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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A CARTA DE SINHÔ PEREIRA PARA LAMPIÃO.

 Por Geraldo Júnior

https://www.youtube.com/watch?v=N2VQiFXU_k8&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Cangaçologia

Teria Sinhô Pereira convidado Lampião a abandonar o cangaço? Afinal, qual o conteúdo dessa polêmica carta endereçada pelo antigo chefe cangaceiro ao seu sucessor? Conheçam a história. Geraldo Antônio de Souza Júnior.

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ANTECESSOR DE LAMPIÃO: CONHEÇA SINHÔ PEREIRA, O CANGACEIRO QUE COMANDOU O SERTÃO

 Por André Nogueira

Sinhô Pereira - Divulgação/Youtube/Cangaçologia

Nascido na mesma cidade que o Rei do Sertão, ele foi o responsável pela ascensão de Virgulino ao posto de comando pelo qual ficaria famoso.

Lampião não entrou no cangaço como rei, mas teve que ascender em meio àquele ambiente até chegar à posição de destaque. Ele ingressou ao movimento em 1920, época do auge do comandando bandoleiro que o levaria à soberania do cangaço: Sinhô Pereira.

Este era o nome de guerra de Sebastião Pereira e Silva, um sertanejo da mesma origem que Virgulino: Serra Talhada, Pernambuco. Responsável por um fortalecimento importante no cangaço, ele comandou as tropas que tomaram o sertão antes do zênite atingido pelo sucessor.

Sinhô Pereira era oriundo de uma importante e rica família do semiárido, descendendo do Barão de Pajeú e, por isso, tinha conexões e conhecimentos de destaque. No início da vida trabalhou no campo, em meio às produções da família, e foi alfabetizado cedo.

Porém, como era corriqueiro entre famílias poderosas, os Pereira estavam envolvidos com disputas acirradas com outros grupos políticos e econômicos da região, em especial os Carvalho. Influência política e posse de terras eram os principais pontos de conflito.

Esses atritos interfamiliares desencadearam uma série de assassinatos e vinganças que desestabilizou os grupos. Algumas dessas mortes, em especial a de um patriarca próximo de Sebastião, fizeram com que ele e o primo, Luiz Padre, fossem atrás de vingança contra a impunidade através do cangaço, em 1907.

Ingressando um bando numeroso que costumava atuar em Pernambuco, os parentes rapidamente ganharam destaque na atuação em batalhas. Logo, Sinhô Pereira ganhou o apelido de Demônio do Sertão, graças à fama causadas por suas habilidades de guerrilha.

Mesmo com fama de justiceiro, Sebastião não se sentia bem em estar à margem da lei. Isso o levou a se afastar do cangaço por um tempo, em 1918, junto ao primo, e buscar uma vida comum. Porém, logo, retornaram à vida de bandoleiro.

Em 1920, um parente também entrou no cangaço: Virgulino Ferreira. Eram próximos, na infância ambos moraram perto do outro e a mãe de Lampião era madrinha do pai de Sebastião. 

Aos 26 anos, então, ele voltou a cogitar a saída do cangaço para constituir família, uma vez pressionado pelo Padre Cícero Romão, que teria enviado uma carta pedindo para que os primos deixassem o Pajeú em busca de uma vida melhor. Alguns historiadores confirmam que, ao ser respondido positivamente, o sacerdote se comunicou em um padre do Piauí, de nome Castro, para ajudar os dois.

O religioso receberia os dois jovens para levá-los para o Maranhão, onde poderosos agricultores os auxiliariam. Porém, preferiram ir até Goiás, com o objetivo de conquistar uma vida independente. Mas, antes, Sinhô Pereira entregou ao parente Virgulino, que se tornaria Lampião, o comando de suas tropas. Isso teria se dado pela relação de confiança entre os cangaceiros e pela proatividade violenta do mais jovem.

Luiz Padre permaneceu no município goiano de Anápolis, no entanto, Sinhô decidiu se deslocar até Minas Gerais, onde continuou sua vida. Recebeu o título de cidadão mineiro e optou por um estilo pacato e familiar. Morreu em 1979, em Lagoa Grande.

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Apagando o Lampião: Vida e Morte do rei do Cangaço, Frederico Pernambucano de Mello - https://amzn.to/2RUsU7d

Lampião, Senhor do Sertão. Vidas e Mortes de Um Cangaceiro, de Élise Grunspan Jasmin (2006) - https://amzn.to/2RWQq3r

Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, de Frederico Pernambucano de Mello (2011) - https://amzn.to/2YQNZ3Y

Os cangaceiros: Ensaio de interpretação histórica, de Luiz Bernardo Pericás - https://amzn.to/2YROsms

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https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/antecessor-de-lampiao-conheca-sinho-pereira-o-cangaceiro-que-comandou-o-sertao.phtml

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FUTEBOL EM SANTANA DO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de dezembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.429


Sobre o futebol de Santana, o impasse continua entre o principal clube futebolístico, o povo e a prefeitura. Santana possuía vários times de futebol com destaques para o Ipanema e o Ipiranga. O Ipiranga não tem campo, nem condições financeiras de formar uma equipe para disputar o campeonato alagoano. Deixemos suas glórias do passado sem alimentar esperanças para o presente.  O Ipanema possui um estádio bem localizado, mas não tem finanças para manter um elenco profissional.  Como resolver o impasse? Duas saídas se apresentam como viáveis, é apenas questão de boa vontade das partes interessadas. Uma delas é o Ipanema fazer parceria com a prefeitura ou uma sociedade com o governo municipal. Outra é vender o seu estádio à prefeitura que formaria um time com novo nome, “Santanense”, por exemplo, para entrar na elite do futebol alagoano. Se o Ipanema não vai para frente, a nós, seus torcedores, só restaria o adeus e o obrigado pelo passado.

