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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

COISAS DE MOSSORÓ

Minha foto
Por que Codó?
No convite para a inauguração da nova Praça Bento Praxedes, no coração da cidade, é feita uma viagem no túnel do tempo. Primeiro, destaca quem foi o patrono da praça, Bento Praxedes Fernandes Pimenta, natural da cidade serrana de Martins, que adotou Mossoró como terra-mãe, aqui fazendo carreira como escriturário do Tesouro do Estado e coletor federal. Mas, como jornalista, ele consagrou o seu nome, sendo o fundador do jornal “Comércio de Mossoró”, que circulou no período de 1904 a 1917. A curiosidade no convite fica por conta da origem do título “Praça do Codó”. O convite narra texto do historiador Geraldo Maia: “No dia 18 de agosto de 1950, Mossoró foi visitada por uma grande comitiva da União Democrática Nacional (UDN), que veio fazer a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República. O comício aconteceu naquela mesma noite, na Praça Bento Praxedes, onde haviam armado um palanque de grandes proporções. A praça se encheu de gente para o grande comício e o palanque foi recebendo candidatos e personalidades locais. Quando os primeiros oradores se preparavam para o início do comício, o palanque, de tão lotado, desabou. O trágico da história é que quase todos os políticos que estavam no palanque, além da queda, também foram derrotados nas urnas. Por conta do azar daquele grupo, caiu no imaginário popular que havia um ‘Codó’ naquela praça.” O texto conta ainda que, nas eleições de 1960, o “cigano feiticeiro”, Aluízio Alves, então candidato a governador do Estado, exorcizou o local, finalizando as suas passeatas e comícios em Mossoró sempre na “Praça do Codó”. Aluízio ganhou a campanha, a praça se livrou da “maldição”, mas o Codó continuou. Seis décadas depois, até hoje pouca gente sabe a origem da expressão Codó. Nem o convite explica. Em rápida pincelada, a coluna ajuda: Codó, pequeno município do Maranhão, ficou famosa como a capital brasileira da macumba e da feitiçaria. Agora está completo.

Colunista: César Santos/Jornal de Fato
Postado por Aluizio Lacerda

htpp://blogdomendesemendes.blogspot.com 

Novo livro na praça



Com o patrocínio do INSTITUTO BANESE, BANESE CARD, CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco e Assembléia legislativa da Bahia, além do apoio institucional do ÁGORA – Arquitetos & Associados e da UNEB – Universidade do Estado da Bahia, a OSCIP SOCIEDADE DO CANGAÇO lança livro em comemoração ao Centenário de Maria Bonita.
Acreditamos que a importância desta obra sobre a Maria Bonita surge quando temos a sensibilidade de compreender que finalmente se inaugura a percepção sobre uma personagem marco-mulher que transcende a história do Cangaço. Olhar para ela significa ressaltar a mulher de um determinado contexto e período da história do Brasil; como também procurar compreender quais foram as imagens construídas acerca dela utilizadas até hoje para valorar sua representação como mulher nordestina. Bonita Maria do Capitão é uma primorosa publicação que comemora o Centenário de Maria Bonita com a excelência dos estudos e obras artísticas de mais de 40 colaboradores.
Uma iniciativa conjunta que tornou real uma rara coletânea de reflexões e imagens sobre a Maria do mítico cangaceiro Lampião.

Bonita Maria do Capitão é um livro estruturado em duas partes: a primeira, biográfica, apresenta textos e imagens da sertaneja da Malhada da Caiçara, sertão da Bahia, Maria Gomes de Oliveira. Trata-se do resultado da leitura dos estudos de vários pesquisadores no assunto, mas, principalmente, da busca constante sobre a configuração genealógica dos Gomes de Oliveira pela neta Vera Ferreira. Entretanto, apesar de ser uma escritura baseada em uma possibilidade de interpretação, portanto, com novas facetas de sentido, parte da escritura biográfica desta obra não pode ser exatamente compreendida como inédita.
Já a segunda parte, que é dividida em temáticas, configura-se em uma original composição de obras de artistas que se apropriaram da imagem de Maria Bonita para suas produções, juntamente com textos de estudiosos e pesquisadores sobre a representação dela dentro de cada uma das temáticas desenvolvidas: Fotografia, cinema, xilogravura, literatura, teatro, música, artesanato, moda e artes visuais. 
Para o sucesso da segunda parte, contamos com mais de 40 colaboradores sensíveis com a causa de construir esta obra comemorativa do centenário de Maria
SOB A LUZ DO LAMPIÃO:
Bonita Maria do Capitão. Eis ai mais um trabalho que não pode faltar na sua estante. São 327 caprichadas laudas. As cento e vinte e sete primeiras nos trazem um estudo detalhado da trajetória da Rainha do Cangaço, fruto de mais de 40 anos dedicados por sua neta Vera  acrescido por mais uma overdose de paixão, intuição e perspectiva de Germana.
Enriquecido por convidados especiais, estudiosos do quilate de: Sérgio Dantas, em O cangaço e a lei Penal: A questão de Maria Bonita; Frederico Pernambucano de Mello, em Maria Bonita a vivandeira do  Brasil e Wanessa Campos, em Maria Bonita e a mídia ...entre outros. 
Já a outra metade me agrada em dobro. Será indispensável pra quem pesquisa e nclusive pra quem duvida das influencias do Cangaço. Inevitável não lembrar de um titulo provisório do confrade Rubinho, pois esse conteúdo é o que podemos classificar de "Maria e O Baile das quatro artes". Uma coletanea das principais obras e respectivos artistas que tiveram em Dona Maria a inspiração. Surpreendam-se ao constatar seu vulgo e imagem em todos os seguimentos apontados no sumário acima. 
De acordo com Vera há uma agenda pré definida para lançamentos (sessão de autógrafos) e distribuição nas principais capitais do Nordeste. Em Aracaju ele está disponível nas Livrarias Escariz.
Para adiquirir agora?

