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domingo, 6 de junho de 2021

O CANGAÇO MACABRO (OU AS CABEÇAS COMO TROFÉU DE SANGUE)

 Por Rangel Alves da Costa

No percurso do cangaço, principalmente no reinado de Lampião, cabeças humanas simbolizaram os mais terríveis e bestiais troféus de conquistas. Um festim de morbidez e iniquidades. Cabeças de cangaceiros foram degoladas, cabeças de volantes foram decapitadas, cabeças de sertanejos foram decepadas. Tudo significando uma coisa só: ter o membro mutilado como prova da morte pela morte, sem importar muito que fosse de um inocente ou de um terrível inimigo.

Uma doentia satisfação em passar a lâmina afiada sobre o pescoço e depois regozijar-se daquele troféu macabro. Mórbido prazer em posar ao lado ou segurando aqueles restos mortos e tantas vezes desfigurados. Mas também uma desumanização tão aflorada que nem se respeitava o morto enquanto ser humano, senão como um resto imprestável ou um ser tão abjeto que precisasse ser esquartejado. Uma vez atingido, uma vez desfalecido, então não havia nem resquício de piedade nem qualquer senso de respeito aos defuntos. Um verme estirado ao chão, um reles corpo jazendo sem serventia sequer aos urubus ou outros carnicentos.

Então corta a cabeça! Coisa linda é uma cabeça apartada do corpo! Tronco de um lado e a cabeça de outro! Pra quê? Apenas para o comprazimento de egos insanos e doentios. Mesmo que a entrega da cabeça significasse salvo-conduto ou que uma pena fosse amenizada pelo terrível ato, ainda assim uma prática tão deplorável quanto a própria violência de cangaceiros e volantes contra inocentes sertanejos.

O restante do corpo não tinha nenhum valor, não servia como troféu algum, pois a alucinada satisfação estava apenas em ter respingando sangue a parte superior com olhos esbugalhados, boca troncha, cabelos desgrenhados e tez dos que tiveram um terrível fim. Ser fotografado segurando uma cabeça cortada era o máximo da perversa ostentação. Ser retratado ao lado de uma cabeça enfiada numa estaca era deleite maior para os íntimos mais perversos.

E que cena aquela onde as cabeças dos mortos em Angico foram colocadas numa calçada para os flashes fotográficos, para os olhares ávidos de terror e as íntimas e animalescas alacridades. Qual a finalidade em matar pelo degolamento? Qual o objetivo de separar a cabeça do corpo depois da morte? Qual motivação em cortar a cabeça e depois seguir com o membro sangrento e desfigurado pelas estradas?

Em muitas ocasiões, a cabeça cortada simbolizava a vitória frente ao inimigo. Era a prova inequívoca de ter ceifado uma vida. Noutras ocasiões, o membro decepado servia como passaporte de liberdade ou de amenização de penas mais duras. Acaso um cangaceiro arrependido chegasse perante um comandante de volante levando a cabeça de um ex-companheiro, então sua entrega seria sem grandes padecimentos e comemorada com se a própria soldadesca tivesse dado fim ao degolado.
Depois de fotografada, entraria para as estatísticas das baixas e das honrarias. Mas diferentemente do que ocorria com a volante, que se deleitava em tirar retratos com as cabeças expostas de cangaceiros, estes não eram tão recorrentes em tais práticas. Os registros fotográficos não deixam mentir. A grande maioria das cabeças cortadas é de cangaceiro morto pela volante.

Quando, no ano de 32, o grupo comandado pelo cangaceiro Gato empanturrou os sertões de Poço Redondo de sangue e o inocente Zé Bonitinho foi forçado a deitar sua cabeça num batente, o tronco ficou de um lado e o restante de outro. A cabeça não foi levada como comprovação da chacina. Quando Penedinho, em 38, matou Canário à traição, seu companheiro de cangaço, a cabeça deste só foi cortada depois, e por Zé Rufino. Foi este comandante da volante baiana que passou o punhal no corpo já putrefato e retornou a Serra Negra levando sua honraria apodrecida. Em 37, quando o comandante pernambucano Odilon Flor deu cabo ao subgrupo de Mané Moreno em Sergipe, na região de Porto da Folha, as cabeças deste, de sua companheira Áurea e de Cravo Roxo também foram cortadas e expostas.

