Seguidores

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

LAMPIÃO O REI DO CANGAÇO EM 1936 COM O EXEMPLAR DO JORNAL O GLOBO, LAMPIÃO E SUA INTELECTUALIDADE E MORDOMIAS NO SERTÃO NORDESTINO.

Por: Guilherme Machado
 [semp+020.jpg]
Virgulino Ferreira da Silva – capitão Lampião, o dito rei do cangaço. Reinou, mandou e governou o sertão nordestino do início de 1920 a 1938. Quase que 20 anos de guerra, fugas e glórias sertão adentro.
Alguns pesquisadores provaram com documentos da época que o rei do cangaço vivia com certas regalias por conta de favores prestados aos coronéis das regiões diversas do nordeste brasileiro, onde Lampião recebia presentes de valores elevados, a exemplos de fuzis e pistolas importadas, de origens européias e outras, iguais a exemplos de bebidas finas.: Como vinhos franceses, Whisky cavalo branco envelhecido em barris de Carvalho, legítimo da Escócia, e até mesmo jóias para a rainha do cangaço. Maria Bonita.
O rei do cangaço lia frequentemente jornais, livros, bíblia, etc. Ver-se na fotografia o capitão com um exemplar do jornal “O Globo”, datado do dia, mês e ano.
O jornal “O Globo” foi fundado em 29 de julho de 1925, no Estado da Guanabara, República Federativa do Brasil.
É muito luxo e prestígio para um bandido como era qualificado por uma sociedade “Digna e honesta”, da época de ouro da moralidade.
ADENDO

A foto acima  mostra Lampião posando diante da câmera fotográfica; talvez, não sei, depois de ter lido algo sobre si, isto é, sobre suas façanhas nas caatingas nordestinas.

Com pose de Juliano Gema, uma mão segurando o jornal, a outra em posição de ataque, como se estivesse segurando o seu maldito revólver. E na boca, um enorme cigarro  sertanejo. A foto mostra que Lampião ainda gozava de grande saúde; forte, e com disposto para enfrentar as volantes que viviam no seu rastro. Lampião morreu, mas nunca se rendeu aos poderosos.

José Mendes Pereira

O JORNALISMO-URUBÚ E A DOENÇA DE LULA

Por: Maria Inês Nassif

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.
Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.
A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.
A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.
A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.
A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.
No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.
(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo

Citações sobre João Bezerra.

 Por: Paulo Britto

Att Paulo Britto
"Filho de João Bezerra"


O artigo a seguir é uma breve compilação de algumas referências/citações ao Coronel João Bezerra da Silva, feitas por pessoas de realce dentro do contexto do tema Cangaço, as mais diversas possíveis: coiteiros, soldados, oficiais, respeitados pesquisadores e escritores, autoridades militares, renomados chefes de volantes de outros Estados, etc.

Meu intuito é único e exclusivo, levar ao público informações para que diante delas, tirem suas próprias conclusões...

Boletim Regimental número 179, de 12/08/1938 (Grafia original)

Não se enganou, portanto, o Exmº. Sr. Interventor Osman Loureiro, nem tampouco este comando. A perseguição se iniciou de forma tenaz e vigorosa, e não tardou a raiar da manhã de 28 de Julho, onde um punhado de 45 bravos comandados pelo Capitão João Bezerra da Silva, 1º Tenente Francisco Ferreira de Melo e Aspirante a oficial Aniceto Rodrigues dos Santos numa arrancada de heróis, atacaram de surpresa, na Fazenda “Angicos” município de Porto da Folha, no Estado de Sergipe, o grupo de famigerado “Lampeão” composto de nada menos de 58 bandidos e com eles numa luta tremenda conseguiram abater 11 sicários, inclusive o Rei do cangaço, pondo os demais em debandada, sem que tivesse tempo, os restantes, de conduzir do campo da luta os seus apetrechos e material de guerra que abandonaram.

 João Bezerra "Foto inédita em livros". 
Arquivo do Jornal Diário de Pernambuco
Acervo Lampião Aceso

... O Exmº Sr. Interventor Federal Dr. Osman Loureiro, vendo realçada, com o mais significativo êxito, a missão de que fora e ainda se acha encarregado o II Batalhão, houve por bem premiar os que tomaram parte na refrega, e assim sendo, graduou no posto de Coronel, o Tenente Cel. José Lucena de Albuquerque Maranhão e promoveu por ato de bravura, a Capitão, o 1º Tenente João Bezerra da Silva, a 1º Tenente, o aspirante a oficial Francisco Ferreira de Melo, a aspirante, o 3º sargento Aniceto Rodrigues dos Santos...

Coronel Lucena

Louvor do Coronel José Lucena de Albuquerque Maranhão comandante do II Batalhão, transcrito no III item do Boletim nº 285, do II Btl, de 17 de dezembro de 1938. (Grafia original)


“Tendo o Sr. Capitão João Bezerra da Silva, sido desligado deste Batalhão, a fim de assumir a função na sede do Regimento. Louvo-o pelo modo brilhante com que soube espontâneamente cumprir as árduas missões de que foi incumbido, quando neste batalhão, mormente na campanha contra o orda de facínoras, perturbadores da paz sertaneja que há tanto tempo vinha sofrendo as agruras consequentes da ação do banditismo.

Este oficial, demonstrou os nobres predicados de que é possuidor; trabalhador incansável que nunca ousou dar tréguas a tal corja, combatendo-a bravamente até o momento máximo em que assediou com a sua fôrça o conjunto chefiado pelo célebre “Lampeão” que não podendo vazar tal assédio, caiu sem vida, quando para os supersticiosos já era tido como imortal.
Jornal de Alagoas

O Chefe de Polícia de Alagoas relata como se deu o encontro em que morreu o “Rei do Cangaço”. Quem é o Tenente João Bezerra. A Agência Nacional, do Departamento de Propaganda, procurou ouvir pelo telegrapho, o Secretário do Interior e Chefe de Polícia de Alagoas Sr. José Maria das Neves. O Sr. José Maria das Neves informou o seguinte.

- O Sr. João Bezerra da Silva, nasceu em Pernambuco a 4 (*) de junho de 1898, verificando praça em 29 de novembro de 1921. Foi 2º Sargento em 29 de março de 1922... e 1º Tenente por merecimento em 30 de setembro de 1936. Teve vários encontros com bandidos, tendo de uma feita morto três dos comparsas de Lampeão. ... É official valoroso da Polícia Alagoana e de immediata confiança do governo...

Entre os prêmios recebidos por João Bezerra, a sua família guarda, zelosa e orgulhosamente, uma Espada que ele recebeu do povo de Piranhas em 1938, expressão de gratidão pela morte de Lampião, em cuja “Copa” está escrito: “Ao Capitão João Bezerra pela sua bravura e heroísmo. Offerece o povo de Piranhas.”

