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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Antonio Conselheiro


Ruínas da Igreja velha de Santo Antonio

Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro, nasceu em 1830, no sertão de Quixeramobim, Ceará. Seu pai foi um ex-vaqueiro, proprietário de uma bodega que queria vê-lo ordenado padre, por essa razão o menino teve acesso a uma instrução formal.
O sonho do sacerdócio, contudo, frustrou-se com o falecimento do pai, em 1855. O futuro conselheiro herdou o comércio e a responsabilidade de cuidar da família, mas acabou falindo, mergulhado em dívidas. 
Casou-se em 1857, sendo depois abandonado pela família. Exerceu as funções de professor, pedreiro, construtor, rábula e caixeiro – teria inclusive, como vendedor ambulante encontrado e acompanhado o Padre Ibiapina nas andanças pelos sertões. 
Residiu durante algum tempo em Santa Quitéria, onde conviveu maritalmente e teve um filho com Joana Imaginária, mulher mística e escultora de rústicas imagens sacras.
Por volta de 1873, aparece em Assaré-CE, já com a fama de beato, e com as notícias de suas peregrinações pelos estados do Ceará, Bahia e Sergipe. Ganhou fama, prestigio e seguidores, e começou a ser chamado pela população de Antonio Conselheiro. 
Seus seguidores, gratuitamente, reconstruíam muros caídos de cemitérios, reforçavam paredes ameaçadas das igrejas, levantavam capelas, construíam pequenos açudes. 
Virou um homem respeitado no sertão, multidões se formavam para ouvir seus sermões: palavras otimistas, que previam um mundo melhor, feliz, mais próximo de Deus, longe da miséria.
Vista geral de Canudos depois do massacre
Para as classes dominantes, no entanto, Antonio Conselheiro era um charlatão louco, e estaria desviando as pessoas das atividades produtivas.
Em 1893, Conselheiro e seus seguidores se fixaram numa velha fazenda abandonada do norte da Bahia, às margens do rio Vasa-barris. O beato batizou o lugar de arraial do Belo Monte, embora ficasse conhecido por Canudos. 
Ante o quadro de secas, fome, doenças e exploração vigente no sertão nordestino, o Arraial do Belo Monte tornou-se uma espécie de terra prometida para os pobres da região. 
Em pouco tempo o Arraial assumiu dimensões extraordinárias, há quem estime sua população em 30 mil habitantes. Era um ambiente rústico e pobre, mas nos domínios do Conselheiro não existia fome e reinava um espírito de solidariedade e cooperação. 
A maior parte do que era produzido era repartido entre os moradores. Essa comunidade alternativa, cooperativa, assustou os poderosos. Os latifundiários perdiam a mão-de-obra sertaneja. A igreja católica perdia os seus fiéis.
Por outro lado, era evidente que o Conselheiro pregava contra a república, estimulando a que não se lhe pagassem tributos e até espantasse os funcionários que representavam a justiça e o casamento civil. Canudos assemelha-se às incontáveis comunidades rebeldes religiosas, lideradas por fanáticos, que reúnem ao seu redor uma multidão de fiéis aos quais é assegurada não só a salvação, mas a imortalidade.  
Seguidores do Conselheiro prisioneiros 
Usando como argumento principal o fato de Antonio Conselheiro fazer críticas à república – cuja proclamação em 1889 não alterou em nada a penúria em que vivia grande parte do povo nordestino – as camadas dominantes exigiram a destruição do Arraial, o que acabou acontecendo depois de três expedições anteriores fracassarem na tentativa de acabar com o aglomerado.
Mesmo com o arraial cercado pelo exército, a população lutou até o fim. Umas 300 mulheres, velhos e crianças se renderam. Alguns homens sobreviventes foram degolados e os que resistiram até o fim foram mortos a golpes de baionetas na luta corpo-a-corpo que se travou dentro do arraial, no dia do assalto final, em 5 de outubro de 1897. 
Antônio Conselheiro, com a saúde fragilizada, morreu dias antes do último combate. Ao encontrarem seu corpo, deceparam sua cabeça e a enviaram para que estudassem as características do crânio de um louco fanático.
Pesquisa:
História do Ceará, de Airton Farias A Guerra de Canudos e Sertões. Disponível em http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/canudos.htm
fotos

