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domingo, 14 de julho de 2013

O Brasil dos anos 30, um país tão gentil

Por Milton Ribeiro

Não pretendo discutir a justiça da morte de Lampião e seu grupo, mas dar uma olhada na forma com que as autoridades policiais agiam nos anos 30. Faroeste total. Os adversários políticos de Getúlio Vargas o pressionavam por permitir a existência de Lampião. Então, Getúlio fez uma pressãozinha sobre o interventor de Alagoas, Osman Loureiro. Este prometeu promover ao posto imediato da hierarquia o militar que trouxesse a cabeça de um cangaceiro. Antes, o governo baiano já tinha tentado ajudar o ditador gaúcho, apesar da polícia saber que o grupo encontrava-se entre Alagoas e Sergipe.

Porém, na verdade, Lampião e a maior parte de seus comandados encontravam-se acampados em Sergipe, na fazenda Angicos, no município de Poço Redondo. As forças de Alagoas — sim, dentro de Sergipe — agiram guiadas pelo coiteiro Pedro de Cândido e os cangaceiros não tiveram tempo de esboçar qualquer reação. Eles chegaram às 5h30 da manhã de 28 de julho de 1938. Ao todo foram 11 cangaceiros mortos, entre eles Lampião e Maria Bonita. Foram decapitados e depois houve uma verdadeira caçada ao “patrimônio” dos cangaceiros. Joias, dinheiro, perfumes e tudo mais que tinha valor foi alvo da rapinagem promovida pela polícia.

As cabeças dos 11 cangaceiros do grupo de Lampião estiveram embelezando as escadarias da Prefeitura de Piranhas (Clique para ampliar)
A exposição acima ainda seguiu para Santana do Ipanema e depois para Maceió, onde os políticos puderam tirar proveito dela. Acima, Lampião, Maria Bonita, Luiz Pedro, Quinta-feira, Elétrico, Mergulhão, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela.

http://miltonribeiro.sul21.com.br/2012/09/10/o-brasil-dos-anos-30-um-pais-tao-gentil

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A cangaceira Dadá

A cangaceira Dadá - esposa de Corisco

Sérgia Ribeiro da Silva, mais conhecida como Dadá (Belém de São Francisco, 25 de abril de 1915 — Salvador, fevereiro de 1994), foi uma cangaceira - única mulher a pegar em armas no bando de Lampião.

Biografia violenta

Nasceu em Belém de São Francisco, onde viveu seus primeiros anos de vida e teve algum contato com índios. A família muda-se para a Bahia onde, aos treze anos, é raptada por Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) - o "Diabo Loiro", de quem seria prima.

O cangaceiro Corisco

Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. Consta que seu defloramento provocara-lhe tanta hemorragia que por pouco não faleceu.

A relação, que começara instintiva, transforma-se com o tempo. A vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornou a companheira de Corisco, com quem, ainda no meio das lutas veio a se casar.

Tiveram sete filhos, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram.

O bando de Lampíão dividia-se, como forma de defesa, em partes menores, a mais importante delas era justamente a chefiada por Corisco. A esposa tinha uma pistola, que ele dera, para sua defesa pessoal, e também lhe ensinou a ler, escrever e contar.

Num dos ataques feitos pelas volantes (em outubro de 1939, na fazenda Lagoa da Serra em Sergipe), o Diabo Louro é ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, torna-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa - e não meramente defensiva - nas lutas do cangaço.

Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dada também era chamado "Sussuarana do Cangaço"

Trágico final

Tendo Lampião sido executado em 1938, Corisco, que estava em Alagoas com parte do bando, empreendeu feroz vingança. Como seus companheiros tiveram as cabeças decepadas, e expostas no Museu Nina Rodrigues de criminologia, na capital baiana, Corisco também cortou a cabeça de muitas vítimas, então.

Vídeo produzido pela Laser Vídeo - Aderbal Nogueira

O cangaço definhava, sobretudo pela disparidade de armamentos: os volantes tinham uma arma que os cangaceiros nunca conseguiram obter: a metralhadora. A própria Justiça passa a oferecer vantagens para os bandoleiros que se rendessem.

A 25 de maio de 1940 Corisco e seu bando é cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino. Dissolvera o bando, e abandonara as vestes típicas, procurando passar por simples retirantes.

