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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O GUERREIRO ALCINO VENCE GRANDE BATALHA

Alcino Alves Costa, diante de todas as adversidades,  vence batalha e retorna para os amigos.
é momento de comemorar, é tempo de colher as glórias e de saborear os encantos da vida de um dos mais sublimes guerreiros da pesquisa histórica do cangaço.
Alcino é dessas pessoas que marcam nossas vidas e sua ausência deixa grande lacuna.
sua recuperação é motivo de alegria e é assim que estou me sentindo desde que recebi a notícia de sua plena recuperação.
desejo ao grande amigo, decano de Poço Redondo, felicidades e muita saúde.
grande abraço amado amigo e que Jesus Cristo lhe abençoe cada dia mais.


A perversidade praticada com o cangaceiro Jararaca


Segundo o historiador Raimundo Soares de Brito (Raibrito), no seu livro "Nas Garras de Lampião", página 104, publicado no ano de 2006.

Raimundo Soares de Brito, Aldivan Honorato e Vingt-un Rosado - 1980

Depoimento cedido por Pedro Sílvio de Morais

"De todas as ocorrências daquela noite (em junho de 1927), a que mais o comoveu foi quando os seus coveiros quebraram, com picaretas e coices de armas, as pernas do infeliz bandoleiro, pois a cova que fora cavado antes era muito pequena". Pelo exposto, chegou-se à conclusão de que houve realmente requintes de perversidade na morte de Jararaca. 

Fonte:
"Nas Garras de Lampião"
Autor:
Raimundo Soares de Brito
Ano de publicação:
2006

Visita do projovem de quatros comunidades de Serrinha

Por: Guilherme Machado
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Visita do projovem de quatros comunidades de Serrinha: Alto de Fora, Urbis, Novo Horizonte e Vila de Fátima, sobre a coordenação do professor Neilton Miranda e da coordenadora Patricia. Apoio da Secretaria de Ação Social do municipio. A visita ao Portal do Cangaço de Serrinha, foi na última sexta feira, dia 05 de maio de 2012.

 
Alunos do projeto Projovem Adolecente, de várias comunidades urbanas de Serrinha, ficaram maravilhados com a saga de Lampião e Maria Bonita.

 
Coordenadora do Projovem explicando aos alunos do Projovem: Detalhes do Portal do Cangaço de Serrinha -  Bahia.

 
Alunos atentos ao Portal do Cangaço, impressionados com peças e apetrechos dos cangaceiros.

 
Guilherme Machado mostra a saga da História de Canudos, e seu lider maior: Antonio Conselheiro e sua gente conselheristas.

 
Alunos ficaram horrorizados com a História do Cangaciro Ferrador:  Zé Baiano e suas vitmas,  ferradas.

 
Pro jovens atentos na vitrine com peças do Cangaço. Perguntam e fotografam sem pararem.

 
Alunos apostos, a ouvirem do curador Guilherme Machado. Toda uma História do Nordeste e seus personagens.

 
Guilherme Machado exibe aos alunos o luxuoso livro: Bonita Maria  do Capitão, da escritora Vera Ferreira, Neta de Lampião.

 
Bonita Maria do Capitão, livro de Vera Ferrira e Germana Goçalves de Araújo -  bom de se ver e Ler.

 
Foto oficial de despedida do Projovem Adolecente de Serrinha, ao Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

 
Guilherme Machado, professores, coordenadores e alunos do Projovem Adolecentes, na entrada do Portal do Cangaço de Serrinha -  Bahia.

Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha - Bahia, do pesquisador Guilherme Machado

A Fé que Move o Sertão da Mata...... Vem aí: Sedição de Juazeiro...