O Encontro de Padre Cícero com Lampião

História do Ceará de Airton Farias
Um dos fatos mais pitorescos da passagem da Coluna Prestes pelo Ceará deu-se com o inusitado convite feito por Floro Bartolomeu ao cangaceiro Lampião – para combater os rebeldes e defender a legalidade. 
Ainda sediado em Campos Sales, com seus batalhões de jagunços, Floro teria enviado um mensageiro portando uma carta para o “rei do cangaço” – carta referendada e assinada também por Padre Cícero – pedindo a presença do cangaceiro em Juazeiro. 
Padre Cícero e Floro Bartolomeu - a união entre religião e política no sertão do Ceará. Lampião que, por ser devoto de Padre Cícero, evitava atacar o Ceará, ao receber o convite do padre apressou-se a atendê-lo, chegando a Juazeiro com cerca de 50 homens, no início de março de 1926, quando a Coluna já havia deixado o Estado.
Naquela cidade, num único e marcante encontro, Lampião, após ser aconselhado por Padre Cícero a deixar aquela vida de bandidagem, comprometeu-se a combater a Coluna Prestes, recebendo armas, fardamentos e uma patente de capitão do Exército.
A presença de Lampião em Juazeiro provocou alvoroço. Uma multidão se formou para ver o famoso cangaceiro e seu bando. Lampião concedeu entrevistas, bateu fotos, ofertou esmolas à igreja local, recebeu visitas e foi agraciado com presentes, sem ser incomodado pela polícia. 
O bando deixou Juazeiro satisfeito, sobretudo porque o documento que dava ao chefe a “patente” de capitão – o que correspondia ao perdão de seus crimes e a não ocorrência de mais perseguições por parte da polícia – havia sido assinado a pedido de Padre Cícero pela única autoridade federal em Juazeiro, um agrônomo do Ministério da Agricultura, Pedro Albuquerque Uchoa.
Do acervo blog: Tok de História
 Conta-se que chamado mais tarde a Recife, para explicar tamanho absurdo, o agrônomo teria dito aos seus superiores que, naquelas circunstâncias, e com o medo que tinha de Lampião, ele teria assinado até a demissão do presidente Arthur Bernardes.
Lampião, contudo, não foi combater a Coluna Prestes. O cangaceiro, agora definitivamente nomeado Capitão Virgulino Ferreira, talvez tenha temido a fama de guerreiros dos tenentes, talvez tenha ficado irritado ao descobrir que a “patente” não tinha valor legal, portanto não valia nada. Virgulino ainda tentou falar com Padre Cícero, mas este se recusou a recebê-lo novamente. 
O patriarca de Juazeiro foi duramente criticado pela imprensa de Fortaleza, a qual usou o episódio como prova da proteção que o padre fazia a criminosos. Apesar do acontecido, Lampião nunca perdeu o respeito nem a admiração que tinha por Padre Cícero. 
Em junho de 1927, Lampião voltou ao Ceará, após uma fracassada tentativa de saquear Mossoró, no Rio Grande do Norte. O bando ocupou Limoeiro do Norte, exigindo uma quantia em dinheiro como “resgate”.  Dias após deixar Limoeiro, Lampião sofreu uma emboscada feita por 500 policiais, perdendo grande parte das provisões, munições e montarias. 
Com poucas armas, a pé na caatinga, os cangaceiros travaram em seguida outro tiroteio com a polícia, desta vez na Serra da Macambira, em Pernambuco. apesar da escassez de armamentos, os bandidos derrotaram centenas de policiais, fazendo aumentar nos sertões a lenda do “rei do cangaço”. Ajudados por coiteiros, os cangaceiros escaparam para os sertões de Pernambuco.    
A Outra Versão para o Encontro
Os fiéis juazeirenses até hoje reagem com indignação a esse relato do encontro entre Padre Cícero e Lampião. Segundo uma versão que veio a público em data recente, Lampião teria “ouvido falar” que Padre Cícero precisava de ajuda para combater os “revoltosos”, e compareceu espontaneamente a Juazeiro. 
O padre, pego de surpresa com a presença dos cangaceiros, e sem outras opções, viu-se obrigado a hospedar Lampião, por temê-lo e para evitar um confronto do bando com a população. 
Padre Cícero encontrou-se então, duas vezes com o rei do cangaço e não lhe teria dado nem as armas nem a “patente”, porque como prefeito, não tinha poderes para tanto.
O secretário de padre Cícero Benjamim Abraão em fotos dos anos 1930 ao lado do bando de Lampião. O libanês registrou as únicas imagens fotográficas do cangaço.
Segundo ainda essa versão, foi o secretário de Padre Cícero, o libanês Benjamin Abraão, que teria sugerido, em tom de brincadeira, que a “patente” poderia ser dada pelo agrônomo. Vendo o interesse do cangaceiro, Abraão viu-se obrigado a convencer Pedro Uchoa a redigir o documento.  