Uma rajada da metralhadora rompe os intestinos de Corisco. Dadá é ferida na perna direita.

O último líder do cangaço morre dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Jeremoabo e, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu, junto às demais do bando.

Dadá, colocada em condições infectas, tem seu ferimento agravado para uma gangrena, que restou-lhe, na prisão, à amputação quase total da perna. Por essa situação, o célebre rábula baiano Cosme de Farias, representa Dadá na Justiça, pleiteando sua libertação, em 1942.

Luta por direitos

Dadá passou a viver em Salvador, lutando para ver a legislação que assegura o respeito aos mortos fosse cumprida - e a tétrica exposição do Museu Antropológico Estácio de Lima, localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues tivesse fim. Só a 6 de fevereiro de 1969, no governo Luiz Viana Filho, foi que os restos mortais dos cangaceiros puderam ser inumados definitivamente - tendo, porém, o museu feito moldes para expor, em substituição.

Por sua luta e representatividade feminina, Dadá foi, na década de 1980, homenageada pela Câmara Municipal de Salvador. Na Bahia, que tivera Gláuber Rocha e tantos outros a retratar o cangaço nas artes, Dadá era a última prova viva a testemunhar o cotidiano de lutas, dificuldades e, também, de alegrias e divertimentos. Deu muitas entrevistas, demonstrando sua inteligência e desenvoltura.

Dadá morreu na capital baiana, em 1994.

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgia_Ribeiro_da_Silva

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Informações

Por: Dr. Ivanildo Alves da Silveira
Manoel Severo, Dr. Napoleão Neves e Dr. Ivanildo Alves da Silveira

Amigo Mendes,

Sou leitor assíduo do seu importante BLOG, e, parabenizo-o por esse valioso instrumento de divulgação da cultura nordestina...

Escritor Kydelmir Dantas

Através de Kydelmir, de vez enquanto tenho notícias do amigo...

Não sei se é do seu conhecimento, administro uma COMUNIDADE DO ORKUT, denominada "LAMPIÃO GRANDE REI DO CANGAÇO ", onde tratamos de matérias relativas ao cangaço, e, especialmente sobre 

Maria Bonita e Lampião

Lampião, cangaceiros, coiteiros, coronéis...etc.. Sempre tentando divulgar  o fato histórico, o mais próximo da verdade, sem utilizar ideologias, fanatismo, radicalismo...etc..

Essa minha Comunidade, fará 10 anos de existência no próximo ano... Lá você encontrará centenas de ARTIGOS, MATÉRIAS, FOTOS, etc...

Quando você tiver um tempinho, dê uma passadinha lá...E, se tiver interesse, pode COPIAR alguma matéria e postar no seu Blog, bastando, apenas, citar a fonte...

Um abraço e, aqui em Natal disponha do amigo.

Abraço no Kydelmir.

Natal - Rio Grande do Norte
IVANILDO  SILVEIRA

Colecionador e pesquisador do cangaço

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Programação Cariri Cangaço Piranhas !

Avante-Première 2013


Dia 26 de Julho de 2013
 
Sexta-feira – Piranhas / Alagoas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo
16:00 h – Abertura da Semana do Cangaço
Homenagem ao escritor Alcino Alves Costa


16:20 h – Palestra : Roteiros Integrados do Cangaço
Palestrante: João de Souza Lima – Pesquisador ,Escritor e Biografo de Maria Bonita ligado a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
17:00 H – Intervalo


17:10 h – Palestra : O Amor no Cangaço
Palestrante : Juliana Ischiara – pesquisadora do Cangaço
17:40 h – Debate
18:20 h – Exibição do documentário de Aderbal Nogueira .
18:40 h – Apresentação cultural
19:20 h – Encerramento 


Dia 27 de Julho de 2010


Sábado
MANHÃ LIVRE PARA VISITASPALESTRAS
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo - Piranhas / AL
15:00 h – Palestra : Caminhos do São Francisco : De Pedro II a Lampião
Palestrante: Jairo Luiz Oliveira
Pesquisador do Cangaço, idealizador da Rota do Cangaço Xingó e do Roteiro Turístico Integrado Caminhos do Imperador
15:40 h – Intervalo