Não querendo vender o seu campo, Ipanema ficaria na sua particularidade, enquanto a prefeitura poderia construir, a princípio, um estádio simples para levar o futebol da terra adiante, ou às margens da AL-130 ou da BR-316, proporcionado ao povo da terra e da região a volta do nosso futebol. Dinheiro circulando, empregos, jovens se destacando podendo atingir depois os melhores clubes do país. O que não pode é continuar esse impasse que faz castigo ao povo da nossa terra em não poder ver futebol aos domingos e nem vibrar apaixonadamente pela sua agremiação. Não podemos ficar preso a passado do Ipanema e nem do Ipiranga, novas alternativas terão que ser encontradas para um novo tempo no esporte das multidões na Rainha do Sertão.

Sempre fomos defensores do Canarinho, mas não existe um só pássaro silvestre para se ouvir, ainda tem o galo, o sanhaçu, o coleira, azulão e outros para rotulagem da nova época em nosso futebol que deve ser pensada, elaborada e construída para a felicidade geral do povo da terrinha. Apesar do nosso grande amor, dos tempos de glórias, não podemos deixar nossas mentes para museus. É preciso coragem para dizer aos radicais egoístas que não deixam fluir o nosso esporte. A juventude quer futebol e de preferência com nova denominação, com novas condições para início de uma outra idolatria que orgulhe o povo de Santana do Ipanema no rolar da pelota.

Se os donos da bola não deixam o futebol fluir, compremos uma bola.

QUADRO DO IPANEMA MODERNO (FOTO: ARQUIVO B. CHAGAS).

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/12/futebolem-santana-do-ipanema.html 

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SINHÔ PEREIRA

 https://www.youtube.com/watch?v=3Hgd4Rq3kHw&ab_channel=ODISSEIACANGA%C3%87O

ODISSEIA CANGAÇO

O Odisseia Cangaço foi até Serrita, no estado de Pernambuco, para falar sobre um dos maiores nomes do cangaço, o famoso Sinhô Pereira. Vamos falar sobre a saída desse valente cangaceiro do cangaço e sua relação com o jovem e promissor cangaceiro Virgolino Ferreia da Silva, vulgo Lampião. Se inscreva no Canal Odisseia Cangaço

Música neste vídeo

Saiba mais

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Música

Xamego

Artista

Luiz Gonzaga

Álbum

A Raíz do Nordeste

Writers

Miguel Lima, Luiz Gonzaga

Licenciado para o YouTube por

Believe Music, SME (em nome de World Music Records); UNIAO BRASILEIRA DE EDITORAS DE MUSICA - UBEM, LatinAutorPerf, SODRAC e 3 associações de direitos musicais.

https://www.youtube.com/watch?v=3Hgd4Rq3kHw&ab_channel=ODISSEIACANGA%C3%87O

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ABAIXO AS COORDENADAS GEOGRÁFICAS DO LOCAL EXATO ONDE OS CANGACEIROS...

 Por Geraldo Júnior

... se posicionaram durante o Combate da Serra Grande ocorrido no dia 26 de novembro de 1926. Combate onde Lampião e seus homens saíram vitoriosos contra uma junção de Forças militares pernambucanas.

As coordenadas comprovam que o local do combate fica dentro dos limites do município de Calumbi e não de Serra Talhada, como muitos propagam.

Espero estar colaborando e aviso aos desavisados que caso queiram visitar o local procurem um guia local para acompanhá-los, pois os locais são de difíceis acessos e quase intransponíveis.

https://www.facebook.com/groups/GrupoCangacologia/?multi_permalinks=3648452455211701%2C3646004448789835%2C3643411169049163%2C3642781805778766%2C3641214292602184&notif_id=1606558485738250&notif_t=group_activity&ref=notif

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PARA ALÉM DA SECA NO SERTÃO DO NORDESTE

 

A estiagem periódica fazia acrescer o espantoso espírito de sobrevivência do sertanejo. A duradoura sequidão de 1877 fez rachar o solo e secar caldeirões e lençóis d’água esparsos, intensificando o desgaste e a fuga. No atravessar a canícula agoniante de 1878, já não se havia de suportar a sobrevivência dos animais, que eram, quando há tempo, sacrificados para prover a alimentação. A cruel e descaroável situação inumana permaneceu no sôfrego e agastadiço 1879.

Assim sucederam décadas a fio até a seca de 1915, instantes repintados com doçura e sofrer pela acadêmica Raquel de Queiroz, no romance O Quinze.

A sucumbência da vida acontecia as milhares de almas. Da catinga de solo raso e pedregoso, na amplitude transformada em inferno, na dissipação dos sulcos e veios, onde antes aflorava um talho de olho d’água, somente a areia granulosa e dissipável a mourejar os corpos dos retirantes naquele chão vencido, imorredouro. A morte pela insânia desmedida. Adentravam ao platô dos martírios no sertão reavivado por umbuzeiros exauridos, mas não bastava. Sedentos animais de tão esqueléticos prostravam-se diante de olhinhos resignados. Caminhos estéreis de poeira eram repisados, atalhos surgiam na senda dos caminhantes, pensas cruzes de pau ressequidas erguidas a cada dia na lonjura dos caminhos. Aqueles símplices sertanejos com pouco mais de sorte possuíam carroças, de há muito arrastadas por homens e animais debilitados.

O transido da seca sucedeu à diáspora em séquitos dolorosos.

Pelo sertão enfiado, aquelas almas e animais fragílimos careciam de alguma manifestação que lhes impulsionasse a caminhada agônica. Mas sempre em frente, com fé e esperança!

