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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O SERTÃO DE ARLINDO ROCHA, O CAPITÃO DAS BARROCAS (O FOGO DOS PILÕES)



Por Cicero Aguiar Ferreira, com a colaboração de Renato Rocha (neto de João Lica), José Romão Batista Targino (Zé de Penhinha) e Rogério Ferreira Barboza (Rogerio de Lulú).

Foi a partir da década de 20 que o cangaço lampiônico se intensificou nos sertões nordestino, para ser mais preciso, a partir do mês de agosto de 1922 na fazenda Preá município de Serrita-PE divisa com o município de Jardim, na propriedade pertencente à época a Napoleão Franco da Cruz Neves, quando Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira) resolveu deixar o Nordeste e seguir para o norte de Goiás onde Luiz Pereira da Silva Jacobina (Luiz Padre) seu primo já se encontrava. Lampião e os irmãos (Os Ferreiras) entraram no grupo de Sinhô Pereira em meados do ano de 1921 depois das desavenças com José Alves de Barros (Zé Saturnino), foram aproximadamente 1 ano e alguns meses ao lado de Sinhô Pereira. Mais foi a partir de agosto de 1922 que Virgolino Ferreira da Silva (Lampião) se torna definitivamente comandante do bando, entrando para a história como maior líder cangaceiro que já existiu.


Com a liderança do grupo, Lampião intensifica suas ações na região do sertão, deixando o sertanejo apreensivo e temeroso, além da seca e da fome que periodicamente assolava, soma-se também a violência do cangaço lampiônico. Era nessa conjuntura que o sertanejo Arlindo Rocha vivia na sua propriedade Barrocas, município de Salgueiro-PE, cuidando das suas propriedades e de um pequeno comercio que vendia fazenda “tecidos”, e exercendo o cargo de delegado da cidade de Salgueiro-PE. Arlindo Rocha nasceu em 23 de março de 1883, faleceu em 07 de outubro de 1956, era filho de Joaquim de Aquino Rocha e de Isabel Matias Rocha, casou-se duas vezes, dos dois casamentos nasceram 17 filhos, 11 filhos do primeiro casamento com Maria e 6 do segundo com Tereza (Têca).


FOGO DOS PILÕES

No exercício da função de delegado da cidade de Salgueiro, Arlindo Rocha emprega a pessoa conhecida como Antônio Padre, que sendo absolvido de um júri popular de um crime que cometeu, recorreu ao delegado para ajuda-lo, Arlindo atendendo ao pedido o leva para trabalhar na fazenda Barrocas. Arlindo Rocha e sua família residiam nas Barrocas, tinha mais outras duas propriedades, fazenda Melancia e Caieiras. O trabalho na fazenda e a convivência com a família, desperta em Antônio Padre uma paixão pela filha mais velha do patrão que se chamava Generosa Leite da Rocha (Generosa). Antônio, certamente ciente que Arlindo não aceitaria o relacionamento, e que se ele tomasse conhecimento, tomaria a sua atitude como uma desfeita, resolve propor a Generosa que ela fugisse com ele. Quando Arlindo fica sabendo das intenções de Antônio, se senti afrontado e expulsa o seu até então protegido de sua fazenda. Antônio Padre ruma em direção ao Ceará, parando nas terras de Francisco Pereira de Lucena (Chico Chicote) que aproximadamente 3 anos mais tarde é morto no famoso cerco a sua propriedade, pelas volantes policiais “ Fogo das Guaribas” uma dessas volantes era a do tenente Arlindo Rocha. Sobre a proteção do valente Chico Chicote e a aproximação com Lampião, Antônio Padre junto com Lampião de tempos em tempos enviava recados desaforados para Arlindo Rocha, ameaçando roubar a sua filha Generosa, como bem nos relatou a neta do Cap. Arlindo Rocha a Senhora Maria Leite Rocha que ainda reside nas Barrocas, em um desses recados Lampião dizia que ia “Partir a Melancia, aterrar as Barrocas e derrubar as Caieiras”, se referindo as propriedades de Arlindo. Com as constantes ameaças recebidas, Arlindo Rocha deixa alguns parentes e amigos em alerta para um eventual ataque de Lampião e Antônio Padre a uma de suas propriedades.


