo “de” Benjamim Abraão. A família de Benjamim, através de seu filho, então residente em Niteroi e comerciante no Rio de Janeiro, Atalah Abraão, instruído por Eusélio Oliveira, resolveu mover uma ação contra nós dois e a levou adiante nas instâncias de Juazeiro do Norte e Fortaleza. Vencemos nas duas e o material nos foi devolvido, anos depois.

Mais adiante, numa conversa com o ex-senador da república, José Reginaldo Duarte, cuja família criou nos arredores de Juazeiro, o filho de Benjamim, o sr. Atalah, nos chamou para uma conversa onde algumas coisas foram faladas a respeito da frustração que aquele ato determinou para nós e para a família, sobretudo porque ficou demonstrado que nós não havíamos comprado nenhum roubo, portanto, não éramos receptadores de um acervo, até então procurado.

O sr. Reginaldo Duarte nos lembrou, inclusive, que por vários anos, encontrando-se diversos rolos de filmes pertencentes a Benjamim (não se sabe se apenas outros que não o relativo a Lampião) num canto da casa, na localidade de Brejo Seco, proximidades do atual Aeroporto Regional do Cariri, guardados em latas...

...a garotada do sítio tomava aqueles rolos e os queimavam durante as festas juninas. Certamente que por conta do material cinematográfico de então, sua queima se assemelhava a uma chuva de prata, coisa que fazia a garotada delirar.

Este é o fim trágico, pelo qual, inclusive tivemos que pagar duramente por uma suspeita descabida, a partir da ignorância e má vontade do então, meu amigo, Eusélio Oliveira, que não se permitiu aceitar o convite para conhecer de perto o que tínhamos comprado. A grande indagação que ficou, como moral da história foi mais uma grande dúvida sobre o que teria feito ou não Benjamim Abraão, como fotógrafo e cinegrafista, aluno de Ademar.

Em tudo o que mencionei antes e do que ouvi, destaco: Sem querer por fogo na fornalha e já pondo, enfatizo o que registra a ficha da Cinemateca, mencionada: Há também belos trechos da estrada de ferro e fotografias de Lampião e seu grupo. Não é interessante que haja estas fotografias tomadas em data(s) anterior(es) a 1926. Observar que no filme com Lampião, Benjamim aparece usando um bornal com a inscrição Aba Film. Nunca houve omissão de que a produtora foi a Aba Film, de Adhemar Bezerra Albuquerque, que (também) deve ter feito a direção, à distância. Por isto, o depoimento de Nirez corrobora com as indicações anteriores de que ele era, efetivamente, produtor, diretor e fotógrafo destas películas em torno de 1925.

Entre 1925 e 1936, quando filma Lampião, certamente Benjamim já teria apreendido objetivas e eficientes lições para manejar a máquina. Em mais de 10 anos de relação profissional com Ademar, Benjamim só teria feito isto? A resposta se foi, desgraçadamente, no fogo ingênuo das crianças, em noitadas de São João, nos arredores de Juazeiro do Norte.


Renato Casimiro

Pescado no açude do Coroné Severo: Cariri Cangaço

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Ademar%20Albuquerque

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OS PRINCIPAIS LOCAIS ONDE HOUVE ATOS DE LAMPIÃO E SEU BANDO.


Por Zé Cangaço

Encontrei esse mapa e compartilho com os amigos. Os principais locais onde houve atos de Lampião e seu bando. Explore clicando em cada evento e veja detalhes e fotos, inclusive coordenadas. Mas não é bem exato nos alfinetes.

https://www.google.com/maps/d/viewer?mid=1uyB11PN8gW0iYpZtdT8Pkuquqgp83LPz&shorturl=1&ll=-8.604337605523629%2C-39.56276374999999&z=7


https://www.facebook.com/profile.php?id=100010681625071

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DÊXA DE ARRUDEIO, FILIZ ANU NOVU!

Por Beto Rueda

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1604179696394430&set=a.465640850248326&type=3&theater&ifg=1

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BENJAMIN ABRAHÃO - ENTRE ANJOS E CANGACEIROS

Autor Frederico Pernambucano de Mello

Esta obra tem o intuito de trazer a biografia do secretário particular do padre Cícero (1917 a 1934) e fotógrafo autorizado do cangaceiro Lampião (1936 a 1938), que possibilitou uma documentação do cangaço.

Serviço

Título: Benjamin Abrahão - Entre anjos e Cangaceiros
Autor Frederico Pernambucano de Mello
Editora: Escrituras 
Ano de Lançamento: 2012
Assunto: História do Brasil
Número de páginas: 320
Valor: R$ 45,00 (com frete incluso). 

