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sábado, 26 de novembro de 2011

CANGAÇO É HISTÓRIA

Por: Jotabê Medeiros - Belo Horizonte


A Polícia Pernambucana estava à procura de Lampião que era fugitivo daquele Estado e no inverno pesado de 1928 ele chegou à Piçarra, sítio de propriedade do seu amigo “Seu Tonho” acompanhado de apenas 9 cangaceiros e pouca munição.
Vinham esfomeados e se alojaram na parede do açude, aonde esperavam a comida e a munição que viria da cidade de Juazeiro. Naquele mesmo dia, Antonio Piçarra recebeu a força pernambucana comandada pelo tenente Arlindo Rocha que exigiu a entrega do cangaceiro sob a ameaça de matar todos na fazenda, caso o protegesse. Não querendo entregá-lo, por conta da amizade com
Padre Cícero e da certeza que se ele escapasse voltaria para vingar-se, Seu Tonho, avisou-o, por intermédio de um portador, que se retirasse da fazenda pois a casa se encontrava cercada por 100 policiais. Gostaria muito de evitar inimizade com o cangaceiro e por isto deu-lhe a oportunidade de fugir. Lampião, no entanto, não atendeu à sugestão do amigo e preferiu enfrentar a Polícia. Durante o combate, sua munição acabou e ele fugiu para o Estado de Sergipe, onde tinha parentes, com o bando; mas perdeu “Sabino Gomes”, o seu cangaceiro mais valente, nesta luta.

Seu Tonho recebeu muitas ameaças de vingança por parte de Lampião durante o período em que ele estava em Sergipe, antes de ser morto. Mas este nunca mais voltou ao Ceará.

Não se pode condenar os coiteiros de Lampião ou de outros cangaceiros; eles não tinham segurança garantida por parte da polícia, e corriam risco de vida, junto à família, caso se negassem ajudá-los.

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Quem foi Joana Dark?

joana dark

A França era um país curvado ao poderio inglês. Não era propriamente um país como hoje é conhecido. Constituía-se de vários feudos. E foi numa aldeia ignorada até então que, em 1412 nasceu uma criança que se tornaria célebre e célebre faria Domremy.
Filha de pobres lavradores, aprendeu a fiar a lã junto com sua mãe e guardava o rebanho de ovelhas. Teve três irmãos e uma irmã. Não aprendeu a ler, nem a escrever, pois cedo o trabalho lhe absorveu as horas.
A aldeia era bastante afastada e os rumores da guerra demoravam a chegar. Finalmente, um dia, Joana d'Arc tomou contato com os horrores da guerra, quando as tropas inglesas se aproximaram e toda a família precisou fugir e se esconder.
Aos 12 anos começou a ter visões. Era um dia de verão, ao meio-dia. Joana orava no jardim próximo à sua casa, quando escutou uma voz que lhe dizia para ter confiança no Senhor. A figura que ela divisou, identificou como sendo a do arcanjo São Miguel. As duas mensageiras espirituais que o acompanhavam , como Catarina e Margarida, santas conforme a Igreja que ela freqüentava.
Eles lhe falam da situação do país e lhe revelam a missão. Ela deve ir em socorro do Delfim e coroá-lo rei de França.
Durante 4 anos , ela hesitou e a história de suas visões começou a se espalhar. Ao alvorecer de um dia de inverno, ela se levanta. Está decidida. Prepara uma ligeira bagagem, um embrulhozinho, um bastão de viagem, murmura adeus aos seus pais e parte. Nunca mais aquela aldeia da Lorena a verá.
Igreja, de conviver com homens nos campos de batalha, de manejar a espada.
O objetivo era provar que Joana era uma enviada do demônio. Consequentemente, se desmoralizaria o rei Carlos VII. Afinal, que espécie de rei era aquele que se deixara enganar por uma bruxa ?
Durante 6 meses ela é submetida a uma verdadeira tortura moral. Os interrogatórios são longos , cansativos. Finalmente, a execução se dá na praça central de Roeun, no dia 30 de maio de 1431.
Seu cabelo foi raspado e, por temerem a reação do povo, 120 homens armados a escoltam até o local. Ela é atada a um poste e a fogueira é acesa.
Quando as chamas a envolvem e lhe mordem as carnes, ela exclama: "Sim, minhas vozes eram de Deus! Minhas vozes não me enganaram."
Era a prova inequívoca da mediunidade que lhe guiara a trajetória terrena.
No capítulo XXXI de O livro dos médiuns, vindo a lume no ano de 1861, quando o Codificador reúne Dissertações Espíritas, confere à de Joana D'Arc o número 12, onde ela se dirige aos médiuns, em especial, concitando-os ao exercício do mediunato.
Recomenda-lhes, ainda, que confiem em seu anjo guardião e que lutem contra o escolho da mediunidade que é o orgulho.
Conselhos que ela, em sua vida terrena , na qualidade de médium, muito bem seguira.