VERA Ferreira
(79) 9191-4088 - malamp@hotmail.com


GERMANA Gonçalves de Araújo
(79) 9198-1227 -

germana_araujo@yahoo.com.br

Valor R$ 100 (Cem reais) Frete a consultar

http://lampiaoaceso.blogspot.com/

A Polícia, o Estado e a ordem pública.

Por: Archimedes Marques
A polícia está dentre todas as instituições públicas como a mais exigida, a mais observada pela população. A questão de ser o policial o real protetor do povo e da ordem pública, o guardião das leis penais, faz com que a comunidade acompanhe todos os seus passos e lhe cobre sempre e efetivamente, além do destemor, ações condignas e leais provindas dos seus atos.
É bom frisar que quando os agentes encarregados de manter a lei e a ordem descambam para a arbitrariedade e para o comportamento desregrado, instalam inconscientemente o risco de instabilidade do Estado, periclitando suas instituições.
Assim, se alguma margem de desvio no universo formal   compromete a normalidade da rotina de funcionamento do Estado, os contextos  de grave disparidade entre desempenho ideal e real das polícias podem alcançar efeitos devastadores de controle na dinâmica de legitimação da ordem pública.
Todos podem observar que o trabalho do policial é árduo, perigoso, estressante e ineficiente financeiramente, por isso, exige prudência, perseverança, amor a profissão e capacidade de concentração aguçada com equilíbrio e razoabilidade nos seus atos para que não ocorram os irreparáveis deslizes.
As ações e os atos vergonhosos e criminosos praticados por aquele cidadão que se acha e se diz policia, mas que na verdade é falso policial, bandido disfarçado de polícia, travestido de polícia, além de abrir chagas no seio da instituição policial é, sem sombras de dúvidas, o mais sério e grave problema existente no âmbito interno da nossa segurança pública.
Em verdade o travestido de polícia está na força pública para extorquir, roubar, matar, prevaricar e sempre se proteger atrás do seu distintivo, fazendo dos bons o seu escudo e dividindo com os honestos as críticas pelos seus atos insanos.
Antes de ferir o patrimônio público ou particular, a corrupção policial degrada os seus valores íntimos, desvirtua a sua nobre missão, relativiza o costume e a cultura da sua própria moral e o pior, torna negativo o conceito público da nossa instituição que sempre generaliza e põe todos os policiais na mesma vala até mesmo como se fossemos componentes do submundo da sociedade.
Assim, o bom policial, o digno e leal policial, aquele que veste a camisa da polícia, aquele que verdadeiramente se veste completo de polícia e disso tem orgulho, paga perante o conceito depreciativo do nosso povo, pelos atos insanos do falso policial, pelos atos criminosos do travestido de polícia.
É preciso pois, acabar com essa situação para expurgar  constantemente e sempre o incomodo falso policial do nosso meio, entretanto, para que a depuração e a autodepuração sejam trilhadas fortemente, é necessário principalmente, que se reformem as leis administrativas e penais em desfavor desses infratores, transformando os seus respectivos procedimentos em atos mais ágeis e menos burocráticos, aplicando-se punições rápidas e justas quando das suas culpabilidades, sem esquecer que os bons policiais também devem mirar as suas próprias fileiras, expondo e ajudando a purgar as feridas causadas pelo travestido de polícia
Noutro ponto crucial que atinge em cheio o verdadeiro policial, assistimos de uma maneira ampla os nossos salários sendo sucateados e achatados em quase todos os Estados da nação, enquanto a corrupção dos travestidos de polícia continua tendo esta razão como causa principal dos seus insanos atos.
Assistimos igualmente ao longo dos tempos os nossos leais e bravos policiais sempre desvalorizados e humilhados pelo poder público, até mesmo tendo que residir com as suas famílias no mesmo ambiente dos fortes traficantes de drogas ou bandidos outros que comandam as diversas áreas periféricas das cidades.
A PEC 300  que busca dentre outros o piso salarial nacional, um salário digno para a polícia se arrasta a passos de bicho-preguiça, sempre procrastinada, sem solução adequada ou aprovação no Congresso  e até com proposta de inviabilização ou mesmo implosão de vez pelos mesmos deputados federais que recentemente, mesmo a contragosto da população, em velocidade de  guepardo aumentaram estupidamente os seus próprios salários, é o exemplo vivo de que o poder público parece pretender continuar com uma polícia fraca, desvalorizada, desmotivada, desacreditada, submissa, esvaziada, humilhada, falida e até corrupta.
Repensar esses conceitos é dever do Estado para resgatar a real razão do que vem a ser polícia na pura expressão da palavra para propor o verdadeiro bem estar da coletividade que clama por uma melhor segurança pública, uma segurança pública de excelência que só pode ser alcançada com uma forte e decente polícia.
Caso contrário, mobilizações nacionais serão inevitáveis trazendo o próprio mal estar para a nação brasileira que já está saturada de tanta violência e aumento de criminalidade em todo canto do país.
Autor:
Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br  
 archimedes-marques@bol.com.br 
archimedesmelo@bol.com.br 
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Enviado pelo autor deste:
Dr. Archimedes Marques