TENENTE JOAQUIM DE MOURA, ASSASSINO DE CHICO PEREIRA

Chico Pereira, constituinte de Café Filho, assassinado pelo então Tenente Joaquim Teixeira de Moura, no governo de Juvenal Lamartine de Faria

Do mediocridade-plural.blogspot.com.br
Por Laélio Ferreira

Sobre JOAQUIM DE MOURA, Oficial da Força Pública do RN, matador de CHICO PEREIRA, In "Othoniel Menezes - Obra Reunida", "Sertão de Espinho e de Flor - Canto 11 ("taquigrafado numa feira")", com Nota de Laélio Ferreira (Honório de Medeiros):

"- Mermo prus perré [1] ,agora,
Café Fio é a lui da oróra,
Papai Noé do Brasí...

- Ante dele sê tão grande,
cafeísta era no frande [2]
na virola e no fuzí...

- Coração de mé de abêia,
o Café, ocês me creia,
imbora impate robá,
vai dá ciloura [3] e camisa
inté a Joaquim Marfisa [4],
se de tanto percisá...

- Cum tanto do “amigo novo”,
vai mái é ficá pru povo
deferente - é de amaigá!

Num adianta, esse luxo
de teimá sê péla-bucho [5]...
- camalião, vai pra lá! [6] "

[1] Nota de OM.

[2] Idem, idem.

[3] Ceroula, cueca.

[4] Joaquim Teixeira de Moura - Referência velada, ferina, ao Coronel da Polícia Militar do RN. Durante o relativamente curto período do governo (1928-1930) de Juvenal Lamartine de Faria (1874-1956), esse oficial notabilizou-se pela violenta repressão aos correligionários – e à própria família - do futuro Presidente Café Filho, inimigo político do Governador. Ficou célebre, quando tenente, em 1928, pelo frio assassinato de um certo Chico Pereira, acusado de roubo no interior do Estado e constituinte de João Café – que era advogado provisionado. Itamar de Souza, in "A República Velha no Rio Grande do Norte", conta, com detalhes, a terrível façanha do militar. Outro escritor, Ivanaldo Lopes – por sinal, filho de um outro coronel -, no livro Oficiais da PM (1980), retrata Joaquim de Moura como “quase perverso por obrigação do ofício”, revelando que “... às vezes, quando o sacrifício era próximo a núcleos residenciais, sepultava o bandido em cova rasa, ainda vivo, mas inerte, mantendo apenas a respiração ofegante de moribundo. Tanto assim era, que, em muitos casos testemunhados por transeuntes, as reações da vida faziam surgir do túmulo um braço ou uma perna, denunciador de alguém ali sepultado.”

[ 5] Ver nota de OM, adiante.

[6] OM, nesta e na sextilha anterior, critica João Café Filho – que praticamente nada fez pelos amigos da primeira hora, esquecendo-os quando assumiu o poder. Othoniel foi um dos que se desiludiram das promessas do político."

Extraído do blog do professor e pesquisador do cangaço:
Honório de Medeiros 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Cangaceiro Moreno - Publicado em 09.09.2010

O ex-cangaceiro Moreno com o historiador baiano João de Sousa Lima.(Foto: Blog do historiador João de Sousa Lima)

Morre Moreno, remanescente do bando de Lampião

O pernambucano Antônio Ignácio da Silva tinha 100 anos e morava em Belo Horizonte com o nome José Antônio Souto, adotado ao sair do bando

BELO HORIZONTE - Um dos últimos cangaceiros integrantes do bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, o pernambucano Antônio Ignácio da Silva morreu aos 100 anos na última segunda-feira, em Belo Horizonte. O corpo de Moreno, como ele era conhecido no cangaço, foi enterrado na manhã de terça-feira (8/9/2010/, no Cemitério da Saudade, na capital mineira, em meio a uma chuva de fogos de artifício.

O ex-cangaceiro, nascido em Tacaratu (457 quilômetros do Recife) e que adotou o nome de José Antônio Souto após deixar o bando, vivia em Minas havia 70 anos, para onde fugiu junto com a mulher, Jovina Maria da Conceição, conhecida com Durvinha - que faleceu em 2008, aos 93 anos.