Durval Rosa

Colocações de Durval Rodrigues Rosa, irmão de Pedro de Cândido, no livro “Assim morreu Lampião” de autoria do pesquisador e escritor Antônio Amaury, página 105.

Durval Rosa

... João Bezerra disse que tava certo e dividiu todo mundo.
Avisou:
- Não conversa ninguém. Puxem o ferrolho dos fuzis. Não dá tiro a tôa.
Passou uma ordem severa.
- Vou passar uma ordem pra todo mundo. Não se dá um tiro sem se vê em quem . Só se atira em cangaceiro. Soldado não briga deitado, o qui eu encontrá deitado, ou outro qualquer encontrar deitado, atire e mate que esse é covarde. Quando vocês me verem deitado atirem em mim também.
Quando eu gritar, avança, aí eu quero Lampião pegado hoje de qualquer maneira. Ou morto ou pegado a mão!


Nisso Antonio Jacó chegou perto dele, tirou o chapéu, botou no chão, pisou em cima e disse assim.
- Mi solte logo “Seu” tenente, que eu quero saber se Lampião é mais homem que eu.
Ficou doido, doido, doido.

O tenente falou:

- Espere aí, i tenha calma!” ...


Afirmativas como esta feita pelo coiteiro que não tinha necessidade alguma para enaltecer a coragem do comandante da tropa e seu subordinado, não são consideradas por certos pesquisadores que se apegam a comentários tendenciosos que não tem relevância.

Antônio Jacó

Antonio Jacó e Paulo Brito

Colocações de Antônio Jacó no livro “Assim morreu Lampião” de autoria do escritor e pesquisador Antônio Amaury Correa de Araújo, página 117, Edição 1982.

João Bezerra armou uma rede, botou os bornaes pendurados num galho e disse assim:
- Mané Véio, deita aqui debaxo da minha rede:
Eu respondi:
- Voce tá pensando qui eu sou mulher? Prá seiscentos diabos!
Mas deitei no chão, que eu obedecia a ele. ...
Quando estive com Antônio Jacó na cidade de Pires do Rio em Goiás, ele bastante emocionado, sem acreditar que estaria ao lado do filho de Ten. João Bezerra, em longa entrevista me disse:

- O seu pai, eu considerava como meu pai.

Elias Marques

Sargento Elias e o autor

Em conversa com Elias Marques, soldado da volante do meu pai, que residia em Olho D`Água do Casado, onde lá estive por diversas vezes. A foto ao lado é registro de uma destas ocasiões.

Perguntei a ele:
– Elias e essas conversas que meu pai se encontrava com Lampião, etc?
Ele respondeu:
– Paulo você vai acreditar nisso, seu pai não se afastava pra lugar nenhum que não levasse um de nós e nós nunca vimos falar nisso. O Tenente não era de brincadeira”. ...
Estas colocações são para demonstrar a confiança e o respeito de Antônio Jacó e Elias Marques pelo então Tenente João Bezerra, demonstrando que pessoas como estas jamais se insubordinariam ao seu comando, a consideração e a confiança do comandante por eles.

Ferreira de Melo

O coronel Francisco Ferreira de Melo no livro do Dr. Estácio de Lima “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, páginas 285, 286 e 287:


O veterano Ferreira

- Lastimamos a perda de meu excelente soldado Adrião ou Adriano Pedro de Souza. Também foi baleado o nosso digno Comandante e mais um praça que teve o braço partido.

-De qualquer forma, Lampião foi liquidado pela tropa sob o comando geral de Bezerra.

- As precauções e as providências. Bezerra nunca se mostrava egoísta, ou vaidoso. Gostava de ouvir a opinião dos comandados.

Manoel Neto

Comentário de Manoel de Souza Neto em um Jornal do Nordeste


O capitão Manoel Netto reconstitue, para esta folha, a luta em que se empenhou durante 12 anos.

Pertencente à Brigada Militar do Estado, tem a sua carreira ligada ao combate sistemático e constante ao cangaceirismo no nordeste.

Por fim, o capitão Manoel Neto allude a antigos companheiros de jornada, destacando os nomes do Tenente Coronel Hygino, do Tenente Arlindo Rocha, Luiz Mariano, Capitão Optato Gueiros, Major José de Alencar, concluindo refere-se ao Tenente João Bezerra dizendo:

- O Tenente João Bezerra a quem conheço pessoalmente, é um official disposto, disciplinado e muito bem quisto no seio da Polícia alagoana e dos Estados vizinhos.


Coronel José Rufino

Trecho de uma Carta do Cel José Osório de Farias; Jeremoabo, datada de 1 de abril de 1964.

Zé Rufino

Amigo Cel João Bezerra,

... Aqui fica o teu velho amigo que muito te estima.
Olha João, eu ainda hoje sonho com aqueles tempos daqueles em que nós vivíamos naquela mardita campanha.

Manoel Flor

Carta do Coronel Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor)

Manoel Flor

João Bezerra, Recebi sua carta, ontem, 19 de agosto de 1961, quando me preparava para um ligeiro passeio pela cidade. Seria faltar a primorosa verdade se lhe afirmasse ter sido um momento de alegria ao recebê-la. Foi meu caro amigo muito mais do que uma satisfação passageira. Ela veio me transportar a terreno mais profundo, o qual ficou no passado, mas de meandro crateroso, contemplado por mim com tantas emoções.

Emoção pelo desaparecimento de velhos companheiros, cujas cinzas veneramos com admiração e respeito, pela bravura e respeito; Emoção pelo verdadeiro espírito fraternal que sempre existiu entre as tropas pernambucanas e alagoanas. A confiança fazia com que considerássemos Pernambuco, um pedaço de Alagoas e Alagoas, um pedaço de Pernambuco; Emoção dos dias cruentos que enfrentamos, apesar da dureza da campanha, ocasionada pela fadiga, apreensão e responsabilidade, os nossos encontros efetivados na maior cordialidade, ou melhor festivos. ...

Do amigo e companheiro Manoel de Souza Ferraz (Manoel Flor)

Floresta, 20/9/1961

Frederico Pernambucano de Melo

Frederico em foto de Fred Jordão

Outro comentário de Frederico no Livro “Como Dei Cabo de Lampião” de autoria do Capitão João Bezerra, página 55 e 56, 3ª edição:
... Fico à vontade, portanto, para reconhecer em Bezerra o homem que não tremeu no momento em que o destino o aceitou como seu agente e ponta de lança, dando-lhe a chance de virar uma das páginas mais expressivas da história do Nordeste rural. ...