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HISTÓRIA DO CASSACO ZÉ BENTO

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Zé Bento com sua mulher Raimunda e seus 8 filhos viviam em uma casinha de taipa, coberta com palhas de carnaúba, construída em uma nesga de terra que tinha sido desapropriada para a construção do Açude Forquilha, localizada na extrema da montante do referido açude. O Açude Forquilha situa-se ao lado da cidade de Forquilha, na Zona Norte do Ceará. Este trabalhador sustentava sua família exercendo as três profissões que todo sertanejo possui: agricultor, pescador e caçador. Ele, sua mulher e todos os filhos eram analfabetos, porém trabalhadores e sem vícios. O casal vivia para trabalhar para dar comida a sua numerosa prole. Não bebia, não fumava e não jogava baralho nem bozó. Seu trabalho árduo, de sol a sol, só dava mesmo para comprar a comida, pois viviam maltrapilhos e descalços. Sua casinha, muito simples, nem mesa tinha, pois a família comia sobre uma esteira de palha de carnaúba estendida no chão da cozinha. Apesar da pobreza da família, Zé Bento e sua mulher Raimunda viviam felizes, conformados com sua miséria material, que segundo ele era a vontade de Deus. O peixe (curimatã, piau, traíra, cangati, piranha vermelha e mais alguns peixes nativos do sertão semiárido), a carne de caça (preá, mocó, tejo, tatu-peba, tatu-galinha, avoante, marreca-viuvinha, marreca-verdadeira, pato selvagem, veado-catingueiro, tamanduá e outros animais da caatinga) e o feijão de corda, batata-doce e jerimum, cultivados na vazante do açude Forquilha, não faltavam na alimentação da família, pois Zé Bento era muito trabalhador e sempre estava caçando, pescando e cuidando da sua pequena plantação de vazante. Os filhos não estudavam por falta de escola na redondeza do local onde morava. A família ia levando a vida como Deus queria, conforme suas próprias palavras. Eles não possuíam móveis nem roupas, mas o pouco que vendia do que excedia da sua agricultura de subsistência dava para comprar redes de dormir e uma peça de roupa para cada membro da família, por ocasião do Natal, que eles passavam na casa de parentes na cidade de Sobral. A família só se ausentava de sua casa uma vez por ano para ir à Sobral na véspera do Natal, para assistir à Missa do Galo na Igreja da Sé de Sobral, oportunidade em que comprava redes e roupas para usar durante o ano seguinte. 

O casal era dotado de fé religiosa extremada e de muito misticismo. Tinha um pequeno oratório com imagens de gesso do Padre Cícero, Frei Damião, Beato Antônio Conselheiro e de São José, garantidor das chuvas anuais. Aos trancos e barrancos, a família ia levando a vida, até a vinda da terrível seca de 1958, que impediu que Zé Bento encontrasse peixe e caça para matar e que tivesse condições de fazer cultura de vazante no Açude Forquilha, quase seco. 

Quando o DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas abriu uma frente de trabalho na Fazenda Aracati, para construir, em parceria com meu avô, um açude, fornecendo 74 cassacos pagos pelo DNOCS, durante 8 meses, o agricultor Zé Bento alistou-se na referida frente de serviço. Uma cena inesperada, grotesca, foi a chegada daquela família desvalida, no pico do meio dia, descendo da caçamba de ferro de um caminhão de carregar terra. A família, viajando sob um sol escaldante numa estrada carroçal poeirenta e sobre a chapa de ferro quente da caçamba, ficou aliviada quando o caminhão chegou na Fazenda Aracati e eles puderam pular, um a um, de cima da carroceria. Nem animais são transportados assim, no sol, levando poeira quente, em cima de uma caçamba de ferro escaldante. A presença de Zé Bento naquela frente de serviço, aberta para dar trabalho e renda aos flagelados da grande seca de 1958, chamou a atenção de todos, pois foi o único trabalhador que chegou com toda a família e se arranchou debaixo de um pé de oiticica, na beira do Rio Aracatiaçu. Geralmente, os cassacos não levavam a família para o local de trabalho. 

Dava pena se ver a tristeza e o aspecto físico daquela família. Caquéticos, pálidos, empoeirados, sem forças e exibindo uma profunda tristeza e intensa fome convenciam pelo fenótipo qualquer pessoa da necessidade de ajudá-los. Zé Bento, sua mulher Raimunda e os 8 filhos famintos, desnutridos, de cabelos ruivos de tanta poeira da piçarra da estrada carroçal e maltrapilhos sensibilizaram o meu avô, que passou a fornecer alimentos, não somente para o cassaco Zé Bento, alistado na Frente de Serviço, mas para toda a sua família. Meu avô chorou ao assistir a cena animalesca de alegria das crianças ao receber o primeiro prato de comida. Avançaram todos, de uma só vez, sobre a comida, derramando-a sobre o chão da sombra da oiticica. Para impor ordem, meu avô foi enérgico e improvisou uma fila para receber o prato de feijão chumbinho (Feijão Preto), com farinha de mandioca, jabá e rapadura, que foi engolido sofregamente, quase sem mastigar, pelas crianças e adolescentes. Minha avó mandou desocupar uma parte de um galpão, que servia de armazém de ração para o gado, e transferiu a família da sombra da oiticica para o armazém de alvenaria, coberto de telhas. Logo, a família passou a morar com mais dignidade, com latrina a céu aberto, local para banho, potes com água de beber, local para armar as redes nos caibros da coberta, cuias, cuités, gamelas, cochos, bancos de estirpe de carnaubeira, mesa de pau-branco e cadeiras com tampo de couro cru de boi. Sendo homem trabalhador, honesto e de boa índole, com pouco tempo, Zé Bento conquistou a simpatia do meu avô e foi ser vaqueiro da Fazenda Aracati e de lá nunca mais saiu. As secas catastróficas que se abatem sobre o sertão nordestino são realidades cruéis, que transformam homens fortes, determinados e trabalhadores em miseráveis. A fome, a sede e as doenças, especialmente a varíola, a catapora e o cólera, definhavam e matavam o corajoso, destemido e forte sertanejo.

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes

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