O cangaceiro Zepelim (morto em 37 pela volante de Zé Rufino) não só teve a cabeça cortada como teve seu membro superior fotografado com apetrechos, armas e vestimentas do cangaço (e os olhos forçadamente abertos para serem melhor fotografados). Já o cangaceiro Barreira, numa das fotos mais famosas, posa ao lado da cabeça dependurada de seu ex-companheiro Atividade, por ele mesmo assassinado em 38. Barreira já havia se bandeado para a volante e cumpriu juramento às forças de perseguição matando e cortando a cabeça do cruel e famoso “capador”.
Muito mais cabeças foram cortadas, degoladas, extirpadas dos corpos. Um ritual macabro de um mundo não só macabro como aterrorizante. E as cabeças cortadas na Gruta do Angico em 38? Onze troféus de aniquilados que acabaram causando efeito contrário. O cangaço perdeu, mas saiu vencedor. A História assim confirma.

Rangel Alves da Costa, Pesquisador e Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço, Poço Redondo-SE

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/06/o-cangaco-macabro-ou-as-cabecas-como.html

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O ATAQUE DE LAMPIÃO À MOSSORÓ – A HISTÓRIA DO MOTORISTA “GATINHO”

 Autor – Rostand Medeiros 


Quando Lampião e sua horda de cangaceiros estiveram no Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, com o objetivo de atacar Mossoró, um personagem deste drama entrou na história quase sem querer, tornando-se por algum tempo um estafeta do “Rei dos cangaceiros”. Este personagem foi o motorista Francisco Agripino de Castro, conhecido em Mossoró como “Gatinho”.

11- Após a derrota em Mossoró, o bando em Limoeiro do Norte-CE

Francisco Agripino de Castro,o “Gatinho”
Francisco Agripino de Castro,o “Gatinho”Nascido em 1905, “Gatinho” era um jovem de boa índole, simples, que buscava na profissão de motorista uma nova perspectiva em sua vida. Estava ainda na fase de aprendizado, sendo seu mestre o motorista João Eloi, conhecido como “João Meia-Noite”. A prática ocorria em um Chevrolet 1925, cujo proprietário era o Sr. Francisco Paula, para quem “João Meia-noite” trabalhava.

Seja por esperteza, medo ou desinformação, naquele dia 12 de junho de 1927, um domingo, João cedeu o veículo para “Gatinho” fazer o serviço que surgisse e ganhar mais perícia na condução.

“Gatinho”, como todos em Mossoró, estava apreensivo com a notícia da invasão do bando ao Rio Grande do Norte, os boatos sobre o tiroteio ocorrido no dia 10 de junho, no lugar Caiçara (próximo ao atual município potiguar de Marcelino Vieira), as muitas informações desencontradas, a movimentação para a defesa da cidade, a fuga dos moradores e outras situações que alteraram aquela inesquecível semana na “Capital do Oeste”. Mesmo assim “Gatinho” estava pronto para realizar qualquer viagem.

O fazendeiro Antônio Gurgel e framiliares
O fazendeiro Antônio Gurgel e framiliares

Na tarde daquele dia, o carro de Francisco Paula foi contratado pelo comerciante e fazendeiro Antônio Gurgel do Amaral, um rico proprietário que possuía uma fazenda no lugar “Brejo do Apodi”, próximo a então vila de “Pedra de Abelha” (atualmente município de Felipe Guerra). Gurgel estava preocupado com sua esposa, pois a mesma se encontrava na sua fazenda e desejava trazê-la a Mossoró.

Por volta da uma da tarde, os dois seguiram direção sul.

A viagem prosseguia tensa, como não poderia deixar de ser diante da situação reinante. O veículo trafegava por uma estrada irregular, não mais que um caminho estreito, que mal dava para um carro pequeno seguir.