Benjamim Abraão ao lado de Maria Bonita e Lampião 
Também teria sido sua a idéia de confeccionar e dar fardamentos dos ”batalhões patrióticos” aos cangaceiros. Essa versão exime totalmente tanto o Padre Cícero quanto Floro Bartolomeu de qualquer responsabilidade na contratação dos serviços do bando de Lampião. 
Fonte:
História do Ceará de Airton Farias
Portado por: Fátima Garcia

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  • O grande e falado encontro de Lampião e o coronel Joaquim Resende. 
  • A paciência que usava o  Manoel do Brejinho para atender os famosos Lampião  e Corisco.
  • O assassinato do cangaceiro Vulcão.
  • A perseguição das volantes para assassinarem o cangaceiro Zepelim. 
  • A bagunça que  os cangaceiros fizeram no coito de Lampião.
  • Morte dos tropeiros.
  • Corisco, após a morte de Lampião, ninguém mais o respeitava.
  • A castração de Beijo. 
  • A vingança de Lampião no Estado de Alagoas.
  • O assassinato de Santo da Fazenda Mandassaia. 
  • Execussão dos Tropeiros.
  • A morte de Brió.
  • O assassinato do cangaceiro Pau Ferro.
  • Assassinato de Tonho Vicente e Sisi.
  • Morte de Mariano e seus comparsas. 
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Os Comerciantes Estrangeiros em Mossoró - 07 de Abril de 2009

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Com a chegada dos navios da Cia. Pernambucana de Navegação Costeira em 1857, fazendo de Mossoró ponto de escala regular das suas embarcações, a cidade se abre para novos comerciantes, tornando-se, já no período de 1857 a 1877, uma próspera praça de negócio, assumindo a condição de “empório comercial”. A situação privilegiada da cidade, eqüidistante de duas capitais, Natal e Fortaleza, ao mesmo tempo que dividia o litoral do sertão, contribuíram para essa condição. No período citado, Mossoró aparecia como o “lugar privilegiado”, sentado na área de transição entre a economia do litoral representada principalmente pelo sal e o peixe, e a economia do Sertão representada pela pecuária, o algodão e principalmente as peles de animais. Mossoró tornava-se assim o lugar de troca, recebendo mercadorias de outras praças do país e do exterior e embarcando pelo seu porto, o porto de Areia Branca que na época pertencia a Mossoró, a produção regional que se destinava aos mercados nacionais e internacionais. Esse crescimento comercial serviu de chamariz para os grandes comerciantes, que viam em Mossoró o lugar ideal para desenvolverem os seus negócios. E os estrangeiros chegaram! 
Vindos principalmente da Europa, quase sempre procuravam Recife, uma cidade de alto comércio, onde dominava um espírito de cosmopolitismo generalizado. Lá chegando, faziam contatos com negociantes e firmas de toda espécie. E nesses intercâmbios de negócios, descobriam o nome de Mossoró, uma Praça para muitos deles ignoradas, mas um forte centro de atividades mercantis. 
Assim se deu com Johan Ulrich Graff, um empresário suíço, rico e cheio de idéias progressistas que apontou em Mossoró para instalar uma poderosa firma comercial, de importação e exportação de produtos regionais. Era a Casa Graff, fundada em 1868, com instalações próprias em prédios construídos em um grande terreno que fora comprados a Souza Nogueira pela elevada quantia de 500$000 (quinhentos mil réis). Para se avaliar o que significava esse valor para a época, basta dizer que o orçamento votado pela Câmara Municipal para o ano de 1867, não passava de 251$000 (duzentos e cinqüenta e um mil réis). 
No dia 05 de dezembro de 1872 chegou a Mossoró o alemão William Dreffren, “vindo no vapor costeiro de Pernambuco, com destino a estabelecer nesta cidade uma casa de compra dos diferentes gêneros do país”, como nos informa o jornal “O Mossoroense” datado de 8 de dezembro de 1872. Dreffren era “um tipo expansivo, curioso, vermelhaço, suarento como um barril de cerveja de Hamburgo”, no dizer de Raimundo Nonato. Era a “William Dreffren”, uma casa de compra de algodão, couro e finalmente de todo e qualquer gênero e produto do país. 
Outro grande comerciante estrangeiro que se estabeleceu em Mossoró nessa época foi o francês H. Léger. O Armazém do Francês, como era chamado, anunciava em “O Mossoroense”: “H. Léger, negociante, importador da praça de Pernambuco, avisa ao respeitável público, com especialidade aos Srs. Sertanejos, que acaba de abrir nesta cidade um estabelecimento de secos e molhados sob a firma de Léger & Cia., onde muito bem se pode servir as pessoas que quiserem prevenir de fazenda e molhados, garantindo-lhes não só um preço inteiramente razoável como também sinceridade”. 
Nos requerimentos dirigidos à Câmara Municipal com pedidos para manter portas abertas das casas comerciais, encontramos muitos outros estrangeiros, como se segue: Henry Admas & Cia. (francesa), Teles Finizola (italiana), Frederico Antônio de Carvalho (português), Conrado Mayer (suíço), antigo empregado das Casas Graff , que ganhando muito dinheiro nesse giro de negócio, veio a se estabelecer por conta própria em Mossoró, e muitos outros. 
Segundo um levantamento feito pelo Professor Vingt-un Rosado e publicado em seu livro “Andanças pela história de Mossoró”, em 1871 existia em Mossoró 18 comerciantes estrangeiros. E esses estrangeiros, vindos dos mais diversos países do mundo, projetaram o nome de Mossoró para além fronteiras, através dos produtos que eram importados e exportados por esses comerciantes.
 