15:50 h – Palestra : A Polêmica e Intrigante Genialidade de
Virgulino Lampião
Palestrante : Manoel Severo
Pesquisador e Curador do Cariri Cangaço
16:20 h – Debates
17:00 h – Exibição do filme “ Gato : Um Cangaceiro de Lampião”
de João de Souza Lima

17:30 h – Apresentação cultural : Peça de teatro
“ A invasão de Gato em Piranhas” pelo grupo
Estrelas do Sertão
18:00 h – Encerramento


Dia 28 de Julho de 2010


Domingo
08:00 h – Saída para Angico – Missa do Cangaço
Local de embarque : Porto de Piranhas/AL
11:00 h – Apresentação da peça teatral “ Lampião Moderno” com grupo Estrelas do Sertão
11:30 h –Forró pé de serra com Trio Canoa de Tolda.
13:00 h – Retorno

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Anotações para a história de Mossoró - 14 de Julho de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

No início, era apenas a capela e algumas casas que formavam a quadra da rua, como nos informa os nossos primeiros cronistas. Henry Koster, um aventureiro inglês que por aqui passou em 7 de dezembro de 1810, descreve o povoado dizendo constar de “200 ou 300 habitantes, edificado num quadrângulo, tendo uma igreja e casas pequenas e baixas”. Existiam apenas quatro ruas, que Francisco Fausto de Souza, nosso primeiro historiador, identificou como sendo: Rua do Desterro, que era a que ficava ao lado direito da capela, tendo em vista a frente da mesma voltada para o centro do quadro; Rua do Cotovelo que correspondia a atual parte da frente do Banco do Brasil, correndo, portanto, ao lado esquerdo da capela, para quem estivesse olhando para frente do quadro; Rua Domingos da Costa, que era a que ficava por detrás da capela e a Rua Padre Longino, que correspondia ao prolongamento atual da Rua 30 de setembro. No centro do quadro, surgiu a nossa primeira praça.

 
             
Era a Praça da Matriz, atual Praça Vigário Antônio Joaquim, que ocupa todo o largo do velho quadro da capela, numa área de aproximadamente 2.100m². Esta praça é marco de grandes concentrações culturais e religiosas, principalmente durante os festejos de Santa Luzia, quando a praça é totalmente tomada pelo povo.
               
O povoado cresceu, tornou-se vila e depois cidade, e as casas se multiplicaram, fazendo surgir outras praças. A Praça da Redenção, que Raimundo Nonato nos informa ser a antiga Praça da Independência, que teria perdido esse nome depois do feito da abolição em Mossoró foi, ao que se sabe, a Segunda praça da cidade. No início, era ponto de tradição comercial, pois daí se expandiu às primeiras grandes firmas comerciais, principalmente as dos capitalistas estrangeiros. 
               
Essa praça serviu de palco a acontecimentos importantes, que culminaram com o feito histórico da abolição dos escravos, realizada a 30 de setembro de 1883. Atualmente sua denominação é “Praça da Redenção Dorian Jorge Freire”, em homenagem póstuma ao grande jornalista mossoroense.

             
Outras praças vão surgindo como a Praça da Ibueira, depois chamada de Praça Coração de Jesus. A dita praça ficava pelos fundos da atual Coração de Jesus, em terreno onde o comerciante Miguel Faustino do Monte mandou construir um convento, ligado à igreja, para os homens que fariam à adoração noturna ao Santíssimo Sacramento, atendendo ao desejo do então Bispo Diocesano D. Jaime de Barros Câmara. Tinha a Praça Pedro Velho, que era o antigo Paço Municipal (Praça da Cadeia), hoje Praça Antônio Gomes. Tinha a Praça São Vicente, que era um local amplo, de frente para a igreja. Depois, pessoas importantes tiveram autorização da Prefeitura para construir casas na praça. E a praça acabou... Tinha ainda a Praça Redonda ou Praça do Poço, construída na chamada “cidade nova”, ao lado sul da “Vila Justa”, hoje Palácio Episcopal, residência do Bispo Diocesano. Nela foram construídas duas caixas d’água, ainda hoje existente. 
               
Praça Bento Praxedes, mais conhecida como “Praça do Codó”. No começo era só um quadro coberto de um cerrado de pereiros. De início, foi denominada de Padre Antônio Joaquim, conforme registrado numa planta da cidade. Depois Bento Praxedes, em homenagem a um cidadão que prestou relevantes serviços à cidade, tendo nela publicado um jornal por mais de 10 anos consecutivos.
               
