Seguidores

sábado, 10 de abril de 2021

FALECEU O MEU AMIGO FRANK D. McCANN, O MAIOR DOS BRASILIANISTAS

Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

Como eu sempre gostei de aprender sobre a Segunda Guerra Mundial e a ligação de Natal, a cidade onde nasci e vivo, com esse período da História, inevitavelmente eu ouvir falar do trabalho do professor Frank D. McCann e seus interessantes livros.

Li três de suas obras e fiquei maravilhado com a profundidade da sua pesquisa sobre a história brasileira e soube que toda sua vida acadêmica foi dedicada ao estudo do nosso país. Descobri que devido ao seu trabalho Frank fez dezenas de viagens ao Brasil, realizando inúmeras pesquisas. Ele fazia parte de um seleto grupo de cientistas e estudiosos que o pessoal das universidades e da imprensa chama de “Brasilianistas”. E Frank foi o maior deles!

Francis “Frank” Daniel McCann (1938 – 2021)

Então, em fevereiro de 2013, através de um texto publicado no nosso TOK DE HISTÓRIA, recebi uma mensagem do próprio Frank McCann (ver https://tokdehistoria.com.br/2012/11/17/4341/).

Daí começou uma intensa troca de e-mails e ele apontou a sua intenção de vir a Natal e me coloquei a sua disposição. Esta viagem ao Brasil possuía como principal objetivo a coleta de dados para futuros trabalhos e rever a cidade de Natal, o prédio da Rampa e a Base Aérea, locais que ele teve oportunidade de conhecer no começo de 1965, através do apoio da Fullbright Associaton.

Na época, na Base Aérea de Natal, recebemos todo o apoio e atenção do Cabo (SMU) Rui Edson Gomes de Melo e do 1º Sargento (BFT) Paulo Alves Correia, bem como do pessoal do CECOMSAER (Centro de Comunicação Social da Aeronáutica) em Brasília.

VISITANDO O PRÉDIO DA RAMPA

Estivemos visitando o prédio histórico da Rampa, que na época estava abandonado e foi até notícia na imprensa local (http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/memoria-esquecida-e-abandonada/254270).

Apesar do tempo curto, deu para levar o amigo Frank para uma típica casa de forró, na bela praia dos Artistas. Foi muito bom.

Esta foi uma visita muito positiva e extremamente proveitosa. Onde conheci uma pessoa muito simples, prática, sincera, aberta ao diálogo e participativa no quesito de dividir informações.

Frank foi embora e nunca mais o vi. Mas nunca deixamos de manter contato.

JUNTO A UM DOS AVIÕES HISTÓRICOS DA BANT

Algum tempo atrás ele me perguntou via e-mail se eu tinha algo sobre os casamentos entre militares norte-americanos que estiveram em Natal durante a Segunda Guerra e as jovens potiguares. Ele me informou que era para um trabalho futuro. Nem pensei duas vezes e enviei o que tinha. Até mesmo porque Frank, apesar de estrangeiro, de morar em outro país, diferentemente de pessoas aqui do Brasil, ou aqui mesmo do Rio Grande do Norte, sempre teve muita consideração pelo que lhe enviei, mesmo que fosse algo simples.

E a via era de mão dupla.

Em 9 de julho de 2019 faleceu meu pai e eu recebi de Frank McCann uma das mensagens que mais me trouxe tranquilidade e paz de espirito em um momento de muita dor e tristeza.  

NO PRÉDIO HISTÓRICO DA RAMPA

O que escrevi foram as minhas impressões e experiências pessoais sobre Frank D. McCann. Já sobre sua carreira, seus trabalhos acadêmicos e outras informações, eu prefiro trazer o que o amigo Durval Lourenço Pereira escreveu em seu site Memorial da FEB (https://memorialdafeb.com/2021/04/03/7933/)

Frank D. McCann – Obituário

A primeira semana de abril termina com uma perda irreparável para a historiografia do Brasil na Segunda Grande Guerra, com o falecimento do professor Frank D. McCann Jr em 2/4, um dos gigantes da História Militar do Brasil[1].