“Louvado seja, meu Santo Antônio Conselheiro!”, do romanceiro popular sertanejo.

[Trecho extraído do nosso breve ensaio pelos caminhos do Santo Conselheiro de Canudos].

 https://www.facebook.com/luiz.serra.14

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PEDRO BISMARCK, O NERSO DA CAPITINGA, PERDE A MULHER E VIVE RECLUSO EM SÍTIO EM MG

 

Por vinte e seis anos, ele divertiu o público como Nerso da Capitinga nos humorísticos “Zorra total” e “Escolinha do Professor Raimundo” (de volta, na reprise do Canal Viva). O quadro de sucesso da Globo chegou ao fim em 2012, e Pedro Bismarck voltou de vez para sua terra natal, onde vive num sítio em Piau, cidade de três mil habitantes no interior de Minas Gerais, a cerca de 30 quilômetros de Juiz de Fora.

No refúgio do artista de 54 anos a tecnologia ainda é precária, a internet limitada e telefone não pega. Uma vida de paz e sossego para um viúvo que perdeu recentemente a mulher, Maria José, falecida no última dia 18 de maio em decorrência de um infarto.

Pedro Bismarck com o filho, o músico Pedro, e a mulher, Maria Foto: Arquivo pessoal

“Acho que superar a perda de alguém que se torna um só, contigo, é impossível. Você nunca mais se torna o mesmo. Foram 33 anos de um casamento cheio de cumplicidade e muito feliz”, lamenta ele que, apesar da dor, e como bom palhaço que é, não esquece nunca da sua missão na Terra:

“Recebi um dom de Deus, que foi o de trazer alegria para a vida das pessoas. E isso, consequentemente, me fez enxergar tudo com outros olhos. Não vou dizer que é fácil, mas estou seguindo com a minha missão, com a certeza de que ela (Maria) gostaria muito de que eu fizesse exatamente isso”.

Dona Candinha do 'Zorra', Luciana Coutinho surge diferente aos 48: 'Virei uma senhora'

Pedro Bismarck dando vida ao Nerso da Capitinga Foto: Divulgação

E ele não para. O humorista viaja o país com a peça “Nerso em 3D, 30 anos de riso”, um show comemorativo pelas três décadas do personagem que ganhou o Brasil. “Em média, fazemos 15 shows por mês”, conta. Apesar de viver recluso, ele mantém um escritório na capital mineira para cuidar dos negócios. Trocar a natureza pela cidade grande? Nem pensar!

“Sabe aquela coisa que todos dizem buscar a vida toda? Aquela ‘tal felicidade’? Foi lá onde eu a encontrei. É tudo o que eu pedi a Deus. Eu pesco, cuido da terra, plantas, bichos, leio, reúno a família (os três filhos, já adultos, Thiago, Pedro Paulo e Carolina, e os quatro netos), tudo com a calmaria do campo. Quando volto à TV? Não posso dizer ao certo, mas, quem sabe um dia?”.

Pedro no palco em “Nerso em 3D, 30 anos de riso” Foto: Divulgação

Mesmo Pedro Bismarck tendo acesso limitado à internet e telefone, o EXTRA conseguiu levar um papo com ele, através do escritório que o humorista tem na capital mineira. Confira!

O senhor deixou o 'Zorra Total' em 2013 e, recentemente, fez uma participação no programa Tá no ar. O que está fazendo atualmente?

Na verdade, após a saída do "Zorra Total" fiz algumas participações em programas da Globo e alguns quadros como no "Vídeo Show". Além disso, continuo com o trabalho que sempre fiz desde o início da minha carreira que é o de viajar pelo Brasil com os meus espetáculos. Estou fazendo o “Nerso em 3D - 30 anos de riso”, um show comemorativo dos meus 30 anos de carreira, em que reúno algumas piadas do início da minha trajetória, que foram consagradas, e outras tantas novas. Queríamos destacar os diferenciais que levaram o público a gostar do Nerso da Capitinga. Estreamos este show em 2014 e, desde então, iniciamos a turnê por todo o país. Em média, fazemos 15 shows e presenças em eventos em todo o país, por mês.

Como é a sua vida aí no sítio?

A minha vida no sítio é tudo o que eu pedi a Deus. Aprendi a dar valor às mínimas coisas do dia a dia vivendo lá. Quando não estou viajando a trabalho e nem em reuniões com o meu escritório, o meu cotidiano é normal como o de qualquer outra pessoa. As vantagens é que no sítio eu pesco, cuido da terra, das plantas, dos bichos, eu leio, reúno a família, os amigos e tudo o que me dá mais prazer, com a calmaria do campo.

É verdade que telefone não pega muito bem por aí e que a internet é limitada? Como o senhor consegue viver sem tecnologia?

Como conseguíamos viver sem tecnologia há alguns anos? A vida nos proporciona infinitos outros afazeres, além de ficar ligado o dia todo à internet. De qualquer forma, não me abstenho totalmente dela. A amplitude das ligações sociais, o alcance e rapidez das informações e tantas outras vantagens são inegáveis. Para tanto, mantenho minha equipe ligada e as poucas conexões que tenho no sítio, que realmente são limitadas, eu acesso com parcimônia.

Pedro Bismarck faz 15 shows por mês Foto: Divulgação

Não pensa em largar o sítio e ir morar na cidade?

Não penso de jeito nenhum (risos). Sabe aquela coisa que todos dizem buscar a vida toda? Aquela “tal felicidade”? Foi lá onde eu a encontrei. Mas ao contrário do que muitos pensam, eu não fico isolado do mundo. Como continuo trabalhando, e muito, o sítio é o meu canto, meu lar e meu refúgio. É para onde eu quero sempre voltar depois de uma viagem.

