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quinta-feira, 18 de julho de 2013

CONHECENDO O MUSEU DO HOMEM DO CURIMATAÚ, EM CUITÉ-PB

Publicado em 17/07/2013 por Rostand Medeiros

E UMA PEQUENA HISTÓRIA ENVOLVENDO O CANGAÇO

Entrada do Museu do Homem do Curimataú
Entrada do Museu do Homem do Curimataú

Recentemente tive a oportunidade de seguir viagem através da Microrregião do Curimataú Ocidental, no Estado da Paraíba, onde passei pelo município de Cuité. Com uma população que atualmente supera os 26.000 habitantes Cuité tem muita história, tendo sido fundado a 245 anos, onde sempre possuiu uma ligação muito forte e intensa com o Seridó Potiguar.

Não tinha intenção de parar, mas, ao tomar o caminho que segue para a cidade de Campina Grande, me deparei com uma interessante edificação pintada de verde, que me lembrou a fachada de um cinema antigo. No alto do frontão da entrada estava escrito na vertical “Cuité Clube”, em um padrão de letras típicos da década de 1930. Ao lado da porta principal vi uma placa igual as existentes em obras inauguradas por políticos, onde estava escrito “Museu do Homem do Curimataú”.  Aquilo me chamou atenção e, como estava com o dia livre, decidi conhecer o local.

Salão principal
 Salão principal

Fui muito bem recepcionado por José André Santos, que além de trabalhar no local se dedica a poesia. Ele me contou que o Museu foi inaugurado em 11 de março de 2010 e ali funcionou um clube social que marcou época na cidade. Infelizmente este se encontrava abandonado, depois que os sócios fundadores faleceram e os seus herdeiros não continuaram com o clube. Foi então que a Universidade Federal de Campina Grande-UFCG decidiu recuperar o imóvel. Depois da recuperação foi feita a pesquisa e busca de objetos para a sua composição. Consta que o Museu do Homem do Curimataú é um órgão ligado ao Centro de Educação e Saúde da UFCG e é fruto de um projeto aprovado pelo IPHAN, disponibilizando um acervo material que retrata e preserva a memória da região.

Material do Boi de Reis de Manoel Birico. Hoje esta manifestação folclórica não é mais executada em Cuitá, mas vale pela preservação dos materiais utilizados 
Material do Boi de Reis de Manoel Birico. Hoje esta manifestação folclórica não é mais executada em Cuitá, mas vale pela preservação dos materiais utilizados

O acervo ocupa grande parte do salão principal do antigo Cuité Clube, com biombos dividindo as peças apresentadas através de áreas temáticas distintas. André me comentou que o Museu é focado principalmente na preservação da memória dos hábitos e fazeres do povo de Cuité. Ali os estudantes realizam muitas aulas de campo voltadas ao resgate das origens com uma verdadeira volta ao passado e uma reflexão da atualidade. Para André o Museu se tornou um ponto de cultura, com apresentação de palestras, cantorias de violas, apresentações de outros ritmos musicais.

Um "chincho", ou engenho, de fazer queijos
Um “chincho”, ou engenho, de fazer queijos

Em meio ao deleite de conhecer peças que eram utilizadas nas antigas fazendas da região, perguntei a André sobre o ocorrência de fatos ligados ao fenômeno do cangaço em Cuité. Ele me respondeu que neste aspecto, para sorte dos antigos moradores da cidade, o cangaço não foi muito ativo em sua região. Informou que na década de 1940 o ex-cangaceiro Antônio Silvino passou pela cidade e se encontrou com o poeta popular Zé de Luzia, este ainda vivo e lúcido, que poderia narrar detalhes deste encontro. Entretanto André me comentou que sabia da história de um parente que se tornou cangaceiro.

Artigos de caça. A arma de fogo de percurção é a famosa Lazarina, o arco é um Bodoque. Já a pele na extrema esquerda da foto é de um gato maracajá e a longa pele estirada na parede, com 2,73 metros, é de uma jiboia morta no Sítio Alegre, zona rural de Cuité, na década de 1940.
Artigos de caça. A arma de fogo de percussão é a famosa Lazarina, o arco é um Bodoque. Já a pele na extrema esquerda da foto é de um gato maracajá e a longa pele estirada na parede, com 2,73 metros, é de uma jiboia morta no Sítio Alegre, zona rural de Cuité, na década de 1940.

André, que também é trombonista e vocalista de uma orquestra criada no Museu, é sobrinho neto de Joaquim Taveira, que era natural da cidade paraibana de Araruna, tendo nascido em terras pertencentes a José Gomes Maranhão e Maria Júlia Maranhão, que depois passaram a serem administradas pelo filho Benjamim Gomes Maranhão, mais conhecido como ”Beja Maranhão”. Este último é o pai de José Maranhão, ex-governador da Paraíba.

O primeiro rádio da cidade de Cuité. André me comentou que a chegada deste aparelho movimentou de tal maneira a cidade, que pessoas pagavam para escutar o serviço em português da rádio BBC de Londres
O primeiro rádio da cidade de Cuité. André me comentou que a chegada deste aparelho movimentou de tal maneira a região, que pessoas pagavam para escutar o serviço em português da rádio BBC de Londres

Dando uma passada rápida em antigos documentos da região de Araruna, consta que em 1920 José Gomes Maranhão era proprietário  do Sítio Baixio, ou Baixios, mas não tivemos como comprovar se Joaquim Taveira nasceu neste local.