AS NOTÍCIAS DE QUE LAMPIÃO ESTAVA NA REGIÃO

Quando se tinha notícias que Lampião estava na região, todos ficavam em alerta máximo, tratavam de esconder a família em um lugar mais seguro possível. Seu Manoel Matias Rocha (Manoelzinho) nascido aproximadamente um ano depois do Fogo dos Pilões no dia 06/03/1925 hoje com 93 anos, filho de João Matias Rocha (João Lica), João Lica sendo primo e soldado de Arlindo, relata que quando se tinha notícias que Lampião estava nas redondezas, seu pai pegava os filhos e a esposa e levava para o sítio Lagoa Preta onde morava seu sogro Francisco Pedro da Silva, e depois ia se juntar a volante de Arlindo Rocha, isso já depois do acontecido nos Pilões.

A BATALHA

Era meados do ano de 1924, e o delegado Arlindo Rocha vivia de sobreaviso devidos os recados desaforados que recebia de Antônio Padre e Lampião, e sabedor da movimentação de Antônio Padre nos arredores do sitio Pilões, e que um morador da localidade poderia está dando guarida ao bando de seu desafeto, reúne alguns homens sendo a maioria deles seus parentes: João Matias Rocha (João Lica), Manoel Matias Rocha (primos de Arlindo), Vicente Pereira Matias, Marcolino Matias Leite, (cunhados), Antônio Matias de Santana (genro), Acilon Faustino (amigo), e Pedro Aureliano (morador da Fazenda Melancia de sua propriedade), partem da sua fazenda Barrocas em direção aos Pilões distante dali aproximadamente duas léguas. No final da tarde cercam a casa de José Targino o morador que diziam está dando abrigo a Antônio Padre e seus cabras. Não encontrando o bando ali, Arlindo energicamente inqueri o dono da residência sobre o paradeiro de seus inimigos. Com sua casa cercada, José Targino conta ao delegado Arlindo, que Antônio Padre e seus homens, estavam arranchados debaixo de dois pés de umbuzeiros a cerca de 500 metros de distância de sua residência, e que na parte da manhã, todos os dias ia deixar comida e água para os bandoleiros ali alojados. Com a informação precisa da localização do bando, Arlindo traça uma estratégia e resolve pernoitar na residência de José Targino, tomando as devidas precauções para que sua presença e de seus homens não fosse notada por nenhum membro do bando inimigo ou até mesmo por outros moradores da localidade. Logo no início da manhã, o delegado começa a colocar seu plano em pratica, fala para José Targino providenciar o almoço para o bando de Antônio Padre como normalmente vinha fazendo, e que no horário costumeiro seu José Targino ia levar a comida, porém, a água não, e que ao chegar lá sem a água, desse a desculpa que tinha esquecido e que ia voltar para buscar. Como os umbuzeiros ficavam na caatinga fechada, e a área era cortada por veredas muito estreitas, Arlindo pede que seu José Targino na sua volta para buscar a água, viesse quebrando alguns galhos para sinalizar melhor a direção, para não correrem o risco de tomarem um caminho errado, que ao invés dos alojados receberem a água iam receber fogo. Arlindo estava seguro que seu portador ia fazer de tudo para cumprir o que foi combinado, ficou com seus homens fortemente armados na casa junto com a família de seu José. Falar alguma coisa sobre a presença de Arlindo na sua residência e de seu plano de ataque, era colocar a família em grande perigo, obviamente era melhor para seu José Targino que o tiroteio ocorresse longe de sua casa e de seus familiares. O local dos umbuzeiros ficava em um ponto mais elevado em relação a casa da família Targino, a edificação estava localizada em um baixio onde se cultivava arroz na época de inverno bom. Talvez pela elevação do terreno, Arlindo tenha decidido seguir todos pelo mesmo caminho e não se dividirem para cercar o local, esse tipo de manobra era perigosa e que a movimentação de seus homens poderia alertar os arranchados, fora o risco até de um fogo amigo, não tinha tempo a perder, o delegado e seus homens rumam em direção ao coito do bando. Chegando perto dos umbuzeiros quando avistaram os cabras, Arlindo Rocha e seus companheiros abrem fogo contra o grupo de inimigos, onde alguns homens do bando de Antônio Padre tombam mortalmente, porém, Antônio Padre e Gavião mesmo gravemente feridos, conseguem fugir do local do tiroteio. Do grupo de Arlindo Rocha, apenas João Matias Rocha (João Lica) sai com um ferimento ocasionado pelo estilhaço de pedra, na ocasião João Lica pensou que tinha sido baleado, saia muito sangue do ferimento de seu pé, chamando um dos companheiros para dá uma olhada, verificou-se que uma bala acertou uma das muitas pedras do local, vindo um pedaço de uma delas acertar o pé de João. Providenciaram o enterro dos inimigos mortos ali nos arredores onde ocorreu a luta, logo depois voltam para a fazenda Barrocas.