Nascido a 15 de dezembro de 1938, sua vida acadêmica foi dedicada ao estudo do Brasil, que o levou a falar com fluência a Língua Portuguesa. Ministrou ampla variedade de cursos sobre história latino-americana e culturas nativas americanas. Foi o diretor fundador do UNH Center for International Perspectives e teve imenso prazer em orientar os alunos a explorar, aprender e apreciar outros países, culturas e idiomas. Frank achava imperativo que os alunos experimentassem a vida além de suas cidades natais para entender melhor suas próprias raízes, e também para considerar a possibilidade de que eles pudessem prosperar e crescer quando estivessem no Exterior, mesmo que temporariamente. Passou muitas horas incentivando os alunos a terem confiança em suas próprias habilidades e a acreditar que, por meio de muito trabalho e esforço, qualquer pessoa poderia ter sucesso acadêmico, profissional e pessoal.

LIVROS DE FRANK McCANN – Fonte – https://memorialdafeb.com/2021/04/03/7933/

Seu fascínio pela História começou enquanto caminhava pelo Forte Ticonderoga e outros locais históricos com seu irmão mais novo, Bernard, o pai Francis Daniel, Sr., (Kelly) McCann e, antes de sua morte precoce quando os meninos tinham 13 e 8 anos, sua mãe Kay Moran. A Biblioteca Pública Lackawanna, onde Frank e seu irmão passaram muitas horas lendo, tornou-se outro lugar feliz e confortável. Um lugar que Frank imitou ao criar sua própria biblioteca de empréstimos de livros para crianças da vizinhança. Durante o Ensino Médio, Frank se destacou no arco e flecha e na corrida, fazendo parte da equipe católica cross-country da Western New York. Conquistou o posto de escoteiro e passou os verões como conselheiro de acampamento em Adirondacks. Enquanto estava lá, fortaleceu seu profundo e permanente interesse pelos povos indígenas da Nação Iroquois, especialmente o Tonawanda Seneca

Frank obteve seu bacharelado na Universidade de Niagara (1960), onde conheceu Diane, sua amada esposa por quase 59 anos. Obteve o Mestrado em 1962, pela Universidade Estadual de Kent, e um PhD em 1967 pela Indiana University. Sua filha mais velha, Teresa Bernadette (Tibi), nasceu em Bloomington quando ele completou o curso. À época, um grupo de estudantes liderado pela brasileira Teresinha Souto Ward e o refugiado húngaro George Fodor o convenceu a escrever sobre as relações EUA-Brasil.

NA ENTRADA DO SETOR DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA BASE AÉREA DE NATAL EM 2013, JUNTO AO Cb. (SMU) RUI EDSON GOMES DE MELO, QUE COM EXTREMA COMPETÊNCIA E ATENÇÃO APRESENTOU ESTA GRANDE UNIDADE MILITAR DA FAB, JUNTO COM O 1º Sgt. (BFT) PAULO ALVES CORREIA.

Em 1965, uma bolsa acadêmica Fulbright (a primeira de quatro) levou Frank, sua esposa Diane e filhos, ao Rio de Janeiro. Ele faria dezenas de viagens subsequentes ao Brasil, sozinho ou com a família, buscando documentos de arquivo, ensinando, construindo amizades e cruzando o país de carro, avião, e barco — sempre preferindo a estrada ou atalho menos percorrida, frequentemente não pavimentada e ocasionalmente não mapeada. Cada igreja ao longo do caminho mereceu sua atenção. As quase incontáveis ​​viagens fundamentaram seus livros, artigos, resenhas de periódicos e, mais recentemente, centenas de verbetes no Manual de Estudos Latino-Americanos como um dos colaboradores para a História do Brasil.

Seu trabalho de estudo das Forças Armadas Brasileiras foi amplamente respeitado no Brasil.