Mas voltando ao relato de André, ele comentou que a memória de sua família aponta que Taveira entrou no cangaço apenas pelo desejo de se aventurar, de sair pelo mundo vestido e armado como um cangaceiro. Infelizmente sua família perdeu todo o contato com Joaquim Taveira durante este tempo e nada soube de suas aventuras e desventuras no cangaço, nem onde esteve, nem com quem andou ou combateu e ninguém sabia o seu destino.

Mas na década de 1950, uma irmã de Joaquim, avó de André, chamada Veneranda Taveira, mais conhecida como Neranda, casualmente se encontrou com o desaparecido irmão em uma feira. Sobre a cidade onde ficava localizada esta feira, Neranda fez questão de se calar para preservar o irmão. Em meio a alegria do reencontro, Joaquim informou que no cangaço era conhecido pelo apelido de “Jurubeba” e que esteve principalmente nos sertões da Bahia, onde afirmou que fez parte do bando de Ângelo Roque.

Ângelo Roque na década de 1970. Homem livre e exemplar funcionário público em Salvador
Ângelo Roque na década de 1970. Homem livre e exemplar funcionário público em Salvador

Este era Ângelo Roque da Costa, conhecido como Anjo Roque, ou Labareda. Nasceu em 1910 no lugar Jatobá, depois pertencente ao município de Tacaratu, em Pernambuco. Consta que entrou para o cangaço após matar um soldado de polícia que se meteu a conquistador com uma irmã sua. Entrou para o cangaço em 1928, quando ocorreu seu primeiro encontro com Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Tinha bando próprio, mas frequentemente reunia seu grupo ao do grande chefe cangaceiro, era considerado valente e foi figura importante dentro da história do cangaceirismo. Se entregou a polícia quase dois anos após a morte de Lampião e passou algum tempo na cadeia em Salvador. Ao sair passou a trabalhar como um pacato funcionário público do Conselho Penitenciário, graças ao apoio do advogado, escritor e pesquisador Estácio Lima.

Notícia do jornal carioca "A Noite", reproduzida na imprensa potiguar, apontando a detenção de Ângelo Roque e seus bando, em abril de 1940
Notícia do jornal carioca A Noite, reproduzida na imprensa potiguar, apontando a detenção de Ângelo Roque e seus bando, em abril de 1940

Se realmente Joaquim Taveira fez parte do bando de Ângelo Roque, certamente deixou a vida de cangaceiro antes de abril de 1940, pois não estava entre os cangaceiros que se entregaram as autoridades policiais baianas. Além do chefe Ângelo Roque  foram detidas quatro mulheres que estavam no grupo, bem como Benício Alves dos Santos, o cangaceiro Saracura, Manoel Raimundo da Silva, o Jandaia, Antônio Pedro da Silva, Patativa e o cangaceiro conhecido pela alcunha de Deus Te Guie, cujo nome verdadeiro era Domingos Gregório.

André e a moeda que teria estado presa ao chapéu de couro do cangaceiro "Jurubeba"
André e a moeda que teria estado presa ao chapéu de couro do cangaceiro “Jurubeba”

Em relação ao encontro de Joaquim Taveira e a sua irmã Neranda, este não quis entrar em detalhes de sua vida. Mas lhe entregou três objetos desta época; uma pequena arma branca, um breviário de Santo Antônio de Lisboa, presente do próprio Ângelo Roque e uma moeda vazada, que o pretenso cangaceiro “Jurubeba” utilizava no seu chapéu. Estes objetos foram doados pelo próprio André e se encontram em exposição no Museu do Homem do Curimataú.

André comentou que a narrativa sobre a história deste cangaceiro é parte da tradição oral de seus familiares. Que durante muitos anos eles tinham vergonha e medo de narrar esta situação. Para André, mesmo que não existam meios de confirmação da informações aqui narradas, agora os tempos são outros e ele narra esta tradição oral com desenvoltura e tranquilidade. Não tenho certeza, mas talvez isso ocorra devido a existência deste museu.

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Saí do Museu do Homem do Curimataú com a convicção que a existência de outros museus em cidades nordestinas é algo extremamente importante para que as novas gerações conheçam mais sobre o seu passado e com isso elevem a auto estima de serem naturais de seus locais. Entretanto estes possíveis museus não podem ser apenas um local de guarda de objetos antigos, de “coisas velhas”. Eles devem existir com a perspectiva de se tornarem locais de desenvolvimento e manutenção da cultura local e de troca de informações históricas.

Seguindo pelas estradas
Seguindo pelas estradas

Marcadores: Cangaço, Nordeste, Opiniões Antônio Silvino, Ângelo Roque, Beja Maranhão, Benjamim Gomes Maranhão, Boi de Reis de Manoel Birico, Campina Grande, Cangaço, Cangaceiros,Centro de Educação e Saúde da UFCG, Chincho de fazer queijos, Cuité, Cuité Clube, José Gomes Maranhão, José Maranhão, Labareda, Lampião, Maria Júlia Maranhão, Microrregião do Curimataú Ocidental, Museu do Homem do Curimataú, Paraíba, Rio Grande do Norte, Saracura, Seridó,Universidade Federal de Campina Grande-UFCG.