Geraldo Maia do Nascimento
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FAMÍLIA CAMBOA

Por: Grismarim
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Antonio Secundes Filgueira (Totô Filgueira), nascido em Mossoró, falecido em Natal a 16 de abril de 1952. Intendente em 1899/1901, ex-chefe do Executivo mossoroense nos triênios 1902/1904 e 1905/1907, cargo que exercia cumulativamente com o de Presidente da Intendência, tendo sido fatos importantes e principais de sua administração, a reforma do mercado público da cidade que custou aos cofres municipais em 1907 a importância de Cr$ 37.517,00, a restauração do serviço de iluminação com aquisição de 60 lampiões pela importância de Cr$ 2.350,00 e a inauguração da estátua comemorativa da Abolição, na Praça da Redenção, a 30 de Setembro de 1904.
Durante seus períodos administrativos verificou-se o fato do rio Mossoró ter passado trinta meses sem que a água corresse em todo o seu leito de 60 léguas, fato este, aliás, considerado assombroso para a época e para a região assolada que esteve por uma grande seca.
Antônio Secundes Filgueira integrava a Guarda Nacional no posto de Tenente Coronel, sendo seu comandante nesta cidade. Exerceu atividades comerciais em Mossoró e em Natal, para onde se transferiu em 1913. Era casado com Ismênia Galvão Filgueira (Vidinha), de quem descendem vários filhos.
Extraído do blog: "Família Camboa"

MOSSORÓ, LIBERDADE

Por: Geraldo Maia do Nascimento

O espetáculo “Auto da Liberdade”, que é encenado anualmente em Mossoró nos dias que precedem o trinta de setembro, é composto de quatro atos: a Libertação dos Escravos, a Revolta das Mulheres, a Defesa de Mossoró contra o bando de Lampião e o Primeiro Voto Feminino. O texto é de autoria do poeta Joaquim Crispiniano Neto.