A MORTE DE GAVIÃO

Gavião ao conseguir fugir do ataque, mesmo muito ferido toma o sentido do sitio alazão, cerca de meia légua de distância do combate, ali morava um tio dele por nome de Antonio Ricart. Era início da noite quando a tranquilidade e o silêncio da casa são quebrados pelos latidos dos cachorros, seu Antonio pede para seu filho Joaquim bradar os cachorros e ver do que se tratava. Os cães enfurecidos não obedeciam ao pedido, então Joaquim pega uma pequena pedra e joga em direção ao alvoroço, uma voz de dentro do mato ecoa –é Quinca? Joaquim confirma que sim, não atire pedra não, cadê meu tio Antonio? aqui é Gavião, chame meu tio Antonio eu quero falar com ele. Seu Antonio Ricart vai de encontro a ele que se encontrava deitado muito debilitado devido os ferimentos, então Gavião pede sua benção e proteção, num primeiro momento o tio responde que na sua casa não, não podia dá guarida a cangaceiro porque certamente sua residência seria cercada pela polícia. Seu Antonio decide deixar Gavião passar a noite na sua casa, mais que pela manhã ia leva-lo para um local mais afastado debaixo de um pé de juazeiro e ia ficar levando comida e água. Durante o decorrer da noite tratam os ferimentos do cangaceiro, usando raspa de casca de juá e creolina, e assim que amanhece transportam o ferido para o local escolhido. Antonio Ricart resolve procurar o seu compadre Arlindo Rocha e colocá-lo a par da situação do seu sobrinho cangaceiro, talvez sem saber que Gavião estava no grupo de Antonio Padre, inimigo mortal de seu compadre. Arlindo Rocha ao saber de onde se encontrava um cabra ferido e que tinha participado do fogo dos Pilões, chama seu primo João Matias Rocha (João Lica), Marcolino Matias Leite e mais um outro homem, e ordenou que fossem atrás do cangaceiro. Os três homens de sua confiança seguem rumo ao local indicado por Antonio Ricart, mesmo informados da situação em que se encontrava o indivíduo, foram bem armados para qualquer eventualidade. Ao chegarem no sitio Alazão, se aproximam com o máximo de cuidado do pé de juazeiro e observam que o homem está ali deitado, logo cercam o local e pegam Gavião, esse não esbouçou nenhuma reação estava gravemente ferido, suas pernas estavam varadas de bala. Os homens vasculham os arredores do juazeiro a procura de armas e não encontram, perguntam ao cangaceiro por sua arma, Gavião diz que a escondeu em um tronco de catingueira entre o seu trajeto dos Pilões até aquele local, não podia carrega-la, por causa de seus ferimentos nas pernas, praticamente só se arrastava. Com Gavião dominado, Marcolino pergunta ao cangaceiro o que ele faria se encontrasse o inimigo ferido? Gavião então responde, o mesmo o que vocês vão fazer comigo, só peço que me coloquem de costas para vocês. Marcolino era conhecido pela sua inclemência para com o inimigo, inclusive tinha um habito macabro de cortar as orelhas dos seus desafetos salga-las e depois colocar em um cordão, terminou seus dias sofrendo de problemas mentais. O último pedido de Gavião foi atendido, o colocaram de costas e o crivaram de bala.