Extraído do blog: Tok de História do historiógrafo Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com
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TV BRASIL REALIZA PROGRAMA EM PAULO AFONSO

Por: João de Sousa Lima

A cidade de Paulo Afonso foi uma das cidades nordestinas escolhidas pela TV BRASIL para fazer parte de um documentário sobre o turismo. Os roteiros Integrados com outras cidades circunvizinhas foram bem explorados.

O programa “CAMINHOS DA REPORTAGEM" irá ao ar dia 29 de agosto de 2013, ás 22,00 hrs.
    
A equipe passou três dias baseada em Paulo Afonso. A jornalista Carina Dourado, o cinegrafista Osvaldo e o técnico Alexandre ficaram encantados com nossa cidade e ficaram de retornar com uma  pauta exclusiva sobre a cidade de Paulo Afonso.

Carina entrevistando o historiador João de Sousa Lima

TV Brasil: programa caminhos da reportagem




Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

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CANTIGA DE CATINGUEIRA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

CANTIGA DE CATINGUEIRA

No meio do sertão, a árvore que é o seu coração, simbolizando a devoção do homem pela paisagem, do sertanejo e seu rincão. Tão seca numa estação, numa magrez de então, para florar adiante, e que bela floração.

Por isso canto a catingueira fincada no meu coração, pois também nasci na terra onde ela mostra a feição, cabocla por natureza, reinando na região, vencendo seca e estiagem, firme no seu torrão.

Arbusto preferido por Lampião, que no seu tronco dobrado traçava plano de ação, cochilava sem dormir e fazia sua oração. E junto com seu bando saía entrecortando o sertão, na curva da catingueira, na folha miúda de tanto desvão.

Certa feita o Capitão, cansado da imensidão, encontrou a catingueira e lhe fez a confissão. Disse que era tronco se curvando sem perdão, depois de tanto florar chegava à última estação, e não ia muito tempo se findaria no chão.


Canto a catingueira, arvoredo de mataria e ribeira, testemunha daquela vida bandoleira, leito bom de dormideira, amiga da umburana e também da aroeira. Esguia, mas altaneira, de galhagem fina e tão brejeira.

Catingueira de entardecer sertanejo, um véu causando lampejo, nos olhos um imenso desejo de repetir o versejo, uma cantiga de realejo na saudade que marejo. A vida com seu traquejo, debaixo da catingueira a felicidade que almejo.

Catingueira testemunhando o vaqueiro galopando, a bicharada berrando, a vida vaqueira passando, a poeira esvoaçando. Canto de aboio aboiando, a poesia se declarando, vaqueiro e boiada se enlaçando na curva que vai poeirando.

Testemunho vivo de uma história passada, de caminho e jornada, de uma vida ao redor, de gente na empreitada. Rodeando a catingueira, seguindo pela estrada, levando no ombro a foice, enxadeco e enxada, um viver de tanta luta, uma esperança avençada.

Catingueira que tem ninho, ninhada de passarinho, bicho que chega sozinho pra ficar um bocadinho e vai construindo a casa. E num canto escondidinho, aos poucos e devagarzinho coloca pena e graveto, um pouco e um tantinho, do conforto o caminho, o ninho do passarinho.
Catingueira que chorou quando o sertão esturricou, todo passarinho voou, o bicho desfigurou numa tristeza que só, com a seca que chegou e logo se alastrou. Perdeu galhagem e folha, o corpo todo secou, tanta agonia e tanto dor com a notícia que chegou. Com a seca duradoura perdeu tudo quem plantou, quem ainda tinha água de repente enlameou.

Catingueira sentiu, catingueira chorou, e tanto lacrimejar sua seiva derramou, ficou ossuda e doente, por pouco não se curvou. Quase vem a morte certa, como muitos derrubou, num sofrimento terrível, num grito que ecoou implorando chuvarada, dizendo aqui estou pronta para morrer, pois o sertão também sou.

No seu tronco viu amarrado bicho valente e gente, num mundaréu descontente, de luta a mais temente, mas também de covardia, injustiça tão inclemente. Sentiu escorrer sangue ardente, cena tão deprimente que sentiu aquela dor sentida e que não se sente. Não podia fazer nada, pois violência de gente por cima de inocente.

Mais dia e menos dia, quando o sol mais que ardia, o viajante em correria chegava em agonia. Deitava no sombreado, no descanso que queria, contava folha por folha e logo adormecia. Sonhava um sonho bom, diferente do que vivia, e despertava num susto e logo adiante seguia.


Catingueira tão amiga da vida de Lampião, ouvindo segredo do bando e de todo o sertão, conhecendo o passo e o destino do Capitão. Um povo apressado, não ficava muito não, qualquer barulho ao redor e a arma já na mão, em tudo a desconfiança, em tudo a afobação. Vamo embora, vamo embora, e sumia pelo mundão.

Catingueira que um dia sentiu a maior alegria ao conhecer o amor, coisa que nem sabia. Um rapazote chegou e viu que ele escrevia com canivete no tronco o nome de uma Maria. Dentro de um coração a palavra tão poesia, o nome de seu amor, aquela que mais queria. Ainda hoje no tronco está o amor que existia.

Catingueira envelhecida, muita estrada percorrida. Sabe que morre um dia, que vai dar adeus à vida, mas não quer morrer matada por uma arma enxerida, uma serra ou um facão, nada que lhe abra ferida, bastando ser pela idade, pela velhice sentida.

