Posso,
pessoalmente, dizer como foram importantes para o Sertão alagoano e para o
interior de todo o Nordestes na década de 60, o pão e a farinha. É verdade que
no Sertão alagoano os dez anos da década falada acima, foram de uma riqueza
nunca vista. Todos os dez anos foram de bons invernos, a ponto de o próprio
povo, satisfeitíssimo nas ruas, exclamasse espontaneamente: Bem que o
padre Cícero falava que o Sertão iria virar mar e o mar virar Sertão. Isso
não queria dizer, porém, que não tivesse pobreza. Tinha sim. Muita pobreza. A
padaria, sempre a primeira indústria de lugar pequeno, foi importante ao
extremo para a classe média, mas também o refrigério da pobreza. O remédio de
urgência da fome era o pão nas mais variadas formas: francês, crioulo, doce,
carteira, alagoas ou mesmo em outra forma de massa como o bolachão.
Por outro
lado, a farinha de mandioca, então, o produto do almoço mais barato da época,
foi o grande socorro do pobre fixo e dos inúmeros mendigos que pareciam fazer
filas nas ruas sertanejas. E sendo o produto mais acessível, 90% das esmolas
nas residências, era farinha de mandioca. Riquíssima em carboidratos, foi
sempre usada pelo pedinte misturada com água para pequenos bolos puros para
tapear a fome. E se o pão já era usado na Antiguidade como produto básico,
continua sendo no Século XXI. E a farinha que vem desde os tempos de nossos
avós e bisavós foi o destaque do uso da mandioca das casas de farinha de Sertão
e Agreste. Fez parte do prato típico sertanejo: feijão, arroz e farinha.
Ao entrar o
ano de 1970, acabou-se o MAR do Sertão. Uma seca feroz tomou conta do
semiárido, a fome, apertou geral e novamente a farinha de mandioca e o pão
voltaram como os primeiros socorros. É de notar que no final do Século XX,
muitas regiões produtoras de mandioca, deixaram de plantar e as novas casas de
farinha cerraram suas portas, no Sertão. Entretanto, houve como compensação,
movimentos organizados nos Agrestes, por essa industrialização. Em Alagoas é
famosa a chamada farinha de Sergipe, branca, torrada e fininha. Mas
já existe uma farinha de Arapiraca, fininha, torrada, amarelada e altamente
gostosa que vem fazendo um sucesso danado por onde chega.
Quem for ao
povoado Bonsucesso, no Município de Poço Redondo nesta segunda-feira, Dia Santo
de São Sebastião, vai avistar o mais belo folguedo popular do Brasil. As
Cavalhadas.
De tradição
portuguesa, as Cavalhadas têm origem nos tempos medievais. Chegaram aos sertões
do Brasil por meio da Igreja Católica nas suas ações de evangelização de índios
e escravos. É uma representação das lutas e batalhas dos mouros e cristãos,
inspiradas em narrativas na recriação de torneios medievais.
Nos sertões de
Sergipe, principalmente nos primeiros currais e casas grandes, as Cavalhadas
eram compostas, no início, de negros escravizados. Em Bonsucesso, as primeiras
encenações de Cavalhadas se deram ao lado da casa grande da Fazenda Belo Monte
(hoje Bonsucesso), como “um agradar” aos olhos de visitantes ilustres. Os
vaqueiros (negros) dos currais de gado desciam para a casa grande para os
ensaios e as culminâncias nos dias de visitas e dos santos de oratório da casa.
As cavalhadas
são história e cultura dos povos ribeirinhos e sertanejos, que, mesmo
historicamente impostas pelos brancos, os negros e sertanejos do campo
tornaram-na como um fazer cultural e fazem-no até nos dias atuais.
Massilon deixou seu nome marcado na história do cangaço. Não há como falar de Lampião e a invasão de Mossoró, em 1927, sem sitar o nome de Massilon, já que seu nome é considerado um dos elaboradores dessa ação.