Na primeira parte desta matéria tratamos de explicar como se deu a Libertação dos Escravos em Mossoró. Trataremos agora do episódio que ficou conhecido como a Revolta das Mulheres ou Motim das Mulheres de Mossoró.
O Motim das Mulheres de Mossoró foi um movimento de protesto ocorrido em 30 de agosto de 1875, contra a obrigatoriedade do alistamento militar para os jovens.
Corria o ano de 1875 e o país vivia uma fase de intensa vibração partidária. Vários movimentos populares estouravam no Brasil e o clima se agravou mais com a queda do Gabinete de 7 de março de 1871, presidido pelo Visconde do Rio Branco. Para substituir o Visconde, o Imperador convidou o Duque de Caxias para organizar o Ministério de 25 de junho. Ao assumir o Ministério, no entanto, Caxias deparou-se com uma medida extremamente impopular: o Decreto nº. 5.881 de 27 de janeiro de 1875, que aprovava o regulamento do recrutamento para o Exército e Armada. O objetivo do recrutamento obrigatório era de dotar o país de uma tropa de reserva treinada e não, como é anunciado por alguns órgãos da mídia, recrutar soldados para a Guerra do Paraguai, visto que a Guerra havia terminado desde 1870. Mas o recrutamento, que no momento era indispensável e lógico, exasperou o povo e constituiu elemento poderoso de irritação coletiva. E em quase todo o país estalaram tumultos provocados pela aplicação da lei do recrutamento.
No Rio Grande do Norte vários protestos populares surgiram contra a aplicação da tal lei. Em Arês, a 1º de agosto, homens e mulheres seguidos por um grupo de indígenas armados de faca e cacetes invadiram a Igreja Matriz e destruíram tudo que dizia respeito ao recrutamento como livros, papéis e editais. No mesmo dia, no município de Canguaretama, um grupo de homens e mulheres invadiram a Igreja onde estava sendo feito o alistamento, rasgando e queimando toda a documentação. Nessa luta, o capitão João Paulo Martins Nanninguer mandou dispersar o movimento à baioneta e ficaram feridas dezesseis pessoas. No município de Goianinha ocorreu movimento idêntico.
Em Mossoró, o movimento não passou em branco. Mais uma vez a fibra do povo mossoroense foi mostrada. Ninguém desejava que seus filhos fossem apanhados para o serviço militar, notadamente quando era sabido das intenções dos chefes políticos dominantes em darem preferência a filhos de adversários. Foi aí que um grupo de mulheres, inspiradas nos movimentos que estavam acontecendo no restante da Província, promoveram uma manifestação e conseqüente passeata pelas ruas da cidade, rasgando os editais afixados na Igreja de Santa Luzia como também livros e papeis relativos ao alistamento, encaminhado-se depois a redação do jornal O Mossoroense, onde destruíram cópias dos editais que ali estavam para serem publicados. Saindo dali, foram para a Praça da Liberdade, onde entraram em luta corporal com os soldados que haviam sido enviados para dominar a rebelião, tendo como resultado algumas mulheres feridas, só não assumindo conseqüências mais graves graças a interferência de outras pessoas que se encontravam no local.
O movimento contou com a presença de mais de 300 mulheres, que eram chefiadas por Ana Floriano, uma mulher alta, forte, de olhos azuis e cabelos louros, que vinha a ser a mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, fundador do jornal O Mossoroense. Outras mulheres que se destacaram no movimento foram Maria Filgueira, esposa do Capitão Antônio Secundes Filgueira e Joaquina Maria de Góis, mãe do historiador Francisco Fausto de Souza.
A 31 de agosto a Câmara Municipal comunica ao Presidente da Província o fato ocorrido. Este, por sua vez, exigiu que fosse feito um inquérito para levantar a responsabilidade pelo movimento, pedindo urgência nas providências e oferecendo, inclusive, reforço policial se necessário fosse. A peça processual, no entanto, desapareceu do arquivo do Departamento da Segurança Pública, não sendo tomadas outras providências.
Em ofício de 4 de setembro do mesmo ano, o Juiz de Direito de Mossoró, Dr. José Antônio Rodrigues, narra sua versão dos fatos ao Presidente da Província, Dr. João Bernardo Galvão Alcoforado Júnior. Na versão do Juiz, o movimento contava com um grupo de 50 a 100 mulheres, capitaneadas por D. Maria Filgueira, mulher do Capitão Antônio Filgueira Secundes, 3º Suplente de Juiz Municipal e D. Maria de Tal, mãe do jornalista Jeremias da Rocha Nogueira, pretenso chefe liberal.
O que diferenciou o movimento de Mossoró com os dos demais municípios, foi o fato de aqui ter surgido entre as mulheres, não tendo sido registrado a presença de nenhum homem. Eram mães, mulheres, irmãs e noivas defendendo os seus filhos, maridos, irmãos e noivos. Foi mais um capítulo da luta do povo mossoroense na defesa dos seus direitos e da sua liberdade.
 Geraldo Maia do Nascimento.
Todos os direitos reservados.
Extraído do Blog: Família Camboa

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BIOGRAFIA DE SANTA LUZIA, VIRGEM E MÁRTIR - Festa 13 de dezembro

Por: José Mendes Pereira

Segundo os religiosos Luzia ou Lúcia (Santa Luzia) nasceu em Siracusa, em uma ilha da Sicília. Era de família nobre e além do mais  muito bela. Devido os seus lindos olhos, deixou vários rapazes apaixonados. 
Luzia viveu entre os anos 283-304, no sécilo IV, já na era cristã, no período do  reinado do Imperador Dioclesiano.
 