Desde quando o senhor mora nesse sítio?

Tenho o sítio há mais de vinte anos, mas moro lá há seis. Antes eu ia aos fins de semana, quando não estava trabalhando. Depois, as visitas passaram a ser mais frequentes e, quando vi, já estava morando lá. O tamanho do sítio é o ideal para eu manter a minha qualidade de vida, que julgo merecer após tantos anos de trabalho.

O senhor nunca morou no Rio de Janeiro?

Nunca morei no Rio de Janeiro, não. Na verdade, sempre residi em Juiz de Fora, que é bem perto do Rio. Sendo assim, optei por ficar na cidade onde criei meus filhos. Tanto para shows, gravações e tantos outros compromissos, até hoje vou e volto do Rio no mesmo dia. E te falo com toda a certeza de que, para mim, o custo/benefício vale muito. Acho o Rio de Janeiro a cidade mais bonita do país, mas, Juiz de Fora, foi a cidade que escolhi para constituir minha família.

Quando o senhor vai voltar à TV? Não sente falta?

Acredito que não é uma questão de sentir falta. A TV é uma das maiores vitrines do artista, mas, só com ela, ele não é completo. De qualquer maneira, estar na TV é um fato que depende de outros inúmeros fatores. Não posso te dizer ao certo, mas, quem sabe um dia?O tempo tem passado cada vez mais rápido, e com 2016 não foi diferente. O ano já está acabando, mas esse Brasil é muito grande e nele existem muitas pessoas procurando mais alegria. Enquanto o show estiver novo e enquanto tiverem pessoas querendo sorrir, vamos viajar Brasil afora.

https://extra.globo.com/famosos/pedro-bismarck-nerso-da-capitinga-perde-mulher-vive-recluso-em-sitio-em-mg-19677308.html

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PARABÉNS, FREI ENOQUE!

Por Manoel Belarmino

Hoje é dia 4 de dezembro. Celebra-se, neste dia, mais um aniversário do Frei Enoque, o missionário do Evangelho e das sandálias da simplicidade. O Francisco do Sertão.

Quantos anos vividos neste sertão! Quantos gritos! Quantas vezes a sua voz foi e continua sendo a voz dos mais sofridos do campo e da cidade neste sertão.


Muita saúde e muita paz!

Parabéns, Frei Enoque!

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SUBDELEGADO HERCULANO BORGES

 Por Adelsomota

Aqui temos duas fotos o mesmo personagem que veria tempos depois 02/10/1931 a concretização de uma vingança lhes prometida na cela da cadeia de Santa Rosa de Lima, Jaguarari, BA.

Corisco já vindo da Paraíba em fuga por crime cometido lá contra um jovem rapaz em uma noite de baile nos conhecidos forrós, risca faca e se estabelece na região dita, exercendo suas funções. 

Como feirante nesta localidade e por um motivo o fiscal de rendas injuriamente, o denuncia como sonegador da licença a que era imposta a ele por proveitos de vender algumas especiarias na tal feira.

Então, é chamado o sub delegado Herculano Borges para averiguar o acontecido. Corisco dá suas explicações dizendo-lhe: " - a taxa que imposta a mim já foi quitada".

Mas o Sub delegado não acata essas esplicações e detém o feirante sob pontapés em seu traseiro e humilhações. Corisco no dia em que é posto em liberdade e perguntado se quer falar algo. Ele olha no fundo do olho do sub delegado Herculano Borges e só diz: "-  um dia terei a minha vingança...! 

O resto nós já sabemos o que aconteceu./ Credito Rubens Antônio,fotos

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FOTO DE NAZARENOS DE PERNAMBUCO - COMBATENTES DE LAMPIÃO.

Por Verluce Ferraz 


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LAMPIÃO O REI DO CANGAÇO │HISTÓRIA DO BRASIL

 

https://www.youtube.com/watch?v=NRYOQtH4c5Y

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REEDIÇÃO DE LIVROS DO CANGAÇO POR PROFESSOR PEREIRA

 


Peça através deste e-mail: 

A  bibliografia do cangaço e temas afins é extensa e diversificada. São centenas de livros à disposição dos estudiosos, pesquisadores, colecionadores e admiradores da história e cultura nordestina.  Mas, infelizmente, dezenas destas obras não são mais encontradas nas livrarias e sebos especializados. São consideradas esgotadas e, em alguns casos, raras. Quando são colocadas à venda, estão com preços exorbitantes, totalmente fora da realidade financeira da maioria das pessoas que desejam adquiri-las.

Faço, por meio deste artigo, uma indagação pertinente e natural: por que esses livros não são reeditados? Não é o meu propósito procurar identificar  e analisar os fatores que dificultam ou impedem essas reedições, mas contribuir, positivamente, com este processo, para que o resultado seja promissor. Aproveito a oportunidade para conclamar,  solicitar aos autores, herdeiros de autores já falecidos ou quem esteja na posse do direito destes trabalhos, que procurem reeditá-los, pois são obras extraordinárias, que demandaram milhares de horas de leituras, pesquisas, viagens e entrevistas, com muito sacrifício, principalmente, em épocas mais remotas, quando os autores não dispunham de meios de transporte, comunicação, e a internet, que podemos utilizar atualmente.


Professor Pereira entre, Kydelmir Dantas e Honório de Medeiros em dia de Cariri Cangaço

Então, não se justifica a ausência destas relíquias, na bibliografia disponível  do cangaço. Faço este apelo,  em nome de milhares de pessoas que necessitam dessas obras para a efetivação das suas pesquisas, descobertas e fundamentações teóricas de monografias, dissertações e teses, no Brasil e mundo afora.Os sites, blogs e comunidades virtuais ligados ao fenômeno do Cangaço, como: SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, O Cariri Cangaço,  Lampião Aceso, Cangaço em Foco, Tokdehistória, Lampião, Rei do Cangaço  entre outros, que estão sempre focados e à disposição da expansão do estudo da história e cultura nordestina,  divulgando  os  lançamentos de edições e reedições de livros, revista e  artigos referentes ao assunto, o que facilita  o acesso deste material pelos pesquisadores, colecionadores e interessados no tema.