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A história de Antônio Silvino o Rifle de Ouro. O cangaceiro mais famoso do Nordeste antes do surgimento de Lampião. Antônio Silvino que foi intitulado pela imprensa da época como o "Governador do Sertão, "título" que Lampião herdaria anos mais tarde.
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Imagem adquirida na página do Relembrando Mossoró.
Corina Pereira era prima legítima do meu pai Pedro Nél Pereira, filha de Luzia Maria da Conceição, que era irmã da minha avó Herculana Maria da Conceição. Seus avós maternos eram: Galdino Pereira Xaxá e Joana Maria do Vale.
Esta é a nossa bisavó, para aqueles não a conheceram. Mãe da minha avó, Herculana Maria da Conceição. Eu a conheci quando ainda era criança. Ela era esposa de Galdino Pereira Xaxá, que também era meu bisavô.
Não se sabe quantas invencionices ainda serão criadas daqui para frente sobre a morte do famoso, perverso, sanguinário e rei do cangaço capitão Lampião. São histórias totalmente fundidas na mente de quem não tem nenhum compromisso com a verdade, quase sem pé e sem cabeça, assim como diz o dito popular, que Lampião escapou do ataque feito pelas volantes policiais aos cangaceiros na Grota do Angico, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Fazenda Forquilha, em terras de Porto da Folha, hoje denominada Poço Redondo, no Estado de Sergipe.
Corpo de Lampião na Grota do Angico no dia 28 de julho de 1938
Os criadores de histórias sobre o rei do cangaço capitão Lampião dizem que, ao sair da Grota do Angico o facínora tomou rumo para o Estado de Minas Gerais, e por lá, morreu de morte natural no ano tal, tal e tal. Todas estas histórias já inventadas são verdadeiras "aberrações", assim como diz o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira.
Se você quiser adquirir este livro entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br
Já falaram tanto da sua morte e que muitos destes não pesquisaram absolutamente nada, inventaram o que bem quiseram, que Lampião morreu aqui, ali, acolá, menos na Grota do Angico. Mas nós que estudamos o movimento social dos cangaceiros, acreditamos plenamente, que ele foi abatido lá na Grota do Angico, naquela madrugada triste do dia 28 de julho de 1938.
Ninguém mais conta a verdade do que os pesquisadores, escritores e cineastas que fazem os seus trabalhos com seriedades, que enfrentaram e ainda continuam enfrentando os cerrados e a caatinga para fazerem as suas pesquisas, apanhando os dados na fonte, isto é, no meio de quem presenciou todo desenrolar dos perversos e sanguinários bandidos nos sertões nordestinos.
As datas da morte de Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião, apontadas pelos depoentes, nenhuma bate com as outras que foram citadas por outros criadores de histórias fantasiadas, mas isto faz parte de qualquer estudo, simplesmente por quererem aparecer no mundo cultural.
Neli Conceição filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha e José Geraldo Aguiar.
O saudoso escritor e fotógrafo José Geraldo Aguiar, que nasceu na Vila do Morro (município de São Francisco), em 16 de outubro de 1949, e escreveu um livro sobre o suposto Lampião que residia em Buritis, no Estado de Minas Gerais, revela que ele morreu no ano de 1993.
Vamos ler estes pequenos parágrafos que escreveu o autor:
(...)
"Há quatro anos e meio, Aguiar recolhe dados sobre um fazendeiro, dono de 300 hectares, que se instalou no início dos anos 50, na margem esquerda do rio São Francisco, na cidade que leva o mesmo nome do rio, em Minas Gerais. Alguns fatos estranhos cercaram a vida do fazendeiro. Aguiar identificou pelo menos dez nomes diferentes usados por ele. Tanto que o conheceu como João Lima, os amigos tratavam-no por Luís, na lápide do cemitério está escrito Antônio Teixeira Lima, e na certidão de óbito, consta o nome Antônio Maria da Conceição.