Depois de um entardecer, deitará o tronco na sua terra querida. Silêncio da catingueira, sem adeus nem despedida.

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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Dadá, última musa do cangaço - em 8 de fevereiro de 1994, no “A Tarde”:

Por: Rubens Antonio

Sob muitas lágrimas das duas filhas, dos três que teve com Corisco, dezenas de netos e bisnetos, todos chorando convulsivamente, e aplausos de um bom número de admiradores, que acorreram ao Jardim da Saudade, foi sepultado ontem, às 18h10min, o corpo de 

Dadá, Corisco e Benjamin Abrahão

Sérgia Silva Chagas (Dadá), que morreu, aos 78 anos, na madrugada de ontem, no Hospital São Rafael, vitimada por um câncer generalizado, de acordo com a informação do historiador Carlos Cleber, que, em março próximo, vai relançar o livro “Dadá, a Musa do Cangaço”, da Editora Vozes.

O velório da ex-cangaceira Dadá - esposa de Corisco

O corpo de Dadá foi velado na capela do Jardim da Saudade, onde o capelão do cemitério, padre Afonso Gomes, celebrou missa de corpo presente. 


O cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira e Sílvio Bulhões, filho de Dadá e Corisco

O filho Sílvio Hermano, que mora em Alagoas, não chegou  a tempo de assistir ao sepultamento de sua mãe. Entre os admiradores, estiveram no cemitério o jornalista e juiz classista Oleone Coelho Fontes, autor de um livro sobre o cangaço, e a ex–vereadora Geracina Aguiar.

AOS 13 ANOS

Nascida em Belém de São Francisco, Pernambuco, em 1915, e uma das filhas do casal Vicente R. da Silva / Maria R. S. da Silva, Dadá entrou no cangaço aos 13 anos de idade. Numa entrevista que concedeu em 1977, ela contou que Lampião chegara na sua casa, “onde fez uma baderna danada”. Na época, Dadá morava na fazenda Macucuré, entre os municípios de Glória e Paulo Afonso, no interior do estado da Bahia.

De repente, disse Dadá, Lampião chamou Corisco e, em tom de brincadeira, disse para ele: “Como é? Você não quer desmamar esta menina?” Corisco deu uma gargalhada, me pegou no colo, me colocou na sela do seu cavalo e saiu a galope. Depois, lembrou, “foram 12 anos de luta, correndo ou enfrentando a Policia por toda parte”. Sérgia, que ficou conhecida pelo apelido de Dadá, tinha, apenas 13 anos.

MUITO AMOR

Apesar da violência do contato inicial, Dadá sempre falou de Corisco com muita ternura, afirmando: “Nos amamos muito”.

Dadá que teve três filhos com Corisco (Maria do Carmo, Maria Celeste e Sílvio Hermano), todos vivos, também elogiava.


Lampião, dizendo que ele era um homem bom. “Um homem de palavra, que só falava uma vez e não contava vantagens. Fico triste – confessou – quando vejo escreverem coisas que Lampião nunca fez. Os livros que têm saído sobre o cangaço só apresentam – dizia Sérgia da Silva Chagas – vantagens da Polícia e coisas terríveis que nunca aconteceram.”

OUTRO MARIDO

Dadá assistiu a morte de Corisco, em 1940, numa localidade próxima ao município de Miguel Calmon, varado de balas de metralhadora, mesmo aleijado e já tendo deixado o cangaço. Ela também foi baleada, teve uma das pernas estraçalhadas e amputada posteriormente. Casou–se com um velho pintor de paredes, já falecido, com quem não teve filhos. Criou, no entanto, muitos meninos e meninas, que considerava como seus filhos. 

Dadá assistindo a retirada dos ossos do esposo Corisco

Mesmo com uma perna só, Dadá costurava muito, chegando a aposentar–se como costureira. Com sua morte, fecha–se uma das últimas páginas do cangaço no sertão nordestino.

Enviado pelo professor e pesquisador do canga: 
Rubens Antonio

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Cangaceiros enterrados no cemitério da Quinta dos Lázaros em Salvador-Bahia, ou não?!!

Por: Rubens Antonio
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Antes de ler o que segue clique no link abaixo:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2013/07/cangaceiros-enterrados-no-cemiterio-da.html?showComment=1374088163638#c6801476179505220603

Prezado Mendes: 

Estive na Fazenda Lagoa do Lino. Tomei os depoimentos necessários. Não existe nem nunca existiu a cruz no local. Outra coisa é a questão do sepultamento dos corpos. Eles nunca foram sepultados. Os depoimentos indicam que seus restos foram comidos por cães e outros animais. Acontece que os policiais os deixaram no sítio em que foram abatidos. 

Em segundo lugar, a população local ficou com medo de se aproximar dos mortos e ser flagrada pelos evadidos. 

O cangaceiro Arvoredo

Arvoredo, por exemplo, que estava com os mortos, havia escapado do embate com, ao menos, mais um cangaceiro e duas cangaceiras. 

Abração.

Rubens Antonio
Professor e pesquisador do cangaço

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CASA DO SÍTIO JACU

Por: Antonio José de Oliveira
Antonio José de Oliveira

Caro Mendes: 

Venho todos os dias observando tanto no seu blog como no blog do professor Rangel, a grande adesão que vem tendo a iniciativa do jovem-professor 

Wescley Rodrigues

Wescley Rodrigues quanto ao tombamento e reforma da CASA DO SÍTIO JACU que pertenceu ao ex-cangaceiro Chico Pereira. Tal observação demonstra como nosso povo sertanejo é unido nas causas por eles abraçadas. 