Como consequência natural da utilização destas ferramentas,  observo um crescimento considerável de pessoas  interessadas no estudo do Cangaço. Além do uso da Internet na distribuição eficiente  desses livros,  o que contribui e incentiva  os autores a editarem e reeditarem suas obras.  Tomo a liberdade e a iniciativa de citar algumas obras, por ordem cronológica,  que gostaria de vê-las reeditadas e espero que os leitores acrescentem, por meio de seus comentários, outros trabalhos esgotados e raros aqui não relacionados:   


Os Cangaceiros, Romances de Costumes Sertanejos 1914, Carlos Dias Fernandes;   Heróes e Bandidos 1917, Gustavo Barroso;  Beatos e Cangaceiros 1920, Xavier de Oliveira;  Ao Som da Viola 1921, Gustavo Barroso;  A Sedição de Joazeiro 1922, Rodolpho Theophilo;  Lampião, sua História 1926, Érico de Almeida;  Lampeão no Ceará, A Verdade em Torno dos Fatos 1927, Moysés Figueiredo;   Padre  Cícero e a População do Nordeste 1927, Simões da Silva;  Os Dramas Dolorosos do Nordeste 1930, Pedro Vergne de Abreu;    Almas de Lama e de Aço 1930, Gustavo Barroso;  O Flagello de Lampião 1931, Pedro Vergne de Abreu;  O Exército e o Sertão 1932, Xavier de Oliveira;  Sertanejos e Cangaceiros 1934, Abelardo Parreira;  Como Dei Cabo de Lampeão 1940, Ten. João Bezerra;  Lampeão, Memórias de um Oficial Ex-comandante de Forças Volantes 1952, Optato Gueiros;  Caminhos do Pajeú 1953, Luís Cristóvão dos Santos;  Solos de Avena s/d, Alício Barreto;  Cangaceiros 1959, Gustavo Augusto Lima;   Rosário, Rifle e Punhal 1960, Nertan Macedo;  Serrote Preto 1961, Rodrigues de Carvalho;  O Mundo Estranho dos Cangaceiros 1965, Estácio de Lima;  Lampião e Suas Façanhas 1966, Bezerra e Silva;  Lampião, O Último Cangaceiro 1966, Joaquim Góis;  Sertão Perverso 19 67, José Gregório;  Lampião, Cangaço e Nordeste 1970, Aglae Lima de Oliveira;  Cinco Histórias Sangrentas de Lampião, Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião(dois livros)1970, Nertan Macedo;  Vila Bela, Os Pereira e Outras Histórias 1973, Luís Wilson;  Terra de Homens 1974, Ademar Vidal;  Bicho do Cão, Canga, Cangaço, Cangaceiro s/d, José Cavalcanti;  Cangaço: Manifestação de Uma Sociedade em Crise 1975, Célia M. L. Costa;  Figuras Legendárias 1976, José Romão de Castro;  A Derrocada do Cangaço 1976, Felipe de Castro;  Antônio Silvino, O Rifle de Ouro 1977, Severino Barbosa;  Capitão Januário, a Beata e os Cabras de Lampião 1979, José André Rodrigues(Zecandré);  Gota de Sangue Num Mar de Lama, Visão Histórica e Sociológica do Cangaço 1982, Gutemberg Costa;  Volta Seca, O Menino cangaceiro 1982, Nertan Macedo;  Prestes e Lampião s/d, Ten.  Adaucto Castelo Branco;  Sangue, Terra e Pó 1983, José de Abrantes Gadelha;  Lampião, as Mulheres e o Cangaço 1984, Antônio Amaury C. de Araújo;  Lampião e Padre Cícero 1985, Fátima Menezes;  Guerreiros do Sol:  Violência e Banditismo no Nordeste do Brasil 1985, Frederico Pernambucano de Mello(Será l ançado a 5º edição desse livro, agora em janeiro/2012); Lampião e a Sociologia do Cangaço s/d, Rodrigues de Carvalho;  A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes 1989, Severino Coelho Viana;  Lampião, Memórias de Um Soldado de Volante 1990, Ten. João Gomes de Lira;  Nas Entrelinhas do Cangaço 1994, Fátima Menezes;   Lampião e o Estado Maior do Cangaço 1995, Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena;   Cangaço: Um Certo Modo de Ver 1997, Vera Figueiredo Rocha;  Amantes e Guerreiras: A Presença da Mulher no Cangaço 2001, Geraldo Maia;   Histórias do Cangaço 2001, Hilário Lucetti;   Lampião e o Rio Grande do Norte, a História da Grande Jornada 2005, Sérgio Augusto de Souza Dantas.

Obs. Algumas dessas obras já foram reeditadas, mas, mesmo assim, estão  esgotadas.Está lançado o debate. Vamos à discussão construtiva, formando um elo de entendimento, consultoria,  convergência na direção do resultado positivo, e espero que possamos  colher os frutos num futuro próximo, com novos livros no mercado. Votos de Saúde e paz a todos.