AQUI FRANK McCANN JUNTO A UM DOS CAÇAS DA NOSSA MARINHA DE GUERRA, QUE ESTAVA EM 2013 TEMPORARIAMENTE NA BASE AÉREA DE NATAL.

A Aliança Brasil Estados Unidos, 1937-1945 e Soldados do Pátria: uma História do Exército Brasileiro, 1889-1937, foram traduzidos e publicados em Língua Portuguesa (o primeiro foi vencedor do Prêmio Bernath e recebeu menção honrosa para o Prêmio Bolton)Também foi coeditor de Modern Brazil: Elites and Masses in Historical Perspective.   O governo brasileiro reconheceu seu compromisso com o estudo do País, conferindo-lhe o título de Comendador na Ordem do Rio Branco (1987) e a Medalha do Pacificador (1995).

Frank lecionou na Universidade de WisconsinRiver Falls e na Academia Militar dos Estados Unidos (West Point) como capitão do Exército. Completou o pós-doutorado na Universidade de Princeton e também foi professor visitante na Universidade do Novo México (Albuquerque), na Universidade de Brasília e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. As aventuras acadêmicas o levaram a muitos países da América Latina, além da Polônia, Bulgária, Inglaterra, Irlanda e Nigéria, entre outros lugares. Frank e Diane desfrutaram de aventuras em Belize, México, Canadá, Itália, Turquia, Espanha, França e grande parte dos Estados Unidos, especialmente no norte da Califórnia, Washington D.C. e em muitas pequenas cidades na Virgínia. 

FRANK FOTOGRAFADO JUNTO AO HANGAR DE NARIZ DA US NAVY

Seu eclético gosto musical incluía cantos gregorianos, samba, Clancy Brothers, Armstrong, Sinatra, Miles e muito mais. Um jantar sem MPB (Musica Popular Brasileira) para “criar um clima” era tão impensável quanto um bar que servia um medíocre Manhattan (só bourbon do Kentucky, por favor!). Ávido canoísta e esquiador, seu apreço pelo ar livre estendia-se às horas que passava cuidando de árvores, arbustos e outras plantas em sua casa em Durham.

JUNTO COM O Cb GOMES NO ANTIGO HANGAR DE NARIZ DA USAAF

Ao lado de John W. F. Dulles (1913-2008) e Stanley E. Hilton (1940), McCann fez parte de uma geração notável de brasilianistas (acadêmicos com o foco de pesquisa no Brasil). Seus estudos e vasta produção literária primam pelo ineditismo, base em fontes primárias, na escrita elegante, na inteligência apurada e, sobretudo, na humildade espontânea. Atendia com fina educação a todos que lhe consultavam, buscando informações de todo o tipo. Foi o primeiro historiador a obter acesso a documentos sigilosos dos EUA a respeito da participação da FEB na Segunda Grande Guerra. Porém, ao contrário de aventureiros sedentos pelo sensacionalismo irresponsável nos anos seguintes, Frank tratou essas informações confidenciais com profissionalismo, equilíbrio e ponderação em sua primeira obra: The Brazilian-American Alliance 1937-1945 (lançada nos EUA em 1973).

Seu robusto Soldados da Pátria (2009) constitui fonte de referência oficial para os alunos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME). Já o clássico A Aliança Brasil -Estados Unidos, 1937-1945 (editada pela Bibliex em 1995) foi complementado pelo livro Brazil and the United States during World War II and Its Aftermath: Negotiating Alliance and Balancing Giants, ainda sem tradução para o nosso idioma. Trata-se de uma referência essencial para os historiadores e pesquisadores do tema: a “cereja do bolo” da sua produção literária voltada para a pesquisa da História Militar do Brasil na Segunda Guerra Mundial e das relações Brasil-EUA — que permanece insuperável, seja por autores brasileiros ou estrangeiros.

Deixa sua esposa Diane e uma grande família irlandesa-americana.


