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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A ARTE DA DEMAGOGIA (Ctrl+C / Ctrl+ V)

 
Uma das grandes artes que tem permanecido ao longo dos séculos é a da demagogia, sempre aliada a uma boa retórica.


Por Silva Araújo

            Tão bem ou melhor que o mais conceituado fármaco, a demagogia anestesia as pessoas. Cria um mundo de maravilhas no qual as alices se sentem extasiadas. Aliena. Gera sociedades virtuais onde tudo se resolve como que por encanto. Além de enganar, a demagogia procura não desagradar. Por isso o demagogo não exige. Por isso o demagogo não proíbe. Por isso o demagogo segue a lógica do vale tudo. Por isso o demagogo tudo facilita e a tudo fecha os olhos. Por isso o demagogo não propõe princípios nem regras. Por isso o demagogo atua como se a liberdade não tivesse limites e como se a mesma liberdade não devesse estar unida ao sentido da responsabilidade. Embora a muita gente pareça que não, a verdade é que a demagogia só a aproveita ao demagogo, porque, como dizem os espanhóis, ainda que a mona se vista de seda, mona se queda. Por muito que o demagogo pretenda colorir a realidade, a realidade mantém-se. Quando os anestesiados retomarem a consciência, caem das nuvens. Mas, entretanto, o demagogo levou a sua por diante, e, habilidoso como é, soube arranjar-se. O demagogo não tem grandes escrúpulos na gestão dos dinheiros da comunidade. Utiliza-os como um instrumento ao serviço da sua demagógica estratégia, muito mais do que ao serviço dos reais interesses da mesma comunidade. Por isso gasta em foguetório. Por isso promove festas. Por isso esbanja. O demagogo tem o condão de pôr alegria nos momentos mais tristes e de ver estrelas na noite mais cerrada. O demagogo diz a verdade, pois seria o cúmulo do descrédito ser apanhado em mentira. Mas só diz a verdade que lhe convém, quando lhe convém e como lhe convém. Apenas salienta o aspecto da verdade que lhe interessa destacar. «Ignora» questões essenciais que podem comprometer. O demagogo vive mais de projetos do que de realidades. Sabe apresentar «as melhores e mais viáveis soluções» para os mais intrincados problemas; simplesmente, não as põe em prática. Diz como se deve fazer, diz que há de fazer, mas não faz. Para ele, a oportunidade para agir está sempre mais adiante. E tem artes de convencer as pessoas de que lhes é mais vantajoso saberem esperar... por tempos que nunca vêm. Dando-se ares de altruísta e de compassivo; manifestando teatralmente uma grande sensibilidade para com a dor alheia, não passa de um refinado egoísta que coloca sempre em primeiro lugar os seus interesses e as suas conveniências. Sabe ser um grande fingidor e tem sempre à mão uma grande coleção de máscaras para usar nas diversas circunstâncias. O demagogo tem a rara habilidade de aparentar que economiza quando desperdiça, de mostrar generosidade quando é mais que forreta, de convencer que serve e se sacrifica quando se serve e se promove. Era bom que todos se apercebessem das manobras do demagogo e soubessem desmontar os seus esquemas, mas há pessoas que nem sempre o conseguem e outras que nem sempre o querem fazer. Há quem prefira viver na ilusão a ter de enfrentar a realidade. Há quem sinta um sádico prazer em ser enganado. Há quem, dando realidade ao dito popular de «quanto mais me bates mais te quero», goste de dar vivas e de bater palmas a quem dele se serve e habilidosamente o explora. E já que assim é, o demagogo sente-se encorajado e compensado. E continua. Por isso a arte prospera.
 

Originalmente publicado em Diário do Minho 04 Mar 2004
Imagem: Reprodução

Extraído do Blog: "BOOM"

Fatos e Fotos

 Por: Ivanildo Alves da Silveira
 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgry747JaM6E0Qh1V0zoIi_6lC1zibnDxXUzscvh_HoGC3N5tzp8BJlmRqCUlqwc3FrqeaoVondKcjlu8LVld4Mphtl0zAvVd0LvrIhZe_Ber135LFl4rVzChRrPKh74rAsKuwjw_Wptg/s320/IVANILDO+(543).JPG
 
Tópico para agregar todas as imagens interessantes e referenciadas de jornais que possam servir aos pesquisadores.
 
 
jornal "A Tarde", Salvador, Bahia, 20 de Dezembro de 1927

18 de outubro de 1928. "A Tarde", Salvador, Bahia

 
 
VALEU GRANDE RUBENS, PELA CONTRIBUIÇÃO AO PUBLICAR ESSAS
NOTÍCIAS SOBRE O CANGAÇO.