CORPO DE ANTONIO PADRE

Passados alguns dias do fogo nos Pilões, moradores observam a presença de muitos urubus, saíram à procura do que estava chamando a atenção daquelas aves que são conhecidas por se alimentarem de animais em decomposição “carniça”, entre esses moradores estava seu José Targino. Quando seguiam por uma vereda estreita que levava em direção a um córrego onde os urubus sobrevoavam, encontraram um chapéu e umas alpercatas, ali a fedentina de carniça era grande, proveniente do corpo de Antonio Padre que se encontrava logo a frente dentro do córrego em avançado estado de decomposição. O corpo só foi reconhecido devido as vestimentas, seu José Targino tinha estado com ele no dia do tiroteio. Seu José Targino junto com outras pessoas cavam uma cova ali perto e enterram o que sobrou do corpo do cangaceiro Antonio Padre.

CAPITÃO ARLINDO ROCHA

Depois do ocorrido nos Pilões, Arlindo Rocha viaja ao Recife e procura o secretário de segurança, recebe armamento e é contratado como sargento e alguns parentes e amigos como soldados, a partir desse momento monta sua própria volante e sai em perseguição a Lampião, se tornando um dos maiores perseguidores do banditismo rural do sertão. Arlindo Rocha participou de muitos combates contra cangaceiros, um deles foi o do famoso combate da Serra Grande no dia 26 de novembro de 1926 que a época pertencia a Flores-PE, e hoje ao município de Calumbi-PE, saindo Arlindo com um ferimento no queixo.

Observação: Os dois pés de umbuzeiro que tinham as marcas de bala do tiroteio, onde os cangaceiros ficaram arranchados não existe mais, o local foi desmatado para passagem da transposição do rio São Francisco. As pessoas não souberam informar o nome dos outros cangaceiros que teriam morrido nesse mesmo fogo.

Fontes: José Romão Batista Targino (Zé de Penhinha), nascido nos Pilões e bisneto de José Targino, sendo bisneto de Zé Targino ouviu muitas vezes de parentes como aconteceu o fogo dos Pilões; Rogério Ferreira Barboza (Rogério de Lulú) formado em História; Manoel Matias Rocha (Manoelzinho) filho mais velho de João Matias Rocha (João Lica) hoje com 93 anos; Renato Rocha, neto de João Lica, que chegou a gravar uma fita com seu avô contando como ocorreu o combate nos pilões e a morte de Gavião, infelizmente a fita com a gravação foi extraviada; Maria Leite Rocha, neta de Arlindo Rocha que nos contou sobre os recados que Lampião e Antonio Padre enviavam para seu avô; Antonio Ricart (Padrasto de Zé de Penhinha), neto de Antonio Ricart que era tio de Gavião, seu José Romão Batista Targino (Zé de Penhinha) gravou um áudio com ele, onde ele fala como Gavião chega na casa de seu avô no sítio Alazão; Adelaide Ferreira Campos, Odenar Ferreira Rocha (seu Dida) e Maria Ferreira Rocha (Iaia) filhos de Generosa Leite da Rocha (filha de Arlindo) e de Pedro Leandro Ferreira, cederam as fotos do seu avô Arlindo Rocha e de seus pais. Maria Ferreira Rocha (Iaiá) infelizmente faleceu no dia 19 de agosto de 2018, dias depois de gentilmente ter recebido a gente na sua residência em Penaforte-CE. www.joaodesouzalima.com, Lampião e o Combate de Serra Grande: por João de Souza Lima; blogdomendesemendes.blogspot.com, Arlindo Rocha O Queixo de Ferro por Sávio Siqueira; cariricangaco.blogspot.com, A Saga de Chico Chicote e o Fogo das Guaribas, por Manoel Severo.