Imperador Diocleciano
Luzia desde cedo decidiu  dedicar sua vida ao Senhor, quando fez votos de virgindade perpétua. Após a morte de seu pai, sua mãe lhe prometeu a um jovem, nobre, porém pagão. Luzia disse-lhe que iria pensar sobre o casamento, mas não aceitou, alegando que já havia se comprometido com Jesus. Eutíquia, sua genitora havia apanhado    uma grave doença. Com os conselhos de Luzia Eutíquia  resolveu ir ao túmulo de Santa Ágeda, que a curou da doença. Eutíquia agora queria a filha religiosa, e aprovou o seu voto de virgindade. Quem não gostou foi o seu noivo, que enfurecido denunciou Luzia ao Imperador Dioclesiano que a levou a julgamento. 
Luzia arrancou seus olhos, colocou-os em uma bandeija e os entregou ao noivo.  Mas em vez de ficar cega, surgiram outros olhos mais belos do que os de antes. Foi daí que surgiu a tradição de invocá-la como a protetora contra os males da visão.
O imperador Dioclesiano interrogou Luzia, mas ela não negou sua fé e nem abriria mão da sua virgindade. Pelo contrário, afirmou que seria uma seguidora de Jesus Cristo e sua fidelidade à Santa Madre Igreja. Dioclesiano também a obrigou a adorar os deuses falsos, em que Luzia se recusou dizendo-lhe: "Adoro somente meu único Deus e Senhor e a Ele prometi fidelidade e amor!"
Diocleciano insatisfeito com a desobediência de Luzia, mandou-a a um prostíbulo, como castigo pelo seu voto de virgindade. Mas sendo forçada, dez homens não tinham forças para levantá-la do chão. Decidiram matá-la ali mesmo. Os carrascos então jogaram-lhe azeite fervendo, mas Luzia saiu ilesa. Somente um golpe de espada que lhe deram na garganta foi capaz de matá-la.
Desde o século IV, ela é invocada como Santa. Em 1894, seu martírio foi confirmado após a descoberta de uma inscrição sobre seu túmulo em Siracusa, e cuja trazia sobre ele uma inscrição em grego antigo falando sobre a sua morte.
Fonte de Pesquisa:
MOSSORÓ EM FESTA
Catedral de Santa Luzia em Mossoró
Assista o vídeo da festa de Santa Luzia no ano de 2008 em Mossoró - Novenário - imagens: Santa Luzia Tv

 Amanhã, 13 de Dezembro será realizada em Mossoró a maior procissão de Santa Luzia no Nordeste. As ruas ficarão lotadas de religiosos mossoroenses, das cidades do Estado do Rio Grande do Norte e outros dos Estados vizinhos. Quem nunca viu, ainda dá tempo para percorrer as ruas e praças de Mossoró seguindo a Santa Luzia. É uma das mais belas festas que Mossoró realiza a cada fim de ano.
 

Vem aí mais lançamentos com a marca Antônio Amaury


 Por: Eduardo Dorea

Antonio Amaury, Dorivan Amaro e Lemuel Rodrigues, em tarde de Cariri Cangaço

Prezados amigos, na próxima terça-feira, 13 de Dezembro, às 16h 30min, na Assembléia Legislativa do Estado (CAB) , estarão sendo lançados dois volumes sobre o cangaço.

1. Maria Bonita ; selo: Gente da Bahia
2. Corisco e Dadá; selo: Cangaço

Ambos os livros são do Dr. ANTONIO AMAURY CORREIA DE ARAÚJO, paulista, maior especialista sobre o tema CANGAÇO, com dez livros publicados sobre este tema.Ele estará presente ao evento, autografando os volumes.

Eduardo Dorea
http://cariricangaco.blogspot.com/
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/

Dom Helder Câmara, o Apóstolo da Paz

Por: João de Sousa Lima


DOM HELDER CÂMARA, O APÓSTOLO DA PAZ.
Dom Helder foi um mensageiro da paz, um homem voltado para os problemas do seu povo e um profundo defensor das causas dos pobres e oprimidos.
Nasceu no dia 07 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará. 

