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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Domingo é 28 de Julho - 75 anos do massacre de Angico


Sete décadas e meia após seu desaparecimento Virgolino Ferreira da Silva segue sendo o bandoleiro mais amado e odiado da nossa história. Apesar da fama que atravessou o continente, a sua saga ainda é ignorada por muitos, inclusive por acadêmicos de história. Talvez nem façam ideia de que esse pernambucano permanece como o Brasileiro mais biografado de todos os tempos na literatura nacional e o segundo na américa latina (ficando atrás somente do argentino Guevara).

Um museu dedicado exclusivamente ao Cangaço está prestes a se tornar uma realidade. Vera Ferreira, neta de Virgolino e Maria, nos informou no ultimo final de semana que já estão agendadas as reuniões na Universidade Estadual da Bahia (UNEB) que vão definir os últimos detalhes para edificação do memorial que vai abrigar em Salvador o acervo mantido pela família Ferreira.

Em Setembro próximo o Cariri cearense recebe centenas de pesquisadores, dentre estes alguns dos maiores especialistas, para o maior evento do gênero. É o Seminário Cariri Cangaço que apresenta sua quarta edição de 17 a 21/09. Fique atento as atualizações.

No local da tragédia, na cidade natal de Virgolino e naquela que deu inicio ao fim de sua saga estão acontecendo diversos eventos para marcar o aniversário de sua morte, de sua amada Maria, além de nove companheiros e o único soldado morto na chacina, Adrião Pedro de Souza.
 
 
Madrugada em Angico... Foto: Márcio Vasconcelos

PROGRAMAÇÕES

A Sociedade do Cangaço entidade capitaneada por Vera Ferreira, realiza a 16ª Missa do Cangaço. A caravana parte no domingo bem cedinho de Aracaju e este ano contará com mais de duzentos participantes.


A Fundação Cultural Cabras de Lampião está promovendo em Serra Talhada, PE desde quarta-feira, 24, palestras, Shows, apresentações de grupos de Xaxado. Além do espetáculo teatral ao ar livre "O massacre de Angico" que tem atraído milhares de espectadores todas as noites. Confira no site Farol de Noticias


De hoje até domingo o governo Municipal de Piranhas, AL e o Cariri Cangaço promovem naquela bela e histórica cidade a ultima Avant Premier do grande evento com várias palestras, exibições de documentários... etc.


Você viu a programação? Clique Aqui

À propósito:
São também 75 anos de trilhas. E quanto à preservação?

Em uma de nossas visitas, em janeiro de 2010 naquela ocasião acompanhado pelo confrade Narciso Dias notamos e lamentamos a quantidade de lixo deixada por turistas que faziam a trilha dos cangaceiros (aquela que é feita a partir de Poço Redondo). A Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico ainda estava em fase de conclusão. O que viria a ser a solução para que cenas como estas não se repetissem, pois bem.

O Monumento Natural Grota do Angico é uma unidade de conservação da natureza sancionada pelo governador Marcelo Déda, em 21 de dezembro 2007, para proteção de 2.138,00 hectares de Caatinga. Com um investimento de R$ 563.405,12, a infra-estrutura do Monumento Natural Grota do Angico contempla um conjunto de edificações com Pórtico, sede administrativa, escritório, mirante, laboratório e alojamento para técnicos e pesquisadores. As obras foram realizadas em parceria com a Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop).

 
 Fonte: Scielo.br

A unidade de conservação tem como objetivo preservar o sítio natural existente na Grota do Angico e seus valores culturais associados, mantendo a integridade dos ecossistemas naturais da Caatinga para o desenvolvimento de pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e visitação pública. Além da riqueza biológica, a área protegida do Angico é reconhecida pelo seu valor cultural e histórico, pois abriga a Grota do Angico, local onde ocorreu a morte de Lampião, de Maria Bonita e de parte do bando.

De acordo com o site da SEMARH Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, a Unidade de Conservação Monumento Natural Grota do Angico, foi mais um vez espaço de desenvolvimento de pesquisas. Em fevereiro deste ano, a UC, gerida pela (Semarh), abriu espaço para os alunos da disciplina Gestão em Unidades de Conservação do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Sergipe (UFS).


Segundo a professora Dra. Laura Jane Gomes, do Departamento de Ciências Florestais (DCF) da UFS e ministradora das aulas, o objetivo do curso foi mapeamento e impacto das trilhas da unidade, elaboração de um projeto de interpretação da natureza, além de analisar os conflitos existentes.


O trecho analisado em pesquisa foi o da trilha do Cangaço-local. A fim de analisar o grau de visitação (passagem) humana, foi analisada a medição da largura da trilha.  Na oportunidade, o coordenador técnico do Monumento Natural Grota do Angico, Thiago Vieira,  fez explanação sobre a atuação da Semarh  destacando as ações relacionadas à gestão e manejo na área protegida.

Com informações do site Sergipe Tec

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LAMPIÃO E CANDEEIRO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 26 de julho de 2013. - Crônica Nº 1056
 

O Diário de Pernambuco é quem dá a notícia do falecimento do ex-cangaceiro Candeeiro. 

Manoel Dantas Loyola - o ex-cangaceiro Candeeiro

Entretanto é bom dizer que o Diário aponta Manoel Dantas Loiola como o último cangaceiro vivo. Outras reportagens pelo Brasil já deram como último cangaceiro outros personagens do bando de Lampião. Loiola, contudo, não foi o último, pois ainda resta o cangaceiro 

O pesquisador João de Sousa Lima e o cangaceiro Vinte e Cinco

“Vinte e Cinco” que ingressou e atuou, particularmente, no grupo de Corisco. Por essa reportagem do Diário e outras sobre Candeeiro, não encontramos no homem o bandido feroz que caracterizava o componente do cangaço. Não porque o homem ao envelhecer fica com rosto de inocente, mas porque nunca ouvimos falar sobre Candeeiro em outras ações. Era um cangaceiro anônimo, ao contrário de Jararaca I e Jararaca II. Manoel Dantas Loiola, testemunho próprio, afirmava que era homem de confiança de Virgolino, em relação a dinheiro. 

Lampião

Era como se fosse o secretário e tesoureiro do chefe. Temos a impressão também de que Candeeiro era uma pessoa, não queremos dizer delicada, para não sermos interpretados de outro modo, mas pelo menos deveria ter sido muito mais de burocracia de que de combate.

Disse Loiola, que era ele quem levava os bilhetes de Lampião aos coiteiros e a outras pessoas pedindo dinheiro. Era tão chegado a Virgolino que Maria Bonita sentia ciúmes dele. 

Maria Bonita

Aqui também não cabe uma interpretação dúbia. Lampião gostava dele e o mantinha como uma espécie de tesoureiro rápido, devido ao homem diferenciado, educado e sensível que o chefe encontrou. Ingressando no bando em 1937, Candeeiro também não pega os grandes combates de Lampião. Assim, sem destaque nenhum de valentia no cangaço, Candeeiro entrega-se à polícia após a hecatombe de Angicos. Vai para a prisão com mais dezesseis cangaceiros e passa dois anos por trás das grades. E assim o Diário de Pernambuco complementa:

 “Morreu nesta quarta-feira o último cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Dantas Loiola, de 97 anos, mais conhecido como Candeeiro. Ele faleceu na madrugada de hoje no Hospital Memorial de Arcoverde onde estava internado desde a semana passada, após sofrer um derrame. O sepultamento está marcado para as 16h, no cemitério da cidade de Buíque”.

Acaba a parceria espiritual entre LAMPIÃO E CANDEEIRO.

Autobiografia

CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei. 

Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).

 

Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático);Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado(romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema (história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).

Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.


(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia)
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Sala de Espetáculos Ludmila e Rosi com programação neste final de semana

Foto
            
Inaugurada em 31 de maio passado, a Sala de Espetáculos Ludmila e Rosi, do Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará, já vem cumprindo um papel de propor diversidade à cena teatral mossoroense. Agora, além dos espetáculos de palco italiano no Teatro Municipal e das rodas de teatro de rua, por alguns grupos da cidade que fazem teatro de rua, e mais algumas opções, O Pessoal do Tarará abriu espaço para espetáculos intimistas, com público próximo à plateia, em ambiente confortável e aconchegante, como é o caso da Sala de Espetáculos Ludmila e Rosi, que desenvolve uma programação constante, às sextas-feiras e aos sábados.
            
E neste final de semana a programação já está definida: sexta-feira (26) e sábado (27), O Pessoal do Tarará apresentará o seu espetáculo 100 Palavras (ou Uz kra d'ku nupal kunu), sempre às 20h, em sua Sala de Espetáculos. Para assistir a esta comédia que já percorreu diversas cidades do Brasil (Natal, Caicó, Janduís, Apodi, Felipe Guerra, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e João Pessoa), as pessoas podem se dirigir ao endereço do espaço que é Avenida Abel Coelho, 160, Abolição III, em frente ao Sindicato dos Bancários. Para o espetáculo a classificação é livre e as senhas custam R$ 12,00 (inteira), R$ 6,00 (meia) e R$ 5,00 (artista).

O ESPETÁCULO - Neste espetáculo O Pessoal do Tarará dá prosseguimento ao seu projeto de pesquisa, em cima de uma dramaturgia do corpo, onde abre mão da linguagem verbal, sendo, para o grupo, a conclusão de uma pesquisa anterior, iniciada no espetáculo O Pulo do Gato (2009).

A montagem é feita para apresentação nos mais variados espaços, desde circos, rua, sala e até palco italiano. São vários quadros, onde O Pessoal do Tarará investe, desta vez, numa comédia com tom de desenho animado, sendo influenciado pelos desenhos do Pateta, do Tom e Jerry, e da revista em quadrinho, que pode ser percebida nos corpos dos atores.

O Pessoal do Tarará neste espetáculo abusa de seu dedicado e delicado trabalho de ator, já que tudo o que chega ao público, é produzido pelo próprio ator.

O espetáculo não dispõe de um texto escrito, mas de um texto apropriado pelo ator, que se dá pela via corporal, com o palco vazio. É deste vazio, desta pobreza de elementos cênicos, que nasce um teatro rico, a partir do corpo do ator. Durante o espetáculo, o roteiro que os autores cumprem levam o público a criar a sua própria dramaturgia, à medida em que as cenas acontecem.

100 Palavras (ou Uz kra d'ku nupal kunu)
Elenco: Igor Moreira e Maxson Ariton
Direção: Dionízio do Apodi
Sala de Espetáculos Ludmila e Rosi
Sexta (26) e sábado (27) às 20h
Inteira - R$ 12,00; meia - R$ 6,00 e artista - R$ 5,00
Classificação Livre
Endereço: Avenida Abel Coelho, 160, Abolição III, em frente ao Sindicato dos Bancários

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso

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OS ESQUECIDOS (MEMÓRIA E VIDA DEPOIS DO CANGAÇO) - IV

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa


Não apenas Zé de Julião, mas muitos outros também permaneceram no esquecimento, e mesmo estando em plena convivência com os desmemoriados. Mané Félix foi um destes. Ex-coiteiro e dileto e confiado amigo do Capitão é um exemplo clássico de desconsideração a um passado tão dramático. E dramaticidade construída na vida tão perigosa que levava para servir ao mundo cangaceiro, ainda que não fizesse parte do grupo e fosse trabalho feito apenas quando o bando estava nas redondezas.

Contudo, representava o próprio cangaço com sua ação como fiel emissário, transportador de mantimentos, confidente e guardião de muitos segredos, principalmente da localização do coito. Daí que corria risco demais acaso se deparasse, numa daquelas veredas ou nas povoações, com a volante perseguidora. E era praxe da polícia torturar qualquer um que imaginasse ter ligação com os da caatinga. Assim fez com muita gente inocente e com muito coiteiro, chegando até a matar.

E certamente Mané Félix sentiu na pele esse temor. Ora, seria desonra maior não servir a contento seu amigo Capitão ou colocar em perigo aqueles de quem havia recebido máxima confiança. Porém fatos de nenhuma valia nos novos tempos. Ademais, era um simples ex-coiteiro e não podia esperar muito daqueles que ignoravam os próprios conterrâneos que fizeram parte do bando.

Coiteiro Mané Félix - o último coiteiro que esteve com Lampião antes da sua morte

Talvez tivesse seu percurso ignorado até mesmo pelos moradores de mesma rua. E os mais velhos, que sabiam e não podiam negar aquela vida de durezas, simplesmente se faziam de deslembrados. Foi preciso que Alcino alçasse aquela figura humana ao panteão da história local para que suas façanhas fossem, enfim, conhecidas. Assim mesmo numa luta titânica para manter acesa a chama da história municipal, vez que quase sempre sem a almejada resposta.

Professora Ana Lúcia e Alcino Ales da Costa

Alcino sabia - e muitos outros pesquisadores souberam - das corajosas façanhas deste audaz e corajoso ribeirinho, morador nos tempos idos das redondezas da Gruta do Angico, e que cortava difíceis veredas, vencendo penhascos e brigando com espinhos, para que nada faltasse aos amigos cangaceiros. Porém, fama durante a luta, da refrega, das vinditas sertanejas, pois o passar dos anos o transformaria - pela ingratidão da falta de reconhecimento - apenas em mais um sertanejo, um velho e alquebrado sertanejo. E creio que não deveria ser assim.

Reconheço e também me culpabilizo. Reconheço e agora posso dizer num tom de lamentação, que bem poderia me fazer presença constante naquele coito de canto de rua, conversando, dialogando sobre a vida nos tempos idos. Admito, porém, que o estudo na cidade grande dolorosamente me afastou daquelas essenciais raízes sertanejas. Também, muito jovem, ainda não tinha herdado de meu pai o interesse pela instigante saga matuta.

Mané Félix era muito amigo de meu pai, Alcino, e de vez em quando o encontrava na sala da frente de minha casa com o seu jeito calmo e humilde, nem de longe parecendo o rapazote cúmplice do cangaço e mensageiro a serviço “del-Rei”. Era outro homem, apenas um sertanejo. Mas também vivendo outra realidade. Bem diferente daquela em que vencia bote de cobra e ponta de pedra para entregar a munição ou a carne de bode ao bando refugiado adiante. De vez em quando atravessava o rio e seguia até Piranhas para adquirir mantimentos.

Nas vezes que eu o encontrava, logo percebia a lucidez daqueles que jamais esquecem um passado tão marcante, intrépido e perigoso. Se alguma tristeza o acometia, creio que não pelas aventuras passadas, e sim por haver se mudado de sua beira de rio, de seu Cajueiro, para a sede municipal e ali ficar distante daquele cenário e paisagens que tão bem conhecia, vereda a vereda, cada pedra e cada espinho. Mas tenho certeza que nenhuma mágoa guardava pelo descaso daqueles que o rodeavam.

Leio escritos dando conta que em outros lugares grandes homenagens são prestadas aos seus, reconhecidos ou não como heróis, mas pelo simples fato de terem feito parte do ciclo cangaceiro. Tanto faz que tenham sido do bando, coiteiro ou que estivessem do outro lado, na volante perseguidora. Eventos são realizados, biografias publicadas, os nomes preservados para a posteridade. E em Poço Redondo, a não ser por iniciativa de Alcino, nada disso jamais aconteceu.

Aliás, se não fosse Alcino até a história do município - como também da vizinha Canindé do São Francisco - estaria relegada ao esquecimento. Através de seus estudos e pesquisas, de suas investigações de campo e entrevistas, bem como de seus livros publicados, foi possível que as novas gerações tomassem conhecimento da saga de seu berço de nascimento, dos meandros políticos e da vida de alguns de seus filhos ilustres. E também através dele Poço Redondo passou a ter a devida valorização no contexto do cangaço.

A própria Gruta do Angico talvez seja o exemplo maior da desvalorização - ou até mesmo negação - do passado. Mesmo fincada nas terras do município, lugar de reconhecida e fundamental importância histórica, ainda assim é como se nem existisse no contexto da cultura e da história municipal. O famoso Poço Redondo de tantos cabras valentes, de refúgio e repouso para o Capitão, e também o seu leito de morte, acaba tendo importância apenas externa, nos livros, nos comentários.

Quem não tem nada que represente ou diga respeito ao cangaço, ainda assim induz uma forma de homenageá-lo, de cultuá-lo, tirar algum proveito turístico. Diferente do que ocorre com Poço Redondo, aonde a apatia histórica e cultural chega a ser repulsiva, vergonhosa. O sedento pesquisador que chegar por lá terá de se contentar em fotografar a pracinha Lampião. Um arremedo de homenagem. Até parece que Angico fica nas terras da vizinha Canindé ou no outro lado do rio, em Piranhas.

Grota de Angico

Quando administrador municipal (em três gestões), Alcino abriu os caminhos de Angico para os estudiosos e pesquisadores, tirou das brenhas matutas os personagens ainda viventes naquela região, procurou a todo custo viabilizar o local como destino turístico. Mas sempre foi impedido pela forte oposição que sempre fazia às lideranças políticas estaduais, principalmente os governantes. Daí não ter conseguido construir um museu ou mesmo um memorial da história sertaneja.

Contudo, depois dele, com suas pesquisas e seus livros, nada mais se fez. Do final da década de 80 para cá não se verificou uma só iniciativa da administração municipal no sentido de transformar a Gruta de Angico em cenário de destaque nacional, de valorizá-la, de torná-la um patrimônio de seu povo, de viabilizá-la na sua potencialidade turística. Ademais, são completamente estranhas à administração municipal as mínimas iniciativas de valorização daquele lugar historicamente tido como o último refúgio do bando de Lampião, pois ali chacinado junto com sua Maria Bonita e mais nove cangaceiros.

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Moção UFCG

Por: Wescley Rodrigues

Caros amigos e amigas,

Saudações cangaceiras!

Em anexo segue a moção de apoio da Unidade Acadêmica de Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande em prol do restauro da casa grande do sítio Jacu.

Pedimos que aqueles que apoiam essa causa se manifestem por meio de moção. Lembramos que o apoio de todos nessa luta é de extrema relevância.

Cordialmente

Prof. Wescley Rodrigues

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Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
Wesclety Rodrigues

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A MORTE DO CANGACEIRO QUE CONHECI

Publicado em 24/07/2013 por Rostand Medeiros
Junto a Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, em outubro de 1999
 Junto a Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, em outubro de 1999 - Rostand Medeiros

Morreu nesta quarta-feira o último cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Dantas Loiola, de 97 anos, mais conhecido como Candeeiro. Ele faleceu na madrugada de hoje no Hospital Memorial de Arcoverde onde estava internado desde a semana passada, após sofrer um derrame.

Na semana passada, quando me encontrava no Sertão do Pajeú, na boa companhia dos amigos André Vasconcelos, de Triunfo, o poeta Alexandre Morais, de Afogado da Ingazeira e Álvaro Severo, de Serra Talhada, soubemos que ele estava bastante doente e fiz minha oração como cristão, desejando a sua melhora. Quando soube da notícia, na mesma hora me lembrei do encontro que tive com o cangaceiro Candeeiro.

Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro e sua esposa, na tranquilidade do seu lar 
Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro e sua esposa, Dona Linda, na tranquilidade do seu lar

Foi no dia 23 de outubro de 1999, há quase quatorze anos, quando discretamente comecei a sair por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese.

Naquele dia, em um distrito da cidade pernambucana de Buíque, eu conheci na verdade “Seu Né”. Foi através do depoimento de Manoel Dantas Loiola, o Seu Né, o antigo cangaceiro Candeeiro, que comecei a compreender que o entendimento do tema cangaço jamais se resume na tola pergunta “-Foram os cangaceiros heróis, ou bandidos?”, que muitos insistem em fazer e eu tolamente também me fazia.

Lembro-me quando chegamos ao seu comércio e ele me olhou de um jeito inquisitivo, até mesmo duro. Mas depois de um primeiro contato, percebi estar diante de uma pessoa muito tranquila e discreta. Não quis conversar sobre o cangaço na sua casa comercial, mas em sua residência, onde fomos magistralmente bem recebidos por ele e sua esposa, Dona Linda.

Com ele fiz a minha primeira entrevista com alguém envolvido em um fato histórico da minha região. A conversa fluiu franca e aberta e o rolo de fita K7 parecia pouco para tanto papo.

Muito bem recebido pelo antigo membro do bando de Lampião
Muito bem recebido pelo antigo membro do bando de Lampião

Em um dado momento do nosso diálogo, sem maiores pretensões, sapequei a seguinte questão “-Mas Seu Né, o Senhor se considerava um bandido?”.
Nessa hora percebi que tinha passado uma linha meio complicada das memórias daquele homem. Deu para ver que sua mulher ficou nitidamente tensa. Primeiramente ele me olhou primeiramente de um jeito inquisitivo e depois relaxou. Vai ver que percebeu que a minha pergunta não tinha malícia. Mas foi a segurança de sua resposta, sem nenhuma grosseria, que eu jamais esqueci…

“-Eu nunca fui bandido, fui cangaceiro!”.

Aquela resposta criou em mim um desejo enorme de entender porque aquele homem tinha aquele pensamento, tinha aquela identidade. Desse dia em diante eu compreendi que, não apenas a história do cangaço, mas praticamente muitos aspectos ligados a história do Nordeste do Brasil é bem mais complexa do que podemos imaginar. E você só obtém respostas se cair em campo, elas não caem do céu e na vida real o “CRTL-C & CRTL-V” é uma piada.

As palavras de candeeiro conseguiram abrir em mim uma dimensão que não percebia. Até então a ideia que tinha era que os cangaceiros eram tão somente marginais, foras da lei. Para corroborar esta minha ideia, bastava olhar uma das antigas fotos dos grupos de cangaceiros e ver alguns crimes saltavam aos olhos; ali estava bem caracterizado o bando, ou formação de quadrilha e o uso de armas restritas as Forças Federais (como não sou da área de Direito posso errar na informação do crime).

Pois bem, depois de ouvir a firme diretiva do ex-cangaceiro Candeeiro, comecei a perceber que ali havia uma forte ideia de identidade. De uma identidade própria, estranha, exclusiva e dela o Seu Né, pelo menos naquela fase de sua vida, muito se orgulhava. Talvez seu orgulho fosse o mesmo que um militar sente de sua farda, de sua patente e de suas medalhas. Comecei a ver que se os tais “Guerreiros do Sol” eram só bandidos, porque a roupa tão marcante? A mesma roupa que alcançaria uma inigualável e única característica.
Segundo os jornais afirmam  o Seu Manoel Loiola ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirmava que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

Segundo o meu amigo José Mendes, de Mossoró, este 'Cadeeiro nos tempos do cangaço - Fonte - http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/04/porque-reuniao-no-coito-do-angico.html
Segundo o meu amigo José Mendes, de Mossoró, este é Cadeeiro nos tempos do cangaço-
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/04/porque-reuniao-no-coito-do-angico.html

Ele me comentou que entre o momento que entrou no cangaço, até a morte de Lampião, aqueles foram momentos inesquecíveis de sua vida.

Os jornais comentam que Candeeiro afirmou que nos quase dois anos que ficou no bando tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião, exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Estava na Grota do Angico, quando da morte de Lampião e Maria Bonita e figurou entre os que conseguiram escapar. No dia do ataque, já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio. Candeeiro recebeu um balaço no braço, que deixou uma cicatriz e por esta razão sempre andava de camisa de manga longa. Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco. Dias depois, com a promessa de não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipoia. Com ele estavam outros 16 cangaceiros e cumpriu dois anos na prisão.

por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese
Por este sertão afora em busca de sua história, de sua gente, de sua cultura e de sua gênese

Aquele encontro em outubro de 1999 foi extremamente estimulante para que eu continuasse saindo por aí, ao longo destes anos percorrendo os caminhos empoeirados atrás da história da minha região. Lembro-me que depois daquele encontro eu já estive em locais como Canudos, locais da passagem da Coluna Prestes, combate do Rio Formoso, Juazeiro do Padim Cícero, Pau da Colher, Caldeirão, os fanáticos da Serra do João do Vale, Missa do Vaqueiro, palmilhando o caminho de Lampião no Rio Grande do Norte, o cangaço e a guerra na região de Princesa, as fortalezas do nosso litoral nordestino e até o tema da Segunda Guerra Mundial, que é tão importante na história da minha amada cidade Natal.

Nessa ideia de conhecer a história da minha região, da qual tenho enorme orgulho de ser natural, o meu desejo é sempre buscar algo mais. E tudo começou com Seu Né.

Requiescant in pace cangaceiro…

P.S. - Bem, sei que alguns poucos daqueles que pesquisam sobre este tema podem até considerar ridículo tantas linhas para falar de um único encontro com este cangaceiro, que não era uma pessoa de ponta dentro do processo estratégico do bando de Lampião e por alguém que não esteve com tantos protagonistas que vararam as caatingas de chapéu de couro de aba quebrada e arma na mão. Tudo bem, mas pelo menos eu consegui extrair do contato com este ser humano algo que se tornou não apenas uma notinha de rodapé em algum trabalho inútil.

Publicado no blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço: Rostand Medeiros

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OS ESQUECIDOS (MEMÓRIA E VIDA DEPOIS DO CANGAÇO) - III

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa


Somente por iniciativa de Alcino Alves Costa, um ex-prefeito municipal, pesquisador e escritor das coisas nordestinas e principalmente cangaceiras, a história daqueles meninos e meninas, depois homens e mulheres alquebrados da luta, não foi completamente esquecida. Coube a ele tirar muita areia daquele chão pedregoso em busca de um depoimento confiável, de uma “verdade verdadeira”. Somente mais tarde foi domando aqueles temores para ter diante de si um vasto leque das tantas proezas.

Como a população não dava - e continua não dando - qualquer importância aos guerreiros das caatingas, muitas vezes apenas os familiares tinham conhecimento do passado dos seus e procuravam resguardar os seus feitos dentro de quatro paredes, nos baús do esquecimento. Raríssimos os casos onde outras pessoas estranhas ao círculo familiar respeitavam aquele passado, demonstravam algum interesse e procuravam repassar o que conheciam.

Foi assim que por muito tempo a história de Zé de Julião permaneceu sob o mármore frio do esquecimento. Nem sua família nem seus filhos (teve várias mulheres depois da morte de Enedina no Angico) eram vistos perante a figura do pai famoso. Mas famoso como, se relegado às sombras do esquecimento? Afamado pela história, ainda que não pelo conhecimento de seu percurso de vida. José Francisco do Nascimento, seu nome de batismo, certamente foi a personagem mais emblemática, mais fascinante e mais injustiçada de todo o sertão sergipano.


Ora, filho de família rica para as posses sertanejas de então. Seu pai, Julião do Nascimento, era proprietário de muitas terras e rebanhos. Casou ainda muito moço com Enedina - que mais tarde o acompanharia na vida cangaceira - e por ali permaneceu ajudando nos afazeres familiares. Possuía a leitura, a escrita e o senso crítico como os grandes diferenciais naquela povoação sertaneja de imensa maioria analfabeta e empobrecida.

Contudo, foi a visão própria de mundo, permeada de conscientização crítica, que modificaria o seu destino. Como afirmado, tomava-se de extrema revolta todas as vezes que via ou ficava sabendo dos contumazes desmandos policiais, submetendo maldosamente o pobre sertanejo. E não só os mais humildes como aqueles se sobressaíam economicamente, pois o seu próprio pai, Julião do Nascimento, muitas vezes fora vitimado pela vil ganância da tropa infame. Constrangia e ameaçava qualquer um em busca de obter todo tipo de vantagem, principalmente econômica. E aquele povo já tão sofrido não merecia tal tipo de tratamento, na visão revoltosa do filho de Seu Julião.

Tomado de indignação e sentindo que por ali não havia justiça séria e capaz de dar um basta naquelas tantas injustiças, viu no ideário cangaceiro a única forma de combater aquela situação opressora. Abusos e absurdos protagonizados pela polícia, que era a mesma volante que vivia no encalço do bando de Lampião. Então viu o  cangaço como bandeira de luta, como forma de combater os desmandos se alastrando.

Foi aceito no grupo juntamente com sua esposa e nele foi alimentando sua luta até a chacina de 28 de julho de 38. Conseguiu sobreviver ao ataque da volante alagoana comandada por João Bezerra, mas viu sua querida Enedina ser mortalmente atingida. Sem a companheira, sem o comando do grande Capitão, sem meios de prosseguir na luta armada, procurou refazer sua vida com outros planos.

Mas não era nada fácil a vida de ex-cangaceiro. Foi perseguido, caçado, tido como valioso prêmio. Sempre acossado, vagueou pelo sul da Bahia, retornou a Sergipe, passou uma temporada no Rio de Janeiro até retornar novamente a Poço Redondo, dessa vez para resolver problemas familiares, vez que o seu pai havia falecido. Seu desejo era permanecer no seu lugar, tomando conta do seu quinhão na herança, mas teve de retornar a Nova Iguaçu para cuidar de outros negócios seus deixados por lá.

Ainda naquelas distâncias, saudoso, martirizado pela vontade de retornar de vez, não suportou mais e decidiu regressar. Ao retornar dá início ao seu plano maior: ser o primeiro prefeito do então emancipado município. A antiga povoação havia alcançado sua independência política em 1953. E a primeira eleição já estava sendo organizada.

Mesmo sendo lembrado pelos adversários como o “ex-cangaceiro”, Zé de Julião era benquisto demais perante a população. E sua vitória era dada como certa. Disputou com Artur Moreira de Sá, um político famoso em Porto da Folha, de onde Poço Redondo acabava de ser desmembrado, e o resultado foi surpreendente, pois deu empate: 134 votos para cada um. Pelo critério da idade, Artur Moreira acabou sendo eleito, pois mais velho que o filho de Seu Julião.

O resultado, contudo, não foi motivo para desânimo, pois ele já se mostrava fortalecido o suficiente para ser o escolhido na eleição seguinte, a de 1958. Assim achava e assim planejou. Não sabia, porém, que teria como adversário, além de um candidato propriamente dito, também as principais lideranças políticas do estado, a corrupção eleitoral, a justiça tendenciosa e toda sorte de perseguições. Vinte anos depois e a face de ex-cangaceiro ainda era explorada pelos concorrentes. Fato marcante é que aqueles declaradamente seus eleitores deixaram de receber os títulos eleitorais.

Mesmo jogado às feras, acossado de todo lado, vendo a injustiça imperar, resolveu não fraquejar e decidiu levar adiante seu sonho de ser prefeito. Contudo, não havia como vencer sem ser votado, e a maioria de seus eleitores não podia votar. No dia da eleição, sabendo que os títulos negados lhe tiravam qualquer chance de vitória, convidou alguns vaqueiros amigos e, como numa cavalhada desenfreada, com todos montados nos melhores cavalos, saiu invadindo seções eleitorais e saqueando urnas. No lombo dos animais as provas das aviltantes manobras políticas.


Não só teve seu sonho desfeito mais uma vez como se viu encurralado pela justiça. A ordem de prisão foi prontamente expedida. A polícia procurava-o por todo canto, mas ele continuava ali pertinho, no vizinho município baiano de Serra Negra e sob a proteção do poderoso coronel João Maria. Contudo, tempos depois é cercado pela polícia sergipana e preso. Passou pouco tempo na penitenciária e foi liberado por interferência política, sob a promessa de que transformaria sua revolta em aceitação governista. Sem saída, aceitou, mas não engoliu o acordo. Era do seu feitio ser assim.

Em liberdade, planejava ser candidato novamente, mas foi insistentemente aconselhado por amigos a passar uns tempos noutro estado até a situação política e judicial se mostrar mais confiável. Então comprou passagem e seguiu. Mas dizem que nunca chegou ao seu destino. Outra versão diz que já estava em Salvador quando resolveu retornar. Não propriamente a Poço Redondo, mas para ficar escondido nos arredores esperando o momento certo para acertar contas com antigos desafetos políticos.

Nada disso pode ser confirmado. O que se tem como verdade é que viajou e se manteve por um tempo afastado de seu berço de nascimento. E também que retornou, pois numa manhã de domingo, 19 de fevereiro de 1961, Zé de Julião foi encontrado morto, assassinado, num lugar chamado Bastiana, nos arredores de sua querida cidade. As motivações desse crime ainda hoje são controversas. Muitos asseveram que foi morto à traição e a mando daqueles com quem pretendia ajustar contas, resolver na bala mágoas políticas ainda não esquecidas. Algum dia contarei a verdade de toda esse fatídico episódio.

Eis, portanto, parte da história desse grande sertanejo. Contudo, ainda que sua saga seja comprovadamente rica de dramaticidade e sua vida tenha sido tão marcante, por muitos anos ficou completamente esquecida da população poço-redondense. Inacreditável que pudesse ter acontecido assim, mas foi preciso que Alcino desencavasse a história desse grande sertanejo para que o seu conterrâneo passasse a conhecer esse épico maior. 

Continua...

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos seguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Burlamaqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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Lançamento do Livro "Vida Profissional"

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Caros amigos,

O prefácio desde livro foi escrito por este locutor que vos fala. Você é nosso (a) convidado (a). 
Claro, também pedimos uma colher de chá para divulgar. Abraço
Rinaldo Barros

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Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: 
José Romero Araújo Cardoso

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Bumbum de Ivete Vargas

Ivete Vargas
Getúlio Vargas

Ivete Vargas [São Borja, 17 de julho de 1927 - São Paulo, 3 de janeiro de 1984] era sobrinha-neta do ex-presidente Getúlio Vargas. Durante o seu primeiro mandato [ela foi eleita pela primeira vez em 1950] deputada federal [PTB] por São Paulo.

Governador Dix-sept Rosado

Naquela época, Ivete visitou a cidade de Mossoró, importante município norte-riograndense. Pois bem, Epifânio Barbosa [ele era entusiasta de Vargas] grande pecuarista nos Sertões do Assu, figura espirituosa, com grandes amizades com influentes políticos do seu tempo, da terra potiguar, inclusive com o governador Dix-Sept Rosado, resolveu ir até a terra mossoroense conhecer aquela parlamentar.


Ao chegar ao aeroporto, Ivete já se encontrava rodeada por uma multidão de admiradores. Não deu outra. Epifânio despachado, desinibido que era, meteu-se no meio daquela gente toda e, com facilidade se aproximou daquela ilustre visitante, batendo forte com a mão no 'bumbum' de Ivete, auto se apresentando com aquele seu jeitão sertanejo que lhe era peculiar: "Muito prazer, deputada. Epifânio Barbosa, do Assu. Nunca bati na bunda de uma mulher, pra ela não olhar pra trás."

Fonte: http://estoriasdapoliticapotiguar.blogspot.com.br/2011/07/bumbum-de-ivete.html#comment-form

Enviado pelo pesquisador José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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Novo livro de Pedro Nunes - TESTEMUNHO DE UM TEMPO

Por: Kydelmir Dantas


O Mestre Pedro Nunes está expondo, mais uma vez, seu lado literário através de crônicas, neste novo trabalho.

Vale  a pena adquiri-lo.

Foto

Caros amigos

Com passos firmes, pernas caminhadeiras e sem barulhar, chego à sua porta novamente e me anuncio:
– Ô de casa!

Quero entrar, descansar em sua sombra, beber água de seu pote, sentar-me em seu banco de madeira e conversar um pouco. Percorri veredas, caminhos estreitos, grotões fechados de moitas, estradas poeirentas e longas. Depois de muitas madrugadas, eis-me aqui à sua casa. Trago comigo TESTEMUNHO DE UM TEMPO, crônicas escritas em linguagem saborosa para você ler e refletir. São muitas e falam de coisas do dia a dia.
            
Para fazer o pedido, basta mandar-me o endereço que a editora remete por via postagem. O preço do livro é R$ 40,00 e só é pago depois de você receber a postagem no endereço indicado.
            
Para mim será uma honra ter meu livro de crônicas em suas mãos e submetê-lo a seu juízo crítico.
            
Em anexo arquivo da capa para sua apreciação.
Forte abraço,
Pedro Nunes Filho

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: Kydelmir Dantas

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Apagou o Candeeiro; morre Manoel Dantas de Loyola

Por: Manoel Severo
 

Faleceu no inicio do dia de hoje, Manoel Dantas de Loyola, seu Né, ou o ex-cangaceiro Candeeiro, depois de estar internado desde a última segunda-feira na UTI do hospital Memorial Arcoverde.

Ainda em fevereiro de 2012, tivemos o privilégio de mais uma Caravana Cariri Cangaço; reunimos o "bando" e partimos para o meio da caatinga. Entre nossos destinos: Guanumbi, pequeno distrito de Buique. Saindo do centro da cidade percorremos 27 Km em estrada carroçável até chegar a casa de Manoel Dantas de Loyola, ou, Seu Né; ou melhor: Candeeiro. Seu Né, como todos acabam chamando o ex-cangaceiro que morava no número 19 da principal rua do lugarejo, bem em frente a pracinha. Dona Linda e dois dos quatros filhos estavam naquele dia ao lado do nonagenário no momento de nossa visita. 

Aquela visita a Candeeiro nos remeteu a uma emoção impressionante, não só pelo personagem ali representado, mas pela força que aquele homem de 98 anos ainda exalava. O sorriso franco e fácil, o olhar doce e curioso quando falava, não pareciam ser de um homem que esteve nos hostes cangaceiras, ou de um dos cangaceiros que conseguiu escapar do fatídico Angico. Candeeiro sem dúvidas cativava pelo enorme carisma que possuia...

 Múcio Procópio e numero 19 da principal rua de Guanumbi

Durante nossa última visita, lampejos de lucidez e lembranças, mas nas poucas que pudemos perceber, “bebemos na fonte”, foram mais de duas horas de uma visita inesquecível. A entrada no cangaço, as andanças com Jararaca, o baiano, as histórias com Virgínio, o Capitão, Angico, o tiro que esfacelou seu braço, as entregas, o tempo que era soldado da borracha,  o retorno, enfim. Passo a passo Candeeiro ia juntando pequenos  fragmentos de lembranças de um tempo que parece não sair de sua cabeça... 

 
Candeeiro e Manoel Severo

Afrânio, Candeeiro, Manoel Severo e Valentim  Antunes

“Certa vez Corisco observando um dos cangaceiros da família dos Ingrácias, um moreno ainda jovem com os cabelos encaracolados, era manhazinha e os cabelos desse cangaceiro estava molhado do sereno da noite, daí nasceu o apelito de Zé Sereno para o marido da Sila”

Candeeiro, memória viva dos tempos do cangaço

Aderbal Nogueira entre o casal: Candeeiro e dona Linda

Naquele dia, dona Linda, sua esposa, a tudo escutava e acompanhava, aqui e acolá um comentário, um reparo, uma outra lembrança. Naquela manhã as fotografias selariam o final de nossa visita e a certeza que havíamos compartilhado momentos de inegável valor histórico ao lado de personagens como Manoel Dantas de Loiola, ou seu Né, ou Candeeiro. 

A família Cariri Cangaço se une às orações e ao sentimento da família enlutada. Que Deus possa iluminar todos os caminhos.

Manoel Severo

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