Por falta de conhecimento ou nervosismo, “Gatinho” errou o trajeto e levou seu passageiro para o lugar Apanha Peixe, a 13 léguas da vila de São Sebastião (hoje município de Governador Dix-Sept-Rosado). Nas proximidades se localizava a fazenda “Santana”, de propriedade de Manoel Valentim, que neste momento tinha a sua residência invadida e era prisioneiro do bando de cangaceiros de Lampião.

Eram mais ou menos quatro horas da tarde quando “Gatinho” ouviu tiros que não sabia de onde vinha. O motorista se protegeu como pode, Antônio Gurgel ordenou a parada do veículo. Nove balaços de mosquetão teriam atingido a carroceria do veículo.

Estado de abandono da antiga casa grande da Fazenda Santana, para onde o fazendeiros Gurgel foi levado pelo cangaceiro Sabino e ficou frente a frente com lampião.
Estado de abandono da antiga casa grande da Fazenda Santana, para onde o fazendeiros Gurgel foi levado pelo cangaceiro Sabino e ficou frente a frente com lampião.

Ao levantar a cabeça, “Gatinho” viu um cangaceiro com um fuzil apontado para ele. Era um moreno forte, de estatura elevada, que por esta razão tinha a alcunha de “Coqueiro”.

Este cangaceiro, junto com outros membros do bando, mandou o motorista e o passageiro renderem-se e passou a rapinar os seus pertences. Do fazendeiro Gurgel foram arrecadados uma aliança, um par de óculos, uma caixa com cinquenta balas de rifle Winchester calibre 44, um conto de réis e uma pistola tipo “mauser”. Provavelmente uma pequena pistola com calibre 7,65 m.m., das marca “FN” ou “Colt.

O cangaceiro “Coqueiro” exultava a todo o bando de facínoras a prisão de um “coronelão de muito dinheiro”.

Depois da “coleta”, os dois prisioneiros foram levados à presença de Massilon Leite e Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”.

Imagem1

Junto ao líder dos bandidos estava José Tibúrcio e Fausto Gurgel, irmãos de Antônio Gurgel, que tiveram seus resgates estipulados em um conto e quinhentos mil réis. O bandido Sabino, depois de uma rápida palestra com o novo prisioneiro, estipulou a vultosa quantia de quinze contos de réis para a sua liberdade. Sem condições dos prisioneiros ponderarem, ficou decidido que o irmão Fausto retornaria Mossoró com “Gatinho”, para buscar a dinheirama.

1- Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião

E era realmente muito dinheiro.

Para se ter uma ideia deste valor, vamos observar como exemplo a edição de 18 de junho de 1927, do jornal “A Republica”, onde se encontra um balanço financeiro, listando as rendas postais apuradas em cada uma das agências dos correios existentes no Rio Grande do Norte em 1926. Na progressista Mossoró de então, que possuía Banco do Brasil, um forte comércio de algodão e até funcionava uma Alfândega, os Correios e Telégrafos apuraram em todo aquele ano 10.255$300 (dez contos, duzentos e cinquenta e cinco mil e trezentos réis).

Diante da quantia pedida, Antônio Gurgel preparou uma carta para ser entregue a seu cunhado Jaime Guedes, então gerente da agência do Banco do Brasil em Mossoró e pessoa certa para lhe salvar desta situação.

Neste meio tempo, “Gatinho” realizava pequenas voltas pela propriedade, com o veículo cheio de bandoleiros. Muitos destes cangaceiros estavam tendo o seu primeiro contato com um automóvel. A brincadeira acabou quando a chamado de Lampião, o motorista e Fausto Gurgel receberam a missão de levar a carta de Antônio Gurgel para Mossoró.

O “Rei do cangaço” exigia dos dois “estafetas” a maior discrição sobre o caso, se não Antônio Gurgel pagaria com a vida.

No retorno, “Gatinho” e Fausto encontraram dois conhecidos que pediam condução na beira do caminho. Eram Alfredo Dias e Porcino Costa, que se dirigiam a Mossoró.