... No cenário de Angico, Bezerra não foi outra coisa. Sujeito e objeto da história, soube fazer-se templo da síntese magnífica. Como um Ahab original, mil vezes afortunado, cuidou em atropelar tudo o que se levantou entre ele e o cangaceiro. E ao lhe tomar no último instante a porta, quem sabe não o terá desenganado de um possível brilho derradeiro das estrelas de seu chapéu, sentenciando como o capitão da perna de marfim:

Louco! Sou o lugar-tenente do destino. Apenas cumpro ordens ...

Billy Jaynes Chandler

Repúdio ao Professor Billy Jaynes Chandler, no Livro da escritora Marilourdes Ferraz “O Canto do Acauã”, 3ª Edição – 2011, página 476:- Pág. 252: “Estas histórias são repetidas pelos pernambucanos, principalmente por aqueles que, como os da família Flor e outros nazarenos, se sentem ludibriados porque, segundo eles, Lampião foi morto por um oficial de Alagoas, corrupto e covarde, indigno de tal honra. Esta honra, de direito, deveria ter sido deles. Bezerra infame, como era, só pode ter...“ Estas referências aéticas lançadas contra o Coronel João Bezerra não podem ser atribuídas a quem não as deu, no caso os Flor de Nazaré que nem ao menos foram entrevistados pelo professor. E, além de tudo, não concordam com esse tratamento contra o colega de outro Estado.

(Marilourdes Ferraz é filha do Coronel Manoel de Souza Ferraz – Manoel Flor).

Belarmino Neto

Carta do Major da Polícia Pernambucana, Belarmino de Souza Neto, dirigida à escritora Marilourdes Ferraz e publicada em seu livro “O Canto do Acauã” – 3ª Edição – 2011, páginas 486 e 487.

Há anos li uma obra de Rodrigues de Carvalho, sobre Lampião tratando do tema, aquele autor não tem dúvida: Afirma que a morte foi mesmo por veneno, obscurecendo o trabalho de João Bezerra a quem não poupa ofensas e cobre de ridículo.

Lendo aquela obra, comentei à margem: “Lampião foi um bandido, sem nobreza, sem ética, sem piedade. Seria um injustificável exagero que se fosse exigir, para a sua destruição, o emprego de princípios, de lealdade cavalheiresca que ele nunca usara para com suas vítimas. Teria sido ele envenenado? Para mim o assunto é irrelevante e não conduz a nada.

O Coronel João Bezerra continuará a ser o homem que livrou o nordeste brasileiro daquela praga de vândalos. Que o tenha feito a bala, pelo arsênico, pela surpresa ou através de qualquer artifício, isso não vem ao caso, negar seu mérito pelo extermínio de Lampião, é como negar a Colombo o mérito pelo descobrimento da América. E no entanto, depois de vinte anos de escaramuças através do nordeste, entre o bandido e as forças policiais de 7 Estados, foi o Coronel João Bezerra o único que conseguiu quebrar a calota do ovo e colocá-lo de pé sobre a mesa. ...

Antonio Amaury

Correspondência enviada a mim em 6 de Julho de 2002 pelo escritor e pesquisador Antônio Amaury Correa de Araújo:

Amaury em foto do coroné Severo

... Não é novidade para os pesquisadores que seu pai foi amplamente injuriado, invejado e que teve sua imagem denegrida por comentários oriundos de mentes tacanhas pelo fato de haver sido o comandante que eliminou Lampião e parte do seu bando cangaceiro, ... Isso causou-lhes profundo ressentimento e usaram então dos mais baixos argumentos para achincalhar o episódio da Fazenda Angico.

... Pelo que pude observar nesses 53 anos de pesquisas e com seis mil entrevistas realizadas qualquer pessoa, em qualquer época usando de qualquer método para eliminar Lampião, ... ... seria questionado e destratado e sua atuação estaria sempre em dúvida na visão daqueles que não conseguiram o mesmo desideratum. A imaginação humana não tem limites e até mesmo episódios claros como cristal são colocados sob suspeita.... Para terminar, a polêmica não tem fim. É traição, veneno, tiro e Lampião ainda vivo até a década de 1990. Viva a fantasia, a ficção, a criatividade de alguns pesquisadores menos cuidadosos e pouco honestos para com a história...

PS. Faça o uso que quiser destas, pois é a expressão do meu pensamento e da verdade que obtive de cangaceiros, soldados, coiteiros e outras pessoas envolvidas no episódio de Angico.

Gazeta de Alagoas

06.12.1970 – 1º Caderno, página 3. "Matador de Lampião sepultado em Maceió com honras militares"

...O Coronel (de Exército) Carlos Eugênio Pires de Azevedo, comandante da Polícia Militar conheceu pessoalmente o Coronel Bezerra há 02 anos em Garanhuns. Lamentou a sua morte. Como última homenagem a corporação da qual é comandante, satisfazia o pedido de João Bezerra de ser sepultado em solo alagoano.

Pelos bons serviços prestados à Polícia Militar de Alagoas e a todo o nordeste, não há tributo que pague ao Coronel Bezerra, pelo que ele realizou, disse o comandante da Polícia Militar de Alagoas. ... “O Coronel Bezerra era um militar cônscio de suas responsabilidades e tratava a todos os seus comandados com igualdade de condições. Devido esse comportamento, diante das tropas, que comandava no Quartel é que ele grangeou a simpatia de todos e consequentemente foi conquistando as promoções, todas elas por relevantes serviços prestados à nossa Polícia, ao Estado e à Nação”.

Espero que estas citações consigam demonstrar, um pouco, de quem foi o homem, o policial militar, o maçon grau 18 que, em todas as suas ações e missões, só fez enaltecer o nome da instituição a que pertenceu, e que, graças a Deus, teve o privilégio do reconhecimento e do respeito dos familiares, amigos, superiores e subordinados.

Sempre estive e continuo disponível aos amigos, para poder contribuir com o modesto conhecimento que tenho.

Att Paulo Britto 

ADENDOS

(*) A data correta do nascimento do Coronel João Bezerra é 24 de junho de 1898.

(*) Frederico Pernambucano, durante sessão de fotos no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió em agosto de 2009 para ilustrar o livro Estrelas de Couro - A Estética do Cangaço.