Fonte: Joana D'Arc, médium - Léon Denis

Grandes personagens da História Universal, vol. 2
Movida por uma fé inquebrantável, Joana d'Arc contribuiu de forma decisiva para mudar o rumo da guerra dos cem anos, entre a França e a Inglaterra.
Joana d'Arc nasceu em Domrémy, na região francesa do Barrois, em 6 de janeiro de 1412. Filha de camponeses, desde pequena distinguiu-se por sua índole piedosa e devota. Aos 13 anos, declarou que podia ouvir a voz de Deus, que a exortava a ser boa e a cumprir os deveres cristãos. A mesma voz ordenou-lhe depois que libertasse a cidade de Orléans do jugo inglês. Afirmou ainda ter visto o arcanjo são Miguel, além de santa Catarina e santa Margarida, cujas vozes ouvia.
Quando as lutas entre franceses e ingleses se aproximaram do Barrois, Joana d'Arc não retardou por mais tempo o cumprimento das ordens sobrenaturais. Partiu de sua aldeia e obteve de Robert de Baudricourt, capitão da guarnição de Vaucouleurs, uma escolta para guiá-la até Chinon, onde se achava o rei da França, Carlos VII, então escarnecido como "rei de Bourges" em alusão às reduzidas proporções de seus domínios.
O país estava quase todo em mãos dos ingleses. Os borgonheses, seus aliados, com a cumplicidade de Isabel da Baviera, entregaram a nação ao domínio britânico, pelo Tratado de Troyes. Inspirada por extraordinário patriotismo, Joana comunicou ao rei a insólita missão que recebera de Deus. Nesse encontro, em março de 1428, assombrou a todos pela segurança com que se dirigiu ao rei, que lhe entregou o comando de um pequeno exército para socorrer Orléans, então sitiada pelos ingleses. No caminho, a atitude heróica da humilde camponesa atraiu adesões para as tropas que comandava.
Chegando a Orléans, Joana intimou o inimigo a render-se. O entusiasmo dos combatentes franceses, fortalecido pela estranha figura da aldeã-soldado, fez com que os ingleses levantassem o sítio da cidade. O feito glorioso de Joana d'Arc, pelo qual foi cognominada a Virgem de Orléans, aumentou seu prestígio, mesmo entre os soldados inimigos, e alimentou a crença em seu poder sobrenatural. A coragem da heroína realizou efetivamente o milagre de erguer o espírito abatido da França. Um sopro cívico perpassou pela nação. Joana d'Arc, porém, ambicionava nova missão: levar o rei Carlos VII para ser sagrado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa, o que ocorreu em 17 de julho de 1429. Na tentativa que se seguiu da retomada de Paris, a heroína foi ferida, o que contribuiu para aumentar o patriotismo de seus conterrâneos.