[1] Texto elaborado com base no obituário disponível em: https://www.kentandpelczarfh.com/obituary/francis-mccann-jr

https://tokdehistoria.com.br/2021/04/07/faleceu-o-meu-amigo-frank-d-mccann-o-maior-dos-brasilianistas/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO GRITAVA...

 Por Erick Bap

Lampião gritava assim;
macacada!
Cuida,
aqui é Lampião.
Ai o tempo fechava

https://www.facebook.com/photo?fbid=764714777773398&set=gm.1173136809824160

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ESTÁTUA DE LAMPIÃO.

 Por Geovane Farias

Estátua de Lampião tem em todo lugar, principalmente, no Nordeste. A idéia é CONSTRUIR estátuas gigantes de Lampião em todas as capitais dos Estados Nordestinos.

https://www.facebook.com/groups/471177556686759

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JURITI - O CANGACEIRO VAIDOSO E CRUEL

 https://www.youtube.com/watch?v=-SKA14_tsRE&ab_channel=NordesteFant%C3%A1stico

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CABELEIRA O PRECURSOR

 https://youtu.be/8WHmifrGzp4

Nordeste Fantástico

#Cabeleira#JoséGomes#Cangaço​ O vídeo trata-se de um resumo da história de José Gomes (O Cabeleira). O bandoleiro é considerado o primeiro "cangaceiro", o bandido sanguinário teve uma trajetória marcada por mortes, assaltos e invasões ao lado do próprio pai.

https://www.youtube.com/watch?v=8WHmifrGzp4&ab_channel=NordesteFant%C3%A1stico

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ESTRANHA...

Por Antonio Corrêa Sobrinho

"ESTRANHA CONFRATERNIZAÇÃO", publicação do jornal carioca, Correio da Manhã de 06.04.1926, é o texto que trago a seguir, para marcar a passagem dos 95 ANOS da histórica visita do célebre chefe de cangaceiros, VIRGULINO FERREIRA DA SILVA, "LAMPIÃO" ao famoso líder político e religioso do sertão nordestino, PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA, em Juazeiro do Norte (CE).

ESTRANHA CONFRATERNIZAÇÃO

Chegou à Meca do padre Cícero, chefiando um grupo de meia centena de bandidos, o celebérrimo cangaceiro “Lampião”, cuja participação no cangaço daria para escrever já alguns volumes. Diz a imprensa do Ceará que os habitantes da localidade estão alarmados com as novas atitudes belicosas do improvisado cabo de guerra, que, ao contrário do que faria supor a marcha dos acontecimentos, entrou em Juazeiro como em casa amiga...

A cidade do padre Cícero é, como se sabe, o quartel-general das tropas improvisadas para impor, ao sertão, o regime da lei... Lá se encontram, ao que se diz, oitocentos homens em postura de tremenda ofensiva, ainda com os rifles fumegantes das últimas escaramuças empreendidas contra brasileiros. São os esteios da chamada ordem, que desembainharam as suas facas e descarregaram as suas espingardas, quando há pouco formavam nas hostes do generalíssimo Floro Bartolomeu. Oitocentos eram, assim, os representantes da lei que alguns devotados amigos da segurança constitucional armaram para que a defendessem, como se fossem a guarda cívica do direito e da justiça. Subitamente, esses guardas de um sacrário defensores do dogma da moral política, se encontram frente a frente, lado a lado, com uma récua de bandidos, de heróis da tragédia façanhuda, campeões da desordem e partidários extremos da proscrição da lei, cuja conservação seria o seu aniquilamento. Era o momento para que as duas antíteses se repelissem. O choque seria formidável, dada a veemência dos contendores; mas conhecida a superioridade numérica dos representantes da invocada legalidade, não restaria dúvidas sobre o desfecho do encontro: seriam aniquilados os cangaceiros, os bandoleiros, cuja odisseia, escrita com o sangue das suas vítimas, tem revoltado as almas puras do sertão; encontrariam, ali, o seu merecido castigo, o seu fim almejado... Nunca mais a anarquia campearia naquelas paragens; a ordem jurídica, a ordem civil, seriam finalmente restabelecidas nas famílias do sertão.