Salgueiro-PE, 26 de outubro de 2018

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ENTREVISTA COM PAULO BRITTO

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Publicado em 4 de jul de 2017

O filho do Tenente João Bezerra, Dr. Paulo Brito, narra um pouco da vida de seu pai e da campanha contra o cangaço.
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UM TEMA INTERESSANTE PARA UM DEBATE: O PAPEL DAS VOLANTES NO COMBATE AO CANGAÇO.

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Archimedes Marques
Publicado em 7 de jul de 2017
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GROTA DO ANGICO: A HISTÓRIA REVISITADA

Um novo olhar sobre um fato sem o respeito merecido e a homenagem através de uma lembrança que faltava

Por João de Sousa Lima

João de Sousa e o confrade Antonio Vilela

Dia 1º de abril de 2012, um domingo de Ramos, dia de oração para muitos fieis e por outro lado o que em nossa cultura comemora-se “Dia da Mentira” serviu para tornar verdadeira a história, sendo reconhecido um capítulo que por muito tempo se manteve sem o seu devido valor.

Lembro que tudo começou em 2008 quando Eu, Vilela e a equipe jornalística do Diário do Pernambuco, em visita para gravar uma entrevista com Antonio Vieira, soldado de volante e que residia na cidade alagoana de Delmiro Gouveia, prometemos ao velho combatente que iríamos realizar uma homenagem ao seu amigo de farda e companheiro de batalha, o soldado Adrião Pedro de Souza, que foi o único policial que morreu quando do confronto que matou o cangaceiro Lampião e mais dez companheiros incluindo sua mulher, a famosa Maria Bonita.

Em março de 2011 durante o evento do Centenário de Maria Bonita acontecido também na cidade alagoana de Piranhas, quando lá chegou o grupo de pesquisadores, escritores e estudiosos do tema cangaço oriundos de Paulo Afonso, fomos apresentados a Décio Canuto, neto do soldado Adrião e que tinha vindo de Maceió pra participar do evento e falar da possibilidade dos escritores realizarem a homenagem ao seu avô. Falamos para Décio que esse era um projeto meu e de Vilela e que vínhamos amadurecendo desde 2008, falando inclusive da promessa feita a Antonio Vieira.

Vilela ficou encarregado de colher mais informações com os familiares de Adrião e que ainda residiam próximos a sua cidade Garanhuns.

Depois de quatro anos do compromisso firmado com Antonio Vieira a promessa foi cumprida. Dia 1º de abril de 2012 saímos de Paulo Afonso, Eu, Jadilson Ferraz, Edson Barreto, Elaide Barreto e Evelin Barreto. De Garanhuns veio Vilela, sua esposa Da Paz, seu filho Hans Lincoln, a nora Soraya Crystina e o pesquisador de São Bento do Una, Edvaldo Primo.

Chegamos ao porto de Piranhas, embarcamos na canoa “O Cangaceiro”, comandada por Célio e descemos o Rio São Francisco até a Grota do Angico.

Edson Barreto transportou a cruz.

Na Grota, lateral a pedra onde se situa a homenagem aos cangaceiros escolhemos uma pedra e fixamos a cruz e a placa com o seguinte texto:


Jadilson "Bin Laden" Ferraz
descansa na sombra de uma árvore, olhos fixos na cruz. 

Edson, João e Jadilson Ferraz fixam a placa e a cruz

Desempenhamos nossa obrigação e retornamos com a confiança do dever exercido e com a certeza da reparação histórica que por tantos e tantos anos ficou como lacuna sobre o capítulo acontecido naquela manhã fria de 28 de julho de 1938.