GOSTARIA DE PEDIR A GENTILEZA, DE QUEM TIVESSE MATÉRIAS SEMELHANTES
QUE POSTASSEM AS MESMAS, NESTE TÓPICO.

Um abraço a todos.
IVANILDO SILVEIRA 

"A Tarde" - 18 de Janeiro de 1929

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"A Tarde" 15 de Janeiro de 1929

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"A Tarde", 17 de Janeiro de 1929

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"A Tarde", 17 de Janeiro de 1929

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O Jornal " DIÁRIO DA BAHIA ", edição do dia 09 de Junho de 1934, traz informações sobre a morte desse famoso cangaceiro. Veja, logo abaixo.


Obs:
Matéria cedida, gentilmente, pelo escritor/pesquisador, Dr. Sérgio Dantas.

Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN
 
 
 Blog: "Novas notícias velhas"
 

Em Farias Brito, falece uma das mulheres mais velhas do Ceará

           Faleceu, nesta segunda-feira, no Sítio Contendas, em Farias Brito, uma das mulheres mais idosas do Ceará, Josefa Alves de Moura, a Zefinha, com 108 anos, que no próximo dia 9 completaria 109 anos.
 
         Deixa como filhos: Maria Alcina, Zulene, Maria de Lurdes, José, Nêumar e Viana Moura e um grande número de netos, bisnetos e tataranetos.
 
         Natural do Crato, na juventude residiu próximo do Caldeirão do beato José Lourenço.
         
Fonte: Diário do Nordeste


Extraído do Blog: "Farias Brito"  

terça-feira, 26 de abril de 2011

UM VISIONÁRIO DE FÉ

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZK6c7QIRRMiP5dzCzgllJ4lvGVG-1h_KEDDfLHrRACfe4sKn0IZ1IkWHKKUHaNb3QM9IgRhOxuvak11J-ht4dlPlVZcafvaBb04EK7WWL7gDgRWhREHrswb56YEbEplN5bqiPSg8QpRw/s400/OLHO+ROSTAND.JPG
Rostand Medeiros

            O historiógrafo Rostand Medeiros fez o lançamento do seu mais novo livro, no sábado passado, dia 23 de Abril de 2011, com o Título: "UM VISIONÁRIO DE FÉ"



O Blog DO MIRANDA GOMES – Natal/RN, publicou a seguinte matéria:

             Com esta expressão o escritor ROSTAND MEDEIROS lança, hoje, na cidade de São Miguel, o livro que conta a vida exemplar de JOÃO RUFINO.

             A obra nos mostra a história de um homem simples, onde desponta em seus ditos, gestos e ações “a expressão da alma despida de ansiedade e necessidade, preparada desde cedo para ouvir e compreender a linguagem de Deus e dos homens.” (Sueli Alves)

             “Seu João é um homem singular, simpático, singelo e simples, mas de gestos largos e uma generosidade imensurável, sem medida mesmo.” (José Gaudêncio Torquato)

             “A vida deste ser humano sublime só nos renova a crença em Deus e na sabedoria do trabalho do homem. No caso de Seu João Rufino, devemos ressaltar a enorme capacidade de vencer com seu próprio esforço e dedicação em fazer o bem.” (Raimundo Fagner)

             Esses depoimentos dos seus amigos foram devidos à perspicácia e dedicação com que Rostand Medeiros os colheu, num trabalho elogiável, que registra de forma perene a saga de um homem do interior que vence toda a adversidade possível e se torna o patriarca de uma grande família e de um pequeno império empresarial representado pelo Grupo 3 Corações, originário da torrefação “Nossa Senhora de Fátima”, que se tornou “Grupo Santa Clara”, tudo construído com o maior exemplo de honestidade, dignidade, amor e solidariedade.