Francisco Pereira Lima - Prof. Pereira
Advogado, Professor, Membro da UNEHS, SBEC e
Conselheiro do Cariri Cangaço
franpelima@bol.com.br
Cajazeiras - PB


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O RIO DE MINHA ALDEIA

 *Rangel Alves da Costa

Nasci no semiárido nordestino, numa região sertaneja conhecida como Alto Sertão do São Francisco, precisamente por ser cortada pelas águas do Velho Chico. Da sede do município, Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo, até a beira do rio são cerca de quatorze quilômetros, seguindo em direção a Curralinho..

Fiz tal relato preliminar porque se iniciasse o texto dizendo ter nascido na mais autêntica aridez nordestina, com estiagens que se prolongam por anos a fio, com vegetação cuja predominância maior é do mandacaru, do xiquexique e da desnuda catingueira, logo imaginariam que nenhum rio estivesse tão permanentemente presente naquele lugar.

E o São Francisco, mesmo ameaçado na sua existência pelas ações degradantes do homem, pelo uso indiscriminado como fonte energética e pelos canais e irrigações que vão surgindo para minar suas forças, continua fazendo o seu caminho molhado, fazendo as curvas e recurvas leitosas, levando no seu leito embarcações de médio e pequeno porte e no seu corpo a sobrevivência daqueles que se esforçam para pescar o alimento da sobrevivência.

Certamente não é mais o Velho Chico grandioso e caudaloso que os livros de geografia ensinavam. Longe o tempo onde as estradas sertanejas seguiam as curvas do rio, onde o comércio e a pujança fortaleciam as ribeiras e faziam surgir portentosas cidades. Penedo, Propriá, Neópolis, tudo da semente leitosa que de muito longe chegava trazendo riqueza e bonança.

Também quase não é mais caminho para os ribeirinhos, não é mais garantia de sobrevivência dos habitantes de suas margens e arredores e nem mesmo a razão de viver daquelas povoações que desde o amanhecer ao anoitecer avistavam o rio correndo como se ali estivesse o próprio sangue percorrendo na veia. As senhoras não sentam mais ao entardecer nas calçadas altas para avistarem as chegadas e partidas. Pouco surge na curva do rio que mereça ser avistado com grandioso espanto.

É até triste dizer, mas a verdade que a contínua magrez do rio desde muito que vem deixando a população ribeirinha em situação de abandono e desamparo. Se de um lado, e ao longo da história, a gente barranqueira se fez dependente demais do rio, de outro, a nova situação de escassez do que as águas ofereciam não veio acompanhada de políticas públicas que permitissem ao homem sobreviver perante a nova e desafiadora realidade.

Assim, num processo de lenta destruição e de nenhuma renovação, o que absurdamente se vê é a água ao lado da sede, ou a sede sem que o povo tenha sido ensinado a beber a água. Neste caso, tem-se que o leito do rio, porém com menos força e profundidade, com quase nenhum alimento nas suas águas, continua passando diante dos ribeirinhos, de suas casas, de suas famílias, mas quase sem nenhuma valia para os objetivos de sobrevivência.

Daí, com o rio continuando a passar, porém sem que o deitar de uma canoa no seu leito seja garantia de pesca nem de peixe pequeno, outra coisa não se tem que não a angustiante metáfora da água que não mata a sede. E porque sede é aqui noutro sentido que não a falta de água, mas indicando a fome e todas as formas de desamparo do ser humano ribeirinho.

E também a sede da fartura de um dia, da saudade das águas piscosas nos tempos idos, das embarcações que aportavam fazendo o comércio e interligando a vida, da rede jogada com a certeza que o alimento do dia chegaria enroscado, do olhar que se derramava cheio de admiração por cima do leito largo, distante. E agora ter apenas o rio passando, fazendo sua trajetória como obrigação, como pessoa que caminha sem contentamento, sem felicidade, num tanto faz de viver.

Por que o Velho Chico nem se compara ao grande pai de um dia, aos seus órfãos pouco resta a fazer senão lamentar às suas margens. Quando a fome chega, somente se voltando para a cidade para mendigar o pão. Não se estabeleceu, com suficiência e provimento de recursos, uma cultura de plantios às suas margens; não procuraram ensinar ao barranqueiro nada que o libertasse da eterna dependência de suas águas.

Parodiando o poeta lusitano, o São Francisco continua o mais belo, o mais vigoroso, o mais pujante e encantador rio que passa por aquela aldeia, por aquelas margens de um povo sofrido, mas não porque seja o único rio que passa por aquela aldeia, e sim porque veia, porque raiz ribeirinha, leito onde o sertanejo lança o olhar, num misto de ternura e tristeza, imaginando que amanhã será bem melhor.

E será. Basta que matem a sede do rio, que diminuam a fome do rio, que alimentem a sua necessidade de preservação. Somente assim a magia da carranca protetora voltará a existir. E o nego d’água pulando da ribanceira, e a lua vaga contando seus contos de bom viver...

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com     

DESCREVENDO A FOTO

 Clerisvaldo B. Chagas, 2/3 de dezembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica:2.429


Neste início de dezembro, estamos informando atravé de foto  e redação sobre o estiramento de Santana para os ausentes com mais de cinco anos em outros estados.

Esta foto representa a face oculta (não vista do Centro da cidade) do antigo serrote do Gonçalinho também chamado de serra do Cristo ou serra da Micro-ondas.

Veja no cimo do serrote as três torres de micro-ondas.

A beleza do céu indica uma foto em plena primavera.

Ao longo do monte, a vegetação exuberante que ainda resta.

Note a estrada que conduz o visitante até o topo.

Veja no lado esquerdo da foto, casas brancas ao longe, do bairro Monumento e, por trás delas, o serrote Pelado ou Alto da Fé.

Na base do serrote, formação de noivo bairro, Note casas brancas e telhados rosados. Esse bairro expande-se ao longo  do serrote, para a direita em direação aos sítios Curral do Meio e Sementeira.