No dia de março de 1964 foi indicado pelo Papa Paulo  VI para ocupar a Arquidiocese de Olinda e Recife.
Dom Helder escreveu 22 livros traduzidos para 14 idiomas. Dentre vários prêmios literários que recebeu, ganhou o prêmio Italiano “Melhor Escritor Sobre Os Problemas  Do Terceiro Mundo”.
Concebeu a Comissão de Justiça e Paz, defensora de presos políticos e perseguidos pela ditadura militar e dos excluídos da sociedade. Foi precursor na luta contra a fome e a miséria no Brasil.
No dia 27 de maio de 1989, o arcebispo sofreu um duro golpe. Padre Henrique Pereira Neto, seu colaborador na Arquidiocese de Olinda e Recife foi encontrado trucidado no bairro Cidade Universitária, Recife. O crime é atribuído até hoje às forças de repressão. No dia 4 de setembro de 1970 sua residência foi pintada com a frase “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
De 1970 a 73 uma campanha o afastou do prêmio Nobel da Paz. Alguns documentos provam que o governo Médici (1969 a 1974) moveu, por meio da embaixada, uma campanha secreta contra a eleição do arcebispo para o Nobel da Paz.
No dia 08 de julho de 1980, na primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil e Recife, dele recebeu o título de “Irmão dos Pobres e Meu Irmão”.
Dom Helder faleceu aos 90 anos, no dia 27 de agosto de 1999, às 22h20, de insuficiência respiratória aguda, em sua residência, na igreja fronteira, onde morou por 31 anos.

FRASES DE DOM HELDER:
“ o maior dos mandamentos é amar a Deus de todo coração, mas há um mandamento igual que é amar o próximo”
“O segredo da perene juventude de alma é ter uma causa a que dedicar a vida”
“Quando os problemas se apresentam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes”
“Ajudar  a criar um mundo mais humano é um dos sonhos de minha vida”
“A imagem que gostaria que ficasse de mim é a imagem de um irmão”
O bispo dos deserdados, o intelectual e humanista, o Pastor que empreendera uma longa jornada  contra a miséria e contra  opressão deixou como legado a verdadeira missão dos homens que decidem viver  para o bem do próximo.
Enviado pelo o escritor e pesquisador do cangaço
João de Sousa Lima 

O MAIS ANTIGO TEMPLO CATÓLICO DO BRASIL

Por: Rostand Medeiros
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Destacamos, neste trabalho, a Igreja mais antiga que se tem conhecimento, e que se encontra em pleno funcionamento: ela encontra-se no município de Igarassu no Pernambuco.
Após a vitória dos portugueses sobre os índios Caetés, nativos daquela região, no ano 1535, por ordem do Capitão Afonso Gonçalves, foi mandado erigir, no local da vitória, uma capela votiva consagrada aos Santos Cosme e Damião. Seu estilo é simples e tende para o maneirista.
Durante o período da invasão holandesa a  Igreja de São Cosme e Damião foi depredada, mas reconstruída em 1654. Em 1950, passou por uma restauração que a deixou mais próxima das características iniciais.  O monumento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 25 de maio de 1951.
Igarassu (na língua Tupi: IGA = Canoa +  AÇU = Grande), é  considerado o primeiro núcleo de povoamento do país e  fica a  30km do Recife, no litoral norte da Região Metropolitana, às margens da foz de um rio ao lado da ilha de Itamaracá.
Sendo praticamente um porto natural, o local foi muito requisitado pelos portugueses  à época do descobrimento. Suas caravelas ficavam às margens da área onde posteriormente surgiu a vila, que, segundo a tradição, teria sido fundada em 27 de setembro de 1535.
Ao contrário do que muitos imaginam, foi em Igarassu, e não em Olinda, que os portugueses inicialmente se estabeleceram. A localidade de Sítio dos Marcos já contava em 1516 com um dos principais ancoradouros do litoral brasileiro.
Convém destacar que, desde o descobrimento oficial, em 21 de Abril de 1500, até a década de 1530 não houve uma colonização efetiva do território brasileiro. Essa colonização só ocorreu diante da ameaça de outros países europeus “roubarem” da coroa portuguesa o território recém-descoberto. Como é sabido por todos, Pernambuco tornou-se a base para a exploração do norte da colônia.
Aos Santos Cosme e Damião é atribuído  o  milagre  ocorrido no ano 1685, quando as cidades de Recife, Olinda, Itamaracá e Goiana foram assoladas pela febre amarela e Igarassu escapou ilesa da praga.
Outro fato curioso: Igarassu tem um vereador perpétuo: Santo Antônio! O Santo recebe um salário mínimo por mês, que gentilmente é doado por “ele” à manutenção de um orfanato na cidade.
Todo dia 27 de setembro celebra-se o dia dos padroeiros de Igarassu em uma das mais antigas e tradicionais festas populares do País.
FOTOS – ROSTAND MEDEIROS
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Extraído do blog do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