Buscando informações com os sertanejos, procurando a memória da passagem do bando de lampião pelo Rio Grande do Norte em 1927.
Buscando informações com os sertanejos, procurando a memória da passagem do bando de lampião pelo Rio Grande do Norte em 1927.

Achando estranho o fato de Fausto estar àquela hora de retorno a “Capital do Oeste”, Dias inquiriu-o sobre o que estava fazendo? De onde viam? Se sabiam notícias dos cangaceiros? Fausto no inicio desviou o assunto, mas diante da insistência cedeu e narrou o ocorrido e o suplício por que passava seu irmão.

Um exemplo de como a cidade de Mossoró preserva a memória do ataque de Lampião a esta cidade.
Um exemplo de como a cidade de Mossoró preserva a memória do ataque de Lampião a esta cidade.

Ao chegarem à vila de São Sebastião, atual município de Governador Dix-Sept-Rosado, os dois viajantes pediram para descer do veículo e seguiram para a estação ferroviária, onde deram um alarme para Mossoró através de um telefone existente neste local.

“Gatinho”, para desespero de Fausto, saiu a divulgar pela vila a notícia alarmante; “-Se prepare todo mundo que os cangaceiros vão invadir”. Cinquenta anos depois, em um depoimento prestado ao jornal dominical natalense “O Poti” (edição de 13 de março de 1977), Francisco Agripino afirmava que poucos em São Sebastião lhe deram crédito.

O motorista e Fausto seguiram para Mossoró. Por volta das oito e meia da noite, encontraram-se com Jaime Guedes e o prefeito Rodolfo Fernandes, onde foram narrados os fatos e entregue a carta de Gurgel. O prefeito só ficou satisfeito em relação à veracidade da notícia quando viu a lataria do Chevrolet perfurada de balas.

Nota de jornal sobre o ataque de Lampião a Mossoró.
Nota de jornal sobre o ataque de Lampião a Mossoró.

Nesta mesma noite de 12 de junho, “Gatinho” ainda ajudou na defesa de Mossoró, transportando fardos de algodão de depósitos existentes na cidade, para pontos que seriam utilizados como baluarte de defesa.

“Gatinho” não estava em Mossoró no dia do assalto, fora contratado para seguir para Fortaleza, às nove da manhã de 13 de junho, com a esposa e dois filhos do médico Eliseu Holanda. Segundo o motorista, depois deste episódio, não mais teve notícias se este médico e sua família retornaram a Mossoró, “nem a passeio”.

Igreja de São Vicente de Paula, histórico palco de resistência dos mossoroenses aos ataques dos cangaceiros de Lampião. Anualmente neste local acontece uma encenação do fato dentro do calendário cultural do município.
Igreja de São Vicente de Paula, histórico palco de resistência dos mossoroenses aos ataques dos cangaceiros de Lampião. Anualmente neste local acontece uma encenação do fato dentro do calendário cultural do município.

Em Fortaleza, o “estafeta de Lampião” passou alguns dias esperando a situação se acalmar.

Muitos anos depois, em sua residência na Praça Redenção, 183, na tranquilidade de sua velhice, “Gatinho” narrou ao repórter Nilo Santos, de “O Poti”, as suas inesquecíveis lembranças da meia hora que passou entre o bando de Lampião. Para ele, muitos dos cangaceiros eram demasiado jovens para aquela vida, “umas crianças” ele afirmava. Na sua memória Massilon marcou como um sujeito feio, carrancudo, grosseiro, ignorante, “que dava até medo em olhar para ele”. Lampião lhe deixou uma impressão positiva, apesar da fama, “parecia um sujeito educado, pelo menos neste dia não estava furioso”. Sobre “Coqueiro”, o condutor o considerava um moreno forte, bem disposto e “bastante alto para justificar o apelido”. Quando o cangaceiro “Mormaço”, foi detido, informou as autoridades que “Coqueiro” havia deixado o bando no Cariri e seguira para o Piauí, entretanto, segundo o pesquisador Raimundo Soares de Brito, este cangaceiro foi morto pela polícia cearense, no lugar “Cruz”, aparentemente no município de Maranguape.

