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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Há 85 anos, Lampião chegava a Mossoró


Lampião só reconheceu ter sofrido uma única derrota em vida: em 13 de junho de 1927, quando foi posto para correr de Mossoró. "Foi quando se viu que ele não era invencível", afirma o pesquisador 

Kydelmir Dantas e Prof. Pereira

Kydelmir Dantas, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC. Tanto que, após o episódio, o cangaceiro tomou um chá de sumiço. "Ele desaparece de qualquer registro histórico por um ano. Lampião também deixa de atuar nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Só em 28 que se têm notícias dele, pelos lados do Raso da Catarina, na Bahia."

 
Lampião e seus cabras em Pombal - BA

A passagem de Virgulino Ferreira pela Capital do Oeste potiguar tornou-se capítulo obrigatório em qualquer obra sobre o tema. Pelo menos as que se prezem. Entre a enxurrada de publicações sobre o episódio, é possível apontar pelo menos quatro estudos obrigatórios. "O primeiro deles é "Lampião em Mossoró", de 1956, escrito pelo historiador Raimundo Nonato. 

Raimundo Nonato

Este é totalmente documental e até meio chato para quem não é pesquisador. Outras obras importantes são: "A Marcha de Lampião", de Raul Fernandes; "Nas Garras de Lampião - Diário do Coronel Gurgel, escrito por Antônio Gurgel, que foi refém do bando, e com notas e anexos do historiador 

Raimundo Soares de Brito

Raimundo Soares de Brito; e, por último, "Lampião e o Rio Grande do Norte - A História da Grande Jornada", do juiz Sérgio Augusto de Souza.

Sérgio Augusto de Souza Dantas

O ataque

que cita: "De acordo com esses estudos, da entrada de Lampião no território potiguar até o assalto a Mossoró, o bando gastou cerca de três dias. Da noite de 9 para 10 de junho, os cangaceiros entraram em território potiguar, por Luís Gomes. No dia 12, chegaram ao povoado de São Sebastião, hoje a cidade de Dix-sept Rosado. De lá, foi enviado um telegrama para Mossoró, avisando sobre a chegada do bandido. A cidade, que estava em festa, entrou em desespero. O prefeito organizou então um êxodo, montando as trincheiras para recepcionar os invasores (Souza).

"Esvaziar a cidade foi uma grande estratégia do prefeito Rodolfo Fernandes. Assim, quem ficou para o combate não ficou preocupado com a própria família, que estaria em casa", explica Kydelmir Dantas. O problema foi que o raiar do dia acabou com o ânimo de muitos combatentes, que abandonaram as trincheiras. "Caso o ataque tivesse sido no dia 12, certamente Lampião teria encontrado a cidade bem mais protegida. E a história poderia ser outra", conjectura.

No dia 13, ao chegar no Sítio Saco, é enviado o primeiro bilhete, pedindo 400 contos de réis para poupar a cidade. Com a negativa, vem o segundo bilhete ameaçador e a resposta: Lampião podia vir que o que tinha separado para ele era bala.

À tarde, por volta das 16h, começou o ataque. Lampião dividiu o bando em três grupos. Um atacou a casa do prefeito; outro a estação ferroviária; o terceiro rumou para o cemitério. Com a resistência armada, o bando recua cerca de uma hora após o início do conflito. Ficam para trás Colchete, morto, e Jararaca, ferido no peito. Este último foi preso no dia seguinte e morto e enterrado na madrugada do dia 19 de junho daquele ano. 

Posteriormente e virou elemento de culto por parte de alguns crédulos, da cidade e da outras regiões, sendo seu túmulo um dos mais visitados no Dia de Finados. Sobre este 'culto', ler "Jararaca - o cangaceiro que virou santo" de Fenelon Almeida (1978).



(*) atualizado por Kydelmir Dantas, em 04-12-2012.

A contribuição árabe para o Brasil: Um esboço acerca da influência árabe no Brasil colônia


Um excelente artigo no blog do Prof. Rafael Lapuente que fala da influência árabe no Brasil Colônia. Trata-se de um capítulo ainda pouco explorado dentro da historiografia brasileira e muito importante para a formação cultural do nosso país. Clique aqui para baixar e não deixe de visitar

[Cangaço na Bahia] Antes de ser "capitão"...


Esta foto é Virgulino Ferreira da Silva

Este material pertence ao acervo do professor e pesquisador do cangaço: Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com

MEXENDO O PIRÃO - NOVO LIVRO DE ADRIANO MARCENA


Com lançamento nacional marcado para o dia 15 de dezembro, no Mercado da Boa Vista, no Recife, o livro aborda o encontro dos paladares indígena e europeu a partir da farinha de mandioca durante a invasão holandesa ao Nordeste brasileiro.

A farinha de mandioca, enraizada no universo gustativo e simbólico dos povos indígenas muito antes da chegada dos europeus, possivelmente foi um dos elementos que serviu para facilitar suas conversões ao cristianismo ibérico. Para isso, foi preciso que alguns catequistas modificassem a matéria-prima mor do corpo de Cristo, confeccionada com farinha de trigo europeia, e passasse a preparar hóstias à base de farinha de mandioca.
Esse é um dos tópicos do livro Mexendo o Pirão: importância sociocultural da farinha de mandioca no Brasil holandês (1637-1646), de Adriano Marcena, historiador de formação, que será lançado 15 de dezembro (sábado), às 10h, no Mercado da Boa Vista, centro do Recife.  