Agora descanse em paz Adrião Pedro de Souza, descanse em paz Antonio Vieira. Que os remanescentes de Adrião possam se orgulhar dos atos de suas últimas horas de vida, que a policia em seus arquivos resguarde o mérito desse brioso guerreiro, que a história lhe atribua o respeito merecido informando pontualmente que na Grota do Angico doze pessoas (e não onze) tombaram sem vida naquele fatídico dia frio.

O novo aspecto de Angico

Paulo Afonso, 01 de abril de 2012.

Colhido no Sitio do primo João

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DOIS GRANDES DEFENSORES DE MOSSORÓ

Curiosidades sobre o soldado João Batista e o cabo "Pastel".

Soldado João Batista, Cangaceiro Jararaca e o Soldado João Arcanjo
(Foto de José Octávio)

O soldado João Batista nasceu no dia 24 de Junho de 1901, em Santana do Matos. Ingressou na Polícia Militar no ano de 1921 e em 1927 enfrentou, talvez, sua mais importante batalha em toda carreira policial, que foi a invasão do bando de Virgulino Ferreira, o Lampião, à cidade de Mossoró.

Entre outros, João Batista foi um dos valorosos componentes da PM que se juntou a população local para defender a cidade. O seu nome consta como participante da "Trincheira do Esgoto" onde fica a atual Praça Rodolfo Fernandes, conforme consta na relação gravada em placa afixada ao monumento existente ao lado da Igreja de São Vicente.

Com ímpeto forte e não querendo ver sua cidade saqueada pelos cangaceiros, João Batista não se aquietou e de acordo com o historiador Raul Fernandes, no seu livro A Marcha de Lampião - Assalto a Mossoró, também fez parte da trincheira comandada pelo próprio prefeito de Mossoró, Sr. Rodolfo Fernandes.

Já após a derrota do bando, que custou a vida do Cangaceiro Colchete e a prisão do cangaceiro Jararaca, o Soldado João Batista chegou a fazer parte da guarda do cangaceiro, enquanto esteve sob os cuidados da PM.

João Batista foi transferido para a reserva da PM em 31 de Julho de 1959, como terceiro sargento. Faleceu em 18 de Dezembro de 1990, aos 89 anos, em Mossoró, sendo considerado um homem bravo e corajoso, o que lhe permitiu em vida ser agraciado com uma medalha e certificado de honra ao mérito, pelos feitos durante a "Grande Resistência ao Bando de Lampião".

  Boletim Regimental que promoveu os soldados João Arcanjo e Minervino Fagundes

A histórica fotografia que aparece José Leite de Santana, o célebre cangaceiro Jararaca ao que parece foi tirada pelo fotografo J. Otávio. Alguns autores dizem que na verdade J. Otávio era apenas o dono do estúdio onde a foto foi revelada. De qualquer forma o crédito de autoria da foto deve ser dele. Ela consta em inúmeros livros, museus, etc.

TOXINA, com informações do Livro, 2º BPM, Notas para a História, de Antônio Nonato de Oliveira e do Coronel Ângelo, historiador da PM.

Cabo Pastel, o policial que matou Colchete


Rara fotografia do Sargento Pastel, autor da morte do cangaceiro Colchete

Acostumados a pilhar cidades inteiras, o bando do cangaceiro Lampião conheceu em Mossoró sua primeira derrota. Por volta de 16h:00 do dia 13 de Junho de 1927, Lampião e seus cangaceiros invadiam a cidade de Mossoró os quais foram recebidos e expulsos à bala pelos corajosos mossoroenses.

Entre os cidadãos que se encontravam nas várias trincheiras armadas pela cidade, estavam alguns policiais que pertenciam ao contingente policial local.

Um deles era o Cabo Leonel da Silva Pastel, pouco conhecido na história e cuja única fotografia foi descoberta tem pouco tempo pelo Coronel Ângelo, historiador da PMRN.