Câncer de Lula deve ajudar candidatos nas eleições de 2012, diz The Economist

Agência O Globo

Tratamento contra o câncer, reduzirá a participação de Lula na pré-campanha eleitoral

Apesar de o tratamento contra o câncer na laringe diminuir a participação de Luiz Inácio Lula da Silva na pré-campanha eleitoral, a doença dará mais peso aos candidatos indicados pelo ex-presidente, de acordo com artigo publicado pela revista britânica The Economist nesta sexta-feira (4). A reportagem intitulada Uma nova batalha para Lula analisa as implicações políticas do diagnóstico do câncer do ex-presidente, que passou pela primeira sessão de quimioterapia esta semana.
De acordo com a publicação, a não ser que Lula tenha uma recuperação fantástica, a maioria dos candidatos vai ter que fazer campanha sem Lula ao lado. Mas "as poucas palavras que o ex-presidente proferir serão difíceis de ignorar", disse a revista.
Já a presidente Dilma Rousseff, segundo a Economist, pode andar com seus próprios pés. Mesmo que ela goste de falar de seu antecessor, a presidente pediu pela saída de todos os ministros envolvidos em escândalos de corrupção, o que contrariou a vontade de Lula, que havia pedido que ela os mantivesse nas pastas.
No artigo, a maneira aberta como o ex-presidente lidou com a divulgação de seu estado de saúde é comparada com o segredo de Hugo Chávez, na Venezuela. Ao contrário do silêncio feito por Chávez, a sinceridade de Lula sobre a doença fez com que a mídia brasileira respondesse com franqueza. Depois que as perguntas dos jornalistas foram respondidas, a curiosidade pública se aquietou, enquanto na Venezuela a mídia estatal repete que Chávez está curado, mas os rumores nas ruas crescem cada vez mais.
Sobre uma possível reeleição de Lula, o artigo salienta que a chegada de Dilma na presidência prova que sobreviventes do câncer podem se eleger no Brasil. No entanto, o texto ressalva que, mesmo que os prognósticos de Lula sejam "muito bons", as vozes que apoiam seu terceiro mandato devem desaparecer, por enquanto.

O CANGAÇO NA VIDA DE POÇO REDONDO

Por: Alcindo Alves Costa
Aderbal e Alcindo

Ao contrário dos que garante e afirma ser o cangaço um flagelo que teve seu início por volta de 1870 pode-se afirmar com segurança que ele surgiu nos campos do sertão nordestino desde os idos do Brasil Colonial.

O cangaço e as secas foram os grandes flagelos dos povos sertanejos. Todo o nordeste se rendeu aos horrores daquela tenebrosa sociedade do crime. A seca dizimava os campos e a vida pastoril. O cangaço fazia nascer e florescer brutais criminosos, mestres do bacamarte e do clavinote.

Alguns desses sanguinários matadores se tornaram celebres personagens da história sertaneja. Estão nos livros às aventuras de Inocêncio Vermelho, João Calango, Jesuíno Brilhante, Né Dadu, Sinhô Pereira, Luiz Padre e aquele que foi a sua maior e mais luminosa estrela: Virgulino Ferreira da Silva " Lampião.

Em se estudando o cangaço não se pode desconhecer uma verdade pura e cristalina, aquela de se verificar que essa epopéia nordestina legou o seu povo a um terrível sofrimento. Todos estigmatizados por uma provação sem precedente que varou anos e mais anos, só vindo ter fim na histórica chacina de Angico, no Riacho do Tamanduá, conhecido famosamente como Riacho do Angico, em Poço Redondo.


Pode-se atestar, com toda convicção, que o cangaço, através da sanha perversa e homicida do cangaceiro, e até das volantes do governo, eram pestes que só traziam dores e sofrimentos para os povos caatingueiros.

Nada neste mundo se compara ao sofrimento e agonia que viveu a nossa
indefesa gente cabocla, vivendo, por tão longos anos, a mercê daquela turba sanguinolenta que sentia especial prazer em judiar, esfolar e matar as pobres, desvalidas e desafortunadas famílias caipiras. Cangaceiro e soldado achavam-se os senhores da vida e da morte dos que habitavam as terras dos cafundós dos sertões.

Positivamente, cangaço e volante foram desgraças que enlutaram o povo
sertanejo. Que o diga as 100 mortes acontecidas no Estado de Sergipe, sendo 69 delas
1 Escritor e sócio da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC acontecidas no Sertão do São Francisco. Infelizmente, o nosso sofrido e heróico Poço Redondo teve a desventura de ver suas terras empapadas pelo sangue de 56 pessoas assassinadas pelas armas bandoleiras e pelos soldados de volante.

Os tempos de Lampião causaram estragos irreparáveis na vida do homem do campo. O flagelo cangaço foi o responsável pela perda total da tranquilidade e paz do simplório campônio que viu estupefato e indefeso o seu mundo sertanejo preso, dominado, oprimido e torturado pelos senhores do crime e pelos senhores da lei, tão
ferozes como aqueles.

O sangue sertanejo embebeu a terra cabocla de Poço Redondo. Desesperada e indefesa a população do lugarzinho de China deixou suas casas e se jogou pelo mundo, não ficando uma só família, um só morador naquela abandonada e triste povoação. O êxodo foi total. Por duas vezes "1932 e 1937" essa diáspora do povo de Poço Redondo aconteceu. As ruas e praças ficaram abandonadas, nelas não se via um ser humano. As
taperinhas com suas portas e janelas abertas e os animais silvestres descansando em seus telheiros, sem nenhum receio de serem atacados pelos caçadores. Os pebas e tatus faziam suas moradias nas salas, varandas, quartos e cozinhas das casas desertas. Quem visse Poço Redondo estava vendo um cenário de dor e infinita tristeza.

Fugindo da maldição daqueles terríveis tempos, os tempos do cangaceiro e das volantes, os habitantes de Poço Redondo deixaram o seu mundo amado e foram viver em outros lugares, principalmente Canhoba, Telha, Propriá e a então Serra Negra do tenente João Maria de Carvalho.

Essa comovente aventura conhecida como AS CARREIRAS é um marco glorioso na história de Poço Redondo que após a morte de Lampião viu seu povo retornar e refazer o seu lugarzinho tornando-o com o andejar dos anos um lugar de respeito e destaque em todo Sertão do São Francisco.

Filho do sofrimento e da pobreza, mesmo assim, a coragem e a fé dos filhos e habitantes de Poço Redondo fizeram-no um grande e considerado município que é um dos fortes pilares do Sertão do São Francisco e de Sergipe.
  
Web site: www.sbec-br.org/documentos/O_CANGACO_P_R.pdf  Autor:   Alcino Alves Costa - http://www.sbec-br.or/

Trasladei do blog "Cangaço em Foco", do Dr. Archimedes Marques, Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe.
http.blogdomendesemendes.blogspot.com

Auto de perguntas feito ao preso Francisco Ramos de Almeida, vulgo Mormaço.