Com prefácio do renomado antropólogo Raul Lody e orelha assinada pelo historiador e arqueólogo Plínio Victor, Mexendo o Pirão, de Adriano Marcena, nos oferta importante obra não apenas sobre os aspectos da História da alimentação no Nordeste brasileiro, mas e, principalmente, sobre o que somos enquanto sujeitos históricos e simbólicos a partir do que levamos à boca. A publicação recebeu incentivo do Funcultura, Secretaria de Cultura e Governo do Estado de Pernambuco.

Serviço: Lançamento

Título: Mexendo o Pirão: importância sociocultural da farinha de mandioca no Brasil holandês (1637-1646)
Tema: História da alimentação
Páginas: 160
Local de lançamento: Mercado da Boa Vista – Recife-PE
Data: 15 de Dezembro de 2012 (sábado)
Horário: 10h
Preço do livro: R$ 20,00

Historiador por formação, Adriano Marcena é o que podemos chamar de um verdadeiro "escavador cultural". A partir de uma necessidade observada nas escolas, onde detectou uma carência de conhecimento sobre a história, comportamento e os costumes que permeiam o universo simbólico pernambucano, Marcena debruçou-se durante 11 anos em pesquisas e viagens, que resultaram no calhamaço de mais de mil páginas chamado Dicionário da Diversidade Cultural Pernambucana (Cel Editora), lançado em 2010.

A temática regional do livro agora ganha projeção nacional durante o São Paulo Fashion Week (SPFW), que acontece de 19 a 24 deste mês, no prédio da Bienal, no Parque de Ibirapuera, em São Paulo. O escritor teve trechos de sua obra espalhados pelas páginas da revista Mag!, publicação do evento que este ano homenageia o estado de Pernambuco, sendo um dos entrevistados da edição. No próximo sábado (21), Marcena participa de uma noite de autógrafos que vai servir como lançamento nacional de sua obra.

O Dicionário esmiúça desde termos “banais” como carro-de-boi ou coloral, a expressões e gírias populares utilizadas em futebol, culinária, fauna, flora, datas comemorativas, personalidades importantes, geografia, entre outros. Partindo do significado do termo, Marcena realiza um verdadeiro estudo de contexto, costumes e comportamento, traçando um verdadeiro raio-x de Pernambuco. “A ideia era fazer um livro que contemplasse esses elementos da cultura pernambucana, agora também numa perspectiva histórica e antropológica. Que explicasse um pouco da nossa trajetória cultural. Em termos de facilitar a consulta, eu pensei num dicionário”, explica o escritor.

Depois do reconhecimento por unanimidade através do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho de Educação, o livro obteve repercussão muito boa dentro das universidades e no exterior. A novidade este ano é o lançamento da edição escolar que vai servir como ferramenta para os professores dentro da sala de aula. “Depois disso começo a adaptação para a versão mini”, revela.

Quebrando barreiras - Inicialmente surpreso pelo contato inusitado com a organização da SPFW, Marcena conta que ficou feliz com o resultado do trabalho. “Meu livro acabou servindo de base para a produção da revista, que soube traduzir bem o que viria a ser esse sentimento nosso de pernambucanidade”, comenta. Apesar de termos regionais como “saia de xita” ou “sandália de couro” estarem aparentemente distante da moda cosmopolita nos holofotes da SPFW, Marcena diz que a aproximação entre esses dois “mundos” se faz necessária.

“Eles foram muito atenciosos porque se detiveram na questão cultural. Termina sendo um abrir de portas, porque nós, de certa maneira, ainda temos um complexo de vira lata muito grande, quando é necessário ir lá pra fora para sermos legitimados aqui dentro. Precisamos olhar para nós mesmos como uma contribuição. Acredito que o livro veio para quebrar essa lógica perversa, porque ele fala de nós daqui de dentro enquanto construção cultural”, conclui.

Enviado pelo autor:
 Adriano Marcena

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O mais antigo filme sobre o Cangaço

Por: Rubens Antonio
Rubens Antonio

27 de novembro de 1929, no “Diario de Noticias”:

UM “FILM” SOBRE LAMPEÃO, CONFECCIONADO NA ZONA INFESTADA PELO BANDIDO MALVADO E COVARDE



A CINEMATOGRAPHIA GRAVA OS CRIMES DO BANDIDO 

Estamos numa epocha em que factos de tamanha sensação não podem ter a sua descripção limitada ao registro da imprensa; elles, graças á divulgarização da cinematographia, são mostrados, ao vivo, ao povo.

Em todo o mundo civilizado assim occorre, com a modernização dos novos processos de reportagem. Todo o mal que o bandoleiro faz ás nossas populações sertanejas é salientado, mediante uma reconstituição de scenas verdadeiras, honestamete feitas, nos proprios locaes onde ellas se verificam e mediante o testemunho de pessoas sabedoras dos factos. A empresa Nelli–Film, bahiana, se incumbe da organização dessa pellicula sensacional.

E’ DIFFICIL DISTINGUIR–SE QUAL O CRIME MAIS PERVERSO

O reporter soube da confecção desse “film” e tranto investigou que acabou encontrando o sr. José Nelli, chefe da empresa. Palestraram. O industrial relatou as difficuldades que teve de vencer, da deficiencia de personagens aos trabalhos de reconstituição.

– Qual o crime de maior sensação?

Fica–se na duvida. Virgolino tem cem requintes de malvadez. E não é um valente nem um heroe. Assassina covardemente, para roubar ou por mero prazer.

– Posso, porém, dissenos o sr. Nelli, dizer–lhe que a morte da mulher queimada que se avantaja a tudo. Pretendera ella envenenar Lampeão, que, desconfiado, descobriu o ardil e ordenou que, amarrada a uma arvore, della fizessem uma tocha humana. Realizou–se, assim o homicidio. No cinema, isso é de grande effeito.