Ele foi descoberto pelo pesquisador João de Souza Lima, que escreveu o livro Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço. Moreno faria 101 anos em 1º de novembro e morreu vítima de insuficiência respiratória, segundo Neli Maria da Conceição, de 60 anos, filha do casal.

"Depois que minha mãe morreu ele ficou meio triste, depressivo. Estava muito fraquinho. Acabou ficando numa cadeira de rodas. Ultimamente ele pedia muito que a mãe dele o buscasse porque não via mais sentido na vida dele", disse Neli. "Ele morreu igual a um passarinho, sem sofrimento, sem nada."


Moreno e Durvinha tiveram seis filhos. Na busca pelo irmão mais velho, Inácio Carvalho Oliveira, atualmente com 72 anos, que havia sido deixado pelo casal de cangaceiros em Tacaratu, foi que Neli descobriu, em outubro de 2005, a verdadeira história dos pais. "Era um segredo dos dois, do meu pai e de minha mãe. Queriam que esse segredo morresse com eles. Eles ainda tinham medo de serem descobertos e mortos."

O casal chegou a Minas no fim da década de 1930, fugindo dos ataques das forças federais que dizimou o grupo de Lampião - morto em 1938. Após quatro meses de fuga, margeando o Rio São Francisco, eles se estabeleceram na cidade de Augusto de Lima, na Região Central do Estado. Adotaram novas identidades e prosperaram vendendo farinha. No fim da década de 1960, o casal se mudou para Belo Horizonte.

Durante o sepultamento na região leste da capital, parentes e amigos assistiram a uma chuva de fogos de artifício. Foi um pedido de Moreno. "Porque ele nunca imaginou que teria o privilégio de ter uma cova. Sempre achou que ia ser morto, ter a cabeça cortada e ser comido por bichos no mato como os outros cangaceiros", explicou Neli.

CINEMA

A história do casal Moreno e Durvinha será contada no documentário O Altar do Cangaço, dirigido pelo cineasta cearense Wolney de Oliveira, que compareceu ao enterro.Há mais quatro ex-cangaceiros vivos: José Alves de Matos (Vinte e Cinco), Manoel Dantas (Candeeiro), Aristeia Soares de Lima e Dulce. Todos com mais de 90 anos.

Fonte: Jornal do Commercio

Cangaço perde último homem, em BH, que fez parte da trupe de Lampião
José Antônio Souto tinha 100 anos e morreu na região norte da capital.
Filme sobre a vida dele deve ser lançando em 2011.
Alex Araújo e Cíntia Paes
Do G1 MG

Com 100 anos e debilitado, o ex-cangaceiro José Antônio Souto, conhecido como Moreno, que morava em Belo Horizonte, morreu na última segunda-feira (6). Souto foi enterrado no Cemitério da Saudade, região leste da capital mineira, com muitos fogos de artifício. Um filme que conta a vida dele nos sertões nordestinos deve ser lançado em 2011. Moreno era um dos últimos integrantes do grupo de Lampião.

De acordo com o filho Murilo Antônio Souto, de 63 anos, o pai estava acamado e, apesar de consciente, estava fraco e se alimentava mal. "Ele tinha muito cansaço e não andava", disse Souto, que morava com o pai. O homem centenário, que tinha complicações cardíacas, teve uma parada cardiorrespiratória em casa, no bairro Tupi, região norte de BH, e não resistiu.

Ainda segundo Souto, o pai deixou seis filhos - cinco deles moram em BH - e o outro no Rio de Janeiro. "A quantidade de netos eu nem sei, precisaria contar", falou.

A vida do ex-cangaceiro Moreno será retratada no longa-metragem documentário "Os Últimos Cangaceiros", que deve ser lançado em novembro deste ano em festivais de circuitos nacional e internacional. "Aqui no Brasil, a estreia está prevista para o fim do primeiro semestre de 2011", contou o cineasta cearense Wolney Oliveira.