           Tive a grande satisfação de receber o livro, delicadamente oferecido pelo autor e que tive a honra de fazer a sua leitura antes do lançamento. APROVO, mas preciso de uma complementação. No seu retorno da festa, meu Caro Rostand, me traga um pacotinho do “Abençoado Café de Seu João Rufino”, daquele que ainda se faz na heróica Serra de São Miguel.

             Esta é a mensagem deste blogueiro Carlos de Miranda Gomes


"Parabéns ao historiógrafo Rostand Medeiros pelo lançamento do seu livro. - José Mendes Pereira".  

PÁGINA DO POETA

CARNEIRO PORTELA, CABOCLO DA REDE RASGADA


            Antônio Carneiro Portela é um homem feito de Nordeste e de poesia popular. Nascido nos cafundós do Coreaú, gleba seca dos sertões adustos do Ceará, cedo meteu o pé na estrada e qual um Quixote a arrostar moinhos de vento, foi dar com os costados na beira do mar. Em Fortaleza, ainda bem jovem, tornou-se figura das mais queridas nos meios literários e, juntamente com colegas de boêmia, fundou o Clube dos Poetas Cearenses, que por muitos anos movimentou o cenário da Poesia cearense, promovendo seminários e festivais. Virou moço estudado.

           O pesquisador de literatura popular chegou ao professorado e à advocacia. Forrado pela cultura do erudito e do popular, assegurou lugar na mídia radiofônica e televisiva como uma voz intrépida em defesa dos valores profundos da nordestinidade. Na TV Ceará, apresentou durante muitos anos, semanalmente, o Programa Ceará Caboclo, depois transferido para a TV Diário, com o nome de Nordeste Caboclo, um dos fóruns mais perenes por que desfilam as manifestações mais autênticas da cultura nordestina. Portela é, de fato, um pioneiro que enfrentou grandes obstáculos para assegurar um lugar de destaque na TV para a cultura sertaneja, no Nordeste e no Brasil.

          Conhecedor dos meandros da música e da poesia do povo nordestino, Carneiro Portela é um aficcionado da obra interpretativa de Luiz Gonzaga, tendo construído ao longo da trajetória como pesquisador, uma das maiores coleções do mestre sanfoneiro de Exu. Ele lamenta que desde a morte de Luiz Gonzaga, o autêntico forró deixou de falar do sertão, do seu povo, e perdeu o precioso espaço que conquistara com tanto ardor e sacrifício. Todavia, urge lembrar, que esse espírito de nordestinidade ainda vive nas mídias do Nordeste, mercê do incansável trabalho de personalidades como Carneiro Portela, sempre disposto a defender com as armas de sua inteligência e talento, os valores mais legítimos do fazer cultural do nosso povo.


"Sou um caboclo peitudo
desses da rede rasgada
eu nunca temi a nada
todo tempo topo tudo
nasci, cresci, tive estudo
sou filho de camponês
me criei pegando rês
num bom cavalo de cela
eu sou CARNEIRO PORTELA
este amigão de vocês"

Obras publicadas:


“Poemas da Minha Terra”,
“Tempos de Versos” (de parceria com Pádua Lima),
“Mistério Trindático” (de parceria com Pádua Lima e Élder Ximenes),
“Os Novos Poetas do Ceará” Vol. I, II e III,
“Nova Poesia Cearense” (antologia),
“Poesia Cearense de Hoje” (antologia),
“O Poeta e a Noite”,
“Canto de Busca”,
“Cantos da Manhã Distante”,
“Canção do Medo”, “Carneiro Portela” (antologia poética),
 “Poesia Cabocla” Vol. I,
“Máximas, Adágios e Legendas de Caminhão”,
 “Balada para os Fantasmas” (poesia),
“Poesia de Agora” (antologia),
“Ceará Caboclo” (poesia matuta),
“Antologia do Apelido”.

 

Vale do Cariri, Ouro Cultural do Nordeste

 Por: Vilma Maciel

Escritora 
 
          O Cariri, que se situa na extremidade Sul do estado do Ceará, foi povoado no primeiro quartel do século XVIII, por criadores de gado provenientes da Bahia e de Pernambuco. Região verdejante, deve seu nome aos índios Kariri, tribo que povoou a serra do Araripe. Segundo Capistano de Abreu , os Cariri diziam-se originários de um lago encantado.
 