Francisco Agripino de Castro se tornou um profissional do volante respeitado, era conhecido como uma pessoa calma, amigo de todos e faleceu em 16 de março de 1991.

https://tokdehistoria.com.br/2014/12/06/o-ataque-de-lampiao-a-mossoro-a-historia-do-motorista-gatinho/

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sábado, 5 de junho de 2021

ANIVERSÁRIO DE VIRGOLINO FERREIRA DA SILVA

Por Edna Santos Araújo

Nascia hoje (ontem) o homem mais destemido que esse nordeste já teve. Ele escreveria sua história a ferro e fogo, deixaria suas marcas por onde passasse... Lampião viveu e morreu cercado de mistérios, e até hoje é um enigma a ser desvendado. 

Lampião não foi um homem comum. Era inteligente,sabia de tudo um pouco, era "médico", curandeiro, conhecedor das ervas e seus poderes medicinas, fazia o parto das cangaceiras quando não tinham para quem pedir ajuda, foi artesão e cantador.... em plena caatinga, sabia exatamente onde encontrar água. 

Sabia a direção que seus inimigos tomavam, conhecia os atalhos para desviar deles sem deixar rastros. O que causa admiração em muitas pessoas, não foram os crimes por ele cometidos, mas a jeito de viver e se defender das armadilhas da vida e dos seus inimigos, foi a sua perspicácia, o jeito guerreiro de enfrentar os desafios pela vida impostos.

https://www.facebook.com/josemendespereira.mendes.5/posts/3774451209332702?comment_id=3774497789328044&notif_id=1622929326512665&notif_t=feed_comment&ref=notif

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FATOS MOSSOROENSES - PADRE HUMBERTO BRUENING

 Por Paulo Menezes

Créditos da foto: Lúcia Rocha

Padre Humberto Bruening vigário da Catedral de Santa Luzia em Mossoró, era por demais zeloso e exigente com relação aos preceitos religiosos.

Da esquerda para a direita - Raimundo Sacristão, primeiro à esquerda, Sila, Titico Maia, Padre Huberto, Bibiu Gurgel e Daniela Maia http://www.azougue.org/conteudo/dobumba192.htm

Certo dia, uma senhora altamente maquiada, lábios cobertos de batom vermelho, entrou na fila para receber a hóstia consagrada. 

Chegada a vez da carola glamourosa, o vigário saiu de lado e deu a hóstia a pessoa seguinte, e daí por diante. 

A mulher ficou no aguardo. Depois do último da fila, padre Humberto olhou para a senhora e aconselhou: 

“Vá para casa, passe água com sal nessa “ferida” e venha. A hóstia sagrada não entra em fornalha!”.

http://www.melmenezes.com.br/blog/2012/12/cantinho-do-pe-huberto-2

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PAULO MENEZES FOI MORAR COM DEUS.

Por Lúcia Rocha

O veranista e ultimamente morador de Tibau, Paulo Menezes, foi morar no céu. Para a família, nossos sentimentos, Paulo deixa saudades e excelentes textos que escreveu sobre a natureza, sobre a apicultura e sobre Tibau.

https://www.facebook.com/photo?fbid=4011561072303319&set=gm.1890667877776528

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IGREJA MATRIZ DE LIMOEIRO DO NORTE - CE

 

Igreja matriz de Limoeiro do Norte(CE), próximo a rua coronel Serafim Chaves, local do Hotel Lucas, de José Celestino de Amorim, local onde foi preparado o almoço para Lampião e seu grupo no dia 15 de junho de 1927.

Fonte:

Araújo Junior, Raimundo da Silva. memórias de Lampião em Limoeiro. Limoeiro do Norte: Pronto Color, 2017.

https://www.facebook.com/groups/1995309800758536/?multi_permalinks=2915958802026960%2C2911020432520797&notif_id=1622289111213536&notif_t=group_activity&ref=notif

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CANGACEIROS CAJUEIRO E BALIZA

Acervo do pesquisador do cangaço Beto Rueda 

José Tertuliano Pereira, o Cajueiro.