Conforme Boletim Oficial da PM, o Cabo Pastel teria sido o responsável pela morte do cangaceiro Colchete e também teria sido o autor da prisão de Jararaca, ferido no peito quando tentava ajudar seu companheiro Colchete.

Por tais razões, Pastel foi promovido ao Posto de Sargento, tudo isso registrado no Boletim Regimental da PMRN, nº 166, datado de 15 de Junho de 1927. Além disso, também foram promovidos ao Posto de Cabo, os soldados Minervino Fagundes e João Arcanjo, pela coragem com que ajudaram a população a enfrentar a investida do Bando de Lampião, tudo isso, registrado no Boletim Regimental nº 172, de 21 de Junho de 1927.

Outro policial que participou da defesa da cidade está na famosa foto em que Jararaca aparece ferido e escoltado por dois soldados. João Batista é o soldado que está com um pano amarrado no queixo motivado por uma forte dor de dente ou papeira e que também foi posteriormente promovido a sargento; chegou a ser agraciado com uma medalha da Prefeitura de Mossoró pelo reconhecimento a sua coragem e valentia no combate aos cangaceiros.

 Boletim Regimental que promoveu o cabo Leonel da Silva Pastel

O outro policial da foto, não mencionado nem mesmo pelos historiadores mais renomados é o soldado João Arcanjo. Depois de várias pesquisas nos arquivos históricos da PMRN, o Coronel Ângelo colheu informações precisas que indicam como sendo João Arcanjo o outro soldado que aparece na fotografia.


As informações são do historiador da PMRN, Coronel Ângelo Mário de Azevedo Dantas. Postado no Blog Toxina. página do pesquisador sargento Gama. Este fato dentre outros estarão com mais riqueza de detalhes no livro: Cronologia da PM/RN - de 1834 a 2009 do Cel. Angelo, que brevemente estará à venda.

Mas os Créditos são de: Nildo Alexadrino, que descobriu no Toxina, copiou e divulgou na Comunidade do Orkut Lampião, Grande Rei do Cangaço Clique, conheça e participe.

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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O SERTANEJO E SUA DOR MAIOR

*Rangel Alves da Costa

A seca avança cada vez mais, a falta de chuvas amedronta. Pelos campos, o verdor deu lugar ao acinzentado. A planta encolheu, morreu, virou pó. Paisagens tristes, desoladas, de um melancolismo angustiante.
Água lamacenta no fundo tanque. Um barreiro que ressecou de vez. O barro onde antes havia água empoçada. Uma carrada d’água? Ou os olhos da cara ou a humilhação. Dias de angústia e de sofrimento.
Por consequência, em diversas situações, o retrato de secura que se avoluma não está mais sendo suportável ao sertanejo, principalmente aquele sem recursos suficientes para manter o que lhe resta de rebanho de cria.
Nos fins de semana em meio ao sertão, de passo em passo eu ouço palavras de aflição e sofrimento. O estado agrava-se de tal modo que em muitas localidades não há mais sequer um resto seco de pastagem e que permita que a vaquinha magra vá iludindo a fome.
Triste é o momento chegado de ter de comprar palma, farelo ou outro alimento para o bicho. Até quando vai poder tirar do pouco que já tem para comprar ração para o bicho na pele e no osso?
Ora, o sertanejo já não tem além daquilo que pouco tem para sobreviver, e tirar do quase nada é sacrifício demais. Contudo, um sacrifício que insiste em se tornar prática no dia a dia. Mesmo sabendo que nada pode fazer ante a seca, insiste em se armar com todas as forças.