           Devido a sua riqueza natural, caracterizada por suas águas perenes jorrantes das faldas do planalto do Araripe, sua vegetação verde, seus buritis e babaçus de porte elegante, canaviais ao pé-da-serra do Araripe, dos brejos e fontes, pode ser visto como “Um presente da Chapada do Araripe”, formação de arenito com altitude de 900 a 1000 metros, com suas cento e tantas nascentes de águas cristalinas.
 
         Alguns historiadores afirmam que o Cariri foi descoberto por Bandeiras da Casa da Torre na Bahia, fundada por Garcia d`Ávila, que chegou ao Brasil na comitiva de Tomé De Souza. Outras fontes indicam o fato de que os primeiros invasores do Cariri eram descendentes em linha direta de Diogo Álvares Correia, famoso Caramuru. Aqui chegaram com o objetivo de lutar ao lado dos índios Kariri, que lutavam contra os Kariú.

          O Vale do Cariri se estende ao Sul do Estado do Ceará, abrangendo onze cidades, numa área de 9.585 quilômetros quadrados. Constitui cerca de 60% do território cearense. Clima diferenciado e terra férteis. Compreende os seguintes municípios:Abaiara, Crato, Barbalha, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Milgres, Mauriti, Brejo Santo, Jardim, Santana do Cariri, Nova Olinda e Caririaçu.
 
 Vale do Cariri, por Dihelson Mendonça

             Embora o algodão tenha sido plantado em algumas partes do Vale, visando a exportação para o exterior, o cultivo da cana-de-açucar e o engenho foram o principais responsáveis pela formação da hierarquia social do Vale.
 
          O desenvolvimento comercial proporcionou a arrancada dos recursos econômicos.
 
            No Crato, a chegada de comerciantes de Ico e outras cidades do Nordeste foi responsável pela pela abertura das primeiras grandes lojas e farmácias do Vale. Foram construídos os primeiros sobrados, desenvolvendo a rede de transportes, serviços públicos,escolas. Foi fundado o primeiro Jornal da região. ”O Araripe,” por volta de 1855.
 
           O rápido povoamento da região, decorrente em parte de sua agricultura, deu lugar ao surgimento de vários municípios. Atualmente, “O Coração do Cariri” é chamada Micro Região 78: constituída pelos municípios de Crato-Juazeiro-Barbalha,o conhecido.
 
          O Turismo e a Cultura regional do Vale tomou proporções surpreendentes graças a fundação da cidade Juazeiro, e os fatos extraordinários envolvendo a beata Maria de Araújo e o Padre Cícero Romão Batista, com a transformação da Hóstia Consagrada em sangue na boca da beata em 1889.
 
            “Juazeiro é o verdadeiro milagre do Pe. Cícero..”Os outros fatos “extraordinários” se foram realmente milagrosos, o foram por Obra de Deus. Para operar esse milagre, Pe. Cícero combateu a violência, ignorância e o flagelo da seca, enquanto se defendia da perseguição de Dom Joaquim e das armas de Franco Rabelo. Imposta a ordem e respeito, o povoado entrou em ritmo de prosperidade.No final do século XVIII, a cidade mais importante da região do Cariri era o Crato, a chamada “Pérola do Cariri” era o centro fornecedor de alimentos para o Nordeste central, desenvolvendo importantes atividade comerciais na região.

Imagem de Judson Jorge
 
            Já, para Rui Facó,“ O Cariri era também um refúgio para levas e levas de miseráveis sem terras e sem trabalho, que aqui encontravam pelo menos água, multiplicando-se os bandos de cangaceiros ou os redutos de fanáticos.” A influência do Pe. Cícero cresceu definitivamente. Com a imigração dos Romeiros, o aumento da mão de obra, o trabalho a fé e a oração não há dúvida, foi o Pe. Cícero a alavanca do desenvolvimento dos maiores fatores do progresso da vida econômica Sul - cearense.
 