Dilma se emociona no lançamento do Plano Nacional dos Direitos dos Deficientes

 Beto Barata/AE

Dilma lançou o programa Viver sem Limites, que tem orçamento de R$ 7,6 bilhões e será executado por 15 ministérios

A presidente Dilma Rousseff se emocionou nesta quinta-feira, 17, ao lançar, no Palácio do Planalto, o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em que devem ser investidos R$ 7,6 bilhões até 2014 para projetos de acessibilidade e de inclusão de pessoas com deficiências. "Este é um momento em que vale a pena ser presidente", disse Dilma, se mostrando bastante emocionada, sob aplausos dos presentes. Logo em seguida, Dilma foi interrompida por uma mãe que pedia mais atenção aos autistas. "Sou mãe de um autista e peço ao governo pelo amor de Deus que dê mais atenção aos autistas", disse a mulher. A presidente, porém, não respondeu, e continuou seu discurso.


Dilma se emocionou ao cumprimentar o deputado Romário (PSB-RJ) e o senador


Lindbergh Farias (PT-RJ), pela presença de suas filhas, ambas com síndrome de Down – Ivy, de seis anos, e Beatriz, de pouco mais de um ano.

Veja:


As ações serão executadas em conjunto por 15 órgãos do governo federal, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.


Fonte: www.ig.com.br
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Dona Isaura e o Cangaço

 Por: João Paulo

João Paulo, Severo e Manoel Moura

No início de 2009, na busca das memórias de N. Sra. das Dores (SE), tive a oportunidade de conhecer a senhora Isaura Lopes Clementino. Estava em busca de memórias do cangaço, capítulo da história nacional e local que ecoa até hoje, mesmo decorridos 73 anos da morte de seu maior ícone (28 de julho de 1938), Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938) - o Lampião, e do início do declínio do movimento.
 
 
No auge dos seus quase 100 anos de lucidez e demonstrando forte ligação com o tema, dona Isaura nos relatou, em várias conversas desde então, fatos que elucidam algumas das mais importantes dúvidas que existiam na história do cangaço em terras dorenses, em especial no que diz respeito à relação mantida entre o “rei do cangaço” e o Coronel Vicente Ferreira de Figueiredo Porto (1876-1949), o Figueiredo da Tabúa, do qual o pai da nossa personagem (João Clementino) foi homem da mais alta confiança, confiança atestada pelo saudoso cirurgião dentista Eduardo de Andrade Porto (neto do coronel) em entrevista ao Projeto Memórias no ano de 2006.
 
Esta pernambucana de Triunfo, que desde os 15 anos reside no município de Dores, nos relatou que a vinda da família Clementino a Sergipe está intimamente relacionada à Lampião, já que o mesmo determinou a João, seu genitor, que desse cabo da vida do vizinho, Pedro Quelé, que havia lhe dado “aborrecimento”. Diante da negativa de João Clementino, justificada pela boa relação que mantinha com o vizinho de propriedade e compadre, o mesmo passou a ser ameaçado de morte por Virgulino, o já temido e afamado Lampião. A decisão de sair de Triunfo para evitar que o cangaceiro desse fim a sua família, a qual Clementino resistiu mas fora aconselhado por um irmão que dava coito a Lampião, veio após o recebimento de uma carta assinada pelo próprio cangaceiro, que em forma de ameaça dava o ultimato: “corre corre minha burrinha, tu corre mais do que eu, vai dizer a João Clementino que o Pedro Quelé morreu”.
 
Após curto período no estado de Alagoas a família de dona Isaura desembarcou no Cajueiro, N. Sra. das Dores (SE), onde seu pai e seu irmão (Pedro Clementino) se tornaram empregados do Coronel Figueiredo. Foi nessa propriedade que, tempos depois, os Clementinos se veriam novamente envolvidos na história do cangaço.
 
No fim dos anos 1930, pouco antes da chacina de Angicos, a fazenda Cajueiro foi invadida por um grupo de cangaceiros liderado por José Ribeiro Filho (1913-1981),
 
 
o Zé Sereno, e desejosos de extorquir dinheiro do Coronel. Diante da negativa, houve serrado tiroteio, que só não resultou na morte de Figueiredo graças à ajuda e coragem de Pedro Clementino. Continua ...

João Paulo Araújo de Carvalho
 
historiador, mestre em História, professor e colaborador do Projeto Memórias - Dores -SE -  contato: joaopaulohistoria@gmail.com

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Segredos da Natureza

 
Imperdível !

Hoje as 20 horas no SESC Crato,
lançamento de
Segredos da Natureza
 
Josenir Lacerda e João Nicodemos
 
Não perca!