No ataque que empreendeu a Compiègne, em maio de 1430, Joana foi aprisionada pelos borgonheses. Em lugar de executá-la sumariamente, como poderiam ter feito, preferiram planejar uma forma de privá-la da auréola de santa por meio da condenação por um tribunal espiritual. No jogo de interesses políticos que envolveu sua figura de heroína, Joana d'Arc não encontrou apoio por parte do rei.
Em junho, o bispo Pierre Cauchon surgiu no acampamento de João de Luxemburgo, onde se encontrava a prisioneira, e conseguiu que ela fosse vendida aos ingleses. Ambicioso, desejando obter o bispado de Rouen, então vago, Cauchon faria tudo para agradar aos donos do poder. Sem direito a defensor, confinada numa prisão laica e guardada por carcereiros ingleses, Joana d'Arc foi submetida por Cauchon a um processo por heresia, mas enfrentou os juízes com grande serenidade, como revela o texto do processo.
Para transformar a pena de morte em prisão perpétua, assinou uma abjuração em que prometia, entre outras coisas, não mais vestir roupas masculinas, como forma de demonstrar sua subordinação à igreja. Dias depois, por vontade própria ou por imposição dos carcereiros ingleses, voltou a envergar roupas masculinas. Condenada à fogueira por heresia, foi supliciada publicamente na praça do Mercado Vermelho, em Rouen, em 30 de maio de 1431. Seu sacrifício despertou novas energias no povo francês, que finalmente expulsou os ingleses de Calais. Joana d'Arc foi canonizada em 1920 pelo papa Bento V.

Novos paradigmas no uso da força policial

Por: Dr. Archimedes Marques

Com o objetivo de reduzir gradativamente os índices de letalidade nas ações empreendidas pelos agentes da força pública, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República editaram recentemente a Portaria Interministerial nº 4.226, de 31 de dezembro de 2010, estabelecendo novas diretrizes sobre uso da força e de armas de fogo por parte das polícias da União, compostas pela Força Nacional de Segurança, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e agentes penitenciários federais.
A luz do texto não atinge as corporações estaduais e municipais, como as policiais civil e militar e as guardas civis, entretanto, nada obsta que os próprios Estados e Municípios usem do mesmo parâmetro para os seus agentes.
Dentre as principais mudanças na conduta policial está a proibição do agente da força pública atirar contra o cidadão que esteja em fuga, mesmo que este esteja armado. O disparo de arma contra veículos que tenham furado um bloqueio policial ou em blitz, igualmente está proibido. O ato de apontar arma de fogo durante uma abordagem na rua ou em veículos também deve ser bastante criteriosa.
Pela nova regulamentação, também estão proibidos os chamados tiros de advertência,  quando o agente dispara para o alto a fim de controlar situações de conflito ou objetivando parar pessoas ou veículos em situações suspeitas.
O uso da força letal pela polícia só será considerado legal em caso de legítima defesa própria ou de terceiros.
De acordo com o texto da portaria, o uso da força deverá obedecer aos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e conveniência.
Os agentes policiais deverão portar pelo menos dois outros instrumentos de menor poder ofensivo como alternativa ao uso da arma de fogo. Para isso, o porte de armas não-letais como spray de gás de pimenta, bastões tonfa, coletes à prova de bala e pistolas TASER serão incentivadas para o uso freqüente em todas as policias do país.