Ele explicou que usou imagens antigas do ex-cangaceiro com a mulher, Jovina Maria da Conceição, a Durvinha, e fotos de jornais. Ainda segundo Oliveira, para produzir o filme, a equipe visitou os estados de Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro. "Temos imagens da década de 1936", exemplificou.

No filme, segundo Oliveira, algumas histórias são destacadas como a sobrevivência de Moreno no ataque que vitimou Lampião e dos policiais, conhecidos como "Macacos", que faziam as implacáveis perseguições contra os cangaceiros. "Mas ele (Moreno) era temido pelos policiais. Houve uma época que mil deles caçavam Moreno". Oliveira destacou, ainda, que há 45 longas de ficção sobre o cangaço, mas que o filme dele é o primeiro documentário.

Moreno na história

O historiador João de Sousa Lima, escritor do livro "Moreno e Durvinha: sangue, amor e fuga no Cangaço", falou ao G1 sobre a morte do cangaceiro José Antônio Souto. "Ele foi muito importante no contexto histórico do Cangaço pela amizade com Virginio, cunhado de Lampião, por ter assumido Durvinha", disse.

Segundo o historiador, Moreno era um ótimo atirador, e muito arisco. "Altamente arisco. Matou mais de 20 pessoas e nunca sofreu um tiro. Bom de mira."

Lima conta que, depois que Virginio morreu, Moreno assumiu a liderança do grupo dele. E se casou com Jovina Maria da Conceição Souto, a Durvinha. Após a morte de Virgulino Ferreira, o Lampião, em 1938, Moreno, segundo o historiador, ainda perambulou por dois anos na região entre Pernambuco e Alagoas,

Do grupo reunido por Lampião no início do século XX, quatro ainda estão vivos. De acordo com Lima, todos já têm mais de 90 anos. Manuel Dantas Loyola, o Candeeiro, hoje mora em Buique (PE) e José Alves de Matos, o 25, mora em Maceió. E ainda tem mais duas mulheres cangaceiras, segundo João de Sousa Lima: Dulce, em Campinas (SP), e Aristeia Soares de Lima, que mora em Paulo Afonso (BA).

Fonte: globo.com


Lembrando ao leitor que só restam três cangaceiros:
Candeeiro, Vinte e Cinco e a cangaceira Dulce.

Enquanto não vem cangaço - Pepe Moreno - O cego e três aleijados

Ninguém sabe o que a natureza tem para nos dar


O homem é apenas um minúsculo grão de areia, que só Deus sabe quanto ele vale. Dois primos, o esposo cego, e do amor que nasceu, três filhos paralíticos. 

SOBRE JUMENTOS E HOMENS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

SOBRE JUMENTOS E HOMENS 


Não é sem razão que determinados bichos são conhecidos por gostar de serem usados, abusados, chicoteados e até feridos pelos seus donos. Tem animal que fica quietinho esperando ser esporado.

E se alastram os exemplos, pois boi só fica mansinho quando apanha muito. Deveria ser o contrário, dando coice em cada um que quisesse mudar seu instinto animal. Já cachorro, ainda que mostre brabeza, coloca o rabinho entre as pernas se o seu dono fala raivoso ou gritando.

Com o jumento e o burro é pior ainda. Se há bicho que gosta de sofrer, se submeter, ser realmente escravizado, aí está o exemplo maior. Raça nascida pra carregar fardo, levar no lombo a preguiça do mundo, servir de transporte onde nenhum outro animal suportaria chegar. E tudo no passo de sempre, num contentamento eterno.

Se mordesse, desse coice, derrubasse todo aquele que golpeia o seu lombo, esporeia até sangrar as ancas, coloca venda nos olhos para seguir numa só direção, então talvez fosse mais respeitado. E animal respeitado requer melhor tratamento. Basta se impor com a fuga, com a mordida, o coice, a queda no malvado.