Dado à autoridade policial da cidade do Crato/CE, em 9/8/1927. (em grafia original)

Auto de perguntas feito ao preso Francisco Ramos de Almeida, vulgo Mormaço. Dado à autoridade policial da cidade do Crato/CE, em 9/8/1927. (em grafia original)

Aos nove dias do mês de Agosto do anno de mil novecentos e vinte e sete, as treze horas, nesta cidade do Crato, Estado do Ceará na delegacia de policia, onde estava presente o delegado em exercicio, major Raymundo de Moraes Britto, commigo, escrivão do seu cargo, abaixo nomeado, ahi foi apresentado o preso - Francisco Ramos de Almeida, por alcunha de Mormaço, de vinte (20) annos de idade, filho de Jose Ramos de Almeida, solteiro, natural do municipio de Araripe, logar "Baixio do Ramos", deste Estado, não sabendo ler nem escrever.

Interrogado a respeito do que causa a sua prisão, disse: - que no anno de mil novecentos e vinte e quatro (1924) elle respondente, residindo em Araripe, deste Estado, seguiu com destino a Ouricury, no Estado de Pernambuco, afim de assentar praça na policia desse Estado, cujo alistamento estava sendo feito pelo Sr. capitão João Nunes, pertencente á mesma; que chegando ali o tenente Manuel Antonio, elle respondente, em companhia deste seguiu para São Gonçalo e dali até Valença, no Estado do Piauhy, onde deram combate aos revoltosos, sob o commando do coronel João Nunes; que, dali, voltando, effectuaram diversas volantes, terminando no logar "Custodia", do Estado de Pernambuco, onde, devido á quebra de disciplina para com o cabo commandante da força, foi por este motivo excluido, tendo servido nesta corporação cerca de um anno e cinco meses, mais ou menos; que dali veio para o logar "São Francisco", do municipio de Villa Bella, encontrou-se com o grupo de Lampeão, no qual foi apresentado como um dos soldados que já o havia perseguido; que nessa occasião Lampeão tentou mata-lo e depois o convidou para andar em sua companhia, sob pena de morte; que, em vista da ameaça, o respondente preferiu acompanhá-lo; que, no dia seguinte, mais ou menos no meio do anno de mil novecentos e vinte e seis, seguiu todo o grupo, acompanhado de guias, embrenhando-se na matta, com destino ao Estado de Alagoas; que o grupo nessa occasião se compunha de cincoenta (50) homens, na sua maior parte armados de fuzis e mosquetões mauser, e alguns rifles, todos bem municiados, sendo que diversos possuiam um equipamento de oitocentos (800) e mais cartuchos; que o grupo saiu na povoação de "Entre Montes", no Estado de Alagoas, donde seguiram para "Olho dagua das Flores, passando pelos logares "Capim" e "Pedrão" e dali com direção a "Sertãozinho", onde tencionava o grupo atacar, o que não foi realizado pelo motivo de ali se achar um forte destacamento que na viagem Lampeão chefiava um grupo e seu irmão Antonio Ferreira, outro, os quaes estavam unidos que nas villas e povoações onde passava o grupo roubavam o que encontravam e incendiavam as fazendas das lojas e quanto ás peças de ouro e outros objectos que encontravam, tomava cada um, para si, o que achavam; que, quanto a dinheiro, quando um dos companheiros achava maior quantidade, ou melhor, importancia mais elevada, era dividida a metade para Lampeão; que do Estado de Alagoas, regressaram com destino ao de Pernambuco, e que em viagem, quando se achavam acampados em uma fazenda, foram vistos por um dos destacamentos da policia alagoana; que este tendo disparado alguns tiros contra o grupo deu causa a este continuar a viagem; indo homisiar-se na fazenda "Patos" no municipio de Princeza, do Estado da Parahyba, de propriedade do cel. Marcolino Diniz, residente em Princeza; que o cel. Marclino Diniz é protector de Lampeão e de Sabino Gomes; que o grupo demorou-se na fazenda "Patos", por essa epoca cerca de quinze dias; que dali seguiu o grupo para a fazenda "Poço do Ferro" para a
casa do coronel Angelo da Gia, onde emorou-se mais de um mês, porque naquelle local Lampeão é bem recebido e não teme ataques de forças, por ser o coronel Angelo pessoa influente e chefe dos logares circumvizinhos, de forma que, quando ali chega um grupo, elle telegrapha dando um roteiro muito differente, desorientando assim as forças que perseguem o grupo; disse mais o respondente que o coronel Angelo é um dos maiores fornecedores de munição a Lampeão, alem da proteção que lhe dispensa; que o coronel Angelo sempre recebe dinheiro de Lampeão por pagamento de munição e tambem por gratificações de serviços prestados; que o major Numeriano, morador na Villa de Rio bRanco, é protector de Lampeão e do seu grupo, pois o grupo já se tem homisiado nas suas fazendas Santa Rita e Cavaco, onde demora dias sem o maior receio; que o major Numeriano fornece munição ao grupo, recebendo por pagamento dinheiro, que lhe manda Lampeão; que os vaqueiros do major Numeriano, de nomes - Jose Juvino e Manuel Ignacio são quem auxiliam o grupo nas suas necessidades; que o vaqueiro Manuel Ignacio reside na fazenda Cavaco e Jose Juvino na fazenda Santa Rita; que ainda é protector de Lampeão, o major Tiburtino morador distante sete leguas da cidade de Floresta, no mesmo Estado de Pernambuco, o qual se encarrega do tratamento de feridos do grupo de Lampeão, mediante gratificação em dinheiro, que lhe dá o mesmo Lampeão; que o cel. Pedro da Luz, morador no lugar Barrinha, municipio de Belem de Cabrobó, e proximo a Serra dUman cerca de uma legua, muito protege Lampeão, fornecendo munição e occultando o grupo na mesma serra, em logares delle conhecido, desviando por todos os meios a pista do grupo; que o mesmo cel. recebe de Lampeão dinheiro a titulo de gratificação pelos serviços prestados; que estando o grupo afastado seis legoas de Villa Bella, elle respondente ouviu Lampeão dizer que estavam ali a mandado do major Theophanes e que ele ia mandar um portador, em Villa Bella, buscar munição; que Lampeão escreveu um bilhete ao major Theophanes, pedindo munição e que o portador era um rapaz, morador na serra, justamente no logar onde estava o gruo; que elle respondente viu o portador ir e voltar, trazendo mil cartuchos, cuja munição o respondente verificou ser para fuzil a qual foi distribuida entre os grupos, inclusive o respondente; que, no dia seguinte, o respondente com os demais foram atacados por uma força sob o commando do tenente Gino e sargento Manuel Netto, resultando a morte de diversos soldados, e que a luta durou cerca de doze horas; que ouviu Lampeão dizer, por diversas vezes, que tinha mandado quinze contos de reis para o major Theophanes, afim deste protegê-lo; que o grupo passou diversas vezes pelas fazendas do major Theophanes, porem em nada as offendiam, porque sabiam que era para em nada as offender; que, na occasião em que o grupo foi atacado pelas forças commandadas pelo tte. Gino, este ainda compunha-se de cincoenta homens; que na occasião do fogo a que o respondente se refere acima, ainda se encontrava com o grupo o caixeiro viajante de nome Mineiro, o qual tinha sido preso por Lampeão, dias antes entre Flores e Villa Bella, tomando deste quatro contos de reis e o sujeito mais a oito contos pela liberdade que no dia seguinte Lampeão dispensou ao rferido caixeiro e este seguiu com destino ao logar Bethania; que logo ao entrar para o grupo , soube o respondente que Lampeão enviara quinze contos de reis para o major Theophanes afim deste facilitar a munição para o grupo; que deste logar o grupo se dirigiu a Cabrobó e voltando passaram por Granito, indo acampar na fazenda Ipueira, de propriedade de Antonio Xavier, pessôa esta que mantinha amizade com Lampeão, onde este recebeu visita de Apparicio e Francisco Romão, os quaes forneceram comida e trataram bem o grupo; que depois da attitude tomada pelo governo de Pernambuco, os acima referidos não protegeram mais e perseguiram tambem o grupo; que de Ipueira seguiram com destino á Serra dUman, onde passaram dois mezes, occultado pelo Cel. Pedro da Luz, que fornecia todo o necessario, neste local de sua propriedade; que deste local sairam com destino ao Ceará, vindo arrancharem-se ao pé de um açude no logar Custodio, do Estado do Ceará, sendo no dia seguinte cercados pela força do sargento Arlindo, travando-se um forte tiroteio, durante três horas, resultando a morte de dois cangaceiros cujos nomes são: Manuel Nogueira e Joaquim Leite, que ha tempo acompanhava Lampeão; que sairam dois outros feridos e que são: Arminio Xavier, vulgo Chumbinho e Mergulhão, este ferido levemente no braço e aquelle, gravemente, motivo porque ficou, digo, porque acompanhando o grupo, teve que ficar em tratamento na Serra do Matto em uma casa, cujo morador o respondente não sabe o nome; que na occasião em que o grupo foi atacado pela força commandada pelo sargento Arlindo, compunha-se de 50 homens, cujos nomes são:

Lampeão, Sabino Gomes, Jararaca, Mareca, Ezequiel, irmão de Lampeão, Ignacio Medeiros, vulgo Jurema, Navieiro, Domingos, vulgo Serra dUman, Jose Pretinho, Francisco Ramos, vulgo Mormaço, Luiz Pedro, Vicente Feliciano, Luiz Sabino, Lua Branca, irmão do cangaceiro Marcelino, Elisiario, vulgo Barra Nova, Arminio Xavier, vulgo Chimbinho, Nevoeiro, Damasio, vulgo Chá Preto, Salú, Juriti, Colchete, Fortaleza, Antonio Rosa, vulgo Mergulhão, Coqueiro, Creança, que pudera ter quinze annos de idade, Antão, Virginio, cunhado de Lampeão, Jose Delphino, Cornelio, vulgo Trovão, Euclides, João Marcelino, vulgo 22, Frazão, vulgo Pae Velho, Palmeira, As de Ouro, Bemtivi, Balão, Oliveira, de cerca de dezoito annos, Jose Izidio, vulgo Pinga Fogo, Moreno Jatobá, Manuel Nogueira, Joaquim Leite e outros que não se lembra dos nomes; que Chimbinho tendo sido ferido, Lampeão resolveu deixa-lo na Serra do Matto, como já referiu o que fez, deixando-o na companhia de João Marcelino, vulgo 22, Lua Branca, Balão, Relampago e Manuel Mauricio; que ainda ficaram no Estado de Pernambuco, os cangaceiros Manuel Antonio e Francisco Antonio, que são residentes no logar Barreiros; que por duas vezes Lampeão foi acampar no logar Serra do Matto e que quando acamparam sempre recebiam munição de Julio Pereira, que ahi residia, se encarregando tambem, de fornecer gado alheio para sustento do grupo e que sempre deixavam animaes nas mãos de Julio Pereira, para trata-los; que quando deu-se o fogo de Custodia o respondente cm o grupo, passou meia legua afastado da Serra do Matto em virtude de se achar ali destacado o sargento Firmino e vinte praças passando afastado de Brabalha uma legua, na direção do Riacho dos Porcos, indo dormir na fazenda Varzinha, de propriedade do Sr. Filemon Telles, onde foi morto um boi, que Lampeão pediu ao vaqueiro; que passaram nesta fazenda em virtude de ser a estrada que desejavam seguir; que no dia seguinte o grupo levantou acampamento, passando nos logares Canto do Feijão e Piões, já no Estado da Parahyba; que antes o grupo esteve no logar Antas, municipio de Aurora, entraram para o mesmo grupo os individuos Antonio Leite, vulgo Massilon e seu irmão Manuel Leite, , os quaes estavam homisiados na Serra do Diamante, do mesmo municipio, sob a proteção de Jose Crdoso e Izaias Arruda; que o grupo ao passar na Serra do Diamante, Lampeão ali deixou três cangaceiros sob a proteção de Jose Cardoso, cujos nomes são: Marreco, Xexeú e Cafinfin, os quaes o respondente ainda não s havia referido anteriormente; seguindo depois ate o logar Belem, onde houve resistencia, não conseguindo o grupo entrar no povoado, donde o grupo voltou pela catinga, ate a Serra do Diamante, municipio de Aurora, neste Estado, onde ficou occulto cerca de um mês, sob a proteção de Jose Cardoso e Izaias Arruda e Gustavo, e que o delegado de policia de Aurora de nome João Macedo, tambem sabia pois, foi ali visitar o grupo; que o respondente viu o delegado referido, na Serra do Diamante, em visita a Lampeão, uma vez, que Izaias Arruda fôra ali, tambem duas vezes e que Jose Carsoso ia sempre, um dia, outro não; que tambem esteve ali Julio Pereira, na companhia de um filho do Cel. Sant"Anna , conhecido por Zezinho e nesta occasião Sabino Gomes deu três contos de reis a Julio Pereira para este botar uma bodega em Joazeiro; que Lampeão nesse espaço de tempo, recebeu de Izaias Arruda dois mil cartuchos, entregues por intermedio de Jose Cardoso, que sempre era acompanhado de Gustavo e Jose Gonçalves, irmão daquelle; que todas essas pessoas sabiam que Lampeão estava se preparando para ir atacar Mossoró no Rio Grande do Norte, ataque este que era acomselhado por Izaias Arruda e Jose Cardoso, que diziam alli existir pouca força e se tornar facil, assim, o roubo; que em vista disto seguiu o grupo guiado pelo vaqueiro de Jose Cardoso, de nome Miguel, por veredas, numa extensão de dez legoas dali voltando, ficando como guia Massilon, que conhecia todo o caminho; que a viagem se fazia sempre á noite e durante o dia escondiam-se no matto; que o respondente sabe por ter ouvido Lampeão dizer e disto ter certeza, que este, por intermedio de Jose Cardoso, enviou vinte contos de reis para serem entregues a Izaias Arruda, afim deste, quando voltasse o grupo do Rio Grande do Norte, fornecer munição precisa; que isto deu-se quando o grupo ainda se encontrava na "Serra do Diamante"; que o respondente assistiu com os demais ao ataque a cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, durante o tiroteio de quatro a seis horas da tarde; que do ataque resultou a morte de dois cangaceiros de nome - Colchete e Jararaca e que nessa occasião o grupo se compunha de cincoenta homens, mais ou menos; que em vista da resistencia offerecida em Mossoró, o grupo recuou, passando pela Villa de Limoeiro, neste Estado, onde o grupo tirou photographia; que em Limoeiro, demorou, o grupo, meio dia; que de Limoeiro marchou o grupo para o "Serrote Vermelho" e ao sairem, digo, e quando ali estavam homiziados, foram informados por um morador dali de nome Ottilio Salustiano de que vinha uma força parahybana e cearense fazer uma batida no mesmo serrote; que em vista disto, tomou o grupo uma vereda e ao sair na estrada encontraram-se com a força travando-se um forte tiroteio; que o grupo nessa occasião vinha todo montado e que em vista do tiroteio, viram forçados a abandonar os animaes e alguns nas sellas; que nesse tiroteio saiu ferido o cangaceiro Heleno Caetano, vulgo "Moreno"; que desse ponto o grupo correu, indo homiziar-se no luagr "Riacho do Velame", onde se arrancharam, entrincheirando-se tendo ahi um morador muito conhecido de Antonio Leite, vulgo Massilon o qual a mandado de Lampeão foi comprar farinha e rapaduras, isto pela tarde e que a noite Sabino Gomes indo a casa deste morador com o fim de comprar uma creação, quando foi avisado que a força já se achava proxima da morada; que nessa occasião Sabino voltou e avisou a Lampeão o roteiro da força, respondendo este que dali só sairia depois que brigasse com a força