Em 10 de janeiro de 1904, por proposta do intendente (vereador) Francisco Tavares Cavalcanti a Câmara Municipal, por unanimidade, passa a denominar Praça dos Fernandes o antigo logradouro que tinha o nome de Barão de Ibiapaba, antes também chamada Praça Chico Tertuliano e Praça da República e desde 1953 denominada Praça Rafael Fernandes.
               
Muitas outras praças surgiram na cidade, tornando mais alegre e agradável a vida dos habitantes da terra de Santa Luzia do Mossoró.
               
Para conhecer mais sobre a história de Mossoró, visite o blog: www.blogdogemaia.com.
               

Fonte:
http://www.blogdogemaia.com

Autor:
Geraldo Maia do Nascimentohttp://www.blogdogemaia.com/imagens/seta.jpg

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O SERTANEJO ANTES DE SE TORNAR CANGACEIRO - III

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

O SERTANEJO ANTES DE SE TORNAR CANGACEIRO - III 

O sertanejo de então já tinha conhecimento de homens - e caboclos iguais a ele - que se embrenharam pelas caatingas, armados e perigosos, confrontando os poderosos e sendo perseguidos pela polícia. Do mesmo modo sabia o que havia acontecido para que resolvessem resolver os problemas a partir da revolta armada. E, fato importante, mesmo conhecendo a inglória daquela luta, achava justificada e corajosa aquela ação. Ele também, na proporção do seu sofrimento, era vítima da mesma motivação cangaceira.

Que se diga, entretanto, que a hoste cangaceira foi quase a única opção para muitos de conturbada vivência em sociedade. A ilusão daquela vida de coragem e destemor, aliada aos problemas íntimos surgidos, fez com que muitos se embrenhassem nas matas em busca de refúgio e de suporte para seus sentimentos revoltosos e vingativos. Desse modo, também uma leva de malfeitores, bandidos cruéis e fugitivos passou a fazer parte dos primitivos bandos cangaceiros.


Mas os bandos não eram formados apenas por gente da pior estirpe. Ao menos mais tarde não foi visto assim. Lógico que continuaram presentes aqueles que haviam acabado de sair de refregas sangrentas pessoais ou familiares, mas não de modo generalizado. Tome-se como exemplo aqueles meninos e meninas que arregimentaram as forças de Lampião. Como será visto mais adiante, muitas vezes não tinham nem idade para já entrar no bando com qualquer mácula. Diferentemente ocorreu em ocasiões passadas, com outros grupos cangaceiros.

Os primeiros cangaceiros foram homens arregimentados no próprio meio sertanejo mais sofrido e miserável e dentre aqueles que não suportaram mais a situação vigente. Primeiro através de homens destemidos, de cabras com “sangue no olho”, e estes acompanhados por aqueles jagunços que saíram das tocaias coronelistas - trazendo consigo as experiências do gatilho, da atrocidade e da frieza para matar - para, na maioria das vezes, lutar contra o sistema que brutalmente haviam alimentado.

Entretanto, não demorou para que outros cabras da pior reputação também adentrassem no mundo cangaceiro. Impossível se pensar em antecedentes criminais num sertão tomado por rixas, vinganças, violências de toda ordem. De modo diverso do que acontecia no bando de Lampião, onde não era qualquer um que recebia aceitação, os grupos  primitivos não faziam uma avaliação mais aprofundada daqueles que fossem chegando e se mostrando dispostos à luta.

A derrocada desses bandos primitivos deve-se muito às desorganizações dentro do próprio grupo, e tendo essa mistura de homens valentes com bandidos comuns e reles homicidas uma das causas de sua desestruturação e esfacelamento. Mas a luta continuava protagonizada por aqueles que sabiam o que queriam com aquela guerra sertaneja. Neste sentido é a afirmação de que Lampião, como verdadeiro e capacitado discípulo, levou adiante a luta iniciada por Antônio Silvino. Contudo, em causa própria.