Não-letais são as armas especificamente projetadas e utilizadas para incapacitar cidadãos em conflito com a polícia, minimizando fatalidades.
É bem verdade que as armas não-letais não têm probabilidade-zero de risco, ou seja, pode ocorrer mortes ou ferimentos permanentes nos confrontos com a polícia, em virtude principalmente do poder dos electrochoques paralisantes das armas TASER, entretanto, reduzem esta probabilidade se comparadas com as armas tradicionais que têm por objetivo a destruição física dos seus alvos.
A prática demonstra e comprova através das diversas ações policiais que a única arma não-letal capaz de instantaneamente paralisar um criminoso e que pode muito bem ser portada no cinturão de qualquer policial é a pistola TASER, razão pela qual, deve ser tal utensílio de trabalho o parâmetro principal do Ministério da Justiça em aquisição e maior distribuição dessa tão importante arma para toda a força policial brasileira.
Esta ação interministerial não visa retirar as armas de fogo dos policiais, afinal, o armamento letal ainda é insubstituível em determinados confrontos, por isso todos os nossos agentes deverão portar a sua arma normal para enfrentar o perigo maior e a arma especial TASER para os demais conflitos que assim possa utilizar desse artifício.
A portaria ainda prevê que os processos de seleção para ingresso nas forças de segurança pública terão de observar se os candidatos possuem o perfil psicológico necessário para lidar com situações de estresse e uso da força e arma de fogo. Os cursos de treinamento policial também terão a obrigação de incluir nos seus currículos conteúdos pertinentes a nova regra e relativos à proteção dos direitos humanos.
O texto da portaria foi baseado no Código de Conduta para Funcionários Responsáveis pela Aplicação das Leis, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 1979, e também nos princípios do uso da força e de arma de fogo na prevenção do crime e tratamento de delinqüentes, adotado no Congresso das Nações Unidas em Havana, capital de Cuba, em 1999.
Assim caminhamos para alcançar a tão almejada polícia cidadã  que estabelece o elo de boas ações direcionado verdadeiramente a serviço da comunidade, ou seja, uma polícia em defesa do cidadão e não ao combate ao cidadão.
Entretanto, apesar do avanço das medidas não podemos esquecer que a segurança pública pressupõe a existência de uma estrutura alicerçada em quatro pilares tão básicos quanto necessários: excelente salário, excelente equipamento, excelente treinamento e excelente Corregedoria de polícia, tudo em busca da sonhada polícia de excelência.
No item principal desse pilar, a PEC 300  que busca dentre outras melhorias, o piso salarial nacional, um salário digno para a polícia, se arrasta lentamente, sempre procrastinada, sem solução adequada ou aprovação definitiva no Congresso Nacional e até com proposta de inviabilização, dá a entender é que o poder público pretende continuar com uma polícia fraca, desvalorizada, desmotivada, desacreditada, submissa, esvaziada, humilhada, falida.
Autor:
Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Enviado pelo autor: Dr. Archimedes Marques