NOTA CARIRI CANGAÇO: Aos amigos Josenir Lacerda e João Nicodemos, o nosso afetuoso abraço de celebração; pelo talento, pela perseverança e pelo amor à arte às nossas mais singelas manifestações de nordestinindade.
 
 

A ORDEM DO CORONEL (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

A ORDEM DO CORONEL
O velho e carrancudo coronel cuspiu no chão e disse ao cabra que fosse cumprir sua ordem, fizesse bem feito, e voltasse antes do cuspe secar. Senão...
Todo se tremendo por baixo das calças, quase se mijando, o cabra, baixou a cabeça e tentou argumentar: Mas coronel, como é que vou tocaiar dois homens, dar cabo à vida deles, e voltar aqui com a orelha de cada um antes desse cuspe secar?...
Então o coronel se enraiveceu: Já tá secando, já tá secando. Ao menos uma orelha eu já posso arrancar...
A orelha de repente deu pra arder e o homem nem pensou duas vezes para sair dali. Tomou o rumo da porta quase correndo, imaginando apenas em qual dos dois faria a tocaia primeiro.
Mas antes de tomar o caminho do mato avistou uma das empregadas do casarão do coronel - com quem mantinha um chamego – e resolveu chamá-la para pedir um favor.
Assim que a mocinha chegou dengosa e faceira, querendo se roçar, ele disse apressadamente: Agora não tenho tempo não. E se vosmicê ainda quiser me ver por aqui vá lá dentro e arrepare quando o coronel sai daquela cadeira e como quem não quer nada cuspa em cima do lugar que ele cuspiu. E faça isso de cinco em cinco minutos.
Mas enlouqueceu meu cabra macho? E por que eu haveria de fazer isso, dando agora uma de mulher prenha cuspideira? Perguntou a dengosa sorridente.
Então o cabra disse, já saindo pro meio do mato: Porque senão vou perder uma orelha, depois a outra e depois posso perder ainda aquele negócio...
Vixe Maria, Deus me livre de vosmicê perder aquilo. O que seria deu homem por demais?... Falou sozinha a dengosinha.
No mesmo instante ela entrou no casarão e seguiu diretamente até a varanda onde o coronel costumava ficar sentado numa cadeira de balanço. Assim que entrou no local foi chamada por ele: Me traga uma talagada daquela branquinha que vou ficar aqui esperando Clarindo chegar com dois presentinhos.
Virou o copo de pinga de vez e deu uma cusparada no chão. Em seguida chamou novamente a mocinha e disse: Passe um pano naquele cuspe ali. Nesse aqui não, que é o meu relógio de marcar os minutos...
A mocinha se apressou em perguntar: E se o cuspe secar o que é que vai acontecer coronel?
Vai acontecer que meus dois inimigos não foram mortos e que vou arrancar na peixeira as partes de baixo de Clarindo porque não matou os danosos. Disse o coronel.
E a mocinha quase dá um chilique ao ouvir essa última parte: Vixe santa mãezinha, mas será que o pobre do Clarindo merece ficar capado?
Capado e bem capado e depois vou capar a vida dele também. Dele e de qualquer quenga que ele tiver. Disse o carrancudo mandão, enquanto mandava a mocinha limpar logo a outra cusparada, que era pra não gerar confusão.
A mocinha se abaixou com o pano para limpar e aproveitou a ocasião para cuspir em cima do outro cuspe.
Assim que levantou o velho olhou o local e disse: O cabra tá com sorte, pois parece que ainda vai custar um tantinho a secar. Inté parece que acabei de cuspir...
Uma hora se passou e nada de Clarindo retornar. A mocinha já estava preocupada em tanto inventar coisa só pra cuspir novamente por cima daquele cuspe.
Até que o coronel olhou desconfiado e disse: Tô achando alguma coisa estranha nesse cuspe que nunca seca. Abra aquela porta ali que é pra o vento bater mais forte e a vida de Clarindo secar logo de uma vez.
Então a mocinha cismou e falou: Coronel pode me matar se quiser, mas quem está cuspindo em cima do cuspe dele sou eu. E pode me matar também se quiser, pois quem é a quenga dele sou eu...
O coronel já ia puxando o revólver da cintura quando Clarindo chegou correndo com duas orelhas na mão. Na verdade foi o que pode encontrar de mais novo no cemitério.
Matou os dois? Qual é a orelha de um e qual a orelha do outro? Perguntou o agora eufórico coronel.
Não, só matei um, mas trouxe as duas orelhas. Respondeu o assustado pistoleiro.
Então o coronel pegou uma peixeira e disse: Então a sua vai no lugar do outro. Chegue aqui...
A mocinha tomou a frente e disse: Mas coronel, o cuspe ainda não secou. Dê mais um tempinho que eu vou mais ele fazer o resto do serviço e voltaremos antes que esse cuspe seque. Tá certo?
E até hoje o coronel espera os dois.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A vida do Cel. ARRUDA, Cangaceirismo e Coluna Prestes. (Comentário)

Por: Archimedes Marques

bom  trabalho literário, de grande importância para a compreensão da história regional da Paraíba, intitulado "A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes", de autoria do ilustre Promotor de Justiça paraibano, Severino Coelho Viana, sem dúvida, um dos mais brilhantes pombalenses, constitui-se em excelente contribuição para o mundo literário pertinente ao tema.