O fazendeiro morou em pelo menos 15 cidades diferentes com Maria Lima (supostamente Maria Bonita), em quatro Estados (Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Goiás) - além de São Francisco, ele morou em Montes Claros, Irecê e Buritis, entre outros municípios. A tendência foi sempre morar às margens do rio São Francisco.
Com Maria Lima teve dez filhos, o mais velho hoje com 63 anos. Em uma viagem à Bahia, conheceu Severina Alves Moraes a Firmina, com quem teve uma filha, hoje com 22 anos. Depois da morte de Maria Lima, o fazendeiro passou a morar com Firmina.
Segundo Aguiar, o fazendeiro temia represálias pelos crimes atribuídos a Lampião e, por isso, além de se esconder durante todo esse tempo, só autorizou que sua história fosse contada após sua morte".
(...)
Uma pergunta que jamais será respondida, vez que o escritor já faleceu: Por que o fotógrafo José Geraldo Aguiar pediu às autoridades mineiras o direito de exumação dos restos mortais do suposto Lampião de Buritis, quando seria bem mais fácil colher o material necessário para o "DNA" com a filha de Severina Alves Moraes a Firmina, que é ou era também filha do Lampião de Buritis? Confira clicando no link abaixo:
Para fazer o "DNA" dos restos mortais deste senhor, que foi enterrado em Buritis no Estado de Minas Gerias, não seria tão difícil, porque a filha do suposto Lampião, com Severina Alves de Morais, a Firmina, que por lá reside, tem o material necessário, sem necessidade de abrir túmulo para fazer a exumação da ossada dele.
Mas até hoje, a gente não sabe o que é que impede que as autoridades não têm interesses para colocarem um ponto final nesta dúvida, que o cangaceiro capitão Lampião teria morrido em Buritis, e não no Sertão nordestino, no Estado de Sergipe.
Colorida por Rubens Antonio
Este outro senhor abaixo, ex-volante que aparece no vídeo acima, no início do texto, de nome Andrelino Pereira Filho, que serviu entre o ano de 1922 e 1938, na Corporação policial do Estado de Pernambuco, e é o único policial ainda vivo (não sei se já faleceu, porque a entrevista foi em 2018), do período da chacina aos cangaceiros na Grota do Angico, afirma que o capitão Lampião morreu no ano de 1963, numa propriedade denominada "Fazenda São Francisco", lá no Estado de Minas Gerais.
Andrelino Pereira Filho, único policial ainda vivo com 104 anos em 2019.
No vídeo, o sargento aposentado Andrelino Pereira Filho, diz que foi um amigo seu que falou da morte de Lampião, e que naquele momento, ele estava vindo do seu enterro.
As suas informações não têm segurança, porque elas não detalham o lugar do sítio da fazenda onde supostamente o capitão Lampião teria falecido, e nem tão pouco a cidade deste sítio. Toda fazenda pertence a um sítio, e todo sítio está localizado nas terras de uma cidade, e qualquer cidade tem o seu Estado. O Estado foi dito que era em Minas Gerais. E por que o sítio e a cidade não foram revelados?
O seu Andrelino fala também que Lampião passava em sua casa para tomar café, e chamava a sua mamãe de comadre. Mas depois, ele percebe que foi muito além da verdade, e tenta se livrar do que disse ao cineasta sobre o capitão, e fala que eram os cangaceiros que passavam por lá, não Lampião, porque ele só andava sozinho.
Pelo o que eu sei e aprendi, no estudo sobre os cangaceiros, o capitão Lampião não andava sozinho, sempre estava rodeado de facínoras, como vive uma abelha-rainha de uma colmeia, que ali está segura pelas suas comandadas. Assim era o rei do cangaço, que em todos os lugares que estava, ou mesmo nos locais que fazia o seu amado coito, no intuito de descansar da fadiga e fazer seus planejamentos de invasões aos sítios, propriedades e até mesmo em pequenas cidades, o capitão permanecia rodeado de desordeiros.