Dentro da moldura (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

DENTRO DA MOLDURA

Esqueceram a paisagem
na fotografia da minha namorada
não pintaram o fundo
da tela com a minha namorada
deixaram em fundo branco
o desenho da minha namorada
não enxergo nenhum cenário
emoldurando a minha namorada
talvez um jardim ou arvoredo
talvez um rio ou um mar
talvez um sol ou uma lua
talvez em tudo minha namorada
tanto faz que tivessem esquecido
de colocar um céu ao redor
ou um horizonte de azul e revoada
tanto faz porque a minha namorada
seguiu por uma estrada escondida
dentro da pintura ou fotografia
e só retornará para buscar
o sorriso triste que esqueceu.

Rangel Alves da Costa

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

MATUTO NA MODERNAGEM (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

MATUTO NA MODERNAGEM
Rangel Alves da Costa
Seria até constrangedor o cabra da capital ou entendido da leitura chegar pro verdadeiro matuto, o autêntico caipira das distâncias sertanejas e perguntar-lhe alguma coisa sobre novas tecnologias, progresso científico, informática, métodos progressivos de otimização do trabalho e da produção.
Muitas vezes constrangedor para os dois lados, pois o que se acha sabido e pergunta apenas no intuito de ofender, fala somente por ter ouvido falar, por ouvir dizer, sem realmente saber qualquer conceito que o valha. Mas no seu silêncio envergonhado, muitas vezes de cabeça baixa, o matuto convive diariamente com muito mais tecnologia do que se imagina.
Ora, desde que o mundo é mundo, como gostam de dizer, as tecnologias são utilizadas no dia a dia. Mesmo sem uma formulação acabada sobre as técnicas utilizadas, verdade é que o simples gesto de friccionar madeira para fazer surgir o fogo, os instrumentos de pedra utilizados para fazer armas de caça, as armadilhas que criavam para caça animais, os arcos, as flechas, enfim, todo aquele aparato tão útil para a sobrevivência era pura tecnologia.
As garruchas e espingardas utilizadas antigamente na caça e proteção aos poucos foram se tornando em rifles e outras armas modernas; a machadinha de pedra dos tempos idos deram lugar à lâminas cortantes e afiadas; os cumbucos e cuias foram perdendo uso quando do surgimento das vasilhas, panelas e canecas; o velho fogão a lenha, de trempe e com pedras e gravetos por baixo, foi cedendo lugar para a comodidade do fogão a gás.
Assim, no mundo sertanejo e por todos os lugares, dos mais atrasados aos mais desenvolvidos, tudo que se tem hoje como tecnologia é apenas um aperfeiçoamento daquilo que ao longo do tempo foi sendo construído. Basta lembrar que o poder de cura através das ervas medicinais não foi descoberto primeiro em laboratório, mas sim nos quintais das casas sertanejas e nas matarias ao redor.
Nem em todos os lugares se usa mais, pois até nos grotões mais inacessíveis o progresso já está presente em muitos aspectos, mas não é difícil de se avistar ainda um amplo leque de tecnologias ditas atrasadas sendo ainda eficientemente utilizadas. Daí a persistência do carro-de-boi, da utilização do arado puxado por animais ou conduzidos por mãos humanas no preparo da terra para o plantio, as coivaras para queimar a mataria e deixar os campos limpos – e devastados e empobrecidos – para a plantação.
Daí também ser possível avistar o próprio sertanejo mexendo na sua fornalha para forjar o ferro e transformar em pás, enxadas e enxadecos; mexendo o barro da beira do riacho para transformá-lo em telhas e tijolos na olaria; as mãos geralmente femininas e calejadas revirando e amassando o barro marrom e pegajoso para daí em diante ganhar forma o pote, a panela, o prato, a cuia, a moringa, e muitos outros instrumentos ainda existentes nas cozinhas sertanejas.
O café gostoso e cheiroso foi batido no velho pilão herdado de um parente escravo; a moringa continua sendo a melhor geladeira em muitos lugares aonde ainda não chegou energia; as carnes salgadas que se estendem nos varais não perderão nem o sabor nem a qualidade ainda que fiquem semanas inteiras estendidas nos varais pelos quintais; a farmácia sortida de tudo está bem ali no quintal, com mastruz, erva cidreira e manjericão e muito mais.
Contudo, com a chegada dos benefícios da energia elétrica tudo deu um salto que, em muitos lugares, leva até ao empobrecimento das relações. As famílias praticamente não sentam mais diante da casa em noites de luas bonitas para conversar. Há sempre uma televisão, em ferro de engomar novo, um rádio a energia. Em muitos lugares as antenas enfeiam as paisagens, os animais foram relegados e as motonetas se tornaram moda. Os motores são ouvidos a todo instante, um carro sai de onde se guardava os sacos de milho e feijão.
E de repente o telefone celular toca e logo se ouve: “Alô cumpade, inté tomei um susto com esse bicho e quase num acerto a boca dele falar...”.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

AS BELEZAS DO CEARÁ


Lago Azul



Lago Azul







No dia em que eu partir, meus olhos deixarão de ver tantas coisas lindas por esse Brasil a fora.

Cariri Cangaço em Natal...

Por: Manoel Severo

É HOJE O GRANDE ENCONTRO
NÃO SE ESQUEÇA!


Caros amigos, neste sábado estaremos participando de um Grande Encontro.

A partir das 19:30h temos um encontro marcado com os amantes da nordestinidade, suas raízes, história e memória; da simpática e acolhedora capital potiguar; na programação, um encontro especial no sábado à noite no Restaurante Mangai, presenças certas:

 
Ivanildo Silveira,
 
 
Honório de Medeiros,
 
 
Múcio Procópio,
 
 
Sérgio Dantas,
 
 
Rostand Medeiros, dentre outros...

Assunto?! Não duvidem: Cangaço!
 
Abraços e até logo mais a noite.
 