e, em seguida, tomou as cabeceiras do riacho entrincheirando todo grupo que ao amanhecer do dia seguinte cerca de seis horas, a força com um guia da casa foi ter ás barreiras do Riacho, travando-se o tiroteio do lado em que estava Lampeão, e que este depois allegou ter atirado em um tenente, o qual caiu; que o tiroteio demorou três horas, francamente e que o grupo respondia ao ataque da forçacom a mesma fuzilaria; que não saiu nenhum cangaceiro ferido e nem orto; que gastaram quase toda munição, ficando cada um, mais ou menos, com cincoenta a sessenta balas; que continuavam presos no mesmo local da luta, o Sr. Antonio Gurgel e uma senhora de que o respondente não sabe o nome, dos quaes Lampeão exigia vinte contos de Antonio Gurgel e trinta da referida mulher, pela sua liberdade; que desse local seguiram e, chegando nas vizinhanças da casa de Ottilio Salustiano, já referido acima, oito leguas distante do local da luta, o respondente, em companhia de sabino Gomes, foi deixar os referidos presos a quem Lampeão deu liberdade e algum dinheiro para a viagem; que deste local seguiu o grupo, por dentro do matto, acompanhado de guias e algumas vezes andando pela estrada porem eram repellidos pela força cearense que estava em seu encalço e novamente os obrigava a internar-se na matta; que nessa marcha veio o grupo ter á "Serra do Diamante", já alludida atrás, onde homiziou, sob a proteção de Jose Cardoso que nesse mesmo dia conduziu um bocado de munição e a entregou a Lampeão, que a distribuiu com o pessoal do grupo; que no dia seguinte Jose Cardoso foi novamente á Serra do Diamante e ali convidou Lampeão para com o grupo vir para o sitio Ipueiras de sua propriedade, convite este que foi acceito, vindo o grupo logo em companhia do mesmo; que o grupo ao chegar em Ipueiras demorou dois dias, acampado numa manga proximo a um açude; que no primeiro dia Jose Cardoso forneceu almoço e jantar; que no segundo dia quando chegou o almoço, mandado tambem por Jose Cardoso, ao provarem-no alguns acharam amargoso, sendo que três delles enguliram alguns bocados, sentido logo após convulsões; que Lampeão e os do grupo desconfiaram que aquella comida estivesse envenenada e por isto Lampeão resolveu abandonar o ponto em que estava o grupo; que quando se preparavam para levantar acampamento verificaram que o pasto da manga estava incendiando e por isto ainda mais apressaram a fuga, saltando algumas cercas; que nessa fuga, morreram, logo adeante, os três cangaceiros que sentiram convulsões, depois da comida alludida, cujos nomes são: Mergulhão, Gavião e Fortaleza os quaes foram enterrados num riacho, pelo grupo; que o grupo tomou a direção da Serra de São Pedro, e, antes de ali chegar, mudou de rumo na direção de Ingazeiras, e distante duas leguas deixou o respondente o grupo, com o conhecimento de Lampeão, a quem vendeu o seu fuzil por duzentos mil reis, cuja arma tinha comprado a um rapaz de Lampeão; que deixando o grupo, seguiu o respondente até Joazeiro, sendo acompanhado por Coqueiro e de Joazeiro seguiu o respondente para Araripe, onde rerside o seu pae; que Coqueiro tomou a direção do Piauhi, não sabendo mais noticias delle; que elle respondente sabe mais que, no dia da chegada em Ipueira, Izaias Arruda mandou pedir mais a Lampeão por Jose Cardoso a quantia de quatorze contos, e que Lampeão combinou com Sabino Gomes dando cada um uma parte e enviaram a quantia pedida e que o respondente assistiu á entrega do dinheiro referido; que elle respondente não tomou parte no roubo de Apodi, nem tambem o grupo de Lampeão e que este saque foi dirigido por Antonio Leite, vulgo Massilon, o qual possuindo somente um cangaceiro, lhe foi fornecido trinta homens por Izaias Arruda, combinados para dividirem o roubo, tendo este novo grupo atacado Apodi, Gavião e Boa Esperança, no Rio Grande do Norte, resultando o roubo em quarenta contos de reis, em dinheiro, afora objetos de ouro e prata, relogio, etc.; que elle respondente, estando na Serra do Diamante, com o grupo de Lampeão, ali chegou Izaias Arruda e contou a mesma historia que lhe contara Antonio Leite, vulgo Massilon, sobre o facto narrado acima, acrescentando mais que, se com os trinta homens que havia dado a Massilon, que é tolo, tinha adquirido quarenta contos, quanto mais Lampeão - que arranjaria muito mais dinheiro, por possuir maior numero de cangaceiros e ser mais experiente; que durante o tempo em que o respondente esteve no grupo de Lampeão notara que alguns cangaceiros ficavam atras, para nas estradas forçarem algumas moças como tambem mulher casada; que sabe que alguns destes eram mais audaciosos, neste sentido, entre os quaes Moreno, Jararaca e Nevoeiro; que Lampeão conduz o dinheiro em bolsa, que tras a tiracollo, sendo que uma parte elle tem guardado nas mãos do Cel. Angelo da Gia de quem Lampeão tudo confia; que no incendio da manga, no sitio Ipueiras o grupo fugiu sem travar tiroteio; que Antonio dos Santos, cangaceiro que tambem foi com o grupo roubar no Rio Grande do Norte e rerside no logar Antas, do municipio de Aurora, quando o grupo chegou em Ipueiras se offereceu para tratar de Moreno que havia sido ferido na Serra Vermelha, como já referiu atras, tendo ficado tambem com este mais os cangaceiros Português e Ricardo, não sabendo em que lugar os mesmos se occultaram; que o respondente, estando em Araripe, no logar Baixio do Ramos, onde reside o seu pae, resolveu fazer um samba em regozijo pela sua chegada, delle respondente; que alta noite, difulgou ?? na casa da festa algumas pessoas da rua, um pouco alcoolizadas e que armadas de faca, começaram a produzir desordens; que o respondente procurou acalma-los e como não o conseguisse saccou de um revolver afim de amedrontá-los; que sendo agarrado por diversos , afim de o desarmarem, succedeu que o revolver disparou por duas vezes, produzindo um ferimento num seu tio pelo lado materno; que este ferimento produziu a morte, poucas horas depois, do seu tio alludido; que por isto foi preso e descoberto ter servido como cangaceiro no grupo de Lampeão.