             O rico artesanato, além da produção artística dos vários municípios da região, O Juazeiro do Norte é um fenômeno fascinante, uma vasta oficina, ouro cultural, onde tudo se produz,para abastecer os mercados nordestinos, e dos mais distintos centros de consumo do país. É uma cidade que transforma seu artesanato em seu principal esteio econômico. Sua arte e produtos artesanais apresentam grande variedade enriquecida por sua originalidade.
 
A Arte manifestada no Centro Mestre Noza de Juazeiro

           Segundo testemunho dos artesãos mais velhos ou de seus descendentes os romeiros que chegavam a Juazeiro com a intenção de ficar eram aconselhados pelo Pe. Cícero a dedicarem-se às atividades artesanais. Quando em 1998 entrevistei Dona Maria das Graças, já em idade avançada (86 anos), residente à rua do Limoeiro, falou-me de sua arte no manuseio da Palha. De suas mãos eram produzidos os mais lindos artigos: cestas, chapéus, esteiras. Enquanto que seu companheiro e os filhos trabalhavam o gesso com diversas modalidades artesanais em artigos religiosos. A arte brota no Cariri e explode no Juazeiro: talhas, xilogravuras, cordéis, cerâmica, ourivesaria, produtos de couro e grande produção literária. Em toda ela o maior referencial é a venerada figura do “ Padim Ciço e N. Sra. Das Dores”.
 
          O mundo do Cordel. O poeta de Cordel, segundo o cordelista Expedito Sebastião da Silva é:“ aquele que escreve unicamente dentro do sistema de convívio do Povo(...) o poeta de bancada, é uma pessoa que exprime com muitos detalhes o fato, uma ocorrência, (...) tanto para angariar alguns tostões para manutenção, como para levar o fato ocorrido aos que não o conhecem.” A importância da Cultura regional deve-se também a essa gente operosa Simples, determinada e consciente de seu trabalho e potencial artístico.
 
          São muitos os antigos e novos artistas:Entre os clássicos da Literatura de Cordel que teve grande avanço desde a Tipografia São Francisco cujo dono o poeta José Bernardo da Silva, o terceiro homem na linha de sucessão da poesia popular. Leandro Gomes de Barros foi o grande poeta iniciador, seu legado: conta quase mil títulos de folhetos.
 
           Vejamos alguns nomes de destaque, poetas e cantadores: João Martins de Athayde, José Bernardo da Silva, Expedito Sebastião da silva, Manuel Caboclo e Silva, José Cordeiro, João Mendes de Oliveira, Antônio Caetano de Palhares, João Cristo Rei. Pedro Bandeira, João Bandeira, Maria do Rosário (cordelista), Esmeralda Batista, e muitos outros:ceramista, artesãos de couro, Ourivesaria, são importantes colaboradores deste centro de grande projeção do país.

Vilma Maciel
Juazeiro do Norte
 
Texto extraído do blog "Cariri Cangaço" do amigo Manoel Severo
 
 

O Corvo e a Raposa

Por: Jean de La Fontaine


 Bom para professores e alunos

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           Um corvo furtou um belo queijo e, com ele no bico, voou para o alto duma árvore. A raposa o viu e gritou para o alto:

          - Bom dia, belo corvo! Que lindas são suas penas, que pelo seu porte, que elegante a sua cabeça! Sou capaz de jurar que um animal bonito assim há de ter também uma bonita voz! Cante, que eu quero ouvi-lo!

           O corvo, envaidecido, abriu o bico para cantar. E o queijo caiu na boca da raposa.


Moral da história:
Os elogios exagerados são sempre suspeitos.
           




segunda-feira, 25 de abril de 2011

Que fim levou? -

Os óculos de Lampião


Por: Betina Moura

Cangaceiro os usava para esconder a cegueira em um dos olhos

          Nos primeiros dias de agosto de 1925, o bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938), fazia uma de suas muitas incursões pelo sertão pernambucano. Os cangaceiros foram surpreendidos por agentes do governo e começou um tiroteio. Um dos membros, Livino, o irmão mais novo de Lampião, foi atingido. O líder reagiu. No confronto, um soldado atirou em um cacto e a bala da escopeta fez com que um espinho fosse parar no olho direito de Lampião.