Mas, contra aquilo que mandaria prever a lógica dos fatos, Lampião, a encarnação da desordem e do latrocínio, alma do crime, foi recebido pelas hostes do padre Cícero, como se volvesse, com os seus facínoras, à casa doméstica após uma campanha sagrada. Mostrou as suas credenciais, entendeu-se com o ex-cura e foi quanto bastou para que aos perigosos bandidos, terror dos sertanejos honestos, se abrissem as portas da cidade sagrada, hoje convertida em fortaleza da lei. Não se movera, contra ele, a polícia do padre Cícero, tão numerosa quanto excelentemente municiada.

Lampião não se dirigiria, seguramente, àquele campo de soldados, improvisados para defender a ordem e as instituições que ele sempre desrespeitou, senão sabendo que aquelas oitocentas carabinas não seriam despejadas sobre os seus companheiros de armas. Se ele procurou o acampamento do padre Cícero, foi por saber que ali encontraria aliados seus... Assim se explica o seu desassombro; assim se compreende o seu cinismo, ostentando uma farda de coronel do Exército, e cercado de um verdadeiro estado-maior. Os facínoras adivinhavam que espécie de acolhimento lhes seria dado... Nem a sua declaração de que havia incendiado uma propriedade rural, uma fazenda na Paraíba, despertou a consciência legalista dos soldados acampados em Juazeiro... Nem a sua confidência de que ia atacar uma cidade importante de Pernambuco, acordou aqueles defensores da ordem e do regímen...

Um dia, quando soprarem outros ventos sobre os horizontes do país, a nação poderá examinar a verdadeira explicação desse fenômeno: um bandido em arma, fardado de coronel do Exército, é recebido dessa forma pelos representantes da chamada organização constitucional. Por ora basta que relatemos os fatos, deixando aos moradores do Nordeste que antevejam os perigos que esses surpreendentes episódios anunciam para a sua paz doméstica...

Correio da Manhã (RJ) – 06.04.1926

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

SINHÔ PEREIRA E SUA HISTÓRIA.

Por Beto Rueda

...( ) Do país nordestino, de veredas misteriosas, picadas enigmáticas, esquinas imaginárias trançadas pelos cotovelos dos rios e riachos secos, da região ensolarada. Tão diversa do aquém São Francisco, bem mais bárbara que os frios e brumosos cerrados do planalto central, que vão de Minas aos confins de Goiás(MACEDO, 1980).

Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira), nascido em Vila Bela - PE.(hoje Serra Talhada), no dia 20 de janeiro de 1896. Filho de Manoel Pereira da Silva e Constância Pereira da Silva. Era oriundo de uma importante família do semiárido, descendente do Barão de Pajeú.

Os Pereira estavam envolvidos com disputas acirradas com outros grupos políticos e econômicos da região, em especial a família Carvalho. Influência política e posse de terras eram os principais pontos de conflito.

Esses atritos desencadearam em uma série de assassinatos e vinganças, o que desestabilizou os clãs. Algumas dessas mortes, em especial a de um patriarca próximo de Sebastião, fizeram com que ele e o primo, Luiz Padre, fossem atrás de vingança contra a impunidade através do cangaço.

Sinhô Pereira formou um bando que costumava atuar principalmente em Pernambuco, rapidamente ganhou destaque na atuação em batalhas, por sua coragem e habilidades de guerrilha.

Mesmo com fama de justiceiro, Sebastião não se sentia bem em estar à margem da lei. Isso o levou a se afastar do cangaço por um tempo e buscar uma vida comum. Porém, logo, retornou às ações de bandoleiro. No início de 1919, estava novamente à frente do seu antigo grupo, no total de 23 homens.

No ano seguinte, após a morte do pai, os Ferreira(Antônio, Levino, Virgolino) e Antônio Rosa, que já andavam com Antônio Matilde e os Porcinos, procuraram Sinhô Pereira e se incorporaram ao bando. Foi um assombro, praticaram muitos crimes juntos.