O bom trabalho literário, de grande importância para a compreensão da história regional da Paraíba, intitulado "A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes", de autoria do ilustre Promotor de Justiça paraibano, Severino Coelho Viana, sem dúvida, um dos mais brilhantes pombalenses, constitui-se em excelente contribuição para o mundo literário pertinente ao tema.
Clemildo_TERNO

O texto, de leitura simples e direta, sem subterfúgios ou palavras difíceis, termina por envolver o leitor do inicio ao fim do livro, buscando mostrar todas as importantes passagens da vida pública do militar, do policial, do politico, do homem, do Cel. Arruda, desde a sua compreensão e retransmissão de que aquele cidadão se tratava de um ser humano espetacular, atencioso e formidável, além de ser dotado de memória estupenda, de tudo se lembrando nos mínimos detalhes, apesar da sua idade avançada quando da entrevista prestada ao autor do livro.

No decorrer da leitura, o leitor, por mais leigo que seja, percebe as grandes qualidades que possuía o Cel. Arruda, destarte para a sua coragem, destreza, honradez, honestidade, um grande homem, entretanto, teimoso e afoito por demais, talvez, por vezes agindo mais pela emoção, mas no intuito de acertar e vencer em vitórias não só suas, mas do seu povo, do povo a quem tanto amava, do povo paraibano a quem tanto defendeu. O exemplo maior dessa ousadia e extrema coragem visando defender o povo da tirania do suposto exército revolucionário que buscava novos rumos para o país, mas para tanto não deixou de praticar rosários de arbitrariedades por onde passou, foi o seu enfrentamento a grande e temível Coluna Prestes, quando da passagem daquela Unidade de Guerra pelo município de Piancó na Paraíba, em fevereiro do ano de 1926. Sem sombras de dúvidas, um ato corajoso de um destemido homem, mas ao mesmo tempo temeroso e intempestivo, vez que de tudo, houve final trágico para muitos combatentes com a cidade praticamente arrasada em verdadeiro inferno. Entretanto, o exército revoltoso de Prestes sentiu a pungência e a força do povo paraibano, apesar de ter realizado verdadeiro e covarde massacre a certos combatentes de Piancó, já rendidos e desarmados como foi o caso do Padre Aristides Ferreira da Cruz e alguns dos seus bravos seguidores.

Padre Aristides Ferreira da Cruz

Tal ato combativo e heróico rendeu ao então sargento Arruda, a importante e dignificante honrária do governo do Presidente do Estado, João Suassuna, por bravura, condecorado com a espada do herói.

João Suassuna

Passeando na interessante leitura do livro, para não muito se alongar no presente comentário que de fato merece destaque para muitos atos heróicos do bravo Cel. Arruda deixamos de tecer dados sobre a sua atuação incansável em busca de criminosos; sobre a prisão que efetuou do temível e sanguinário bandoleiro


Chico Pereira; sobre a sua luta contra o poderio dos chamados "coronéis"; sobre a sua trajetória política de prefeito a deputado estadual; sobre os embates que travou com o

Padre Manoel Otaviano

Padre Manoel Otaviano na época em que ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba; sobre a sua inimizade com o


famoso coronel Jose Pereira e sobre tantos outros acontecimentos pelos quais passou o Cel. Arruda na sua trajetória de militar e delegado de policia em várias cidades da Paraíba embrenhando-se no matagal, nas caatingas, sob o sol causticante em busca dos cangaceiros de Lampião,


deixando de tudo então, para melhor se ater a questão da citada batalha contra a Coluna Prestes, a sua mais arrojada batalha, embora pudesse ter sido evitada se alguém dos combatentes de Piancó não tivesse disparado tiros contra aquele temível e terrível exército revolucionário, como de fato ocorreu, ninguém sabendo quem teria sido o autor de tal audácia que gerou rápida, mas sangrenta guerra naquelas terras da Paraíba.

Consta da leitura que quando a Coluna Prestes entrava em Piancó, talvez em passagem amistosa, ninguém sabe, com os homens da cidade já devidamente preparados e entrincheirados em diversos piquetes de defesa, tiros certeiros alvejaram cavalos e cavaleiros daquela tropa, até mesmo oficiais. Daí por diante o tempo fechou em barulho e desespero, quando intenso tiroteio transformou a cidade de Piancó em verdadeira praça de guerra.

Havia entre os defensores de Piancó, um cidadão que na verdade era um preso que ali estava por demonstrar ser de bom comportamento e assim viver de certas regalias fora da cadeia. Esse detento que possuía tratamento diferenciado era conhecido por "preá" e que ganhara tal apelido por ser considerado exímio rastreador de animais perdidos, que para prova disso, bastavam lhe dar uma rapadura que ele conseguia trazer do meio da caatinga qualquer caprino que por ventura se desgarrasse do rebanho. Na delegacia, por conta de tais benesses, o referido "preá" era uma espécie de faz-de-tudo que lhe mandassem.