Filho de Manoel Tertuliano Alves Brasil e Antônia Pereira da Silva. Pernambucano, nascido na fazenda Campo Alegre, situada nas proximidades da Serra do Reino, São José do Belmonte(PE).

Pertenceu aos grupos de Sinhô Pereira de quem era parente e Lampião.

-Esteve no famoso Fogo do Coité, vila de Coité, município de Mauriti(CE). Janeiro de 1922.

-Participou da invasão do município de Catolé do Rocha, povoado de Jericó e das propriedades dos coronéis Valdivino Lobo e Adolfo Maia, de onde roubaram grande quantidade de dinheiro e ouro. Fevereiro de 1922.

-Atacou a cidade de São José do Belmonte sob o comando de Lampião, onde desempenhou importante papel. Outubro de 1922.

-Desapareceu das hoste cangaceiras. Uma versão conta que foi para Goiás ao encontro do antigo chefe Sinhô Pereira. Dezembro de 1922.

-Quando o cangaço foi extinto, reapareceu em Vila Bela para visitar amigos e parentes. Desapareceu novamente.

-Faleceu de causas naturais em 02 de dezembro de 1979 no distrito de Lagoa Grande, município de Presidente Olegário(MG).

José de Souza Ferraz(Zé Dedé), o Baliza.

Filho De Manuel de Souza Ferraz e Alexandrina Maria da Conceição. Nascido no município de Flores(PE).

Acompanhou os bandos de Antônio Matilde com os irmãos Ferreira, Gavião, Sinhô Pereira e Lampião.

-Participou com o grupo de Gavião(Tiburtino Inácio), do assalto a viúva do coronel Domingos Furtado, no sítio Nazaré, município de Mauriti(CE). Janeiro de 1920.

-Esteve no combate contra os cangaceiros de Cassimiro Honório, na Lagoa da Laje, onde foi ferido Antônio Matilde. Março de 1920.

-Atacou a fazenda Serra Vermelha em Vila Bela(PE), com Antônio Matilde, os irmãos Ferreira e alguns homens de Sinhô Pereira, contra Zé Saturnino e os Nogueiras. Incendiaram cercas e currais e mataram muitas cabeças de gado. Setembro de 1920.

-Sob o comando de Sinhô Pereira atacou o arraial de Coité, município de Mauriti(CE). Antônio Ferreira foi ferido. Janeiro de 1922.

-Esteve no fogo da Fazenda Queimadas, no intenso tiroteio com as volantes cearenses comandadas pelos sargentos Romão e Antônio MIguel, onde foram mortos cinco soldados e três cangaceiros: Pitombeira, Lavandeira e Manoel Purvinha. Janeiro de 1922.

-Participou do ataque ao povoado de Jericó, município de Catolé do Rocha(PB). Fevereiro de 1922.

-Participou do combate contra uma volante de aproximadamente cento e vinte homens comandada pelos tenentes Zé Lucena e Enéias Barros com os grupos dos Porcinos, Antônio Matilde e Lampião, na fazenda Poço Branco de José Mandu, próximo a Espírito Santo, entre Pernambuco e Alagoas. Meados de 1922.

-Foi morto em outubro de 1922 quando fazia parte do bando comandado por Lampião e Yoyô Maroto que atacou a cidade de São José do Belmonte(PE), com o objetivo de cumprir um pedido de Sinhô Pereira, a morte do comerciante e político local Luiz GonzagaGomes Ferraz.

Além da versão inicial que ele teria sido atingido pelos defensores, que atiraram de dentro da residência do coronel, quando derrubava uma porta para que a casa fosse invadida; há uma segunda versão, reforçada pelo depoimento do cangaceiro Cajueiro em várias entrevistas, de que o mesmo teria sido vítima de fogo amigo e atingido por um disparo de Antônio Rosa, que em meio a luta, já viera contratado pela família dos Bernardino, do Estado de Alagoas, para eliminar aquele cangaceiro por motivo de vingança.