Manoel Severo
 

Aniversário dos Últimos Cangaceiros em Caruaru

Bate e volta de Aniversário 
dos Últimos Cangaceiros
  27 de Novembro de 2011
Estação Ferroviária
Caruaru - PE
 
email : osultimoscangaceiros@gmail.com
http://www.osultimoscangaceiros.com.br

Programação:
 
08h - Recepção dos amigos motociclistas
09h - Café da Manhã 0800
Tiros de bacamarte, Gincanas, 
Sorteio de Brindes.
 

A FAMÍLIA DE LAMPIÃO

 

Retrato da família Ferreira, tirado em Juazeiro, em 1926.  Lampião está à direita.  Seu irmão Antonio Ferreira está à esquerda. Em pé, no meio, João, o único irmão Ferreira que não entrou para o cangaço. Ezequiel Ferreira, o irmão mais moço, está a direita de João. João está com a mão no ombro de sua mulher. As outras senhoras são irmãs dos rapazes. Os outros no grupo são primos. Foto liberada por João Ferreira. Propriá   

Todos os filhos de José Ferreira da Silva nasceram em Passagem das Pedras, uma parte de terras desmembrada da fazenda Ingazeira, às margens do Riacho São Domingos, no município de Vila Bela, atualmente Serra Talhada, no Estado de Pernambuco.

O sítio ficava aproximadamente 200 metros da casa de dona Jacosa Vieira do Nascimento e Manoel Pedro Lopes, avós maternos de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.                      

Por causa dessa proximidade, Virgulino residiu com eles durante grande parte de sua infância. Seus avós paternos eram Antonio Ferreira dos Santos Barros e Maria Francisca das Chagas, que residiam no sítio Baixa Verde, na região de Triunfo, em Pernambuco.

Fonte: Diversos sites postaram estas informações.

O livro do escritor Gilmar Teixeira



Uma excelente história sobre a morte do industrial Delmiro Gouveia


Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?

Autor: Gilmar Teixeira

Edição do autor: 152 págs.