A ENGUIA DA CAATINGA

– E por onde andou filmando:


– Pela zona do Rio do Peixe, Queimadas, Serrinha, etc. Apanham–se os factos “in loco”, sob o rigor da verdade.


– Que diz da acção da policia?


– Que procura atacar o grupo.


Essa caça faz–se com grandes sacrificios, porque Lampeão é como a enguia: some–se sempre na caatinga, fugindo.


– Tem reproduzido combates?


– Oh! diversos, bem como passagens curiosissimas, a que serve de moldura uma excellente natureza, prodiga em scenarios.


E claro que teremos de solicitar o auxilio da Policia. Mostrado o bandido, é indispensavel divulgar o que tem sido a acção dos seus perseguidores implacaveis.
.
No clichê acima, á esquerda a filmagem e á direita uma cena de combate.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/

Pesquisador Abnegado


Pesquisador e escritor Raimundo Soares de Brito

Raimundo Soares de Brito deixa importante contribuição para a História local, com seus mais de 50  anos dedicados à pesquisa história

Um historiador abnegado, que recebia a todos com cordialidade, ajudando nas pesquisas de muitos que por ele procuravam. Essa é a imagem deixada por Raimundo Soares de Brito em muitos pesquisadores e amigos. “Raibrito deixou muitos seguidores, pessoas que, como ele dizia, foram mordidas pela “mosca azul” da pesquisa. 

Pesquisador e escritor Wilson Bezerra de Moura

Pessoas como o professor Wilson Bezerra de Moura, Kydelmir Dantas e muito outros pesquisadores que fazem o trabalho de formiguinha, relatando fatos isolados que terminam, formando fatos isolados que terminam formando a verdadeira história de Mossoró”, comenta o amigo Geraldo Maia, com quem Raimundo Soares dividiu muitos conhecimentos.

O pesquisador e escritor Raibrito e o jornalista e pesquisador Geraldo Maia

Falecido em Natal, na terça-feira, 27, aos 92 anos, o pesquisador era uma referência no que diz respeito ao estudo de personagens e acontecimentos que marcaram o Estado do RN. “Uma das mais importantes contribuições de Raibrito para a cultura foi, sem dúvida, a formação de sua hemeroteca. Claro que escreveu livros essenciais para a história de Mossoró, mas o acervo que deixou é fundamental para a pesquisa histórica regional”, destaca Geraldo.

Ele salienta, também, que Raibrito, apesar de ter deixado um legado de 50 livros publicados, era um pesquisador que não tinha pressa em publicar os seus estudos. A prova maior é ter levado 40 anos para completar a sua pesquisa sobre as ruas e patronos de Mossoró. “Para mim, o livro mais importante de Raibrito é “Executivos e Legislativos de Mossoró – uma viagem mais que centenária”. E o mais gostoso de se ler é “EU, Ego e Outros”, uma espécie de autobiografia através das histórias de personagens lúdicos que habitaram o seu universo”, frisa o pesquisador.

O escritor e pesquisador Kydelmir Dantas

Para Kydelmir Dantas, um dos melhores amigos de pesquisa e de vida de Raimundo Soares, “desde Câmara Cascudo e Vingt-un, passando por Francisco Fausto, Raimundo Nonato e Lauro da Escóssia, Mossoró sempre teve alguns abnegados pela sua história. Hoje, o bastão e a responsabilidade passa a ser de Geraldo Maia do nascimento”, fala.

Pesquisador e escritor Câmara Cascudo

“Raibrito teve respeito à memória e à história e, acima de tudo, construiu uma Hemeroteca, que considero como a maior do Estado do RN... 

Pesquisador e escritor Vingt-un Rosado

Fonte de pesquisas de estudantes, professores, jornalistas, enfim de quase todo mundo que se interessa pelo passado de nossa gente... É grande a responsabilidade para aqueles que desejam seguir os passos do nosso mestre. 

Pesquisador e escritor Francisco Fausto

Da própria Universidade (UERN), que tem o curso de Licenciatura em História, poderão sair futuros e brilhantes pesquisadores e memorialistas.

Pesquisador e escritor Raimundo Nonato

Logicamente – esta é minha impressão – não necessariamente precisa ser formado em História pra se ter apego à pesquisas... Basta ser “inoculado pelo verme da pesquisa”, que nem dizia o Mestre Raibrito. 

Jornalista e pesquisador Lauro da Escócia

Agora, pra fazer aquele trabalho de “formiguinha” que ele fazia, vai demorar muito pra ter outro em nossa região”, diz Kydelmir.

Matéria extraída do Jornal: 
"GAZETA DO OESTE", 
Domingo, 2 de Dezembro de 2012

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A delícia de ser, afinal, Historiador

Por: Laura de Melo e Sousa


Apesar de não ter acompanhado de perto os passos que levaram, nos últimos tempos, à regulamentação da profissão de historiador, só a posso saudar com entusiasmo, pois o debate já se encontrava na pauta das nossas reivindicações quando, nos anos 1970, entrei na universidade.

Hoje, após 33 anos de atividade universitária, sou uma professora veterana, que tive a sorte de acompanhar trajetórias brilhantes, contribuindo à formação de quadros no nosso país. Mas antes, quando comecei minha vida profissional, e durante muito tempo, fui unicamente pesquisadora, vivendo de bolsas até conseguir contratação no Departamento de História da USP. Naqueles tempos, e desde estudante, sentia-me historiadora, e por não ser professora acabava me vendo às voltas com uma espécie de crise de identidade.