Junto aos defensores da cidade o tenente Antônio Benício, delegado de Piancó, que estava do outro lado da rua, noutro piquete, solicitou por gestos e algumas poucas palavras em meio ao barulho ensurdecedor dos estampidos vindos de todos os lados, que "preá" trouxesse quatro fuzis e munição suficiente para o piquete dele que assim necessitava. Não havendo a mínima possibilidade de "preá" atravessar a rua em meio ao cerrado tiroteio sem ser atingido, principalmente com todo aquele apetrecho pesado, então, o agora protagonista da história ora comentada, sargento Arruda, teve a idéia de instruí-lo para pendurar a camisa branca que vestia em um dos fuzis. A estratégia deu certo, pois quando "preá", mesmo tremendo mais do que vara verde, saiu à rua com o fuzil hasteando a bandeira branca, imediatamente os revoltosos de Prestes, ensarilharam suas armas respeitando a decisão contida no símbolo internacional, ou até quem sabe, pensando que os combatentes pretendiam se entregar.Em contraponto, talvez por não saber o que de fato acontecia naquele momento de pausa, outro piquete de defesa da cidade ali próximo, o grupo chefiado pelo Padre Aristides, aproveitou o momento de distração da Coluna Prestes para intensificar o tiroteio em sua direção, trazendo como resultado de tal irrazoabilidade, muitos soldados mortos e feridos.

Luiz Prestes

Disso resultou que a tropa revoltosa, em imensa fúria e ódio, comandada pelo próprio Capitão Luiz Carlos Prestes, investiu fortemente contra o piquete do Padre Aristides Ferreira da Cruz, lançando inclusive duas bombas de efeito narcótico dentro da casa do citado reverendo, o que fez com que aquele grupo, fraco, tonto, sufocado e desorientado, se entregasse.

Covardemente, usando tão somente por base, o atroz sentimento de vingança pelos seus mortos em virtude do incidente ocorrido, o comando da Coluna Prestes determinou que todos "os prisioneiros de guerra" que estavam na casa, incluindo o Padre Aristides e o prefeito de Piancó, o Sr. João Lacerda, bem como o filho deste, fossem conduzidos amarrados a um barreiro ali próximo e lá barbaramente sangrados, um a um, com ferimentos perpetrados por longos punhais enfiados nas jugulares, ou em brutais degolas das vítimas que em gritos e desesperos não foram perdoados, fazendo disso, das maiores arbitrariedades, dos maiores e horrendos crimes praticados pelos soldados revoltosos na caminhada histórica da Coluna Prestes. A água do barreiro da morte ficou tão vermelha de sangue quanto vermelha de vergonha ficou essa covarde ação daqueles homens que diziam lutar por um Brasil melhor, que se diziam revolucionários reformistas. Uma ação totalmente injustificada que jamais justificaria a desastrada ação do grupo do Padre Aristides em ter atirado contra os homens que respeitavam a bandeira branca carregada por "preá". Uma triste, desolada, insana e macabra ação de negatividade em extrema falta de hombridade, sensatez e humanidade contra homens indefesos, desarmados e presos, uma execução sumária em verdadeira chacina, que ficou para sempre guardada nos anais da história de guerra desses valorosos paraibanos contra a poderosa Coluna Prestes.

O discurso do autor do livro não é um discurso autoritário, ditatorial ou mesmo demagógico, é um discurso livre, democrático, que busca novas discussões, mas que traz a verdade, ou pelo menos dela se aproxima, sem mentiras, invencionices, extravagâncias, baseado na história real até mesmo em certos pontos diferindo da história oficial, mas não em forma contundente, sim em trabalho cuidadosamente organizado, de forma realmente consciente, de tudo para mostrar ao leitor o que foi a trajetória vida do cidadão Manuel Arruda de Assis, um verdadeiro exemplo para todos os seus familiares, um homem imortal para os paraibanos, um exemplo a ser seguido por todos os homens de bem.

De parabéns, portanto está o autor do livro, por resgatar a historia desse homem guerreiro que tanto enobrece o solo desse tão importante Estado da Paraíba que tantos ilustres personagens trás para o cenário brasileiro. Uma leitura que de igual modo espero que todos gostem. Um livro que merece estar em todas as boas bibliotecas.

Foi assim que eu vi e senti do livro de Severino Coelho Viana.


Autor:
Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

arruda+cangaceirismo+e+coluna+prestes+comentario

TV São Francisco (Rede Bahia) realiza reportagens sobre o turismo em Paulo Afonso.

Por: João de Sousa Lima


A TV São Francisco realiza uma série de reportagens sobre o turismo em Paulo Afonso, assim também como entrevistas com pioneiros da história da cidade, já tendo sido entrevistados Antonio Galdino, Claudio Xavier e Abel Barbosa.

Um dos pontos visitados foi o Museu Casa de Maria Bonita. O Jornalista Pablo com João Lima e o cinegrafista Ailton.