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CORISCO - O DIABO LOIRO

Por: Paulo Moura
Cristino Gomes da Silva Cleto. Este  foi o nome de uma das figuras mais legendárias do cangaço, o terrível Corisco. Ou, Diabo Louro.
Figura atormentada pelo destino nasceu em 10/08/1907, num dia de sábado, na Serra da Jurema, no município de Matinha de Água Branca, em Alagoas. Filho de Manoel Gomes da Silva e de Firmina Cleto teve seis irmãos: Vicente, Francisco, Maria, Jovita, Teodora e Rosinha.
Seu pai morreu muito jovem deixando a viúva com a obrigação de criar sozinha, os filhos ainda pequenos. Dona Firmina, áustera e moralista tratava os filhos com pulsos de ferro, surrando-os freqüentemente por motivos nem sempre justificáveis. Cristino, de temperamento rebelde desde cedo, fugiu de casa ainda aos 14 anos de idade após uma destas memoráveis surras. Naquele tempo a família já morava na vila de Pedra de Delmiro/Alagoas.
Foi parar em laranjeiras, Sergipe, onde passou cerca de três anos trabalhando como entregador de leite. Em fins de 1923, volta para casa muito doente e é recebido pela mãe, saudosa e muito arrependida.
Em 1924 é convocado para o serviço militar, indo destacar em Aracajú/Sergipe. Alto, olhos azuis, loiro, bem parecido, inteligente e disposto, destaca-se entre os demais recrutas, atraindo para si a admiração dos superiores. Afeiçoa-se às armas, que aprende a manejar com precisão.
Em julho daquele ano o tenente Maynard participa de uma revolta contra o governo, ao qual se mostra infrutífera devido à reação do presidente, apoiado pelos “coronéis” do interior com suas milícias de jagunços. Tendo sido um dos mais exaltados no momento da sublevação, Cristino é também um dos mais perseguidos. Foge então para Pedra de Delmiro para esconder-se ao lado da família, mas em pouco tempo chega uma precatória solicitando sua prisão. Foge então para mais longe, Paraíba. Até então não imaginaria que passaria, a partir dali, a viver fugindo até o fim dos seus dias.
Na Paraíba, homiziou-se em Lagoa do Monteiro, terra do célebre bacharel-cangaceiro Santa Cruz, habitat dos valentões. Naquele tempo o sertão fervilhava de cangaceiros. A mudança não lhe foi benéfica.
Cristino por algum tempo foi trabalhar na roça e no trato com o gado, mas como nem sempre de trabalho vive o homem tornou-se freqüentador assíduo dos forrós de fim de semana. Certa feita tira uma moça para dançar e recebe um “não”. Insiste, e é esbofeteado por um parente da moça. Apanhar na cara é uma desmoralização que o sertanejo não perdoa. Vai à casa do patrão, arma-se e despeja toda a carga de um rifle sobre o agressor, matando-o. Consegue fugir, indo ocultar-se em uma das fazendas do patrão.
Estávamos nos fins de 1925.
É orientado pelo patrão a entregar-se às autoridades. Ele providenciaria que a pena lhe fosse branda. Confiante, Cristino se entrega e é levado a júri. O tiro lhe sai pela culatra e pega 15 anos de prisão. O Estado naquela época, não tinha condições de manter prisioneiros encarcerados por tão longo período e normalmente resolvia o problema da maneira mais simples.
Escoltava-se um grupo de prisioneiros com penas iguais ou superiores a 15 anos, até um local deserto na caatinga, mandava que os infelizes cavassem suas próprias covas e fuzilava-os à queima roupa. Às vezes, para economizar munição ou não fazer barulho, optava-se pelo processo da sangria lenta: “Ferro na taba do queixo… feito bode”.
Por sorte, Cristino ficou numa cela com oito companheiros, e um deles era protegido pelo prefeito do lugar. Poucos dias depois recebe uma sacola com alimentos, contendo ainda ferramentas para a fuga e um bilhete avisando que no dia seguinte todos seriam fuzilados e que por isso tratassem de fugir enquanto era tempo. No dia seguinte, quando o sol nascia na Paraíba, Cristino era novamente um homem livre.
Vai parar em Villa Bela (atual Serra Talhada), refugiando-se na fazenda Carnaúba, reduto da família Pereira, celebres no Pajeú devido aos aguerridos combates contra as famílias Nogueiras e Carvalhos. Né da Carnaúba precisava de homens valentes na sua terra para utilizá-los quando necessário, colocando-o entre seus moradores. Novamente Cristino volta para a vida normal de cuidar do gado e da roça.
Estávamos no inverno de 1926.
Certo dia, o filho do prefeito de Villa Bela, em visita à fazenda Carnaúba, reconhece Cristino e avisa a seu Né que seu pai recebera uma precatória para sua prisão, e que se fosse levado para a Paraíba seria certamente executado no caminho.
O conhecido fazendeiro explica a situação para Cristino e o aconselha que a única solução seria ingressar no bando de Virgulino Ferreira, Lampião, celebre cangaceiro que à época já chefiava cerca de 100 homens em armas, travando uma guerra de vinditas contra a família Nogueira, esta, ligada aos Carvalhos, inimiga dos Pereiras. Lampião, nesta época já ostentava a patente de Capitão das forças legalistas, dada meio à força pelo Padre Cícero do Juazeiro do Norte, após um convite firmado para que o cangaceiro combatesse a coluna prestes que, em formação de caravana, invadia o sertão.
Lampião, ao ouvir as razões que o fizeram virar um foragido da justiça, resolve admiti-lo no bando, colocando-o sob a chefia de Jararaca, um valente cangaceiro natural de Buique/PE. Jararaca, ao conhecer o alagoano Cristino, vai logo dizendo que o mesmo tem que mudar de nome, pois cangaceiro tinha que ter um vulgo que impusesse medo. Seu primeiro tiroteio foi logo no dia seguinte na fazenda Tapera, quando fora chacinada a família Gilo (este, um assunto guardado para páginas seguintes, devido à gravidade dos fatos e a um grande mal que assolava o sertão na época. O Boato). A partir daquele dia, diante da bravura, agilidade e intrepidez do louro Cristino, este ganhou o apelido de Corisco.