Em 1922, acossado por todos os lados, decidido a ir embora para Goiás, arquitetou e determinou a execução de uma última empreitada na Paraíba: o ataque ao povoado de Jericó em Catolé do Rocha e o assalto a três coronéis: Valdevino Lobo(fazenda Dois Riachos) Adolfo Maia(Curralinho) e Rochael Maia(Arruda), onde roubaram muito dinheiro e ouro.

Em 08 de agosto 1922, Sinhô Pereira resolve abandonar a vida errante definitivamente. Acompanhado dos cangaceiros Vicente e Lavandeira, deixou o cangaço e partiu para Dianópolis (na época em Goiás, hoje em Tocantins), onde o seu primo Luiz Padre o esperava. O grupo composto por Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Gato, Elias, Antônio Rosa, Meia Noite, Coqueiro, Plínio, Bem te Vi, Patrício, Raimundo, Agostinho, João Genoveva, Pedrão, Zé Dedé, José Melão, Laurindo, João Mariano, Antônio Mariano, tinha um novo comandante: Virgolino Ferreira, o Lampião. Apagava-se uma fogueira e acendia-se outra.

Depois de muitas histórias em terras do cerrado e montanhas, Sinhô Pereira retornou ao Pajeú somente em junho de 1971 para visitar os familiares em Serra Talhada.

Faleceu de causas naturais no dia 21 de agosto de 1979, na cidade de Lagoa Grande - MG. aos 83 anos.

Terminava ali a jornada do velho cangaceiro que um dia foi o chefe do rei do cangaço.

REFERÊNCIAS:

MACEDO, Nertan. Sinhô Pereira: o comandante de Lampião. 2.ed. Rio de janeiro: Renes, 1980.

SOUZA, Anildomá Willans de. Nas pegadas de Lampião. Serra Talhada: Esdras Graphic, 2004.

ARAÚJO, Antônio Amaury Corrêa de; ARAÚJO, Carlos Elydio Corrêa de. Lampião: herói ou bandido? São Paulo: Claridade, 2009.

ARAÚJO, Antônio Amaury Corrêa de. Lampião: segredos e confidências do tempo do cangaço. 3.ed. São Paulo: Traço, 2011.

OLIVEIRA, Bismarck Martins de. Cangaceiros de Lampião: de A a Z. 2.ed. João Pessoa: Mídia Gráfica e Editora, 2020.

 https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O COMOVENTE E ASSOMBROSO ENFORCAMENTO EM SOBRAL. CONTO NOVO - 10/04/2021

 Por João Filho de Paula Pessoa

https://www.youtube.com/watch?v=Qb-hbx6J-vU&ab_channel=ContosdoCanga%C3%A7o

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 9 de abril de 2021

DIA 15 DESTE UMA LIVE NO INSTAGRAM DA CIA.

 

Dia 15 terá uma live no instagram da Cia. Mandacaru falando sobre o livro As Mulheres no Cangaço ( Atenção eu não sou bonita assim não).

Eu pretendo falar sobre a construção e a ideia de fazer o livro.

Pretendo falar sobre a situação das mulheres cangaceiras, o ano em que elas entraram, das que foram por amor e pela dor, e pretendo responder a todas as perguntas que o meu amigo Joylson Kandahar me fizer.

https://www.facebook.com/groups/GrupoCangacologia/?multi_permalinks=3992534740803469%2C3992690120787931%2C3985923571464586%2C3991834114206865%2C3988880151168928&notif_id=1617755229045162&notif_t=group_activity&ref=notif

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MAIS UM ELO DA HISTÓRIA SE FOI , HOJE. sr. CAMILO NOGUEIRA ...VÍDEO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=FabE_bi-EeM&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Faleceu, hoje, em Serra Talhada-PE, o senhor CAMILO NOGUEIRA, que era, O ATUAL PROPRIETÁRIO da Fazenda Ingazeira/SÍTIO PASSAGEM DAS PEDRAS, , que pertenceu ao pai de Virgulino e local onde Lampião nasceu. Tive o prazer de conhecer o Senhor Camilo e lamento por sua partida. Um dos últimos elos de ligação com o passado.