Por respeito ao senhor volante policial, pela sua idade além dos 100 anos vividos, e principalmente pela respeitada e gloriosa corporação da polícia militar do Estado de Pernambuco, que ele pertenceu, e não quero aqui tirar os méritos do seu Andrelino, mas tenho a dizer que, me parece ser invencionice as informações que ele cedeu ao cineasta que fez as suas gravações.
O disse me disse é uma expressão que se relaciona a boatos não verdadeiros. Assim fez o policial, que acreditou cegamente no seu amigo, que disse que vinha do enterro do capitão Lampião. O policial ouviu um chocalho tocando, mas não procurou saber bem o local que estava o animal chocalhado.
Suposto Ezequiel Ferreira da Silva
O caso do suposto Ezequiel que morava no Piauí e que em 1984 chegou à Serra Talhada, antiga Villa Bella, no Estado de Pernambuco, se dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão mais novo dos Ferreiras, e que tinha ido lá tirar seus documentos, para uma possível aposentadoria, disse que Lampião morreu no ano de 1981, mas lamentavelmente, as suas informações, para mim e para todos aqueles que pesquisam, nada verdadeira, tudo mentira.
O cineasta José Geraldo escreveu em seu livro Lampião, O Invencível..., que a data do falecimento de Lampião foi em 1993 em Minas Gerais. O seu Andrelino confirma a morte do capitão em 1963, também em Minas. Já o suposto Ezequiel Ferreira diz que o seu irmão faleceu no ano de 1981. Mas os cangaceirólogos afirmam com convicção que Lampião morreu na Grota do Angico-SE, no ano de 1938, que realmente é a pura verdade.
Cabeça do capitão Lampião. Você acha que não é?
E de quem seria esta cabeça que foi arrancada do corpo de um indivíduo e levada para Alagoas, no dia da chacina feita contra aos cangaceiros que se encontravam na Grota do Angico? Já que insistem em dizer que ele não foi morto lá na Grota, teria sido assassinado um outro indivíduo, digamos assim, um infeliz sósia do capitão Lampião, levaram-no e lá amarraram-no para aguardar o momento certo do ataque aos facínoras?
Lampião e Maria Bonita
Mas é assim mesmo. Cada um cavaleiro com o seu cavalo no hipódromo em posição de corrida. E quem lá não estiver presente, não será famoso em lugar nenhum. Assim foi seu Andrelino, que levou o seu cavalo e o posicionou para participar das corridas dos cangaceiros. Mas o mais importante é se apresentar aos jornalistas e pesquisadores como um volante que era mesmo da época de Lampião. Acredite quem quiser, o que ele falou a este cineasta. Eu não sou nenhuma autoridade no assunto, mas foram mais palavras fantasiadas que saíram da boca do seu Andrelino, do que vocábulos verdadeiros.
Bando de Lampião
Ser famoso pelo menos por um momento, não é qualquer um que poderá ser, porque, precisa imaginar o que será o bicho do dia seguinte, para jogar na roleta da fama. A fama faz o indivíduo feliz e conhecido no país que mora, ou mesmo em outros países, mas para ser famoso, tem que ser bom com as suas invencionices.
Mesmo eu discordando de algumas informações do volante seu Andrelino Pereira Filho, eu desejo a ele mais e mais anos de vida! Felicidade para o senhor, seu Andrelino! O senhor viver mais alguns anos, independente das suas informações sobre o cangaço.
Informação ao leitor:
O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e nem tão pouco prejudicará o que os cineastas gravaram, e o que os pesquisadores e escritores escreveram. Apenas eu apresentei as falhas do depoente, e não de quem fez a gravação. Não sou nenhuma autoridade no que diz respeito ao estudo cangaceiro.
Manuel Cunha
Moura, mais conhecido como Neco Cunha ou Seu Nequin, foi uma figura histórica
de grande relevância para o município de Jati. Suas ações e contribuições
deixaram um legado marcante na memória local, consolidando sua importância para
a história da região.