          Livino acabou morrendo. Lampião, levado à cidade de Triunfo, perto do campo de batalha, foi atendido por um médico que retirou o espinho, mas não conseguiu salvar o olho do cangaceiro.

Resultado:

          Ele ficou cego de um olho. “O bom humor o impedia de esconder o problema, e ele brincava dizendo que não adiantava nada ter dois olhos, "pois é preciso fechar um deles para atirar”. O pesquisador Antonio Amaury Correa de Araújo, autor de dez livros sobre a história do cangaço.

 
Antonio Amaury

         O incidente transformou o cangaceiro em canhoto, ao menos na hora de atirar, mas não atrapalhou sua fama de justiceiro. E o levou a usar óculos até o fim da vida. “Os óculos, que aparecem em quase todas as fotos, escondiam a deficiência de quem não a conhecia e protegiam os olhos do sol escaldante do sertão”, diz Antonio. Há notícia de pelo menos três óculos diferentes – sobre um deles há a história, nunca confirmada, de que os aros eram de ouro.

            Dois dos óculos de Lampião, simples, redondos, de aro comum, foram deixados por ele nas casas de pessoas que o abrigaram durante o chamado “ciclo de Pernambuco”, antes de os cangaceiros cruzarem o rio São Francisco em direção à Bahia, em agosto de 1928. Há cerca de oito anos foram doados por essas pessoas à Casa de Cultura de Serra Talhada, em Pernambuco, onde se encontram até hoje.

             Sobre os óculos que usava quando morreu, tudo indica que foram entregues para a polícia de Alagoas, que expôs as cabeças dos cangaceiros mortos após dizimar o grupo de Lampião numa emboscada na gruta do Angico, em Poço Redondo, Sergipe.

1 – Lampião, 2 – Quinta Feira, 3 – Maria Bonita, 4 – Luiz Pedro, 5 – Mergulhão,  6 – Alecrim, 7 - Enedina, 8 – Moeda, 9 – Elétrico, 10 – Colchete (2), 11 - Marcelo, segundo Alcindo Alves da Costa, escritor e pesquisador do cangaço.

              No ataque-supresa, 11 cangaceiros foram mortos – entre eles, Lampião e sua mulher, Maria Bonita. A própria polícia promoveu a rapinagem do tesouro do bando. Ficaram com eles jóias, dinheiro, perfumes e tudo o mais que tivesse valor – inclusive os óculos.


Blog. Aventuras na História


Maísa puxa peruca de Sílvio Santos e vídeo cai na net

 
Maísa

           A menina Maisa, apresentadora do programa Sábado Animado, do SBT, puxou a peruca do apresentador Silvio Santos no quadro Pergunte a Maisa, exibido aos domingos no canal. O vídeo caiu na rede nesta segunda-feira e ficou no topo do Top 5, do programa CQC, da Band.

Postado por Mary


Sílvio Santos

          No quadro, enquanto Silvio Santos conversava com um grupo de crianças, Maisa foi atrás dele e fez "chifrinhos" em sua cabeça com os dedos. Depois disso, puxou a peruca e se surpreendeu, começando a gritar: "é peruca" para a plateia.

           Sorridente, Silvio Santos levantou e saiu de perto de Maisa e das crianças, que deixaram o programa em seguida.