E com muita gente não é diferente. Enquanto alguns lutam com todas as forças para se verem respeitados, terem os seus direitos garantidos e suas dignidades preservadas, outros se contentam em se deixar submeter, subjugar, sofrer pela mão e botina de muitos outros que se acham donos do mundo.

Tem gente que até merece. Quanto mais apanha mais gosta, quanto mais é escravizado mais beija na mão do feitor, quanto mais é humilhado mais se deixa dominar. O couro cru corta as costas e pede mais, os grilhões enlaçam sua honra e se finge de contente, se despe de toda nobreza e caráter em troca de agradar quem não merece sequer um olhar.

Grande parte dos seres humanos deveria aprender a viver e a se comportar com simples coisas existentes na vida. A casa de barro só é de barro porque não tem jeito. É assim mas nunca se acostumou com essa situação. Se pudesse seria toda de tijolo e cimento, de pedra ou até de ouro.

Comer um pão pra matar a fome é uma coisa, comer pão seco tendo outro alimento é coisa muito diferente. Duvido que a barriga acostume com a mesmice se vive sonhando com novas cores, sabores e texturas. A namorada só ganhou uma bijuteria de presente de aniversário porque ele fez tudo o que pôde e não conseguiu arranjar uma pequenina joia. Seu desejo era alegrar o coração dela de uma forma diferente, mais brilhante e apaixonante.

Mas ora, ninguém anda de pés descalço no asfalto quente só porque dizem que andar com chinelo na mão passa uma ideia de liberdade, de aversão ao normal e corriqueiro, de se sentir mais próximo do homem em seu estado natural.

Ninguém quer a chuva quando espera o sol; ninguém bebe vinagre se deseja vinho; ninguém quer o vermelho se lhe falta o azul; ninguém quer a lágrima quando quer sorrir. Ninguém espera ter o que simplesmente vem, principalmente quando não aceita tudo que vier.

Ora, mas por que falo tanto em outras opções, em desejos diferentes, em ter as coisas de um modo diferente do que geralmente se tem? Simplesmente para dizer que a cada um é dado o direito de querer o melhor, de escolher o melhor, de lutar pelo melhor. Do contrário seria atirar no próprio pé, jogar pedra na janela da própria casa, pegar uma navalha para ferir a pele, fazer tudo para adoecer porque logo buscará a cura.

Idiotia tem seu preço, subserviência também. Aquele que inocentemente se ajoelha para ser castigado não merece levantar; aquele que transfere um erro do outro para si próprio não merece ser perdoado; aquele que finge não sofrer para continuar apanhando merece ser calado de toda sorte. E aquele que se reconhecendo inocente se deixa penalizar é porque não merece ter liberdade alguma.

A bem dizer, tem gente que se animaliza, se torna objeto de uso. Mas animal que se preza detestaria ser gente assim.



Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Aroma de brisa (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa


Aroma de brisa


Ai... e esse silêncio na alma
essa mudez velada no horizonte
em tudo plangência tão calma
porque não há alegria no olhar
não há contentamento em nada
enquanto a tarde não chegar
no seu passo trouxer uma brisa
para o meu coração se encantar

e quanto encanto nesse canto
bachiana para flauta e esperança
um danúbio valsando no ar
a tarde inteira se enlaça na dança
porque o aroma da brisa a exalar
é belo jardim de infinita pujança
porque meu amor vem dançar
chegando suave a pétala avança
doce perfume de amor e amar.



Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A velocidade do tempo

Por: Onaldo Queiroga
 Um dia desses encontrei um amigo que há tempo não o via, porém, tive a nítida impressão que o nosso último encontro tinha sido no dia anterior. O tempo voa e como já disse o poeta Cazuza "o tempo não pára". Não sabemos ao certo o que realmente está acontecendo, porém existe no ar uma sensação de que tudo ganhou velocidade.