DIÁLOGO DE CANGACEIROS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

DIÁLOGO DE CANGACEIROS
A luta deu uma trégua. Pausa de meia hora apenas, com todos cansados da correria, do embrenhamento no meio dos matos, na incessante fuga para novas estratégias de defesa e ataque.
O Capitão acabou confessando que o seu bando havia debandado sangrando na pele por culpa de alguns que teimavam em não prestar atenção no que dizia. Impossível que cabra vivendo na mataria, conhecendo veredas e cada ponta de espinho, se descuidasse das artimanhas do inimigo.
Não havia como aceitar que o grupo se dispersasse em nenhum momento, com cangaceiro se atrasando no caminhar e outro querendo seguir por vereda diferente. Logo ali que sabiam da proximidade da volante, da certeza que a macacada poderia começar a disparar a qualquer instante por detrás de uma pedra, de uma moita, de um serrote.
Foi por isso que Tiziu teve o chapeu de couro estrelado resvalado pelo fumo do mosquetão. Biribeira foi ferido na perna e Quixame quase se despede da vida. Nunca mais fizessem isso, pois o bom costume cangaceiro ensinava que o grupo andasse unido na parte detrás, silenciosamente por entre a mataria, enquanto algum cabra era escolhido para fazer a vistoria mais adiante. Quando o cancão piava já se sabia de tudo.
Besteira de todo mundo e até do próprio Capitão, ele mesmo reconhecia. Meia hora atrás e uma chuvarada de bala zunindo por todos os lados, coisa de parecer pelotão de mais de cem homens. Mas que nada, apenas cinco cabras da volante que tiveram de atirar para não morrer, coisa que não conseguiram. Iam se juntar com a tropa do outro lado do rio e deram azar de cruzar o caminho do bando do Capitão.
Não era porque os cinco ficaram lá estendidos por cima de mandacarus e xiquexiques que aquela empreitada havia sido sucesso não. De jeito nenhum. O pequeno grupo, mesmo amedrontado de lascar, havia sido valente demais, destemido até não poder suportar a guerrilha cangaceira. Ainda assim derramaram as armas pra qualquer direção e quase fazem um estrago danado.
O silêncio raivoso do capitão já dizia tudo. O homem estava com cara de poucos amigos e acenando que logo mais teria uma conversa séria com todo mundo, bastando se amoitar num cantinho e preparar folhagem medicinal para cuidar dos feridos. Por isso mesmo que todo mundo ficou caibreiro, amedrontado, temendo o que sairia da boca do comandante maior do sertão.
Bonome, cangaceiro conhecido por gostar de fazer presságio, querer adivinhar o futuro, logo chamou Terto num canto e começou a segredar. E disse que das duas uma: ou o Capitão iria fazer a terra tremer ou aconteceria o pior, que era ficar em silêncio. E o outro não entendeu nada, mas logo perguntando por que se o homem ficasse calado seria melhor.
E Bonome prosseguiu, tentando dar claras explicações. E asseverou que se o silêncio fosse o preferido era porque o Capitão estava desgostoso demais com aquela vida, com aquela sina de viver de lado a outro tendo que matar pra não morrer, perseguido como uma fera ruim e tentando passar a ideia de que não comandava apenas um bando de matadores e arruaceiros, mas de pessoas vitimadas pelas injustiças sociais. E por isso mesmo fazia da luta cangaceira o seu grito maior contra todas as tiranias.
E disse mais que o se o chefe permanecesse carrancudo, sem dizer palavra, apenas assuntando com a natureza ao redor, era sinal de que não demoraria para uma mudança muito importante ser empreendida. Muita coisa poderia acontecer, mas no seu entendimento o bando seria disperso, desfeito, com cada um seguindo o seu destino, ou ele empreenderia a luta maior de sua vida, a mãe de todas as batalhas, para não deixar mais dúvida de quem mandava mesmo naquele sertão nordestino.
Mas não teria sentido algum vencer, pois a vitória seria a mesma derrota, a conquista não traria paz ou benefício algum, seria apenas um gesto simbólico para dizer que o cangaço pôde ir até onde quis. E depois? Em seguida a sina dos bandidos, do enclausuramento, da segregação, do apodrecimento nas prisões da história, pois os cangaceiros nunca deixariam de trazer consigo a feição da perversidade, da maldade, da bandidagem, ainda que a justeza do homem seja distorcida pelo conceito que o dito honrado faz.
E Lampião preferiu o silêncio. Sabia que também tinha erros demais para ignorantemente tentar corrigir os outros. Não adiantava dizer mais nada. Já sabia de tudo, sabia o que aconteceria a qualquer instante. Preferiu o silêncio até que o grito chegasse.

Rangel Alves da Costa 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com