E, como nada mais disse e lhe foi perguntado, deu o delegado por encerrado o presente interrogatorio, mandando lavrar o presente auto, que, sendo lido e achado conforme, vae assignado pelo mesmo delegado e a rodgo do respondente pelo cidadão Francisco Carvalho. Eu, Jose Carvalho, escrivão que escrevi, do que tudo dou fé. (aa) Raimundo Moraes Britto - Francisco Carvalho.

Grafia original da época. Transcrição fiel do interrogatório feito quando preso o cangaceiro.

*Texto componente do acervo de Sergio Dantas
*Gentilmente me encaminhado pelo amigo Ivanildo Siveira a quem agradeço de coração (Archimedes Marques - gestor do CANGAÇO EM FOCO)

textos+da+epoca+do+cangaco/auto+de+perguntas+feito+ao+preso
+francisco+ramos+de+almeida+vulgo+mormaco+dado+a+autoridade
+policial+da+cidade+do+crato+ce+em+9+8+1927+em+grafia+original

II Congresso Nacional do Cangaço

Por: Ana Lúcia Souza 


O II Congresso Nacional do Cangaço juntamente com a III Semana Regional de História da Universidade Federal de Campina Grande em Cajazeiras na Paraíba, foi simplesmente espetacular. Quase quinhentos inscritos participaram do evento, todos unidos na busca do conhecimento histórico e aprendizagem sobre as representações nordestinas. Estudantes e professores abrilhantaram durante os cinco dias de congresso onde puderam participar de minicursos, exposições, grupos de trabalhos como também a presença nas Mesas Redondas de palestrantes que enriqueceram mais ainda estes encontros.
 
A organização está de parabéns, houve a colaboração de todos inclusive da Universidade Federal de Campina Grande na cidade de Cajazeiras que cedeu o local para a realização do evento, a direção da entidade, os estudantes e professores que auxiliaram no monitoramento do credenciamento, nas inscrições, nos pequenos gestos de levar água aos palestrantes, na parte técnica e utilização de equipamentos para o bom andamento dos trabalhos, na divulgação e venda de livros nos stands nos intervalos das conferências, enfim, foram cinco dias bastante proveitosos e produtivos e quem não pode estar presente, não sabe o que perdeu.
 
Ana Lúcia Granja Souza
 

Documentário gravado em reunião Cariri Cangaço - GECC

Encontro Cariri Cangaço - GECC na Saraiva do Iguatemi

Aconteceu na noite da última terça-feira mais uma reunião Cariri Cangaço-GECC, no Espaço Raquel de Queiroz da Livraria Saraiva do Shoping Iguatemi em Fortaleza. Inicialmente o Presidente do GECC, escritor Angelo Osmiro apresentou relato sobre os eventos que transcorreram durante o último mês, com destaque para o II Congresso Nacional do Cangaço, em Cajazeiras, promovido pela SBEC e também o Seminário do Cangaço promovido pela prefeitura do Recife. Logo após foi destacado o lançamento de obras ligadas à cultura nordestina.

Afrânio Cisne, Capitão Alfredo Bonessi, Antonio Tomaz e Haroldo Felinto
Edilson Cláudio, Lívio Ferraz e Juliana Ischiara
Aderbal Nogueira
Ângelo Osmiro, Edilson e Lívio Ferraz

O curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, por sua vez trouxe o andamento das conversações sobre mais m novo Projeto; os contatos, as articulações e o período em que poderemos ter uma nova versão e um novo formato do Cariri Cangaço, atendendo a outros municípios que desejam participar. Severo adiantou que "não há como contemplar mais municípios do que já contemplamos, é uma questão de tempo, não podemos elastecer o numero de dias, que já é muito grande; seis dias; por isso estamos pensando em inovar, e logo logo traremos as novidades".

Camile e Juliana Ischiara

Manoel Severo e Camilo Vidal
Manoel Severo e Camile
Camile e Ângelo Osmiro

Um dos pontos altos da reunião foi a gravação de depoimentos de membros do Cariri Cangaço e GECC para o documentário "As Mulheres no Cangaço" dos produtores Camile e Camilo Vidal, abordando a trajetória, a vida, as motivações e os reflexos da entrada da mulher no cangaço. O documentário entra em fase de conclusão e em breve teremos mais uma obra a ser apreciada por todos que admiram a temática.

Sila, uma cangaceira de Lampião

Ao final do encontro foi decidido que a próxima reunião terá como pauta principal a apresentação de mais uma forte personagem da história do cangaço. Em dezembro o encontro Cariri Cangaço - GECC trará para a discussão: Sila, uma cangaceira de Lampião.

Assessoria de Imprensa
Cariri Cangaço

Nota Cariri Cangaço: As reuniões Cariri Cangaço-GECC acontecem todas as primeiras terça-feiras dê cada mês, sempre a partir das 19 horas no Espaço Raquel de Queiroz, na Livraria Saraiva do Shoping Iguatemi, em Fortaleza, aberta ao público em geral.