Acordamos, tomamos café e partimos para a labuta, todavia, num abrir e fechar dos olhos já estamos diante do crepúsculo, anunciando a chegada da noite com a sua escuridão e o nosso olhar fitando uma rede busca logo deitar o cansaço de mais um dia.

Mas, não é só o dia que ganhou incrível velocidade. Logo começa o mês e já o carteiro nos aparece trazendo aquelas indesejáveis correspondências do fim do mês, sim, contas e mais contas: sejam de energia, de telefone, de água, de um cartão de crédito etc...

Como seria bom se essa velocidade do tempo parasse por ai! No entanto, os anos também resolveram correr, entrar no clima da alta velocidade e, com isso, as pessoas estão cada vez mais carregando a sensação do passar rápido dos anos, pois mal terminamos de usufruir a folia carnavalesca, logo já estamos degustando os deliciosos chocolates da páscoa ou mesmo uma canjica, uma pamonha e um pé-de-moleque do período de São João. Quando nos damos conta, como bem diz o ditado sertanejo, o ano já entrou nos denominados "bro". Sem percebermos, o feriado do sete de setembro já se foi, como também o do quinze de novembro. E, lá estamos nós, sentados em frente à televisão, assistindo à São Silvestre, e numa reunião de família passamos pela noite de natal. Em seguida, novamente diante da televisão conferimos a retrospectiva do ano, assistimos à queima de fogos a iluminar os céus; a luz, então, se apaga e amanhece um novo ano.

Será que o tempo encurtou? Certamente não. Mas o que na verdade vem proporcionando essa sensação de encurtamento do tempo? Muitos sinalizam para o fato de que essa sensação teria sido em decorrência do rápido desenvolvimento dos meios de comunicação e de transporte. É que, no início do Século XX, a comunicação de uma localidade para outra era difícil, as notícias chegavam por mensageiros, pelo telégrafo e pelo rádio, os quais, na época eram peças raras. O transporte desse tempo era restrito: ao cavalo, ao trem e poucos carros. Com isso, a vida caminhava a passos mais tranqüilos e lentos.

Hoje, a realidade é outra, posto que tanto a comunicação como o transporte evoluíram de forma tal que um avião nos leva num dia só para vários destinos e, concomitantemente, se utilizarmos um note-book, podemos ter acesso a diversos portais da internet e lá checar informações de todo o planeta, além de nos comunicarmos com pessoas de vários pontos do mundo.

O fato é que o homem deve entender que evoluiu materialmente, todavia, o ter não deve sucumbir o ser, pois é no espírito que repousamos os passos lentos e sábios da paz e do
amor.
  
Autor:   Onaldo Queiroga

Extraído do blog "Folha do Delegado", do Dr. Archimedes Marques

+autores/a+velocidade+do+tempo

Vídeo Show celebra 30 anos de "Lampião e Maria Bonita"


Há 30 anos... direto do Túnel do Tempo...
O Vídeo Show relembrou os 30 anos da minissérie "Lampião e Maria Bonita", a primeira da TV Globo. 


Exibida entre abril e maio de 1982, em 8 capítulos, os protagonistas Nelson Xavier e Tania Alves relembram este clásico da dramaturgia brasileira, escrita por Aguinaldo Silva e Doc Comparato.



Minissérie Sedição de Juazeiro.

Por: Aderbal Nogueira

Amigo Mendes.

Segue o link do clip de divulgação do Making of  e da minissérie Sedição de Juazeiro.

Espero que os amigos gostem.

A minissérie já está pronta e logo a FGF TV vai exibí-la para todo o Ceará.

Aderbal Nogueira


Enviado pelo cineasta e pesquisador do cangaço:
Aderbal Nogueira

CANGAÇO EM DEBATE NA CELEBRAÇÃO DAS CULTURAS DOS SERTÕES


O cangaço foi tema de um debate concorrido e caloroso, com questões sobre as intenções, táticas e estratégias dos cangaceiros. Na última segunda-feira (7), dia de abertura do I Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões, evento integrante da Celebração das Culturas dos Sertões, em Feira de Santana, a sessão de convidados teve como tema “Fatos e Casos do Cangaço”. “Ainda há muita pesquisa a ser feita sobre a história e culturas dos sertões, momentos de discussões como essa provam isto”, disse um dos coordenadores do Encontro, o historiador e pesquisador da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Roberto Dantas, que destacou ainda a qualidade dos trabalhos apresentados e a paixão com que os temas foram debatidos.