No primeiro plano, vê-se alguns telhados do bairro Luar de Santana, do lado Direito da AL-130 de onde foi tirada a foto. Início da colina.

E, finalmente, do lado direito do serrote, serras longínquas em direção a Olho d’Água das Flores.

Informando com amor a terra.

Orgulho em ser santanense.

(FOTO: ÂNGELO RODRIGUES/ACERVO B. CHAGAS).



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O EX-CANGACEIRO CORISCO

Por José Mendes Pereira
 

Imagem do ex-cangaceiro Corisco que foi alvejado pela volante do tenente Zé Rufino em 25 de maio de 1940. Zé Rufino disse em entrevista que deu oportunidade a Corisco para que se entregar, mas ele se recusou, porque não era homem de se entregar à polícia. Dadá diz que Corisco foi pego na traição, emboscada.

Corisco foi um dos comandados do capitão Lampião, mas depois se desentenderam e ele criou o seu próprio bando. Dizem que Lampião e ele nunca perderam as amizades. Respeito de igual por igual. 

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ÚLTIMA CANGACEIRA DE LAMPIÃO

 

https://www.youtube.com/watch?v=owyK9JvZ25E&ab_channel=Estad%C3%A3o

Estadão

Dulce Menezes dos Santos é a última sobrevivente do grupo de Lampião

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NOVA LUZ SOBRE DELMIRO GOUVEIA POR WAGNER SARMENTO

 

Gilmar Teixeira

Quase um século após o misterioso crime, pesquisador apresenta em livro versão inédita para a morte do homem que revolucionou a indústria no Nordeste. A história não é produto acabado. Está sempre sujeita a revisões, releituras, reviravoltas. A morte do empresário Delmiro Gouveia, pioneiro da industrialização do Nordeste e construtor da primeira usina hidrelétrica brasileira, assassinado em 10 de outubro de 1917, nunca foi ponto final. Reza a tradição popular que, após ser alvejado na cadeira de balanço do alpendre de seu chalé, Delmiro indagou, antes de morrer: ”Quem foi o cabra que me matou?”.
 
 Delmiro em clássica fotografia......"lendo jornal em sua cadeira, tal qual quando foi morto"

A pergunta atravessou décadas sem resposta. Entre silêncios e murmúrios, um crime sem solução, mais um, retrato de um país onde a injustiça é, muitas vezes, o único elemento indubitável. Mas o manto do mistério pode ter sido desvelado 94 anos depois. É o que garante o historiador baiano Gilmar Teixeira Santos, que mergulhou no intrigante crime e lançou à luz fatos ocultados pelas biografias anteriores. A investigação feita pelo pesquisador revela que o homicídio foi uma grande trama arquitetada por falsos amigos e rivais do homem que anteviu o Nordeste do futuro.

Os operários Róseo Morais do Nascimento e José Inácio Pia, conhecido como Jacaré, haviam sido demitidos de uma das fábricas de Delmiro duas semanas antes do crime. Pobres, foram presos e acabaram condenados pelo homicídio à pena máxima de 30 anos. Jacaré fugiu duas vezes da cadeia e foi morto em 1924 pelo coronel José Lucena, mesmo homem que matou o pai de Lampião. Róseo cumpriu 15 anos de pena, foi solto por bom comportamento e morreu de velhice em 1979. Em vida, nunca conseguiu se desfazer da pecha de assassino. Uma revisão processual, porém, inocentou a dupla mais de meio século depois, em 1983, após acreditar um álibi desprezado na época e segundo o qual ambos estavam em Sergipe no dia em que Delmiro foi eliminado. Enterrava-se ali, naquela absolvição póstuma, a principal versão sobre o crime.

Róseo e Jacaré, acusados e condenados...inocentes???

Outra hipótese difundida alardeava que o assassinato teria sido demandado pela Machine Cotton, empresa escocesa que havia perdido mercado com a ascensão da Companhia Agro-Fabril Mercantil, criada em 1914 por Delmiro Gouveia, a primeira na América do Sul a fabricar linhas para costura e fios para malharia. O que reforçou a possibilidade foi o fato de a Machine ter comprado a fábrica do empresário após sua morte e atirado todo o seu maquinário de um penhasco no Rio São Francisco.

“Todos os biógrafos compraram essas ideias ventiladas logo após o assassinato e ficaram repetindo isso. Ignoraram inclusive a revisão penal que inocentou antigos culpados. Na verdade, essas falsas versões foram difundidas pelos verdadeiros culpados para desviar o foco”, explica Teixeira, em entrevista por telefone ao Jornal do Commercio. O pesquisador começou a se debruçar sobre o crime sem resposta em 2008, quando realizava um documentário sobre a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso, na Bahia, inaugurada por Delmiro em 1913 e que servia para fornecer energia elétrica à fábrica de linha do industrial e à vila erguida por ele na Pedra (AL), município hoje denominado Delmiro Gouveia, em homenagem ao cearense. O trabalho fora encomendado pela Fundação Delmiro Gouveia, que administra o sítio histórico. Ao cascavilhar o acervo histórico sobre o personagem, Gilmar Teixeira encontrou informações até então ignoradas pela historiografia de Delmiro. Fotos, vídeos, cartas, inquéritos, livros, documentos, pertences e reportagens antigas de quatro revistas e 14 jornais, incluindo o Jornal do Commercio, com cerca de 30 matérias sobre o assunto. A pesquisa resultou no livro Quem matou Delmiro Gouveia?, Obra que leva o leitor de volta à cena do crime e ao jogo de interesses que levou à morte do pioneiro nordestino. Em 153 páginas, o autor garante ter descascado uma dúvida secular.

 Lionello Iona, teria sido o principal mentor da trama?