Mas existem outros sacrifícios. A pequena feira é reduzida ainda mais, a roupinha do menino fica pra depois, o remédio só se não houver mesmo jeito, nada além do necessário ao comer e beber. O cuscuz com ovos, de repente se transforma somente no pão.
O feijão com tiquinho de carne, de repente se transmuda apenas em qualquer coisa com ovo. E assim por que a vaquinha magrela também é vista como da família. O cavalo ossudo também é da família.
E não há verdadeiro sertanejo que se sinta bem colocando um pedaço de pão na boca ou bebendo uma caneca d’água e sabendo que o seu bicho está berrando de fome ou de sede. Há bem dizer, chora a mesma lágrima do bicho, sente a mesma dor de seu animal de cria.
Imenso é o amor sentido pelo sertanejo por aquilo que possui. Padece pelo bicho uma dor parecida com a sentida quando um filho seu está doente. Agoniza na magrez do anima, muge por dentro a mesma sangria do animal. E isso é fácil de ser percebido.
Por que o homem da terra gasta mais para manter sua vaca viva do que o valor que ela possua mesmo gorda? O amor sentido, só isso. A abnegação sentida por aquilo que lhe está presente desde o alvorecer ao anoitecer, e dia após dia numa relação de amizade sem fim.
No sertão, homem e terra são uma coisa só. E homem e bicho fazem parte da mesma família.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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"O BENJAMIN ABRAHÃO DO NOSSO TEMPO". HOMENAGEM AO DOCUMENTARISTA, MEU ESTIMADO AMIGO ADERBAL NOGUEIRA DURANTE O CARIRI CANGAÇO DE 2011.


"O Benjamin Abrahão do nosso tempo".

Homenagem ao documentarista, meu estimado 

amigo Aderbal Nogueira durante o Cariri 

Cangaço de 2011. — em Barbalha.
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IMPÉRIO DO BACAMARTE

Por Francisco Pereira ima

Indicação Bibliográfica. Dois excelentes livros sobre a História do Coronelismo, cangaceirismo e fanatismo no Cariri Cearense. Fanáticos e Cangaceiros de Abelardo F. Montenegro(70,00) e Império do Bacamarte de Joaryvar Macêdo(100,00). Quem desejar adquirir estes e outros 300 títulos: franpelima@bol.com.br e WhatsApp 83 9 9911 8286.

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ORISCO - O VAQUEIRO QUE O DESTINO LEVOU AO CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=gQjJE-av5yU&t=452s

Publicado em 12 de mar de 2018
A história de Corisco, o diabo louro, contada pelo pesquisador Múcio Procópio.
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LAMPIÃO E O CERCO DA GROTA DO ANGICO

https://www.youtube.com/watch?v=XwdRB2gBJRw&t=48s

Cultura Popular Brasileira
Publicado em 8 de nov de 2016

Por que foi tão fácil matar Lampião na Grota do Angico? Quem fornecia armas e munições para o bando? Lampião e os cangaceiros beberam vinho com sonífero no seu último cerco? o pesquisador potiguar Múcio Procópio analisa os fatos.

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LAMPIÃO OS NOVE DE ANGICO

https://www.youtube.com/watch?v=1r3voxAE4po

Publicado em 17 de jun de 2016

DOCUMENTÁRIO DE LAMPIÃO
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A MORTE DE LAMPIÃO (COMENTADA)

https://www.youtube.com/watch?v=zO-i7QSm_us


Extraído do documentário "O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO" de Maurice Capovilla exibido no Globo Repórter (1975) na Rede Globo de Televisão e apresentado por Sérgio Chapellin. O trecho extraído do documentário corresponde ao momento do ataque da Força Volante alagoana ao coito do Angico, onde Lampião e parte de seu bando estavam acoitados, no dia 28 de julho de 1938.
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Música neste vídeo
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Destreza
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Meu Novo Caminho
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Artista
Before i Die
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Quando o Templo das Sombras Vem a Ruir!
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BOA LEITURA!

Por Jose Irari

Olá nobres estudiosos do cangaço! Mais 3 livros chegando ao meu simplório acervo ,desta vez do escritor paraibano, Efigênio Moura!! São Romances recheados de história do nordeste, principalmente relacionadas ao cariri!! Vamos investir na literatura regional.




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LAMPIÃO NA PARAÍBA

Por Francisco pereira Lima

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