Uma terceira versão indica que foi Levino Ferreira o matador de Baliza, com o objetivo de roubar a elevada quantia de 10 contos de réis, que o mesmo trazia nos seus bornais, frutos dos últimos roubos por ele praticado.

Posteriormente surgiu uma quarta versão para a sua morte, talvez mais confiável por suas fontes. Baliza teria sido morto por um habitante da cidade e amigo do coronel, de nome João Gomes de Carvalho, que depois entrou para a polícia de Pernambuco.

Abandonado pelo grupo em fuga, seu corpo foi esquartejado e queimado por companheiros do coronel assassinado.

Fonte:

MELLO, Frederico Pernambucano de. apagando o Lampião: vida e morte do rei do cangaço. São Paulo: Global, 2018.

OLIVEIRA, Bismarck Martins de. cangaceiros de Lampião de A a Z. 2.ed. João Pessoa: Mídia, 2020.

https://www.facebook.com/groups/1995309800758536/?multi_permalinks=2915958802026960%2C2911020432520797&notif_id=1622289111213536&notif_t=group_activity&ref=notif

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CANGAÇO - COMBATE COM LAMPIÃO E CORISCO, POR JOÃO GOMES DE LIRA

 Por Sálvio Siqueira

https://www.youtube.com/watch?v=69wxuNQDH5M&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Nosso amigo, pesquisador documentarista, Aderbal Nogueira, em frente a casa do ex- volante João Gomes de Lira, no distrito de Nazaré do Pico, Floresta - PE, numa conversa prá lá de boa sobre sua ida para Bahia para combater Lampião.

Uma produção Laser Vídeo

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CHAPÉU ESTRELADO

 Por José Cícero Silva


"CHAPÉU ESTRELADO", um belo Filme-documentário abordando a histórica marcha de Lampião com destino à Mossoró no RN em junho de 1927. Desde a cidade de Aurora no Cariri cearense, passando pela Paraíba até a cidade potiguar onde ocorreu a famosa invasão. Uma interessante narrativa de fatos e depoimentos lançando luz sobre mais esta palpitante história do cangaço nordestino.

Onde tivemos a honra de também participar como um dos pesquisadores entrevistados.

Assistam!

https://www.facebook.com/photo?fbid=10219432365821488&set=a.10202538902575465

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LAMPIÃO NO MUNICÍPIO DE AURORA PARTE 1

Por Amarílio Gonçalves Tavares


Em virtude da amizade com o Coronel Isaias Arruda, na verdade um dos grandes coiteiros de Lampião no Ceará, o rei do cangaço, como era chamado, esteve, mais de uma vez, no município de Aurora. Em suas incursões pelo município sul-cearense, o bandoleiro se acoitava na fazenda Ipueiras, de José Cardoso, cunhado de Isaias. Uma dessas vezes foi nos primeiros dias de junho de 1927. Na fazenda Ipueiras, onde já se encontrava Massilon Leite, que chefiava pequeno grupo de cangaceiros, Lampião foi incentivado a atacar a cidade norte-riograndese de Mossoró – Um plano que o bandoleiro poria em prática no dia 13 do citado mês.

Massilon

Em razão do incentivo, Lampião adquiriu do coronel um alentado lote de munição de fuzil que, de mão beijada, Isaias havia recebido do governo Federal ( Artur Bernardes, quando este promoveu farta distribuição de armas a coronéis para alimentar o combate dos batalhões patrióticos ‘a coluna prestes(54). Presente aquela negociação, que rendeu ao coronel Isaias a considerável quantia de trinta e cinco contos de réis, esteve o cangaceiro Massilon, que teve valiosa influência junto a Lampião, no sentido de atacar Mossoró, cujos preparativos tiveram lugar na fazenda ipueiras. Consta que Massilon Leite – associado a Lampião no sinistro empreendimento – tinha em mente assaltar a agência local do Banco do Brasil e sequestrar uma filha do coronel Rodolfo Fernandes.