Na realidade o "sertanejo é antes de tudo, um forte" como já falava o grande Euclides da Cunha em seu livro OS SERTÕES, se não me foge à memória. Veja bem a quantidade de pesquisadores e escritores que estão enviando as suas mensagens de apoio a uma ideia surgida num congresso sobre o cangaço, com a iniciativa do Professor Wescley. 

Fico conhecendo mais e mais a firmeza e solidariedade dos nossos sertanejos e de outros personagens que admiram (não o cangaço em si), mas a história do cangaço. 

Abraços, 
Antonio José de Oliveira 
Povoado Bela Vista-Serrinha-Bahia.

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REGABOFE CANGACEIRO - II

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

REGABOFE CANGACEIRO - II

O regabofe cotidiano do cangaceiro, usual no ato da sobrevivência sertão adentro, consistia apenas naquele alimento necessário a suportar as exigências da lide, de modo a dar sustentação física. Como dito, era a comida comum, geralmente preparada com antecedência e colocada no embornal e desfrutada durante a caminhada ou mesmo debaixo de um sombreado.

Comida do vaqueiro no mato, do caçador, do nordestino nas lides debaixo do sol, consistia, dentre outras coisas, na carne seca, no bode assado, na caça encontrada pela caatinga, na farofa ou mesmo farinha seca. Tudo descendo de goela abaixo com a preciosa água do cantil ou no apreciado gole de pinga. E da boa. Mas tudo que se queria era ter um tempo maior para acender fogo e preparar uma comida mais apurada. Coisa rara era encontrar tal oportunidade.

O regabofe de coito, ou aquele preparado com mais apuro, fazendo com que os cheiros se espalhassem pelos arredores sertanejos, somente era possível quando o bando, sentindo-se em segurança, se refugiava em local adequado. Como não levava o suprimento necessário para a comida diferenciada, recorria-se ao velho amigo coiteiro. Este era quem providenciava tudo aquilo que o bando necessitasse na sua panela ou caldeirão. E chegavam a caça, a carne fresca de bode e de gado, a galinha e o capão, a carne e a toucinhada de porco gordo, o feijão, a farinha, o arroz, o açúcar, o café. Uma fartura.


O regabofe de estrada, ou aquele encontrado pelo caminho, nem sempre era tão farto quanto o providenciado pelo coiteiro, mas certamente era muito melhor e mais apreciado que a comida levada nos couros do bando. Os olhos do cangaceiro brilhavam quando após a mataria ou nos arredores das estradas, avistavam uma moradia sertaneja. E brilhavam mais ainda quando viam criações pastando ao redor. Galinha de capoeira, cabrito, bode, qualquer coisa que por ali existisse seria de grande valia para matar a fome.

Então batia à porta da casa e ordenava que sem demora fosse preparado alimento para todo o bando. No instante seguinte e o temeroso e sempre acolhedor sertanejo começava a providenciar uma fartura de comida. Muitas vezes era família pobre, sem os alimentos necessários nem para a própria prole, vez que o sertanejo geralmente passa fome mas não sangra uma cria sua para colocar na panela.

Contudo, diante da presença do famoso cangaceiro e seu bando, se enchia de contentamento em poder servi-los com o melhor que tivesse. E não demorava muito para a cangaceirada se fartar com a avidez dos famintos. Muitos cochilavam enquanto a comida fervia na panela de barro, no velho caldeirão ou mesma em bacia de alumínio. Outros, com eterna vigilância, ficavam por ali proseando, fumaçando um cigarro, limpando as armas, impacientes para abocanhar o que temperadamente surgisse. Ou apenas com o tempero da terra, com folhagens ou ervas de quintal. Mas é a fome quem tempera a comida, verdade seja dita.

O folclore cangaceiro conta que foi numa residência com tais características que ocorreu um curioso episódio. Conta-se que Lampião mandou preparar o devido regabofe para o seu grupo e um dos cangaceiros cometeu a imprudência de dizer que a carne estava sem sal, insossa. Então o Capitão se enfureceu de tal forma que, após reprimir com palavras duras a observação impensada de seu liderado e afirmar que deviam agradecer a Deus e àquela família por comida tão saborosa, pediu todo o sal existente na casa e ordenou que o cabra engolisse tudo. E sem deixar um só tiquinho. E também um dia inteiro sem beber uma só gota d’água. Castigo exemplar para os mal agradecidos.


Por último, o regabofe saboreado nababescamente na residência de coronel ou de outra ilustre figura sertaneja. Ora, é sabido por todos que a influência de Lampião era exercida perante todas as hierarquias sertanejas, desde o homem mais simples e empobrecido ao coronel e demais autoridades. De alguns apenas a consideração pelo temor, pelo medo que possuíam; mas verdadeira reverência de outros, num lastro de amizade que permitia com que o bando tivesse guarida e acolhida nas varandas e mesas mais portentosas. Bastava a sua presença e toda e qualquer cozinha parecia fervilhar, com alvoroço de panelas e facas pinicando alimentos.