O Velho, o Menino e a Mulinha

Texto de:  Monteiro Lobato


Bom para professores e alunos
 

 
         O velho chamou o filho e disse:
         - Vá ao pasto, pegue a bestinha ruana e apronte-se para irmos à cidade, que quero vendê-la.
         O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores.
         De repente,
         - Essa é boa! - exclamou um viajante ao avistá-los. O animal vazio e o pobre velho a pé! Que despropósito! Será promessa, penitência ou caduquice?...
           E lá se foi, a rir.
         O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino:
         - Puxa a mula, meu filho. Eu vou montado e assim tapo a boca do mundo
        Tapar a boca do mundo, que bobagem! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.
         - Que graça! - exclamaram elas. O marmanjão montado com todo o sossego e o pobre menino a pé...Há cada pai malvado por esse mundo de Cristo...Credo!...
         O velho  danou e, sem dizer palavras, fez sinal ao filho para que subisse à garupa.
          - Quero só ver o que dizem agora...
         Viu logo. O Izé Biriba, estafeta do correio, cruzou com eles e exclamou:
          - Que idiotas! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez... Assim, meu velho, o que chega à cidade não é mais a mulinha; é a sombra da mulinha...
          - Ele tem razão, meu filho, precisamos não judiar do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado.
          Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente:
          - Bom dia, príncipe!
          - Por que príncipe? - indagou o menino.
          - É boa! Porque só príncipes andam assim de lacaio à rédea...
          - Lacaio, eu? - esbravejou o velho. Que desaforo! Desce, desce, meu filho e carreguemos o burro às costas. Talvez isso contente o mundo...
          Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto, com vaias:
          Hu! Hu! Olha a trempe de três burros, dois de dois pés e um de quatro! Resta saber qual dos três é o mais burro...
          - Sou eu! - replicou o velho, arriando a carga. Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não o que quero, mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que me manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já vi que morre doido quem procura contentar toda gente...


COMPREENSÃOO DO TEXTO

1 -  Que animal o velho queria vender?

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2 - O que é que o viajante achou um despropósito?

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3 - Qual a reação do velho à fala do viajante?_______________________

      ________________________________________________________

4 - Que estranharam as lavadeiras?______________________________

      ________________________________________________________

5 - Qual a reação do velho à opinião das lavadeiras?_________________

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6 - Qual foi o comentário do Izé Biriba?___________________________

      ________________________________________________________

7 - Qual foi a reação do velho, após o comenta´rio do Izé Biriba?_______

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8 - E o sujeito do chapéu, que achou?_____________________________

9 - Qual foi a reação do velho às palavras do homem do chapéu?_______

      ________________________________________________________

10 - E o grupo de rapazes, que achou da cena que viu?_______________

      ________________________________________________________

11 - Como reagiu o velho à ironia dos rapazes?_____________________

      ________________________________________________________

12 - Finalmente, qual foi a decisão tomada pelo velho?_______________

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13 - Qual a lição que o autor extrai da história?

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14 - O texto diz se o aninaml foi vendido ou não, se o menino e o velho chegaram à cidade, se foram puxando a mula ou se foram montados nela?

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     Faça uma boa leitura!


As sandálias do cangaço

Por: João de Sousa Lima


          Quando Lampião entrou em Custódia, Pernambuco, ele encomendou um terno ao alfaiate Valdevino, se encontrou com o soldado Capuxu e dele solicitou as armas e as munições do quartel, almoçou na casa de João Florêncio e encomendou algumas alpercatas ao senhor Antonio Cordeiro dos Santos, conhecido por Antonio Cota.

          Antonio Cota passou sua profissão aos filhos e netos e hoje o neto José Alves Cordeiro, conhecido por Dudinha Sapateiro é quem mantém a tradição.

          Eu sendo amigo de Dudinha, recebi em minha casa um presente desse excelenbte artesão do couro, uma réplica das alpercatas encomendada por Lampião.

           Dudinha Sapateiro mantém sua arte residindo hoje em Petrolina, na rua Castro Alves, número 300.

Para contato: 87-3864-2802


Este artigo pertence ao blog do escritor e pesquisador do cangaço:
"João de Sousa Lima

Fogo da Abóbora - 82 anos 

Por: Rubens Antonio

        A 07 de Janeiro de 1929 travou-se o combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, BA, lembrado pela morte de Mergulhão, (foto) cujo nome real era Antonio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa. Da visita ao local pode colher alguns depoimentos e bater algumas fotos.

O cangaceiro Mergulhão

          Antecipando algo do material, observo que a povoação está muito mudada, em relação ao contexto de então, mas há muitos elementos reconhecíveis e outros identificáveis através de testemunha ainda viva dos eventos.

          Sabemos que o fogo se deu quando a volante chegou e os cangaceiros dançavam em uma casa, num forró.

          A causa do forró, na verdade, era alheia aos cangaceiros. Era festejo local pela construção de uma nova "armação" para a feira do povoado, que, na verdade, não passava de uma arranjo descontínuo e desordenado de casas mais esparsas.

           O cemitério local foi o sítio de maior destaque, onde morreram os dois policiais, soldados José Rodrigues e Manoel Nascimento.