Talvez fossem a magnitude e fama alcançada pelo seu grupo, que tornou o Capitão cuidadoso com a chegada de novos integrantes. Não podia descuidar e infiltrar qualquer um no seu meio. Ora, se a morte já rondava pelos arredores, descabido seria chamá-la para o coito. Se as desconfianças já eram existentes diante de determinadas ações de alguns cangaceiros, de coiteiros e outros colaboradores, mais ainda quando se tratava de acolher gente nova. Mas nem tudo podia ser controlado como deveria. Impossível diante de situações inusitadas.

Era difícil dizer não quando alguém procurava o bando por indicação de um conhecido. E Lampião tinha amigos que não podia deixar de atender. Desse modo, se um cabra chegasse desejoso de entrar naquela vida e levando consigo um bilhete rabiscado por um valoroso conhecido, outra coisa não restava a fazer senão, em primeiro lugar, tentar dissuadi-lo a não optar por aquela vida de tanto sofrimento e dor. Mas, se ainda assim, o postulante se mostrasse disposto a ficar, então era iniciado nos segredos da vivência e luta cangaceira.


Situação também inusitada ocorria quando um cangaceiro despontava na vereda ou saía de dentro do mato trazendo consigo uma bela sertaneja. E assim aconteceu  muitas vezes. Famosos, idolatrados e desejados por muitas das mocinhas caboclas, os rebeldes catingueiros não perdiam tempo quando se engraçavam de uma ou outra. Algumas delas simplesmente resolveram fugir de casa e seguir seu escolhido; outras foram praticamente retiradas dos braços das famílias, ainda que as mocinhas não se mostrassem contrárias ao rapto. Mocinhas não, muitas ainda meninas, adolescentes de doze ou treze anos.

Lampião não via com bons olhos essa ação de seus cabras. Achava uma crueldade que aquelas verdadeiras meninas tivessem deixado suas bonecas de pano pelos cantos dos casebres e levadas para um meio difícil de ser suportado até pelos mais valentes e corajosos. Mas acabava reconhecendo que não havia jeito a dar. Principalmente porque sabia que nenhuma estava ali à força, ainda que não tivessem nem idade para raciocinar sobre a decisão tomada e muito menos sobre os sofrimentos que teriam de suportar dali em diante.

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

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sábado, 13 de julho de 2013

Cristino Gomes da Silva Cleto - o cangaceiro Corisco

Corisco casou-se com Dadá em 1928 e viveram juntos até 25 de Maio de 1940

Corisco ou Diabo Loiro eram os apelidos do cangaceiro Cristino Gomes da Silva Cleto. Nasceu no dia 10 de Agosto de 1907. em Água Branca, no Estado de Alagoas, Viveu 33 anos, quando foi assassinado no dia  25 de Maio de 1940, em Jeremoabo, no Estado da Bahia). Foi casado com Sérgia Ribeiro da Silva, alcunha de "Dadá". 

BIOGRAFIA

Em 1924, Corisco foi convocado pelo Exército Brasileiro para cumprir o serviço militar. Em uma briga de rua Corisco matou um homem, no ano de 1926, e tomou a decisão de aliar-se ao bando do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, apelidado Lampião. Corisco era conhecido por sua beleza, seu porte físico atlético e cabelos longos deixavam-no com uma aparência agradável, além da força física muito grande, por estes motivos foi apelidado de Diabo Louro quando entrou no bando de Lampião.

Corisco sequestrou Sérgia Ribeiro da Silva, a Dadá, quando ela tinha apenas treze anos e mais tarde o ódio passou a ser um grande afeto. Corisco ensinou Dadá a ler, escrever e usar armas. Corisco permaneceu com ela até no dia de sua morte. Os dois tiveram sete filhos, mas apenas três deles sobreviveram.

Desentendimentos com o chefe Lampião levaram Corisco a separar-se do bando e a formar seu próprio grupo de cangaceiros, mas isso não afetou muito o relacionamento amigável entre ambos.

Em meados do ano de 1938 a polícia alagoana matou e degolou onze cangaceiros que se encontravam acampados na fazenda Angico, no Estado de Sergipe; entre eles encontravam-se Lampião e Maria Bonita. Corisco, ao receber essa notícia, vingou-se furiosamente.

MORTE

Em 1940 o governo Vargas promulgou uma lei concedendo anistia aos cangaceiros que se rendessem. Corisco e sua mulher Dadá decidiram se entregar, mas antes que isso acontecesse, foram baleados. O cerco contra o cangaceiro e seu bando foi no Estado da Bahia, na cidade de Miguel Calmon, em um povoado denominado Fazenda Pacheco. 