Dificilmente o Capitão antecipava o conhecimento sobre sua chegada a qualquer lugar. Era perigoso demais avisar com antecedência, vez que a desconfiança era instrumento essencial na estratégia de sobrevivência. Contudo, nada impedia - e assim aconteceu - que mandasse bilhete a uma determinada influência interiorana dizendo que tal dia se faria presente com a sua caravana de luta. Missiva sempre enviada por alguém de sua extremada confiança.

Ao chegar era recebido com as mordomias dos grandes, com direito a boa bebida e mesa farta. Não só muita comida como diversidade de pratos. O nordestino, principalmente se poderoso economicamente, é um desregrado nos alimentos que manda preparar e servir a convidado ilustre. Os mesmos pratos nordestinos, porém mais temperados, requintados e diversificados. Numa mesa assim certamente não faltava a buchada, o sarapatel, a galinha ao molho pardo, o porco assado, a carne de bode e de gado, e as aves apetitosas. E também as saladas, os molhos, as massas, os pratos ao forno de lenha.

Mas não precisava ser pessoa rica, de muitas posses e coronelato sobre o mundo sertanejo, para servir bem ao amigo Lampião. Meu avô materno Teotônio Alves China, ou China do Poço como era mais conhecido, se enquadrava nessa categoria dos que receberam o Capitão com mesa farta, mas sem ser latifundiário ou pessoa de muitas posses. Pequeno comerciante, dono de bodega, lhe sobrava, porém, a grande influência que possuía na povoação sergipana de Poço Redondo. Amigo do líder cangaceiro, era na sua residência que este buscava acolhida e mesa abastecida quando de visita ao lugarejo.

Não só Lampião e seu bando eram recebidos por Seu China, pois as autoridades regionais ali também faziam estadia. E numa ocasião, num mês de agosto em que se celebrava a festa da padroeira Nossa Senhora da Conceição, eis que o bando maior desponta na estrada e segue em direção à casa do amigo. O Capitão não sabia, contudo, que num dos quartos da residência repousava um feroz combatente de suas práticas: o Padre Arthur Passos.

Os donos da casa, Seu China e Dona Marieta, nervosos demais diante da situação inusitada, tendo ali a presença da arma e da cruz, já nem sabiam o que fazer quando foram perguntados por Lampião o que se passava para estarem assim tão aflitos. Não vendo saída, o amigo segredou-lhe sobre a presença do velho padre tirando uma soneca antes do almoço. Segredou e ficou esperando o pior acontecer.


Mas não, pelo contrário. Aconteceu muito diferente do tão temido. O Capitão sorriu com a informação recebida e disse apenas que por gentileza avisasse ao da igreja que também estava ali e que desejava muito ter o prazer de dividir a mesa com ele. Então surge outro problema para China resolver, eis que temia ser excomungado no mesmo instante que repassasse o recado ao Padre Arthur, reconhecido pela intolerância com as ações cangaceiras e inimigo declarado de Lampião. Alguns, entretanto - como verdade ou mentira -, juram na cruz que os dois mantinham grande amizade.

Amigos nos escondidos sertanejos ou não, verdade é que as pazes foram devidamente seladas na mesa servida por Dona Marieta. Com a ajuda de comadres e vizinhas, a esposa de Seu China colocou tantos pratos apetitosos à disposição que o velho padre, sempre de boca cheia e deixando cair caldo gordo pelos beiços, não conseguia dizer uma palavra inteligível sequer.

E dizem que Lampião ficou três dias sonhando com a comida e repetindo em devaneio: Me passe a buchada, me passe esse capão gordo, me passe esse lombo de porco...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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Antônio Gomes de Arruda Barreto.

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo

Antônio Gomes de Arruda Barreto nasceu em 1856 em Pedra Lavrada/PB e faleceu em 1909 na Parahyba, hoje cidade de João Pessoa. Era filho de Antônio Gomes Barreto e de Ana de Arruda Câmara. Homem inteligente e de caráter nobre, dedicou-se ao magistério, especialmente à educação dos jovens sertanejos. Em 1875 seguiu para Catolé do Rocha/PB, fixando-se lá, onde formou sua família.


Em 1897 fundou o Colégio Sete de Setembro em Brejo do Cruz/PB, primando pela qualidade. O seu Colégio era procurado tanto por alunos paraibanos como por aqueles que residiam no Estado do Rio Grande do Norte. Em decorrência da seca que assolou a região no ano de 1898, Antônio Gomes de Arruda Barreto viu-se obrigado a fechar o seu educandário e emigrar para o Rio Grande do Norte, em 1900. Antônio Gomes era autodidata e poliglota. Além de professor, era poeta satírico, jornalista polêmico e combativo. Foi advogado e promotor sem ser bacharel.

Foi deputado provincial no Estado da Paraíba por duas legislaturas (1901/1904 e 1908/1911), tendo falecido no exercício do mandato. Republicano, ao lado de Epitácio Pessoa, Castro Pinto e Argemiro de Souza, prestou relevantes serviços jornalísticos à sua terra. Foi redator do jornal O Estado da Paraíba; redator-chefe de O Mossoroense e colaborador de O Combate e O Eco.

Também se dedicava à poesia satírica, arma utilizada para atacar os adversários políticos do seu tempo. Entretanto, segundo Oscar de Castro, seus versos eram cheios de um humor sadio, que não chegavam a provocar ódios ou melindres justificados. Publicou também em O Comércio. Era tenente-coronel da Guarda Nacional, bem como membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Publicou em jornais muitas poesias, usando sempre os pseudônimos Pincelle e F. Santarém. Também escreveu uma gramática e um Tratado de Direito.