A mesa de abertura do Encontro foi composta pelos pesquisadores Bráulio Tavares e Alexei Bueno e contou com a participação do secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim. Juntos, eles deram início ao primeiro encontro reunindo pesquisadores e estudantes com temática específica sobre o sertão, que acontece até amanhã, terça-feira, dividido entre sessão de convidados e sessão de comunicações, esta, coordenada por Alberto Freire, que recebeu 42 trabalhos, dentro os quais 15 foram selecionados.

Ainda nesse dia aconteceram a Oficina de Xilogravura, ministrada por José Luis Natividade, a reapresentação do espetáculo teatral “Eh Boi”, a exibição do longa “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha, e o espetáculo de fantoches “Universo Sertanejo”.

Neta de Lampião

Vera Ferreira, pesquisadora e neta de Lampião e Maria Bonita, uma das convidadas do evento, apontou a dificuldade de pesquisar o cangaço por causa da inconfiabilidade com as fontes. “Eu tenho jornais de cinco estados diferentes, na mesma data, relatando que meu avô se encontrava lá. Essas desinformações acabam sendo armadilhas para os pesquisadores. Eu não quero mudar a história de Lampião, o que quero é que ela seja contada com seriedade”, disse Vera.

Para a pesquisadora Luitgarde Barros, o cangaço serviu a classe dominante do país. “A ciência, a arte e a história são criações ideológicas. Com o cangaço não foi diferente. O cangaço foi o neoliberalismo possível da sociedade agrária brasileira da época”, disse a pesquisadora. A mesa cedeu espaço ao público, que questionou os pontos de vista e participou ativamente do debate.

Sertão musical e contemporâneo

A noite deste segundo dia de evento foi dedicada à música. Mas não à música tradicional. Os artistas e grupos que se apresentaram no Centro de Cultura Amélio Amorim misturaram referências, cordel com pop, rock com ciranda, maracatu com clássico, juntando acordeons com violoncelo, viola com alfaia em belíssimas performances.

Maviael Melo abriu a noite com uma apresentação recheada de poesia e causos do sertão, com referências ao cordel, mostrando as canções que já lhe renderam premiações em festivais. Já o grupo Sertanília, que praticamente lotou o cine-teatro, fez um espetáculo empolgante, com uma música essencialmente brasileira, baseada na mistura, com canções que trouxeram como referência obras como “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosas. Ambos, Maviael e Sertanília, fizeram desta uma noite alegre, cheia de público jovem, que mostrou o quanto atual e contemporâneo também é o sertão.

Fonte: SECULT

DESEJOS IRREALIZÁVEIS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa


Sempre o dinheiro, sempre o poder econômico, sempre o aspecto da riqueza interferindo em tudo, até mesmo nos desejos mais singelos. E por faltar recursos para concretizá-los, a cada dia que passa sinto que determinados desejos vão se tornando cada vez mais irrealizáveis.

Tem gente que tem dinheiro o bastante para comprar o que quiser, fazer viagens ao espaço, apenas dizer o que deseja e logo estará ao seu alcance. Já outros, como eu, logo têm de se deparar com a consciência das limitações e simplesmente continuar sonhando sem jamais realizar.

Verdade é que alguns com tantos e outros com quase nada. E na maioria das vezes que tem demais não sabe fazer uso de suas possibilidades, praticamente deixando de viver para acumular ainda mais. Nunca pensaram, por exemplo, em reverenciar o mistério profundo da Ilha de Páscoa nem seguir os caminhos das descobertas arqueológicas mais importantes.