Um dos
episódios mais significativos de sua trajetória foi a passagem de Virgulino
Ferreira da Silva, o lendário cangaceiro Lampião, por sua residência. Além
disso, Neco Cunha desempenhou um papel crucial como mensageiro, ao entregar uma
carta de Sebastião Pereira da Silva, conhecido como Senhor Pereira, a Lampião.
A mensagem, recebida em sua casa no dia 2 de março de 1926, convidava o rei do
cangaço a buscar refúgio nos confins do estado de Goiás.
Mas a história
de Neco Cunha não parou por aí. Em 1946, ele alcançou mais um marco em sua
trajetória, ao ser nomeado subdelegado do Distrito de Jati, reforçando ainda
mais sua posição de destaque e liderança na comunidade.
Neco Cunha era
mais que um homem de seu tempo: ele era conhecedor profundo de todos os
acontecimentos de sua terra. Participava ativamente da história não apenas de
Jati, mas também da nação, sendo respeitado por sua relevância e sabedoria.
Prova disso é o documento que guardo em mãos, enviado diretamente pelo então
Presidente da República Federativa do Brasil, Juscelino Kubitschek, em
reconhecimento à figura ilustre de Manuel Cunha Moura.
O texto,
datado de 31 de junho de 1960, traz as seguintes palavras:
“Senhor Manuel
Cunha Moura,
Tenho o prazer
de enviar-lhe o discurso por mim pronunciado nesta data, acompanhado de um
documentário no qual o prezado cidadão poderá tomar conhecimento das
realizações do meu governo durante o período de 1956 a 1959.
Cordialmente,
Juscelino
Kubitschek.”
Esse gesto
revela o respeito e o reconhecimento que figuras de grande importância nacional
tinham por Neco Cunha, um homem cuja trajetória e dedicação transcenderam as
fronteiras de sua cidade natal. Seu nome permanece vivo como um símbolo de
coragem, sabedoria e contribuição histórica, iluminando as memórias do
município de Jati e do Brasil.
Hoje Domingo,
voltando às origens, em nossa propriedade rural no Porto da Serra, nas
barrancas do velho Chico, lugar de nascimento do meu pai, Neco Miguel e meus
tios, hoje é nosso cantinho quando estamos na casa de nossa mãe, Liô, é prá lá
que vamos!
O dia 17 de janeiro de 2025 entrou para a história do cangaço na Paraíbacomo a data em que foram dados os primeiros passos para a criação doMemorial do Cangaço Manoel Baptista de Moraes, na cidade histórica de Cabaceiras, Paraíba.
A reunião contou com a presença do secretário de Turismo, Cultura e Lazer de Cabaceiras, Toninho Menezes; do professor Julierme do Nascimento Wanderley, presidente do Conselho Cristino Pimentel do Borborema Cangaço; do chefe de gabinete, Marcus Ayres; da diretora de Cultura, Juliana Soares; do pesquisador Ginaldo Nóbrega; e do poeta Paulinho de Cabaceiras, que atua como assessor especial de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Cabaceiras e também como diretor de Cultura do Conselho Cristino Pimentel do Borborema Cangaço.
O Memorial do Cangaço será o primeiro de seu gênero no Estado da Paraíba, consolidando de forma definitiva a rota do cangaço na região do Cariri Oriental paraibano.
Uma das árvores mais respeitadas do Sertão é a Quixabeira.
Ela é querida por uma porção de benefícios ao homem. Pode crescer até 15 metros
de altura, porém, gosta muito de se esgalhar para as laterais. Isso faz com que
sua copa, repleta de garranchos – sobretudo na estiagem – forme lugar para
abrigo de pessoas e de animais. Produz frutos pequenos de forma grosseiramente
oval, adocicados e leitosos. Verdes, arroxeados e pretinhos, são bastante
apreciados pelos caprinos. Esses frutos são chamados de quixabas, comestíveis
e enjoativos. Em nossa aventura a pé das nascentes à foz do rio Ipanema – o que
gerou o livro IPANEMA UM RIO MACHO – e existe uma foto com a equipe
acampada sob uma quixabeira, lugar onde foi preparado um almoço.