Não concordo com as vozes que levantam dúvidas quanto às vantagens da regulamentação, alegando que restringirá a atuação dos que não são historiadores. Ninguém jamais deixará de reconhecer em pessoas como Alberto da Costa e Silva o notório saber do melhor dos historiadores, o que contudo não impede que haja procedimentos que garantam aos profissionais da história o exercício da sua profissão. Não se nega o estatuto profissional a médicos nem a engenheiros. Por que negá-lo ao historiador?

Talvez porque, no fundo, paire a dúvida quanto à especificidade do nosso campo de conhecimento, a história sendo vista como assunto meio indistinto, no qual toda pessoa medianamente instruída pode meter sua colher. Cabe a nós, historiadores, deixarmos claro que nossa formação é complexa, morosa e sofisticada. Motivos estes que, junto a tantos outros, justificam plenamente que hoje possamos nos reconhecer e ser reconhecidos como historiadores. 

Ufa! Até que enfim!

Laura de Mello e Souza. 
Professora Titular da USP e Historiadora. 
Pesquisadora do CNPq na área de História desde 1992.

Quer saber mais sobre o assunto? Clique aqui

Extraído do blog "Saiba História" 
do professor e pesquisador Adinalzir Pereira Lamego

http://saibahistoria.blogspot.com.br

domingo, 2 de dezembro de 2012

Mossoró contra Lampião

Por: Ana Biselli
Memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Brasil, Rio Grande Do Norte, Mossoró


Massilan conhecia as terras potiguares e estava cansado da vida no cangaço. Queria logo ficar rico e se aposentar, por isso escolheu uma cidade maior, como sua última grande tacada. Convidou Sabino e seu bando para se unirem a ele no planejamento e invasão à Mossoró. Uma cidade grande, porém com uma pequena força policial e quase nenhum apoio do Governo Estadual. Mesmo assim eles sabiam que seria difícil, por isso convenceram Lampião a entrar no plano. Lampião não conhecia muito bem as terras deste estado, mas estava ao lado de dois grandes conhecedores e seu orgulho falou mais alto, não poderia ficar fora dessa.

Lampião novinho, no bando do cangaceiro Sinhó Pereira, em foto do memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN 
Lampião novinho, no bando do cangaceiro Sinhó Pereira, em foto do memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Reuniram os bandos e fecharam os detalhes da estratégia de invasão da cidade. Começaram a marcha por Apodi, primeira cidade a ser invadida e pilhada. Varreram todos os lugarejos no caminho, trazendo consigo prisioneiros coronéis e proprietários de fazendas na região. Um deles, Coronel Gurgel, ficou uma longa temporada em poder dos cangaceiros. Conta em seu diário que tinha longas conversas sobre política com Lampião e foi sempre tratado com respeito. A pedido de Lampião, antes da invasão, Gurgel escreveu o primeiro bilhete de guerra para o Prefeito Rodolpho Fernandes, propondo uma trégua. Dizia que o bando era numeroso, com mais de 150 homens armados até os dentes, indicando ser uma boa opção pagar o valor de 400 contos de réis e com a promessa de que Lampião nunca mais andaria por aquelas bandas. A saber, o valor inicialmente pensado pelo Capitão eram 500 contos de réis, mas o habilidoso coronel o convenceu a diminuir o montante. Ao final do bilhete ele ainda pedia que o Prefeito lembrasse ao seu sobrinho, gerente do Banco do Brasil de Mossoró, que enviasse os 21 contos de réis para o pagamento do resgate “deste pobre velho desvalido”. 

A resposta que receberam do prefeito não foi nada animadora, diziam que não tinham conhecimento do paradeiro do gerente do banco e muito menos dispunham do valor em questão, que viesse o bando que o enfrentariam como pudessem! Lampião ficou abestalhado com a resposta que havia recebido e escreveu um bilhete de próprio punho (foto). Sem retorno decidiu começar a marcha.

Segundo e derradeiro bilhete de Lampião para o prefeito de Mossoró, tentando extorquir os cofres da cidade, em memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN 
Segundo e derradeiro bilhete de Lampião para o prefeito de Mossoró, tentando extorquir os cofres da cidade, em memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Os boatos sobre a invasão de Mossoró começaram meses antes e desde então o prefeito começou a articulação política para conseguir reforços do Estado para a cidade, assim como armamentos e munições. A população estava em pânico e Rodolpho então mentiu sobre os fatos para manter a população tranquila até o último momento. No dia da invasão de Apodi a prefeitura avisou a comunidade que aqueles que pudessem deveriam deixar a cidade e solicitava homens aguerridos como voluntários para se unir à força policial em defesa da cidade. Muitos não acreditaram, pois já havia tempo que a boataria estava correndo e ficaram em suas casas. Houve ainda um clássico de futebol entre os dois times mossoroenses e um baile de comemoração do vencedor na noite do dia 12 de julho de 1927, noite anterior ao ataque.

Lendo sobre Lampião, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Lendo sobre Lampião, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Um conselho de segurança havia se formado pelos homens mais influentes e poderosos da cidade. Durante os meses de planejamento viram que não poderiam contar com a ajuda do governo estadual e federal, portanto fizeram um investimento conjunto (uma vaquinha) e compraram 21 contos de réis em armamentos, estratégia proposta pelo gerente do banco (sim o mesmo que não mandou o resgate ao tio).

Um tenente do exército que havia passado por Apodi, liderou a resistência. Mais armas chegaram de última hora do governo, barricadas foram armadas nos pontos mais estratégicos da cidade, para proteger os prédios públicos. Foram voluntários 200 homens, metade deles com armas de fogo e a outra metade com armas brancas. Nas torres das igrejas e telhado da prefeitura estavam atiradores de elite, até o padre estava empenhado, passando mensagens de fé e força em cada uma das trincheiras armadas. Todos com gana e sede transbordando para defender a sua cidade e famílias que haviam ficado.