O mentor do homicídio seria o italiano Lionello Iona, sócio e administrador das empresas de Delmiro. Pouco antes de sua morte, o cearense fez um testamento que colocava Iona como tutor da herança de seus três filhos, até que eles completassem a maioridade. O europeu, que teria redigido o documento, estava enfurecido com a recusa de Delmiro à proposta de compra da fábrica de linhas feita pela Machine Cotton e estaria cansado das humilhações impostas pelo sócio. “Delmiro era um homem à frente do seu tempo, muito inteligente, mas não lia um documento. A família dele fez um escândalo na época, pois não aceitava que Iona ficasse como tutor. Noé, o filho mais velho de Delmiro, só conseguiu retomar o dinheiro aos 21 anos. Iona, então, voltou para a Itália rico. Foi tanto recurso desviado que o contador do italiano abriu um banco logo depois”, diz o historiador.
 
A gana pela vantagem financeira, segundo ele, colocou o sócio como autor intelectual de um complô que envolveu cerca de dez pessoas, entre personagens influentes e cangaceiros. Teixeira cita como partícipe a influente família Torres, liderada pela baronesa Joana Vieira Sandes de Siqueira Torres, que se via ameaçada pelo poder econômico e crescente influência política de Delmiro. “Inclusive o juiz do caso era membro desta família e facilitou para que Róseo e Jacaré levassem a culpa em vez dos verdadeiros responsáveis”, afirma. O político José Gomes de Sá teria entrado na trama pelo fato de o empresário apoiar seu maior inimigo, o coronel Aureliano Lero, que ganharia a eleição para prefeito de Jatobá de Tacaratu, atual Petrolândia. “Além disso, Zé Gomes trabalhava como fiscal de renda e foi delatado por Delmiro às autoridades por receber suborno”, observa Teixeira. Outro cúmplice seria o coronel José Rodrigues, de Piranhas (AL), latifundiário que se sentia desconfortável com a presença de Delmiro, o qual atuava também na pecuária e vendia produtos agrícolas a preços mais baixos que os convencionais.

Até Firmino Pereira, compadre de longa data de Delmiro Gouveia, é listado pelo biógrafo Gilmar Teixeira como um dos envolvidos no crime. A filha de capitão Firmino, como era conhecido na região, estaria difamada após ser seduzida por Delmiro em uma viagem ao Recife? Seu genro lhe dizia que só se casaria com a moça se o industrial fosse morto, e assim fez. De acordo com a versão do pesquisador, é Firmino, cunhado de Zé Gomes, quem contrata os cangaceiros que matarão seu amigo: Luís Padre e Sinhô Pereira, que foi o precursor de Lampião no cangaço.

 
 Sinhô Pereira e o primo Luis Padre em foto tirada em Pedra de Delmiro em 1917

Dois outros homens teriam dado cobertura à dupla no dia do homicídio a mando de capitão Firmino. Seriam eles o fazendeiro Herculano Soares, que havia jurado vingança depois de apanhar do empresário no meio da rua, e seu cunhado Luiz dos Anjos. “Juntei as peças do quebra-cabeça. Delmiro tinha muitos inimigos. O sucesso dele incomodava muita gente. Havia um barril de pólvora pronto para explodir. Lionello Iona, seu sócio, só atiçou as outras pessoas. Foi ele quem arquitetou o plano. Existiam muitos interesses em jogo. Fizeram reuniões para definir como tudo seria”, explana o historiador.

Na noite de 10 de outubro de 1917, Delmiro Gouveia fez o que costumava fazer. Sentou-se no alpendre de seu chalé em Água Branca (AL) para ler jornal. Foi acertado por dois tiros: um no braço e o outro certeiro, no peito, varando o coração. Um terceiro disparo deixou na parede a marca da violência. Róseo e Jacaré haviam sido mandados pelos próprios mandantes do assassinato para Sergipe, sob a alegação de que fariam um serviço para o coronel Neco de Propriá. Ao chegar lá, o trabalho foi suspenso. Quando voltaram, ambos foram acusados do crime.

Entre as mais de cem fotos pesquisadas por Teixeira, está uma de Luís Padre e Sinhô Pereira, tirada em 1917, na Vila da Pedra. “O que eles estavam fazendo lá?”, indaga. Numa entrevista em 1951, detalhada no livro, Róseo revelou a história de que foi chamado à mansão da família Torres poucos dias antes da morte de Delmiro e lá viu dois homens, chamados “Luís Pedro e Sebastião Pereira”, recebendo ordens. “Basta ligar os fatos para chegar aos nomes de Luís Padre e Sinhô Pereira como os executores de Delmiro”, assinala Teixeira, que diz não ser dono da verdade. Frisa que seu livro é, antes de tudo, uma interrogação a mais. Talvez um ponto final.

Wagner SarmentoEdição de Segunda-Feira 17 de Outubro de 2011
Jornal do Commercio

Também postado em www.lampiaoaceso.blogspot.com

Contato: gilmar.ts@hotmail.com ou graf.tec@yahoo.com.br
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 de Frete

NOTA RECEBIDA DO AUTOR: Amigo Severo, saiu matéria comigo no Jornal do Comércio, Recife, falando do nosso livro, inclusive dedicando duas páginas ao assunto, por isso Severo, quero agradecer de coração o apoio a mim dado por você em relação ao nosso livro, sem o Cariri Cangaço nada disso seria possível, pois foi aí, instigado por vocês e com espaço aberto no evento, que o livro fluiu. Ficam meus agradecimentos e estarei sempre a disposição para novas empreitadas, abraços do amigo Gilmar.

http://cariricangaco.blogspot.com/2011/10/nova-luz-sobre-delmiro-gouveia.html

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