Sua casca é usada para dores em geral. Ulcera duodenal,
gastrite, azia, inflamação crônica, lesão genital, inflamação ovariana,
anexite, cólica, problemas renais, problemas cardíacos, diabetes, cicatrização
e como expectorante. Essas são informações encontradas em fonte de redes sociais,
confirmadas pelos matutos do Sertão que convivem com a árvore. Sempre ouvimos
os mais velhos repetirem que quando os soldados, na cadeia, batiam muito nos
presos, procuravam depois esconder as marcas das torturas com o uso de jurubeba
e cascas de quixabeira. Como falamos no primeiro parágrafo, faz gosto o amigo,
a amiga, se deparar com um rebanho de bovinos ou caprinos descansando à sombra
da Quixabeira. Parecem um idoso numa cadeira de balança no alpendre de casa.
E para quem não sabe, a vara-de-ferrão, usada pelo carreiro
– condutor do carro de boi – é feita de quixabeira, sapecada no fogo.
Certamente o caso de “Quixabeira Amargosa”, nome antigo do atual povoado São
Félix, município de Santana do Ipanema, tenha sido de alguma anomalia da
Natureza, em que os frutos da árvore referência tenham nascidos amargos.
Informamos ainda que sua madeira é usada em carpintaria e confecções
artesanais. E como você viu, pode ser até que a Quixabeira não seja tão famosa
quanto o Mandacaru, quanto o Juazeiro, imortalizados por diversas canções e
literaturas nordestinas, mas é mesmo uma das mais queridas árvores da flora da
caatinga.
Em 28 de julho
de 1938, o bando de Lampião foi cercado na Fazenda Angico, no sertão de
Sergipe. Uma tropa de policiais, comandada pelo tenente João Bezerra e munida
com metralhadoras , metralhou os cangaceiros presentes. Onze morreram ali
mesmo, entre eles Lampião e sua companheira, Maria Bonita.
Alguns cangaceiros
conseguiram escapar. Todos os mortos tiveram suas cabeças cortadas. Maria foi
degolada viva.
O fim dramático do bando de Lampião repercutiu negativamente
entre outros cangaceiros e, a partir de então, muitos bandos se desfizeram e
alguns se entregaram.
Hoje, no
Odisseia, vamos contar sobre a morte de um dos mais importantes personagens do
cangaço, o sírio libanês Benjamin Abrahão Calil Botto. Fomos até a cidade
pernambucana da Itaíba, a antiga Pau Ferro, pra falar sobre um dias grandes
mistérios do cangaço. Se inscreva no Canal Odisseia Cangaço.
Benjamin Abraão morreu após
ser agredido com quarenta e duas facadas, crime
que até hoje não foi esclarecido, tanto na autoria como na motivação, donde se
especula ter sido mais uma das mortes arquitetadas pelo sistema, como
outras ocorridas em situação análoga, a exemplo de Horácio de Matos, embora exista a versão de que o
fotógrafo sírio-libanês teria sido alvo de roubo, apesar de com este nada de
valor haver.
https://www.youtube.com/watch?v=Jsd23VQzpKk
Em
2024, após 86 anos de imprecisão do local específico de sua sepultura, o
programa "O Cangaço na Literatura" rastreou, por meio de relatos
memorialísticos, a localização da sepultura de Benjamin no Cemitério municipal
de Itaíba,
em Pernambuco.
A Beata de
Juazeiro, protagonista do Milagre da Hóstia que se transformou em sangue na sua
boca. Fato ocorrido 1889, por várias vezes quando Padre Cícero lhe dava a
comunhão. O fenômeno transformou a cidade de Juazeiro do Norte em dos maiores
centros da religiosidade popular do Brasil.