Os desejos que dificilmente realizarei são tão necessários como a sede de conhecimento que cada um deve ter. Não penso em ter uma mansão luxuosa, carro importado, roupas caríssimas, ternos encomendados, um monte de quinquilharias reluzentes ao meu redor. Nada disso. O que desejo só é útil ao conhecimento, à curiosidade, ao vivenciamento de aspectos históricos mais antigos e que ainda podem ser avistados.

Desejo, por exemplo, viajar para conhecer castelos antigos, com suas torres, grandes salões, objetos, masmorras; para passear por mosteiros medievais, caminhar pelas suas bibliotecas e labirintos, sentir no ar o cheiro antigo e o eco dos monges em penitência; para conhecer as cidades construídas nas pedras e rochedos, experimentar o seu silêncio, sentir o seu misterioso calor.

Em mim é imensa a vontade de conhecer as ilhas polinésias e seus povos que vivem em comunidades primitivas, mantendo ainda os antigos costumes e tradições; visitar tribos nômades que ainda vagam pela aridez desértica do Saara; sentir e compreender a religiosidade que conduz a humilde vida dos monges tibetanos; entrar na pedra rochosa de um templo maia, inca ou asteca.

Como vivem as comunidades siberianas, os nativos australésicos, as tribos africanas, os ilhéus mais distantes e esquecidos, os esquimós groenlandeses? Como seria percorrer os caminhos do Vaticano, as adjacências da Basílica de São Pedro, as construções subterrâneas que guardam os mistérios da Igreja, os labirintos quase inacessíveis?

E quando falo em desejos irrealizáveis o faço por razões óbvias. Irrealizável porque impensável conhecer lugares distantes se até hoje não me foi possível nem conhecer parte dos cenários históricos pátrios. Não só históricos como também geográficos, sociológicos, arqueológicos. Mesmo sem alguma intencionalidade específica já me foi possível colocar os pés e os olhos em muitas paisagens que gostaria, e não muito distante.

Conheço apenas parte da história e da geografia desse imenso país, mas já me sentiria contente se pudesse pisar no chão, olhar e sentir os cenários vivos de extraordinários acontecimentos. Conhecer os ribeirinhos do amazonas deve ser um deslumbrante navegar; sentir a presença dos primórdios do homem na região de São Raimundo Nonato; avistar tribos indígenas xinguanas que ainda não foram despersonalizadas pela civilização branca.

Mesmo dentro dos nossos limites territoriais muito se torna inacessível. Daí logo concluir pela impossibilidade de percorrer caminhos distantes, em países e territórios longínquos, em lugares difíceis de serem alcançados até mesmo por pesquisadores e turistas endinheirados. Mas jamais me contentarei em conhecer esse mundo maravilhoso através dos livros e revistas, canais televisivos e por ouvir dizer.

Por isso que desligo a televisão e começo, ao menos em pensamento, a fazer uma longa viagem pelo Vale do Loire, na região histórica francesa, e lá percorrer castelos, conversar com reis e rainhas, beber do melhor vinho em taça nobre e reluzente. E valsar nos seus imensos salões. Uma valsa tão magnífica, cativante e encantadora, que nem penso em acordar do sonho.


Poeta e cronista
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Nosso imenso mundo (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa


Nosso imenso mundo


Direi sim
onde está a riqueza
mais que puro cetim
sabores na sobremesa
tudo e tanto assim
inigualável certeza

e direi sim
da humilde moradia
um vão por casa inteira
chuveiro numa bacia
cama de fina esteira
mesa mais que arredia
nada comprado na feira
no fogão uma alquimia
cinzas sob a fogueira
e a fome por cortesia
se finge toda faceira

mas direi também
do que existe abundante
uma paz e mais além
felicidade bastante
mesmo sem ter vintém
pois o amor é consoante
o gostar que a gente tem.



Poeta e cronista
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