Jerdivan Nóbrega de Araújo. Bacharel em Direito. Poeta e escritor. Funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: José Romero Araújo Cardoso

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Rostand Medeiros na Serra Grande


Olá amigo Mendes, espero que esteja tudo bem com você, meu grande amigo. 

Como sei que você gosta de história e pesquisa, gostaria de compartilhar contigo algumas fotos da minha última viagem ao Sertão do Pajeú (PE), para trabalhar em uma consultoria junto a TV Brasil/EBC, de Brasília, em um documentário sobre o cangaço, que em breve vai estar na telinha.


Estava com o André Vasconcelos, de Triunfo, meu amigo e parceiro de empreitadas. Estivemos em várias partes do Pajeú, principalmente em Triunfo e Serra Talhada. Nesta última cidade ficamos na zona rural, na Fazenda Barreiros, onde passamos ótimos momentos. Dali subimos a Serra Grande, palco do maior combate de Lampião contra as volantes. 

 




Foram 900 metros de altitude que tivemos de encarar e assim compreender o que ocorreu neste local em novembro de 1926. Neste local, Lampião e seu bando, segundo algumas fontes com 85 homens, venceu várias volantes, que totalizavam 300 policiais pernambucanos. 

Um abraço.

Rostand Medeiros

Material do acervo do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand Medeiros.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

Ganha força o movimento pelo tombamento da Casa de Chico Pereira


Na edição de hoje, 16 de julho de 2013, do jornal A União, que circula no Estado da Paraíba, foi vinculada uma reportagem fazendo alusão ao pedido de tombamento, restauro e criação do museu do cangaço na cidade de Nazarezinho – PB.

A cada dia o movimento está
ganhando mais força.

Wescley Rodrigues

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Parque Cultural “O Rei do Baião” realiza VI FESMUZA

Regulamento


VI FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas

Promoção do Grupo União São Francisco
Apoio “Caldeirão Político”

Música homenageada do ano: “Paulo Afonso”

REGULAMENTO
A Comissão Organizadora do VI FESMUZA, CONVIDA para participar das festividades em homenagem a Luiz Gonzaga e seus seguidores, com as seguintes promoções: I VAQUEIZAGÃO, VI FESMUZA e II CONPOZAGÃO.

I -  DATA:

24 de Agosto – I VAQUEIZAGÃO, VI FESMUZA e II CONPOZAGÃO

II – LOCAL: Parque Cultural “O Rei do Baião”, Comunidade São Francisco – São João do Rio do Peixe – PB.
III – INSCRIÇÕES PARA O FESMUZA:
a – O período de inscrições será de 01 de maio a 10 de     agosto-2013

b – Cada participante poderá inscrever somente uma     música

c – As músicas terão que ser exclusivamente do     cancioneiro de Luiz Gonzaga

d – As inscrições poderão ser feitas através dos e-mails:
dos telefones: (83) 3531-    4429, (83) 9615-7942 ou (83) 9379-1893, e pelo seguinte     endereço: Rua Dr. José Guimarães Braga, 70, Vila do Bispo     – CEP: 58900-000 – Cajazeiras (PB).

IV – PREMIAÇÃO PARA O FESMUZA:
1° Lugar…………………R$ 4.000,00

2° Lugar…………………R$ 2.000,00

3° Lugar…………………R$ 1.000,00

4° Lugar…………………R$     600,00
5º Lugar…………………R$     400,00
6º Lugar…………………R$     300,00
7º Lugar…………………R$     200,00
Melhor Sanfoneiro…..R$ 1.000,00
Melhor Intérprete……R$ 1.000,00
Serão distribuídos os Troféus “O REI DO BAIÃO”, aos     vencedores do VI FESMUZA.

V – PROGRAMAÇÃO:

- Dia 24 – Às 18:00 horas – I VAQUEIZAGÃO

- 19:00 horas – anuncio dos vencedores do II     CONPOZAGÃO, entrega dos troféus e apresentação do     livro “O I CONPOZAGÃO”

- 20:00 horas – Realização do VI FESMUZA na Quadra     “Antonio Alcino”e entrega do Prêmio “DOMINGUINHOS”,     aos vencedores.


CONVITE – VAQUEIZAGÃO
O Grupo União São Francisco e o “Caldeirão Político” convidam o heroico Vaqueiro para participar do I VAQUEIZAGÃO, por ocasião da abertura do VI FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas, em homenagem ao “Rei do Baião”, no dia 24 de agosto de 2013, na Comunidade São Francisco, município de São João do Rio do Peixe (PB).
PROGRAMAÇÃO
01 – A CAVALGADA terá início às 17h00min, pontualmente, no posto de combustíveis do Sr. Ovídeo Fernandes, na cidade de São João do Rio do Peixe (PB), seguindo até a Capela de São Severino, na Fazenda São Francisco.
02 – O I VAQUEIZAGÃO contará com a presença honrosa do Padre Fábio Mota, da Paróquia de Jijoca de Jericoacoara (CE).

03 – TRAJE: Típico do Vaqueiro Nordestino.

04 – Cada Vaqueiro participante receberá uma MEDALHA alusiva a data histórica.