Sabóia, diretor dos telégrafos, havia se voluntariado para ficar no posto até o último momento. Quando o dentista que estava na torre da igreja avistou o primeiro homem adentrar a cidade, deu o sinal combinado, badalou o sino desesperadamente. A cidade esvaziou, todos se abarrotaram em caminhões e carros e saíram da cidade, ainda sobrando alguns perdidos em busca de parentes ou algum lugar para se esconder. Sabóia avisou sobre a invasão e correu. Quando houve o retorno “alo, quem fala?”, receberam resposta: “aqui quem fala é o Lampião”.

A estratégia de defesa da cidade foi tão bem armada que o bando não teve chance alguma. Um dos atiradores de elite acertou em cheio o cangaceiro Colchete e na sequencia feriu Jararaca. Lampião tentou mudar a estratégia, entrando pelo cemitério, porém de nada adiantou, o bando já tinha baixas e viu que estava totalmente em desvantagem, teve de bater em retirada.

Maria Bonita, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN
Maria Bonita, no memorial da Praça da Resistência, em Mossoró - RN

Não durou mais de uma hora toda a batalha. Jararaca foi preso, Colchete morreu e foi usado como troféu durante dias em frente à Igreja de Santa Luzia. Embora seja um ato um tanto quanto desrespeitoso com o defunto, o deixaram lá, pois ainda temiam que Lampião voltasse para vingá-lo. As trincheiras continuaram armadas, enquanto Lampião e seus cangaceiros se afastavam da cidade tentando ainda receber o resgate pelos seus prisioneiros. Um deles pagou resgate e foi liberado, contam que Lampião ainda lhe deu um dinheiro para que pudesse voltar para casa. Depois de dias andando pela caatinga, sem conseguir os outros resgates, sem dinheiro, comida escassa, tratando ainda de seus comparsas feridos, o capitão acabou liberando os raptados que restaram, dentre eles ainda o Coronel Gurgel. (sobrinho desabusado!)

Mossoró saiu vitoriosa e guarda até hoje a memória da resistência neste lindo memorial que visitamos hoje. Lá nos alimentamos de coragem e bravura, aprendemos toda esta história e muito mais do que o nosso poder de síntese (leia-se falta de memória) poderia expressar aqui. Fica o principal aprendizado do orgulhoso rei do cangaço, “não se deve invadir cidades com mais de uma torre.”

http://www.1000dias.com/ana/mossoro-contra-lampiao/

Lançado Cangaceiros de Lampião de A a Z Por: Narciso Dias

Bismarck de Oliveira lança Cangaceiros de Lampião de A a Z

Foi realizado no último dia 29 de novembro de 2012, o lançamento em grande estilo do lívro"Cangaceiros de Lampião - de A a Z", do nosso amigo e confrade, escritor e advogado paraibano Bismarck Martins de Oliveira.

No lívro foram catalogados 1002 cangaceiros, num trabalho de pesquisa que começou em 1982, um trabalho árduo porém, de muito valor para todos aqueles que admiram a temática do cangaço.
 
Para quem pesquisa cangaço sabe como é difícil adquirir material para um bom trabalho, sem contar com o máximo de responsabilidade que se exige na exposição de relatos. O livro é um verdadeiro dicionário proporcionando ao leitor um fácil acesso, servindo sempre de fonte de consultas. O autor isento de vaidade quer compartilhar com os leitores discussões acerca do trabalho exposto, para aprimorá-lo, haja vista informa que o trabalho está inconcluso e disponibiliza contatos para que futuramente possa ter uma 2ª edição com participação efetiva dos leitores.

O GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, foi presença marcante no evento, representados por Narciso Dias, Jorge Remígio e demais membros do grupo, bem como a presença ilustre do Dep. Estadual-AL, Inácio Loiola e do Ex prefeito da cidade de Catolé do Rocha-PB,José Otávio Maia. Ambos conhecedores importantes da literatura do cangaço.Tendo ainda como anfitrião nosso amigo Heriberto Coelho,proprietário do Sebo Cultural, que sempre nos disponibiliza seu espaço com muita satisfação.
Narciso Dias - João Pessoa / PB 
Membro do Conselho Consultivo do Cariri Cangaço.

http://cariricangaco.blogspot.com


A Saga do Cangaceiro Jesuíno Brilhante - FONTE: BLOG FOLHA PATUENSE

Foto extraída do Site da Sociedade Brasileira do Cangaço

Imagem da Cadeia Pública de Pombal Onde Jesuíno Brilhante Liderou Ataque para Libertar seu Irmão Lucas em 1874

Segundo Câmara Cascudo, "ficaram famosos os assaltos à cadeia de Pombal (PB) para libertar seu irmão Lucas (1874) e, no ano de 1876, à cidade de Martins (RN). Cercado pela polícia local, Jesuíno e seus dez companheiros abriram passagem através de casas, rompendo as paredes, cantando a antiga "Curujinha". Câmara Cascudo afirma ainda que Jesuíno "nunca exigiu dinheiro ou matou para roubar". A imaginação popular acrescentou à biografia do cangaceiro centenas de batalhas, das quais Jesuíno Brilhante teria participado sem que tivesse levado um só tiro...

Em dezembro de 1879, na região das Águas do Riacho de Porcos, Brejos da Cruz, na Paraíba, Jesuíno foi atingido no braço e no peito, sendo levado, agonizante, por seus amigos. Morreu no lugar chamado "Palha", onde foi sepultado.