Corisco e seu bando repousavam em uma casa de farinha no momento do combate após almoçarem. O ataque foi comandado pela volante do tenente Zé Rufino, juntamente com o Tenente José Otávio de Sena.

 
A cangaceira Dadá faltando-lhe uma das pernas

Dadá precisou amputar a perna direita e Corisco veio a falecer naquele mesmo ano. Com as mortes de Lampião e Corisco, o cangaço nordestino enfraqueceu-se e acabou se extinguindo.


Corisco foi enterrado no cemitério da consolação em Miguel Calmon, na Bahia. Depois de alguns dias sua sepultura foi violada, e seu corpo exumado. Seus restos mortais ficaram expostos durante 30 anos no Museu Nina Rodrigues ao lado das cabeças de Lampião e Maria Bonita.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Corisco

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O SERTANEJO ANTES DE SE TORNAR CANGACEIRO - II

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

O SERTANEJO ANTES DE SE TORNAR CANGACEIRO - II

Tem-se conhecimento do carrancudo coronel que costumava submeter jovens filhas de empregados às suas bestialidades devassas; daquele outro que se comprazia em mandar incendiar, como forma de ameaça e expulsão, o casebre de beira de estrada do desvalido e pequeno proprietário; ou ainda do outro que forçava seus empregados a deixar a maior parte do mísero salário na venda da própria fazenda. Além de outras vergonhosas e aviltantes situações que indignavam e enraiveciam o já eternamente sofrido sertanejo.

Desse modo, se observa que a infame ação do poderoso diante do desvalido, isto sim, teve o dom de provocar mágoas profundas e dilacerantes, e que mais tarde se transformaram em revoltas e indignações, mas que, diante da situação de submissão, foram sendo engolidas na secura do sol. Mas prontas para serem vomitadas um dia, e com espasmos de enfrentamento, de luta. Contudo, tendo de suportar a situação de subserviência, por muito tempo foi visto na mesma qualidade de um bicho do mato ou de verdadeiro escravo.


O pior é que na maioria das vezes dependia do poderoso para sobreviver, do próprio carrasco para se manter em pé. Este era, a um só tempo, algoz e sustentáculo. Roçando o latifúndio, pegando na enxada e na foice, coivarando para aprontar a terra, juntando cavaco e tronco, amassando bicho brabo, vaqueirando boiadas, acabava garantindo a esmola da sobrevivência. Já outros prestavam serviços ao próprio senhor dono do mundo, pois atuando como serviçais e principalmente como jagunços.

A jagunçada nasceu dessa necessidade de proteção do poderoso senhor perante os tantos males cometidos, da demonstração de poderio diante dos desafetos igualmente portentosos, e como forma de incutir o medo e o temor em todos que estivessem sob o seu mando. E até contra desconhecidos, como forma de precaução. Na feição doentia do jagunço estava refletida a própria feição coronelista; na sua arma, o desejo cego e impiedoso daquele que tudo fazia para manter seu poder.

Verdade é que as rixas e as intrigas entre poderosos faziam com que cada um procurasse manter sua própria horda jaguncista. Sob as ordens do senhor dono do mundo estava o sertanejo rude, empobrecido, sem expectativas, então transformado em jagunço, em capanga, em pistoleiro, em matador de mando. E prestava serviço não só contra os desafetos igualmente poderosos do seu patrão, mas também em situações de menor monta, como matar um vizinho do latifúndio que não queria entregar de mão beijada o pedacinho de terra que possuía.

Tantas vezes o coronel ou um filho seu deflorava a mocinha pobre e depois, como forma de calar a família revoltosa, mandava ameaçar todo mundo de morte. Fazia o mesmo acaso soubesse que o sertanejo prestava favores a um inimigo seu ou estava, de qualquer forma, fugindo às rédeas de suas imposições eleitoreiras, fugindo do seu cabresto. Daí ordenar que o seu jagunço providenciasse a devida maldade. E, por consequência, a violência, a morte, a assombração. E de sertanejo contra sertanejo, de jagunço contra irmão de terra, pois igualmente filhos da mesma situação de extrema penúria.