OBS: Mais um vídeo com o selo e qualidade Aderbal Nogueira...

Data do vídeo: realizado em 2019

https://www.facebook.com/groups/GrupoCangacologia/?multi_permalinks=3992534740803469%2C3992690120787931%2C3985923571464586%2C3991834114206865%2C3988880151168928&notif_id=1617755229045162&notif_t=group_activity&ref=notif

http://blogodmendesemendes.blogspot.com

MARCO DO SÉCULO XX

Clerisvaldo B. Chagas, 10/11 de abril de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.508

Foi pensando em um marco para o final do Século XIX e início do Século XX que o sacerdote Manuel Capitulino de Carvalho, de Santana do Ipanema resolveu erguer um monumento. Assim, na parte alta da cidade o padre construiu um monumento em que foi aproveitada a religião católica na marcação limiar dos séculos. Dedicou a obra à Nossa Senhora da Assunção. Feita a igrejinha/monumento, Capitulino – tudo indica que foi ele – encomendou uma imagem em Portugal da santa escolhida.  A imagem de Nossa senhora Assunção viajou de navio de Portugal ao Brasil, andou de trem de Maceió a Viçosa e de lá chegou a Santana do Ipanema viajando em lombo de jumento. Finalmente foi entronizada na capelinha que aguardava a sua chegada. Tudo leva a pensar que a imagem de Nossa Senhora de Fátima ocupava provisoriamente aquele lugar de oração.

IGREJINHA/MONUMENTO EM 2013. (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).

N.S. Assunção foi recebida com festa e basicamente daí em diante, o monumento/igrejinha, além de marcar o início do Século XX, também originou o nome do novo bairro que se iniciava por ali: Bairro do Monumento. Ao mesmo tempo da construção da igrejinha, também era erguido um cruzeiro de pau no morro da Goiabeira com a mesma finalidade da igrejinha. O morro da Goiabeira passou a se chamar, então, serrote do Cruzeiro. Só em 1915 foi construída uma ermida no alto do serrote, mas nada tinha a ver com marco de alguma coisa, tendo sido apenas motivos de uma promessa particular.

Em 1938, as cabeças dos onze bandidos trucidados na fazenda Angicos, Sergipe, pela polícia alagoana, foram expostas nos degraus da igrejinha do Monumento, inclusive as de Lampião e Maria Bonita. Primeiro foram apresentadas em latas de querosene com álcool e formol, depois distribuídas nos três degraus, forrados com lençol branco. Multidões se aglomeravam e chegavam repórteres de todas as partes do País, inclusive do Rio de Janeiro. O evento motivou feriado em Santana, escolas fechadas, desfiles das forças com seus troféus, discursos, bebedeiras e banda de música nas ruas.

Foi ali onde se misturou a paz das orações e a violência do mundo.


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MORRE CAMILO NOGUEIRA DONO DAS TERRAS QUE PERTENCERAM AOS FERREIRAS.

 Por Geraldo Júnior

Fotografia enviada por Luiz Ferraz Filho.

Hoje (09/04/2021) acordei e recebi a triste notícia a respeito do falecimento do senhor Camilo Nogueira, atual dono das terras que pertenceram a família de Lampião.

Diante do ocorrido expresso aos familiares meus mais sinceros sentimentos.

Que o senhor Camilo alcance a paz e o descanso nos braços de Deus.

Meus pêsames.

https://www.facebook.com/photo?fbid=1860417594122128&set=gm.3991661144224162

 http://blogdomendesemendes.blogspot.com

SILA FALA DE TRAIÇÃO, DO NOME DOS CANGACEIROS E O QUE ACONTECIA QUANDO ELES MORRIAM

Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=utQ1ElrUyDU&list=RDCMUCG8-uR9AwvjAzQddbT3t3fg&index=2&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

VÍDEO SENSACIONAL.. VÍDEO..!