Entre as principais ações de Jesuíno, narradas no livro de Raimundo Nonato, encontram-se o saque à Cadeia Pública de Pombal (Paraíba), em 1874, e a invasão à cidade de Imperatriz (hoje Martins, no Rio Grande do Norte) para resgatar uma moça raptada pelo filho de um fazendeiro.

A Saga do Cangaceiro Jesuíno Brilhante

Foto de Capa do Livro do Escritor Raimundo Nonato sobre o Cangaceiro Romântico Jesuíno Brilhante

Jesuíno Brilhante nasceu em Patu, no sítio Tuiuiú, em 1844, filho da aristocracia rural sertaneja. Em 1871 entrou no cangaço por vingança, após um irmão dele ter sofrido uma surra nas ruas da cidade e uma cabra de sua fazenda ter sido roubada.

O seu cangaço difere do de outros bandoleiros que povoam a memória popular nordestina como Virgulino Ferreira - mais conhecido como Lampião - e Antônio Silvino, pois Jesuíno implantou à sua maneira um sistema de "justiça" em uma terra onde reinava a lei do mais forte e não fez desta atividade uma profissão.

Segundo Frederico Pernambucano de Mello, o fenômeno do cangaço pode ser classificado de três formas: o cangaço por vingança, o cangaço como profissão e o cangaço refúgio. Assim como Lampião, Jesuíno é um dos principais exemplos de cangaço por vingança, cuja existência se justifica pela total ausência do exercício da justiça por parte do Estado.

Foto: Imagens Google

Carlos Tourinho - Diretor de Fotografia do Filme Jesuíno Brilhante o Cagaceiro Romântico

A literatura sobre o "Cangaceiro Romântico" inspirou o cineasta carioca William Cobert que, em 1972, dirigiu o primeiro longa-metragem potiguar: Jesuíno o Cangaceiro. As armas utilizadas na produção foram cedidas pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte.

Em 1879, Jesuíno foi vítima da emboscada de uma milícia liderada por Preto Limão, seu algoz, sob encomenda do coronel João Dantas, após ter sido traído por um seleiro nas margens do Riacho dos Porcos, na comunidade Palha no sopé da Serra de João do Vale, no município de São José do Brejo do Cruz (Paraíba), antigamente São José dos Cassetes.

Seus restos mortais foram resgatados pelo médico Almeida Castro e durante várias décadas estiveram expostos no Colégio Diocesano em Mossoró, para depois fazer parte do acervo museológico do alienista Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Hoje, encontram-se perdidos.

Nery Vitor - Ator que fez Jesuíno Brilhante no Filme de Willian Cobbett. Foto: azougue.com

Jesuíno Brilhante - O Cangaceiro foi gravado no interior no Rio Grande do Norte sendo o primeiro longa-metragem rodado integralmente no estado pelo falecido cineasta William Cobbett, no ano de 1972 ano esse de seca, com poucos recursos financeiros e enfrentando ainda uma dura repressão política, só por estas razões já merecia grande mérito, mas foi além, participando em 1973, como convidado do júri do V Festival de Moscou, onde foi adquirida cópia pela antiga União Soviética, e hoje países como Índia, Polônia Hungria e Espanha ainda possuem cópias do filme em suas cinematecas.

O filme mostra a saga de Jesuíno Alves de Melo Calado, logo depois chamado de Jesuíno Brilhante que nasceu em Tuiuiú Patu no Rio Grande do Norte em 1844 e morreu lutando em Brejo da Cruz na Paraíba em fins de 1879, Jesuíno ganhou

fama como cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, um espécie matuta de Robin Hood adorado pela população mais pobre, o filme conta com Carlos Tourinho na direção de fotografia e o ator Nery Victor no papel do Jesuíno Brilhante.

Casa de Pedra - Sitio Cajueiro. Foto: Aluisio Dutra

Jesuíno se diferencia dos demais cangaceiros por ter procurado intervir em questões sociais como a distribuição para as pessoas necessitadas dos gêneros alimentícios destinados a combater as secas, que subtraía dos coronéis saqueando os comboios de víveres que eram enviados pelo Governo para as vítimas das secas, mas que ficavam nas mãos dos poderosos e nunca chegavam à população. Jesuíno também se destacou por intervir em situações de violência sexual contra as mulheres uma década antes do reconhecimento legal do crime de estupro.

Famílias inteiras chegaram a fazer parte do seu bando como estratégia de sobrevivência. De 1871 a 1879, implantou um "Estado paralelo" nos sertões nordestinos, cujo eixo central era a região do Patu ("terra alta", em tupi) e cuja principal fortaleza a chamada Casa de Pedra (caverna encravada na Serra do Lima).

Vários autores escreveram sobre Jesuíno, entre eles Luis da Câmara Cascudo, Gustavo Barroso, Ariano Suassuna e Raimundo Nonato. Este último é autor de Jesuíno Brilhante, O Cangaceiro Romântico, que narra a inteira epopeia do bandoleiro.

Serra do Cajueiro - Patu-RN

Para Câmara Cascudo, ele "foi o cangaceiro gentil-homem, o bandoleiro romântico, espécie matuta de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas (...) Baixo, espadaúdo, ruivo, de olhos azuis, meio fanhoso, ficava tartamudo quando zangado. Homem claro, desempenado, cavaleiro maravilhoso, atirador incomparável de pistola e clavinote, jogava bem a faca e sua força física garantia-lhe sucesso na hora do "corpo a corpo". Era ainda bom nadador, vaqueiro afamado, derrubador e laçador de gado.

Sua pontaria infalível causava assombro, especialmente porque Jesuíno, ambidestro, atirava com qualquer das mãos. Casou com D. Maria, tendo cinco filhos dessa união.