O Bando de Lampião que chegou à Aurora era composto de uns cinquenta cangaceiros, dentre os quais Rouxinol, Jararaca e Severiano, os quais já se encontravam, há dias, na aludida fazenda acoitados por José Cardoso. De Aurora, Lampião levou José de Lúcio, José de Roque e José Cocô ( José dos Santos Chumbim), todos naturais da região de Antas, tendo sido incluídos no subgrupo de Massilon. No dia 13 de junho de 1927, Lampião ataca a cidade de Mossoró, a mais importante do interior do Estado potiguar. “ Após quarenta minutos de fogo, já tendo tomado duas ruas, Lampião ordena a retirada. Fracassara o seu maior plano.

Bando de Lampião em Limoeiro

Após o frustrado ataque ‘a cidade norte –riograndense, Lampião bate em retirada, entrando no Ceará pela cidade de Limoeiro, onde não é importunado. Ali fez dois reféns a resgate – pessoas idosas e de destaque social- e teve a petulância de , com seu grupo, posar para uma foto, no dia 16 daquele mês. Ante a ameaça de invasão das cidades da zona Jaguaribana e já havendo um plano de combate ao famigerado bando, juntaram-se contingentes policiais de três estados – Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba – numa quixotesca campanha contra Lampião, tendo sido nomeado “ comandante geral das forças em operações “ o oficial cearense, Moisés Leite de Figueiredo ( Major ).

No dia 16 de junho, a força paraibana havia seguido para Limoeiro, mas ao chegar ali, Lampião já tinha levantado acampamento. Prosseguindo em sua retirada pelo território cearense, com um grupo reduzido a trinta e poucos homens, em virtude da morte de dois dos mais temíveis cangaceiros – Jararaca e colchete – e das deserções que se seguiram ao malogrado ataque, inclusive a de Massilon Leite e seu sub-grupo, Lampião é perseguido por volantes, com as quais tava combates.

Dentre estes, o mais intenso foi o travado no dia 25 de junho, na Serra da Macambira,, município de Riacho do Sangue, no qual Lampião, mais um vez, provou a sua invencibilidade. Enfrentando uma força de mais de trezentas praças, sob o comando exclusivo do tenente Manoel Firmo, este sendo auxiliado por nove tenentes – José Bezerra, Ózimo de Alencar, Luiz David, Veríssimo Alves, Antonio Pereira, Germano Sólon, Gomes de Matos, João Costa e Joaquim Moura, Lampião pôs-se em fuga incólume, deixando quatro soldados mortos. Seguram-se combates menores em cacimbas (Icó), Ribeiro, no vale do Bordão de Velho, e Ipueiras os dois últimos no município de Aurora, com o rei do cangaço levando a melhor.

Izaias Arruda

No dia 28 de junho, Lampião contorna a serra do Pereiro, passando pelas serras vermelhas, Michaela e Bastiões- o Grupo marchava a pé, por veredas e nunca por estradas – tendo a tropa em seu encalço. É ai que Lampião resolve derivar para o lado do cariri e continuar a retirada em direção ao município de Aurora, onde esperava encontrar refúgio no valha Couto do seu “amigo” Isaias Arruda.

Em seu livro “ lampião no Ceará, narra o major Moisés Leite Figuiredo que, no dia 1º de julho de 1927, Lampião cm seu grupo estacionava no alto da serra de Várzea Grande no lugar olho d’água das éguas, e que ali perto, no lugar Ribeiro, já se encontravam as forças do tenente Agripino Lima, José Guedes e Manoel Arruda – o primeiro, da polícia do rio grande do norte, e os dois últimos, da polícia paraibana -, valendo salientar que tais contingentes totalizavam “ cerca de duzentos homens, bem aparelhados, no dizer do major Moisés...

Continua...

Amarílio Gonçalves Tavares
TEXTO RETIRADO NA INTEGRA DO LIVRO AURORA HISTÓRIA E FOLCLORE, 
AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES P. DE 138 A 146 IOCE, 1993 - CAPÍTULO 15
(Cortesia do Envio: Luiz Domingos de Luna)

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