Por Geraldo Júnior
https://www.youtube.com/watch?v=q_AsBC1fiiI&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

O maior e mais importante encontro de ex-cangaceiros do bando de Lampião.

Fonte: Cangaçologia /Youtube

Geraldo Antônio

http://blogdomendesemendesa.blogspot.com

 

 

FAZENDA PEDREIRA

Por Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=zpDSH5iVqDU&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Faleceu o senhor Camilo em Serra Talhada. O amigo Luiz Ferraz fez o comunicado.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO: VIDA E MORTE DE LAMPIÃO | EM DISCUSSÃO

Por Alepe 

https://www.youtube.com/watch?v=6QDlfYOGTto&t=421s&ab_channel=Alepe

Lampião, figura central do Cangaço, é o objeto de estudo do historiador Frederico Pernambucano de Melo, uma das maiores autoridades do assunto no Brasil. Ele é autor, entre outras obras sobre o tema, do livro "Apagando o Lampião: vida e morte do Rei do Cangaço".

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

UTENSÍLIOS DA FAMÍLIA FERREIRA

 Por Aderbal Nogueira

Seu Camilo era o dono das terras onde nasceu Lampião. Conhecia muitas histórias contadas por seu pai. Lamento sua partida.

https://www.youtube.com/watch?v=54Hr6CLnAeM&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PRÍNCIPE PHILIP, MARIDO DA RAINHA ELIZABETH II, MORRE AOS 99 ANOS

 Por Internacional do R7

Príncipe Philip morre aos 99 anos na Inglaterra - REPRODUÇÃO

Em nota, Palácio de Buckingham disse que duque de Edimburgo morreu durante a manhã no Castelo de Windsor

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, morreu aos 99 anos nesta sexta-feira (9). 

Em nota, o Palácio de Buckingham disse: "É com muito pesar que a Vossa Majestade, a rainha, anuncia a morte de seu querido marido, o príncipe Philip, duque de Edimburgo. Vossa Majestade morreu tranquilamente nesta manhã no Castelo de Windsor". 

O palácio ainda não divulgou informações sobre o funeral do príncipe.

Em fevereiro, Philip foi internado em um hospital de Londres após passar mal. Ele passou por uma cirurgia cardíaca e passou um mês sob cuidados médicos. 

O duque e a rainha foram casados por mais de 70 anos, se tornando o casal real mais longevo da história da Inglaterra.

O príncipe viajou o mundo ao lado da rainha e cuidou de uma série de programas sociais nos anos 90, até que em 2017 ele decidiu se aposentar da vida pública.

https://noticias.r7.com/internacional/principe-philip-marido-da-rainha-elizabeth-ii-morre-aos-99-anos-09042021

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

O EX-CANGACEIRO AZULÃO

Foto do Ex-cangaceiro Azulão e sua filha.

O EX-CANGACEIRO AZULÃO

Poema de Conrado Matos
Ângelo Maurício da Silva
Um cangaceiro querido
Do bando de Lampião
Seu apelido Azulão
Noite de onze mortes em Angico
Morrendo nove cabras de Lampião
Maria Bonita e o soldado Adrião
Para contar história ficou Azulão
Azulão veio a se regenerar
Mais tarde vem a se entregar
Desejava deixar a valentia
Largando o cangaço um dia
Quando largou o bando
Reviveu tanta história a contar
Na velhice sempre recordando
O que teve que suportar
No cangaço não quis ficar
Queria um lugar pra trabalhar
Era respeitado onde vivia
Pelos amigos e sua família
O destino do cangaceiro Azulão
Foi de ser vítima da rejeição
Não justifica o crime pelo crime
Nem justifica a justiça na omissão
Conrado Matos - Psicanalista,
Poeta, Escritor sergipano,
residente em Salvador há 39 anos.
Autor do livro A RECEITA da FELICIDADE
vem de VOCÊ.

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com