05 – HOMENAGEADO: O saudoso Luiz Peixoto, o eterno vaqueiro de Lagoa Redonda, região sertaneja paraibana.

FONTE: http://www.caldeiraodochico.com.br/parque-cultural-o-rei-do-baiao-realiza-vi-fesmuza-regulamento/

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso

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Moção da SBEC

 Por: Wescley Rodrigues

Caros(as),

Segue em anexo a moção de apoio da SBEC em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Cordialmente

Prof. Wescley Rodrigues

Foto

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: Wescley Rodrigues

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SBEC na luta pela Restauração da Casa de Chico Pereira


Esta é a casa do cangaceiro Chico Pereira



O cangaceiro Chico Pereira


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REGABOFE CANGACEIRO - I

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa


É de conhecimento generalizado que cangaceiro, ainda que diuturnamente convivendo com as mais difíceis situações, era sujeito zeloso e vaidoso. Demasiadamente cuidadoso com sua aparência, sim senhor. Tome-se como exemplo as vestes vistosas, os adornos coloridos, os apetrechos cuidadosamente bordados e costurados, sem falar no uso da brilhantina, do óleo de coco e dos perfumes e loções. E dizem que até importados.

No anseio de se mostrar ao mundo como pessoa de vida normal, feliz, contente, nos seus afazeres cotidianos de repouso e retomada de energia, aceitou de bom grado que o fotógrafo sírio-libanês Benjamin Abraão o registrasse quase que artisticamente. Fazia poses, fingia estar atirando, era retratado solitariamente ou em grupo. E nas fotografias um Lampião familiar ao lado de sua Maria e seu cão; o líder lendo a missiva talvez de um coronel importante; tomando conhecimento do prêmio de sua cabeça através de um jornal. Num dos retratos, Virgulino folheia uma revista com modelo em traje de banho. E, sem qualquer receio, mostra o que estava apreciando. E bem ao lado de sua Maria. Cangaceiro era assim, quase um artista.


Na verdade, cangaceiro era um espalhafatoso, gostava de aparecer, de causar uma imediata e aparatosa impressão. Que o medo acaso causado fosse por outro motivo, não pelo aspecto apresentado. As mãos que apertavam o gatilho para matar, que puxavam o punhal para sangrar e para afastar os garranchos e pontas de espinhos da caminhada, eram as mesmas mãos reluzentes dos anéis dourados se enfileirando nos dedos.

E um jeito assim vaidoso de ser não podia ser diferente quando se tratava do alimento. E é inegável que todo mundo quer se fartar do melhor. Mas neste ponto tinha de obedecer à fome e o que estivesse à disposição. O que não significa que abdicasse da escolha do melhor que pudesse ser encontrado na região onde estivesse de passagem ou de refúgio. Mas num sertão empobrecido, de pobreza reinando perante a maioria da população, fortuna quando encontrava uma criação ou uma mesa mais sortida.

Sertanejo, conhecedor e apreciador da cozinha matuta, um guloso pelas misturas e pedaços depreciados pelos sulistas, o cangaceiro só não comia do bom e do melhor se a ocasião só permitisse se contentar com um naco de carne seca e um punhado de farinha seca. E tantas vezes nem disso pôde dispor. Mas o seu intento era sempre ter um prato de alumínio transbordante de feijão de carne com carne de bode, só para citar uma das iguarias autenticamente nordestinas.

Apetitoso no seu regabofe, costumeiro esvaziador de prato de estanho e de qualquer prato. Mas, antes que esqueça, pelas bandas de cá nordestinas, ou sertanejas mesmo de chão rachado de sol, chama-se regabofe o alimento que dá sustança ao cabra. Pode ser uma buchada gorda de bode, um sarapatel apimentado, um mocotó suculento, mas também a perna de preá assada ou até mesmo a carne de palma refogada. Dependendo da fome e da situação, tudo é festança no bucho, na barriga esfomeada.

Por isso mesmo, todo esforço que se faça para citar quais os alimentos da mesa cangaceira, necessário será que se aponte quatro situações ou momentos diferenciados no seu regabofe, e tudo na dependência de onde e como estivesse. Porque a fome existia sempre, e acrescida pelo esforço físico, ainda que sem tempo para comer e ela ali judiando por dentro. Logicamente que o alimento colocado à disposição do coito não era o mesmo que o apressadamente engolido na caminhada pelas matarias.


Do mesmo modo, diferente era a comida de coito e aquela encomendada às pressas nas moradias sertanejas que fosse encontrando na caminhada. E mais diferente ainda era o farto alimento encontrado quando recebido como ilustre e importante visitante de um coronel ou outro poderoso qualquer. Quer dizer, o regabofe variava segundo o local e a situação onde estivesse.

Assim, foi dito que o alimento se diferenciava perante quatro situações. A primeira seria aquela cotidiana, da vivência no bando, saboreada no calor da caminhada ou do repouso na mataria; a segunda seria aquela servida com mais fartura, mais aprimorada, colocada à disposição quando bando se acoitava por mais tempo em determinado lugar; a terceira seria aquela encontrada pelas estradas, nas moradias sertanejas onde batesse à porta e ordenasse o preparo de urgente alimentação; e a quarta seria aquele regabofe mais faustoso, de lamber os beiços e repetir o prato, vez que saboreado na condição de convidado ou de ilustre visitante na residência de um portentoso senhor nordestino.

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.


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