A equipe da TV São Francisco no Museu Casa de Maria Bonita.
Abel Barbosa, o principal nome da emancipação política de Paulo Afonso, recebeu  a equipe da TV São Francisco em sua residência.
Pablo, João e Ailton

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

MEU MARIDO MATOU " LAMPIÃO "

Reportagem de Laércio de Vasconcelos
 Cyra e João Bezerra
A saga de Lampião marcou a história nordestina. Sua trajetória violenta, seu desafio a lei o transformaram em figura mítica. Por outro lado, o homem que o perseguiu e matou jamais foi reconhecido como herói, sem nome quase caiu na obscuridade. O Capitão João Bezerra morreu na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, em 1969, sem exigir recompensa de suas campanhas no comando de volantes, caatinga adentro, atrás de perigosos cangaceiros. No Recife, vive ainda sua viúva. Cyra Bezerra Britto, 61 anos, alimentada pelas lembranças do tempo em que seu marido enfrentava o Rei do Cangaço. Em sua casa, D. Cyra guarda ainda o facão que degolou um outro capitão honorário: Virgulino Ferreira. Bezerra o chamava de “O Cego”, pois Lampião não enxergava de um olho.
Em contrapartida, o cangaceiro apelidara Bezerra de Cão Coxo, pois o capitão, mancava de uma perna, devido a um antigo ferimento à bala. Lampião tinha especial ódio a Bezerra, mas também o temia. Mandava-lhe bilhetes desafiando-o, mas sempre fugia de uma luta frente a frente.
D. Cyra recorda que sua vida de casada esteve sempre ligada ao problema dos cangaceiros e das volantes de seu marido. Diz: “Quando me casei com Bezerra eu tinha 15 anos e ele 35. Temível contra os bandidos, meu marido era bom chefe de família. Seus soldados gostavam dele e o obedeciam cegamente. Depois de travar luta e acabar com vários bandos de cangaceiros, entre os quais
O cangaceiro Gato
Gato e Corisco, Bezerra se dedicava especialmente a guerrilha contra Lampião.
O cangaceiro Corisco
Os fatos se passaram há muito e D. Cyra não se lembra com certeza das datas certas, mas tem excelente memória para detalhes e os recorda com alegria ou lágrimas nos olhos. Principalmente quando ela fala naquele dia, quando seu marido se embrenhou no sertão, mais uma vez em busca de Lampião.
Tudo começou assim: “Eu nunca tive medo de nada, pois quando criança estava acostumada a me esconder no mato, fugindo dos cangaceiros que ameaçavam meu pai. Até que veio aquele dia em que meu marido, ajudado pelo tenente Ferreira e o sargento Aniceto, encontrou Lampião na serra de Angico e o abateu inclusive Maria Bonita.
Isso foi em 1938. Nós sabíamos que a família de Pedro de Cândida acoitava Lampião. Pedro ia sempre lá em casa, para colher informações e passá-las ao bandido. Certa vez, ele chegou, dizendo que Lampião estava para os lados Moxotó, em Pernambuco. Era mentira e Bezerra logo percebeu isso. Para despistar, meu marido
TROPA DO Cel. JOÃO BEZERRA, que combateu Lampião.

Foi com a tropa para cidade de Pedra. O sargento Aniceto ficou em Delmiro Gouveia, à espera de notícias. Depois de Bezerra partir, chegou um caboclo amigo nosso, contando que Lampião tinha sido visto perto de Angico. Imediatamente passei um telegrama para o meu marido e outro para Aniceto, em Delmiro Gouveia. Eles, imediatamente, dirigiram suas volantes para Piranha, onde embarcaram em canoas pequenas, amarradas umas às outras com a finalidade de levar mais soldados. Quando Bezerra saiu à caça de Lampião, a noite estava enluarada e bonita. Senti muito medo, mas confiava em meu marido e na sua vitória. Fiquei ao lado de um soldado doente, até as quatro da madrugada. Ele acordou esperou  e me disse: Dona Cyra, o Capitão Bezerra entrou em combate. Estou ouvindo o tiroteio. A cidade entrou em polvorosa. Quando amanheceu, todo mundo assustou-se com o estampido de um tiro. Será que o bando de Lampião estava tão perto assim? Corri para fora de casa e soube então que um homem ao carregar uma arma disparou-a acidentalmente, ferindo a mulher. Fui à casa deles e encontrei a coitada quase morrendo, suplicando que não prendessem o marido. Depois, ela apagou. No meio daquela agonia, chegou um rapaz dizendo que vinha rio abaixo uma canoa cheia de homens. Pedi para ele ir até a margem do Rio São Francisco, para ver se Lampião havia fugido. Nesse caso, ele deveria voltar e avisar a gente na cidade. Se desse tempo, nós fugíamos. Fui para casa e fiquei esperando os acontecimentos. Já ouvia barulhos estranhos por toda cidade. Eram tiros e gritos. Eu não entendia nada daquilo. Mas pensava: “Se o rapaz não voltou, talvez Lampião o tivesse pegado e agora o bandido está entrando na cidade.”. Fui para a calçada da casa, à espera do pior. Um grupo de homens surgiu no fim da rua. Na frente deles, eu vi Bezerra, caminhando todo ensangüentado. Atrás vinham os seus soldados, trazendo cabeças seguras pelos cabelos. Foi o quadro mais horrível que presenciei na vida. Corri para dentro, apavorada,, e me debrucei no berço da minha filha. Não conseguia tirar as mãos do rosto. Foi quando senti entrar gente no meu quarto. Era Bezerra. Ele disse: “Minha filha, venci. O Cego está morto. Venha ver”. Mas eu não tinha coragem de tirar as mãos do rosto. Bezerra insistia: “Você não quer ver? Olhe, eu estou ferido”.
BEZERRA BOTOU SEU FEITO EM LIVRO
Quando me levantei, os soldados já estavam no quarto, muito alegres, jogando uns nos outros, perfumes encontrado com os cangaceiros. Dançavam e cantavam “Mulher Rendeira”. Eu tinha uma sensação estranha, um arrepio me passava pelo corpo todo. Minha filha no berço e os soldados dançando e cantando em volta dela.  Tudo cheirava a suor e a perfume. Aquilo me sufocava. Peguei a minha filha e corri para a sala. Lá, uma tia minha, vendo o meu sofrimento, agarrou a menina e a levou para a sua casa. Foi então que me acalmei e passei a tratar dos ferimentos do meu marido e dos seus comandados. Lá fora, a cidade inteira dava tiros para o ar, cantava e comemorava a morte de Lampião. Nossa casa foi invadida. Todo mundo queria ver as cabeças decepadas. Bezerra, mesmo ferido, gritava e dava ordens pedindo que passassem um telegrama para seus chefes, contando que o Cego estava morto. Depois, olhou para mim e disse: Quero ver se você se lembra da cara de Lampião. Quando menina, você o conheceu, não é verdade?