Corisco ficou no bando até maio de 1927. Tanto isso é verdade que não se vê a sua presença no grande ataque à cidade de Mossoró/RN em 13/06/1927. O mesmo tentara deixar o cangaço e mostrara a Lampião que queria começar vida nova. Viver sem ser perseguido. Tinha muita vontade de ir para a Bahia, terra dos seus pais e onde ainda tinha muitos parentes. Queria montar um comércio ou entrar na polícia. Queria levar uma vida sossegada, pacata. Lampião ouviu suas razões e disse que não tinha problema, poderia ir quando quisesse, mas que tivesse cuidado, pois se descobrissem que ele havia participado do bando de Lampião seria morte certa. Disse-lhe ainda que no dia em que quisesse voltar seria bem recebido.
Corisco, agora com o nome de Cristino de novo, vai para Salgado do Melão e fica no meio dos parentes. Era cidadão comum de novo e nova vida iria recomeçar. Um homem valente não passa despercebido e em pouco tempo Cristino foi convidado para ser guarda costas do Coronel Alfredo Barboza, em Vila Nova da Rainha. O serviço não exigia tempo integral e o ex cangaceiro, agora regenerado, dedicava-se também ao comércio de pequenos animais, abatendo-os e vendendo a carne nas feiras semanais. Data desta época o desentendimento do jovem feirante com o delegado Herculano Borges, quando Cristino reclama da cobrança abusiva de um imposto na feira, é brutalmente agredido pelo delegado e seus ajudantes. Com mais esta desmoralização Cristino opta por não se vingar imediatamente, pois caíra nas graças do coronel e até noivo estava de uma sobrinha sua, a Marieta, e já tinha também a promessa de montar uma mercearia quando desposasse a donzela.
Novamente o destino lhe é cruel. Cristino tinha uns primos envolvidos em questões, coisa comum naquele sertão sem lei, e ele termina arrastado naquele desmantelo de desavenças e intrigas. São emitidas precatórias para a prisão dele e dos primos. Este, com o sonho do casamento desfeito, passa a viver escondido no mato, enquanto seus parentes passam a sofrer todo tipo de perseguição.
Herculano Borges, antes indisposto com ele, agora não lhe dá sossego. Vários de seus parentes são torturados, castrados, violentados, assassinados pelas volantes e, acreditem, alguns até enterrados vivos.
Cristino perde tudo. Comercio, noiva, emprego, família, e volta novamente para a clandestinidade. Agora, com o coração ardendo em ódio, une-se a Ferrugem, Hortencio, vulgo Arvoredo, Emilio Ribeiro, vulgo Beija Flor e Manoel Cirilo, vulgo Jurema, quase todos primos seu. E ele… De novo, e agora para sempre: Corisco, o Diabo Louro!
É nesta época que Corisco se apaixona por uma jovem de 12 a 13 anos de idade, seqüestrando-a, leva a donzela para casa de parentes seus. Não sem antes violentá-la e fazê-la, mesmo à força, sua mulher. A moça se chamava Sérgia, e quando Corisco consegue enfim trazê-la para perto de si, passa a tratá-la com desvelo e delicadeza tamanha que a mesma se apaixona pelo facínora. Sérgia seria futuramente a Dadá, mulher valente, perversa e considerada a princesa do Cangaço. Corisco passa a atuar com grupo próprio nos meados de Agosto de 1928. Já em Dezembro do mesmo ano vamos vê-lo incorporado ao bando de Lampião quando este viajava em rota batida, fugindo dos desafetos de Pernambuco, indo se homiziar em terras baianas.
No dia 17/12/1928, o grupo do cangaceiro Lampião é fotografado na vila de Pombal (ver foto abaixo), com um contingente reduzidíssimo, devido as perseguições, mortes, prisões e debandadas de alguns cangaceiros. Corisco foi assassinado no dia 25 de maio de 1940. Considerado o último cangaceiro do século XX. Após ele, não apareceu mais banditismo.

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