Envolvido com uma questão de família, Jesuíno matou o negro Honorato Limão, no dia 25 de dezembro de 1871. Foi sua primeira vítima.

Como lembra Tarcísio Medeiros, era "irredutível em questão de honra". O autor, em seguida, cita um texto de Raimundo Nonato, que narra um episódio, onde Jesuíno Brilhante se hospedou em uma casa. O marido estava ausente. Um bandido, de nome Montezuma, procurou se aproveitar da situação para perseguir a proprietária da casa. Jesuíno, revoltado, matou o malfeitor. Outro caso: assassinou um escravo, José, porque tentou violentar uma mulher.

Fonte: Texto de Frederico de Mello e pesquisa de Edvaldo Morais.

Serrote da Tropa - Sítio Santo Antônio Zona Rural do Município de São José de Brejo do Cruz-PB (conhecido também como São José dos Cacetes). Foto Pôla Pinto

Obs: Provável local da emboscada contra Jesuíno Brilhante causando a sua morte

http://oestenews-heroismo.blogspot.com.br/2009/12/saga-do-cangaceiro-jesuino-brilhante.html








LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: kydelmir Dantas


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Lançamento do Livro "Democracia na gestão das águas" de Julio Cesar de Sá


Confirmadíssimo o lançamento de "Democracia na gestão das águas" para dia 10 de Dezembro, 18:30h, Livraria Cultura - Salvador Shopping.

Enviado pelo autor: 
Júlio Rocha

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O MUNDO VAI SE ACABAR EM 2012?

Por: Rostand Medeiros

Nos primeiros meses deste ano de 2012, estava junto com dois amigos viajando da cidade pernambucana de Palmares em direção a Mossoró, onde teríamos que atravessar o sertão da Paraíba e do Rio Grande do Norte, para assim chegar ao nosso destino.

Será o fim do ,mundo?
Será o fim do mundo?

Já havíamos passado por Campina Grande e viajávamos tranquilos pela BR-230, em direção da cidade de Santa Luzia, antiga porta de entrada para a colonização do Seridó Potiguar.

Era final da tarde e eu apertava mais o acelerado apara evitar dirigir muito tempo durante a noite. Mas em dado momento, surgiu na nossa frente uma verdadeira “parede” de nuvens, anunciando a chegada de muita chuva. Não tardou e um dilúvio caiu na estrada, obrigando a ligar os limpadores de para brisa, tirar o pé do acelerador, ligar faróis, redobrar a atenção e por aí vai.

Tão repentina como surgiu, a verdadeira massa de água se foi conforme seguíamos em direção oeste. Mas logo uma situação estranha me chamou a atenção pelo retrovisor; o horizonte que ficava atrás do meu carro estava completamente tomado por uma cor avermelhada.

Diante desta inusitada situação paramos para fazer algumas fotos. Na mesma hora a galera no carro já ligou aquela visão com a história do fim do mundo em 21 de dezembro de 2012.

Segundo o que os ditos “especialistas do apocalipse”, as duas da manhã, horário de Brasilia  (não sei se o calculo já é com horário de verão) desta sexta-feira, começa a transcorrer o ano 5128 do quinto sol, estabelecido no calendário solar da ancestral cultura maia, cujo fim, segundo as evidências científicas encontradas em monumentos, esfinges e placas, prevê “uma mudança de época” para a humanidade.

Será que esta tal mudança será o fim desse mundo de meu Deus? E a gente vai junto!

Fonte - http://tele-fe.com
Fonte – http://tele-fe.com

Seguimos viagem debatendo quantas vezes na nossa vida, em pleno início século XXI, 12 anos após a passagem para o ano 2000, já tínhamos ouvindo falar no fim do mundo. E no meu caso, mesmo com menos de cinquenta anos de idade, posso lhes garantir que já ouvi esta história várias vezes.

Nesse caso dos Maias, até a NASA está tendo que acalmar vários americanos que pensam em praticar suicídio para não ver o fim do mundo.

Ver - http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-11-30/nasa-desmente-fim-do-mundo-e-alerta-sobre-suicidios.html

No fim das contas, durante o trajeto, chegamos à conclusão que somos todos simples mortais, tanto quanto alguma mísera formiguinha que passe ao seu lado e você pise nela. A nossa vida é finita, tanto quanto o nosso pequeno planetinha. Basta o nosso belo Sol acordar um dia de pá virada, começar a inchar, se expandir, engolindo o nosso planeta em seu processo natural de extinção e isso tudo aqui vai virar cinzas. O detalhe é que mesmo com toda tecnologia, nós não poderemos fazer nadica de nada!

Acho que este lance de calendário Maia, fim de mundo com dia e hora marcada, é o tipo da coisa que só ajuda produtor de programa de televisão que mostra temas apocalípticos, ou líder religioso que trabalha com o nosso eterno medo do que vai nós acontecer na hora que deixarmos este plano.

Bem, mas vai que os Maias tinham razão!

Então amigos aproveitem o tempinho que nós resta nesta Terra e vá curtir o restinho da sua vida junto de quem você ama…

Apenas um belo pôr do sol.
Apenas um belo pôr do sol.

P. S. – A tal visão que vimos no interior da Paraíba nada tinha de extraordinário. Conforme seguíamos em direção oeste, a chuva foi ficando para trás. Após deixarmos a massa de água, o sol iluminou de forma maravilhosa as nuvens e o horizonte na direção leste. Apenas um pôr do sol diferente, com uma cor bem bonita. Isso foi somente um fenômeno natural e a natureza merece ser contemplada sempre que possível.