O cheiro de sangue agora dominava o ambiente. Espalhados pelo chão se achavam os apetrechos dos cangaceiros. Onze cabeças decepadas se apoiavam ao chão contra a parede. Uma delas era a de Maria Bonita. A seu lado estava a de Lampião, com uma expressão de desespero. Naquele momento, me lembrei de seu rosto. Quando o vi pela primeira vez, eu tinha 11 anos. Então em estava na Fazenda Lagoa dos Patos, de meu pai, o Coronel Antonio Menino, o homem mais importante da região. Eu gostava muito de montar a cavalo e de visitar as fazendas próximas. Num desses passeios, fui parar na Fazenda do Poço. Aí percebi que havia festa na casa grande. Parei no pátio e vi homens rindo e conversando, sentados num banco. Não me interessei por eles. Fiquei olhando pela janela o pessoal que dançava dentro de casa. Era muito bonito o arrastar de pés daqueles homens, acompanhando o ritmo de um xaxado. De repente, um dos quatro que estava no banco pegou as rédeas do meu cavalo, me olhou e disse asperamente: “Saia daqui e não volte menina!”. Não gostei daquela maneira de me tratarem e olhei-o bem nos olhos. Ele, vendo que eu não o obedecia, chicoteou o animal com violência. O cavalo disparou e só parou quando chegamos em casa. Agora eu via novamente a cabeça daquele homem, Lampião. Disse comigo: “Nunca mais vai haver Lampião” Sentia um grande alivio.
Depois, seguimos para Maceió, onde as cabeças decepadas pelos soldados foram entregues ao comandante da Polícia Militar. Finalmente, começamos a viver com mais tranqüilidade. Bezerra foi nomeado delegado regional em São José da Lage, onde ficamos durante vinte anos. Enquanto ele foi vivo, procurei sempre apagar aqueles fatos da minha mente. Nunca falávamos dos tempos do cangaço. Sua recompensa foi uma viagem ao Rio de Janeiro, onde Bezerra se encontrou com o Presidente Getúlio Vargas. Depois, caiu no esquecimento. Tudo o que disseram sobre ele se baseia em mentiras, em acontecimentos deturpados. Até o filme sobre o cangaço foi feito de inverdades, mostrando os soldados como se fossem bandidos. Não “perdoo esta injustiça feita ao meu marido, que sofreu tanto para acabar com o cangaço no Nordeste”.
O Capitão João Bezerra, em seu livro: “Como Dei Cabo de Lampião”, editado em 1940, nega ter pessoalmente cortado as cabeças dos cangaceiros. Em certo trecho ele conta que após os soldados trocarem tiros com os cangaceiros ele ouviu a voz de um deles: “Capitão! O Cego morreu e Maria Bonita também!”

O local onde estávamos oferecia grandes dificuldades para sairmos e transportar o soldado morto e o ferido. Embora com sacrifício, devíamos levar o morto e não enterrá-lo ali.

Quanto aos bandidos, o problema se apresentou mais difícil. Se fosse apenas um, poderíamos conduzi-lo, mas se tratava de onze. O único meio de transportar para esses corpos seria as costas dos soldados. E eles não comiam há três dias, a não ser rapadura com farinha. O sol já estava alteando e as dores me chegaram mais e mais. (Bezerra tinha sido ferido na mão e na perna).

Resolvi seguir na frente e deixei o resto a critério do meu auxiliar direito. Atingi a beira do rio, conduzido por dois soldados. Momento depois chegava o aspirante, com o resto da tropa e com as cabeças decepadas. No começo eu quis reclamar, mas ele se justificou dizendo que o soldado morto e o ferido já pesavam muito e mais pesavam ainda os cangaceiros. Todos os soldados vinham carregados com os apetrechos dos bandidos.

Assim, a condução dos corpos seria impraticável. Para transpor uma das barreiras, único lugar de acesso à beira do rio, fora preciso botar no chão, por duas vezes, os corpos dos soldados... Fazer isso com os bandidos seria impossível. Por isso, dei razão ao tenente que trazia a cabeça dos vencidos. Mesmo porque precisávamos dar ao público uma prova de que os cangaceiros realmente haviam morrido. “É necessário lembrar que a degola foi feita em corpos mortos”.
Um abraço a todos, e façam uma boa leitura. Após, postem seus comentários.

IVANILDO ALVES DA SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN