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sábado, 14 de março de 2015

A ecologia enquanto aliada dos Princesenses na guerra de 1930

Por José Romero Araújo Cardoso

Impressiona o número de baixas dos militares paraibanos quando da guerra de Princesa em 1930, pois em todos os combates registraram-se perdas consideráveis para os “legalistas” a serviço do governo João Pessoa.

Indubitavelmente a razão está no conhecimento apurado do meio ambiente, tendo em vista que ser conhecedor profundo da região e dos aspectos naturais era condição sine qua non para do sucesso de qualquer investida, seja guerrilheira ou militar convencional.

Princesa está localizada em área montanhosa, a qual perfaz continuidade do planalto da Borborema, sendo caracterizada pelas formações rochosas que serviram de aliadas em diversas tocaias que levaram morte, terror e pânico aos valentes soldados do bravo Presidente.

Conhecimento das condições naturais, incluindo vegetação extremamente útil ao mimetismo em condições de guerrilha, caso do acontecido em Princesa, aliou-se à perspicácia dos sertanejos comandados por Zé Pereira.

Estar acostumados com trilhas e veredas outrora palmilhadas por Lourenço de Britto Correia e por Dona Nathália do Espírito Santo era vantagem que o nativo do sertão de Princesa desfrutava com relação aos seus adversários de luta.

Meio biótico e abiótico interagiram formidavelmente no ensejo das batalhas travadas no ao longo do Território Livre de Princesa, pois a sede mesma nunca foi ameaçada. Transformou-se, no dizer de Rui Facó, em fortaleza inexpugnável, onde vacilavam tropas regulares que intuíam adentrar o reino encantado de Dom José I, monarca de Princesa, expressão armorial cunhada por Ariano Suassuna em seu romance da Pedra do Reino.

Do alto das serras que circundam Princesa tinha-se visão panorâmica que permitia vislumbrar qualquer aproximação de tropas, tornando-se fácil preparar nos mínimos detalhes tocaias fatais, como a que destroçou a Coluna da Vitória logo após Água Branca.

Os lances da guerra de Princesa desenrolaram-se em época de seca violenta, a qual segundo Orris Barbosa em Secca de 32 – Impressões (Rio de Janeiro, Adersen Editores, 1935; Mossoró, Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense, 1998)) sobre a crise nordestina, teve início em 1926, com breve intervalo em 1929 e intensificação nos anos seguintes, sendo 1933 marcado por inverno promissor.

A vegetação estorricada pelo rigor da estiagem foi profusamente utilizada pelos sertanejos para esconder-se, literalmente. Encourados, passavam despercebidos dos inexperientes militares oriundos do litoral. Militares afeitos à luta contra o cangaço, como Manuel Benício, Manuel Arruda de Assis, entre outros, sabiam os segredos da ecologia do semiárido na ênfase ao disfarce dos Princesenses, equilibrando o jogo de forças.

A ecologia do sertão, onde os bravos e fortes tem consideravelmente mais chance de sobreviver serviu de fundamento ao sucesso das escaramuças travadas na guerra de Princesa, pois conhecer o meio ambiente revelou-se imprescindível para a definição das vitórias naquelas eras turbulentas marcadas pelo rigor dos combates nas alterosas de uma área de exceção do sertão paraibano.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso.

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DOCUMENTÁRIO MORENO E DURVINHA - SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO.


PREZADOS(AS) AMIGOS(AS)...

É com imenso prazer e satisfação que apresento-lhes o nosso mais novo trabalho, trata-se na verdade de um documentário inspirado na obra "SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO" do Escritor, Pesquisador e Historiador João De Sousa Lima, que retrata a saga do casal cangaceiro Moreno e Durvinha, antes, durante e após o período do cangaço.

Uma das histórias mais fantásticas e sensacionais entre as muitas que existiram durante o período de atuação do fenômeno cangaço.

Moreno e Durvinha integraram as hostes cangaceiras e mesmo após a morte de Lampião ainda perambularam pelas caatingas do Nordeste até o ano de 1940 quando resolveram abandonar definitivamente o cangaço.

O casal rumou para outras terras, assumiram novas identidades e permaneceram escondidos durante sessenta e seis anos, mantendo suas vidas passadas em segredo até mesmo dos próprios filhos.

Porém no ano de 2005 Moreno adoece e prevendo o pior, resolve revelar o segredo até então de todos escondido e o mundo novamente toma conhecimento da existência do último casal de cangaceiros.

Uma história fascinante que vocês conhecerão a partir de agora...

MORENO E DURVINHA - SANGUE, AMOR E FUGA NO CANGAÇO.

CURTAM E COMPARTILHEM.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook
página: Geraldo Júnior 

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A FAZENDA PASSAGEM


O nome "Passagem das Pedras" deve-se a uma barreira de pedras no Riacho São Domingos, no fundo da casa de dona Jacoza (o riacho passava em frente à casa e em seguida dobrava à direita em direção à serra), que represa as águas formando uma lagoa e serve de ponte ("passagem") quando as águas baixam. 

Dona Jacosa avó materna de Lampião

O garoto Virgulino e seus irmãos aprenderam a nadar nessa lagoa. De acordo com o atual proprietário, Camilo Andrelino de Moura, o terreno de José Ferreira media uns 80 hectares (240 tarefas).


Como José Ferreira estava sempre viajando, sua mulher, para não ficar sozinha, passava a maior parte do tempo na casa dos pais, que em linha reta ficava a apenas uns 300 metros, do outro lado do Riacho São Domingos.


Nas fotos a localização do local da passagem.


Adquira este livro através deste e-mail:

josebezerra@terra.com.br

Fonte: José Bezerra Lima Irmão. Lampião a Raposa das Caatinga.

Fonte no facebook: Andre Lacerda‎ O Cangaço

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VOCÊS CONHECEM ESTA FOTO?


Acredito que essa foto seja desconhecida até mesmo da grande maioria dos estudiosos do assunto.

Na imagem, um recorte de Jornal, em que aparece ao chão o corpo do cangaceiro JOÃO PRETO, que pertenceu ao subgrupo do cangaceiro Canário, e que foi abatido na cidade sergipana de Aquidabã.

Poucas informações são conhecidas sobre a vida desse cangaceiro, porém sua fúnebre imagem ficou registrada para o conhecimento das futuras gerações.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/04/a-origem-do-nome-favela-tranquilim.html

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O INTERROGATÓRIO DE LUCAS DA FEIRA:


Material sobre Lucas da Feira escrito em 1907 por Guimarães Covas, que foi delegado nesta cidade [Feira de Santana] no final do século XIX e inicio do século XX. A grafia está conforme o original:

(...) comecemos a narração dos factos principaes da vida de Lucas e de sua quadrilha.
A 18 de Outubro de 1807, nasceu Lucas Evangelista, na fazenda “Sacco do Limão”, do município da Feira de Sant’Anna.
Produziram o temível facínora os africanos Ignácio e Maria.
Captivo de nascimento, Lucas pertenceu, a princípio, a D. Anna Pereira do Lage, e por fallecimento desta senhora passou ao domínio do Padre José Alves Franco, vindo mais tarde a caber, em nova partilha, ao pae deste sacerdote, Alferos José Alves Franco.
Ao tempo em que se deu o traspasse do maldicto escravo ao novo senhorio, elle já havia fugido para as mattas da Feira, mais ou menos em meiados de 1828.
Uma vez no goso daquella conquista de liberdade, a índole perversa do bandido entrou, desde logo, em cogitações diabólicas de que resultou a organisação da célebre quadrilha de salteadores, da qual faziam parte os escravos também fugidos, de nomes: Flaviano, Nicolau, Bernardino, Januário, José e Joaquim.
Inspirada nos sentimentos sanguíneos do bandido que a chefiava, essa malta de terríveis assassinos e ladrões commetteu, livremente, toda sorte de crimes nas estradas do famoso município, até o dia 28 de Janeiro de 1848, data da prisão do célebre salteador chefe da quadrilha.
Para que o leitor fique conhecendo a série de crimes praticados por Lucas e seus cúmplices, esses bandidos que trouxeram, por 20 annos, a população da Feira em constante sobresalto, vamos transcrever o interrogatório a que foi submettido no tribunal do jury o chefe desses miseráveis.
O Juiz de Direito da Comarca e Presidente do julgamento era o Dr. Innocencio Marques de Araújo Góes que fez do seguinte modo o interrogatório ao réu:
- Perguntado o seu nome, naturalidade, edade e profissão?
- Respondeu chamar-se Lucas, ter sido escravo do fallecido Padre José Alves,
nascido na fazenda do “Sacco do Limão”, frequezia de São José maior de 35 annos e que era empregado no serviço da lavoura e carpina.
- Perguntou-lhe se sabe o motivo por eu foi preso e o que vem fazer neste tribunal?
- Respondeu que tendo fugido da companhia de seu senhor há quase dezoito annos e commettido em todo esse tempo algumas acções más, pelo que tem sido processado pela Justiça, pensa ter sido preso para dar contas do seu procedimento e julgado como merece.
- Perguntou em que empregava-se durante tanto tempo que viveu nas mattas, como sustentava-se e obtinha aquillo de que carecia?
- Respondeu que até certo tempo matava seus bichinhos para sustentar-se, e pedia algumas coisas que precisava a pessoas de seu conhecimento e amisade, mas que passando a ser perseguido pela Justiça, vendo-se desesperado, como ainda se acha, começou a offender e fazer mal ao povo.
- Perguntado quaes os conhecidos e amigos que lhe devam objectos que elle pedia?
- Respondeu que não tinha empenho em declarar nomes, que por estar perdido não queria perder outros christãos que lhe haviam feito benefícios.
- Perguntado se esses amigos e conhecidos a que se refere lhe forneciam também algumas porções de polvora e de chumbo e algumas armas?
- Respondeu que há mais de quatro annos tomara na estrada um barril de pólvora e uma grande porção de chumbo de que usou até agora.
- Perguntou-lhe onde e como obtinha os mesmos objetos, antes dessa tomada de que fala?
- Respondeu que nas estradas tomava a uns á força e outros voluntariamente lhe davam, e que também algumas vezes comprava, não declarando seus nomes, porque, já disse, não queria perder outros.
- Perguntou-lhe mais como offendia geralmente ao povo, segundo disse, quando affirma que só queria offender àquelles que o perseguiam e o insultavam nas estradas?
- Respondeu que somente maltratava e offendia aquelles de quem receiava que o atraiçoassem ou perseguissem por qualquer forma.
- Perguntado si tem noticia dos tiros dados no guarda policial Joaquim Romão e Manoel Antonio Leite, resultando a morte deste, que também foi roubado?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe si não tem noticia de Antonio Correia Pessoa, que foi morto e roubado em sua própria casa?
— Respondeu saber desse facto, e que foram autores elle respondente e seus companheiros, Nicoláo, Joaquim e Januário e que assim procederam porque esse Pessoa os perseguia e que já lhes havia dado dois tiros.
- Perguntado como foi morto esse homem?
- Respondeu que fora com pancadas e couces.
- Perguntou-lhe si tinha lembrança da morte de Ventura Ferreira de Oliveira, na Lagoa do Peixe?
- Respondeu que fora morto por seu camarada Nicolau, estando presente elle interrogado.
- Perguntou-lhe si tem noticia das mortes de Alexandre Felippe de Lima e de José Francisco Caboclo e quaes os autores?
- Disse, quanto à primeira, nada sabe e quanto á segunda foi elle interrogado quem matou, porque esse José Francisco recusava-se a pagar-lhe um dinheiro e também o queria matar.
- Perguntou si tinha noticia da morte do Antonio, escravo de José Antonio da Silva, que teve lugar na fazenda Sobradinho, próximo a esta villa?
- Respondeu que passando elle e alguns companheiros pela estrada, o dito Silva e outros lhe dirigiram insultos, pelo que elle respondente para desaffrontar se dera uns tiros contra aquelles, de um dos quaes resultou a morte do crioulinho.
- Perguntou mais si tem noticia da morte de Antonio Bonifácio e quem foi o autor?
- Respondeu ter sido elle interrogado, porque esse Bonifácio andava o preseguindo, pelo que o matou antes que lhe dizesse o mesmo.
- Perguntou si tem noticia da morte de Theotonio, escravo de Victorino Alves e qual o motivo? Respondeu que estando elle e alguns companheiros procurando a vida, o seu camarada de nome Joaquim matara e dito Theotonio.
- Perguntado si também tem noticia da morte de Alexandrina de tal, escrava de Manoel Joaquim?
- Respondeu ter sido elle quem a matou na occasião da morte do seu companheiro Nicoláo.
- Perguntou-lhe mais si tem noticia da morte de Manoel Lima, que também foi roubado, em uma das estradas desta villa?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe si tem noticia da facada e pancadas que soffreu João Gomes de Oliveira, levando as também duas filhas?
- Respondeu que só lhe deu pancadass com o couce da arma porue elle sabia do rancho em que se escondiam, e que as filhas foram somente conduzidas até a beira do rio Jachype onde elle as deixou.
- Perguntou mais se tem notícia da morte de João Vicente e qual o motivo?
- Respondeu que esse João Vicente também sabia do seu rancho, e tendo dado lá uma tropa, entendeu que foi elle o denunciante, por isso o matou.
- Perguntou-lhe mais si também tem noticia da morte de Joaquim Romão?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou-lhe mais si sabe da morte feita em João de tal, morador no lugar denominado Papagaio?
- Respondeu ter sido o autor, porque elle sabia, e effectivamente mostrou, o logar em que tinha o seu rancho e de seus companheiros.
- Perguntou-lhe também si fora o autor da morte de Alexandre de tal, filho de Antonio Felippe?
- Respondeu que elle e seu companheiro Nicoláo fora os autores, porque os ditos Alexandre o seu pai Antonio Felippe constantemente os perseguiam.
- Perguntou-lhe si sabe quem deu as cutiladas no crioulo Manoel João?
- Respondeu que foram elle e seu companheiro Nicoláo, porque receiavam desse individuo.
- Perguntou-lhe sei tem noticia dos tiros dados no capitão Gregório do Nascimento?
- Respondeu que fora elle e seus companheiros, porque Gregório também os perseguia.
- Perguntou se tem noticia dos tiros dado em Manoel das Chagas e qual o motivo?
- Respondeu que foi elle por ver que esse homem merecia e assim quis quebrar-lhe as pernas.
- Perguntou-lhe mais, porque?
- Respondeu que por ter promettido pical-o em postas, assim elle respondente quis ensinal-o.
- Perguntou si tem noticia do roubo feito a José Dionysio, morador nas Campas?
- Respondeu que fora feito por seus companheiros Nicolau e Manoel, estando elle também presente.
- Perguntou o que roubaram nessa occasião?
- Respondeu que três colheres de prata.
- Perguntou-lhe si teve noticia do roubo feito a Vicente de tal, das Campas?
- Respondeu que fora elle o autor do roubo, tendo somente roubado uma calça e uma jaqueta.
- Perguntou mais si tem noticia dos cinco tiros dados em Gregório José de Almeida, no caminho de São José?
- Respondeu que foram dados por elle e seus companheiros, por um insulto que o dito lhes fizera.
- Perguntou si além dessas mortes e furtos sobre que tem respondido, lembra-se de ter feito mais alguma cousa?
- Respondeu que perante o Juiz Municipal já fora também conduzido e interrogado sobre alguns outros factos, como fosse o roubo da egreja das Brotas, e os tiros no Alferes Agostinho, em Joaquim Ferreira da costa e outros feitos a um homem chamado Sampaio Pinheiro e o vaqueiro de Aprigio Pires Gomes.
- Perguntou-lhe mais si durante a estada nos matos raptou algumas mulheres e sei tem lembrança do numero?
- Respondeu ter com effeito raptado algumas em numero de cinco ou seis, tendo, porém, outras ido voluntariamente para sua companhia.
- Perguntou si não matou alguma destas raparigas que levou para a sua companhia?
- Respondeu negativamente.
- Perguntou se em algum encontro, que elle respondente teve com pessoas que o perseguiam, levou alguns tiros e si tem lembrança do numero?
- Respondeu ter contado até cem e que felizmente escapou, tendo levado outros muitos que dahi em diante deixou de contar.
- Perguntou se não guardou em alguma parte ou em poder de qualquer pessoa dinheiro e outros objectos que tivesse tomado nas estradas?
- Respondeu que tudo quanto tinha era somente alguma roupa e outras miudezas que existiam no rancho em que foi preso, nada tendo guardado em parte alguma.
E nada mais respondeu nem lhe foi perguntado.
Por esta forma houve o Juiz por findo este interrogatório, mandando lavrar este termo, em que assignou com o curador do réo, depois de lido por mim Manoel José de Araújo Patrício, escrivão que escrivi - Innocencio Marques de Araújo Góes - O curador, Manoel Pereira de Azevedo.
Do interrogatório que acabamos de transcrever, vê-se quanto foi flagellada a Feira de Sant’Anna, principalmente depois do anno de 1840, quando o celebre salteador organisou sua quadrilha.
A prisão de Lucas teve os seus prodromos a 23 de Janeiro de 1848.
Narremos o facto que deve ter alguma importância para os nossos leitores.
Achando-se foragido o official de justiça do fórum feirense, de nome José Pereira Cazumbá, porque praticara um homicídio, pensou de obter o indulto, offerecendo-se para prender o salteador Lucas.
Acceita a proposta pelas autoridades com o accrescimo de que o governo compromettia-se a dar a Cazumbá, além do indulto mais quatro contos em dinheiro, foram affixados editaes neste sentido nos lugares mais públicos da Feira e publicados pela imprensa.
Na capella de N. S. dos Humildes, três legoas ao Sul da Feira de Sant’Anna, realisou-se uma festa, e para ella dirigiu se Lucas em procura, talvez, de alguma presa.
Cazumbá, acompanhado de Manoel Gomes, montou guarda no lugar chamado Pedra do Descanso, por onde, fatalmente, Lucas teria que passar de volta da festa.
Na segunda-feira 24, cerca de 6 horas da manhã, surge o salteador felizmente desacompanhado.
Manoel Gomes esmorece e treme, caindo-lhe a arma das mãos; mas na emboscada detona uma outra arma, cujo projectil aloja se certeiro no braço do salteador - foi a arma de Cazumbá, o official de justiça pronunciado que necessitava de liberdade.
Passada a primeira impressão, causada pelo susto de que o salteador não fosse altacal-os em seu esconderijo, sahiram elles e foram examinar o lugar onde estava Lucas quando recebeu o tiro.
O salteador havia de facto desapparecido, mas ali se achava o clavinote de seu uso e um rasteiro de sangue pela estrada afora.
Nessas averiguações estavam os dois, Cazumbá e Gomes, quando por ali passou o dr. Leovegildo de Amorim Filgueiras, juiz municipal e delegado do Termo, acompanhado de outros para effectuarem uma medição de terás.
Sciente de tudo, a dita autoridade poz a força publica em movimento para a captura do bandido, cujo paradeiro haviam de descobrir pelos vestígios de sangue, deixados na estrada e no mato.
Infelizmente assim não aconteceu porque a força de policia, os Inspectores de Quarteirão e o povo que os acompanhava, andaram todo dia e nos seguintes debalde, porque os vestígios desappareceram.
Quando o desanimo já começava a invadir aquelle troço de homens ávidos pela prisão do malvado crioulo, surgiu entre elles uma lembrança providencial.
Benedicto da Tapera, suspeitado como um de seus confidentes e intermediários, havia de lhes dizer qualquer cousa.
Sem demora seguiram para a casa do mesmo e gratificaram-n’o, ameaçando-o ao mesmo tempo de matal-o se não disesse onde estava Lucas.
Nestas condições, Benedicto confessou o paradeiro do salteador.
Na manha do dia 28 de Janeiro, o bandido, que tanto aterrorisou as populações daquella zona no período de vinte annos, estava entregue á justiça para responder por tantos crimes que praticara.
Condemnado à força pelo tribunal do Jury que se reuniu a 1º de Março do mesmo anno, foi executado a 26 de Setembro de 1849, no Campo do Gado, em presença de uma multidão que exultava pelo goso da tranqüilidade aspirada com o desapparecimento do bandido que a ameaçara por tantos annos.
Às 10 horas da manhã, daquelle dia, foi o salteador retirado da prisão e revestido de uma túnica branca.
Posto o baraço ao pescoço, em cuja extremidade segurava o carrasco, começou a percorrer as ruas da Feira, ladeado por dois franciscanos e o vigário da Freguezia padre José Tavares da Silva, e acompanhado das autoridades locaes, força publica e enorme massa popular da villa e de muitos logares que viera para esse fim.
De espaço a espaço paravam, os franciscanos resavam, os sinos dobravam e o official de justiça Marcellino Marques da Silva apregoava em altas vozes a morte do condemnado.
Ao meio dia chegou o cortejo fúnebre ao Campo do Gado, lugar em que estava armado o instrumento do supplicio.
Guindado ao plano superior da força, acompanhado de seu carrasco, Joaquim Correia, rapaz branco de 20 annos de edade, que espontaneamente se offerecera para aquelle reprovável mister, por ter o réprobo assassinado barbaramente seu pai Francisco Correia, elle, Lucas, acenando com a mão que lhe restava, pois a outra tinha sido operada em conseqüência dos tiros recebidos quando foi preso, disse: “Espere!”
Divagou o olhar acovardado por aquella multidão, e com voz fraca e arrastada declinou estas ultimas palavras:
“Sei que muitos dentre vós estão contentes de me verem assim acabar; eu peço perdão a Deus e a todos que perdoem”.
Dito isto o carrasco atira-o ao espaço: desce pela corda; arrima-se aos hombro do condemnado e mantém-lhe a bocca fechada. Os membros do suppliciado controhem-se, seguindo-se a mieção e o exhalar do ultimo suspiro.
Morto! Foi o brado uniforme, abafado e fúnebre sahido dos lábios da multidão.
Effectivamente o condemnado tornara-se cadáver; a Feira exaltava pela volta de sua tranqüilidade; a justiça desafrontara-se, e a sociedade; quanto a nós que escrevemos estas linhas desapaixonadamente, devia ter se enlutado por esse assassinato cobarde praticado na pessoa de um facínora, é verdade, mas no entanto criminoso porque a sociedade não soube educal-o.


NOTA: A fazenda Saco do Limão, onde Lucas da Feira nasceu, fica na beira do Rio Jacuípe (rio dos Jacús em tupi), na zona sul da cidade de Feira de Santana, ao poente do bairro do Tomba, bem no limite com o município de São Gonçalo dos Campos.

Fonte: facebook
Página: Andre Lacerda

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MARIA, MARIA


Maria, Maria
Bonita como a natureza
Bonita como canta a água
Na quebrada da correnteza}  bis

Filha do velho José
Maria, beleza rara
Foi nascida e criada
Na Malhada Caiçara} bis

Quando fez dezoito anos
Ó destino treteiro
Casou com Zé de Neném
O remendo sapateiro

Cinco anos depois
Apareceu Lampião
Maria se apaixonou
E lhe entregou o coração}


A jornada de Lampião e Maria Bonita

Fonte: facebook
Página: Adriana Souza

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sexta-feira, 13 de março de 2015

ILUSTRES IMPORTANTES!


1 - ..., 2 - O escritor e pesquisador do cangaço Alcino Alves Costa - 3 - A cangaceira Dadá esposa do cangaceiro Corisco, que morreu no dia 25 de Maio de 1940 - 4 - A cangaceira Sila companheira do cangaceiro Zé Sereno que faleceu em São Paulo em 1981 - 5 - O jornalista Juarez Conrado autor do livro "Lampião Assaltos e Morte em Sergipe" - 6 - Luiz Antônio Barreto (meu mestre). Inclusive dediquei meu livro O CANGAÇO EM ITABAIANA GRANDE A ESSES DOIS ÍCONES.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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ANÉSIA


Na verdade a luta da Anésia Cauaçu era uma luta de famílias que logo ficou conhecida como RABUDOS X MOCÓS. A Anésia ao se juntar aos seus irmãos e parentes, terminou se destacando por ser mulher, por andar a cavalo, por possuir liderança e também por ser ótima atiradora... Para maiores detalhes sobre essa saga vivida na região de Jequié no início do século passado sugiro que adquiram o livro do amigo Domingos Ailton, professor ativo da cidade de Jequié.

O livro do amigo Domingos Ailton, apesar de ser romanceado, teve por base de pesquisa todas as matérias jornalísticas pertinentes a essa batalha entre famílias que ganharam adeptos amigos ou jagunços contratados, principalmente as matérias publicadas no Jornal A TARDE, além de fontes orais. Uma boa obra portanto, que recomendo.

Fonte: facebook
Página: Página: Archimedes Marques

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O FIM DE VIRGULINO LAMPIÃO


Ofereço ao amigo o livro "O FIM DE VIRGULINO - o que disseram os jornais sergipanos", de minha autoria, por apenas:

 R$ 25,00 (com o frete incluso). 

É só entrar em contato comigo. Meu e-mail é tonisobrinho@uol.com.br. Aproveitem, restam poucos exemplares.

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13 DE MARÇO - A BATALHA DE JENIPAPO



13 DE MARÇO - A BATALHA DE JENIPAPO

A Batalha do Jenipapo ocorreu às margens do riacho de mesmo nome no dia 13 de março de 1823, a qual foi decisiva para a Independência do Brasil e consolidação do território nacional.

Consistiu na luta de piauienses, maranhenses e cearenses contra as tropas do Major João José da Cunha Fidié, que era o comandante das tropas portuguesas, encarregadas de manter o norte da ex-colônia fiel à Coroa Portuguesa. Os brasileiros lutaram com instrumentos simples, não com armas de guerra, não tinham experiência. Perderam a batalha, mas fizeram com que a tropa desviasse seu destino. Foi uma das mais marcantes e sangrentas Batalhas travadas na guerra da independência do Brasil.

A data não consta nos livros de História e poucos sabem do ocorrido, mesmo no Piauí, onde ocorreu a batalha. Contudo, após alguns movimentos por parte de políticos, historiadores e da população, a data foi acrescida à bandeira do Piauí e está em curso a implantação do estudo da Batalha do Jenipapo na disciplina de História.

Durante as comemorações e reflexões do dia 13 de março o município de Campo Maior faz a entrega da Medalha do Mérito Heróis do Jenipapo e o(a) Governador(a) do Piauí, a Ordem do Mérito Renascença do Piauí, oportunidade em que o mesmo usa a faixa governamental.

Fonte principal: http://goo.gl/Aqq6v2
Imagem: http://goo.gl/Mrk6DX
Fonte: facebook

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INÉDITO!!! SILA - CONFISSÕES E SEGREDOS DE UMA EX CANGACEIRA.


Nessa reportagem a ex cangaceira Sila (Ilda Ribeiro de Souza) revela alguns segredos sobre o dia a dia no cangaço, fala um pouco sobre sua vida, enfim, sobre o cotidiano do bando de cangaceiros liderados por Lampião.

Fonte da matéria: "REVISTA FATOS"

Correção: O texto relata que Lampião e Maria eram os padrinhos de Wilson Ribeiro (Filho de Sila), quando na verdade o casal cangaceiro batizou o menino "João do Mato" nascido ainda durante o período do cangaço que faleceu pouco tempo depois em decorrência da dura vida em que levavam.

Material cedido gentilmente por Gilaene (Gila) de Souza Rodrigues filha do casal Sila e Zé Sereno.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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Você está procurando livro sobre "CANGAÇO"?


Entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail:  

franpelima@bol.com.br

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DÚVIDAS QUE FORAM ESCLARECIDAS PELOS PESQUISADORES

Por José Mendes Pereira

Alguns estudantes do cangaço (assim como eu), achávamos que este cangaceiro de óculos é o Azulão, mas não é. É o cangaceiro Moreno, companheiro da cangaceira Durvinha.

 Mariano, Pai Veio e Pavão

Na literatura lampiônica, esta foto está escrito assim:

Pertences e cabeças dos cangaceiros Mariano, Pai Veio e Zeppelin, mortos em combate no local chamado Cangaleixo, no Estado de Sergipe, pela volante Baiana do tenente José Rufino, no ano de 1936.

O local, o ano, o Estado em que eles foram mortos, e a volante que matou estes cangaceiros, tudo  está correto, apenas com uma simples correção: o cangaceiro da direita não é o Zepelin, e sim, Pavão.

Cabeça do cangaceiro Zepelim, morto em Sergipe. Fotógrafo desconhecido, 1935 

Observem que foi apenas um equívoco de quem legendou a foto dos cangaceiros Mariano Laurindo Granja, Pai Veio e Pavão, afirmando que o da direita é o Zepelim. 

O Zepelim  foi morto  também lá no Estado de Sergipe, mas observem que a sua morte aconteceu no ano de 1935.

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100 ANOS - CYRA BRITTO BEZERRA (MINHA AVÓ)


Nasceu no interior de Alagoas, no município de Piranhas, às margens do rio São Francisco, em 12 de março de 1915. Filha de Francisco Correa de Britto e de Emiliana Gomes de Britto prósperos fazendeiros e, também neta do chefe político da região dos dois lados do rio São Francisco: Piranhas (Alagoas) e Canindé do São Francisco (Sergipe), o Cel. Antonio José Correa de Britto (conhecido como "Antonio Menino" ou "Pai-Nosso") e de Prima Gomes de Britto ("Mãe-Nossa"). De família numerosa, dividia com seus 14 irmãos: Carlos, Célia, Ciro, Claudemiro, Clodovil, Cordélia, Guiomar, João, José, Maria José, Nair, Noélia, Raimundo e Yolanda, as brincadeiras entre a Fazenda Gerimum (no lado sergipano) e a casa grande em Piranhas.

Tenente João Bezerra

Casou-se com o então Ten. João Bezerra (Militar responsável pela morte de Lampião) em 1935 de quem já diziam ser prometida, por "Pai-Nosso", desde tenra idade. Representou nos seus quase noventa anos de existência, um exemplo de coragem, tenacidade e companheirismo da mulher nordestina e brasileira.

Vovó Cyra faleceu na cidade do Recife/PE, em 30 de março de 2003, aos 88 anos de idade!

Porém, JAMAIS ESQUECEREI O SEU SORRISO!!!!!

Fonte: 
facebook
Página: Benner Britto

João Bezerra da Silva nasceu no dia 24 de junho de 1898, na Serra da Colônia, Município de Afogados da Ingazeira - Estado de Pernambuco. Seus pais: Henrique Bezerra da Silva e Marcolina Bezerra da Silva, eram pequenos fazendeiros e tiveram sete filhos.

Com vontade de aprender a ler, trazia consigo sempre, uma "carta de ABC" (cartilha) e um "ponteiro" (lápis). Aos oito anos, já ajudava seu pai na agricultura e na criação de animais.

Aprendeu a atirar com Manoel Batista de Morais, popularmente conhecido como Antônio Silvino, "O Rifle de Ouro", também de Afogados da Ingazeira/PE, que era primo de João Bezerra em segundo grau, tornando-se em um exímio atirador. Antonio Silvino foi conhecido no sertão como o mais famoso cangaceiro do Nordeste antes de Lampião, sendo ainda testemunha do assassinato do jornalista João Dantas na penitenciária de Recife, que era o assassino do ilustre paraibano João Pessoa, contrariando a versão oficial da época de que dizia ter sido suicídio.

Aos quatorze anos, Bezerra fugiu de casa para o Recife/PE. Já demonstrava uma personalidade marcante, corajosa e propensa à aventura. Um menino sertanejo, desbravando a Capital. A partir daí, foi carregador de carvão de pedra no cais do porto; ajudante de soldador; assentador de dormentes em linha férrea; trabalhador de pedreira e de lavoura. Após um ano, voltou para casa e montou um comércio (uma pequena bodega), onde vendia de tudo.

Tempos depois, foi forçado a sair do seio familiar; indo trabalhar com um dos maiores inimigos de Lampião, o famoso Coronel José Pereira, em Princesa/PB, de onde partiu para o Estado das Alagoas. Iniciou sua carreira em 1919, na Policia Militar de Alagoas, como policial contratado para integrar as "volantes", sendo incorporando definitivamente, em 29 de março de 1922, onde permaneceu por 35 anos e 07 meses.

Casou-se com Cyra Gomes de Britto, em Piranhas/AL, no ano de 1935.

Foi Maçom, alcançando o 18° grau na instituição em que participava.
 
ASSENTAMENTOS MILITARES 
  
19 Nomeações de comando, incluindo o de Comandante da Corporação (Apesar de não estar incluído no histórico de comandantes da Polícia Militar de Alagoas, deve ter assumido o Comando Geral em algum espaço entre nomeações deixados por algum comandante entre 1950 e 1954);

12 Nomeações para delegado, em várias cidades de Alagoas;

Participação como "Chefe de Volante" por um período de 12 anos, travando 11 combates com os grupos de cangaceiros chefiados por: Luiz Pedro do Retiro,Corisco, Gato, Zé Baiano, Português, Manoel Moreno, Moita Brava e por último com o famoso Lampião, o mais importante desses combates, que foi travado na Grota de Anjicos, atual Município de Poço Redondo, em Sergipe, no qual ocorreu a morte de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), sua companheira Maria Gomes de Oliveira (Maria Bonita), e dos cangaceiros: Luiz Pedro, Quinta-feira, Elétrico, Mergulhão, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete e Macela.

Participação de diversas missões fora do Estado, com o contingente alagoano, nas Revoluções de 1925, 1930 e 1932.

Nomeação como Prefeito Interventor da cidade de Piranhas/AL, no ano de 1933.

Durante a sua vida militar, recebeu diversos elogios por seu desempenho nas missões em que participou, conforme foram publicados nos boletins da Policia Militar de Alagoas. Entre eles:

Elogio do Comandante da Corporação;
Elogio do Interventor Federal;
Elogio do Governador do Estado;
Elogio do General de Exército;
Elogio do Presidente da República.

Era obstinado, desbravador e estrategista. Cidadão honrado, decidido, extremamente observador, perspicaz e de muita fé. Seus passos foram cuidadosamente planejados, prevalecendo sempre a sensatez e a dignidade. Incansável na luta contra o banditismo. Seus contemporâneos sabiam do seu empenho, da sua responsabilidade e do seu valor: Nada em sua vida parecia ter sido por acaso.

Por volta de 1918, final da Primeira Guerra Mundial, o governo brasileiro, deparava-se com um sério problema: o Cangaço no Nordeste. Liderados por homens como Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, bandos com cerca de quarenta homens aterrorizavam as vilas e povoados das cidades sertanejas nos interiores dos estados nordestinos.

Sem estrutura de transporte e de pessoal correlacionado ao difícil acesso a essas cidades, as polícias dos estados organizam grupamentos com cerca de cinqüenta homens, denominados de "Volantes" que, bem armadas, saiam da capital e percorriam as cidades sertanejas à procura dos bandos de cangaceiros.

Durante vinte anos, foram várias as investidas realizadas pelas polícias de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará sem êxito, até o dia 28 de Julho do ano de 1938, quando uma volante composta por 49 homens, comandada pelo Tenente PM João Bezerra da Silva, na época delegado e morador do município de Piranhas/AL, auxiliado pelo Aspirante a Oficial PM Ferreira de Melo e o Sargento Aniceto Rodrigues e mais quarenta e seis homens, munidos de fuzis e metralhadoras, conseguiram acabar de vez com Lampião e seu bando.

Após dias no encalço e com informações detalhadas sobre a localização dos cangaceiros, colhidas de um cidadão chamado Pedro Cândido, no município alagoano de Piranhas, a Volante da PMAL fez então o cerco e, durante às quatro horas daquela madrugada de quinta-feira, no atual município de Poço Redondo, antigo distrito de Porto da Folha, estado de Sergipe, em um esconderijo no lugar chamado Grota dos Angicos, começa a batalha que põe fim à vida de Lampião, sua companheira Maria Bonita e mais nove cangaceiros, deixando ainda o militar Adrião Pedro de Souza morto e mais dois feridos, entre eles o Tenente João Bezerra.

Mais ou menos trinta dias depois do massacre de Angicos, a maioria dos cangaceiros remanescentes de outros bandos já haviam se rendido, permanecendo na ativa apenas os grupos de Labareda e de Corisco (que era natural de Água Branca/AL), mas sem realizarem grandes ações, sendo este último morto em 25 de maio de 1940, fechando então o ciclo do cangaço no Nordeste.

Após o massacre, como de costume na época, para provarem o grandioso feito, os cangaceiros tiveram suas cabeças decepadas e expostas em várias cidades de Alagoas, seguindo após para Salvador/BA e de lá para o Rio de Janeiro, de onde retornou à capital baiana para a realização de estudos científicos.

Fonte: Polícia Militar do Estado de Alagoas
TENENTE JOÃO BEZERRA

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