A jagunçada do coronel possuía estratégia própria de ação, sendo a tocaia a mais conhecida e utilizada naqueles ermos sertanejos. Tocaia ou emboscada, consistia em escolher um ponto de passagem do desafeto do patrão e ali, entocado nas moitas, escondido por trás dos arbustos, esperar a passagem do futuro defunto. Então o “papo-amarelo” soltava estampido e fumaça e o cabra se estrebuchava no chão. E, dependendo do caso, ainda recebia um tiro na testa, de misericórdia. Os urubus rondavam a morte certa.

Foi essa mesma classe jaguncista, somada a outros homens que se fizeram fortes e perigosos sem precisar prestar serviço de matador, que mais tarde se voltou contra o próprio coronel. E não só contra todo aquele patrão sádico e escravocrata, mas também contra toda situação vergonhosa então existente. E vergonhosa pela ação do estado opressor, pelas injustiças praticadas contra os menos favorecidos, pela continuidade das mazelas sociais que tanto afligiam o povo.

Desse modo, os primeiros cangaceiros surgidos foram oriundos do próprio sistema oligarca e de suas afluências. De certa forma, todos foram frutos da mesma nefasta ação coronelista. O jagunço porque aprendeu a ser destemido lhe prestando serviço; o sertanejo comum porque acabou vomitando as indignações engolidas por tanto tempo. Mas em todos a mesma revolta pelo impiedoso mando, pela desenfreada injustiça e pela miséria econômica e social se alastrando cada vez mais.


Assim é que se configurou a rebeldia primitiva, a primeira leva de homens que, sob o comando de um cabra mais experiente ou atrevido, enveredou pelas caatingas e lá fez seu posto de ação perante toda a região sertaneja, e para combater os desmandos coronelistas, as vinganças pessoais e tudo aquilo que lhe parecesse injusto de continuar acontecendo. Contudo, homens ignorantes e despreparados para agir estrategicamente, e por isso mesmo tantas vezes exarcebando nas suas ações e denegrindo a imagem de luta.

Contudo, não tiveram estas mesmas características os cangaceiros surgidos em outros tempos, em outros bandos, em outras vinditas. Continuavam amargando revoltas e indignações; continuavam vivendo na pele, no bolso, no estômago e no saber as mesmas mazelas que sempre caracterizaram a região nordestina mais empobrecida e esquecida pelos governantes, mas já vivendo num contexto menos sombrio do ranço feudalista do coronelismo.

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Moção Aderbal Nogueira

Por: Wescley Rodrigues
A. Osmiro, Nasciso, João de Sousa Lima, Wescley, Ivanildo e Vilela

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio do pesquisador Aderbal Nogueira em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente
Prof. Wescley Rodrigues


Fortaleza – CE, 09 de julho de 2013. 
Senhor prefeito de Nazarezinho.
Senhor Salvan Mendes

Dizem que o Brasil não tem memória, o que em parte é verdade. Gasta-se muito e na maioria das vezes em dólar e euro para se conhecer a história de outros povos, de outras nações e isso é uma triste verdade.

Levando-se em conta que o Brasil e, em especial, o Nordeste brasileiro conta com uma historia riquíssima e de interesse mundial pelo que aqui ocorreu, isso chega a ser um absurdo.

Participei de um encontro na Universidade Federal do Ceará quando dos 100 anos de Canudos e o número de estrangeiros nesse evento superava o de brasileiros. Canadenses, americanos, franceses, alemães, etc., tinham um conhecimento perfeito sobre Canudos.

Nazarezinho tem em suas mãos um monumento que merece ser guardado para a posteridade, monumento esse que faz parte de uma história digna de estrelar grandes produções cinematográficas e obras literárias no mundo todo. Não deixemos que esse casarão caia no esquecimento. "Se não cuidarmos de nossa história, quem vai cuidar ?"

O senhor Salvan Mendes, independente de ser prefeito ou não, tem uma responsabilidade ímpar nessa nossa luta. Faça Nazarezinho e a casa da família Pereira entrar para o circuito histórico/cultural brasileiro. Seu nome ficará para sempre gravado na parede da memória como um dos principais responsáveis  por esse grande feito e nós, pesquisadores e brasileiros como um todo, lhes seremos eternamente gratos por essa realização.