Segundo a autópsia:


           "José Rodrigues, com um ferimento com orifício de entrada na região dorsal superior e orifício de saída sobre o mamillo direito; Manoel Nascimento com três tiros; um que penetrava entre a 6ª e a 7ª lombar, com destruição das anças intestinais e orifício de saída sobre a crista illiaca com fractura; outro na região anterior direita do torax e outro na região cervical esquerda."

         Na imagem acima vemos com o número "1" o sítio em que se situava o antigo cemitério. Ele foi eliminado com a reurbanização. As lápides foram retiradas, mas os restos ficaram no local. Aí, portanto, "sob a rua", é que estão os restos dos soldados.

          Em "2" temos o local das casas em que dançavam os cangaceiros.

        Em "3" estão algumas lajes rochosas bem baixas, mas que "apadrinharam" bem os cangaceiros durante o tiroteio.

         Em "4" está a sepultura, perdida, em um quintal de casa, uma propriedade particular, do cangaceiro Mergulhão. Segundo depoimentos do dono do terreno e de um outro senhor, havia apenas algumas pedras e uma cruz de madeira, que ficou velha e caiu, sem ser substituída.


Tira-gostos:


          "BUM! PÁ! PÁ! Foi papoco pá peste! E isso de que a puliça abriu a cova do cangacêru é mintira! Só tiraram os mininu da puliça mesmu e trabaiaru e colocaru di vorta... O cangacêru mexeram nele não! Ficou a cova lá fechadinha!""Aquele Calais! Êta cabra faladô! Mas nas ora dos papôco, mais dispois, ô cabra pra corrê! Faladô prezepêru... mas covarde que nem só ele mesmu!"

          "E no tiroteio que teve lá adipsois? Na curva? Foi anos depois... Eu ainda lembro da curva... O Azulão era uma peste muito bom de pontaria... Acertô bem na testa da burra... ô pontaria do cão!""Sabe o que eu achei ingraçado? Adispois de muitos anos, aqui, pra fazê esta rua nova, sabe quem trabaiô? o Bem-ti-vi... que foi também cangacêru... Trabaiô pra fazer a terraplenagi... Era muito sorridente... Simpático... Foi até lá.. Oiô a sepultura do Merguião... Falou nada não... Só ficou quietu oiano..."

          Os detalhes do evento consegui lá mesmo em Abóboras a partir do relatório do tenente Othoniel.

          Sobre as descrições dos cadáveres, a partir do exame do legista Anísio Teixeira.

Edilson dos Santos, proprietário do terreno, aponta a localização
da sepultura do cangaceiro Mergulhão.
 
         O esquema que fiz acima é uma indicação relativamente precisa... Posteriormente publicaremos outros depoimentos; Tomei dois, porque agregavam praticamente tudo o que os outros diziam...
 
          São o do senhor "Joãozinho", que presenciou o fogo... está quase cego, mas enxergando o suficiente para, acompanhado do filho, me conduzir e indicar o sítio do cemitério... e o Manoel, que é um jovem que herdou o terreno onde foi sepultado Mergulhão... 
 
 Rochedo em que Lampião e Ezequiel se apadrinharam para disparar contra a volante, que se encontrava no Povoado de Abóboras.  A posição da volante era aproximadamente a da caixa d'água vista ao longe, entrincheirada no antigo cemitério.
 
João Alves Guimarães apontando localização da entrada do antigo cemitério.
 As pedras diante dos seus pés são do antigo portal.
 
            A terraplenagem e a pavimentação foi feita somente com a retirada das lápides. Portanto, os restos dos sepultos ainda estão aí. Próximo à quina branca que se vê à esquerda estão sepultados os restos de um dos soldados mortos no tiroteio. Seguindo-se em frente, em direção à rua, encontram-se os restos do outro soldado.

Abraços!
Rubens Antonio é Professor e palestrante sobre História Geológica da Bahia, Antropologia, Geologia, Epistemologia, Metodologia do Trabalho Científico, História da Ciência.


CRÉDITOS: Artigo pescado na comunidade "Cangaço, discussão Técnica" de compadre Ronnyeri.
 
 
Foto de Mergulhão cortesia de Ivanildo Silveira.