O bom mesmo era que a tal “parede” de chuvas voltasse e molhasse o nosso sertão atingido por uma seca que vai transformando o interior do Nordeste em um verdadeiro fim de mundo.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo:
Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com







sábado, 1 de dezembro de 2012

Um pouco da biografia destes cangaceiros:

Por: José Mendes Pereira

1 - Virgulino Ferreira da Silva, “o Lampião”, ou ainda o patenteado “capitão”, nasceu em 1898, no Estado de Pernambuco. Era filho de José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação. Depois de mais de vinte anos como chefe de cangaceiros, foi abatido juntamente com a sua rainha Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na grota de Angico, lá no Estado de Sergipe. Um dos maiores líderes de cangaceiros. 

    
O cangaceiro Ponto Fino          

2 - Ezequiel Ferreira da Silva, o Ponto Fino (irmão de Lampião), nasceu no ano de 1908, no Estado de Pernambuco. Foi abatido no dia 23 de abril de 1931 – no tiroteio da Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel.

Virgínio Fortunato - o cangaceiro Moderno - o segundo da esquerda para direita

3 - Virgínio Fortunato da Silva, o Moderno. Ex-cunhado de Lampião. Nasceu em 1903 e faleceu em 1936, aos 33 anos de idade.
              
Escritor Franklin Jorge

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço de nome Franklin Jorge, há suspeita, não comprovada, que Virgínio era da cidade de Alexandria, no Estado do Rio Grande do Norte.
              
A cangaceira Durvalina

Era companheiro de Durvalina, que com a sua morte, ela amasiou-se com Moreno.  Durvalina faleceu no dia 30 de junho de 2008. 

O cangaceiro Moreno

O cangaceiro Moreno que após a morte de Virgínio Fortunato da Silva, ficou sendo o chefe do sub-grupo de cangaceiros. Moreno faleceu no dia 6 de Setembro de 2010.

O cangaceiro Luiz Pedro

4 - Luiz Pedro do Retiro, companheiro de Neném do Ouro. Ele foi abatido juntamente com Lampião, Maria Bonita e mais oito cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, no Estado de Sergipe. Dizem que quem o assassinou foi o policial Mané Véio. 
              
O cangaceiro Mariano

5 - Mariano Laurindo Granja, companheiro de Rosinha.  Entrou para o cangaço em 1924. Foi um dos poucos que em agosto de 1928, cruzou o Rio São Francisco, em companhia de Lampião, em direção à Bahia. Foi morto no dia 10 de outubro de 1936, juntamente com os cangaceiros Pai Véio e Pavão, além do coiteiro João do Pão, que se encontrava no coito dos cangaceiros.

Escritor e pesquisador do cangaço: Alcino Alves Costa

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço Alcindo Alves Costa em: (Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico), o ataque foi entre os municípios de Porto da Folha e Garuru, região conhecida como o Cangaleixo.

Pesquisadora Juliana Pereira Ischiara

A pesquisadora do cangaço Juliana Pereira Ischiara afirma que Rosinha, companheira de Mariano foi morta a mando de Lampião. Era filha de Lé Soares e irmã de Adelaide, esta última sendo companheira do cangaceiro 

O cangaceiro Criança

Criança, e parenta próxima de Áurea, companheira de Mané Moreno.  Sendo Áurea filha de Antonio Nicácio, que era primo/ irmão do vaqueiro Lé Soares.

Os cangaceiros Corisco e Dadá

6 - Cristino Gomes da Silva Cleto, Corisco, companheiro da cangaceira Dadá. Ele foi abatido no dia 25 de maio de 1940, pelo tenente 

Tenente Zé Rufino

Zé Rufino, na fazenda Cavaco, em Brotas de Macaúbas, no Estado da Bahia. Dadá foi ferida e presa. Ela faleceu em 1994. Com a morte de Corisco, finalmente o cangaço foi enterrado com ele.
              
O cangaceiro Mergulhão - http://cangaconabahia.logspot.com

7 - Antonio Juvenal da Silva era o seu nome verdadeiro - o cangaceiro Mergulhão ou ainda Antonio Rosa, que talvez, não sei, herdou o nome do valente facínora Antonio Rosa, um dos grandes amigos de  Virgulino Ferreira da Silva, o rei Lampião.

Segundo o professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio, ele foi abatido no dia 07 de Janeiro de 1929, no combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, BA, lembrado pela morte de Mergulhão, cujo nome real era Antônio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa. 

O outro Mergulhão que ganhara o seu apelido foi abatido na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de Julho de 1938, juntamente com Lampião, Maria Bonita, e mais nove cangaceiros.

O cangaceiro Alvoredo - http://cangaconabahia.blogspot.com

8 - Hortêncio Gomes da Silva, o Arvoredo. – Por má sorte, desligou-se do bando no momento do ataque a Jaguarari, no Estado da Bahia. Fez dois meninos como reféns João Biano e Cícero Ferreira, o Xisto (ver fotos abaixo).

 
João Biano - matador de Alvoredo - http://cangaconabahia.blogspot.com

Mas os meninos conseguiram dominá-lo, desarmando-o. Em seguida mataram-no com várias cutiladas de faca peixeira. 

Cícero Ferreira - matador de Alvoredo - http://cangaconabahia.blogspot.com

Achando que o serviço ainda não tinha sido concluído, degolaram-no e cortaram as suas mãos. Após o trabalho concluído acionaram a polícia. 

Fontes de Pesquisas:

Pequenas e úteis informações:

Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico - Alcindo Alves Costa - Juliana Pereira Ischiara - Artigo - Franklin Jorge - Artigo e Rubens Antonio - http://cangaconabahia.blogspot.com