Aderbal Nogueira
Documentarista, pesquisador sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC e do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceara - GECC.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

LAMPIÃO EM PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2013. - Crônica Nº 1047
 

Na tarde da última quarta-feira, eu e o professor Marcello Fausto, chegamos a Palmeira dos Índios para auspiciosa missão. Fomos recebidos cordialmente pelo professor de História, Wellington Lopes de Albuquerque, que logo nos proporcionou ligeira incursão pelos pontos turísticos da cidade, inclusive o Cristo do Goiti. Tivemos o privilégio de contemplarmos os arredores dos 700 metros de altitude na belíssima paisagem que o relevo serrano nos oferece. 


Após significativo descanso e preparativos, estávamos nós “enfrentando” a seleta plateia acadêmica da UNEAL, Campus III, sob a batuta do festejado professor Wellington. Lançamos o livro “Lampião em Alagoas” e partimos para uma palestra e mesa redonda com o tema: “O cangaço lampiônico nas plagas alagoanas”. Auditório lotado com acadêmicos da região, alguns professores e balaios de perguntas inteligentes, nos levaram à ocasião agradabilíssima. Mitos do Nordeste como Lampião, Padre Cícero, Frei Damião, Luiz Gonzaga, Sinhô Pereira e outros, foram amplamente citados. Passamos pelo geral sobre Virgolino, suas estripulias, organização de volantes, até desembocarmos no riacho da grota dos Angicos.


O livro “Lampião em Alagoas” – que também será lançado em outras cidades – é esclarecedor, interrogativo, equilibrado e polêmico como todos os livros sobre o cangaço. Várias passagens inéditas foram apresentadas, estimulando a pesquisa em História, Geografia e Sociologia, notadamente. Com a gentileza e desdobramentos do anfitrião, professor Wellington Lopes, quanto pela qualidade do evento, educação e maturidade dos presentes, surgiu impressão de retorno dos autores para outros temas relíquias do Nordeste. O Cristo do Goiti (derivado de oiti, oitizeiro), com certeza abençoou a nossa jornada até os seus pés, iluminando o evento que se aproximava com o pano molhado da noite.

Pela manhã retornamos da Terra dos Xucurus, de Graciliano, Luiz B. Torres, Adalberon Cavalcante Lins, Valdemar de Sousa Lima, para Santana do Ipanema, agradecendo a todos os que fazem a UNEAL, Campus III. Acho que bem deixamos LAMPIÃO EM PALMEIRA DOS ÍNDIOS.


CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.  Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).

 

Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático); Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado (romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema(história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).

Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.

(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2013/01/tipos-populares-do-mendes.html

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Moção Dr. Francisquinha

Por: Wescley Rodrigues

Caros(as),

Abaixo segue a moção de apoio da pesquisadora Dr. Francisquinha em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente
Prof. Wescley Rodrigues

Rostand Medeiros e Drª. Francisquinha - neta do cangaceiro Sabino

Cajazeiras – PB, em 11 de julho de 2013

Ilmº. Sr.
Prefeito Municipal de Nazarezinho  - Estado da Paraíba
Salvan Mendes

Prezado Senhor,

Falar de cangaço é falar da nossa cultura de um movimento histórico-social, realizado por homens que em sua maioria eram do campo, valentes, corajosos e ousados, que se rebelaram contra a ordem dominante que esmagava os menos favorecidos, vidas sofridas, principalmente, pela ausência de justiça e educação.
         
Não queremos enaltecer os personagens da época, isto é, os cangaceiros, mas eles deixaram um legado imensurável para a história, pela coragem com que enfrentavam as adversidades do sertão, e na forma ousada de fazer justiça; de modo que o tema cangaço, é motivo de incessantes pesquisas por acadêmicos, historiadores e pesquisadores.
       
A propósito da pesquisa, a Casa do cangaceiro Chico Pereira, localizada no Sitio Jacú, município de Nazarezinho – PB,  carece urgentemente de Recuperação a qual contribuirá para a saga do cangaço.
      
Como pesquisadora e estudiosa do cangaço, venho respeitosamente solicitar das autoridades do município a Restauração e Tombamento da Casa supracitada que é de grande relevância para a história.

Atenciosamente,
Francisca Pereira Martins
Professora, Advogada, Pesquisadora e Sócia da Sociedade Brasileira de Estudos do  Cangaço (SBEC)

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wescley Rodrigues

http://blogdomendesemendes.blogspot.com